Publicado por: Marcos Silveira | 13/abril/2009

F&N quer saber: Campeonatos Estaduais

Os Campeonatos Estaduais chegam à reta final e vários clubes já pensam na primeira taça do ano. Mas o troféu que um dia já foi questão de honra hoje está longe de ser uma unanimidade para o torcedor. Pra muita gente, na verdade, os estaduais só se tornam interessantes agora, nas fases decisivas.

Aproveitando o momento, o F&N quer saber: O que você acha dos Campeonatos Estaduais?

Algumas respostas são até parecidas, mas preferi deixar um número maior de opções para nossos leitores. Escolha a que tem mais a ver com sua opinião e deixe um comentário para nos ajudar no debate. A enquete ficará disponível por duas semanas.

Vejamos agora o resultado da nossa pesquisa anterior: “Qual fórmula de disputa você prefere para o Campeonato Brasileiro?” 228 leitores participaram:

  1. Pontos corridos – 144 votos – 63%
  2. Mata-mata – 84 votos – 37%

O resultado não me surpreendeu, embora a diferença tenha sido menor do que eu esperava.

Continue participando! Daqui 15 dias tem mais…


Responses

  1. Em minha opinião, depende.

    De que estaduais estamos falando?

    Comecemos por cima (geograficamente falando):

    Norte do país, estados como Rondônia, Roraima, Acre (que existe sim), Amazonas e descendo por Mato Grosso, Mato-Grosso do Sul, Tocantins e até o Nordeste com Alagoas, Sergipe e etc…

    O que seria dos clubes desses estados, com raríssimas exceções, se não existissem os estaduais? Os estaduais são praticamente a única coisa que disputam, não tem tradição em nível nacional.

    Indo agora para os mais famosos, Pernambuco, Rio, São Paulo, Rio Grande do Sul e afins:

    Aí complica. Se por um lado o campeonato acaba sendo um peso no calendário para time como Vasco, Fluminense, São Paulo, Grêmio, Sport e etc, por outro o que seria do Ameriquinha, do Volta Redonda, do Juventus, Malutron, Joinville, Hermann Eichinger (nem a pau eu acertei esse nome) e tantos outros?

    Analisando as possibilidades uma a uma:

    Um grande barato!

    Concordoem parte. Eu particularmente adoro os estaduais. É a oportunidade de reavivar velhas rivalidades, de poder reeditar jogos históricos que de outra maneira seriam impossíveis
    mas, por outro lado, incha o calendário, traz uma pressão imensa num início de temporada e etc….

    Importante pela tradição/rivalidade

    Para mim o ponto central. Se ainda sobrevivem – da mesma forma que o Rio-São Paulo sobreviveu por tanto tempo – é pela tradição e rivalidade.

    Um jogo qualquer de brasileiro entre Vasco e Flamengo não é o mesmo que um jogo desses no Carioca, imaginem uma final! É tradição.

    Até um jogo entre América e Fluminense nos traz lembranças. Foi através desses campeonatos que nasceu o futebol por aqui, não dá pra pensar em extinguir.

    Obstáculo ao calendário

    Em parte, sim mas não necessariamente pelo campeonato e mais pela desorganização da CBF e federações (para dizer o mínimo). O obstáculo maior, na verdade, é ao condicionamento físico do jogador, se os primeiros jogos são bons para entrosar, os últimos acabam esgotando o jogador para o nacional.

    Mal Necessário

    Até hoje, sim. E espero que por muito tempo!=) Retorno ao meu primeiro ponto, para os pequenos é necessário e imprescindível. Para os grandes, é saber aproveitar.

    Falando em aproveitar, explico: Aproveitar para ganhar ritmo de jogo, um entrosamento de luxo e, dependendo de como o time encare o campeonato, pode ser um treinamento não tão “esgotante”. Claro, a tradição pesa mas ainda assim, com parcimônia é possível tornar agradável um campeonato estadual.

    Uma pré-temporada para o Brasileiro.

    O que eu disse acima se aplica, dependendo de como o clube encare, é sim uma pré-temporada de luxo. Mas isto para os grandes, para os pequenos é quase toda sua temporada.

    Uma Ilusão

    Claro, para grandes e pequenos. Sempre é bom sonhar e para os que disputam o brasileiro, seja de que divisão for, é uma boa maneira de se despertar da ilusão (ou cair nela) antes do Brasileiro.

    Única chance de gritar “Campeão”.

    O mesmo que o item anterior. Para a franca maioria é a única maneira de gritar em um campeonato relevante.

    Deveriam ser mais curtos.

    Depende. Qual a vantagem de encurtar o Acreanão 2009? Ou o Tocantinão 2009? Já reduzir o Carioca não seria ruim (para os grandes).

    Não servem para nada.

    Única opção que discordo totalmente. Servem. São tradicionais, são divertidos, são uma maneira de gritar “é campeão”, dão status, tem rivalidade, servem como pré-temporada e etc… Todas as anteriores desautorizam (?) a última opção.

    Por fim, excelente blog!=)

    E o meu, se me permitem a propaganda grátis, é tsavkko.blogspot.com

  2. Penso que nos Estados onde existem times de nível superior à média nacional, os Estaduais não são bons preparadores ao campeonato brasileiro.

    Sou favorável à manutenção dos estaduais com a exclusão optativa dos clubes grandes. O campeonato brasileiro poderia começar antes e ser mais alongado, com menos jogos no meio da semana, que poderia ser aproveitado para a Copa do Brasil e Libertadores, como já é hoje.

  3. Sinceramente, entendo os estaduais da forma que são como um gargalo para o desenvolvimento do futebol brasileiro. Servem para alimentar as federações estaduais que sabe-se lá o motivo possuem o mesmo poder político na CBF que os clubes, uma vez que votam com o mesmo peso nas eleições. Por essa estrutura política, a CBF comete absurdos como tirar os melhores times da copa do brasil, por que se tirar os times que jogarem a Libertadores dos estaduais perdem votos.

    Enquanto isso, os times pequenos dos estaduais sobrevivem de rendas dos jogos contra os grandes. São esses times que elegem as federações estaduais, por isso esse ciclo vicioso.

    Os grandes prejudicados são os times que jogam as series A e B e seus torcedores. Os primeiros desgastam seus jogadores com maratonas de jogos sem sentido algum (sou torcedor do Bahia e vi meu time jogar no domingo, sexta feira santa, quarta feira, domingo, quinta anteior, terça e domingo, total -> 7 jogos em 14 dias) fora que há o desgaste do seu público. O torcedor fica impossibilitado de ir a todos os jogos (hoje os ingressos para jogos do bahia custam R$ 20, sem meia entrada).

    Realmente existe o fator da tradição e da rivalidade local, mas em outros tempos não existia o campeonato brasileiro como é hoje. Vejo como solução a criação de estaduais como caminho para a serie D, sem a participação dos times que participassem das series A,B e C. Seria criada uma taça com os times mais bem colocados desses estaduais com a inclusão dos times das divisões maiores do país. A idéia é que sejam estimuladas novas rivalidades entre os times menores dos estados e acabar com essa dependência dos jogos contra os grandes.

    Com isso, acredito que seria possível aumentar o período para o brasileiro, mas ainda assim o calendário continuaria inchado.

    Obviamente, é uma sugestão baseada em achismos meus, tentando conciliar um pouco da tradição dos estaduais com uma mentalidade mais moderna de calendário.

    Mas como seria possível mudar essa estrutura política das federações e da CBF? Ninguem quer largar o osso, a verdade é essa…

    Vou tentar fazer um estudo com metodologia adequada para verificar se essa minha teoria é economicamente viável.

    Parabéns pelo excelente blog, tento acompanhar sempre.

    Abs,
    Carlos Cohim

  4. o que atrapalha é o calendário.. mas o que empolga é a rivalidade.. só..

    daria pra fazer um jogo contra o rival e deu.
    todo o ano o titulo acaba com o Grêmio ou com inter mesmo..

  5. Há estaduais e estaduais.

    Falando do campeonato paulista, o mais importante estadual do país, e que vem a ser, também, o mais antigo torneio de futebol do Brasil:

    A importância do campeonato paulista acaba de ser demonstrada pelo São Paulo.

    Como se sabe, o torcedores sãopaulinos são grandemente entusiasmados pela “mística” da Libertadores.

    Pois o São Paulo acaba de deixar a atual disputa da Libertadores de lado, com o apoio da maioria de sua torcida: irá jogar a sua próxima partida pelo torneio, na Colômbia, com um time misto, abrindo mão de lutar para conseguir o maior número possível de pontos na primeira fase do torneio – o que é fundamental para as fases seguintes, por oferecer a vantagem de decidir no próprio estádio o mata-mata.

    Para os que não se lembram ou não atentaram para o fato, o São Paulo teve a sua caminhada para o título interrompida, nas últimas três edições da Libertadores, ao fazer a segunda partida fora de casa.

    Mas o São Paulo desprezou esse fato, e resolveu concentrar todas as suas forças para o confronto contra o Corinthians, no próximo domingo, pela semi-final do campeonato paulista.

    A situação permite duas conclusões, não necessariamente excludentes:

    1 – O campeonato paulista é mais importante do que a Libertadores.

    2 – O Corinthians é mais importante do que a Libertadores.

  6. É preciso reconhecer a importância dos campeonatos estaduais e regionais, mesmo aqueles que não tem poder de fogo para contratar Ronaldos e Adrianos.

    A lenha que acende o fogo da paixão clubística é exatamente a rivalidade. É poder ir trabalhar feliz no dia seguite, porque o seu time ganhou do time do seu chefe.

    Um classico entre o Independente de Limeira e a Internacional de Limeira, é capaz de enraizar a pauxão pelo futebol em níveis muito mais profundos do que uma partida entre o Grêmio vs Cruzeiro, cujas torcidas se enxergam apenas como um ponto distante no horizonte.

    E a possibilidade de encontrar os adversários no dia seguinte que faz com que o futebol tenha tamanha importância nas vidas das pessoas. É um verdadeiro processo de inclusão social.

  7. Acho torneios tradicionais e muito importantes. Para se ter uma idéia, até a década de 50 era o máximo que um clube poderia conquistar, logo tinha o valor de uma Libertadores ou Mundial, apesar de a abrangência ser regional.

    Pois bem, minha sugestão seria campeonatos padronizados com 12 equipes, turno único, semi-final e final, ou seja, 15 datas. Mais importante, é que uma pequena mudança na Copa do Brasil poderia torná-los altamente atrativos. A Copa do Brasil deveria ser disputada na sequência dos estaduais, imediatamente após seu término, somente com os campeões estaduais. Seria 16 vagas somente: SP, RJ, RS, PR, MG, SC, BA e PE (cada campeão como cabeça de chave) mais os vencedores dos confrontos: MS x MT (1 vaga), GO x TO (1 vaga), DF x ES (1 vaga), SE x AL (1 vaga), AM x PA (1 vaga), MA x PI x PB (1 vaga), CE x RN (1 vaga), AC x RO x RR x AP (1 vaga). Sistema de mata-mata, ou seja, seriam 8 datas.

    O Campeão da Copa do Brasil conquista a vaga para a Libertadores, ou seja, os Estaduais seriam o caminho mais curto para a Libertadores (15 + 8 = 23 rodadas). Tenho certeza que o interesse e a rivalidade iam pegar fogo.

    Por fim, o Brasileirão deveria ter somente 18 times no modelo pontos corridos, reduzindo de 38 para 34 datas.

    Além de tudo isso, 4 semanas de férias, 4 de pré-temporada mais uma pausa de 2 semanas no intervalo do primeiro para o segundo turno do Brasileirão como intertemporada.

  8. No dia 15 de abril de 2009, o “Paulistinha”, personagem criado pela mídia sãopaulina, deixou de existir; ou ninguém mais passou a acreditar nele, o que dá no mesmo.

    O “Paulistinha” consistia em uma caricatura do Campeonato Paulista, mais antigo campeonato de futebol do país, além de ser o estadual mais importante.

    O “Paulistinha” vivia sendo menosprezado e vilipendiado pelos sãopaulinos, em contraponto à apoteótica Libertadores de América, que assumia o sentido de “Mãe de Todas as Competições”…

    Pois no dia 15 de abril de 2009, o São Paulo dessacralizou a Libertadores, ao entrar para disputar uma partida do torneio com a sua equipe reserva, ser derrotado, e comprometer de modo que muitos julgam irremediável a sua trajetória na atual edição do torneio.

    Para pasmo de muitos (quase todos sãopaulinos) e indiferença de muitos mais, o São Paulo deixou de lado a sua venerada Libertadores para poupar suas atualmente duvidosas forças em vistas do confronto contra o Corinthians, na partida de volta pelas semifinais do… “Paulistinha”? Não, do Campeonato Paulista.

    Para incentivar a sua insegura torcida a adquirir ingressos para o clássico (sem dúvida um dos mais importantes do futebol paulista) do próximo domingo, a diretoria sãopaulina resolveu dar um “brinde” para os seus compradores. Desse modo, cada torcedor sãopaulino, ao comprar um ingresso para assistir o seu time enfrentar o Corinthians, receberá, de modo totalmente gratuito, um ingresso para o jogo seguinte do São Paulo na Libertadores!

    Ou seja, a Libertadores virou um brinde, distribuído como um “plus” para que o Morumbi esteja cheio e incentive o São Paulo no jogo que realmente importa: o Majestoso.

    Pelo “Paulistinha”?

    Não. Pelo Campeonato Paulista.

    Ou, para os mais íntimos com o campeonato, pelo Paulistão.


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