Nos últimos dias, muito se fala da dança dos técnicos no futebol brasileiro, já que dois dos treinadores mais vitoriosos dos últimos tempos perderam seus empregos no São Paulo e no Palmeiras.

Talvez essa constante instabilidade na vida dos treinadores de futebol seja o exemplo mais evidente da falta de planejamento na gestão do futebol tupiniquim.

Será que Sir Alex Ferguson sobreviveria ao "planejamento" dos clubes brasileiros?

Será que Sir Alex Ferguson sobreviveria ao "planejamento" dos clubes brasileiros?

Se o Vanderlei Luxemburgo diz que ainda não digeriu sua demissão do Palmeiras, eu ainda tento entender os reais motivos da demissão do Muricy Ramalho do tricolor paulista.

A justificativa da diretoria de que os resultados na Libertadores foram a razão de sua saída, apesar do tri-campeonato nacional, soaria coerente vindo da maioria dos clubes do futebol nacional, mas não daquela que se auto-proclama a administração mais profissional e qualificada do país.

Que a diretoria fique triste por não ter conquistado a América pela quarta vez, é super compreensível. O que é difícil de entender é que ela imagine que trazer um treinador que não tem um décimo do currículo do Muricy possa ser a resposta para esse e outros problemas. É óbvio que não vai dar certo! (está escrito!!! Ano que vem vocês podem vir e conferir. O São Paulo não será campeão da América com o Ricardo Gomes como treinador)

No meu entender, a atitude da diretoria tricolor é resultado de uma grande falta de visão, uma grande empáfia e prepotência (imaginam-se um super time que deveria ganhar a Libertadores todos os anos) e, por que não, inveja. Sim, inveja do sucesso do Muricy.

Afinal, por muito tempo, os bons resultados do São Paulo foram em grande parte atribuídos à gestão superior em comparação a seus rivais. Talvez agora a imprensa estivesse dando crédito demais ao Muricy.

O São Paulo clama ser o clube mais bem administrado do Brasil. Talvez ele devesse olhar mais de perto exemplos na Liga de maior sucesso no mundo. A Liga Inglesa.

E é claro que eu vou me referir ao Manchester United e ao Sir Alex Ferguson, que há mais de 20 anos é o manager do time.

Alex Ferguson é considerado, em todo o planeta, o treinador mais vitorioso do mundo. Só com o Manchester United, são 11 títulos nacionais, mais um punhado de Copas nacionais, além de duas Champions League e dois Mundiais interclubes.

Sorte dele e do Manchester que a diretoria lá não era como a do São Paulo. Se fosse, ele jamais teria vencido uma competição sequer com os Diabos Vermelhos.

Alex Ferguson demorou mais de 3 anos para levantar um troféu (Copa da Inglaterra) com o Manchester. Nesse meio tempo, ele chegou a passar períodos de 8 partidas sem vitórias (6 delas foram derrotas) e levou uma goleada histórica de 5 a 1 para os rivais do Manchester City. O título da Copa da Inglaterra acabou mantendo-o no cargo e o resto é história. A partir daí ele montou não um, mas vários esquadrões que arrebataram tantos títulos, mas também, não podemos esquecer, perderam tantos outros.

E talvez aí esteja uma grande diferença (entre muitas) entre esses dois clubes. Lá a diretoria parece dar muito mais valor para as conquistas do que para as derrotas, e parece saber que uma pessoa que guiou o clube em tantos sucessos provavelmente é a mais adequada para continuar buscando novos troféus. Aqui, parece que se dá muito mais importância às derrotas e resolve-se simplesmente ‘apostar’ num rendimento futuro do clube, sem qualquer embasamento que justifique tal troca.

Eu penso até que na mentalidade tricolor, sir Alex Ferguson não poderia jamais ser considerado o treinador mais vitorioso do mundo. Afinal, se ele venceu só duas Champions League, é porque perdeu ao menos umas outras 15. Ou seja, ele é na verdade o maior perdedor do futebol mundial!

E você, o que acha?

PS. Um exemplo muito semelhante do que aconteceu no São Paulo este ano também ocorreu na Inter de Milão na temporada passada, quando a diretoria demitiu o tricampeão nacional Roberto Mancini para contratar José Mourinho, com vistas em conquistar o título Europeu. A grande diferença é que o Mourinho já tinha um grande gabarito como treinador, de até mais sucesso que o próprio Mancini. No entanto, dentro de campo o resultado continuou o mesmo. Sucesso na Itália e fracasso fora.

Anúncios
Publicado por: João Carlos Assumpção | 28/junho/2009

O inglês de Joel

Muito já se falou a respeito, muito já se brincou sobre ele, mas considero um exagero e até uma falta de respeito o que algumas pessoas estão fazendo em relação a Joel Santana. O inglês dele é ruim? É e concordo que chega a ser divertido. Só que daí a fazer a festa do Youtube, virar deboche, alvo de ironias e sarcasmo acho demais.

Joel-Bafana

Joel diz ser vítima de preconceito. Não sei se é o termo correto, mas vejo como louvável o fato de ele estar tentando aprender inglês. Tem muita gente que deveria e simplesmente não tenta. Joel é corajoso, um treinador que fala a linguagem do boleiro e tem todo o direito de se indignar com as críticas sobre o seu inglês, embora seja da tese de que o melhor é ele as ignorar, especialmente as maldosas.

Infelizmente há muitos brasileiros que gostam de debochar de tudo e de todos, especialmente de quem está tendo sucesso ou ganhando muito dinheiro, caso do ex-técnico flamenguista. Não vou comentar a passagem de Joel pelo futebol sul-africano, mas muitos dos que tiram um sarro dele gostariam de estar ganhando cerca de 200 mil dólares mensais.

É pena que a Internet, apesar de muito útil, acabe, em diversas oportunidades, virando arma de quem gosta de se divertir às custas dos outros, como estão fazendo agora com Joel, mas sem se identificar. Terra de ninguém. Nos programas de TV, pelo menos, quem critica costuma dar as caras para bater, o que é diferente. Mas isso já é outro assunto…

*****

E outro assunto é a Copa-2014, no Brasil, cujos estádios, segundo o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, devem estar prontos na metade de 2012. Continuo torcendo para que sejam feitos com verba privada, mas duvido que isso vá ocorrer.

Quanto às sedes, elas têm que ser fixas, como costumava acontecer até a Copa de 1990, na Itália. Nos Estados Unidos, lembro que, depois de dois jogos na Califórnia, quem quisesse acompanhar o Brasil tinha que atravessar o país para ir a Detroit ver a partida contra a Suécia. Assim ficava complicado. E, como os EUA, o Brasil é um país continental e é um assunto para os organizadores do Mundial analisarem com carinho.

Publicado por: Robert Alvarez Fernández | 26/junho/2009

Torcidas organizadas e Seus Impactos Econômicos e de Mercado

Torcedores vão ao treinamento do Fluminense e agridem o atleta Diguinho por volta do fim de Maio. O fato ocorreu numa tarde, hora de trabalho. Teve tiro pro alto e tudo.

Na semifinal da Copa do Brasil entre Corinthians e Vasco da Gama, acontece um confronto entre torcedores, até agora muito mal explicado, com uma ocorrência fatal, diversos feridos e um ônibus incendiado. Sobram justificativas, emboscada, erro da PMESP (Polícia Militar), coitadinhos de nós e outras bobagens sem tamanho.

Torcedores do Palmeiras, no aeroporto de Curitiba a 400Km. de São Paulo, “recebem” a delegação palmeirense com insultos e ameaças. Além disso, muros do Palestra Itália amanheceram pichados danificando patrimônio do clube que estes indivíduos dizem torcer e “defender”.

A torcida independente do São Paulo F.C. (aí sim com letra maiúscula) pediu reunião com os atletas e foi atendida pela diretoria do clube; sobram notas dizendo que a reunião foi cordial, pacífica e assim por diante, como se fosse um fato inusitado. Quando da eliminação do São Paulo F.C. pelo Cruzeiro e consequente demissão de Muricy Ramalho, de tantas conquistas importantes, pichações no CT do clube…pelos indivíduos que dizem torcer pelo clube, quem pagou a tinta e a mão-de-obra?

Estes exemplos são poucos, mas recentes, e mostram que as torcidas organizadas parecem bem pouco dispostas a abandonar sua linguagem de violência, extorsão e confronto, coisa de quem não tem um projeto de vida de algum valor.

Matematicamente a relação das torcidas organizadas com o futebol se assemelha a um processo de infecção que termina com a vida do hospedeiro. Só que o processo é lento.

As autoridades, juntam-se aí clubes e federações, tratam a questão como uma questão de segurança pública, não é.

Estas mesmas entidades atribuem os problemas à questões sociais, econômicas dando um salvo conduto à conduta inadequada quase como uma “política compensatória” pelo fato dessas pessoas terem uma “vida miserável”, não é. Há mecanismos e políticas para estudar, se qualificar, trabalhar e progredir, o problema é que isso exige sacrifício e dá trabalho; seguir a vida reclamando do destino e odiando quem trabalha e produz é mais fácil.

Eu mesmo não venho da elite econômica, mas batalhei meu espaço e cresci, estudei em escola pública até o final do segundo grau, e tenho que continuar me mexendo pois há sim uma nova geração chegando com garra e vontade ao mercado de trabalho.

Esse papinho de “criado na rua”, de “correria”, de “excluído” não cola comigo, isso é papo para seduzir sociólogo de buteco. O mundo ficou menor e plano, temos que nos mexer para obter uma posição competitiva na vida e, por consequência botar o país pra frente.

Voltando ao futebol, foi-se o tempo em que as torcidas organizadas eram inocentes grupos de idealistas torcedores fanáticos por um clube, seja ele qual for, que se organizavam para acompanhar seu time do coração. Hoje falamos de organizações com CNPJ, quadros associativos robustos, sede própria, enfim um grande negócio.

Négocio este que, como qualquer organização comercial, quer se perpetuar e crescer. Para crescer é necessário atender às necessidades do mercado; se o torcedor jovem, de pouca renda ainda, não tem recursos para frequentar o seu clube do coração para ver atendida sua necessidade de pertencimento a torcida organizada tem ofertas de baixo custo para a associação. Se este torcedor não consegue comprar produtos licenciados do clube, compra da torcida organizada, mais baratos.

Sob qualquer ameaça ao seu negócio, que deve ser até bem lucrativo, a torcida organizada encontra terreno fértil para a intimidação e a extorsão dada a fragilidade moral e administrativa da maioria dos dirigentes do futebol brasileiro. A mediocridade administrativa e de resultados é compensada com apoio político, mainfesto em campo por meio do apoio ao time por exemplo, a estes dirigentes, claro que isso tem um preço. Além do mais, torcedor organizado vota, o que causa pavor nos políticos e os impede de tomar uma posição de enfrentamento para tratar a questão.

Curiosamente, esses grupos são recebidos pelas autoridades, definem onde vão se acomodar nos estádios, que caminho farão para chegar ao estádio e o fazem com escolta de Chefes de Estado enquanto o cidadão pagador de impostos é assaltado nos cruzamentos da cidade.

E mesmo assim saem confrontos, mortes. Alguém tem culpa ? Sim, todos os que aceitam a existência destes grupos e a relação com os clubes, culpa se não legal, ao menos moral.

Esses grupos fazem uso das marcas e símbolos dos clubes sem o menor constrangimento e são até agraciados com o título de “clientes preferenciais” por “profisisonais” de marketing de alguns clubes, justamente eles, que deveriam ser os guardiães ferozes de seu maior patrimônio, suas marcas.

Por que não exigir que eles paguem pelo uso das marcas como qualquer fabricante de camisetas, toalhas, canecas, canetas, etc.? Não seria uma forma inteligente de asfixiar economicamente tais grupos? Apenas um exemplo de fora da questão : a melhor forma de combater o crime é torná-lo inviável economicamente e há sim um crime aí, o de pirataria, pra dizer o mínimo.

Números de empresa grande de material esportivo mostram que após um conflito entre torcidas de grandes proporções e de grande notoriedade há uma queda nas vendas de 20% de material esportivo, sobretudo camisas, em três ou quatro semanas após o conflito, a torcida organizada paga essa conta ? Certamente que não, mas quer “jogador”.

E quanto mais ela aparece nestes confrontos e “cobranças”, mais “força” ela demonstra, mais seu negócio prospera. É a lógica extorsiva do crime.

Estranha essa lógica, confesso que não entendo.

Queiram ou não temos uma lei no Brasil, o Estatuto do Torcedor, que dá o direito ao torcedor de ocupar seu assento marcado no ingresso. Coisa de lei que “não pega”; pois os grupos organizados são, junto da pobreza administrativa e operacional dos clubes e da inoperância da justiça, os principais responsáveis por isso. Experimente comprar um lugar dentro da área “reservada” aos “clientes preferenciais” e querer ocupá-lo, certamente não irá conseguir e ainda correrá riscos.

É por essas e outras que esse ressurgimento, com alguma força, de eventos gerados pelos grupos organizados precisa ser entendido e atacado com vigor, inteligência e sem viés político.

A civilização da relação futebol/torcidas organizadas é um gigantesco obstáculo para que os estádios voltem a ser ocupados por pessoas que buscam apenas pertencer a algo maior e que queira se divertir com isso, independente de condição sócio-econômica, de nível educacional e outras variáveis de segmentação.

A cada confronto damos um passo atrás no posicionamento do produto futebol, e quanto pior o posicionamento mais complicado é tornar economicamente interessante prover estruturas e processos de serviços de qualidade para o torcedor.

As torcidas organizadas e os clubes, ao menos seus dirigentes, coniventes condenam a cada dia que passa o futebol à mediocridade, em relação à outras formas de entretenimento, não é coincidência a pouca ocupação histórica dos estádios brasileiros, pode não ser a única razão, e não é, mas contribui muito sendo a principal causa de abandono da ida aos estádios nos últimos vinte anos. (Dossiê Esporte, TNS Sport, IBOPE)

Apesar de gostar muito de futebol, vou ao cinema.

Publicado por: Amir Somoggi | 17/junho/2009

Real Madrid 2009, a lógica de Florentino

O atual presidente do Real Madrid, Florentino Pérez mais uma vez causou um grande frisson no mercado global do futebol, com suas recentes contratações milionárias. A idéia do presidente do clube merengue é reeditar o projeto dos galácticos, contratando os melhores jogadores do mundo.

Indiscutivelmente em sua primeira passagem pelo Real Madrid, Florentino Pérez obteve êxito mercadológico em sua estratégia, transformando o clube no time de maior receita do esporte global, à frente de seus concorrentes europeus e franquias norte-americanas. Por outro lado, o projeto em termos esportivos apresentou um excelente resultado no curto prazo, mas em pouco tempo apresentou uma série de falhas em termos esportivos, o que acabou resultando na saída de Pérez do comando do clube.

Com seus investimentos atuais, Florentino prova que está disposto a tentar mais uma vez, por meio de grandes contratações, mudar o atual cenário do clube, que além da falta de títulos, viu seu arqui-rival Barcelona conquistar todos os campeonatos que disputou.

Bernabeu

A pergunta que todos se fazem é: O Real Madrid tem recursos para contratar a peso de ouro os melhores jogadores do mundo em meio a uma crise financeira?

A resposta é sim, pelo menos até o momento, já que segundo minha análise o clube gerou nos últimos 4 anos 96 milhões de euros em superávits. Na temporada 2007-08 os gastos salariais representaram 46% de suas receitas e se considerando a amortização dos contratos dos jogadores, esse percentual atingiu 68%, o que demonstra equilíbrio em sua gestão.

Um outro dado interessante é analisar as dívidas do clube, que atingiram 563 milhões de euros na temporada 2007-08, sendo que cerca de 22% desse montante são dívidas de curto e longo prazo relacionadas à aquisição de jogadores.

Com as novas contratações o Passivo do clube deve crescer muito, principalmente na rubrica entidades desportivas credoras e também sua folha salarial, o que pode trazer um desequilíbrio financeiro em sua gestão.

A aposta de Florentino é que como em sua gestão anterior, seus gastos serão equilibrados com uma profunda melhora em suas receitas, que passaram de 138 milhões de euros na temporada 2000-01 para 365,8 milhões de euros na temporada 2007-08, evolução de 165%.

A questão que deve ser discutida é que o momento do futebol europeu é bem diferente do início da década, já que outros clubes se desenvolveram muito no período, principalmente o Barcelona, que projeta receitas de 380 milhões de euros nessa temporada e hoje é clube com mais torcedores/simpatizantes na Europa.

Além disso, em minha opinião será muito difícil que nos próximos anos o Real Madrid consiga ampliar no mesmo ritmo suas receitas de marketing, mídia e estádio, que já cresceram profundamente desde 2001. Assim acredito que a aposta de Florentino é que seu projeto atual traga títulos e novos recursos.

Assim a meu ver o projeto atual do Real Madrid é uma aposta arriscada, considerando que o clube pode ter dificuldade de conquistar os títulos tão esperados e viver em constante pressão por bons resultados em campo.

Caso isso ocorra, o clube pode ver seu projeto naufragar e ter dívidas muito altas para pagar, para os mesmos clubes que podem vencê-lo nas competições.

Publicado por: Amir Somoggi | 10/junho/2009

Um bem para o futebol francês

Amigos há algum tempo eu publiquei um post sobre o modelo de gestão da Liga Francesa, exemplo único de administração no futebol europeu. Embora a gestão da Ligue 1 e Ligue 2 seja extremamente profissional, privilegiando o controle nas finanças dos clubes, transparência e rígida regulação, o mercado francês nos últimos anos não conseguiu fortalecer mercadologicamente sua principal competição, consequência dos seguidos títulos conquistados pelo Lyon, principal clube do país atualmente e pela falta de bons resultados de seus clubes nas competições européias.

Bordeaux

Entretanto o título conquistado pelo Bordeaux na temporada 2008-09, time que ficou em 2º lugar na temporada 2007-08, foi um verdadeiro prêmio para o mercado francês, já que barrou a recente hegemonia do Lyon.

Uma outra questão interessante é compreender a diferença gigantesca entre os dois clubes, provando que mesmo em mercados desenvolvidos, times com menor potencial comercial e reduzidos gastos salariais, podem apresentar desempenho superior nas competições. O atual campeão francês apresentou receitas de cerca de 68 milhões de euros na temporada 2007-8, nada menos que 3,1 vezes menos que o gerado pelo Lyon. Já os gastos salariais do Bordeaux são a metade do heptacampeão francês.

Um dado interessante é que o montante recebido pelo Bordeaux com direitos televisivos domésticos não é muito distante do recebido pelo Lyon, graças aos critérios de divisão do contrato televisivo coletivo da Liga (lembrando que na temporada passada o Lyon sagrou-se campeão). Por outro lado a participação do contrato televisivo da Ligue 1 na receita total dos clubes é bem diferente, já que para o Lyon, o montante recebido representou 21% de sua receita total, enquanto que para o Bordeaux, os valores recebidos foram responsáveis por 82% da receita gerada pelo clube na temporada passada.

Assim embora a diferença do Lyon para os demais clubes seja altíssima, a vitória do Bordeaux é um verdadeiro bem para o futebol francês, que sempre buscou trazer um equilíbrio entre os clubes. A questão é saber se esse título é um momento vivido pela Liga Francesa ou se indica alguma mudança em seu atual cenário esportivo.

Publicado por: Robert Alvarez Fernández | 1/junho/2009

Acabou a Desculpa….Hora de Trabalhar !!!!

Amigos, a convite da SP TURIS estive ontém no Morumbi onde acompanhamos, eu e o Prof. Claudinei também da ESPM e a quem me reporto funcionalmente naquela estrutura, o anúncio das doze sedes da Copa do Mundo de Futebol a se celebrar no Brasil em 2014.

SP2014

Quanto às cidades sede, pouca ou nenhuma surpresa, apenas algumas definições; algumas cidades poderiam ser consideradas óbvias , a meu ver, seriam Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Fortaleza.

As quatro outras cidades saíram de algumas disputas de sub-regiões inventadas pela e para a disputa: do binômio Planalto Central, Brasília bateu Goiânia, mesmo a segunda sendo uma cidade bastante mais interessante que a primeira…o azar de Goiânia, e do resto do Brasil também por outros aspectos, é que Brasília é a capital do país, adversário difícil em qualquer país.

Do binômio Pantanal venceu Cuiabá, resultado do poder político do Governador do Mato Grosso (MT), que recebeu o título de “Motoserra de Ouro” do Greenpeace…mostra que nem a FIFA, nem a CBF e nem nosso Governo central tem alguma sensibilidade ambiental, lamentável a meu ver.

Do trinômio Amazônico saiu Manaus, que derrotou Belém, cidade mais preparada, e Rio Branco-AC….que vamos e convenhamos não tem nem lampejos de infra-estrutura para receber um evento deste porte, além de ter uma cadeia logística infernal para fazer algo chegar lá.

As cidades do Nordeste, pelo que se sabe, se juntaram e organizaram seu pleito em bloco, deste esforço surgiu Natal-RN, que desbancou Florianópolis, que apesar da força econômica de seu Estado e de seu potencial turístico fez um trabalho insuficiente, a meu ver para sensibilizar quem escolheu as cidades.

Agora, muito se falou na coletiva dos rigores técnicos na escolha das cidades…..conhecendo a CBF e o Estado Brasileiro, o que se viu foi que quem beijou mais a mão da Corte que dirige o futebol brasileiro e o país teve clara vantagem; até os estádios que em teoria já estão em pé tem em seus projetos de adequação nada mais que maquetes e discursos, todos, sem exceção, até no caso de São Paulo.

Desta forma, como vocês já sabem a Copa terá as doze sedes que o Brasil, ou a CBF, tanto queria que são : São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Porto Alegre, Salvador, Recife, Fortaleza, Natal, Cuiabá e Manaus.

A desculpa vigente para o não início de qualquer trabalho sério de planejamento, orçamento e contratação das obras necessárias para receber uma Copa do Mundo era o de que não se sabia, me engana que eu gosto, quais eram as sedes; para manter a farsa, agora se sabe, hora de trabalhar e hora da população por meio das organizações sociais, universidades, empresas de consultoria, de auditoria e cada um de nós fiscalizar tudo o que será feito.

Para contar um pouquinho como foi aqui em SP, os leitores estão à vontade para dizer como as notícias correram suas cidades. O evento foi no Salão Nobre do Morumbi, pouco antes do jogo São Paulo e Cruzeiro; os torcedores do SPFC foram presenteados com uma camiseta, os que estavam no evento também, com uma inscrição alusiva à utilização do Morumbi para a Copa 2014 e à participação de São Paulo.

Quanto ao estádio a ser utilizado na Capital paulista há mais bravatas e especulações que qualquer informação concreta; típico da falta de transparência do Poder Público, da CBF e de quem dirige o futebol….quando anunciadas as cidades houve uma contida comemoração e aí vieram as autoridades…o Gov. Serra falou que seu Estado fará as obras no Metrô, o RodoAnel e cobrou do Gov. Federal o Terminal 3 do Aeroporto Internacional , o Pref. Kassab disse que as obras viárias também são prioridade, o Pres. do SPFC disse que o Morumbi estará pronto….e que, aí está a mágica, “84% do estádio já está em condições”, pelo que entendo de estádios confesso que não sei o que isso quer dizer, por mais boa vontade que eu tenha.

A SP TURIS organizou um painel humano interessante com os dizeres “São Paulo – Cidade Sede”, etc….o logo da cidade para a Copa ficou bem legal assim como o material para a imprensa, isso ficou bom.

Agora como pesquisador peço licença para pontuar algumas coisas que aconteceram aqui que não estão muito claras não.

Na sexta-feira, recebi de fonte boa, embora a informação tenha chegado meio truncada, que a FIFA considerou insuficiente o projeto de reforma do Morumbi e que novas demandas seriam feitas em relação à sala de imprensa (problema que soube ontém já estar equacionado), à entrada e localização das áreas VIP além de questões de acesso e até de estrutura do estádio. Isso levantou a questão de que poder-se-ia levantar outra arena na região Norte da cidade, quase na saída para Campinas, algo nos moldes do Engenhão, preciso explicar mais ?

Surge aí a questão dos 84% de “readiness” do estádio; pela impossibilidade de explicar e pela, de novo, nenhuma transparência pergunto : se há, quais são as demandas novas da FIFA para o Morumbi? Quanto elas custam ? Quem vai pagar pela reforma ? As reformas custarão menos que construir uma nova arena ? De quem é a decisão ?

Quanto menos vermos essas perguntas respondidas maiores são as chances de termos, seja na reforma do Morumbi ou na construção de uma nova arena, um processo de decisão baseada em critérios políticos e um terreno fértil para a corrupção e para o super faturamento de obras.

Qual seria a minha opção ? A opção por uma decisão simplesmente feita pela análise de um plano de negócio consistente e auto sustentável, em seu aspecto econômico. A minha não opção fica por uma decisão política e que permita a contratação de obras de emergência sem licitacão e toda a farra que daí venha.

Enfim, o que vi ontém e veremos e nos próximos desdobramentos em nada me anima. Fica apenas o meu muito obrigado a Porto Alegre e seus clubes e a Curitiba e o Atlético-PR; tais cidades paracem ter projetos com as características necessárias para não precisarem de dinheiro público para seus estádios. De público, nestes locais, deve haver apenas investimento em infra-estrutura, que depois é aproveitado pela população fazendo com que valha a pena o investimento.

Acompanhemos o desenrolar dos fatos, mesmo que não muito promissores, e convido os leitores das demais onze localidades a se manifestarem, o F&N se coloca à disposição de todos.

Publicado por: João Carlos Assumpção | 31/maio/2009

O Barça e Sylvinho

Sylvinho, brasileiro que conquistou o principal torneio de clubes com o Barça batendo o Manchester em Roma, merece todos os elogios que Guardiola lhe fez.

Lateral brasileiro está no clube catalão desde 2004

Lateral brasileiro está no clube catalão desde 2004

Um atleta humilde, que joga um futebol simples, deixa de tentar uma firula para tocar para um companheiro mais bem colocado, trata todo mundo com respeito e vence um desafio como esse, quando o time espanhol tinha diante de si nada mais nada menos do que o Manchester United, uma das melhores equipes do mundo, poderia ter tido mais chances no escrete brasileiro.

Fiquei pensando nisso ao visitar cidades italianas, Milano, como dizem os locais, e Turim, e vi camisas do Manchester e do Barça em diversos lugares, com o nome de muitos atletas, mas nenhuma de Sylvinho. Pode lhe faltar carisma, mas nunca lhe faltou futebol, atleta aplicado que é desde os tempos que eu cobria o Corinthians pela “Folha de S. Paulo”, nos idos dos anos 90.

E no jogo ele foi espetacular. Assim como Messi, o protagonista, que se lembrou do companheiro ao festejar a conquista.

Por falar em Messi, o que me passou pela cabeça é como os jogadores brasileiros, ao contrario dele, atravessam uma fase ruim na Europa. Um ou outro ainda se salva, como Grafite, artilheiro na Alemanha. Mas Ronaldinho, Robinho, Adriano, que voltou ao Brasil, e outros acabam sendo citados mais pelos problemas que criam. As estrelas fracassam, os coadjuvantes ou os menos badalados, não.

Além de Messi, que considero o principal jogador do mundo no primeiro semestre de 2009, Eto`o tem que ser lembrado. Claro, os dois marcaram os tentos do Barcelona contra o Manchester, mas fizeram muito mais do que isso. No caso de Eto`o, que tive a oportunidade de entrevistar em 2005, enfrentou o racismo como muitos evitam fazer, iniciando uma bela campanha no futebol europeu, cansado de ser chamado de “macaco” e hostilizado pela cor de sua pele. Ainda hoje, lamentavelmente, muitos se recusam a aceitar o outro, o “diferente”. Se todos fossem iguais, que graça o mundo teria?

Ficam aqui meus parabéns ao Barcelona, que se mantém firme no modelo associativo, segue sem patrocinador na camisa e fatura como um louco em cima de conquistas como a obtida em Roma. O que vende de camisa na Europa é impressionante. Como se vende também camisas do Brasil, boa parte delas estilizadas.

E aqui fica a pergunta: quem lucra com a venda dessas camisas verde-amarelas? Porque produto pirata encontra-se em qualquer esquina da Europa – ou em quase todas, estou exagerando um pouco. Mas se encontra. Inclusive as famosas havaianas, moda tanto na Europa quanto nos EUA. Muitas delas piratas. E com a bandeirinha do Brasil entre os dedos.

Publicado por: Amir Somoggi | 28/maio/2009

Vasco da Gama X Corinthians- Efeitos da mudança

O Vasco da Gama mandou seu jogo semifinal da Copa do Brasil contra o Corinthians no Maracanã, em detrimento de sua tradição de jogar sempre em São Januário e lotou o estádio que é a casa dos grandes jogos do Rio de Janeiro. Como sabemos, o Vasco, segunda maior torcida do estado, ficava sempre fora dos grandes confrontos no estádio como mandante até a chegada de Roberto Dinamite.

Além de acabar com essa visão antiquada de que o clube tem mais chances de vencer em São Januário, um público como o de ontem mostra a grandeza do clube e também possibilitou que 68,3 mil vascaínos acompanhassem o jogo no estádio, ante os 24 mil, por exemplo, na semifinal contra o Sport na edição de 2008.

Já que estamos no F&N não há como não analisar as receitas geradas em cada um desses confrontos realizados pelo clube na mesma fase da competição em 2008 e 2009.

Receitas Geradas Vasco da Gama
Venda de Ingressos-Copa do Brasil

Vasco Copa do Brasil

É indiscutível a melhora das receitas geradas pelo clube com seu jogo de ontem no Maracanã em comparação ao arrecadado em São Januário no confronto de 2008 contra o Sport, já que a receita bruta do jogo de ontem foi 200% superior à semifinal de 2008. O jogo de ontem arrecadou cerca de R$ 1,2 milhão em vendas de ingressos, contra cerca de R$ 391 mil no ano passado.

Embora o preço médio dos ingressos seja próximo nos dois jogos e o valor líquido descontando as despesas seja baixo, cerca de R$ 11 / torcedor, está claro que a presença do clube no Maracanã agradou ao torcedor vascaíno e engrandeceu o clube.

O Vasco da Gama está construindo uma nova realidade para sua gestão e ver o Maracanã lotado de vascaínos foi muito bom para o futebol carioca e brasileiro.

Publicado por: Robert Alvarez Fernández | 26/maio/2009

O que leva o público aos estádios ??? Abordagem Estatística Preliminar

Este texto é parte de um estudo bem mais amplo que fiz e considero que é uma das pesquisas que um departamento de marketing que, no mínimo saiba do que marketing se trata, deveria ter feito ou pensado em fazer; fica a contribuição, talvez não exatamente nos números, embora eles sejam de boas fontes, mas do método.

O brasileiro, em linhas gerais, nutre um grande interesse pelo futebol, por motivos pelos quais já se discorreu, o futebol faz parte da identidade do povo brasileiro sendo, reconhecida, como uma de nossas principais marcas no exterior quando se fala do Brasil. Isso se traduz em um grande contingente de pessoas no Brasil que praticam e acompanham o esporte, trar-se-ão dados apenas e tão somente o do acompanhamento do esporte por meio de dados da pesquisa IPSOS/Marplan-SporTV, feita em 2006.

Tal pesquisa entrevistou 2.334 pessoas em todo o Brasil sobre os hábitos de torcer e acompanhar o esporte em seus cortes mais significativos. Em um primeiro corte se perguntou sobre o hábito de acompanhar o esporte com os seguintes resultados:

fig11

Figura 11 : Perfil de Acompanhamento do Esporte – Fonte : Dossiê Esporte – IPSOS/Marplan-SporTV (2006)

Nota-se que aproximados 58% dos entrevistados demonstram grande interesse em acompanhar o esporte com freqüência. O próximo corte da pesquisa versou sobre qual o esporte acompanhado, o futebol é o esporte preferido, no acompanhamento pela mídia, conforme vemos no gráfico abaixo. Vale lembrar que havia a possibilidade do entrevistado optar por mais de um esporte, fazendo com que a soma seja maior que 100%.

fig12

Figura 12 : Preferência de Esportes para acompanhar – Fonte : Dossiê Esporte – IPSOS/Marplan-SporTV (2006)
O futebol é realmente um fenômeno de mídia. Dados da TV Globo nos dão um emblemático exemplo que se deu em Março de 2007; na mesma semana tivemos uma partida do campeonato Paulista de Futebol entre o Guaratinguetá e o AD São Caetano e a final da liga nacional de vôlei feminino. Nenhum dos clubes de futebol acima citados figura entre as maiores torcidas do Brasil, mesmo assim, tal partida gerou quatorze pontos de audiência, em TV paga, durante o meio da semana; enquanto isso, a final da liga de vôlei, onde estavam reunidas, entre as duas equipes metade da seleção brasileira vice-campeã mundial, rendeu nove pontos de audiência.

Outro corte importante no acompanhamento do esporte diz respeito à faixa etária, o acompanhamento naturalmente cresce quando o consumidor tem mais tempo livre à disposição, na fase do que se poderia chamar de mais produtiva ou de construção de patrimônio e de família, o envolvimento cai, o que pode ser um fenômeno perverso, pois é justamente nesta fase em que na maioria dos casos as pessoas apresentam maiores rendimentos, apesar de seus compromissos.

O jornalista Nelson Rodrigues costumava dizer que a Seleção Brasileira “é a pátria de chuteiras”, a antropóloga Simoni Lahud Gomes o futebol realmente representa a idéia de nação no nosso país: “Nação é uma representação, não é uma coisa concreta. Não se é brasileiro o tempo todo, você é brasileiro, sobretudo em contraste com um estrangeiro. Quando você está no exterior, você é sempre brasileiro. Nos times e na seleção brasileira projetamos as questões prementes da sociedade. O futebol é para nós quase uma terapia, como se através dele estivéssemos explicando para nós mesmos os nossos comportamentos, aprendendo quem somos”.

O resultado disto, na prática, é que quase todos os brasileiros dizem ser torcedores de um time de futebol conforme a representação gráfica a seguir:

fig13

Figura 13 : Totais relativos : Torcedores e Não Torcedores – Fonte : Dossiê Esporte – IPSOS/Marplan-SporTV (2006)
Como vemos, a maioria esmagadora diz ter algum sentimento em relação a um time de futebol. Entre os homens, a proporção de torcedores salta para 90% contra 10% de não torcedores. Entre as mulheres, a proporção das que se declaram torcedoras é de 74%, sendo que as demais não se declaram torcedoras totalizando 26%.

Em um corte por classe social, veremos que, até surpreendentemente, a classe “C” é a que apresenta maior grau de “abstenção” (20%) não se declarando torcedor de time algum e a menor “abstenção” se encontra na classe “A” (16%), nota-se, no entanto, que a distância é pequena conforme podemos ver na representação gráfica abaixo:

FIG14

Figura 14 : Torcer ou não torcer por Classe Social – Fonte : Dossiê Esporte – IPSOS/Marplan-SporTV (2006).

O próximo dado apresentado, talvez seja um dos mais importantes e emblemáticos para o entendimento dos problemas enfrentados pelo futebol brasileiro, vimos nos cortes da pesquisa anteriores, que o futebol predomina nos corações e mentes da população brasileira independentemente de classe social, no entanto, o número de pessoas que declararam freqüentar os estádios brasileiros não é dos mais animadores.

Em média, 13% dos brasileiros mantêm inalterada a freqüência a estádios de futebol, enquanto 11% diminuíram e 2% têm ido até mais (dos 11% que diminuíram 7% culpam a violência e a insegurança dentro e fora dos estádios). E 54% dos brasileiros não freqüentam estádios. Na tabela a seguir, os porcentuais totais e por classe social. A maior queda é na classe A:

fig15

Figura 15 : Evolução da a estádios por classe social e por gênero. – Fonte : Dossiê Esporte – IPSOS/Marplan-SporTV (2006)
Além da razão citada do porque não ir aos estádios ser preocupante, em todas as classes sociais pesquisadas existe um grande contingente de torcedores que simplesmente não freqüenta estádios. Desta forma, a massa de torcedores que dizem acompanhar o futebol estaria assim distribuída no modelo da escada rolante de Mullin:

fig16

Figura 16 : Modelo da Escada Rolante de Mullin – Cenário Brasileiro – Adaptado de Mullin (2002).

Desta pesquisa e análise feita, vemos a resposta à terceira questão problema proposta nesta dissertação. Assume-se, para responder à questão problema, que o acompanhamento ao vivo das partidas de futebol nos estádios representa o mais alto grau de adesão ao produto em questão e que são estes os consumidores, que por estarem mais próximos e mais aderentes, são os que mais consomem, além do acompanhar ao vivo, a maior parte dos produtos licenciados oferecidos pelo clube sendo os que geram maiores receitas. Desta forma, podemos afirmar que o futebol brasileiro ocupa aproximados 25% de seu mercado potencial, sendo que apenas 13% seriam, de fato, usuários intensos.

Muitos dos entrevistados, como vimos acima, atribuíram à violência real e percebida nos estádios e seu entorno o desistir de acompanhar os jogos de seu time ao vivo. Carlos Eduardo Caruso, diretor da Agência Esportiva Golden Goal, reconhece que a queda de público nos estádios brasileiros se deve em parte à violência, sobretudo a partir dos anos 90, uma evidência que corrobora esse pensamento é a de que as partidas entre clubes maiores de mesma cidade onde se pressupõe maior rivalidade e maiores tensões foram as que mais perderam público.

Caruso também atribui a queda de público do campeonato brasileiro ao êxodo de jogadores para atuar em clubes do exterior. Na década de 70, os jogadores da Seleção Brasileira atuavam no Brasil. A partir dos anos 80, alguns haviam se transferido, mas era um movimento mais isolado e os jogadores migravam em idade mais avançada, já ídolos em seus clubes no Brasil. E, hoje, da Seleção Brasileira titular na Copa do Mundo de 2006, nenhum jogador atuava no país. A importância do ídolo se faz notar, também na pesquisa Dossiê Esporte IPSOS-SporTV, 59% dos entrevistados dizem nutrir um sentimento especial pelos seus ídolos, a explicação para tal vem das mais diversas e subjetivas formas. Os entrevistados atribuem grande influência dos ídolos do esporte sobre a opinião pública, por estimular a prática esportiva e os exercícios físicos, e ajudar a movimentar a indústria relacionada ao esporte. Essa influência é descrita porcentualmente da seguinte maneira:
* O ídolo é um exemplo a ser seguido – 49% dos ouvidos acreditam no poder de sugestão dos ídolos, capazes de influenciarem positivamente adolescentes e crianças.
• Ele é um estímulo à prática – 16% consideram os campeões fonte de inspiração para a prática esportiva. Algumas meninas disseram que passaram a fazer ginástica olímpica depois de ver o sucesso de Daiane dos Santos.
• Torna-se foco da torcida – 11% afirmam que o processo de identificação com o ídolo o torna referência para o esporte que pratica e suscita o desejo de acompanhá-lo na superação de dificuldades.
• Gera interesse pelo esporte – 11% dizem que o ídolo faz aumentar a audiência do esporte. A habilidade do ídolo garante o espetáculo.
O preço dos ingressos também parece ter alguma influência conforme o estudo da Golden Goal, O preço médio do bilhete na década de 70 era de R$ 4. Isso foi mantido por toda a década. A partir do momento em que nós começamos a ter um movimento inflacionário, a cada troca de moeda, o preço real do ingresso subia. E hoje a média é de R$ 11. Obviamente existe uma variação de clube para clube, região para região, mas essa é uma média geral. Se observarmos a média de público do Campeonato Brasileiro de Futebol, em sua primeira divisão, desde sua primeira edição, observaremos que, dentro do universo de suas edições, de 1971 até 2006, a flutuação é muito grande com edições com grande sucesso de público e edições completamente fracassadas.
Várias hipóteses, ao longo da pesquisa, foram testadas para tentar encontrar a causa para tamanha flutuação. As hipóteses passaram por itens referentes à qualidade técnica da competição, Dentre as várias, mais de trinta, hipóteses testadas para encontrar as causas para tal.
Primeiramente, vejamos a tabela com as médias de público de todas as edições, até 2006, do Campeonato Brasileiro da primeira divisão.

fig17

Figura 17 : Média de Público do Campeonato Brasileiro 1971 a 2006 – Fonte: http://www.bolanaarea.com.br e http://www.cbfnews.com.br.
Observa-se uma grande flutuação, como se pode ver na adesão de público e no interesse pelo campeonato brasileiro, no entanto se observa tendência de queda ao longo dos anos. A primeira questão surge é tentar encontrar o ponto comum entre os campeonatos de maior média de público e pontos comuns entre os campeonatos de menor adesão. As variáveis são inúmeras, o campeonato sofreu diversas alterações ao longo de suas edições em aspectos como a quantidade de clubes participantes, fórmulas de disputa, períodos em que foram disputados dentre outras características. Como exemplo, o campeonato de 1979 chegou a ter noventa e quatro participantes, escolhidos por critérios políticos no âmbito do esporte e da política nacional, outro exemplo é o campeonato de 1987 disputado apenas pelos maiores clubes, que formaram o Clube dos Treze quando do racha com a CBF, órgão administrador do futebol brasileiro.
Primeiramente se levantou quais os clubes de maior torcida no Brasil. Os dados seguem:

tab7

Tabela 7 : Clubes Brasileiros de Maior Torcida – Fonte: IBOPE-LANCENET 2004
Assume-se que quanto maior for a torcida, apesar de sua dispersão geográfica, maior é a capacidade de levar torcedores ao estádio gerando receita direta.
Dessa dispersão toda se observa, em uma análise de cluster, a seguinte distribuição entre as diversas edições da competição:

fig18

Figura 18 : Análise de Cluster Hierárquico – Médias de Público do Campeonato Brasileiro – Organização Própria.

Os campeonatos que obtiveram maior média de público são aqueles em que na maior parte da amostra, tiveram como Campeão o Clube de Regatas Flamengo como em 1982 e 1983, historicamente o clube com o maior número de torcedores no Brasil. A edição de 1971 teve como fator de adesão do público o fato de ser a primeira edição e o Brasil estar em pleno milagre econômico além de ter como campeão o Clube Atlético Mineiro, clube muito popular; o salário mínimo estava em torno de valores atuais, em R$ 317,00 (IBGE) e o índice GINI se encontrava em um patamar aceitável para a condição do Brasil da época, também conta o fato do S.C.Corinthians ter chegado entre os quatro primeiros, sem dúvida, o desempenho dos clubes de maior torcida explica o sucesso de público da competição, mas está longe de ser o único fator. O desempenho da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1970 trouxe o futebol à pauta, lembremo-nos que simplesmente todos os tricampeões mundiais jogavam em clubes brasileiros a aquela época.

Na outra ponta da análise estão os campeonatos com menor média de público, a análise hierárquica utilizada gerou uma amostra grande para encontrar causas comuns devidamente convincentes, no entanto, algumas hipóteses podem surgir analisando-se o ambiente daqueles campeonatos. Analisando-se dados do IBGE, em alguns dos anos estudados verifica-se que nestes períodos verificou-se achatamento salarial, grande inflação e perda de poder aquisitivo por parte da população. Podemos citar como exemplo o ano de 1974 com o final do que se denominou como o milagre brasileiro aliado à crise do petróleo, a explosão inflacionária de 1993 dentre outras incertezas econômicas e políticas que coincidem com as baixas de público, o que faz com que se conclua que tais fatores, ligados à política e economia devam ser levados em consideração além dos aspectos esportivos Dentre os fatores esportivos, apesar do S.C. Corinthians ter conquistado seu primeiro título nacional em 1990, assim como o S.C. Internacional de Porto Alegre-RS ter sido campeão em 1979, campeonato com noventa e quatro equipes e dono de uma das piores médias de público da história, os fatores econômicos e políticos, além do desempenho apenas razoável da Seleção Brasileira nos mundiais adjacentes, prevaleceram. Conforme análise de Caruso (2006), da Golden Goal, a partir dos anos 90 a violência nos estádios e em seu entorno aumentou significativamente de forma real e percebida, o que fez com que muitos torcedores deixassem de acompanhar seus clubes presencialmente.

Os fatores são muitos, afinal, se trata de uma amostra de trinta e seis temporadas em décadas de profundas transformações sociais, políticas e econômicas no Brasil e, certamente, o período em que o ramo de atividade futebol profissional, em todo o mundo, sofreu maiores transformações. A análise hierárquica demonstrada acima mostrou a necessidade de partir para a próxima etapa da análise estatística separando a amostra de trinta e seis temporadas em duas fases, a primeira de 1971 a 1989 e a segunda de 1990 até 2006; razões para tal não faltam e se baseiam principalmente em três grandes transformações que o ambiente de negócios sofreu. A primeira é o advento, de forma mais freqüente da transmissão dos jogos pela TV aberta, a segunda é o incremento do êxodo dos ídolos do futebol brasileiro para exercerem sua atividade fora do Brasil, predominantemente na Europa, deixando os campeonatos locais carentes de ídolos enquanto que a terceira se refere à percebida deterioração dos estádios e suas condições do entorno. Como muitos dos grandes palcos são públicos observou-se notadamente a diminuição de suas verbas de conservação.

Na busca de razões mais concretas para a flutuação de público e com os indícios advindos da análise de cluster hierárquica feita, partiu-se para o estudo de uma outra hipótese que correlaciona o público total das edições dos campeonatos brasileiros de 1971 a 2006 com o desempenho dos clubes de maior torcida, a análise inicial mostrou que as edições com maior sucesso de público eram aquelas nas quais o CR Flamengo teve desempenho excelente, algumas vezes (1982,1983 e 1987) terminando, inclusive, a competição em primeiro lugar. A ferramenta escolhida foi o estudo da correlação de diversos fatores.

Conforme explicado anteriormente, decidiu-se dividir a amostra em dois universos em separado para poder realizar a análise sem que as mudanças, acima citadas, interferissem no resultado. As variáveis escolhidas são: o salário mínimo, o índice GINI como fatores socioeconômicos e um fator, que qualifica o campeonato daquele ano, criado pela soma da pontuação dos clubes de cinco maior torcida do Brasil. Quanto melhor o desempenho dos clubes de maior torcida, maior tende a ser o sucesso de público do campeonato. Porém, este fator sozinho não nos dá uma suficiente correlação, afinal, em períodos de bom desempenho dos clubes de maior torcida, vivemos inúmeras trocas de moeda, crises econômicas e retomadas do crescimento e incontáveis fórmulas de disputa da competição. Desta forma, foram eleitos três grandes fatores para se aferir as razões que levam público aos estádios brasileiros.

O cálculo da correlação se dá por meio do seguinte conjunto de equações:
Grau de correlação do Público total com o desempenho dos cinco clubes de maior torcida:
Y = β.α1
Grau de correlação do Público total com o desempenho dos cinco clubes de maior torcida somado a fatores socioeconômicos:
Y = β.α1 + β.α2
Grau de correlação do Público total com o desempenho dos cinco clubes de maior torcida somado a fatores socioeconômicos e ao fator de qualidade do campeonato:
Y = β.α1 + β.α2 + β.α3
Onde,
Y = Grau de correlação
β = Público Total do Campeonato.
α1= Fator de Desempenho dos clubes de cinco maior torcida.
α2= Fator socioeconômico = Salário Mínimo x Índice GINI
α3= Indicador de qualidade do campeonato = Média de gols/quantidade de participantes.
De 1971 a 1989, temos a seguinte composição gráfica do desempenho dos cinco maiores clubes versus a variação de público.

fig19

Figura 19 : Representação Gráfica de Média de Público do Campeonato Brasileiro X Desempenho dos cinco maiores clubes mais Indicadores Sócio-econômicos – 1971-1989 – Organização Própria. Fontes : http://www.cbfnews.com.br, IBGE.

Em uma análise de correlação, o desempenho esportivo dos cinco clubes de maior torcida na competição, aliado os fatores sócio-econômicos e qualidade técnica da competição onde se leva em consideração a média de gols da competição e o número de clubes participantes nos leva a uma correlação positiva de 77%. Cabe a pergunta de qual destes fatores tem maior relevância na composição desta correlação positiva.

O simples desempenho esportivo dos cinco maiores clubes corresponde a 62% da correlação, o que é insuficiente para demonstrar, por ele só, que o sucesso de público do campeonato venha apenas deste fator. Os fatores socioeconômicos também têm participação grande, vindo com 23%; estes dois itens compostos já seriam suficientes para que a correlação fosse positiva, no entanto, como vimos na análise de cluster, os campeonatos que tiveram piores médias de público foram aqueles que tinham uma característica adicional referentes à fórmula de disputa ou à quantidade de clubes participantes. Estes dois itens têm importância pelo fato de que para um número de participantes elevado se faz necessário incluir uma série de clubes menores, sem expressão esportiva suficiente para gerar confrontos interessantes o que reduz o interesse na competição, a contribuição da qualidade esportiva com o binômio média de gols e clubes participantes, este como divisor na equação, é responsável por 15% da correlação.

Conclui-se desta forma que o sucesso do campeonato, neste período, está intimamente ligado a dois fatores esportivos que são a necessidade dos clubes de maior torcida ter um desempenho satisfatório na competição participando em um grande número de jogos, alguns deles decisivos e de grande interesse e o interesse que o campeonato desperta gerando confrontos interessantes, entre clubes que tenham rivalidades estabelecidas com a promessa de um jogo de qualidade, os intentos de popular com enormes quantidades de clubes menores o campeonato brasileiro gerou verdadeiros fracassos de bilheteria no período de 1971 a 1989, período este que podemos chamar de “pré TV”.

tab8

Tabela 8 : Dados do Campeonato Brasileiro e Dados socioeconômicos – 1971-1989. Fontes : http://www.cbfnews.com.br, IBGE.

O período 1990-2006 é marcado por inúmeras transformações no ambiente de negócios do futebol brasileiro, é a era da televisão e suas receitas, é senso comum que a transmissão do jogo pela televisão para a praça onde este está sendo realizado erode a presença de público no estádio, tanto que, até hoje, em televisão aberta, salvo em raras exceções é que o sinal é “liberado” para a praça local do encontro. Este período marca também o incremento da venda de atestados liberatórios de atletas para clubes do exterior, e isso vem se dando com atletas cada vez mais jovens, com isso, se gera a já descrita carência de ídolos no esporte, grandes motivadores do acompanhar um clube e uma competição.

Este é o período em que também se presenciou a escalada da violência nos estádios e a deterioração dos mesmos, de 1990 até 2006, a perda de público gira em torno de três mil pessoas em média por partida e continua em queda ainda que com alguns repiques para cima muito comemorados pelos clubes e pela imprensa, mas que se deve às promoções e descontos que muitas vezes fazem com que o evento em si se torne deficitário ou com margens muito reduzidas.

fig20

Figura 20: Representação Gráfica de Média de Público do Campeonato Brasileiro X Desempenho dos cinco maiores clubes mais Indicadores Sócio-econômicos – 1990-2006 – Organização Própria. Fontes : http://www.cbfnews.com.br, IBGE.

A mesma correlação aplicada no período 1971-1989 é aplicada neste período e a importância do desempenho dos cinco maiores clubes assumiu uma importância muito maior no período 1990-2006. Vale lembrar que neste período houve uma normalização nas formas de disputa com menos experiências assim como no número de clubes, mínimo de vinte e máximo de trinta e dois em 1993, exatamente um campeonato com uma das piores médias históricas. Também se tem na maioria deste período uma estabilidade econômica, ressalve-se mesmo assim que houve uma perda no poder de compra da população que nos últimos anos vem se recuperando. A correlação dos fatores aplicados ao público total do campeonato atingiu 91%; o desempenho dos cinco maiores clubes é responsável por 80% desta correlação, os fatores socioeconômicos respondem por 15% e apenas 5% são referentes ao grau de interesse despertado pela competição; é importante ressaltar que de 2003 em diante, a fórmula de disputa denominada “pontos corridos” foi adotada sendo necessário um tempo de aprendizado por parte dos torcedores nesta nova forma de disputa sem jogos finais, que provocam tanto interesse.

tab9

Tabela 9 : Dados do Campeonato Brasileiro e Dados socioeconômicos – 1990-2006 – Fontes : http://www.cbfnews.com.br, IBGE.

Conclui-se que a deterioração na experiência em ir aos estádios, os riscos associados além da falta de interesse gerada pela ausência de ídolos vem posicionando o produto futebol apenas para aqueles mais apaixonados e que não se incomodam com tais riscos e com as dificuldades vindas dos serviços de baixa qualidade prestados nos estádios brasileiros e em seu entorno, ao invés de afastar a imponderabilidade do ambiente de negócios mais os clubes, se aproximam dela e da lógica do mundo moderno das relações efêmeras, sobre as quais se dissertou no capítulo de posicionamento, onde o acompanhar quem está ganhando prevalece.

fig21

Figura 21 : Razões que levam, ou afastam, os brasileiros aos estádios – Elaboração própria.

Publicado por: Amir Somoggi | 22/maio/2009

Receitas dos clubes brasileiros em 2008

A Casual Auditores acaba de publicar os dados preliminares de seu estudo anual sobre as finanças dos clubes brasileiros. Essa análise prévia analisa as receitas dos clubes de futebol no Brasil em 2008, exercício em que o mercado de clubes de futebol superou R$ 1,7 bilhão em recursos gerados.

O estudo da Casual Auditores apontou que os 21 maiores clubes em receitas do Brasil geraram R$ 1,4 bilhão, evolução de 6% em relação a 2007. As receitas com atletas sofrerarm redução no período, entretanto todas as outras receitas operacionais cresceram, muitas fontes acima da média anual dos últimos 5 anos.

A conclusão do estudo é que embora as receitas com atletas tenham sofrido retração em comparação com 2007, no ano passado os projetos de marketing dos clubes e a ampliação dos preços dos ingressos contribuiram muito para a evolução do nosso mercado.

Esses são três links de matérias publicadas hoje sobre o estudo

http://veja.abril.com.br/noticia/variedade/pib-elite-futebol-desacelera-atinge-ineditos-r-1-4-bi-471968.shtml

http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Futebol/0,,MUL1164208-9825,00-PELO+TERCEIRO+ANO+SEGUIDO+SAO+PAULO+TEM+A+MAIOR+RECEITA+ENTRE+CLUBES+BRASIL.html

http://www.meioemensagem.com.br/novomm/br/conteudo_maiusculo/?Futebol_brasileiro_movimentou_RS_1_7_bilhao_em_2008

« Newer Posts - Older Posts »

Categorias