Publicado por: João Carlos Assumpção | 10/março/2009

A mídia e o Fenômeno

Depois da brilhante atuação do Fenômeno diante do Palmeiras, tudo mudou. A imprensa voltou a reverenciar Ronaldo, que já foi crucificado várias vezes. Muitos que o criticavam agora beijam seus pés.

Êxtase na comemoração do gol confirma o carisma de Ronaldo (foto: Reuters)

Êxtase na comemoração confirma carisma de Ronaldo (foto: Reuters)

Minha pergunta é: está certa a mídia? Porque, na hora da crucificação, ele foi “condenado” não só por estar acima do peso, mas por sua postura fora do campo, por noitadas não sei aonde, pelo escândalo com travestis, entre outras coisas mais.

É uma personalidade? Claro que é. Então tudo o que acontece com ele é notícia, é essa a tese? É aí que eu fico em dúvida, pois há muitas coisas, como com quem ele é visto ou com quem não é visto, que só interessam a ele.

Sei que tem gente que discorda, acha que Ronaldo representa um clube e patrocinadores e por isso tem que ter uma vida “certinha” em todos os momentos, dentro e fora do campo.

Mas mantenho a opinião de que vida privada é vida privada. E, com o Ronaldo, tudo ganha proporções enormes. Gozado como um gol, uma jogada de efeito, um belo passe e uma bola no travessão mudam toda a situação.

O problema é a cultura do imediatismo, que é irmã da cultura da personalidade, que tantas fofocas rendem à mídia. Isso vende revista e vende jornal. Talvez porque seja o que o público quer. Uma pena, porque só ajuda no processo de tornar medíocre o noticiário, quando há tantos temas mais importantes a serem discutidos do que quem sai com quem.

É aquele lado do ser humano que gosta de ver a desgraça alheia. Má notícia – para os outros – vende. E como. Mas lembremos que boas notícias também, caso da recuperação do Ronaldo.

Sem falar no bom humor desse atleta, que tem umas sacadas incríveis. Que o digam nossos deputados, que durante uma das CPIs do futebol, tiveram que ouvir de Ronaldo que o Brasil perdeu a Copa de 1998 para a França porque… a França marcou três gols e nós, zero. E que não se lembrava quem deveria ter marcado Zidane, mas que certamente quem o deveria ter feito não se saiu bem. Bateu, levou.

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Responses

  1. Vida privada pode ser vida privada mas o mundo das celebridades rende uma fortuna. Quem não quer aparecer em Caras?

  2. O Ronaldo. Ele não precisa disso. A imprensa bateu, bateu e bateu nele e agora fica puxando o saco do cara. Dentro da área ninguém pode com ele. Está fora do peso, mas mesmo assim é melhor do que a grande maioria que está por aí. São-paulinos e corintianos devem estar com inveja. O Timão não está na Libertadores, mas só se fala dele!!!

  3. É que vocês não têm o que comemorar. Um golzinho do Ronaldo e parece que o Corinthians é campeão. Quando ganharem alguma coisa lá fora, por favor nos avise. O São Paulo já papou tudo. E o Corinthians? Coitado, a festa é em Presidente Prudente, nada de Tóquio nem de Yokohama.

  4. (((COMENTÁRIO MODERADO)))

    Pedro, este é um espaço de debate e não de provocações e falta de respeito.

    Por favor, mantenha o nível!

    Abs,
    Marcos Silveira

  5. Não vou entrar na sua provocação. O Corinthians já foi campeão mundial. Estou falando do marketing todo envolvido nisso. Quanto não valorizou a marca Corinthians? O Ronaldo foi capa de jornais do mundo todo se é que não te avisaram, meu.

  6. Não me avisaram. Foi campeão no Japão? Não sabia.

  7. O assunto é sério para perdermos tempo com discussões clubísticos. Num post anterior há espaço para esse tipo de discussão.
    A mídia é arrogante demais e não sabe o que escreve, o que fala, nada. Um gol muda tudo mesmo.
    É uma pena que o jornalismo atual esteja neste baixo nível.
    Se alguém fala inglês, recomendo o livro What the media is doing to our politics. É de um jornalista, John ou Edward Lloyd. Ele mete o pau no jornalismo de celebridades, de fofocas e sensacionalista. O jornalista distorce a notícia, aumenta, tudo para ganhar destaque. Não tem credibilidade. E há vários jornalistas que ficam lambendo os pés do Ronaldo, como aconteceu na CPI também com os políticos.
    O livro é sobre jornalismo político, mas cabe direitinho no caso dos esportistas.

  8. uau, que bronca. ia responder pro fernando, fiquei até com medo

    Pedro, por favor modere as ironias também.

    O comentário da Maria Helena não tem nada de bronca e contribui muito para o debate.

    Continue participando, mas tente seguir o “espírito” do blog.

    Abs,
    Marcos Silveira

  9. Boa Noite pessoal. É muito bom podermos estar vivendo este momento da reviravolta de um ídolo, independentemente de onde esteja jogando, principalmente alguém que já sofreu tanto como o Ronaldo.
    Sem entrar direto nesta discussão, gostaria de lembrar duas coisas: para nós que estamos envolvidos com o esporte, MKT, patrocínios, etc. esse gol significa muito; fico só imaginando o banho de Champagne, cachaça, etc. que devem ter tomado o pessoal da NIKE e o pessoal do MKT do Corinthians.
    Outra, foi o comentário do Ronaldo em relação a torcida do Palmeiras que o teria respeitado, este sim pode ser tido como “ídolo”, esta acima de certas coisas e tem história. Lembro que estava no maracanã quando o Rivelino deu aquele drible no Alcir e fez o gol, ninguém fala disso mas eu estava lá, a torcida do Vasco toda se levantou e aplaudiu o riva.
    Por fim, gostaria que comentassem esta vitória do MKT digamos nacional e esta condição de idolo, no sentido máximo da palavra, que tem o Ronaldo. Um abraço a todos

  10. Olá João,

    Eu acho que falta responsabilidade à grande parte da imprensa. Essa mania de falar besteira já se tornou regra. Exceção são aqueles que tratam do que realmente tem importancia. Mas esses não têm audiência.

    O público acostumou-se com esse tipo de cobertura. Se ninguém divulga, a maioria também não vai atrás. Mesmo pq, o que realmente importa, é o desempenho dele em campo.

    Eu já me assustei com muita irresponsabilidade e até mentira contada por jornalista. O que realmente me aterroriza, afinal, a grande maioria acredita no que lê.

  11. Tenho um amigo que diz que o “profissional jornalista que cobre o futebol, é aquele que não tem competência para trabalhos sérios”. Sempre discordei parcialmente dele. Só parcialmente.

  12. Caro João,

    Interessante sua matéria. Eu faria 2 observações:

    1) A poderosa Globo está investindo pesado no Ronaldo pois vê nele a possibilidade de recuperar audiência para seus jogos. É nítida a “construção” do personagem Ronaldo pela Globo evitando mencionar o que é polêmico e ele, em contrapartida, dá preferência à Globo. Vale como esforço de marketing mas não acho ético

    2) Do ponto de vista moral não cabe mesmo julgar o que os jogadores fazem fora de campo mas para quem investe em marcas acho que sim. Como ficaria a imagem de uma marca associada ao Ronaldo e uma eventual notícia de que ele é viciado em cocaína ou que foi visto com travestis de novo? Isso certamente tem que ser considerado

    Abraço

  13. João Carlos, obrigado pelo texto, de qualidade e relevância, como é de costume.

    O fenômeno Ronaldo, esportivo e de mídia, ganha proporções maiores, em minha opinião, por dois aspectos :

    – 1.o : pelo que o próprio atleta representa, desde seu surgimento, sua trajetória na Europa, seu desempenho na Seleção Brasileira, a dramaticidade de suas contusões e sua recuperação . É ídolo, espelho para toda uma geração de brasileiros.

    – 2.o : o fato de voltar a viver e atuar no Brasil, em um time de massa, que também está ressurgindo de um período difícil; essas coisas juntas tem o poder máximo de chamar a atenção do público como um todo. Ele está mais próximo, gera as tensões naturais da proximidade da, por que não dizer, da celebridade.

    Isso vira notícia, qualquer coisa que ele faça, boa ou ruim; e a imprensa, com seus setores sérios e os nem tanto surfam nessa onda, inevitável; apenas espero que o Corinthians e o futebol brasileiro saibam capitalizar de forma positiva essa explosão de interesse.

    De lamentável, alguns comentários bobos e provocativos de alguns leitores que não entendem a proposta deste espaço, que é o debate em alto nível e profissional; moderação neles.

    Abraços a todos,

    Robert

  14. Muito obrigado a todos pelos comentários, mas gostaria de fazer algumas observações.
    Compreendo as críticas da Yule e do José Donizete em relação à imprensa, mas, com todo respeito, dizer que jornalista que cobre futebol não tem competência para “trabalhos sérios” não é verdade. Discordo totalmente. Até porque futebol é um esporte que ganha cada vez mais espaço, atrai patrocinadores, tem enorme cobertura na mídia, gera muito dinheiro, quem cobre futebol tem de entender de economia, política, cultura, entretenimento… E jornalista é jornalista, seja qual for o setor ou a área que ele cubra.
    Em relação ao comentário do Álvaro, é claro que o Ronaldo tem tudo para aumentar a audiência da TV. Sobre ele dar prioridade à Globo, não sei se é fato, mas seria lógico, pois é a emissora que dá maior audiência esportiva. Já sobre a preocupação do patrocinador _da marca_, compreendo o que você diz. Mas uma coisa é a questão da cocaína (se algum atleta fosse viciado, por exemplo), outra é com quem Ronaldo sai ou deixa de sair. Neste mérito não entro. E se algum dia tiver envolvimento com droga, tem que se tratar, claro, pois dependência é complicadíssima, seja de álcool ou de drogas lícitas ou ilícitas. E claro que seria um problema para o patrocinador, se bem que ainda enxergo nos problemas oportunidades, como conscientizar as pessoas do perigo das drogas.
    Finalmente, muito obrigado por seu comentário, Robert, também acho que o Brasil tem que capitalizar o “fenômeno Ronaldo” de forma positiva. E vejo como tendência o retorno de jogadores brasileiros de renome para nosso país nos próximos meses, porque a crise na Europa está muito séria, mais do que no Brasil. Embora a crise brasileira não seja nenhuma marolinha, o que o governo já percebeu há tempos.
    Abraços a todos, João Carlos

  15. Ola Joao e demais amigos,

    Mais uma vez, um excelente tema abordado.

    Aqui vai minha opiniao (vou evitar o chavao de que jornalista e’ como qualquer outro profissional, ou seja, existem bons e maus…):

    Nesse caso especifico do Ronaldo, acho errado condenar a imprensa porque um dia ela fala mal e no outro, qdo o cara joga bem, ela fala bem.

    Jornalista e’ como o nome diz, so’ jornalista. Nao e’ profeta.

    Entao, se o cara faz uma coisa errada num dia, tem de ser criticado. Se certa no outro, tem de ser elogiado. E ponto.

    E’ claro que o Ronaldo e’ um dos jogadores mais importantes da historia do futebol mundial e deve ser respeitado por isso, mas se ele resolveu continuar jogando e continua sendo muito bem pago por isso, ele nao pode simplesmente viver de passado, e tem de ser cobrado como todos outros (ou ate’ mais). Afinal, o que ele ja fez pelo Corinthians? Vc acha que a nacao corintiana esta’ satisfeita simplesmente por ter um jogador que ganhou uma copa do mundo e outros poucos titulos em grandes clubes europeus?

    Ou seja, o Ronaldo ainda tem que demonstrar MUITO no Corinthians para justificar a aposta feita nele.

    E isso da o direito da imprensa de dar palpites na vida pessoal dele?

    Eu acho que aih depende.

    Por exemplo, se ele resolve frequentar casa de meritricio as 7 ou 8 horas da noite, pra mim (e imagino que pros torcedores do corinthians e para aqueles que pagam seu altissimo salario) isso pouco importa. Muito menos menos se la ele resolve se divertir com mulheres ou nao.

    Mas se a festa vai ate’ 5am em vespera de treino, aih tem que ser criticado sim. Errou, ue’! Prejudicou o time. Vai falar que nao?
    Ele pediu desculpas, a direoria multou… vcs queriam que os jornalistas dissessem o que? ‘Ah, nao importa que ele esteja acima do peso, recebendo uma fortuna e tenha deixado os companheiros na mao… elel ganhou a Copa pro Brasil uns 6 anos atras’.

    Do mesmo jeito, vcs queriam que um jornalista (so’ porque o criticou JUSTAMENTE dias antes) metesse o pau nele depois dele ter arrebentado com o jogo contra o Palmeiras?

    Enfim, a funcao do jornalista e’ relatar os fatos. Nada mais do que isso (bem, e as vezes opinar)…

    E a maneira mais coerente de faze-lo e’ exatamente ‘mudando de opiniao’… de acordo com as atidutudes do seu objeto de critica.

    Abs

    Joao

  16. o ronaldo o melhor do mundo e o ronaldo fenomeno da almanidade do brasil e do mundo


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