Posted by: Maurício Bardella | 17/Julho/2008

Camisa popular do Corinthians para combater a pirataria

Em 8 de fevereiro publicamos um artigo intitulado Camisas Piratas e Camisa Populares, no qual tentávamos discutir soluções para que os clubes pudessem ofertar ao mercado camisas mais baratas, ainda que não fossem confeccionadas com os mesmos materiais das oficiais. Trata-se de buscar uma estratégia para minimizar os efeitos da pirataria, ainda que não se consiga eliminá-la por completo, aumentando as receitas dos clubes com as vendas desse item licenciado que funciona como o “carro-chefe” de toda a linha de produtos que carregam a marca da associação.

 

Nesse artigo – cuja leitura eu indico para os amigos que conheceram o Futebol&Negócio recentemente – sugeríamos que os fabricantes de materiais esportivos terceirizassem a produção das camisas populares, procurando fornecedores com menores estruturas de custos e eventualmente retirando seus logotipos desses produtos, com isso os diferenciando visualmente das camisas oficiais e, ao mesmo tempo, evitando a contaminação da marca em um produto com padrões de qualidade necessariamente inferiores.

 

Pois a Nike acaba de anunciar que ainda durante esse ano será lançada uma linha de camisas do Corinthians que chegará ao consumidor por R$ 50,00, contra os quase R$ 160,00 da camisa oficial. Segundo o vice-presidente de marketing corinthiano, Luiz Paulo Rosemberg, as camisas serão visualmente similares, mas não terão o logotipo da Nike.

 

Para chegar a esse produto a empresa norte-americana selecionará um fornecedor que será encarregado da produção. Os parâmetros de qualidade, demonstrados por exemplo no tipo de material com o qual se confeccionará a camisa, serão definidos pela Nike com o objetivo de combinar baixo custo com uma qualidade que atenda as aspirações do consumidor desse tipo de produto.

 

Convenhamos que, por R$ 50,00, essa camisa popular deve ser capaz de atingir um grande mercado consumidor, já que seu preço se aproxima bastante das camisas piratas e das falsificações. Ressalto, no entanto, que a distribuição deve ser ampliada e a produção deve ser capaz de atender a uma grande demanda, requisitos básicos em minha opinião para que o produto tenha uma presença de fato consistente no mercado.

 

Na essência do projeto está o conceito de segmentação, que tanto temos defendido nesse blog. Se os clubes tem dificuldades para aplicar efetivamente conceitos de marketing em seus negócios, não se pode admitir que as empresas patrocinadoras, com suas estruturas profissionalizadas, não desenvolvam conceitos como a segmentação da linha de produtos licenciados, para citar um exemplo. O produto futebol alcança todas as classes sócio-econômicas e oferecer produtos diferenciados, com estruturas de custos e preços também diferentes, é um caminho óbvio para aumentar as vendas e ampliar as receitas.

 

Vamos acompanhar o desenvolvimento da camisa popular corinthiana com bastante expectativa. Caso ela seja um sucesso de mercado um grande paradigma dessa indústria estará sendo destruído, e se provará que é possível atacar a pirataria com produtos e não apenas com ações policias.

 

 

 

Novo modelo de camisa oficial do Corinthians

 

  

 

Em paralelo a Nike acaba de apresentar a nova linha de camisas oficiais do Corinthians, já disponível nas lojas - evitando assim erros de várias empresas que realizam eventos de lançamento sem disponibilizar o produto de imediato para o consumidor. Com o mercado aquecido e com a boa campanha do clube na Série B as novas camisas devem responder por uma significativa receita, assim como aconteceu com as camisas roxas que a Nike recentemente lançou e o clube utilizou apenas uma vez - o que não foi suficiente para impedir que ela se transformasse em um sucesso de vendas. Mas esse já e um assunto para uma outra e futura discussão.

 

Posted by: Amir Somoggi | 14/Julho/2008

Série A X Copa do Brasil

Aqui no blog alguns posts geraram bastante repercussão, mas sem dúvida aqueles que abordam a discussão sobre o formato das competições que mais agradam ao torcedor brasileiro, estão entre os temas mais palpitantes.

 

Em 2008, segundo dados da CBF, a Copa do Brasil vencida pelo Sport obteve uma média de público em 110 jogos de 11.177 torcedores por jogo, o que gerou uma receita bruta com venda de ingressos de pouco mais de R$ 16,7 milhões, representando uma média de R$ 153,6 mil por jogo realizado.

 

Esses foram os clubes com as maiores médias de público da Copa do Brasil 2008:

 

Corinthians – 46,4 mil (5 jogos)

Internacional- 37,8 mil (2 jogos)

Botafogo- 29,6 mil (4 jogos)

Atlético-MG- 28,05 mil (3 jogos)

Sport- 26,7 mil (6 jogos)

Grêmio- 23,3 mil (2 jogos)

 

 

Copa do Brasil: Mata-mata com média de público inferior aos pontos corridos

 

 

Já o Campeonato Brasileiro da Série A 2008 que até momento teve publicado pela CBF dados sobre 100 jogos realizados, obteve uma média de público de 14,1 mil torcedores por jogo, o que gerou uma receita bruta com venda de ingressos de R$ 19,8 milhões, representando uma média de R$ 208,5 mil por jogo realizado.

 

Esses são os clubes com as maiores médias de público da Série A 2008 até o momento:

 

Flamengo- 37,1 mil ( 4 jogos)

Grêmio- 28,7 mil (5 jogos)

Sport- 21,5 mil (5 jogos)

Internacional -20,5 mil (5 jogos)

Cruzeiro – 20 mil ( 5 jogos)

Coritiba – 19,4 mil (4 jogos)

 

Por essa análise a Copa do Brasil não é uma competição tão mais atrativa para o torcedor brasileiro, principalmente quando analisada em termos gerais, já que tanto a média de público como a média de arrecadação são menores. (Obviamente impactado pelo grande número de clubes de centros com menor poder aquisitivo)..

 

Vale lembrar que em 2007 a Série A apresentou média superior a 17 mil por jogo, um valor 63% maior que a Copa do Brasil daquele ano.

 

 

Será que o formato de pontos corridos pode ser considerado uma realidade do mercado brasileiro e não corremos mais o risco de transformar nossa principal competição em uma outra Copa do Brasil?

Posted by: Maurício Bardella | 10/Julho/2008

Milan Junior Camp - fortalecendo a marca ao redor do mundo

Durante o mês de julho temos no Brasil a realização de uma ação de marketing desenvolvida pelo Milan, denominada Milan Junior Camp.

 

Trata-se de um acampamento de férias com a duração de uma semana, destinado a meninos e meninas de 8 a 13 anos de idade. Durante essa semana as crianças realizam uma espécie de fantasia juvenil, traduzida na vivência da experiência de um jogador de futebol profissional; as crianças têm a oportunidade de treinar com o uniforme do clube italiano, ficando concentradas em período integral durante esse período e desenvolvendo exercícios e atividades recreativas.

 

Claro que essa não é uma experiência barata: os preços para a temporada de treinos no Brasil são diferentes em cada uma das sedes em que o evento acontece: nesse mês de julho os preços variam entre R$ 1.650,00 e R$ 2.000,00. O Milan Junior Camp acontecerá entre 13 e 19 de julho nas cidades de Florianópolis (inscrição por R$ 1.650,00) e Rio de Janeiro (R$ 1.850,00), e de 20 a 26 de julho em São Paulo (R$ 1.950,00) e Porto Alegre (R$ 2.000,00 pela inscrição). No mês de dezembro haverá uma edição em Salvador, custando R$ 1.650,00 para os interessados.

 

 

 

Ao vestir o uniforme do Milan, a realização de um sonho de criança

 

Reproduzo em seguida uma breve apresentação do programa, disponível no site mantido pelos organizadores do evento: (http://www.milanjuniorcamp.com.br)

 

“ O Milan Junior Camp é um programa de férias temático de futebol, desenvolvido pelo clube e praticado em todo o mundo, durante o período de férias escolares, para meninos e meninas entre 8 e 16 anos. Treinadores das categorias de base do A.C. Milan coordenam, pessoalmente, todos os passos e atividades do programa, juntamente com técnicos brasileiros especialmente selecionados, segundo os critérios do clube. O Milan Junior Camp oferece um módulo de treinamento de 1 semana, em acomodações de alto-padrão onde os participantes permanecem durante todo o período de treinamento seguindo os métodos reconhecidamente vencedores do A.C. Milan. 

 

O Milan Junior Camp visa o desenvolvimento da prática de futebol, e não exige nenhum teste de habilidade futebolística, mas apenas o amor e empenho na prática do futebol. Ao final de cada evento, um participante será sorteado para uma viagem a Milão, onde será jogada uma partida amistosa, o Milan Junior Camp Day, antes de assistir uma partida do A.C. Milan pelo Campeonato Italiano. “

 

Veja agora o que recebe cada participante do evento, ainda segundo o site (daí a ênfase promocional da descrição):

 

“- 2 Camisas oficiais Milan Junior Camp (1 vermelha e preta e 1 branca)
- 2 Shorts oficiais fornecidos pela adidas
- 2 pares de meias oficiais Milan Junior Camp

- 1 sacola de ginástica Milan Junior Camp

- Uma semana de hospedagem em local de alto padrão com toda a segurança, conforto e infra-estrutura esportiva e de lazer para fazer do Milan Junior Camp uma experiência de férias inesquecível;
- 4 refeições diárias completas e balanceadas, preparadas segundo os mais rigorosos padrões de qualidade nutricional utilizados pelo A.C. Milan em todo o mundo;
1 kit completo adidas com 2 uniformes oficiais do Milan Junior Camp, podendo conter a logo do patrocinador local;
- Acesso aos modernos métodos de treinamento utilizados pelo Milan em suas divisões de base (máximo de 15 participantes para cada treinador);
- Contato direto com treinadores das divisões de base do A.C. Milan;
- Diploma oficial de participação no programa assinado por dirigentes do Milan;
- Troféus e prêmios distribuídos nas diversas competições realizadas durante a semana;
- Sorteio de uma viagem a Milão com tudo pago para conhecer a sede do Milan, assistir a uma partida do Milan pelo Campeonato Italiano no Estádio San Siro e jogar uma partida de futebol com outros participantes do Milan Junior Camp do mundo todo - o Milan Junior Camp Day;
- Além de toda a diversão e lazer de um programa que já é sucesso há 10 anos em mais de 27 países no mundo, contando com a participação de 10.000 crianças e adolescentes. “

 

 

O Milan Junior Camp é realizado no Brasil pela Golden Goal Sports Ventures, empresa que desenvolve diversas ações de marketing esportivo no Brasil, dentre as quais a gestão dos camarotes VIP do estádio João Havelange. Essa empresa fundada em 2004 e com sede no Rio de Janeiro se autodenomina uma empresa de gestão esportiva, o que em seu conceito supera o termo “agência de marketing esportivo”, uma vez que o marketing é definido por ela como uma das ferramentas de gestão aplicáveis.

 

- Elaboração do plano de negócios e estudo de viabilidade econômico-financeiro para cada uma das cidades-sede;
- Plano de promoção e vendas do “camp” na mídia (TV, jornais, revistas, internet e rádio);
- Seleção dos parceiros locais para a realização do “camp”;
- Seleção dos staff técnico e administrativo;
- Relacionamento com patrocinadores e parceiros locais;
- Prospecção de patrocínio;
- Atendimento via call center;
- CRM;
- Coordenação do “camp”;
- Eventos de credenciamento e encerramento.

 

Essa empresa é a responsável pelo gerenciamento da imagem do ex-jogador e atual dirigente Leonardo Nascimento de Araújo, o Leonardo do Flamengo, São Paulo, Milan e Seleção Brasileira.

 

Mas e no Brasil?

 

Por mais que a realização do Milan Junior Camp ao redor do mundo seja rentável, parece-me que o verdadeiro objetivo do clube milanês não é ganhar dinheiro (apenas) com esse evento. Trata-se de uma ação de marketing que certamente se insere em um planejamento estratégico, com o objetivo de sedimentar a imagem do clube em várias partes do globo e criar uma legião de jovens admiradores.

 

Não por acaso essa não é uma ação social realizada em áreas carentes: o público-alvo está claramente definido, com foco em crianças de classes média e alta, que possuem capacidade econômica para consumir itens licenciados do Milan e que até mesmo poderão, eventualmente, gastar alguns Euros (seus e de seus pais) em visitas aos jogos e treinamentos do clube quando estiverem viajando pela Itália. Observe-se que essas crianças terão ainda um grande papel de difusão da imagem do Milan em seus contatos com os colegas de escola e familiares, ampliando consideravelmente o alcance do evento.

 

Por fim, estabelece-se um relacionamento muito íntimo com essas crianças e um vínculo duradouro, já que o clube lhes proporciona uma experiência que, por certo, as acompanhará por muitos e muitos anos.

 

Mas e aqui no Brasil? Bem, sabemos que conceitos mais aprofundados de marketing ainda estão longe de ser a regra na gestão de nossos clubes. O que vemos por aqui são, em sua maioria, ações isoladas que visam obter receitas no curto prazo.

 

Pode-se argumentar que nas escolinhas de futebol licenciadas pelos clubes existe algo parecido com o oferecido pelo Milan. Vejo uma grande diferença: como essas escolinhas são apenas licenciadas, sem qualquer vínculo efetivo com os clubes na parte técnica, elas se transformam apenas em um lugar para jogar futebol vestindo as cores do clube e o distintivo no uniforme.  Mais uma vez, o objetivo do licenciamento das escolinhas pelos clubes está apenas na obtenção rápida de receitas, e não no estabelecimento de um vínculo real entre o clube e os jovens torcedores e praticantes de futebol.

 

De resto, as ações de relacionamento com as crianças se dão de maneira muito dispersa, como no denominado “Batismo Tricolor” no qual os pais levam seus filhos para serem ”batizados” no Morumbi, e que foi divulgado pela administração do São Paulo F.C. como uma estratégia espetacular – quando nem sequer se trata de uma estratégia, mas apenas de uma ação tática, com claros limites.

 

De maneira um pouco mais abrangente, outros clubes tem tentado expandir suas fronteiras e criar algum tipo de relacionamento, mesmo que não direcionados apenas para crianças, como é o caso dos “consulados” do Internacional. Vários outros exemplos poderão ser citados, mas não vejo nada planejado e realizado de maneira sequer próxima ao que nos apresenta o Milan.

 

Daí vem a questão: será que não há espaço para os grandes clubes do Brasil desenvolverem ações semelhantes em nosso país? Claro que há espaço, mas não creio que esse seja um objetivo para qualquer um deles, até pela ausência de um planejamento estratégico concreto e consistente, que se traduza em estratégias e ações de curto, médio e longo prazos. Para a imensa maioria de nossos clubes as ações de curtíssimo prazo são prioritárias, já que o foco imediato está no campo de jogo e no pagamento da folha salarial do próximo mês.

 

Posted by: Marcos Silveira | 7/Julho/2008

Uma arena do tamanho do Grêmio

Um dos posts mais esperados (e cobrados) aqui no blog finalmente saiu! Agradeço aos leitores Borracho e Matheus Gaúcho pelas dicas de links (e pela paciência) e ao vice-presidente do Grêmio e coordenador do Projeto Arena, Eduardo Antonini, pelos esclarecimentos e pela atenção dispensada ao Futebol & Negócio.

Maquete da nova arena do Grêmio

Nova arena do Grêmio fará parte de um complexo grandioso

A noite de 27 de março de 2008 já entrou para a história do Grêmio. Nessa data o Conselho Deliberativo do clube escolheu o consórcio liderado pela empresa portuguesa de marketing TBZ e pela construtora OAS como responsável pela construção da nova arena tricolor, no bairro Humaitá (zona norte de Porto Alegre), próximo ao Aeroporto Salgado Filho.

100 dias após a definição, falta pouco para o Projeto Arena sair do papel. O consórcio TBZ/OAS tem até o fim deste mês (julho) para apresentar as documentações e as garantias que o Grêmio exige para assinar o contrato.

Depois disso vai faltar apenas a liberação da Prefeitura de Porto Alegre e a formalização da Grêmio Empreendimentos (empresa criada pelo Grêmio para gerir o processo de construção junto com o consórcio), o que pode ocorrer a qualquer momento.

No último dia 30 de junho foram escolhidos os integrantes do Conselho de Administração da Grêmio Empreendimentos: Paulo Odone (atual presidente do clube), Fábio Koff (ex-presidente do Grêmio e presidente do Clube dos 13), Eduardo Antonini (atual vice-presidente), Alexandre Grendene (empresário), Sérgio Pegoraro (conselheiro), Mauro Knijnik (economista) e Marcos Herrmann (ex-vice-presidente).

Odone será o único dos conselheiros com cargo remunerado. Assim que a empresa for constituída, ele vai deixar a presidência do clube para assumir o novo desafio. A eleição do novo presidente gremista deve ser em setembro próximo. Além do Conselho de Administração, a Grêmio Empreendimentos terá uma diretoria profissional remumerada para cuidar do planejamento estratégico da arena.

Estrutura da arena

A nova casa do Grêmio terá 52.112 assentos distribuídos em 4 níveis (todos cobertos):

  • Arquibancada superior
  • Arquibancada inferior
  • Bancada Gold (com serviços mais sofisticados)
  • Área VIP (com 130 camarotes)

O projeto prevê ainda 882 lugares para a imprensa.

Números que impressionam

O novo estádio do Grêmio vai custar R$ 300 milhões, dinheiro que será obtido integralmente pelo consórcio TBZ/OAS, ou seja, sem qualquer endividamento do clube. O montante está de acordo com um orçamento médio para se construir uma arena moderna (padrão Fifa) no Brasil, mas representa apenas 30% do investimento no complexo, que totaliza R$ 1 bilhão.

Além do estádio, o empreendimento terá um shopping center (295.433 m2), 214.700 m2 de escritórios, um hotel (com 35.000 m2), um centro de convenções (21.075 m2), 155.540 m2 de apartamentos residenciais e um estacionamento (com 66.500 m2). Em termos de tamanho e estrutura não há nada sequer parecido na América do Sul.

Não conheço muito bem aquela região de Porto Alegre, mas imagino que deverá haver uma valorização considerável quando o projeto ficar pronto (a previsão é primeiro semestre de 2012). Conto com a colaboração dos leitores para tirar essa dúvida.

Modelo de negócio

O prazo de exploração da arena é de 20 anos. Durante esse período o resultado líquido será dividido conforme a seguinte composição societária: 65% para o Grêmio e 35% para os parceiros. Se a estimativa de receita anual (R$ 56 milhões) for confirmada, não há dúvida de que o Tricolor gaúcho terá feito um excelente negócio.

A outra contrapartida do Grêmio para o consórcio TBZ/OAS é o complexo do Estádio Olímpico, que vai ser entregue aos parceiros assim que a nova arena for inaugurada (e deve ser demolido). Vale ressaltar a ousadia da direção gremista que soube enxergar a oportunidade e, ao contrário de boa parte dos clubes brasileiros, não se prendeu a “questões emocionais”.

A parte imobiliária do projeto (que foi citada mais acima) não terá nenhuma participação do Grêmio. Em relação à infra-estrutura, estão previstos investimentos governamentais para melhorar a acessibilidade e o sistema de transporte da região. Dinheiro público, portanto, só aonde se justifica.

Para finalizar, é importante destacar que o projeto do Grêmio independe de uma possível escolha da arena como sede da Copa do Mundo de 2014, embora esteja sendo feito de acordo com todos os requisitos da Fifa. O mais provável, acredito, é termos um Gre-Nal extracampo na escolha do estádio de Porto Alegre.

Quem será que leva a melhor? A nova arena gremista ou o Beira-Rio reformado?

Posted by: Amir Somoggi | 4/Julho/2008

Clube campeão ou bem administrado?

Sempre que inicio uma palestra sobre gestão de clubes de futebol e levanto essa questão, fico impressionado com a polêmica em torno do assunto. Para muitos de nada adianta um clube ter uma administração austera se no final de cada temporada não estiver disputando a ponta da tabela ou conquistar algum título de expressão.

 

Embora esse seja um tema polêmico, tenho uma opinião clara sobre o mesmo. Para mim não adianta um clube gastar mais recursos do que poderia em busca de títulos e de uma valorização de seu negócio através do bom desempenho em campo. Sou absolutamente favorável a uma gestão que não inviabilize a operação futura da entidade.

 

Muitos casos pelo mundo e aqui no Brasil comprovam que boas práticas administrativas permitem a valorização do negócio do clube e sua principal conseqüência é uma maior possibilidade de investimento de longo prazo nas diferentes áreas de negócio dos clubes, inclusive relacionado ao departamento de futebol profissional e amador.

 

Na prática, os clubes que não se deixam influenciar pela pressão imediatista dos resultados nas competições, mesmo que no curto prazo não atinjam seus resultados em campo, seguramente a médio e longo prazo terão mais recursos disponíveis para realizar seus investimentos.

 

Essa filosofia de boas práticas administrativas é mais fácil de ser implementada em clubes menores, que sofrem menos com a pressão da torcida, conselheiros e imprensa. Não é a toa que em muitos países, inclusive no Brasil esse perfil de clubes têm conseguido se destacar nas competições que participam.

 

Para que um clube possa implementar um projeto concreto de gestão eficiente é necessário que além da busca incessante por novas fontes de receitas, a entidade implemente uma série de controles internos em sua administração e pela utilização de diferentes indicadores de desempenho. A adoção dos indicadores possibilitará que a alta administração da entidade verifique com dados históricos, a realidade financeira a cada temporada e possa traçar cenários futuros para o clube.

 

Assim, a pergunta que levantei no título desse post, serve como profunda reflexão para o mercado do futebol no Brasil, já que muitos exemplos comprovam que mesmo quando um clube amplia substancialmente suas receitas, quase sempre pela transferência de seus atletas, as despesas acabam crescendo no mesmo patamar, ou até acima, fazendo com que o cenário futuro do clube seja desfavorável, caso não surjam novos craques para serem negociados com clubes do exterior.

Posted by: Marcos Silveira | 1/Julho/2008

Arrecadação da Timemania recua de novo

Mais um recorde negativo da Timemania. O concurso nº 18 registrou a pior arrecadação desde que a loteria foi lançada: apenas R$ 2.050.224,00 brutos (1.025.112 apostas).

Fica cada vez mais claro que a baixa premiação das últimas duas semanas afastou muitos apostadores/torcedores. Para a CEF, no entanto, ainda é cedo para tirar conclusões, já que o produto é novo e continua na fase de maturação.

Vamos dar uma olhada no quadro de arrecadação após 18 concursos:

Arrecadação Timemania - Concurso nº18

Retração 2: concurso nº 18 teve MENOS da metade de apostas do 1º concurso

E se depender apenas do “atrativo financeiro”, a arrecadação não deve subir muito no próximo concurso (nº 19), que tem prêmio estimado em R$ 700.000,00 para quem acertar as 7 dezenas.

O “time do coração” no concurso nº 18 foi a PORTUGUESA/SP, escolhida por 7.782 apostadores. A Portuguesa, aliás, trava uma disputa pelo 32º lugar no ranking do coração com outros dois clubes que disputam a Série A: Ipatinga e Figueirense. Esta semana a Lusa teve menos indicações do que os dois rivais, mas segue na frente no acumulado geral (como você pode ver mais abaixo, destacado em azul).

Algumas posições acima no ranking, vale registrar duas ultrapassagens que ocorreram esta semana. O Náutico ganhou a 28ª posição do Paysandu e o ABC de Natal tomou a 26ª colocação do Botafogo-PB. Mas basta verificar os números dos 4 times (em dois tons de verde) para perceber que os dois duelos devem prosseguir nas próximas semanas.

Veja o ranking completo e atualizado até o concurso nº 18:

Ranking - Time do Coração (após 18 concursos)

TOP 20: Ceará se aproxima e Atlético-PR amplia vantagem sobre concorrentes

Para finalizar, repare que a disputa para se manter no TOP 20 (destacada em rosa) está cada vez mais acirrada. No concurso nº 18 o Ceará (22º) teve mais indicações que Santa Cruz (21º) e Treze (19º), dando sinal de que pode entrar na briga. Já o Coritiba (20º) reduziu para apenas 158 indicações a diferença para o clube da Paraíba, enquanto o Atlético-PR (18º) abriu uma boa margem sobre os demais.

Posted by: Maurício Bardella | 30/Junho/2008

Eurocopa dá audiência à Record

A Rede Record não tem motivos para se queixar do investimento feito na compra dos direitos de transmissão da Euro 2008.

No último domingo a emissora conseguiu obter a liderança de audiência na Grande São Paulo durante o horário de transmissão da final entre Espanha e Alemanha. Praticamente no mesmo horário a Globo transmitia a partida entre Cruzeiro e São Paulo, pelo Campeonato Brasileiro.

A Record teve uma média de 16 pontos de audiência contra 13 da Globo, sendo que cada ponto de audiência equivale a cerca de 55,5 mil domicílios sintonizados. Em alguns momentos a record chegou a ter 20 pontos de audiência contra 10 da Globo!

 

Disputa entre Espanha e Alemanha fez a alegria da Rede Record

Já na partida semi-final entre Espanha e Rússia, disputada na quinta-feira (26/06), a Record conseguira um excelente índice de 13 pontos, contra 12 da Globo. Entretanto a vitória de domingo, se assim a podemos chamar, tem um significado especial por se tratarem de transmissões simultâneas de futebol.

Naturalmente que se pode argumentar que o nível de interesse despertado por uma competição como a Eurocopa, especialmente numa final, é maior que o de uma partida do campeonato Brasileiro, ainda em suas rodadas iniciais. De qualquer maneira, creio que o resultado deve ter preocupado executivos da emissora carioca e talvez chegue a demonstrar que o produto transmitido pela Globo não é assim tão “invencível”.

Por outro lado, alguns aspectos agregados ao produto (portanto não relacionados à qualidade do futebol disputado em campo) podem ter influenciado, e talvez nesse ponto haja ainda mais espaço para reflexão. A qualidade das imagens transmitidas no evento europeu realmente chegava a impressionar, com super slow-motions e detalhes muito ricos das expressões dos jogadores, das jogadas, das faltas e dos torcedores. Isso sem contar, é claro, com a excelência do produto, traduzida na beleza do cenário, nas arquibancadas lotadas e na organização impecável.  Já na transmissão do campeonato Brasileiro via-se o mesmo e conhecido padrão de qualidade, que por melhor que seja é em minha opinião inferior ao show de imagens da competição européia.

A superioridade técnica da Rede Globo, que outrora foi inquestionável, talvez já não seja mais tão clara em muitos aspectos, mesmo quando comparada à transmissão de partidas locais por outras emissoras do Brasil, como Record, Rede TV e Band. Uma das críticas que tenho ouvido, por exemplo, é quanto à narração em estúdio das partidas, que para o espectador mais atento empobrece a transmissão.

Há ainda uma outra questão que não é exatamente nova, mas que pode vir a afetar os índices de audiência (se já não estiver tendo conseqüências); falo da falta de empatia que a Globo alimenta com parte considerável do público, o que não parece preocupá-la. Na semana passada essa impopularidade foi reforçada com a transmissão da partida entre Bragantino e Corinthians para o Estado de São Paulo, em detrimento da transmissão de LDU e Fluminense. A emissora exerceu seu poder para alterar a tabela da Série B com a antecipação da partida do clube do Parque São Jorge, e trouxe grande descontentamento para os torcedores de todos os times que não o Corinthians (e mesmo esses talvez gostassem de assistir à final da Libertadores)! Afinal, por mais que se busquem índices superiores e imediatos de audiência, talvez haja resultados e longo prazo que a emissora ainda não percebeu, ou prefere ignorar.

Enfim, mesmo que sejam diferentes os conteúdos exibidos por Globo e Record nesse domingo, acho que o ocorrido deve merecer alguma reflexão, o que inclui avaliar se realmente é benéfico para o negócio futebol a quase exclusividade da emissora do Rio de Janeiro na compra dos direitos de transmissão das competições nacionais.

Posted by: Marcos Silveira | 29/Junho/2008

100 mil motivos para comemorar

Até meados da década passada era comum ver estádios com públicos superiores a 100 mil pessoas. Esse número era superado em qualquer decisão de campeonato no Maracanã, Mineirão ou Morumbi.

Hoje em dia, no entanto, graças ao aumento das exigências de segurança, que reduziram a capacidade das arenas, nenhum jogo chega a esse número de torcedores presentes.

A marca “100 mil” se tornou algo praticamente intangível no futebol deste século. Aqui no Brasil apenas o Internacional, com sua meta de conseguir 100 mil sócios no ano do centenário (2009), fala nela.

E é exatamente por ser um número tão expressivo que o Futebol & Negócio faz questão de agradecer a cada leitor que já passou por aqui. Neste domingo (29/06) ultrapassamos 100 mil visitas, motivo de orgulho para os quatro integrantes do blog, que não tem nem 6 meses de existência (vai completar em 13/07).

Nesse período tivemos 137 posts e 1.071 comentários, numa média de 4 mil page views por semana. E o diferencial do Futebol & Negócio tem sido exatamente o alto nível do público que comenta em cada artigo. Por isso a participação do leitor é imprescindível para que o blog possa melhorar cada dia mais.

Como já fizemos quando chegamos a 30 mil visitas, fazemos questão de dividir alguns números que mostram o nosso desenvolvimento:

  • Janeiro - 3.220 visitas
  • Fevereiro - 8.870 visitas
  • Março - 13.566 visitas
  • Abril - 19.236 visitas
  • Maio - 29.373 visitas

 

A contagem de Junho, que termina amanhã, já passou de 26.000 visitas. Contamos com vocês para não perder o pique!

Posted by: Marcos Silveira | 28/Junho/2008

Planejar é preciso!

No dia em que Roberto Dinamite venceu a eleição pela presidência do Vasco, trazendo novo ânimo para São Januário, outro grande ídolo de um dos maiores clubes brasileiros reforçou a expectativa de que pode ser o próximo a seguir esse caminho.

Dinamite - Ontem e Hoje

Ontem e hoje: maior artilheiro do Vasco quer fazer história como presidente (arte: Globoesporte.com)

“Temos que definir esta situação com a LG. O São Paulo precisa de um posicionamento para se planejar até o final do ano, porque este é um patrocinador que ajuda na despesa do São Paulo, que é grande, com dois centros de treinamento, atletas de ponta…”

A frase é do goleiro Rogério Ceni (o negrito é por minha conta) e confirma que a liderança do capitão do São Paulo FC tem tudo para permanecer mesmo depois da aposentadoria. Se você quiser ler a matéria original do Globoesporte.com, assinada por Joanna de Assis, clique aqui.

Num momento em que o SPFC de fato tenta adiantar a renovação do patrocínio com a LG (comenta-se que pelo dobro do valor atual, de R$ 16 milhões anuais), pode até parecer uma declaração sem tanta importância. Mas quantos jogadores você conhece que falam em planejamento? Aliás, quantos dirigentes dos mais diversos clubes brasileiros sabem conjugar o verbo “planejar”?

Será que o capitão pode virar presidente do SPFC?

Será que Ceni planeja ser presidente do SPFC? (foto: Imprensa/Planalto)

Se Rogério Ceni um dia vai ser presidente do SPFC só o tempo dirá. Mas a preocupação dele deveria servir de exemplo para a grande maioria dos nossos cartolas, que segue uma linha imediatista e se preocupa muito mais com o resultado dentro de campo.

E que a chegada de Roberto Dinamite ao comando do Vasco represente uma ruptura com o atual modelo de gestão do futebol brasileiro. Ou pelo menos sirva para arejar as idéias de São Januário. Essa é a torcida do blog Futebol & Negócio.

Posted by: Marcos Silveira | 25/Junho/2008

Sem prêmio acumulado, Timemania despenca

O concurso nº 17 da Timemania bateu o recorde da loteria até agora, só que negativo. Apenas 1.069.319 apostas foram registradas nas lotéricas de todo o Brasil na última semana, totalizando uma arrecadação bruta de R$ 2.138.638,00.

O fim do prêmio acumulado (já que o primeiro vencedor saiu na semana passada) parece ter desmotivado os apostadores/torcedores. O total de apostas do concurso nº 17 recuou 44% em relação ao anterior. E a estimativa de prêmio para o próximo concurso (nº 18 ) segue em R$ 500 mil.

Veja o quadro completo após 17 concursos:

Arrecadacao Timemania - Concurso nº17

Retração: concurso nº 17 teve quase a metade de apostas do 1º concurso

Apesar da arrecadação baixa, três times atingiram marcas expressivas de apostas (em azul). O Corinthians se tornou o 2º clube a ultrapassar 2 milhões de indicações, enquanto Internacional e Vasco superaram a marca de 1 milhão.

Na disputa para ficar no “TOP 20″ (em vermelho), o Coritiba confirmou a tendência do último concurso e passou à frente do Santa Cruz. O clube paranaense tem agora uma vantagem de 505 apostas sobre a equipe pernambucana. Atlético-PR e Treze seguem nas duas posições acima, em 18º e 19º respectivamente.

Confira o ranking atualizado do “time do coração”:

Ranking - Time do Coração (após 17 concursos)

Elite da Timemania: o “grupo do milhão” tem agora 8 membros

O FIGUEIRENSE/SC foi o “time do coração” sorteado no concurso nº 17. 8.187 apostadores escolheram o clube catarinense e recebem como prêmio o valor do jogo (R$ 2).

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