Publicado por: Maurício Bardella | 17/fevereiro/2009

Corinthians e São Paulo na batalha dos 10% – mensagem aos “generais”

Amigos, essa seqüência de posts e comentários sobre a “polêmica dos 10% por cento” na divisão de ingressos para o jogo São Paulo e Corinthians tem sido muito rica e esclarecedora. Robert, Amir e Marcos falaram sobre o assunto, e a grande repercussão nos comentários mostrou uma discussão, em sua maior parte, desprovida de parcialidades originadas nas paixões clubísticas.

 

Reconheço, no entanto, que a paciência de todos já deve estar esgotada de falar sobre o assunto, mas penso que ninguém deve estar conformado com tantos erros, imprudências, absurdos verbais e demonstrações de incompetência.

 

Nota divulgada pela direção do Corinthians após os incidentes de domingo que resultaram em mais de 40 feridos, inclusive com fraturas, qualifica os torcedores corinthianos como “mártires”. Serão mártires os membros de torcidas organizadas que depredaram seu setor no estádio e ameaçaram, aos gritos, matar policiais? Serão mártires esses elementos que receberam da diretoria alvinegra prioridade absoluta na compra dos pouco mais de 4.000 ingressos populares, em detrimento de torcedores comuns?

 

Do outro lado, a incontinência verbal dos dirigentes tricolores mergulha no absurdo e demonstra uma falta de preparo que em nada lembra a elegância que diferenciava diretores são-paulinos em outras épocas. A coluna “Painel FC” do jornalista Ricardo Perrone, publicada na Folha de S.Paulo de hoje, apresenta a seguinte frase:”Como galinha não tem estádio, não sei onde eles jogarão partidas importantes, a não ser que não estejam pensando em Libertadores” (Kalil Rocha Abdala, diretor jurídico do São Paulo, a respeito da posição de Andrés Sanchez de não mais mandar jogos do Corinthians no Morumbi enquanto ele for o presidente do clube). Meus amigos, dizer o quê sobre essa manifestação? Prefiro me calar, porque os termos com os quais eu gostaria de classificar essa frase não seriam muito educados, e vocês não merecem lê-los aqui nesse blog.

 

É por essas e outras que eu quero aproveitar esse momento conturbado para escrever uma mensagem que quase certamente não será lida por seus destinatários: os presidentes desses dois grandes clubes paulistas. Desculpem-me se pareço pretensioso, mas procuro transformar em palavras minha indignação com o amadorismo, com a incompetência e, por que não dizer, com as más intenções de muitos que foram os protagonistas desses desastre anunciado, culminando nos feridos na batalha do pós jogo. Aos torcedores de São Paulo e Corinthians, aviso que não critico nenhuma das duas gloriosas instituições e muito menos seus torcedores (torcedores de verdade, que fique claro). Não quero criar uma polêmica gratuita com vocês.

 

Ao presidente do São Paulo F.C., Sr. Juvenal Juvêncio; 

 

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Meu caro Sr. Juvenal, muito se fala que o Sr. é um “presidente boleiro”, um homem que entende das coisas do futebol, inclusive dentro das quatro linhas; essa imagem que o Sr. construiu lhe rendeu uma grande popularidade, penso eu, entre muitos torcedores do seu clube e com parte significativa da imprensa.

 

O Sr., assim como boa parte de seus diretores, parece acreditar piamente que o São Paulo é um modelo de gestão esportiva, especialmente no que se refere ao marketing; que o estádio do Morumbi é uma arena grandiosa e ao nível dos melhores estádios do mundo, precisando de apenas algumas adaptações para sediar uma Copa do Mundo; que as seguidas discussões que se avolumam com outros clubes e com a Federação Paulista são resultado de uma descarada perseguição ao clube mais destacado no cenário nacional, tanto esportiva quanto administrativamente.

 

Sr. Juvenal, o Sr. precisa abrir os olhos. Quando fiz minha especialização em marketing esportivo na  ESPM (curso feito, aliás, em parceria com o São Paulo) , nos anos de 2005 e 2006, pude ter contato com vários gestores que estão ou estiveram em sua equipe, e sei que a fantasia de mostrar uma administração moderna e profissional só encontra eco na alegoria de ser rei por ter um olho em terra de cegos; na verdade, se o São Paulo se destaca administrativamente por ter pelo menos um olho, digo-lhe que esse olho é muito, muito míope! E digo mais: outros clubes vem mostrando que também tem seu olho e aspiram à realeza, meu caro.

 

Cabe ao São Paulo, por sua posição destacada, liderar um movimento real de modernização da gestão esportiva no Brasil, ao invés de lutar para manter o “status quo”  que lhe rende frutos pela incapacidade dos adversários – luta essa que seus diretores travam diariamente nos microfones, defendendo posturas atrasadas e amadorísticas. Chega de estar na vanguarda do atraso.

 

Profissionalize a gestão, invista no departamento de marketing com profissionais de marketing, controle diretores que buscam espaço na mídia com arrogância e provocações. Esqueça o tímido e medíocre projeto de modernização do Morumbi feito pelo Sr. Rui Otake e consiga parceiros para investir em algo realmente inovador – o que dizer da redução do corredor de circulação dos torcedores adversários pela metade, como o Sr. fez, ainda que por motivos comerciais? Essa é a modernização proposta para o estádio? O Sr. já ouviu falar que a circulação das pessoas, com uma capacidade de rápida evacuação da arena em casos de emergência, é um aspecto essencial de segurança? E, por favor, desmanche as obras de contingenciamento da torcida adversária, como os vidros e muros que conferiram ao estádio a insegura e belicosa atmosfera de uma praça de guerra. Sim, Sr. Juvenal, a culpa pelo desastre no pós clássico, com dezenas de feridos, cabe em grande parte ao Sr. e à sua brilhante equipe de gestores.

 

Com relação aos dez por cento na carga de ingressos para o Corinthians, sem dúvida seu clube tem todo o direito de limitar a oferta para os adversários, e compreendo que a adaptação comercial do Morumbi realmente dificulta (ou impossibilita) a divisão de espaços em igualdade com torcedores de outros times. Nada tenho a discutir quanto a esse aspecto; mas o Sr. deveria tê-lo feito de maneira profissional e desapaixonada, sem arrogância, no início da temporada e comunicando claramente a todos os envolvidos. Simples assim!

 

Sr. Juvenal, não creio que o  Sr. vá ler essa carta e se alguém lhe falar sobre o conteúdo da mensagem, acredito que o Sr. se irritará. Pois não se irrite, já que não é para isso que eu escrevo. Escrevo, sim, para lembrá-lo que quem quer ser de fato um líder precisa, antes de mais nada, liderar! E, para completar, eu lembro que liderança se conquista com atitudes e não com bravatas e gestos precipitados.

 

 

Ao Presidente do Corinthians, Sr. Andrés Sanchez;

 

 

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Caro Sr. Andrés, entendo que o Sr. assumiu o Corinthians em uma situação calamitosa, esportiva e financeiramente. Compreendo que a função de “arrumar a casa” em meio à guerra política que culminou em sua reeleição não deve ter sido fácil, e que o desafio para os próximos anos é enorme.

 

Meu caro Sr. Andrés, até esse ponto não pretendo criticá-lo. Mas que estória é essa de ceder à torcida organizada os ingressos mais baratos para o clássico, deixando para o torcedor comum os bilhetes mais caros? Que dependência é essa que o Sr. alimenta com as organizadas? Se o Sr. investe na relação com Gaviões e outras torcidas do gênero,  o Sr. também é responsável pelas confusões acontecidas no estádio, pelo clima incendiário criado antes da partida e pelos resultados previsíveis e catastróficos.

 

Quem o reelegeu presidente foram os associados do clube (e nesse ponto eu o parabenizo por democratizar a instituição com a votação direta, conferindo transparência ao pleito). Mas eu aviso que o Sr. não “governa” para a Gaviões da Fiel nem para quaisquer outros piratas que sobrevivem como torcedores profissionais. Não são eles que compram camisas oficiais do Corinthians nas lojas de material esportivo; não são eles que pagam mensalidade para o clube como associados ou como sócios-torcedores, e também não são eles que pagam para assistir aos jogos em pay-per-view. Não será por causa deles que o futuro patrocinador do Corinthians desembolsará milhões de reais para divulgar sua marca; quem importa, meu caro Andrés, são os mais de trinta milhões de corinthianos que sofrem, vibram, cobram e consomem.

 

Por outro lado, se o Corinthians foi surpreendido (ou traído, como queira) pela atitude do São Paulo, lembre-se que o troco seria muito mais efetivo se houvesse pelo menos um projeto de construção de estádio em andamento! Se o Sr. não sabe como fazê-lo ou teme a influência de interesses pessoais nos projetos que surgem dentro do clube, sugiro que contrate especialistas capazes de elaborar um projeto viável e rentável, para então procurar os parceiros e financiadores do empreendimento – a crise econômica não vai durar para sempre! Esqueça o Pacaembu, que é uma armadilha que lhe tentam empurrar para manter o clube na sua eterna posição de dependência, e cerque-se de profissionais interessados apenas em receber seus rendimentos ao final do mês. Não tenho dúvidas que, para crescer de maneira sustentada com projetos de marketing capazes de gerar receita de verdade e aproveitar o milionário potencial decorrente dos milhões de torcedores do Corinthians, o clube precisa de uma casa própria. Esqueça os sonhos e comece a pensar em objetivos e metas.

 

Continue apostando em aumentar as receitas do clube, inclusive com ações de marketing, mas aprenda  que há uma grande diferença entre ações isoladas e veiculadas com verborragia e entusiamo excessivos, e um plano de marketing fundamentado em estratégia, com objetivos e metas palpáveis e com visão de longo prazo. Não acredite que vender camisetas basta para fazer marketing, mas saiba que se determinada camisa for bem aceita pelos torcedores e consumida em larga escala, será absolutamente ridículo vetar seu uso pelo time em jogos oficiais porque meia dúzia de torcedores organizados não aprovaram a nova cor, ou o novo modelo. Tenha coragem para mudar e modernizar, e garanto que o Sr. será lembrado por isso. O exemplo do Sr. Dualibi deveria ensiná-lo que títulos, por mais importantes que sejam, não salvarão sua biografia.

 

Invista em uma equipe de gestores profissionais. Insisto que esse passo não será uma despesa apenas, mas sim um investimento que se pagará em algum tempo e gerará dividendos. Contrate, em todas as áreas administrativas, gente capaz de avaliar, planejar, executar e controlar os processos. Gente capaz, por exemplo, de estruturar, valorizar (em todos os sentidos) e vender patrocínios capazes de lhe ajudar a pagar a conta no final do mês e manter o time competitivo que a torcida exige.

 

Transforme o Corinthians em um clube moderno, rompa os antigos laços de dependência e fragilidade, crie novos parâmetros, e então o Sr. poderá brigar em igualdade de condições, dentro e fora de campo, com seus adversários.

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Responses

  1. Meu caro Mauricio Bardella, muito boa tarde. Voce deve ser mais um que se irrita com o modelo administrativo do SPFC, e com suas conquistas, ne?
    1o.) Voce deve ser palmeirense, certo? Pois somente ataca SPFC e SCCP. Entao….. como o seu time somente ganha paulistinha, fica querendo dar uma de moderador, incentivador e dono da verdade.
    2o.) Deu pra perceber que voce quer um emprego no setor de marketing, ou do SPFC, ou do SCCP, dizendo-se que fez ESPM. Grande coisa, pois conheco muitas pessoas que nao fizeram e dao show nesse assunto.
    3o.) Se em terra de cegos, quem tem um olho eh rei, voce deveria ser o que? Pois com essa sua verdade, voce tem 2 olhos, entao seria rei dos reis, ou seja….. Jesus
    Ora, meu caro, va comentar os altos salarios dos Luxemburgos da vida, dos jogadores que o seu time esta perdendo dia a dia para a Traffic, para esta pagar os salarios do Luxemburgo. Fale do presidente da FPF, Sr. Marco Polo del Nero, corrupto, e que esta sendo denunciado. Fale do gas de pimenta que ja foi provado, que foi lancado por torcedor do seu time, com aprovacao da diretoria. Isso voce nao fala, ne? E vem querer falar do SPFC. Nao se irrite ainda, porque qdo. ganharmos mais uma vez a Libertadores, dai sim, tera motivo para se irritar.
    Muito infeliz esse seu post.
    Beto

    Beto, quanta bobagem, meu caro…não preciso falar que seu comentário é no mínimo infantil, pra não dizer ridículo. Tenho certeza que denigre mais a você mesmo que a mim. Lamentável…

    Só para seu conhecimento, não sou torcedor do Palmeiras, apesar de meu sobrenome italiano, mas mesmo que fosse isso não faria a menor diferença. Nesse blog eu e meus companheiros tentamos (ao menos tentamos) escrever com imparcialidade absoluta, apesar de às vezes termos de aturar manifestações de torcedor como a sua, que não cabem num espaço dedicado a discutir o futebol e seus negócios.

    Quanto a procurar emprego em um clube, meu amigo, garanto que se o fizesse não seria através deste espaço. Há caminhos mais diretos e eficazes.

    E é isso. Você já ganhou mais atenção que merecia em minha resposta.

    Meus caros leitores e colaboradores, observem que mais uma vez resisti à tentação de simplesmente deletar um comentário, em nome de nosso posicionamento democrático e aberto.

    Mauricio

  2. São por tipos como este cidadão que fez o primeiro comentário que o SPFC será sempre o menso piro dos piores, se contentam com as falácias dos dirigentes, fecham os olhos para os problemas reias e a longo prazo, mas aplaudem o imediatismo enganador

    Eduardo, não acho que seja bom generalizar, nem alimentar essas polêmicas. O indivíduo acima não merece que falemos mais dele.

    De qualquer maneira, obrigado pelo seu comentário. Percebo que você ficou indignado. Um abraço.

    Só uma observação em relação aos comentários de nossos leitores: acho que discordar das pessoas que aqui escrevem, evidentemente, não é de maneira alguma errado. Acho até bom para que possamos discutir mais e melhor. Mas para discordar é preciso apresentar argumentos, e não agressões gratuitas.

    Mauricio

  3. Bons comentários sobre a lamentável situação gerada no clássico. Mas ainda me incomoda quando alguém diz que o São Paulo “é o rei na terra dos cegos por ainda ter um olho”. Um dia vou ver outros times ganhando títulos como o São Paulo vem ganhando ultimamente (espero que demore, é claro) para ver se alguém vai falar que este é também “um rei em terra de cegos”.

    Heitor, obrigado pelo comentário e por sua ponderação.

    Por favor, não se ofenda com a expressão “quem tem um olho em terra de cegos é rei”. O que eu quis dizer – e essa é a minha opinião, óbviamente você não tem que concordar com ela – é que o São Paulo não é o exemplo de gestão que parece ser. Nada a ver com os títulos ganhos em campo, porque nem sempre um time campeão é reflexo das práticas administrativas de sua direção; você diria que o Palmeiras da era Parmalat ou o Corinthians das eras Hicks Muse e MSI eram exemplos de gestão e visão empreendedora? Ambos foram campeões com grandes times e depois encararam a penúria com a perda dos parceiros, sendo inclusive rebaixados.

    Evidentemente que o São Paulo é um clube altamente organizado, mas penso que chegar a essa óbvia constatação não é o mesmo que isentar a administração do clube de críticas.

    Um abraço e mais uma vez obrigado.

    Mauricio

  4. Estou de volta, mas desta vez gostaria de perguntar, já que o blog se chama “Futebol e Negócios”, se você concorda com a afirmação de alguns jornalistas de que o SP estaria rasgando dinheiro pelo fato de dar 10% para a torcida corinthiana e o revide da diretoria do alvinegro de que não mandará mais partidas como mandante no Morumbi. Li em alguns sites de que a renda e o público deste clássico foi o maior nos últimos 10 anos. Tudo isso confere?

    Valeu

    Heitor, embora o público aproximado de 34.000 pessoas não possa ser desprezado, certamente não foi o maior dos últimos dez anos. Em 2005, por exemplo, os dois times se enfrentaram pelo campeonato brasileiro perante um público de 46.335 pagantes. Houve ainda, para citar outro exemplo, as finais do Campeonato Paulista de 2003 e as semifinais da Copa do Brasil de 2002, quando o público certamente foi superior ao do último domingo.

    Mesmo assim creio que a afirmação de que os clubes rasgam dinheiro se dá pelo fato do Corinthians ser praticamente o único clube a alugar o Morumbi em jogos de grande público, como a reta final da Copa do Brasil de 2008. Portanto, o Corinthians precisa de um estádio grande para sediar jogos importantes e obter arrecadações maiores, assim como seus jogos sempre representaram uma fonte de receita para o São Paulo.

    Com a adequação comercial do Morumbi em conjunto com novos parceiros que implicam em uma reformulação física dos espaços (como a Visa), creio que a receita que o São Paulo obtinha nos jogos do Corinthians perdeu importância relativa, na visão dos dirigentes do tricolor.

    Por outro lado, é inegável que o público nos confrontos diretos entre São Paulo e Corinthians vem caindo, e a perspectiva de violência entre torcidas adversárias é seguramente a causa mais importante para que isso aconteça.

    Um abraço,

    Mauricio

  5. Sou São Paulino e crítico do Juvenal. Reconheço o conhecimento que ele tem de futebol (conhe muito).

    Mas sempre achei ele um dirigente obscuro, por não deixar transparecer os problemas que passam dentro do Morumbi e por não explicar certa atitudes. Não sei se ele está certo em fazer isso ou eu estou certo em cobrar mais transparencia.

    É óbvio que o SP é um rei de um olho só, mas já foi um rei cego, apenas com excelente tato e audição. Futuramente terá dois bons olhos (e não apenas um com miopia).

    Faz parte do processo. Não da pra sair do nada e ser tudo em menos de um década.

    O SP tem o Reffis, espaço de primeiro mundo e tem o Morumbi, espaço de terceiro mundo, que tenta ser de primeiro, mas vai no máximo ser de segundo (isso existe??). Isso só pra ilustrar que nem tudo é faixada] por la.

    Voccê está certo em cobrar que o SP não tape o sol com a peneira, mas tem que reconhecer que, o SP está sempre evoluindo e se hoje tem apenas um olho, é pq o país e o futebol nacional só permitem isso.

    Mas não tenho dúvidas, que a maioria dos clubes, além de cegos, são surdos e tem pouco tato.

    Rodrigo, bem exposto seu pensamento.

    Não nego que o São Paulo possua uma estrutura diferenciada, de forma alguma. Mas outros clubes também já possuem bons centros de recuperação e bons centros de treinamento.. esse processo foi, sem dúvida, encabeçado pelo São Paulo.

    Só não concordo que o São Paulo seja “um rei de um olho só” porque isso é tudo que nosso país permite; penso que há muito que pode ser feito, e isso passa por uma atitude diferente. Como eu disse no texto, cabe ao São Paulo, por ter sempre estado na frente, liderar esse movimento de evolução.

    Um abraço e obrigado pelo comentário.

    Mauricio

  6. Tambem acho que vc perdeu muito tempo comigo.
    Mas as verdades sao assim mesmo, incomodam muito.
    Pelo menos vc ja concordou que o Sao Paulo eh um time altamente organizado, mas cai em contradicao quando fala que Sr. Juvenal Juvencio precisa profissionalizar a gestao, e quando fala que dirige o clube com bravatas e gestos precipitados, ou ainda quando o culpa pelo o ocorrido pos-jogo. Lamentavel

    Beto, quer que eu responda o quê?

    Que verdades você disse em seu comentário? Pra começar ele estava todo baseado no fato de eu ser um possível torcedor do Palmeiras, e sobre isso eu já falei acima…de resto o que você escreve nem sequer faz muito sentido, a começar pelo fato de não haver contradição alguma, no meu ponto de vista.

    Mas tudo bem, um abraço para você e fico contente porque pelo menos você manifestou sua opinião.

    Mauricio

  7. Acho que a pior face da incompetencia é quando ela gera feridos. E foi isso que aconteceu durante a semana culminando no domingo.

    Pior ainda será isso passar sem alguma mudança seja na relação clube-torcida, ou na forma com que certos dirigentes se portam, ou no conceito de modernidade de estádios que alguns tem.

    Abraços

    Gustavo, esse é mais um alerta que é dado aos organizadores do nosso futebol. Esperemos que não seja necessária uma tragédia de fato para que medidas sejam tomadas.

    Um abraço,

    Mauricio

  8. Sobre a dúvida do Sr Heitor de Oliveira,

    No ano de 2006 o Corinthians mandou 11 jogos no Morumbi. O total de renda destes jogos foi de R$2.434.140. Aprox. 12% disso foi para o São Paulo, ou seja, R$292.000. Naquele ano a receita total do clube foi de R$122.000.000, portanto, a “contribuição” corintiana foi pífia, igual a 0,24% do faturamento e isso sem contar as despesas provocadas pelo aluguel (iluminação, limpeza, quebras, etc).

    Em 2007 foram 9 jogos e receita de aluguel de aprox. R$272.000 ou 0,14% da receita total de R$190.000.000.

    Ou seja, quem mais perde é o Corinthians pois um jog que ele faça lá com 60.000 pagantes já é uma perda maior que estas do São Paulo.

    Abraços

  9. “Chega de estar na vanguarda do atraso.”

    Olha Maurício, se você só estivesse escrito isso já bastaria!

    Eu concordo em gênero, número e grau com tudo o que dissestes. Na verdade, esse amadorismo que ainda impera no futebol brasileiro e que faz com que sejamos somente um celeiro onde gringos vem a cada temporada nos deixar órfãos de nossos craques.

    A tradição que nosso futebol e nossos clubes tem, não são páreos quando o que manda é a capacidade de fazer dinheiro. E para fazer dinheiro é preciso bem mais do que vender camisas ou ingressos. Como você citou e muito bem.

    Vejamos como está o Flamengo e o Vasco. Atabalhoados. Ambos por falta de profissionalismo. Não dá. É lastimável que isso aconteça.

    Faço coro: Brasil, chega de estar na vanguarda do atraso.

    Parabéns pelo texto. Quase que dá pra mudar os nomes de Juvenal por Márcio e Andrés por Dinamite.

  10. Ah e só para constar. Muito nos ajudaria a todos os torcedores em todos os estados brasileiros, se a Polícia também se “profissionalizasse” e se preparasse melhor para evitar mais mortos e feridos.

    Obrigado por suas palavras, Fefê. Fico contente também pelo fato de você ter generalizado minhas palavras para dirigentes de outros clubes, porque o intuito é esse mesmo – embora sejam o foco do post, Corinthians e São Paulo estão longe de monopolizar essa situação de confrontos verbais entre os dirigentes e físicos entre os torcedores.

    E concordo em gênero, número e grau quanto à necessidade de “profissionalizar” a polícia para eventos desse tipo. Na edição de hoje do jornal O Estado de São Paulo a professora de sociologia do esporte Heloísa Reis fala exatamente sobre a necessidade de haver uma polícia especializada para o futebol.

    Valeu e obrigado.

    Mauricio

  11. Sobre o São Paulo,

    Concordo com o Maurício quando ele menciona uma certa empáfia da diretoria do São Paulo, típica de quem está por cima. O perigo é que a empáfia é amiga da vaidade e esta da arrogância e quem é arrogante não aprende pois se acha superior.

    O desafio do lider é se manter lider e para isso tem que ser humilde e buscar melhorar sempre, mesmo que ninguém esteja à sua frente.

    Por outro lado, há que se reconhecer que, como no mundo dos negócios e mkt, tudo é comparativo. Pode até não se estar sendo o mais eficaz mas se ninguém está à sua frente você pode dizer que é eficiente.

    Acho que dizer que o São Paulo está à frente dos demais é verdade. Também é verdade que ele não está tão à frente assim de alguns poucos como Inter e Cruzeiro mas estes dois têm a desvantagem competitiva de estar em centros menores e por terem menor chance de receita, até por terem torcidas menores.

    O São Paulo faturou 63% mais que o Corinthians e 120% mais que o Palmeiras em 2006 + 2007. Deu lucros e os outros dois prejuízos. Com uma torcida 70% da do Corinthians, isso é seu mérito, sua capacidade de gerar receita e capacidade de valorização de sua marca.

    Temos que lembrar que o SP é o caçula dos grandes, chegou depois e ainda assim é a 3ª torcida do país e a que mais cresce. Marketing não é ganhar market share, ter receita significativa e ser rentável? Isso ele conseguiu, fora seu patrimônio físico e de títulos, inigualáveis.

    Se comparado aos europeus o SP tem muito a caminhar mas aí não é só ele, é todo o Brasil. Que a Europa sirva de referência.

    Há que se reconhecer que o São Paulo evoluiu muito em pouco tempo e não parece parado, continua inovando e isso é mérito também. Há muito o que melhorar mas a direção que aí está merece a credibilidade de que está em busca da evolução e de melhorar ainda mais.

    Se baixar a bola da empáfia, muito próxima da arrogância, sua liderança será ainda mais provável.

    Abç e parabéns pelo espaço de alto nível aqui

    Obrigado, Álvaro. Nós é que devemos agradecer sua participação de alto nível, manifestando e fundamentando seus pontos de vista.

    Entendendo os seus argumentos, faço uma observação quanto à estrutura de receitas do São Paulo nos anos que você citou, altamente dependentes da negociação de atletas para o exterior (e, claro, o São Paulo não está sozinho nessa dependência, além disso não representar de forma alguma uma negação de suas afirmações). No balanço de 2008 os resultados não serão tão positivos (talvez sejam negativos, na verdade) em razão de não ter sido concretizada nenhuma negociação de vulto. Esse é um dos pontos que me fazem observar que o São Paulo tem bastante campo para evoluir, e concordo que isso tem acontecido; cito o exemplo do aumento consistente e constante de receitas que o clube tem conseguido com seu estádio nos últimos anos.

    Um abraço e obrigado.

    Mauricio

  12. Algumas respostas as questões levantadas pelos leitores ao amigo blogueiro palmeirense.
    Primeiro realmente não foi o maior publico dos ultimos 10 anos e sim dos ultimos 10 clássicos, e só isso já prova que foi um acerto numa tendencia clara de diminuição de publico em classicos nos ultimos anos.
    Segundo 10% é muito tendo em vista o comportamento da torcida visitante ( independente do clube ) infelizamente tudo caminha para proibição de torcida oposta em classicos. O que para mim e todos que conheço que não são membros de organizada surge como uma vitória.
    terceiro, o senhor está muitissimo mal informado, os clubes já haviam sido informados desta decisão em relação ao publico no morumbi desde o começo do ano. Se, o Sr estivesse mais antenado sobre futebol perceberia que foi muito vantajoso ao presidente Andres se fingir de desentendido e abrir toda essa discussão que culminou na sua reeleição e uma discussão infindavel sobre os problemas do morumbi para uma copa do mundo, abrindo espaço para a tal mitica construção do estadio deles com dinheiro publico. Nem preciso insinuar a corrupção decorrente de tal ato, ela é obvia.
    E finalmente ao dizer que a torcida não cobra mais uma vez o Sr prova total ignorancia em relação ao clube, a torcida cobra até demais tendo em vista os ultimos 4 anos.
    O unico olho em terra de cego? miope demais?? Julgar alguem por tentar fazer o certo parece intrincico em nossa sociedade e isto sim parece forçar a manutenção do estatus quo, pela sua opinião a imcompetencia dos outros clube é culpa do são paulo…certo, tudo parte de um plano maligno para que continue a ganhar titulos, infelizmente esse plano não parece dar certo no Internacional por exemplo …estranho…
    Cada clube tem sua administração, jogar a culpa do fracasso de alguns no sucesso de outros é uma atitude hipocrita e demagoga.
    Se parassem de chorar tanto para esconder suas falcatruas e falhas, tais clubes pudessem tambem disputar tritulos internacionais como o São Paulo e vencer times como milan e liverpool. Ou para voce boca juniors, mila, barcelona, entre outros tambem são miseros clubes cegos dos quais o tricolor tomou vantagem em suas vitorias.
    O nosso sucesso é internacional, por isso não me vanha com balelas. obrigado.

    João, é a sua opinião e eu tive que ler e aceitar, embora discorde literalmente de tudo. Mas tudo bem.

    Só uma observação: eu disse no texto – você deve ter lido – que eu não queria polêmicas com torcedores. Infelizmente não adianta escrever isso, porque sempre há gente apaixonada que se sente ofendida se seu time de coração é de alguma forma criticado, e aparece com argumentos esportivos que não tem a ver com o conteúdo do texto. Se você acha que o São Paulo é o clube mais glorioso do mundo, saiba que corinthianos, palmeirenses, santistas, flamenguistas, gremistas e todos os outros acham que são os seus times que possuem mais glórias, mais história e mais valor. Portanto sua manifestação não leva a nada e não ajuda a esclarecer nada, meu caro. Quanto a dizer que a torcida organizada não cobra, bem essa é uma interpretação sua.; o que eu quis dizer foi que ela não é importante do ponto de vista de consumo, porque ela não é numericamente significativa.

    Se você quiser continuar achando que sou palmeirense, tudo bem por mim. Como eu disse em resposta anterior, se eu fosse palmeirense não faria a menor diferença no texto que eu escrevo.

    Mauricio

  13. Em relação ao primeiro post…
    “Não precisa se explicar. Seus amigos não precisam, e seus inimigos não vão acreditar.” – Anônimo

    Em relação ao topico…
    Sou pessimista e acho que o Sr. tem expectativas boas demais desses clubes (SP-RJ).

    Tudo que os cercam é pior ou tão ruim quanto os clubes, não da pra recorrer a policia, federação e muito menos o governo que “desde o massacre do Pacaembu em 1995 diz que vai criar leis especificas para os jogos de futebol” (PVC-ESPN).

    Tambem não existe um modelo a se seguir, nosso modelo de futebol é unico seja pro bem ou pro mau. E a evolução é feita de erros e acertos, eu só espero que eles tenham visto que essa situação foi um erro e possam evita-lo no futuro.

    Eu só não entendi pq a torcida cantava que “a violência voltou e blablabla”… ela nunca foi embora.

    []s

    Roberto, obrigado pelo comentário. Admito que às vezes pareço mesmo um pouco otimista, apesar de crítico…na verdade eu insisto em ser otimista e acreditar que podem haver mudanças, que podemos evoluir, que devemos colaborar ao menos com ideias e discussões, mas concordo que a cada ano, a cada mês, vai ficando mais e mais difícil não aderir ao pessimismo.

    Obrigado,

    Mauricio

  14. Caro Maurício:

    Excelente post em relação ao Sr. Juvenal, mas acredito que poderia ser mais incisivo em relação ao Sr. Andres (principalmente em relação às constantes – e crescentes – notas oficias botando ainda mais lenha nessa lamentável fogueira).

    De todo o modo, parabéns.

    A propósito, “mercadologicamente” falando, o que você achou da atitude do SP ao “promover” o clássico durante toda a semana, reservando belicosamente 90% do seu espaço aos próprios torcedores e, na hora do jogo, fazer entrar em campo um mistão? Será que 90% do estádio sentiu-se enganado nessa história?

    Outra dúvida: fiquei com a impressão de que toda essa confusão foi péssima para os setores arrendados do Morumbi, principalmente o setor Visa, ao lado do espaço destinado à torcida adversária. O que você achou?

    Antecipadamente agradeço, parabenizando-os desde já pela excelente qualidade do site.

    Abraços,
    Ricardo.

    Caro Ricardo, não percebi ter sido menos crítico com o presidente do Corinthians, e se o fiz foi sem intenção. Não tenho dúvidas que os dirigentes corinthianos ajudaram a jogar gasolina no fogo.

    Já quanto a escalação de um time misto por parte do São Paulo, realmente não tenho uma opinião formada, porque isso entra (ao menos em tese) no mérito técnico. Cabe ao Muricy e sua comissão técnica tomar decisões esportivas que não obedecem necessariamente às prioridades de marketing, não é? Agora, sem dúvida uma confusão dessas no estádio é péssima para todos os parceiros do São Paulo, e a Visa realmente deve ter ficado bastante contrariada…

    Um abraço,

    Mauricio

  15. De modo sucinto:

    O mando de campo era do São Paulo.

    O São Paulo foi quem jogou a bola de neve da discódia montanha abaixo, com o anúncio intempestivo sobre os 10%.

    O São Paulo loteou o seu estádio para “parceiros comerciais”, e não teve como acomodar, de modo seguro, a torcida visitante. Improvisou uma obra na entrada do estádio, com resultados, como se viu, lamentáveis.

    O São Paulo praticamente desmontou todo o aparato que cerca uma partida, com cerca de 6.000 torcedores ainda dentro do Morumbi. Apagou as luzes. Onde estava a assistência médica?

    §

    O blogueiro Maurício Bardella procurou escrever com ponderação, criticar os erros cometidos e apresentar idéias construtivas.

    Mas, provavelmente de modo inconsciente, “equilibrou a balança” da culpabilidade pelos fatos ocorridos.

    Os protestos pelas críticas ao São Paulo aqui observados, alguns completamente destemperados, tornam compreensível o cuidado excessivo para se questionar o “modelar” clube proprietário do Morumbi.

    A torcida do São Paulo reage assim porque, em grande parte, segue a doutrinação obscura do marketing sãopaulino, cuja cartilha determina que, em todas as oportunidades, deve-se ressaltar a superioridade (ou infalibilidade) da administração tricolor.

    Acrescente-se que a imprensa, decerto, contribui, e muito, para mimar a torcida sãopaulina.

    §

    Contudo, não dá para se atribuir o mesmo peso da determinante e desastrosa atuação do São Paulo no desenrolar dessa farsa trágica, com a participação secundária que o Corinthians teve.

    Podem chamar o Andrés Sanchez de tacanho, e os Gaviões da Fiel de violentos. Mas, tanto um, quanto os outros, não inovaram suas condutas no episódio em consideração.

    Quem inovou e, mais do que isso, quem esteve “com o leme” às mãos, durante todo o processo, foi o São Paulo. Os resultados, estamos todos a lamentar e a discutir.

    Alberto, muita clara sua posição. Entendo seus argumentos mas não me atrevo a definir uma escala de culpados nesse episódio. Digo até mesmo que esse não era meu objetivo ao escrever o texto.

    Como você deve ter reparado, já consegui algumas polêmicas com torcedores pelo simples fato de fazer críticas a modelos que são vendidos (e aceitos por muitos ) como ideais. Claro que meu objetivo é fomentar a discussão, e acima de tudo tentar levantar algumas propostas para que se possam abrir novos rumos.

    Sua opinião está registrada integralmente e eu a respeito. Obrigado por sua mensagem e um abraço.

    Mauricio

  16. O Sr me entendeu mal, eu não me referi a nenhuma torcida organizada, nisso concordo e muito com o sr. Realmente não agregam nada ao clube além de uma imagem de violencia. O que contestei é o fato afirmado no texto que a torcida tricolor, em geral, não cobra o presidente, cobra sim e muito.
    Segundo por mim o sr pode ser Santista, palmeirense, corinthiano ou torcedor do glorioso bahia, não faz diferença o que faz diferença é o fato de voce não entender nada do são paulo, estar completamente desinformado sobre as informações do texto e ainda assim querer mandar sua “mensagem” aos rtespectivos presidentes. Antes de tal fato deveria informar se melhor para não falar besteira como exemplo na divulgação da redução dos ingressos para 10% previamente informada ao sccp.
    Enfim, o que voce chama de paixão de torcedor, eu vejo apenas como uma resposta a fatos falhos apresentados pelo Sr.
    Grande abraço.

    João, tudo bem..a informação prévia que você afirma ter sido feita ao presidente do Corinthians é uma notícia nova…talvez você tenha alguma fonte realmente muito importante, já que os dirigentes dos dois clubes tem versões conflitantes sobre isso. O fato é que eu penso que não faz a menor diferença porque essa informação não foi publicamente divulgada (esse é o ponto) . Para completar, na minha visão não sou eu quem está desinformado sobre as práticas administrativas do São Paulo, embora eu admita que podem haver opiniões discordantes.
    E não sei como você pode ter entendido que eu disse que a torcida tricolor não cobra seu presidente, porque, de fato, isso não está escrito!

    Mas João, o que importa é que você opinou e discordou, o que é seu legítimo direito, embora eu ache que seus termos poderiam ter sido um pouco mais cordiais. Mas faz parte. Um abraço,

    Mauricio

  17. Só alguns exemplos de medidas de marketing, que infelizmente não são ou são mal utilizadas no Brasil. (opinião minha)

    Tv do clube
    Ativação de patrocínios
    Cartão de crédito do clube
    Celular do clube (algo como um plano do clube ou uma seção interessante de downloads sobre o time)

    São alguns exemplos bem citados, Gustavo.

    Mauricio

  18. Excelente post.

    Agora só faltam as cartas para o presidente da FPF e principalmente para o Rei Ricardo Teixeira.

    É impressionante o imobilismo dos presidentes das federações em todo(s) o(s) episódio(s).

    No mínimo, caberia a eles liderar um negociação, ou mesmo uma punição exemplar e simultânea aos dois clubes.

    Afonso, esses presidentes eu tenho certeza que não leriam as tais cartas, de modo algum! Você tem toda a razão quando diz que esses personagens não poderiam se omitir em um episódio como esse. Um abraço,

    Mauricio

  19. Mauricio,

    Sobre a dependência da venda de atletas para a receita do SP, observo que:

    * Fica parecendo espúrio ter uma receita com venda de jogadores como se fosse algo a ser evitado ou perigoso. Vender jogadores é tão legítimo para fazer receita quanto qualquer outra forma (cota de tv, arrecadações de jogos, estádio, patrocínio)

    * No caso de alguns times pode até ser uma fonte mais incerta e frágil mas o SP investe pesado na formação de jovens atletas (aprox. R$9 milhões por ano). Ou seja, é tratado como centro de lucro, que tem um centro de custo e até agora é superavitário. No SP a venda de jogadores não é, portanto, um fato isolado e sim parte do business

    * O balanço de 2008 ainda não saiu mas parece que a receita ficará em torno de R$180 milhões o que é 5% abaixo do ano de 2007 mas 48% acima do de 2006. Quanto ao prejuízo, duas observações: 1) ele será menor do que inicialmente se divulgou, até porque entraram receitas de shows em dezembro. 2) O conceito de prejuízo tem que ser relativizado porque se a receita for mesmo de R$180.000 sem vender nenhum jogador e o resultado líquido ficar próximo de zero ou leve prejuízo, será um bom resultado, até porque obtido sem perda de ativo, no caso um jogador. Em outras palavras: o SP poderia ter aceito a proposta pelo Hernanes e fechado com mais um recorde de receita e com lucro. Por isso a análise do balanço tem que ser feita com cuidado e ressalvas.

    Abraço

    Álvaro, no ano passado eu fiz uma análise crítica, embora superficial, dos balanços de vários clubes brasileiros, dentre os quais o São Paulo. Vamos esperar o balanço deste ano para ter informações e dados mais precisos.

    Quanto à venda de atletas como fonte de receitas, claro que não se pode classificá-la como uma fonte espúria de receitas. Mas eu critico, sim, como um modelo de negócios extremamente prejudicial para nosso futebol e, por consequência, para os clubes (ao menos no longo prazo). Creio que, por maiores que sejam, essas receitas tem que ser encaradas como marginais, e não como essenciais na confecção dos orçamentos anuais dos clubes, inclusive por sua imprevisibilidade.

    Obrigado por sua participação e por suas opiniões fundamentadas.

    Mauricio

  20. Oi Maurício,

    A única objeção que faria ao que você disse é que a estrutura do SP para formação de novos talentos não existe com o objetivo único de vender jogadores e auferir lucro diretamente com estas vendas. É importante lembrar que o objetivo maior é a formação de jogadores para alimentar o elenco principal sem que o clube tenha que investir na compra de jogadores. É uma questão de ordem: a formação visa abastecer o clube e, eventualmente rende receita com a venda e não o contrário. O próprio Juvenal disse que o SP tem como meta não mais depender da compra de jogadores.

    Abç

  21. Caros,

    O SP desenvolveu um programa/pacote de venda de ingressos antecipado, tanto para a Libertadores como para o ano todo.

    Pergunta: num jogo como o de hoje, que terá torcedores que compraram ingressos de pacote e também que comprarão nas bilheterias hoje, como se calcula o público e renda do jogo? Se alguém que comprou o pacote e por acaso não vai hoje, ele é contado na renda de hoje? E no público?

    Abç

    Olá, Álvaro. Gostaria de poder lhe responder com mais certeza, e para isso precisaremos analisar os borderôs das partidas; nesse momento realmente não tenho convicção. O que posso adiantar é que o público da partida será muito provavelmente o público presente, dpela passagem de ingressos nas catracas; quando à renda, realmente você levantou uma dúvida interessante.

    Abraços.

    Mauricio

  22. Caro Maurício, peço encarecidamente que escreva uma missiva com o mesmo teor que aquelas destinadas aos presidentes do SP e do Corintians aos dirigentes do meu Botafogo, que até hoje não sabem o que fazer com o Engenhão, vide o último programa de sócio torcedor, lançado há pouco, que podemos caracterizar, no mínimo, de patético.

    Olá, Antonio. No ano passado alguns textos foram escritos aqui no blog fazendo comentários sobre o Engenhão e o que o Botafogo poderia fazer com ele. Realmente é um assunto interessante, que gera ainda mais controvérsia quando clássicos entre Botafogo e Flamengo são vetados no estádio por motivo de segurança…um tanto estranho, não acha?

    Quanto ao programa de sócio torcedor do Botafogo, vou procurar conhecê-lo para analisar, mas desde já agradeço pela sua dica. Os programas de sócio torcedor tem um potencial enorme, mas se mal elaborados – e há vários casos – podem representar um “tiro no pé”, entre outros motivos porque minam a credibilidade de quem os lança e administra.

    Um abraço e obrigado pelo comentário.

    Mauricio

  23. Caro Álvaro, também me pergunto sobre público e renda em jogos de clubes que adotam sistemas como o do SP, até pq a divulgação dos mesmos é exigida por lei. Morei um tempo na Argentina e lá eles não calculam, na verdade nem tem a preocupação de calcular, a renda e públuco de um jogo, em função dos esquemas de associação dos clubes, que preveem ingresso para o associado. Em se tratando dos principais clubes, pouquíssimos ingressos são vendidos em dias de jogo, somente aqueles que sobram após a distribuição de ingressos para os associados. Clubes como o Boca, por exemplo, possuem mais associados do que a capacidade do estádios, fazendo que, em dias d ejogo, só existam ingressos à venda por meio de cambistas. Enfim, não existem registros de média de público na Argentina.

  24. Maurício,

    os dois aspectos que mais me agradam no blog de vocês são justamente (1) a tentativa de sair do lugar comum e analisar o futebol através de uma outra visão, focada no “negócio futebol” e (2) o alto nível das participações de todos e o bom senso, pois senso crítico e paixão não são duas coisas excludentes. Uma pena que alguns dos nossos amigos torcedores não percebam isso. Acho que os míopes também são eles, hehe.

    Sou torcedor fanático do SPFC, mas concordo com a sua carta em muitos aspectos. Se o São Paulo é realmente tão de vanguarda como se diz, que faça um “bem maior” e realmente lidere a mudança de ares na administração dos clubes. É inacreditável que o Morumbi seja palco mais uma vez de um descaso tão grande com seu público, e que as diretorias tenham inflamado ainda mais essa rivalidade.
    Como você muito bem descreveu, não adianta “estar na vanguarda do atraso”, pois vivemos num mungo globalizado, com “marcas” globais, e portanto o time vizinho não é o único adversário. Enquanto tivermos essa “briga de cachorros magros pelos ossos” e esquecermos que temos que almejar o bife, continuaremos com um grande mercado interno (apesar do tratamento de gado nos estádios), mas com clubes que são apenas fortes localmente e consequentemente sem condições de brigar financeiramente (e esportivamente) com outros centros. Hoje perdemos jogares até para a periferia do futebol europeu.

    Faça uma pesquisa “top of mind” em qualquer centro europeu sobre quais times sul-americanos lhe vêm à cabeça, e tenho certeza que o Boca será o primeiro a ser lembrado. Não tenho certeza de que algum clube brasileiro estaria entre os 3 primeiros a serem lembrados. Quem sabe nem entre os 5. Temos que fortalecer o futebol brasileiro como um todo, e isso só será possível se os clubes liderarem esse movimento, pois se dependermos dos cartolas, bem, é melhor desistirmos.

    Um grande abraço

    Rodrigo, como eu disse em comentários anteriores, realmente não pretendo que todos concordem com minha opiniões. O que pretendo, e você captou muito bem, é fomentar uma discussão, esquecendo algumas premissas que parecem inquestionáveis. Mas, claro, discussão em um nível legal, como você demonstrou.

    Concordo com o que voce escreve e acho importante que torcedores apaixonados como você mostrem senso crítico. Isso em nada diminui sua torcida e seu envolvimento com seu clube, não é?

    Um abraço,

    Mauricio

  25. Mauricio e demais do blog,

    Já que aqui há espaço de discussões diferenciadas sobre o “negócio” futebol, queria sugerir uma matéria sobre os times brasileiros pensando no futuro deles numa perspectiva de médio e longo prazos. Neste sentido, analisar esse futuro possível/potencial sob a ótica de suas vantagens e desvantagens competitivas. Seria avaliado seu potencial futuro como negócio usando como parâmetros aspectos tais como histórico, cultura, políticas de gestão, localização geográfica (que interefe muito no potencial futuro), tamanho e perfil da torcida (ex: apesar do Santos ser a 7ª torcida, é a que mais cai e a que tem o perfil mais velho), potencial de consumo desta, infra estrutura, imagem de marca, etc.

    Analisando sob esta perspectiva certamente encontraremos clubes que hoje estão aquém de seu potencial e outros que estão além ou pelo menos maximizando mais que outros seus resultados.

    Abç

  26. Mauricio parabéns pelo seu comentário

    Agora eu deixo o meu ponto de vista em relação ao SPFC e SCCP
    Acredito que de uma forma atrasada o SCCP voltará a crescer ao nível do SPFC, principalmente depois desse rompimento com o SPFC, obrigará o SCCP a encontrar seu caminho e andar com suas próprias pernas.
    A diretoria do SPFC é sábia, já tem informações que mais cedo ou mais tarde o SCCP se mobiliza para construção de seu estádio e já estão também procurando novos caminhos para sustentação do Morumbí.
    A única coisa “chata” é ver duas diretorias brigando por mídia, isso acaba com o futebol e gera violência.
    Agora nenhum reinado é eterno (tudo acaba), tivemos vários exemplos no mundo e no futebol também…

    Um gde abraço

  27. “Chega de estar na vanguarda do atraso.”

    Por isso que esse espaço é diferenciado, pois há lucidez nos comentários.

    Ainda acho que você foi brando ao falar do AS, pois ele está até o pescoço envolvido em episódios que no minímo causariam estranhesa pela a falta de honestidade.

  28. Uma pequena observação.

    O São Paulo fez o muro na rampa de acesso, com a anuência e orientação da Polícia Militar. Não foi obra pensada pelos gestores são-paulinos, simplesmente.

    E a exemplo de outros leitores, também percebi que você foi mais condescendente com o Andrés. Com ou sem intenção, mas foi!

    []’s.

  29. De tudo que aconteceu nesse jogo, a única certeza é, o Corinthians não fará falta$$$ no balanço do SP, pois, a renda do jogo foi de mais de 1 milhão.

    Mas todo freguês é bem-vindo.

  30. Boa tarde so a mãe de um menino que tem um sonho de ser jogador do corintias ele tem 15 anos, um menino educado e esforçado pra estudar e jogar bola, ele tem sonho de ser jogador , eu gostaria que vocêis pudesse ajudar este menino a realizar seu sonho, ele treina bastante e joga em um time aqui em Piracicaba. Ele ja feiz varios testes, mais o sonho dele é de jogar no corintias ,por ele ser um filho amoroso e também tem diciplina pela sua força de vontade esto pedindo carecidamente ajuda para que vocêis posso vim velo ,e poder dar uma opurtunidade agradeço des de ja obrigado pela sua atenção

  31. ola mauricio tudo bem, concordo plenamente que o Sao Paulo necessita de um departamento de marketing com profissionais qualificados. O Morumbi esta longe de ser um estádio padrão fifa, para mim o certo era demolir e reconstruir novamente, o que é obviamente inviável. Para a realidade nossa aqui nos trópicos o São Paulo faz milagres. Discordo com todo respeito a tese da alegoria de cego de um olho. O São Paulo é número 1 no quesito administração. Desconfigurar essa realidade é dar soco em ponta de prego e dizer que não dói. Observe o CT de cotia fantástico. Quanto aos títulos que o Sr.citou parmalat e parceria corintiana não deveria nem ser citado pois foi uma comparação infeliz, foram títulos efemeros e passageiros, o São Paulo constrói títulos consistentes e permantens como o tri-campeonato recente e sem parceria. Gostaria democraticamente que o Sr. revesse alguns comentários que parecem sem lógica e transparece uma questão pessoal com o São Paulo. Não sou São Paulino, mas contra fatos não há argumentos. O São Paulo é e será sempre um exemplo. E para corrobar meu comentário o ex-jogador Careca foi profícuo em dizer: ”
    o São Paulo é o único clube com padrão europeu de administração. Morou por muitos anos na europa e sabe do que esta falando. E fora outros jogadores e jornalistas especializados que compactuam da mesma opinião. Tudo de bom e concordo com a provocação do debate respeitoso.


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