Publicado por: Marcos Silveira | 4/março/2009

A Vez do Leitor: Os “donos” do clube

Mais uma quarta e mais uma Vez do Leitor aqui no F&N. Hoje o espaço será ocupado pelo Gustavo Zanuz, de Carlos Barbosa/RS:

Os donos do clube

Por Gustavo Zanuz*

O sucesso no futebol não depende apenas de solidez institucional, financeira e política, mas também de um pequeno quê de sorte. Afinal de contas, o seu clube não é o único que entra nas competições para ganhar e muitos são igualmente fortes. Porém, já estava provado na Europa e, mais recentemente, no Brasil, que boa organização e estrutura fazem grande diferença.

No "Grenal dos sócios", Inter está na frente

No "Grenal dos sócios", Inter está na frente

Os dois principais clubes do Rio Grande do Sul têm obtido importante destaque no cenário nacional e internacional nos últimos anos. O Sport Club Internacional foi campeão da Libertadores e do Mundo em 2006 e campeão da Sulamericana em 2008, além de boas colocações nos últimos Campeonatos Brasileiros, tendo obtido o 2o lugar em 2005 e em 2006 e o 5o em 2008 (2007 foi a exceção, com um 11o lugar). O Grêmio Foot-ball Portoalegrense, por sua vez, não conseguiu os títulos, mas, desde o seu dramático Campeonato da Série B, em 2005, ficou perto do topo nos três Brasileiros subsequentes: 3o em 2006, 6o em 2007 e 2o em 2008, sendo que neste último liderou o campeonato por 17 rodadas. Também foi vice-campeão da Libertadores em 2007.

Embora os dois clubes tenham traçado trajetórias muito diferentes para chegar onde estão atualmente, pode-se dizer, sem erro, que um importante fator foi comum a ambos: seus enormes quadros sociais.

Acredito que o grande sucesso do modelo associativo de Grêmio e Internacional deve-se muito à intensa (e, às vezes, insana) rivalidade. O bom momento colorado de 2005, contrastando com o fundo do poço vivido pelo tricolor, motivou os torcedores vermelhos a buscarem associação, como forma de contribuir ao clube de forma constante. Também era uma forma de garantir presença nos jogos da tão esperada Libertadores de 2006 – fazia muitos anos que o Internacional não disputava a mais importante competição da América do Sul. Por sua vez, os gremistas aproveitaram a euforia precedida pelo desespero – não há como negar que a “Batalha dos Aflitos” foi determinante nesse aspecto (eu mesmo me associei ao Grêmio em dezembro de 2005 – 2 semanas após o dramático jogo contra o Náutico).

De todas as formas, os dois clubes tiveram um movimento extraordinário de associações em 2006 e 2007 – de cerca de 5.000 sócios pontuais cada, o Grêmio passou a 40.000 e o Inter a 50.000, aproximadamente. Desses números, cerca de um terço são sócios patrimoniais, com direito a entrada garantida, e o restante é composto de sócios-torcedores, que têm direito a 50% de desconto nos ingressos, além de poderem comprar pela internet ou por telefone, carregando seus smart-cards, o que evita o transtorno de enfrentar filas em bilheterias, especialmente nos jogos mais importantes.

Aproveitando o centenário do clube, que acontecerá no mês de abril, o Internacional lançou uma campanha estipulando a meta de 100.000 sócios há um ano, quando o clube completou 99 anos. Apesar de alguns não conseguirem dizer o nome do time, o Inter chegou à incrível marca de 80.000 sócios em fevereiro deste ano, ultrapassando com muita folga o número de sócios do rival, que tem 46.700 sócios em dia. Estima-se que o Grêmio arrecade quase 2 milhões de reais por mês com as mensalidades de seus sócios, o que é suficiente para cobrir a atual folha salarial do clube, com alguma folga. Devido às pesadas dívidas trabalhistas contraídas por conta da fracassada parceria com a empresa de marketing esportivo suíça ISL, praticamente toda a receita extra destina-se à quitação das mesmas. Porém, a dívida está sob controle e sendo amortizada, o que permitiu ao clube voltar a ter crédito junto às instituições financeiras e aos clubes brasileiros e do exterior.

O Internacional não teve problemas administrativos dessa envergadura, o que lhe permitiu chegar aos anos 2000 sem dívidas expressivas. E está colhendo os frutos dessa estabilidade administrativa, sendo que a maioria dos jogadores têm contratos de 2 anos ou mais. E a gigantesca arrecadação com o quadro social lhe permite bancar uma folha salarial expressiva, sendo considerada a maior do Brasil atualmente.

Por conta do grande número de sócios dos dois clubes, os estádios Olímpico e Beira-Rio mantêm médias de público altas. O Grêmio teve a maior média de público pagante em 2006 (25.630) e a segunda melhor em 2008 (31.725), segundo o site da CBF. Estádios cheios têm um efeito psicológico positivo sob a equipe. Não por menos, tanto o Grêmio como o Inter são equipes muito difíceis de serem batidas em seus domínios.

Certamente há um espaço expressivo para crescimento da receita de Grêmio e Internacional, especialmente no que diz respeito a patrocínios. O valor atualmente pago pelo Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul) para os dois clubes é pouco superior a R$ 3,5 milhões por ano. Considerando o valor dos contratos que os grandes clubes brasileiros estão obtendo, é provável que o próximo patrocinador dos clubes invista um montante consideravelmente maior nos próximos anos. Mas não entrarei neste assunto, que é tema para outro artigo.

*O leitor Gustavo Zanuz, de Carlos Barbosa/RS, foi quem escreveu o artigo acima. Ele é frequentador assíduo do F&N e também faz o blog Cabeça Dinossauro.

E aproveitando o tema desenvolvido pelo leitor, indico um post escrito pelo Amir em setembro do ano passado, que comprova a força de Grêmio e Inter e a importância de saber explorar a rivalidade para crescer.

O que você achou? Concorda com o Gustavo? Participe nos comentários. E lembre: na semana que vem pode ser a sua vez aqui no F&N.

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Responses

  1. Olá Gustavo,

    Parabéns pelo texto.

    Realmente os clubes gaúchos estão mostrando qual o caminho para os clubes brasileiros se relacionarem com seus sócios.

    Acredito que mais importante que simplesmente analisar a quantidade de sócios, é compreender como rentabilizá-los, através de ferramentas de marketing de relacionamento.

    Quanto às dívidas em 2007 o Grêmio apresentou um Passivo Total de R$ 155,2 milhões (8º do Brasil) e o Internacional R$ 146,8 milhões (10º do Brasil), segundo análise da Casual Auditores.

    Veja que a diferença é bem pequena.

    Um abraço.

    Amir

  2. Amir,
    Obrigado pelo comentário. Eu acredito que o primeiro passo é ter um número considerável de sócios pagantes em dia, que permitam ao clube assumir determinados compromissos sem receio. Depois, é potencializar a receita por sócio, como bem você disse.

  3. Exclente texto, Gustavo.

    Em minha opinião, o Internacional hoje é o clube mais bem administrado do país. Ainda melhor que o SPFC. Até ISO 9001 já receberam pela sua gestão no futebol.

    É um exemplo a ser seguido. Principalmente, a questão dos sócios.
    Não só o Inter, como o Grêmio em si.
    Aliás, ambos fazem um trabalho excelente, no mercado nacional, com os sócios.

    E como o Amir disse acima, tem que se utilizar do marketing de relacionamento. O que hoje, o torcedor brasileiro carece e muito.

    Outra questão que deveria ser usada com esses sócios é a questão da rivalidade entre os dois.
    Pulando em São Paulo, dia 08/03 haverá o Derby entre Palmeiras e Corinthians. E nele, ações entre os dois clubes serão feitas para acirrar (no bom sentido) a rivalidade entre os torcedores. Melhorando – ou tentando melhorar – o relacionamento entre as torcidas.

    Por POA ser uma cidade praticamente dividida entre Gremistas e Colorados. Acredito que ações como esta seriam excelentes. Ainda mais se conseguir somar a questão dos sócios.

    Abraços,

    Ricardo B. Teixeira

  4. Praticamente o RS inteiro é dividido entre gremistas e colorados, Ricardo. Não sei quais são as ações que estão sendo tomadas para o Palmeiras-Corinthians, mas sei que aqui as diretorias dos clubes não têm ajudado muito nos clássicos.

  5. Um dos fatores do baixo patrocínio dos grandes do RS não é a rivalidade levada ao extremo?

    Ouvi dizer que se uma empresa patrocina o Grêmio, os colorados a boicotam, se patrocina o Inter, os gremistas é que deixam de consumir. Daí o fato de terem o mesmo patrocinador. Esse patrocinador tendo que investir, investe pouco já que tudo é em dobro.

    Isso é lenda ou é fato?
    Se for verdade, qual a forma de inverter esse quadro?
    Fazendo isso todos perdem, o torcedor acha que prejudicará só o rival mas é por isso que o time dele ganha pouco também. Comparado com os times do RJ e SP, os do RS ganham quase que uma esmola.

  6. O Grêmio teve a maior média de público de todas as séries (A,B e C) em 2005 e 2006, em 2007, teve a maior média de público na libertadores, e em 2008 só nao ganhou do flamengo em matéria de público, ja em arrecadação.. foi um baile de bola.

  7. Excelente colocação, Fabio. Sim, os patrocinadores têm muito receio em colocar sua marca apenas em uma empresa. Isso aconteceu muito poucas vezes aqui no RS. Quando as Tintas Renner patrocinaram o Grêmio, havia uma questão familiar (um dos diretores da empresa é conselheiro do Grêmio).

    Dizem que o contrato com o Banrisul é baixo porque ele na verdade era uma forma de amortizar dívidas que ambos clubes tinham com o banco. A informação que circula atualmente é que essa dívida foi quitada e que os clubes estão “livres” para assinar com outros patrocinadores, ao final do contrato (o do Grêmio é até a metade do ano).

    É importante que se diga que não há garantias de que colorados realmente boicotariam marcas “gremistas” ou vice-versa. Mas as empresas, até agora, não quiseram pagar pra ver.

  8. Olá Gustavo,

    Muito bom o texto. Parabéns!

    Eu que moro em Campinas, gostaria muito que os administradores dos clubes aqui de Campinas (Guarani e Ponte) tivessem iniciativas como essas.

    Claro que existe uma proporção afinal Campinas não é capital do estado, tem sim grande importancia e é próxima a capital, porém aqui a maior torcida da cidade é para um clube da capital e os clubes daqui mesmo acabam ficando com os torcedores que nascem por aqui ou que acabam por afinidade se transformando em torcedor do clube.

    Ainda assim os clubes daqui lançaram um projeto de sócios-torcedores, aonde os afiliados tem direitos a assistir aos jogos no estádio do clube e comcorrem a alguns prêmios como bolas, camisetas e etc…

    Ainda sinto falta de uma organização, que poderia ajudar as duas equipes, as vezes a rivalidade atrapalha muito, mas se o exemplo de Inter e Grêmio fosse seguido, a rivalidade poderia na verdade ajudar muito mais.

    Grande Abraço,
    Rodrigo Gibin

  9. Olha só, eu não compro nada da REEBOK desde que eles assumiram o fornecimento de material esportivo deles e, se o BANRISUL não patrocinasse os dois, já teria encerrado minha conta lá! Ah, eu tb não uso nada vermelho!
    E olha que eu tinha um apreço pela marca, e fazia muitas compras nas lojas Reebok. Ainda hj quando eu vejo um tênis legal deles eu sempre penso: “Que pena que eles patrocinam os outros…”
    Pessoas como eu podem não ser a maioria, mas existem muitas por aí.
    Abraço!

  10. Alisson, reveja teus conceitos. Sério.

  11. Valeu Gustavo!
    Mas estou bem assim! Posso sobreviver comprando tênis da Adidas, Puma e Nike e até Olympikus…
    E fico muito bem de preto e azul…

  12. E se a Reebok passar a fazer o uniforme do Grêmio e a Puma, do Inter? Tu vais jogar fora os teus tênis Puma?

    Tou brincando contigo? Meu sogro é colorado e outro dia ele reclamou que ganhou um calção da Kappa, alegando que “era gremista”. Eu disse: mas já faz 5 anos que ela não fornece mais o equipamento do Grêmio. Ele até usou o calção, mas torcendo o nariz.

    Não creio que sejam tão poucos que têm comportamento semelhante ao teu, Alisson. Isso complementa o comentário do Fabio, acima e pode ser um empecilho para os grandes do RS obterem patrocínios de maior valor. Nenhuma empresa quer ser boicotada pela torcida rival, ainda mais quando se trata de milhões de pessoas.

  13. Opa… teve um ponto de interrogação a mais aí. O certo é “Tou brincando contigo!”

  14. Parabéns pelo texto,realmente os dois times do sul estão bem a frente dos outros time do brasil no quesito sócio-torcedor.Comparado com o programa de st do spfc,existem diversas opções de programas,além de promoções e vantagens,coisa que falta ao spfc(que tem esse programa há uns 10 anos já)

  15. Parabenizo os dois gigantes do sul, o torcedor realmente têm que por o clube no colo e ajudar a tomar conta.

  16. O Gremio so nao passou dos 50 mil socios ainda por causa do marketing fraco (Cesar Pacheco teoricamente o dirigente de marketing esta sempre viajando e representando o Gremio em reunioes da CBF, CONMEBOL, etc.) e do Celso Roth!

    Alem de cometer erros como tecnico ele eh um poço de arrogancia, mas nao como o Renato Portaluppi por exemplo, q falava sempre pelo Fluminense (acredito q isso eh uma qualidade dele se for bem usada), o Roth so fala de si e ainda por cima fala mal dos torcedores (q pagam seu absurdo salario de R$ 250 mil)!

    Muita gente deixou de pagar mensalidade e ate mesmo de se associar quando o Gremio foi eliminado na Copa do Brasil e no Gauchao em 2008. Agora de novo ele esta fazendo merda e acho q o movimento de boicote eh ainda maior… Isso desgasta muito a imagem dos dirigentes e do clube perante os torcedores, pois sofremos humilhaçoes de colorados e do proprio Roth, mas eles dizem q nada vai mudar.

    Quando anunciaram o nome dele ja houve forte rejeiçao, agora nem se ele ganhar todas as partidas vai conseguir ganhar apoio da torcida. Tomara q a direçao nao demore a perceber isso e troque logo de tecnico, pois estamos perderemos muita coisa, dentro e fora de campo se cotinuar assim..

  17. Saiu uma materia interessante falando sobre isso no Terra:

    Quarta, 11 de março de 2009, 14h54
    Grêmio e Inter dão exemplo na busca por novas receitas
    http://esportes.terra.com.br/interna/0,,OI3627743-EI1832,00-Gremio+e+Inter+dao+exemplo+na+busca+por+novas+receitas.html
    Freqüentar loja oficial é hábito dos torcedores da dupla Gre-Nal

    Em uma série de cinco reportagens, publicadas diariamente a partir desta quarta-feira, o Terra analisa a viabilidade financeira do futebol brasileiro, os reflexos que más administrações do passado trazem até os dias de hoje, a busca por novas fontes de receita, os efeitos da crise econômica mundial e a força do País que, embora pentacampeão mundial, movimenta apenas 2% dos cerca de US$ 250 bilhões anuais (R$ 594 bilhões) representados pelo esporte mais popular do planeta.

    Mesmo tendo um patrocínio de camisa da LG estimado em R$ 16 milhões pela temporada de 2009, o São Paulo não fecha suas contas no azul e, por isso, mergulha na criação de mecanismos para tirar receitas a partir da otimização de espaços no Morumbi. Com uma arrecadação de cerca de 20% em relação à são-paulina com o mesmo recurso, Internacional e Grêmio vêm esbanjando empenho e criatividade na busca por novas fontes de renda e, assim, têm conseguido solidez financeira.

    “Apenas” R$ 3 milhões por temporada desembarcam nas contas do Internacional por meio de patrocínio de camisa, mas mesmo assim tem sido possível manter o clube funcionando em alto nível. Em razão de outras fontes de receita que equilibram a conta, o clube teve a folha salarial mais alta do último Campeonato Brasileiro, com R$ 3,2 milhões mensais.

    “A explicação de nosso sucesso é que conseguimos mobilizar a paixão dos torcedores e transformamos isso em recursos. Corinthians e Flamengo têm dezenas de milhões de fãs, mas não refletem isso na arrecadação que têm”, afirma Fernando Carvalho, atual vice de futebol e ex-presidente do Inter, que possui mais de 80 mil associados, que trazem um faturamento de mais R$ 3 milhões mensais caindo na conta bancária do clube.

    Com um projeto que vem na esteira do sucesso do Inter, o Grêmio se valeu do combustível da rivalidade que divide o Rio Grande do Sul para incrementar cada vez mais números ao orçamento. Ganha, com seus 50 mil sócios, R$ 2,2 milhões mensais. Além disso, tem projetado uma média de público acima do comum. No último Brasileiro, os gremistas, com 31.725 pagantes por jogo, só foram superados pelo Flamengo.

    “Hoje, a torcida do Grêmio é uma das mais fiéis e o que nós fizemos foi fidelizar isso. E ela paga em dia”, explica César Pacheco, vice de marketing gremista, que equilibra as receitas do clube com base nesse conceito.

    “Nosso contrato de patrocínio de camisa é defasado, dá pouco mais de R$ 3 milhões por ano. Mas temos 32 lojas licenciadas e, só pelo licenciamento delas, ganhamos quase R$ 100 mil mensais. Além disso, temos mais de mil produtos licenciados e, por ano, isso nos dá R$ 12 milhões. Temos pesquisas que indicam que o torcedor compra na Grêmio Mania por achar que está nos ajudando”, diz Pacheco.

    Transformar o torcedor de arquibancada em um sócio presente e que mantém o clube, no entanto, é que é o grande conceito diferente da dupla Gre-Nal para o cenário brasileiro. A partir dessa mudança, não são exclusivamente os valores dos programas de sócio-torcedor que incrementam as fontes de receitas. Em primeiro lugar, o sócio se sente, de fato, parte do clube. Ao contrário, por exemplo, de São Paulo, Corinthians e Fluminense, os sócio-torcedores de Grêmio e Internacional participam das eleições para presidente.

    Com a presença ativa da comunidade de torcedores e uma equipe de trabalho funcional, é possível montar bancos de dados detalhados sobre os sócios e, a partir disso, direcionar estratégias que engordam os cofres. “Isso nos dá um poder de negociação enorme com patrocinadores”, explica Jorge Avancini, vice de marketing do Internacional. Fernando Carvalho completa. “Hoje, as receitas de marketing e licenciamento de produtos estão entre as principais do clube”.

    Os reflexos aparecem

    O trabalho que é bem feito fora de campo também traz efeitos nos desempenhos esportivos dos dois clubes. No período dos últimos quatro anos, o Grêmio jogou duas edições da Copa Libertadores e o Inter também – cada um chegou a uma decisão. O clube colorado, aliás, ganhou a competição e ainda o Mundial de Clubes e a Copa Sul-Americana. Também desde 2006, os quatro clubes do Rio de Janeiro, por exemplo, só foram três vezes representados na principal competição do continente: duas com o Flamengo e uma com o Fluminense.

    Isso naturalmente atrai os interesses pelos bons jogadores projetados pelos dois clubes. Neste ano, por exemplo, Grêmio e Inter foram dois dos poucos a conseguir negociar jogadores: Rafael Carioca, ex-gremista, e Alex, ex-colorado, foram vendidos para o Spartak de Moscou, ajudando no equilíbrio das finanças.

    “Vender jogador é uma estratégia correta. O Inter faz isso de forma planejada e normalmente já tem a reposição. É uma receita ordinária para nós e que permite crescimento. Até porque temos uma categoria de base forte e que precisa de espaço. As vendas dão espaço para outros”, lembra Fernando Carvalho. Para Alex, por exemplo, a reposição planejada era Taison, artilheiro e destaque do clube no início de temporada. Ano passado, Fernandão se foi e chegou D’Alessandro.

    O sucesso do modelo adotado pelos dois clubes grandes gaúchos já atrai a atenção de outros gigantes do futebol brasileiro. Um dos diretores responsáveis pelo processo que levou o Grêmio da segunda divisão para a final da Libertadores, Rodrigo Caetano foi contratado pelo Vasco no início de 2009 com o objetivo de reorganizar todo o clube e levar para São Januário o conceito que deu certo no Olímpico.

    “O Vasco precisa urgentemente aumentar o número de associados para ter uma receita a partir disso. Grêmio e Inter levam vantagens por terem ela garantida. Isso é fundamental e quase que necessário para o andamento dos clubes”, avalia Caetano, que trabalhou com planejamento do futebol gremista e sabe da importância de uma renda fixa e 100% garantida dentro do balanço financeiro.

    Outro a se espelhar no conceito de Grêmio e Inter é o Atlético Paranaense. Dono do atual terceiro maior quadro de sócio-torcedores entre os clubes do País, já ultrapassou a casa dos 20 mil adeptos. “Provavelmente, as receitas de 2008 com os sócios vão passar de R$ 10 milhões e superarão patrocínio e publicidade. Além disso, elas impulsionam a bilheteria nos jogos, já que as perspectivas são de 70% dos torcedores irem ao estádio”, estima Amir Sommogi, da Casual Auditores. Sinal que há, em Porto Alegre, um modelo a se seguir.

  18. Realmente a dupla Grenal esta buscando muitas ideias pra diversificar suas receitas inclusive em mercados q nao tem nada a ver com o mundo da bola como a carteirinha de socio para animais de estimaçao do inter e a linha de sapatos femininos lançada pelo Gremio; Agua mineral oficial da dupla; Energetico do inter e computador do Gremio; etc. Mas eu ainda sigo com minhas criticas de q o Gremio poderia melhorar ainda mais o seu marketing.. o proprio programa de socios, tao elogiado esta gerando critica de alguns Gremistas com aumentos continuos nas mensalidades e agora ate a data de cobrança ( http://www.gremio.net/page/view.aspx?i=id_835&language=0 )

    Parece q o unico jeito de aumentar as receitas eh aumentando o preço dos ingressos e das mensalidades. Pq nao fazem campanhas pra conseguir mais socios? nao precisa ser algo caro, se for simples mas conseguir captar a essencia do Gremismo e com a grandeza do Gremio com certeza vai fidelizar muita gente. O inter tem muito mais socios q o Gremio pq foram campeoes mundiais ha pouco tempo e o Gremio recem saiu da serie b, mas olha a diferença das mensalidades e do preço dos ingressos, e comparem a arrecadaçao mensal (quase R$ 1 milhao a mais!). Alias, vi uma tabela no OCE mostrando o percentual de torcedores de 3 times divididos nas classes socio-economicas. Vcs saberiam me dizer como estao Gremio e inter? Pois aqui sempre falaram q os “ricos” torciam pro Gremio e os “pobres” pro inter, seria legal ver se isto mudou depois de tanto tempo

    O Gremio ate esta conseguindo bons numeros de receitas, mas acho q muito mais pela rivalidade Grenal e pelo estilo “barra brava” de apoio incondicional adotado pela maioria dos torcedores, principalmente jovens (e ate por alguns milagres como a batalha dos aflitos q recuperou a imagem do Gremio copero e peleador) do q por açoes da diretoria. Muito pelo contrario, a diretoria ate faz alguas coisas q desvalorizam a imagem do Gremio (Roth por exemplo) e acho q a imagem deveria ser prioridade no nosso marketing, especialmente agora q o inter esta ganhando titulos importantes e nos batendo na trave… quem nunca ligou pra futebol e resolver escolher um time agora (sim, existem pessoas assim! hehe) escolheria o time vencedor a nao ser q outro time tivesse uma “imagem” melhor (e eh ai q entra a historia fascinante do Gremio!)

    E Falando em vendas, a nova camisa do Gremio lançada ha 1 mes atras parece ser um sucesso de vendas tambem, nas duas primeiras semanas foram vendidas mais de 6 mil camisas ( http://www.gremio.net/news/view.aspx?id=7333&language=0&news_type_id=1 ). Nao sei os numeros atuais e nem quais sao os numeros de outros times, mas 6 mil em duas semanas me parece algo bem acima do normal, alguem sabe esse tipo de dado de outros clubes? Me lembro q em 1996 tivemos a camisa mais vendida no mundo (410 mil contra 368 mil do Barcelona), mas hoje em dia esse numero deve ser muito maior por causa do mercado asiatico ( http://gremio1983.blogspot.com/2007/07/mais-vendida.html ).


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