Nós brasileiros somos exigentes quando o assunto é futebol, dentro de campo. Vivemos dentro do senso comum que nosso futebol é tecnicamente pobre, que nossos principais jogadores atuam no exterior, que nosso campeonato é uma bagunça só e que o futebol jogado no Brasil é ruim e sem graça.
Nos espelhamos nas gerações passadas e fazemos um comparativo, sobretudo nos talentos individuais, a seleção de 70 para os mais velhos e a seleção de 82 para os quase mais velhos são a grande referência, lembramos dos ídolos do passado como Zico, Sócrates, Falcão e ainda mais além como Ademir da Guia, Pelé e por aí vaí. E achamos nosso futebol de hoje pobre, comparação mais que injusta.
Atribuímos a isso o menor interesse, suposto, que se tem pelo futebol; só que nunca se consumiu tanto futebol no Brasil como nos últimos anos, mesmo antes da era dos pontos corridos.
Agora uma questão : o futebol inglês, no universo de jogadores puramente locais, também não gera uma seleção como a de 1966, com Bobby Charlton e sua trupe, a Alemanha não é a de Beckenbauer e assim por diante; mesmo assim seus estádios vivem cheios, mesmo sendo bem mais barato assistir pelo pay-per-view.
O futebol mudou e deixo isso para os especialistas no que ocorre dentro de campo, que não é o meu caso, sou um administrador que vê as coisas sob a ótica do negócio e com esse viés vejo que nosso futebol, sobretudo nosso campeonato nacional tem bem pouco de pobre e desinteressante, ao menos dentro de campo onde temos visto um campeonato pra lá de emocionante.
Em qual lugar do mundo, ao menos nos campeonatos mais famosos, temos um campeonato onde, faltando seis rodadas para o final temos seis equipes disputando o título e separadas por seis pontos ? Vejamos, na Inglaterra temos Manchester United mais dois, quando muito; na Espanha é Real Madrid e Barcelona mais algum intruso de ocasião como Valência, Sevilla, Deportivo. Alemanha é Bayern e mais um ou dois e por aí vai.
O Campeonato Brasileiro de 2009 tem exatos seis postulantes ao título, claro que uns tem mais chances que outros, são sete pontos em quinze possíveis, é complicado tirar, mas é possível.
Pego emprestado aqui o bom trabalho do site Chancedegol.com.br onde se mostra que de Palmeiras a Cruzeiro há chances de conquista do título, matemáticas, que vão de 42,1% a 3,9%, respectivamente; claro que Palmeiras, São Paulo e Atlético-MG, concentram as maiores chances, mas o Campeonato vai pra lá de indefinido e emocionante, cada ponto ganho conta.
Entendendo a imponderabilidade vindo do equilíbrio como um fator chave de sucesso, o Campeonato Brasileiro tem tudo para ser um sucesso de público e renda, já é, projetando renda média até o final, melhor que 2008, outro campeonato que foi bem emocionante tendo sido decidido na última rodada.
O que quero dizer com isso fica já expresso no título do post; ao contrário do que pensa o senso comum, o produto futebol brasileiro é bom dentro de campo sim, eu acredito nisso; é para os clubes aqui do Brasil que torcemos, é com eles que nos identificamos, é sobre eles que conversamos às segundas-feiras em nossos locais de trabalho, em nossas salas de aula. Não é sobre o Milan, o Barcelona e sobre o Manchester, nossas ligações históricas e afetivas estão aqui em nossas cidades.
Porém nem tudo são flores; fica o sabor amargo da péssima fase da arbitragem brasileira, que eu reputo à pouca qualidade técnica ao invés de pensar em má fé, armações e outras conspirações fantasiosas; sabor amargo também pelo caso da mala branca reportada por atletas do Barueri que gerou polêmicas e dúvidas.
E fica também a projeção de que com um campeonato destes, se houvesse mais atenção para com o torcedor e nos serviços prestados e melhores acomodações nossos estádios estariam cheios e em festa, desde que, também, não estivessem loteados pelas torcidas organizadas, que não ligam para o futebol faz tempo, a televisão parar de impor horários desconfortáveis para o torcedor baseados em beijos de novela e assim por diante.
Dentro de campo o trabalho está feito, falta o torcedor ser bem tratado no entorno, aí podemos ser a “NBA” do futebol, podemos sim, em frase que tomo emprestada do Prof. Belluzo.

