Publicado por: Robert Alvarez Fernández | 30/novembro/2009

Administração de marketing no futebol – Trabalho difícil, mas pode mudar…

Se é que alguém, entidade, profissional ou departamento escondido na CBF tem por responsabilidade administrar o produto futebol brasileiro existe, este alguém deve estar profundamente agradecido por algumas contribuições de fato e outras “contribuições” que habitam a porção mais sarcástica do autor.

Apesar de algumas discórdias de meu texto anterior por parte dos leitores, o que é normal e tão bem vindo quanto a adesão às nossas idéias, mantenho o ponto de que o produto futebol brasileiro, em seu aspecto puramente competição, tem um brilho fora do normal , inclusive em âmbito mundial.

A imprensa no exterior ressalta a emoção que está reservada à última rodada, onde, quatro times grandes estão separados por dois pontos, este equilíbrio é de fato um fator chave de sucesso materializado que robustece os defensores do formato da competição e, talvez, esvazia o discurso de quem defende o mata-mata. Opinião minha, mas todos são livres para expor seus argumentos, eu fiz minha opção pelos pontos corridos faz tempo, mas isso não me transforma no dono da verdade, função essa que deve ser muito chata, pois não abre espaço para o diálogo, ainda que às vezes quente.

Teremos na semana que vem seis jogos que valem título para alguns e permanência para outros; um comemora o título, alguns a classificação para a Libertadores, quatro comemorarão a permanência e assim vai. Os estatísticos de plantão já fizeram suas contas, mas a imponderabilidade do esporte sempre pode aprontar das suas, vai ser um final de semana de televisores ligados , de elevadíssima audiência, como uma final, só que com bem mais gente interessada.

Tudo isso seria uma maravilha de administrar não fossem os “serviços” que algumas entidades e pessoas insistem em prestar ao futebol no “melhor interesse coletivo”:

1) A arbitragem brasileira : não temos como entrar no mérito da má fé; nem se foi pênalti ou não foi ou o quanto ela mudou resultados. O tema não é esse e não tenho conhecimento técnico para cravar opinião, mas ouvindo a crítica especializada, sobretudo pessoas que conheço e confio, o nível está muito baixo. Algo precisa ser feito para arrumar isso já que faz parte da, digamos, infra-estrutura do futebol, se credibilidade é um fator chave de sucesso do negócio também, a arbitragem tem deixado bastante a desejar.

2) Torcedores mais “apaixonados” : este nome é salvo conduto para um sem número de ações impensáveis em um ambiente civilizado. O ataque à delegação palmeirense na estrada, não se sabe por quem mas certamente não se suspeita de trabalhadores honestos que curtiam o fim de semana com suas famílias e amigos, é um, de certo, grande “serviço” prestado à credibilidade do futebol brasileiro, para dar um exemplo. Outro ponto neste ítem, é a invasão de campo no jogo Corinthians x Flamengo, alguma justificativa plausível para tal ato? Paixão é um componente do esporte, profissionais de marketing devem levá-lo em conta criando estruturas de serviços e produtos para que o torcedor exerça e materialize sua paixão, isso é certo. Mas não creio que haja um “pacote” que permita apedrejar um time nem a invasão de campo. Notem que nem toquei no nome das torcidas organizadas para não ser atacado aqui por “sociólogos de buteco”.

3) Os clubes : Se dentro de campo vai bem, fora de campo ainda vai mal. Sejamos justos, algumas melhorias já se notam em alguns clubes quanto à estrutura de venda de ingressos, à chegada no estádio e aos serviços prestados nele, sobretudo no Sul do país essa melhora é clara, mas são frequentes os relatos de total desorganização aqui em São Paulo, tanto em jogos como em eventos promocionais. Muitas destas melhorias são fomentadas por administradoras de cartão de crédito, ou seja, o marketing destas empresas pensa em quem tem seus cartões. Também, neste ítem, o destempero e os desmandos de alguns dirigentes seja bradando contra os rivais, seja doando dinheiro para a “Guarda Pretoriana” e assim por diante fazem com que as coisas tendam ao pior, não precisamos de um Hillsborough aqui, embora o combustível e a faísca estejam armazenados faz tempo.

4) Imprensa : não sou daqueles que botam a culpa na imprensa em tudo, talvez um dia se eu trabalhar no governo, o que é improvável por fragilidade estomacal, eu faça isso. Tenho bons amigos na imprensa e eles são gente séria e competente. Porém, alguns erram a mão no discurso beligerante, ou na simples transcrição das palavras infelizes dos citados nos itens 2 e 3; liberdade de expressão é algo que defendo, porém, dar espaço caro para a mediocridade não é bom, quem quiser falar bobagem, que use seus próprios meios.

Todos os fatos acima, subproduto de interesses econômicos, políticos e até fruto de incompetência mesmo, fazem com que tudo o que se pensa de avanço no marketing do esporte recue alguns passos nos já parcos progressos alcançados.

Algumas reais contribuições para o futebol

1) O futebol que o Flamengo vem jogando, não é de hoje, Andrade como técnico é uma grata revelação do mundo do futebol; ele não complica, não inventa nem no jogo nem nas entrevistas, faz o simples e pode sair como Campeão Brasileiro de 2009. Menção honrosa ao Petcovik e Adriano, de desacreditados e “invenções de marketing” a eventuais campeões.

2) A reação de São Paulo, que perdeu força no final, e à potencialmente tardia reação do Palmeiras. O São Paulo veio desacreditado e chegou a assumir a ponta, o Palmeiras liderou parte do campeonato, perdeu força, e a reencontrou ontém com uma contundente vitória com direito a um gol antológico de Diego Souza.

3) Ao Internacional que veio ganhando seus jogos sem grande alarde depois de um apagão, chegou, encostou e tem boas chances também.

4) Às revelações Avaí e Barueri que, de candidatos ao rebaixamento viraram importantes ladrões de pontos ao longo da competição. O Avaí pode até perder seu técnico, outra boa revelação, para um grande.

Enfim, outras contribuições legais e outras “contribuições” poderiam ser citadas. Acredito, e reitero, que temos em mãos um produto interessante, que gera atenção, notícia, exposição e assim por diante; não é preciso, a meu ver, mudar fórmulas, regras nem nada disso.

Basta apenas pensar no consumidor deste produto, transformar o sacrifício do consumo e seus riscos em uma prazeirosa atividade de entretenimento e pertencimento voltado para o torcedor comum, sem dificuldades e sem riscos, apenas os normais de grandes concentrações.

Futebol dentro de campo não tem faltado, agora é hora de trabalhar no entorno.


Responses

  1. No post passado, foi defendida a ideia de que o produto dentro de campo, no Brasil, é bom, no entanto, quem entende o futebol na sua complexidade sabe que o futebol brasileiro esta muito atrasado em relacao ao futebol europeu.
    E esse atraso nao é porque eles tem Cristiano Ronaldo ou Kaka, jamais, o atraso em que vivemos é o da cegueira, ignorancia e comodismo em relacao ao futebol, estamos impregnados de conceitos, mitos, teorias, boleirismos ridiculos que de nada fazem sentido.
    Abraco!

    Paulo, obrigado pelo comentário e participação.

    Acredito que o futebol brasileiro esteja atrasado principalmente no modelo administrativo, no relacionamento com seus torcedores e nos serviços prestados a eles, ou seja, quase tudo já que as mazelas adicionais derivam quase todas destes grandes fatores combinados.

    O que você nomeou como conceitos, mitos, boleirismos eu prefiro chamar de miopia administrativa e mercadológica, nomes a parte, estamos de acordo.

    Abraços,

    Robert


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