Publicado por: João Frigerio | 24/março/2009

Pontos corridos ou mata-mata?

Recentemente a Golden Goal Sports Venture, empresa especializada em gestão esportiva que eu conheço bem e admiro bastante publicou um artigo entitulado “Público no Brasileirão 2008 e reflexões sobre o modelo dos pontos corridos“.

Desde 2007, quando publicou um excelente report chamado “É Disso Que o Povo Gosta”, no qual analisou mais de 13 mil partidas do Brasileirão desde 1971, a GGSV vem fazendo análises aprofundadas do comportamento do torcedor brasileiro e os fatores que levam o mesmo aos estádios de futebol.

Este estudo mais recente pode ser lido na íntegra aqui (e eu recomendo que o façam), mas vou aproveitar para mencionar e comentar os pontos principais, já que apesar de valorizar o estudo feito, minhas concusões divergem das dos autores.

Em dezembro de 2007, a GGSV publicou uma análise do Brasileirão daquele ano e, apesar de constatar que a média de público por partida (17,4 mil) havia sido a melhor dos últimos 20 anos, isso não bastava para se afirmar que o sistema de ‘pontos corridos’ havia caído no gosto popular; ou seja, que os torcedores haviam aprendido que ‘todo jogo é uma decisão’.

Para a GGSV o maior responsável pelo aumento de público expressivo em relação ao campeonato de 2006 (39%) foi principalmente a presesença dos 12 clubes de maior torcida do país na Série A – algo que jamais havia ocorrido desde a incepção dos pontos corridos.

A previsão para 2008 era de que a média de público caísse subsctancialmente devido a fatores como: a ausência do Corinthians, a alta no preço dos ingressos e principalmente a ausência da promoção da Nestlé.

Pois eis que com tudo isso, o campeonato teve uma boa média de público (para padrões nacionais): 17 mil torcedores por jogo (somente uma pequena redução, comparado com o ano anterior).

Desde 1987, somente 3 edições do Brasileirão teve média de público que chegasse a 17 mil: em 1999, 2007 e 2008.

Particularmente, sou um defensor dos pontos corridos (ao menos, até que alguém convença-me do contrário), e o curioso é que muitos dos argumentos que agora utilizo para defender meu ponto de vista são tirados exatamente desse artigo publicado pela GGSV, que por sua vez conclui que pontos corridos não é a melhor solução para a realidade brasileira.

O estudo mostra que se por um lado a média de público caiu em razão da ausência do Corinthians, um dos fatores preponderantes para o bom resultado final foi a disputa acirrada entre várias equipes com chances até o fim de levantar o caneco.

Essa análise parece-me perfeitamente lógica.

Outro fator para explicar a boa média de público em 2008 foi o chamado ‘impacto Flamengo’.

A GGSV argumenta que a luta contra o rebaixamento, ao contrário do que muitos dizem, não atrai público aos estádios. O torcedor só comparece quando o time está bigando na ponta de cima da tabela. A exceção à regra em 2008 foi o Santos, que passou o campeonato inteiro brigando para não cair e mesmo assim levou mais público a seus jogos do que em 2007, quando foi vice-campeão.

Após muitos anos o Fla voltou a disputar o campeonato com chances reais de ser campeão e isso foi crucial para a excelente média de público do time carioca, que por sua vez, puxou para cima a média de público to torneio todo. Outro argumento que faz todo sentido.

O artigo da GGSV traz também interessantes ‘pontos para reflexão’.

Segundo os autores há um exagero de equipes sendo rebaixadas (4), o que facilita a queda de equipes tradicionais. A meu ver, isso também facilita a volta das mesmas (já que 4 times também sobem). O que pensariam os vascaínos se a partir de 2009 só caíssem e subissem 2 times?

Além do mais, a análise da GGSV mostra que a Série A não sofreu tanto assim com a ausência do Corinthians (em termos de média de público), mas imagino que deva ter causado um grande impacto na Série B.

Segundo os autores, o sistema de pontos corridos não é bom porque:

  1. Em 60% das partidas o público foi inferior àquele da média do campeonato; ou seja, o público se concentra nas partidas mais importantes
  2. Há a valorização de objetivos secundários (briga por vaga na Libertadores) para aqueles não brigam pelo título até o fim
  3. No formato atual, muitos clubes são ‘eliminados’ muito cedo da competição
  4. Os campeonatos mais importantes do mundo têm mata-mata (Champions League, Libertadores, Copa do Mundo)

Por fim, os autores do artigo sugerem que o campeonato seja dividido em dois turnos, sempre começando do zero, e com uma final entre o campeão do 1º turno contra o campeão do 2º.

Certamente é uma opção a ser levanda em conta e uma opinião a ser respeitada. Eu só não acho que as razões citadas acima sustentam uma crítica ao sistema de pontos corridos.

Senão, vejamos (vou comentá-los um a um):

  1. Acredito que o mesmo aconteçaem campeonatos com play-offs. Talvez a concentração em jogos decisivos seja até maior do que os números apresentados acima (tomemos o campeonato Carioca como exemplo).
  2. Eu acho que a valorização de outros objetivos por equipes incapazes de disputar o título seja algo benéfico, e não o contrário.
  3. O que é ser eliminado muito cedo? Se o Grêmio tivesse vencido o campeonato passado, falariam que o Sao Paulo estava eliminado desde quando perdeu para os gaúchos no segundo turno e a diferença entre os dois era de 11 pontos. Há poucas semanas, o campeonato espanhol ‘já tinha um campeão’. Em duas semanas, O Real diminuiu a diferença para o Barça de 12 para 6 pontos e está de novo na briga. Nos pontos corridos também o campeonato só termina quando acaba! (mesmo que seja com algumas rodadas de antecipação)
  4. Uma das principais razões para os campeonatos citados terem play-offs é simplesmente a limitação no calendário de jogos. Todos eles começaram sendo disputados apenas como mata-mata e tiveram as chamadas fases de grupos introduzidas depois, apenas para que os clubes participantes pudessem jogar mais.

No fima das contas, acho que todos sentem que o que falta nos pontos corridos é aquela emoção da FINAL! Aquela rivalidade; um contra um num jogo decisivo.

Uma solução para isso seria valorizar-se a Copa do Brasil. Essa sim marginalizada, pois sendo simultânea à Libertadores não conta com os melhores times do Brasil.

Outra solução seria ‘dirigir’ a tabela do Brasileirão de um modo diferente do que é feito atualmente.

Hoje, evita-se marcar grandes clássicos na últimas rodadas. Imaginem se fosse o contrário e se a partida que decidiu o título do São Paulo não fosse contra o Goiás, mas contra qualquer outro grande clube de São Paulo, ou se o rebaixamento do Vasco fosse decidido num clássico carioca?

Conclusão

Mas o que mais me intriga nesse estudo da GGSV é que apesar deles apresentarem dados detalhados sobre a evolução da presença de público nos estádios (tanto no artigo citado quanto em É Disso que o Povo Gosta), eu não consigo ver o que justifique a conclusão de que campeonato com mata-mata é ‘mais atrativo’.

Para justificar meu ponto de vista, farei uma rápida análise dos últimos 20 anos do Brasileirão.

A razão para analizar somente os últimos 20 anos – e não desde 1971 – é por eu considerar impossível comparar as realidades e campeonatos dos anos 70 e 80 com os anos 90 e 2000.

Para começar, o nível técnico do certame era totalmente diferente. Os campeonatos dos anos 70 e 80 tinham quase todos os jogadores da Seleção atuando no Brasil – incluindo nomes como Pelé, Zico, Rivellino, Tostão, Sócrates, Reinaldo, etc. A violência nos estádios não era um problema grave e os estádios comportavam praticamente o dobro de público que atualmente. Não é à toa que, de acordo com dados da própria GGSV, 19 dos 20 maiores públicos do Brasileirão aconteceram nos anos 70 e 80.

Das últimas 20 edições do Brasileirão 14 tiveram play-offs e 6 foram por pontos corridos. Então eu me pergunto: se campeonato com mata-mata é tão melhor, por que todos eles tiveram médias de público (às vezes até bem) inferiores às duas últimas edições por pontos corridos?

Em 1999 foi a única vez que a média de público ultrapassou 17 mil, e isso num campeonato com play-offs em até 3 partidas e desde às quartas de final (ou seja aqueles previamente eliminados ficaram muito tempo sem jogar).

O estudo da GGSV cita o ‘impacto Flamengo’… Em 1992 o Flamengo foi campeão, jogando as finais contra o Botafogo (aliás, essa final é a única partida dos anos 90 entre os 20 maiores públicos da história) e mesmo assim a média de público foi inferior a 17 mil.

Ou seja, o Brasileirão já teve várias fórmulas diferentes (sempre com mata-mata) e nenhuma apresentou resultados melhores que dos últimos 2 anos. Então, como justificar que o público acha o campeonato com play-offs mais atraente?

Pesquisas de opinião podem até indicar que é disso que o povo gosta, mas, a meu ver, os números apresentados pela própria GGSV mostram exatamente o contrário (ao menos até agora).


Responses

  1. Sempre achei pontos corridos, mais interessante por premiar o melhor time sem contestação.
    Acho isso uma eterna “polemica” alguns adoram mata-mata e outros adoram pontos-corridos.

    Mas segue textos interessantes sobre o assunto…

    Empate!

    Com quase 1800 participações, deu empate técnico: 50,86% a favor de campeonatos de pontos corridos e 49,14% a favor de torneios com Mata-mata.

    O dono do blog gosta dos dois, razão pela roga que um dia a CBF volte a fazer a Copa do Brasil com todos.
    Fonte: http://blogdojuca.blog.uol.com.br/arch2008-12-14_2008-12-20.html

    Do blog do Fernando Rodrigues

    Por Fernando Rodrigues

    O futebol, o Brasil e a meritocracia
    Há ainda um cheiro de pré-história sob vários aspectos quando se trata da organização do esporte mais popular do país. Mas também são inegáveis alguns avanços no futebol.

    A conquista do campeonato brasileiro de 2008 pelo São Paulo Futebol Clube ajuda a disseminar no Brasil um valor quase inexistente no país: a meritocracia. Vence quem se esforça e trabalha mais ao longo de todo o campeonato.

    Os torcedores de outros times ficam chateados, claro. Reclamam do gol irregular do SPFC no jogo de ontem (7.dez.08), contra o Goiás, na vitória por 1 a 0 (o atacante Borges estava impedido). Fala-se também que o SPFC não jogou um futebol dos sonhos ao longo da competição (é verdade).

    Os mais atentos também deverão notar que os erros de arbitragem ocorreram para todos os lados no campeonato. Para citar apenas um, em 17 de agosto, o Grêmio ganhou do São Paulo por 1 a 0 com um gol de Perea também totalmente impedido.

    Sobre jogar um futebol mais vistoso, cheio de lances “a la seleção de 82”, a pergunta que fica é: qual equipe no futebol hipercompetitivo de hoje consegue atuar dessa forma? Resposta: nenhuma.

    Tudo somado, a vitória do São Paulo representa a premiação, por mérito, à equipe que mais se preparou e se organizou para vencer. O SPFC gasta R$ 12 milhões por ano em um centro de treinamento fora da cidade de São Paulo, onde treinam cerca de 400 garotos. O técnico do SPFC, Muricy Ramalho, é um dos mais longevos no cargo no Brasil, mostrando que a regularidade administrativa é um valor necessário não apenas em governos e empresas, mas também no esporte.

    Antes, o futebol era cheio de octogonais e quadrangulares decisivos. Havia rebolos, repescagens e chances de viradas de mesa. Equipes completamente desorganizadas, sem interesse pelos treinos diários, acabavam vencendo um ou dois jogos no final do ano e sagravam-se campeãs.

    Nos últimos seis anos, equipes tradicionais tiveram de se submeter a uma passagem pela segunda divisão do futebol. Palmeiras, Grêmio e Corinthians são exemplos de superação. Devem ser aplaudidos. Desceram e subiram pelos seus próprios méritos. Mereceram cair. Mereceram subir. Assim deve ser em todos os setores da sociedade.

    Alguns classificarão de sociologia antropológica de botequim, mas há uma mensagem relevante no futebol. No passado, com a bagunça de campeonatos com 40, 60 e até 100 times, chaves coloridas e vale-tudo no final, a mensagem era: não adianta trabalhar duro todos os dias; no Brasil, no final sempre dá-se um jeitinho de obter uma vitória “no talento” (sic).

    A imensa maioria dos brasileiros ama o futebol. O sistema de disputa dos campeonatos nacionais exerce grande influência sobre uma massa enorme de pessoas. A bagunça reinante no passado deseducava os cidadãos por exalar um péssimo costume: “Trabalhar e se esforçar para quê? Quando chegar a hora ‘h’, a gente sempre dá um jeito”.

    Pelo atual modelo de pontos corridos (iniciado em 2003 e historicamente defendido pelo meu amigo e também blogueiro Juca Kfouri), é sempre enorme a chance de o campeão ser o que mais se prepara e o que tem a estrutura mais séria. Todo jogo é importante. Todo dia é dia de trabalho. Para ser campeão brasileiro de futebol agora é necessário jogar todas as partidas como se fossem a última (comento no final as últimas suspeitas de fraude nas arbitragens).

    Milhões de brasileiros humildes têm no futebol uma de suas únicas alegrias. Agora, de maneira subliminar, esses mesmos brasileiros podem enxergar no esporte algo além do jogo. As disputas entre os 20 times da elite do futebol são também um exemplo de como o mais aplicado acaba, quase sempre, premiado ao final.

    A possibilidade de cair para a segunda divisão e voltar pelo seu esforço próprio é também um incentivo a todos os brasileiros.

    Acostumado a fazer a cobertura da política brasileira, recheada de casuísmos e fisiologia, é alentador ver o futebol dar um exemplo de continuidade e regras claras.

    Tudo isso não é pouca coisa. A meritocracia é uma característica vital de sociedades desenvolvidas. É bom que no Brasil comece a vigorar exatamente na mais popular de todas as manifestações culturais, o futebol.

    Uma ressalva e uma revelação:

    1) nem sempre o melhor, mais preparado e mais esforçado pode vencer no campeonato de pontos corridos. É verdade. São exceções que confirmarão a regra. Mas nos seis campeonatos até agora realizados, ninguém tem dúvida sobre a justiça dos resultados (Cruzeiro, Santos, Corinthians e SPFC foram os melhores quando venceram).

    Há também sempre o risco do “fator extra-campo”: quando árbitros são subornados ou forçados a produzir determinados resultados. É o Brasil profundo. O campeonato de 2008 teve (como outros anteriores) suspeitas sérias de pressão criminosa nos bastidores. Ainda não há notícias suficientes para julgar o que se passou neste ano, mas será lamentável se acabar surgindo evidência de manipulação de resultados por parte das arbitragens/dirigentes. Perderá o futebol, mas perderá muito mais o Brasil.

    2) Torço para o SPFC. Hexa.

    http://uolpolitica.blog.uol.com.br/

    Fonte: http://blogdojuca.blog.uol.com.br/arch2008-12-07_2008-12-13.html

  2. Olá João,
    no momento em que li os 4 argumentos da GGSV contra os ‘pontos-corridos’ tive as mesmas opiniões que você.
    Também acho que a Copa do Brasil deveria ser valorizada. A ‘emoção dos mata-matas’ deveria estar presente na segunda competição de um país. Acho que a principal competição (o Campeonato Brasileiro) deve premiar o melhor time, o que ocorre no sistema de pontos-corridos.
    Achei muito estranha a comparação de campeonatos como a UCL, Copa do Mundo e Libertadores, que são internacionais, com um campeonato nacional. Os campeonatos nacionais mais fortes do mundo (inglês, espanhol, italiano e alemão) são com pontos-corridos. Deste modo, acho que esta comparação feita no estudo é equivocada.
    Abraços,
    e parabéns a todos pelo ótimo blog!!!

  3. Boa tarde.

    Concordo com você, além de ser melhores forçam os clubes a se organizar e planejar. Com mata-mata o time pode chegar em final contando com a sorte e não a competencia.

  4. Pois é, Edwin, pegando a sua deixa, a Bundesliga tem média altíssimas. Borussia, lotação 100% esgotada. Por pontos corridos. Taça Rio, fórmula a ser levada em consideração em campeonatos estaduais. Mas veja que temos 2 jogos com 70 mil pessoas, depois já cai bastante. E temos jogos com 70 (eu disse setenta) pagantes. Não é mata-mata que garante estádio cheio. É campeonato bem organizado, estádios decentes. Pro Brasileirão, sou PONTOSCORRIDOS.COM.BR. Campeonatos estaduais: pra continuar existindo, bem que poderiam ser no esquema mata-mata, ou com uma fase de grupos e mata-mata. Abraços a todos.

  5. Baaaah muitoooo bom post!

    eu acho que a copa do Brasil deveria ser jogado no segundo semestre e com todos os participantes do campeonato brasileiro, inclusive os que disputaram a libertadores no semestre anterior.

    ja o brasileirão deveria ocorrer assim:

    dois grupos de 10 times cada, cada grupo joga entre si em jogos ida e volta somando pontos, os 4 primeiros de cada grupo fazem as finais, e os dois ultimos de cada grupo estão eliminados.

    assim o campeonato fica emocionante do começo ao fim e com decisão!

    abraço.

  6. Olá João. Acho que, como você disse em um dos comentários, a questão está além da fórmula dos campeonatos. Esta é essencial, mas a organização nos estádios, o tratamento dado ao torcedor, o sistema de venda de ingressos, a valorização da marca do campeonato, o equilíbrio entre os times e o nível técnico do espetáculo são elementos que pesam mais na média de público do que a fórmula, que no meu ver é secundária. Os campeonatos que mais cresceram em renda nos últimos anos na Europa têm essas características (Bundes Liga e Premier League). São por pontos corridos, ok. Mas campeonatos super valorizados na América Latina, como a NFL dos EUA e o campeonato Mexicano, com médias de público de constranger qualquer clube brasileiro, são no sistema eliminatórias. A NFL, inclusive, campeonato mais lucrativo do mundo que raramente NÃO tem estádio lotado, tem um sistema de disputa extremamente injusto. A final, porém, é o evento mais assistido da televisão mundial. Qual o segredo? A marca do campeonato, que supera a marca dos times. Para mim, é isso que falta no campeonato brasileiro, que corre o risco de, na trilha do italiano e espanhol, ter apenas dois ou três times grandes que disputam o título todo o ano. E o campeonato desvaloriza.

  7. Olá, essa discussão de pontos corridos ou mata-mata é algo sempre muito complicada.

    O texto é interessante, mas infelizmente força algumas conclusões para confirmar sua opinião prévia e omite outras informações para chegar às conclusões que deseja.

    Eu particularmente defendo que o Brasileirão deva ser nos pontos corridos por acreditar que é ao contrário do que o texto da Golden Goal diz, a disputa de todos contra todos em pontos corridos é a mais justa para decidir quem é o melhor. E aí pode-se argumentar que a fórmula do mata-mata é mais emocionante, que um regulamento aprovado é justo e até que o povo brasileiro preferia o mata-mata, mas não há como provar que um torneio de pontos corridos em turno e returno não premie o melhor.

    Achei estranho a GG dizer que um erro de um árbitro pode distorcer o resultado de um campeonato em pontos corridos, como se esse mesmo erro não pudesse atrapalhar um campeonato com mata-mata. Argumentação falha em minha opinião.

    Apontar a Copa Libertadores, a Liga dos Campeões e a Copa do Mundo como exemplo de competições com mata-mata chega a ser infantil. Imagino se haveria como fazer essas mesmas competições em pontos corridos.

    Eles falam sobre o tal “impacto Flamengo” sobre o aumento da média do campeonato em 2008. Acho estranho que para falar do aumento de publico para 2008 existe o “impacto Flamengo”, mas para os campeonatos de 83, 80, 87 e 82 que são respectivamente o 1º, 2º, 3º e 5º campeonato com maior média entre os Brasileiros, o “impacto Flamengo” não é sequer citado, quando na verdade essa variável nunca poderia ser desprezada por eles, pois nestes anos o Flamengo foi campeão brasileiro e com toda certeza ajudou a puxar para cima a média de um campeonato com mata-mata.

    São muitas as minhas discordâncias sobre a análise da GG. Mas ficarei só com essas.

    Sobre a Copa do Brasil, acho que ela deveria englobar os clubes que participam da Libertadores. Ela poderia ter 128 clubes com os menores participando no 1º semestre e os maiores entrando no 2º semestre, mas isso é outra história.

  8. Bizarra mesmo a comparação do campeonato brasileiro com copas internacionais.

    Aparentemente os realizadores do estudo eram favoráveis ao “mata-mata” e o resultado do estudo seria contrário aos pontos corridos, de qualquer forma.

    Um formato que talvez funcionaria bem no Brasil seria o de “Apertura e Clausura”, como acontece em toda a américa latina. É um pontos corridos pela metade, dois campeonatos em um ano. Dificilmente algum time “dispara” neste formato, mantendo-se a competitividade. Sem dizer que, como os times brasileiros sofrem mudanças drásticas na metade do ano (quando abre a janela de transferências), seria uma forma de separar os times do primeiro semestre com os do segundo.

    O único porém do formato sulamericano é o descenso. Me parece mais razoável a idéia de pontuação geral (soma dos dois campeonatos) para definir os rebaixados. A idéia argentina de “promedio” é horrível e não deve voltar a ser realizada no Brasil.

  9. Ola Gilson Gustavo.
    somente um comentario sobre o chamado ‘impacto Flamengo’:

    Qdo vc aponta que os campeonatos de 80, 82, 83 e 87 foram aqueles de maior media de publico, vc nao contradiz o que a Golden Goal chama de impcto Flamengo. Na verdade, vc confirma a analis feita pela GGSV.

    Eu nao discordo da GGSV, qdo eles falam da importancia do Flamengo. So’ nao acho que seja o bastante para explicar a boa media de publico dos ultimos dois anos. E mais do que isso, nao vejo relacao entre o ‘impacto Flamengo’ e o moelo de competicao. O Fla vai atrair publico ao estadio sempre que estiver bem, independente do sistema de disputa.

  10. Oi João,
    acho que não me expressei bem.

    O que eu queria dizer é que GGSV cita o “impacto Flamengo” para o campenato de pontos corridos, mas simplesmente deixa de citá-lo quando se refere ao campeonatos com mata-mata. Pelo menos não vi referência a isso no texto.

    Ora, se existe o “impacto Flamengo” para o Brasileirão de 2008 ele também tem que ser levado em conta para os campeonatos de mata-mata, algo que a GGSV não fez.

    Acho que o Flamengo deve ter um impacto no fato do aumento da média de público nos campeonatos brasileiros, mas para todas as fórmulas, e não só para os pontos corridos como a GGSV que mostrar.

    Não sei o tamanho desse impacto, mas isso deveria ser o foco de outo estudo, assim como a situação econômica de crescimento ou recessão para o aumento ou diminuição da média de público. Em 2009, como será a média de púlbico? A crise mundial afetará a presença nos estádios?

  11. Parabéns para o João por inovar sobre a discussão pontos corridos x mata-mata. Sobre o exemplo trazido pelo 1º comentário, é evidente como as discussões sobre esse tema são totalmente fora de propósito. Um ponto já levantado aqui sobre como se mensurar o mérito através de fórmula de disputa foi no cerne da questão; para mim, não existe. Qualquer outra discussão sobre isso, é meramente botequinesca. Aliás, é extremamente saudável e divertida, mas sua capacidade de agregar algum valor é um pouco limitada.

    Além do mais, concordo com André Castilho sobre os fatores que explicam a presença de público no estádio. A partir desses, eu acrescentaria outros. Dei lida superficial no sumário executivo e considerando-se as críticas do João. Creio que avaliar a presença de público, concentrando-se no fator fórmula de disputa, limita bastante as conclusões do trabalho. Além de deixar milhares de lacunas sujeitas a críticas tais como essas apresentadas aqui. Outro ponto importante, é o indicador utilizado, média de público, nesse caso é muito limitado. Seria mais interessante considerar taxa de ocupação dos estádios, pois colocaria todos estádios, não importando o tempo, no mesmo parâmetro. Por exemplo, a final Flamengo x Santos, em 1983, teria o mesmo efeito que o jogo Ipatinga x Portuguesa no ano passado.

    De qualquer maneira, a discussão é interessante e, principalmente, foge das mesmices. Todavia, acredito que precisamos de argumentos mais consistentes para elaborar um campeonato A ou B.

    Se não fosse minhas obrigações laborais e acadêmicas, eu cairia dentro desse assunto. Pretendo contribuir com algumas análises sobre presença de público e transações de jogadores futuramente. Entretanto, é frustrante que eu tenha que deixá-las sempre em segundo plano. Além das razões que explicitei anteriormente, a principal seria o real impacto dessas análises. É chover no molhado, dizer que a cartolagem atrapalha qualquer avanço no futebol. Porém, minha questão pessoal é que, talvez, não valha a pena renunciar o tempo, investir dinheiro em cima de assunto que não vai provocar reais mudanças.

  12. Quer dizer então que não existe “o impacto Flamengo??”. TODOS os campeonatos que o Flamengo ganhou – menos o de 92 – ou teve bom desempenho (vide 2007 e 2008) apresentaram médias altas ou simplesmente as maiores da história, e por conta de um ano de exceção (1992, o que apenas confirma a regra), o “impacto Flamengo” não existiria?? espero que não tenha sido isso o que se queira dizer…

  13. Boa questão a ser levantada. Confesso que o campeonato mais emocionante é o de mata-mata. mas o campeonato por pontos corridos dá o título à aquele que merece. Como o post já diz, para mata-mata já existe a Libertadores, Copa do Brasil e Sulamenricana.

    Antigamente era ridículo ver um tive levar o campeonato inteiro com a “barriga” para se classificar pelo menos em 8º lugar e começar a dar importância ao campeonato apenas nas fases de mata-mata. Ou seja, se o 1º colocado abrisse 50 pontos de vantagem do 2º colocado mesmo assim ele era obriado a provar pra todo mundo que era a melhor equipe. Ridículo.

    Acho que da maneira que está, está muito bom. Acho que os brasileiros já começaram a gostar e a entender este modelo um tanto quanto “europeu” de formato de campeonatos. Desta meneira um clube deve ter uma equipe, e não apenas um time formado às pressas.

    Também concordo com o João quando ele diz que poderíam colocar no campeonato por pontos corridos clássicos mais para o final do campeonato, com aqueles prováveis favoritos ao título. Assim, daria um gosto de uma série de “finais de campeonato”.

  14. Ola’ Vinicius.
    No meu entendimeno, a Golden Goal mostrou fortes argumentos que justifiquem a analise do chamado ‘impacto Flamengo’. Eu concordo com eles neste aspecto. Sao os numeros que nao mentem.

    Eu so’ nao vejo qual e’ a ligacao entre tal ‘impacto’ e a formula do campeonato. Afinal de contas uma das coisas que a propria Golden Goal mostra e’ que sempre que o Flamengo vai bem, a media de publico sobe – independente do sistema de disputa.

    Vale lembrar que ate’ a adocao dos pontos corridos, o Brasileirao jamais teve uma formula de disputa exatamente igual a outra.

  15. A melhor coisa que o futebol brasileiro fez foi mudar para o sistema de pontos corridos, afinal de contas ele premia o melhor e mais organizado clube, eu prefiro os pontos corridos como a maioria, mais o mata-mata da um charme especial quando chega na 2ª fase, mais teve seu tempo, temos que pensar pra frente e com certeza quando nos acostumarmos com o pontos corridos, ele vai ficar tao charmosos quanto era o mata-mata, que é bom que fique apenas na copa do brasil e na libertadores.

  16. Sou a favor dos pontos corridos, mas não entendo porque sempre que essa discussão vem à tona volta-se para a média de público como o único e mais importante parâmetro de avaliação. Ao meu ver esse tipo de análise comete 3 erros:
    1- Na falta de um horizonte maior, atém-se a análises de curto prazo. Isso começa a mudar agora, mesmo assim 6 edições ainda é pouco para tirar conclusões sobre um processo que pode ter seus principais efeitos no longo prazo.
    2- Parte do princípio que o público nos estádios é o único fator decisivo na definição do que é melhor para o futebol brasileiro. Seria assim se o público variasse de 3 mil para 50 mil, mas uma variação de 15 mil para 17 mil não terá importância perto de outras consequências que a fórmula de disputa trás.
    3 e mais importante – Da onde se concluiu que é a fórmula de disputa que define o público? A existência de ídolos, a violência e até o horário dos jogos me parecem muito mais importantes do que a fórmula do campeonato. Gostaria de ver uma análise da variância / devio-padrão das médias de público. Acredito que assim ficaria claro a importância da fórmula de disputa para a definição da média de público.

  17. Um fator que ajuda a explicar público em alguns jogos é o horário do jogo. Por exemplo, é mais provável que o jogo das 16h no domingo tenha mais público do que o das 18:10 ou o das 18:20 do sábado.

    Jogos no meio da semana tendem a ter menos público sempre. Mas os das 21:50 são particularmente horríveis. E 19:30 também é ruim, pois é muito cedo.

    Porque não iniciar o campeonato brasileiro uns 2 meses antes, deixando o meio da semana somente pras competições internacionais e Copa do Brasil? Aposto que isso aumentaria as médias de público automaticamente.

  18. sou totalmente a favor da final em mata-mata…É UM TREMENDO ABSURDO UM TIME SER CAMPEÃO JOGANDO CONTRA UM TIME QUE ESTÁ NA DÉCIMA POSIÇÃO DO CAMPEONATO SEM MAIS INTERESSE ALGUM NO CAMPEONATO ENQUANTO OUTRO ENFRENTA UM TIME JÁ REBAIXADO E OUTRO ENFRENTA UM NA ZONA DA DEGOLA…NÃO EXISTE IGUALDADE…SEM FALAR NO MEIO DO ANO ONDE OS TIMES MUDAM MUITO…MATA-MATA OS TIMES SE ENFRENTAM E SE ¨MATAM¨ EM IGUALDADE DE CONDIÇÕES E SEM FAVORTECIMENTO

    Olá Carlos Eduardo,

    Obrigado pela sua opinião e participação.

    Peço apenas que não use CAIXA ALTA da próxima vez. Na Internet isso equivale a gritar e aqui no F&N ninguém precisa gritar pra ser ouvido.

    Abs,
    Marcos Silveira

  19. Decepcionante o estudo apresentado. Compara dois sistemas de disputa analisando os dados apenas de um dos sistemas.

    Pode-se dizer que o estudo fala que a boa média de público dos últimos campeonatos foi devido ao número de equipes com chances de conquistar o título, “efeito Flamengo” e número de times grandes disputando o campeonato e com isso conclui que o campeonato em mata-mata é melhor. Como assim!?

    “Seguimos com nossa convicção de que o modelo atual do Campeonato Brasileiro não é o formato que maximiza o potencial de valor da competição, principalmente porque deixa ao acaso uma série de fatores que têm impacto direto no valor do campeonato”. Faz esta afirmação como se apenas o modelo em pontos corridos estivesse sujeito ao acaso e os fatores para a boa média de público de 2007 e 2008 não teriam impacto sobre outra forma de disputa.

    O fato é que os dados apresentados não servem para definir qual o modelo de disputa maximiza a receita com bilheteria. O máximo que se poderia concluir é que devido às duas últimas médias de público não se pode dizer que o campeonato por pontos corridos é a melhor forma de disputa.

    Outra falha gritante é na hora de comparar as médias de público de 2007 e 2008. O estudo simplesmente ignora que a receita com bilheteria cresceu 26% de 2007 para 2008. Impacto da mudança na estratégia de preço de ingressos da maioria das equipes.

    O artigo confundiu predileção ou gosto por um determinado tipo de disputa com conclusões de um estudo supostamente científico. Apesar disso, tendo a preferir o modo de disputa proposto no artigo, em que o campeão de um turno enfrenta o campeão do outro turno para decidir o campeão da temporada. Ou mesmo o modo sul-americano com dois títulos no ano. Que são modelos de pontos corridos com alguns ajustes em prol da competitividade. Nada parecido com os campeonatos brasileiros em que todo mundo jogava contra todo mundo para depois os melhores se enfrentarem novamente em mata-mata. Coisa mais sem noção.

  20. Meus caros,
    Meu grande amigo João Frigério me escreveu dizendo que iria comentar nosso artigo neste prestigiado blog e me convidou para participar da discussão. Fiquei muito feliz quando vi que conseguimos gerar um debate interessante e inteligente sobre um tema tão relevante. Este era justamente o nosso objetivo. Dizem que quando duas pessoas concordam sempre, uma delas é dispensável. Assim, essas discussões são extremamente enriquecedoras para a gestão esportiva no Brasil.
    Porém, nós que estamos neste mercado tão apaixonante que é o mercado do futebol brasileiro, precisamos aprender a discutir com profundidade os fundamentos de nossos modelos e não simplesmente engolir e copiar tudo o que vem de fora como exemplo de organização aplicável a qualquer situação. Mas para que isso seja possível, precisamos nos despir da mentalidade de torcedores e adotar uma abordagem racional e voltada para a busca de soluções que maximizem o potencial de valor do nosso produto. E isto é extremamente difícil quando lidamos com um assunto com o qual estamos tão emocionalmente ligados. Todos respiramos futebol, todos somos loucos por nosso clube do coração acima de tudo e isso, não raras vezes, obscurece nossas análises. Era neste sentido que em algum ponto de nosso último artigo mencionávamos que precisávamos ser um pouco menos românticos, nós, os gestores esportivos, precisamos começar a pensar no valor do produto. O produto, neste caso, é o futebol de clubes no Brasil.
    Isto dito, o primeiro ponto que precisa cair é este argumento de que o campeonato de pontos corridos é melhor porque é mais “justo” ao premiar o clube que melhor se planejou. Isto é argumento de torcedor. Justo é ser campeão de acordo com as regras da competição. Argumentamos em nosso artigo que o Santos foi o justo campeão de 2002, apesar de toda a choradeira que se escuta de que o São Paulo se classificou em primeiro com 13 pontos de vantagem sobre o Santos e perdeu a competição logo nas quartas de final. Quem tiver a paciência de ler o nosso artigo verá que a análise de justiça neste exemplo específico é muito parcial e superficial. Para contrapor este ponto, existem várias análises feitas por jornalistas esportivos que mostram cenários dos pontos corridos se fossem eliminados os erros de arbitragem. O campeonato por pontos corridos “parece” mais justo, mas não necessariamente o é, uma vez que as condições competitivas ao longo de todo o torneio não são exatamente as mesmas para todos os clubes. Mas isso é uma discussão para outra hora. O que quero dizer é que a noção de justiça é muito subjetiva para ser incluída num contexto analítico da configuração competitiva ideal.
    Além disso, quem analisa gestão esportiva sob uma ótica pragmática sabe que o conceito de equilíbrio competitivo é fundamental no valor de uma liga ou competição. A questão da imprevisibilidade do resultado está intimamente ligada com a demanda por um determinado esporte. Os americanos entendem este conceito da economia do esporte muito bom. A maioria das ligas americanas possuem mecanismos para equalizar as condições competitivas de suas equipes membros. Por exemplo: a divisão igualitária de receitas de TVs, o draft em que o último colocado no ano anterior tem a prioridade na escolha dos jogadores que emergem das ligas universitárias, o salary cap, e por aí vai. Tudo isso para garantir que todos os clubes entrarão em condições mais ou menos equilibradas em uma competição, e que essas condições se manterão ao longo do certame, e para que não se possa prever quem será o campeão. Isso é justo? Dá para se discutir horas e horas a respeito disso. É claro que eu, como torcedor, quero que meu clube seja campeão todo ano. Mas qualquer pessoa com um mínimo de conhecimento de economia esportiva, sabe que isto, no longo prazo, é prejudica o valor do produto.
    Que fique claro que não estamos contrapondo o conceito de justiça com o de credibilidade. A história está cheia de exemplos de esportes que declinaram justamente em função da perda de credibilidade. E isto está intimamente ligado à manipulação de resultados. Não havendo manipulação, repito, justo é ser campeão pelas regras da competição. Não cabe aqui aprofundar muito a questão da credibilidade, mas não é coincidência que o maior escândalo de arbitragem no futebol brasileiro tenha vindo à tona justamente na era dos pontos corridos. Posso debater este ponto em uma futura oportunidade.
    Voltando ao tema central, o fato é que nosso país tem uma característica quase única no mundo do futebol: temos entre 12 e 15 clubes para cujas torcidas o que importa é ser campeão. Isto não existe em nenhuma outra grande liga nacional de futebol. A configuração de nosso país e inclusive as questões históricas e sociológicas resultaram nesta situação e para isso até mesmo os tradicionais e quase centenários campeonatos estaduais contribuem. Tente argumentar com um torcedor do Internacional, do Atlético-MG ou do Fluminense que o importante, nesta temporada para o Brasileirão, é a classificação para a Libertadores e nada mais. Não faz parte do DNA de nossa torcida. E este é um dos principais fundamentos de nossa argumentação. Para um torcedor da Roma a classificação para a Champions League é motivo de muita comemoração. O Scudetto é um bônus. Se vier legal, mas a gente já sabe que dificilmente virá. E isso se repete na Espanha, Alemanha, Inglaterra e Espanha. Aqui não. Esse é um dos nossos argumentos centrais. Para aumentar o valor da competição por pontos corridos seria necessário mudar a mentalidade do torcedor brasileiro e fazer com que o alcance dos objetivos secundários seja motivo suficiente para maximização de utilidade. Mas isso passa naturalmente pela depreciação do produto campeonato Brasileiro, ao transformá-lo num meio e não em um fim.
    Se é para ser purista e romântico o formato atual do brasileirão é o ideal. Se for para pensar em valor não. Eu poderia me estender muito mais neste ponto, mas para tentar ser mais objetivo, vou comentar sobre os pontos levantados pelo João:
    1. Rebaixamento:
    Os números do campeonato de 2007 não deixam dúvidas de que a presença dos 12 grandes clubes brasileiros na Série A é fator fundamental para a maximização do valor da competição. Dizer que é bom que caiam quatro, pois assim é mais fácil para o clube grande subir depois de cair é o mesmo que dizer que é bom morar num andar baixo, pois assim quando nosso filhinho cair da varanda ele tem mais chances de sobreviver. Nos dois casos, o certo é não cair. E não ficar pensando no que deve acontecer quando cai. Este é talvez um dos pontos que mais gera polêmica, principalmente quando pensamos como torcedores. Nós queremos ver o nosso rival na Série B. As análises do nosso estudo “É disso que o povo gosta” mostram que a presença de um clube grande na Série A não é garantia de bom público. É preciso que ele esteja competitivo. Mas a sua ausência é ainda pior. Nos Estados Unidos as ligas resolvem essa questão uma vez que são fechadas. Não há rebaixamento nem promoção. Todos os anos jogam as mesmas franquias. Isto é uma forma de controlar o mercado, muito comum na economia do esporte. No Brasil e no futebol isto não é possível. É preciso que haja válvula de escape e ventilação e as divisões inferiores são fundamentais para o desenvolvimento do futebol Brasileiro. Uma vez que não há como garantir por regulamento que os 12 grandes clubes sempre estarão na Série A (isto poderia até mesmo gerar o efeito contrário da acomodação, o que seria igualmente nocivo ao futebol de clubes) é preciso dificultar o processo de queda. Isto, claro, se estivermos pensando em maximização de valor. Para resolver o problema do que fazer quando mesmo assim um grande clube cair há várias soluções que podem ser propostas e debatidas. Nunca a virada de mesa, pois isso torcedor nenhum suporta. Mas pensar na Série A sem os seus principais clubes é como tentar vender um carro premium sem direção hidráulica. Não há como maximizar seu valor de mercado. Ninguém vai comprar e o próprio mercado vai corrigir o seu valor pra baixo.
    2. O Impacto Flamengo
    É uma realidade e foi comprovado através de análises estatísticas que quando o Flamengo briga pelo título a média de público de toda a competição sobe, e com isso o valor da competição aumenta significativamente. Isso é uma questão básica de economia, uma vez que o produto satisfaz a um número maior de consumidores em uma base geográfica maior. É óbvio que o formato da competição em nada influencia a performance do Flamengo. Mas este ponto foi levantado nas duas análises para demonstrar que a alta média de público tanto das competições de 2007 quando 2008 teve muito mais a ver com o desempenho do Flamengo do que com a aceitação do público em relação ao modelo dos pontos corridos. Nosso artigo mostra claramente que se desconsiderarmos o Flamengo da análise, a média de público da competição cairia para 15,2 mil pessoas. Se fizéssemos uma simulação com a média de público do Flamengo brigando para não cair, a competição terminaria com média inferior a 14 mil pessoas. Não há como negar a influência deste fator nos números das duas últimas competições. Este ponto foi levantado apenas para chamar a atenção dos analistas de que a alta média de público demonstrada nas duas competições é fundamentada em uma série de fatores que não necessariamente estão ligados à fórmula da competição.
    Realmente por isso e por outros pontos, a Série A não sofreu tanto assim com a ausência do Corinthians, mas aqui estamos discutindo maximização de valor e não minimização de perdas.
    Em relação às réplicas levantadas sobre nossos argumentos, vamos comentá-las:
    1. Realmente num campeonato com playoffs o público também se concentra nas partidas mais importantes. Mas este é justamente nosso ponto. A quantidade de partidas irrelevantes (se considerarmos como relevante aquelas que podem levar à disputa do título) no campeonato por pontos corridos é muito maior do que num campeonato com playoffs. No modelo proposto (final com o vencedor de cada turno) o número de partidas relevantes é no mínimo o dobro, o que tem o potencial de naturalmente elevar a média da competição.
    2. A valorização de objetivos secundários para equipes incapazes de disputar o título é realmente importante. Mas quem são as equipes incapazes de disputar o título? Nosso ponto é que justamente no Brasil (e só no Brasil) pelo menos 12 torcidas começam a competição com a expectativa de disputa de título. O que se está fazendo agora é implantar um efeito colateral presente nas ligas européias, que é a criação de 4 divisões dentro da divisão principal: a primeira dos clubes que disputam o título: invariavelmente são 3 ou no máximo 4. A segunda dos clubes que disputam vaga na principal competição continental. A terceira dos clubes que disputam vaga na competição continental secundária e a quarta dos que brigam para não cair. Basta analisar as grandes ligas européias e verificar que os clubes que pertencem a cada divisão, são geralmente os mesmos, com pequenas variações ao longo dos anos. Forçar esse tipo de segmentação no Brasil seria altamente prejudicial para o valor do produto no longo prazo.
    3. Discordo deste ponto em relação a Grêmio e São Paulo. Ser eliminado muito cedo é o que vem acontecendo invariavelmente no modelo atual, quando ao final do primeiro turno pelo menos 12 dos 20 clubes não possuem mais qualquer chance de conquista do título. Em 2008, pela primeira vez o título ficou aberto com 5 clubes com chances de conquista até as 3 últimas rodadas. E isto claramente influenciou positivamente a média de público da competição. Mas isto é uma exceção num campeonato por pontos corridos. A regra é a disputa ficar concentrada em no máximo 3 clubes, gerando, dentro da cultura nacional, um número excessivo de partidas de baixa relevância, focadas em objetivos secundários.
    4. A questão do calendário é realmente definitiva para o fato das mais valorizadas competições do futebol mundial serem disputadas com playoffs. Mas não é a única razão. A outra razão é o fato de que essas competições congregam um número maior de equipes com condições e expectativas de disputa pelo título. Similar ao que ocorre no Brasil. Aqui entraríamos em uma discussão especulativa em cima de cenários que não existem. Mas não é a toa que todas as ligas americanas possuem playoffs e lá não há qualquer restrição de calendário. O motivo é o mesmo que vem sendo usado em nossa argumentação: a presença do playoff aumenta a imprevisibilidade de resultado na conquista do título e mantém a competição aberta por mais tempo. Na competição por pontos corridos, em um calendário que dura quase 9 meses, um clube que inicia devagar tem pouca chance de recuperação. Premia-se a estabilidade, o que é louvável do ponto de vista de planejamento, mas que também tem o seu aspecto monótono. Argumentamos também em nosso artigo que “onde há emoção há lucro”. E não há emoção sem surpresas. Estabilidade não necessariamente é fator de maximização de valor do produto. E antes que nos atirem pedras, não estou fazendo uma apologia à falta de planejamento e ao caos administrativo dos clubes. Este não é o contraponto da nossa argumentação, mas sim a questão de abrir a competição para que ela permaneça mais relevante do início ao fim. O remédio para a situação caótica em que se encontram a maioria dos clubes brasileiros não é acabar de matá-los deixando que eles se afundem em seus problemas individuais criado por gestões irresponsáveis. O torcedor, o mercado consumidor, é o centro da discussão, é para ele que deve ser voltado o nosso produto e devemos lembrar que o produto que estamos vendendo é um produto cooperativo cujo valor depende da maximização das condições individuais de cada membro da liga. Deixar a questão do valor do produto de lado para que isso sirva de remédio para que os clubes melhorem suas gestões é o mesmo que tratar câncer de pele com protetor solar. A questão da gestão exige medidas apropriadas para tratar este problema específico. Usar o formato da competição como remédio é um contra-senso.

    Dando seqüência aos pontos levantados, não acho que valorizar a Copa do Brasil é argumento para deixar de maximizar o valor do Campeonato Brasileiro. Por mais que se valorize a Copa ela nunca terá o mesmo peso do Brasileirão, até porque há a hierarquia natural de competições. Além disso, nossa opinião é de que a Copa do Brasil já está próxima do seu valor máximo ao premiar o campeão com uma vaga na Libertadores. Concordo que a Copa do Brasil pode e deve ser ainda mais valorizada com a presença de todos os grandes clubes, mas não em detrimento da maximização do valor do Brasileirão. E aí também, há que se levar em conta o problema do calendário que é a grande razão para que alguns clubes sejam deixados de fora deste torneio.

    Dirigir a tabela de modo diferente é uma proposta extremamente arriscada. A forma como a tabela da competição é montada tem impacto direto nas probabilidades de conquista de objetivos pelos clubes participantes. Isto foi demonstrado em nossa análise do Brasileirão de 2002 e também por isso as tabelas das principais competições de futebol do mundo são montadas por sorteio. No momento em que se inclui o direcionamento das tabelas como fator de maximização de valor (e não estou argumentando que isto já não aconteça hoje), abre-se uma porta perigosa com impacto inclusive sobre a credibilidade da competição. Melhor não caminhar por aí. Além disso, sempre estaremos a mercê da sorte na partida que definirá o título. No caso da final ou do playoff não há dúvidas de que a emoção da conquista é garantida e real.

    Há ainda que se fazer um esclarecimento: as análises estatísticas utilizadas no “É disso que o povo gosta”, foram cuidadosamente pensadas para evitar desvios ou manipulações. Começamos o estudo sem uma hipótese formada, com o intuito de entender o que influencia a demanda pelo futebol no Brasil e concluímos que o campeonato por pontos corridos não é melhor opção. Em momento algum procuramos desenvolver análises que nos levassem a provar um ponto pré-determinado. O estudo foi dedutivo e não indutivo. Até por isso as comparações estatísticas muitas vezes utilizaram ferramentas que eliminavam distorções ano a ano, como a utilização de análises com base-100, por exemplo. Por isso foi possível comparar épocas tão distintas como os anos 70 com os anos 90, como bem colocado pelo João. Uma vez tomadas as devidas precauções estatísticas para equalizar as bases, tudo pode ser comparável.

    Realmente o Brasileirão já teve várias fórmulas diferentes e nenhuma delas se provou unanimemente superior. Mas nunca o modelo proposto em nosso artigo foi testado. Nosso estudo mostra que são vários os fatores que afetam a demanda no futebol brasileiro e não apenas um, e em nenhum momento houve a criação de uma fórmula que considerasse ativamente todos esses fatores. Até porque muitos eram desconhecidos.

    A era dos pontos corridos foi importante para o futebol brasileiro e trouxe vários benefícios, quanto a isso não há discussão. Mas estamos seguros de que este não é o modelo que maximiza o valor do produto, principalmente no contexto atual do futebol brasileiro. Argumentar que já se testaram tantos modelos e nenhum se provou superior, então melhor ficar com o que está, na minha maneira de ver, é um derrotismo que não cabe aqui. Devemos sempre pensar em buscar soluções de melhoria. O que não podemos é ficar testando modelos aleatoriamente. Para evitar isso precisamos nos aprofundar nas análises, abandonar paradigmas e parar de pensar como torcedores. Precisamos ser menos românticos e mais pragmáticos.
    Peço desculpas pelo comentário tão longo e espero ter contribuído para alimentar ainda mais este tão importante debate.

  21. Aproveito para acrescentar que o artigo publicado recentemente é uma parte de uma série de análises que vem sendo realizadas desde 2006. Por isso, em alguns momentos, se lido isoladamente, ele pode ser entendido como incompleto, insuficiente ou para os mais ferinos, até mesmo ridículo. Aproveito para convidá-los a analisar o estudo e os artigos que sucederam, pois vários dos pontos colocados aqui (renda, elasticidade de preço, violência, ídolos, flamengo, rivalidade) inclusive a questão do formato, são analisados de forma mais completa neles.
    Abraço a todos!

  22. Caro Carlos Eduardo,
    obrigado pela participacao.
    Seus comentarios foram, como eu esperava, enriquecedores e acredito que esclareceram alguns mal-entendidos que possam ter havido apos a leitura de meu texto – pelo menos para aqueles que nao seguiram meu conselho e leram o estudo da GGSV na integra (o caso de um campeonato ser ‘mais ou menos justo’ e’ um exemplo).
    Penso que os pontos levantados por vc sao importantissimos e quero acreditar que de certa forma o questionamento levantado pelo post ate’ o ajudou a esclarecer alguns pontos que no artigo nao me pareceram tao claro (ao menos para mim, e espero que para alguns leitores tambem).
    Como vc diz, concordar sempre e’ perda de tempo, entao aproveito para convida-lo a discordar (ou concordar, se quiser) de nossos blogueiros em um futuro proximo.
    grande abs
    Joao

  23. Parabéns agora para o Carlos Eduardo e novamente para o João pelo excelente debate. Infelizmente, não tive a oportunidade de ler o relatório por completo, apenas li o sumário executivo. Ceio que ali estão as principais conclusões do trabalho, além do método empregado no estudo. E sobre o método, apenas tenho uma crítica. O indicador mais adequado, para mim, é taxa de ocupação de estádio. Dessa maneira, tamanho do estádio e o tempo serão analisados no mesmo parâmetro. Essa é minha principal crítica.

    Mas ela é secundária diante daquilo que o Carlos Eduardo colocou com muita propriedade. A necessidade de analisar o formato da competição de maneira pragmática foi colocada de maneira bem elegante e direta. Diferente da minha colocação irônica, quando afirmei que às vezes discussão fica na esfera “botequinesca”. Desse modo, concordo com o Carlos Eduardo quando ele diz que a discussão não pode ficar refém da questão de justiça.

    Com isso, outros pontos precisam ser levantados na questão do modelo de campeonato. A presença de público é fator que explica aceitação de um campeonato, ou quem preferir, a consagração de um formato de disputa. Desse modo, é necessário avaliar outros fatores tais como: audiência de jogos e vendas de produtos licenciados. Esses fatores que estão dentro de alguns grupos de receitas dos clubes (bilheteria, TV, produtos licenciados e etc.) poderiam ser facilmente analisados. A inquietação da equipe Golden Goal contribuiu para o tema e enriqueceu o debate.

    Ainda nessa discussão, é lugar comum afirmar que o principal entrave do futebol brasileiro é a falta de profissionalismo. Sendo assim, profissionalizar-se é um dos requisitos fundamentais para encarar o futebol de alto nível como um negócio. Paradoxalmente, ao mesmo tempo em que se cobra profissionalismo de cartolas ou alguns jogadores, a questão do formato do campeonato se reduz a justiça, a mérito ou a qualquer coisa que não denote mercado. Assim, o profissionalismo fica apenas para alguns aspectos do futebol. Entretanto, o futebol também é um negócio, portanto, os tomadores de decisão devem se cercar de informações profissionais.

    Embora não tenhamos o meio acadêmico e nem mercado esportivo dos EUA e da Europa. No futebol, dentro das quatro linhas, não devemos nada a ninguém, fora das quatro linhas em muitas áreas estamos bem distantes. Por fim, resta saber se estamos em todas as áreas, levando em consideração e esse espaço e o post debatido. Tenho certeza que não.

  24. Caro Júlio,

    Sua observação é pertinente e foi abordada em nosso estudo. Tomo a liberdade de reproduzir o parágrafo de abertura do terceiro capítulo que trata justamente do ponto levantado por você:

    “A observação empírica dos dados mostra que a ocupação média do parque de estádios brasileiros ao longo das 36 edições do Campeonato Brasileiro foi de apenas 26,4%. De fato, apenas 297 partidas, ou cerca de 2,2% do total de partidas na história, tiveram público superior a 90% da capacidade do estádio em que foram realizadas. Desta forma, como não há limitações de capacidade, as análises deste estudo levarão em consideração a média de público real e não o percentual de ocupação dos estádios em que foram realizadas.”

  25. Carlos Eduardo,

    Sinceramente, mesmo que discordásssmos imensamente de metodologia. O que não é o caso, tendo em vista sua breve explicação. Ainda assim, temos um oceano de concordância no que diz respeita à formato de disputado do Campeonato Brasileiro. Reiterando, para isso precisamos qualificar o debate. E nesse ponto, vocês foram bem direto: fatores que determinam a aceitação do público.

    Forte abraço,

  26. Excelente blog, descobri ele agora e mesmo sendo estudante de engenharia química reuni tudo que eu gosto, finanças, números, marketing, empreendedorismo, e principalmente futebol. Também gostaria de elogiar os autores do post e o pessoal que comenta aqui pelo alto nível apresentado.

    Em relação ao tema, eu era a favor do mata-mata, pois como bom brasileiro aprendi a gostar de futebol por causa de sua emoção proporcionada. Mas nunca tive fortes argumentos para defendê-lo, e depois de ler este post e os comentários tive que me convencer que o ideal realmente é o Campeonato brasileiro por pontos corridos.

    Talvez ele nunca nos dê a emoção que somente uma final de campeonato entre 2 rivais proporciona, mas ele prova ser muito mais rentável. Outro ponto interessante é que realmente o brasileiro está se acostumando com esta mentalidade “todo jogo é uma final”, e esse campeonato de 2009 então onde temos grandes elencos e com vários candidatos a ídolos, como Fred, Ronaldo, Keirrison, Washington, Kleber Pereira, Ciro, Nilmar, Alex Mineiro, e etc, me arrisco a dizer que a média subirá mais ainda, mesmo com a falta do Vasco.

    E o sistema Mata-Mata ja é disputado em 4 competiçoes, Estadual, Copa do Brasil, Sulamericana e Libertadores. O problema é que apenas esta última competição tem tido um apelo muito grande, porém apenas 5 brasileiros participam. Os estaduais se encontram extremamente desvalorizados, com alto índice de times pequenos, poucos clássicos, e uma “falta de objetivo”, já que o único trunfo é superar os maiores rivais. Acho que a volta da Copa dos Campeões preencheria este vazio. A Copa do Brasil precisa que os times mais fortes voltem a disputá-la, já que é a competição Mata-mata mais forte do país. E a única solução que vejo para a Sulamericana é a conquista de uma vaga para a Libertadores, senão continuará a ser disputada por times reservas das equipes focadas em títulos de maior expressão.

    Abraços a todos

  27. Os pontos corridos tem maior média de publico no fim da competição, pois tem mais jogos, e mesmo que a cada jogo tenha menas gente que nas finais, a quantidade de jogos faz a média de publico subir.
    Os mata-matas são sim mais interessante, basta ver as finais dos Estaduais que teve festa em todo o Brasil, uma coisa quem ngm diz é que desde que começou os pontos corridos o calendário do Brasil se tornou uma bagunça, pois até 2002 tinhamos no 1º semestre, Estaduais ou Regionais, Copa do Brasil e Libertadores e no 2º Brasileiro e Sulamericana.
    Os que defendem a adequação do calendário ao Europeu, esquecem que ja tinhamos isso e após a chegada dos pontos corridos é que se começou a bagunça.
    Mas como interesses tomam conta do futebol ninguem diz nada, e além do mais o Brasileiro começa logo agora que a Libertadores e a Copa do Brasil estão em suas fases decisivas, atrapalhando ainda mais os clubes.
    Enquanto o povo for na onda da impresa, vamos ficar nessa bagunça sempre.

  28. Entre 1971 até 2002 qualquer torcedor é capaz de lembrar algum jogo inesquecível de todos os campeonatos.
    De 2003 até agora…tem algum??
    Algum para entrar nos anais do futebol como heróico, histórico e emocionante?
    A resposta é simples e óbvia: NÃO!
    ALGUNS JOGOS PARA MEMÓRIA DO MATA-MATA:
    Internacional 1×0 Cruzeiro (1975)
    S.Paulo 3×2 Botafogo (1981)
    Flamengo 3×2 Atlético MG (1980)
    Guarani 3×3 S.Paulo (1986)
    Palmeiras 3×1 Corinthians (1994)
    Santos 3×2 Corinthians (2002)
    ALGUNS JOGOS PARA MEMÓRIA PONTOS CORRIDOS:
    Entre 2003 até 2008: NENHUM.
    S.Paulo 1×4 Fluminense (2010)
    Palmeiras 1×2 Fluminense (2010)
    Flamengo 2×1 Grêmio (2009)
    Corinthians 0x2 Flamengo (2009)
    Não se pode acabar com a emoção em detrimento ao modismo europeu, onde os campeonatos tem 2 a 3 times brigando pelo título. No Brasil é simples: OS QUATRO PRIMEIROS DISPUTAM O TITULO, NADA MAIS!!!


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