Publicado por: Amir Somoggi | 7/maio/2009

Chelsea e Barcelona

Amigos do blog, depois de um tempo consegui publicar meu post sobre algumas impressões que tive em minha visita a alguns estádios na Europa, especificamente em Londres e Barcelona.

O eletrizante confronto entre Chelsea e Barcelona é um bom momento para apresentar os dois clubes, que possuem estrutura jurídica muito diferente e modelos de gestão antagônicos.

Enquanto o Chelsea é de propriedade de um russo bilionário, o Barcelona é uma entidade sem fins lucrativos que elege o seu presidente e o corpo diretivo por meio de seus sócios, que elegem além do mandatário os membros da assembléia de sócios, que junto com a junta diretiva administra o clube.

Entretato em termos de marketing ambos trabalham muito a paixão do torcedor explorando muito a imagem de seus ídolos associada à marca do clube e de seus patrocinadores. Isso é uma realidade em todos os mercados europeus e precisa ser aplicado no Brasil, em grande intensidade e não apenas ações pontuais que geram receitas marginais.

Por conta do imponderável do futebol, o modelo em que acredito e espero que se construa em alguns clubes no Brasil venceu mais uma vez o modelo empresarial adotado principalmente na Inglaterra e Itália.

Esperava ser mais impactado pelos clubes de Londres, mas pelo tamanho da cidade e pelo excessivo número de atividades culturais, sociais e esportivas, os clubes são parte de um todo e não os players principais como em cidades menores. Mas acredito que Arsenal e Chelsea têm uma grande oportunidade de investir em PDV´s e principalmente em um maior impacto mercadológico para milhões de turistas que visitam a cidade e não vão aos estádios dos clubes.

Chelsea e o Stamford Bridge

Ao sair da estação do metrô e me deparar com o Stamford Bridge tive uma sensação imediata: E possível ter um estádio para 41 mil espectadores em uma rua residencial.

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Assim que se aproxima do estádio a área livre para os torcedores e turistas tem os muros envelopados com fotos e imagens do time e jogadores. Essa cenografia é de acesso gratuito assim como a loja.

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O estádio é um complexo muito interessante de hotel, estádio, restaurante e loja, em um espaço bastante reduzido. Mesmo com um estádio pequeno, o Chelsea é um dos clubes que mais geram receitas com matchday no mundo e apresenta o maior ticket médio do futebol europeu, cerca de 75 euros por torceor.

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Stamford Bridge é impecável e as facilities para o torcedor são simples, cobrem todos os lugares do estádio e possuem espaço bastante razoável para o trânsito dos torcedores. O tour pelo estádio custa 15 libras, praticamente o preço de outras atrações da cidade, embora não seja o melhor museu e tour que já visitei. O perfil do visitante do tour do estádio é um turista estrangeiro apaixonado pelos grandes craques do time londrino, de várias faixas etárias.

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Na loja do Chelsea tive uma grata surpresa, pois no andar de cima há simplesmente camisas do clube de todos os modelos, tamanhos e principalmente preços… Há camisas para todos os públicos, pesoas e bolsos. Uma réplica oficial com preços a partir de 30 libras podendo chegar a 40 libras e camisas da adidas e do clube com preços extremamente convidativos como um modelo que vi por 8 libras. Isso mesmo no bairro mais caro de Londres você pode ter uma camisa oficial do Chelsea de extrema qualidade por menos de R$ 30!?

Loja Chelsea

Vi na rua para vender camisas piratas dos clubes por cerca de 9 libras.

Barcelona e o Camp Nou

Chegar ao Camp Nou é um experiência fascinante. O clube realmente é o maior representante da Catalunya e está vivendo um momento mercadológico incrível. Em seu estádio o ticket médio do gasto do torcedor é de cerca de 48 euros e o clube somente com seus sócios e venda de abonos para a temporada gera cerca de 50 milhões de euros, mais do que o futebol brasileiro gerou com venda de ingressos em 2007.

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Você sente o Barça do momento que chega à cidade e nos mais variados pontos turísticos, até no aeroporto na hora de ir embora no embarque internacional. O clube está em todas as partes.

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Além disso, o Barcelona está com uma estratégia global de posicionamento de sua marca, que engloba a essência do que representa o Barça e o momento atual do clube e seus projetos de responsabilidade social.

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O clube a partir de sua mais clara definição “Més que un club”, criou uma estratégia focada nessa mensagem associada a importantes projetos globais contra a fome e a miséria no mundo e é o posicionamento estratégico do clube atualmente.

A marca Més virou uma linha têxtil e de acessórios e como vocês podem ver utiliza o maior ídolo catalão atual do clube.

Uma outra imagem interessante é verificar o perfil desse público que está no caixa pagando suas compras na loja. Meninas de poucos mais de 13 anos…

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E essa outra imagem, em uma 5ª feira às 19hs, sem nenhum jogo na semana, os turistas depois de fazer o tour no estádio e museu ( o mais visitado da cidade e o 3º da Espanha) e comprar na loja, ficam sentados comendo e bebendo em uma área externa da loja e museu.

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Em suma o Barcelona tem um grande negócio nas mãos e pode crescer muito ainda com a exploração de seu estádio e de sua marca. Nesse ano entram em vigor os novos contratos com Nike e Mediapro que devem elevar as receitas do clube para 380 milhões na temporada 2008-09.

E é claro que chegar à final da Champions ajuda muito o clube blaugrana a atingir seus objetivos esportivos e estratégicos.

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Responses

  1. Não custa lembrar, a beleza de cartazes, fachadas de lojas e paredes envelopadas não seria possível na terra da ridícula e cinzenta lei “Cidade Limpa”. Abs e belo post.

    Olá Luiz,

    Na verdade as paredes envelopadas do Chelsea são na parte interna do terreno do estádio e em SP poderia ser feito, cuidando para que as imagens fossem de visualização interna.

    Um abraço.

    Amir

  2. Esse post me deu uma saudade de Barcelona…

    Eu já fui no Stade de France que é belíssimo, mas o Camp Nou tem muito mais a cara do futebol, da pressão da torcida. O SF parece mais que você foi ao estádio, mas está assistindo pela TV.

    Em barcelona, o que mais me impressionou foram as lojas e produtos do barcelona fc integradas à cidade. Não tem um turista que saia da cidade sem ter comprado uma lembrança “oficial” do Barça.

    As aspas são provocativas: sim, a pirataria de produtos do Barça está em toda cidade e, mesmo assim, é dos clubes mais ricos do mundo.

    Outra coisa interessante, que você citou no caso do Chelsea e no Barça tinha na época do Ronaldinho, são as estrelas tratadas como Super-heróis, com super-exploração da imagem. Aqui estamos vendo isso pela 1a vez com o R9.

    Pergunta provocativa: mesmo com toda a exploração da imagem do R9 pelo Luis P. Rosemberg no timão, você não acha que ainda é muito inferior ao que o próprio Barça faria se ele estivesse por lá?

    Olá Álvaro,

    Muito legal o seu comentário. O Barça está conseguindo combater a pirataria em alguns pontos turísticos. Eu, por exemplo, comprei um imã de geladeira do Barça, por 1,5 euros em uma loja express oficial do clube ao lado da Sagrada Família, região repleta de lojas com produtos oficiais e piratas.

    Ao meu ver o Ronaldo pode realmente se transformar em um case, visto que o custo de ter o atleta já foi superado em novas receitas geradas.

    Veja esse link, foi uma entrevista que concedi falando sobre o assunto.

    http://veja.abril.com.br/noticia/variedade/ronaldo-ja-lucro-afirma-especialista-467546.shtml

    O Barça seguramente ganharia muito mais, mas pelos meus cálculos o Ronaldo em um cenário otimista pode gerar até R$ 34 milhões novos em 2009 para o Corinthians, embora o cenário realista seja de R$15/R$20 milhões novos, o que não é nada mal, considerando que o gasto fixo para tê-lo é de 400 ou 500 mil por mês, divididos…

    Um abraço

    Amir

  3. Bela análise Amir.

    Interessante notar que e a associação da marca com os principais ídolos não apenas com supercraques, mas também com jogadores que possuem uma identificação quase “carnal’ com seus clubes conforme vimos os destaques de John Terry no Chelsea e no Barça a figura de Carles Puyol, um símbolo da causa catalã. Ou vocês acham que o beijo na faixa de capitão (que tem as cores da comunidade autônoma da Espanha) após seu gol no último clássico com o Real Madrid foi por acaso?

    Abraço a todos.

    Olá Glauber,

    Esse é o principal combustível do negócio futebol, a adoração das pessoas pelos craques dos times. Assim os clube ganham mais recursos para investir em salários ainda maiores para ídolos cada vez mais globais…

    No caso do Barcelona, sempre haverá no time jogadores das canteras, por um posicionamento estratégico.

    O Barcelona tem uma trajetória diferente do Real Madrid em seu processo de globalização, já que por ser catalão, jamais perderá o vínculo com seu povo e suas tradições e no caso do Barça o capitão Puyol é a figura perfeita para o momento do clube.

    Um beijo na bandeira da Catalunya em pleno Bernabéu depois de 6X2 contra o Real Madrid, simboliza muito para a história desses dois clubes e o que representam para a Espanha.

    Um abraço.

    Amir

  4. Amir

    Como os clubes europeus conseguem construir estádios modernos se os mesmos estão cheios de dívidas?

    Quais são os empecilhos para se constriur um estádio decente no Brasil, porque só vejo maquete e estádio que é bom nada.

    Olá Marcel,

    No Brasil os clubes não têm como construir sem parcerias seus estádios ,já que as receitas estão comprometidas com a operação da etidade.

    Na Inglaterra os estádios começaram a ser reformados com a nova regulação na década de 90 e no caso do Chelsea com a compra, o estádio passou por melhoras. Se tem um investimento que o Abrammovich fez e gerou resultado foi no estádio…

    Ele sabe que um estádio novo e maior seria perfeito para o clube, mas com uma dívida de 900 milhões de euros, somente se ele bancar do bolso…

    No caso do Arsenal o modelo é bem mais interessante. A dívida atual do clube que é alta foi resultado do empréstimo para construir o Emirates e seu complexo de Highbury. O clube garantiu o empréstimo com os season tickets! Já que ele tem uma receita garantida e fila de espera gigantesca…

    Será que um dia um clube brasileiro não poderia levantar um empréstimo no banco usando como garantia a receita garantida de seus sócios e cadeiras nos estádios? Para isso um clube precisa de R$50 milhões-R$80 milhões com esse perfil de torcedores por ano para erguer um estádio novo e ficar 100% das receitas como é na Europa.

    Um abraço.

    Amir

  5. Amir,
    Belo post!
    Já visitei Barcelona e não pude deixar de conhecer o Camp Nou. É realmente fantástico, tem uma energia incrível. O museu é bem feito (melhor que o do Real) e “desemboca” na porta da megaloja do clube.
    Eles vendem de tudo. Vi até uma geladeira grená com o escudo por 4.000 (!) euros.
    Incrível!

    Olá Pedro,

    Realmente os jogos no Camp Nou são incríveis, bem como no Santiago Bernabéu que tive a oportunidade de assisitir e é uma experiência única também.

    Agora o modelo criado pelo Barça para sua loja é incrível. A loja é um dos locais mais visitados da Espanha, pois recebe mais turistas que o museu do clube.

    E sem dúvida é impressionante o tamanho e a gama de produtos que oferece, com preços bem salgados.

    Um abraço.Amir

  6. Amir
    Realmente esse post é incrível. Parabéns pelas informações.
    Esperamos que essa sua contribuição possa atingir os dirigentes brasileiros e que eles iniciem uma nova era de administração. aproveitando que teremos grandes jogadores em campo esse ano.

    abraços

    Olá Paulo,

    Legal que você gostou.

    Na prática o que os clubes brasileiros precisam é ir conhecer os conceitos fundamentais de marketing adotados no futebol europeu…

    Temos a mesma tecnologia, mercado publicitário, marketing promocional e eventos gigantesco, etc,etc,etc. Mas cada clube precisa definir uma estratégia de logo prazo para suas marcas, que obviamente inclui seu negócio como um todo…

    Um abraço.

    Amir

  7. Amir,

    Esse tipo de post só contribui com a minha opinião de que o Brasil poderia sim ter a liga mais forte tecnicamente do mundo. As estratégias de marketing são perfeitamente possíveis de serem utilizadas aqui, entretanto o talento e o volume do “pé-de-obra” só existe no Brasil.

    Também é importante ressaltar que o Barcelona tem algo que nenhum clube no mundo tem: eles representam uma nação, e por isso a integração do clube com a cidade. E esse diferencial é primorosamente bem explorado pela diretoria catalã.

    Abraços

  8. Amir, excelente texto e depoimento. Também visitei algumas instalações na Europa recentemente, as do Barcelona, inclusive.

    Incluo as emocionantes experiências de conhecer o Bernabeu, o Emirates Stadium (esta a convite do pessoal de marketing do clube) e do Liverpool, com seu museu pra lá de caprichado para citar algumas dentre as minhas visitas.

    Realmente a construção da experiência provida ao torcedor, como você descreveu, de todas as classes sociais mostra o apelo global do futebol em seus cortes sócio-econômicos, demográficos.

    Os resultados falam por sí só….um “coração mais solto” sai dessas experiências quase um fã, no mínimo com um grande respeito pelo clube.

    Espero que algum dia, essa nossa bandeira de que tratar bem o consumidor é economicamente viável, e muito, passe a ser uma verdade no nosso ambiente de negócios.

    Abraços,

    Robert

    Olá Robert,

    Realmente a experiência de vivenciar a realidade européia apenas comprova que se o mercado brasileiro quiser podemos mudar muita coisa em nossos estádios.

    A questão é que todos acreditam que sem a construção dos estádios nada pode ser mudado. E como sabemos muitos clubes, mesmo depois da Copa de 2014 permenecerão em estádios antigos e obsoletos.

    Um abraço.

    Amir

  9. Belo post
    Muito legal ver algumas informações as quais normalmente não temos acesso dos clubes lá de fora.
    Mas acho importante também ressaltar que isto é um modelo que funciona lá fora,para a realidade do brasil é preciso de algumas adequações.

    Olá Caio,

    Sou totalmente favrável a qualquer adequação necessária para aplicar novas premissas no futebol brasileiro.

    O que não dá para aceitar é imaginar que nada do que deu certo no exterior possa ser estudado e aplicado por aqui. E esse é o discurso atual do futebol brasileiro.

    Um abraço.

    Amir

  10. Espero q a arena do Gremio tambem seja assim… Alias, devem lançar o site oficial da arena no meio do ano e tambem ja vao começar a cercar o local da construçao 😀

    Gostaria de saber se vcs nao vao fazer as analises dos balanços de cada clube como no ano passado? Acho muito importante para os torcedores e para o proprio futebol brasileiro essa analise detalhada feita por voces.

    Aproveito para mandar o balanço do Gremio, q depois de muita cobrança finalmente foi publicado no site oficial do clube!!

    http://www.gremio.net/page/view.aspx?i=balanco_2008&language=0

    Olá Borracho,

    Obrigado pelos links.

    Estou trabalhando nos números financeiros dos clubes brasileiros e a Casual Auditores como todo ano faz pubicará seu estudo sobre as finanças dos clubes.

    Um abraço.

    Amir

  11. Belo post, muito interessante.

    Conheço alguns estádios do mundo também, sempre que viajo procuro conhecer.

    Gostei muito do San Siro em Milão, que integra estádio, museu e loja, fazendo referências sempre ao Milan e Inter de maneira conjunta, deixando a rivalidade de lado. O complexo San Siro também é muito visitado por turistas e o tour é incrível, te permitindo até mesmo entrar no gramado!!!

    Um exemplo regional é o estádio La Bombonera, do Boca Jrs., que integra também o estádio, museu e loja oficial, atraindo muitos turistas e gerando muitas receitas ao Boca. Esse modelo é perfeitamente adaptável aos clubes no Brasil e já é feito pelo Atlético Paranaense em Curitiba (com execeção ao museu), integrando o belíssimo estádio à uma Loja oficial da Umbro. Mas ainda não se tornou um ponto turístico da cidade, acredito quer por falta de divulgação, pois o estádio é realmente belíssimo e digno dos padrões europeus.

    Vc conhece a Kyocera Arena do CAP? O que acha dela?

    Abraço!

  12. Até inicio de 2009 eu nunca tinha comprado produtos do Vasco (não confiava na diretoria anterior). A partir de fevereiro eu comprei mais ou menos 8 produtos oficiais (na loja vascoboutique) e mais um por um site que alega que a camisa é oficial (camisa do time de futsal).

    A estratégia desse ano foi vender por 50 % do valor as camisas da Reebok visto que o novo patrocinio se tornou da Champs.

    Fiz a festa !
    Indiquei pra diversos amigos e se tivesse mais eu compraria.


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