Publicado por: João Frigerio | 4/novembro/2012

O Palmeiras está certo… porque a regra está errada!

A grande discussão da semana em sites de esportes e várias redes sociais foi sobre o pedido do Palmeiras para anulação da partida contra o Inter-RS, no qual há indícios de que a arbitragem teve auxílio de imagens de TV para anular o gol do atacante alvi-verde, Barcos. O Palmeiras acabou perdendo a partida por 2 a 1.

O gol de Barcos foi claramente com a mão, e pelas regras do jogo, não deveria ser validado. No entanto, parece evidente que a decisão do árbitro foi influenciada por agentes externos – alguém teria alertado o quarto árbitro de que as imagens de TV mostravam claramente a ilegalidade do lance. Este fato poderia ser interpretado como erro de direito e daria sustentação ao pedido do clube paulista.

A discussão desde então varia entre conceitos ideológicos e jurídicos. Ideologicamente, é claro que o resultado obtido dentro de campo foi o justo, pois o gol havia sido ilegal. No entanto o meio utilizado para se punir o infrator (Barcos/ Palmeiras) também foi ilegal, e é portanto não aceitável.

Eu acredito que, mal-comparando, podemos fazer um paralelo a uma situação na qual, por exemplo, um crime é descoberto através de grampos telefônicos ilegais (sem autorização da justiça). As provas obtidas desta maneira não devem e não podem ser utilizadas para condenar um réu*, mesmo que seja evidente a culpa do mesmo. O caso do gol do Barcos é mais ou menos parecido. Ele cometeu um delito (gol de mão), mas a prova do mesmo teria sido obtida de maneira ilegal.

Há no entanto uma grande e importante diferença entre os paralelos traçados. No caso de não se poder utilizar gravações de grampos telefônicos ilegais, a regra (a lei) é boa. Procura-se evitar uma série de abusos que poderiam comprometer a vida privada de todos os cidadãos. Já o fato de não se poder utilizar imagens de vídeo para auxiliar a arbitragem de futebol é extremamente ruim!

Nos dias atuais, a proibição de auxílio de imagens de vídeo não faz absolutamente nenhum sentido.

O árbitro de futebol talvez seja hoje o ser mais injustiçado do esporte moderno. Chega a ser desumana a cobrança que lhes é feita. Eu digo desumana porque os resultados que se cobram são humanamente impossíveis de se obter. O árbitro tem uma fração de segundos para decidir sobre lances que serão analisados em câmera-lenta, por vários ângulos, com outros recursos digitais (e.g. tira-teima) que eventualmente mostrarão que um atacante estava 30 cm em impedimento, e portanto o gol que decidiu a partida deveria ter sido invalidado. Como resultado, o árbitro que validou o gol é suspenso!

Os dois vídeos abaixo – envolvendo o mesmo árbitro, Carlos Francisco Nascimento – mostram exatamente como a utilização de vídeo deveria ser permitida. Se fosse o caso, ao invés de toda a polêmica, as partidas teriam sido reiniciadas rapidamente, e com a decisão acertada.

O vídeo também poderia ajudar o árbitro na questão disciplinar e certamente coibiria um dos grandes males do esporte atual: a simulação. O ábitro poderia conferir imediatamente se um jogador que se joga ao solo com as mãos no rosto foi realmente atingido ou está fazendo firula ou se houve realmente um pênalti ou não.

A FIFA não precisaria (e nem poderia) impor o uso de vídeo para arbitragem, mas deveria permitir que o mesmo fosse usado se os organizadores de competições (ligas e federações) assim o desejassem. À FIFA caberia ditar algumas regars de como o vídeo poderia ser utilizado. A meu ver, o árbitro deveria poder consultar imagens de vídeo sempre que sentisse necessidade. Seja cinco, dez, ou mesmo nenhuma vez durante a partida. As equipes poderiam ter também um “desafio” por tempo, mais ou menos como se faz no tênis hoje em dia. Ao invés dos auxiliares atrás da linha de fundo, bastaria um quinto (vídeo)árbitro do lado de fora para auxiliar o árbitro principal.

Hoje a FIFA não permite que lances polêmicos sejam reprisados nos telões dos estádios, justamente para que a arbitragem não seja influenciada pelas imagens nem que os torcedores pressionem o árbitro, se as imagens forem evidentes ao mostrarem que o mesmo errou. Este segundo argumento logo se tornará obsoleto. Em pouco tempo milhares de pessoas nos estádios poderão ver as repetições de jogadas em seus smart-phones e saberão, em tempo real, se o árbitro errou ou acertou. Ou seja, a única pessoa no estádio que não terá acesso a tecnologia e não terá certeza se a decisão foi certa ou errada será justamente aquele que deveria ter os melhores recursos para tomar uma decisão. O árbitro.

Faz sentido?

*No Brasil, gravações telefônicas podem ser usadas como prova, mesmo que tenham sido feitas sem qualquer autorização judicial ou sem o conhecimento de quem estava na outra ponta da linha, desde que/somente se forem feitas por um dos interlocutores. 


Responses

  1. Excelente seu post. Parabéns!

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  4. Ótimo texto

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  6. Formula Magica para salvar o Calendário e o Campeonato Brasileiro de pontos corridos
    Primeiro Turno
    Todos jogam contra todos, no ano seguinte o mando de campo deve ser invertido.
    Segundo Turno
    Divide o campeonato em dois grupos, os que irão disputar o título e os que vão brigar para não cair, respeitando a pontuação do primeiro turno:
    Os 10 primeiros jogam somente entre eles para disputa do Título e classificação para Libertadores (não podem ser rebaixados visto que irão ter confrontos mais difícil que o segundo grupo). Os times desse grupo vão brigar para ter a classificação final do campeonato entre 1º ao 10º.

    Os 10 últimos jogam somente entre eles para disputa do rebaixamento (não poderão se classificar para libertadores nem titulo, visto que jogam somente com os adversários mais fracos). Os times desse grupo vão brigar para ter a classificação final do campeonato entre 11º ao 20º. A motivação para ficar em 11º ou 12º surgiria de vagas na sul-americana e a motivação para ficar fora da zona de rebaixamento surgiria por motivos óbvios de querer disputar o título no ano seguinte.
    A pontuação do campeonato no segundo turno passa a ser somente os pontos conquistados nos confrontos diretos (Somados primeiro e segundo turno), ou seja os pontos validos para o grupo de disputa do titulo será os pontos conquistados somente contra os adversários do grupo de conquista do titulo. Os pontos validos para rebaixamento serão somente os pontos conquistados nos confrontos dos times que compõe o grupo de rebaixamento. O 1º Critério de desempate seria a pontuação do 1º turno.
    O mando de campo deve ser invertido do confronto realizado no 1º turno (se o 9º colocado jogou as nove partidas contra os 10 primeiros fora, nesse returno irá jogar 9 partidas em casa). Nesse formato a briga pelo titulo, Libertadores e rebaixamento terão os confrontos diretos com jogos de ida e volta, considerando os pontos do 1º e 2 turno nos confrontos diretos.
    O Primeiro turno ficará bem mais interessante, pois será nesse turno que teremos a definição de quem briga para não cair e quem ainda sonha com o título e Libertadores.
    O segundo turno irá pegar fogo, somente com jogos de confrontos diretos na disputa pelo titulo, libertadores e briga para não cair. O fato de ter somente confrontos diretos recolocaria na briga pelo titulo até o 10 colocado, mesmo estando com uma pontuação distante do líder.
    A tabela seria reduzida, pois no segundo turno os times jogariam somente 9 partidas (metade do modelo atual). Resolvendo um grande problema de excesso de jogos reclamados por torcedores, imprensa e técnicos e principalmente os jogadores (Bom Senso).
    Vamos ter um segundo turno com nove rodadas que representariam nove finais de campeonato. Muita emoção em todos os jogos!!!
    Comentários e questionamentos importantes:
    Por que não zerar os pontos e iniciar um campeonato novo no segundo turno?
    Um time que abrisse vantagem no 1º turno seria prejudicado se a campanha dele fosse igualada a do 10º colocado.
    Um time que já tivesse matematicamente classificado entre os 10 primeiros no 1º turno, não jogaria com o mesmo intuito de vencer, pois já estaria classificado. Mas se esses pontos ainda forem considerados no segundo turno, o time ainda ira querer ganhar todos os jogos.
    Fazer o primeiro turno ser também um campeonato com jogos emocionantes em sua reta final.
    Por que não fazer o segundo turno com jogos de ida e volta?
    Iria acarretar mais uma vez com o problema de muitas datas, além de ter alguns times beneficiados jogando 2 vezes como mandante (uma no 1º e outra no 2º turno) contra um adversário direto pelo titulo.


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