Publicado por: João Carlos Assumpção | 31/janeiro/2009

Futebol e Literatura

Para quem gosta de livros de esporte e particularmente de futebol, em Londres há livrarias especializadas no assunto. A gente acaba ficando horas escolhendo o que comprar. Há muita coisa interessante.

Um dos livros que adquiri lá nos anos 90 e depois, creio, foi traduzido para o português é “Dynamo: Defending the Honour of Kiev” (“Dínamo: Defendendo a Honra de Kiev”, de Andy Dougan), que conta a epopeia de um amistoso entre jogadores daquela que até o início da Segunda Guerra Mundial, em 1939, era a mais forte equipe europeia, e um time de oficiais nazistas. O jogo de Kiev, a capital ucraniana ocupada pelas tropas alemãs, é emocionante e ganhou as telas do cinema do leste europeu.

Futebol - Alex Bellos

Dois de que mais gosto são “Futebol: The Brazilian Way of Life” (“Futebol: O Modo de Vida Brasileiro” – tradução minha -, de Alex Bellos), disponível em português, e “Como o Futebol Explica o Mundo – Um Olhar Inesperado sobre a Globalização”, de Franklin Foer.

O primeiro considero o mais interessante de todos. O autor é um escocês que foi correspondente do “The Guardian” no Rio e entendeu bem o espírito do futebol brasileiro e ainda me passou várias pautas que não aproveitou na obra. O segundo é do irmão de Jonathan Foer, autor de “Extremamente Alto, Incrivelmente Perto”, um dos grandes livros depois do 11 de Setembro. Tive, aliás, o privilégio de colaborar com os dois autores, Bellos e Foer, quando estiveram escrevendo e pesquisando no Brasil.

Para quem gosta de histórias do futebol, Roberto Assaf tem vários livros de consulta, mas para quem se interessa por administração esportiva, que é o caso de diversos leitores deste blog, tenho uma pequena lista:

  • “A Bola da Vez: O Marketing Esportivo como Estratégia de Sucesso”, de Antonio Afif;
  • “A Grande Jogada: Teoria e Prática do Marketing Esportivo”, de Luís Fernando Pozzi, um dos primeiros livros sobre o assunto publicado no Brasil, ainda em 1998, pela editora Globo;
  • “The Economics of Football”, de Stephen Dobson e John Goddard, da Universidade de Cambridge, uma análise econômica do futebol;
  • “Futebol S/A: A Economia em Campo”, de Anderson Gurgel, pela editora Saraiva, livro com o qual colaborei contando como a Folha de S.Paulo começou a se interessar pela economia do esporte;
  • “A Metamorfose do Futebol”, de Marcelo Weishaupt Proni, sobre o processo de modernização do futebol brasileiro;
  • “Anjos Brancos – Entre o céu e o inferno – Os bastidores do Real Madrid”, de John Carlin, que trata do novo estágio do chamado futebol contemporâneo e globalizado, partindo da trajetória recente de um dos principais times do cenário europeu.

Cada um desses livros traz, no final, a indicação de uma série de artigos, publicações e livros que foram usados como referência e que podem ser úteis para quem quiser se aprofundar no assunto.

Mas há outros que não podem ser esquecidos, como “Goleiros – Heróis e Anti-Heróis da Camisa 1”, do jornalista Paulo Guilherme, “Nunca Houve um Homem como Heleno”, de Marcos Eduardo Neves, sobre a bela e triste história do grande Heleno de Freitas, “O Negro no Futebol Brasileiro”, de Mário Filho, “Futebol ao Sol e à Sombra”, do uruguaio Eduardo Galeano, e “22 Contistas em Campo”, de Flávio Moreira da Costa.

Há mais, muito mais. Qualquer texto de Nelson Rodrigues merece ser lido e relido. Quem frequenta a Feira de Livros de Porto Alegre irá encontrar várias opções, opções boas, opções ruins. Há aqueles que tratam da guerra entre as marcas esportivas, os que mostram a corrupção no esporte, livros indispensáveis para quem quer conhecer um pouco dos bastidores do mundo da bola.

Deuses da Bola

Em 1998 acabei me aventurando na área, escrevendo, com Eugenio Goussinsky, um dos jornalistas que mais entendem de futebol neste país, o livro “Deuses da Bola: Histórias da Seleção Brasileira de Futebol”, que irá ganhar uma nova versão no final do ano, início de 2010, por conta da Copa da África do Sul que se aproxima.

E escrevi “Coritiba Foot Ball Club: Emoção Alviverde”, em 2000, também em co-autoria com Eugenio Goussinsky, livro sobre os 90 anos da história do clube paranaense, que está para comemorar seu centenário.

Amei a experiência e espero repeti-la. Adoro escrever sobre esporte e futebol.

Mas você tem que ter “timing” para lançar sua obra. Carlos Alberto Parreira, por exemplo, não deu sorte. Lançou “Formando Equipes Vencedoras” pouco antes da Copa de 2006, quando o Brasil acabou sendo um fiasco. Se bem que, pensando bem, melhor ter lançado antes do que depois. Se lançasse depois, aí sim seria total motivo de chacota… É, futebol não é mole, não.

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Responses

  1. Dos livros de corrupção, um que eu indico é o Como eles roubaram o Jogo, o autor é David Yallop. Fala sobre as sujeiras fora do campo principalmente da Fifa.

  2. Tem mais um autor inglês que escreve sobre esse assunto da corrupção, se alguém souber o nome me ajude. Escreveu um livro sobre futebol e um sobre o Samaranch, que foi presidente do COI.

  3. Assumpção, obrigado pelas dicas. Vou tentar comprar o Futebol S/A. O Antonio Affi tem um outro livro mais antigo sobre marketing esportivo, Futebol 100% Profissional, ele trabalhou com o Brunoro. O A Bola da Vez eu tenho e é melhor.
    O do Alex Bellos e o Deuses da Bola, que é seu, eu li e gostei. Vocês devem mesmo atualizar o livro porque tem muita história pra contar sobre a seleção e a CBF de 1998 pra cá, ainda mais você que esteve em várias Copas.
    Aguardo o Robert e o Amir passarem mais dicas de leitura, principalmente de administração esportiva. O Frigério também deve ter uma lista grande e escolher os principais do curso dele na Fifa.
    Continuem com essa interação com os leitores. Bom sábado pra vocês.

  4. Quem escreveu o livro sobre o COI e acusa Samaranch de fascista é o jornalista Andrew Jennings. Ele se especializou nos bastidores e nas histórias dos porões do Comitê Olímpico Internacional.

  5. Na biblioteca da EAESP (a FGV-SP) vocês podem encontrar muitos estudos e trabalhos sobre administração esportiva. Muitas teses de mestrado e até doutorado. Abs. Paulo

  6. Acho que era esse mesmo o nome do jornalista. Tem também o livro sobre o Havelange, que é de um brasileiro que tenta defendê-lo, mas não consegue. Acho que o nome é Jogo Duro. Não confundam com Jogo Sujo. Tem outro sobre a Copa de 1954, do Armando Nogueira, do Jô Soares e de mais um terceiro autor. O filme sobre a Batalha de Berna também recomendo.

  7. Obrigado pelos comentários de vocês todos. Em relação ao Andrew Jennings, jornalista que tive a oportunidade de conhecer nos Jogos de 2000 e se mostrou uma figuraça, ele cobriu, de fato, um bocado o Comitê Olímpico Internacional. Escreveu “The Lord of the Rings”, com Vyv Simson, depois “The New Lord of the Rings” e “The Great Olympic Swindle _When the World Wantes its Games Back”. Não sei qual deles tem tradução em português, o primeiro imagino que sim. Abs. a todos, João Carlos

  8. Parabenizando inicialmente o autor pelo texto e aos demais amigos pelos comentários, venho acrescentar apenas a lista um antigo livro, um clássico do João Saldanha, chamado “OS SUBTERRÁNEOS DO FUTEBOL”, de leitura muito gostosa que conta em caítulos independentes v´rias histórias acontecidas com o Botafogo e a Seleção Brasileira; imperdível.

  9. Oi Luiz Claudio, tem razão, o livro do Saldanha, uma figura que só conheci pela tv, mas era sensacional, é simplesmente imperdível. Valeu pelo toque.
    E me lembrei de outro de que não gosto, mas muitos interessados pelo futebol inglês gostaram. É do Nick Hornby, acho que se chama “Febre de Bola” ou qualquer coisa assim. Do Hornby, prefiro outros, que não têm ligação com futebol, como “O Grande Garoto” (também acho que era esse o nome, virou até filme), “A Long Way Down” e “How to be Good”, um livro que faz a gente pensar sobre o que é e o que não é generosidade, sobre a história de dar o peixe e do ensinar a pescar. Obrigado pelo comentário mais uma vez, João Carlos

  10. Escutei você agora na Jovem Pan. Elogiou a matéria da Veja, né? Também achei legal. Mas senti que você defende mais liberdade para os jogadores, que eles têm direito de fazer o que quiserem na folga, o Flávio Prado não concordou, né? Não dá uma outra boa discussão pra vocês? André

  11. Também te escutei na Pan. Sou sua fã. Tenho adorado seus textos e hoje decidi escrever. Suas indicações de livro são ótimas. Não sabia do seu projeto e das viagens que você vai fazer para o exterior, você tem tudo para ser um grande escritor, boa sorte. Escutei também na Cultura sobre seu projeto, não sabia que era o único brasileiro contemplado. Vi que são cinco sul-americanos. Vou sentir muito sua falta no Tá na Área. Você e o Marcelo Barreto formavam uma ótima dupla. Um brincava sempre com o outro. Vocês são amigos fora do ar? Você passa uma energia muito alto astral pra quem te acompanha _ou acompanhava_ na TV. Parabéns. Continue sendo você. Farei questão de ler seu livro e ir na noite de autógrafos. Bjs. Adriana Werner, neurologista, fã de futebol e torcedora do Timão.

  12. Obrigado pelos comentários, especialmente os da Adriana. Não é sempre que a gente recebe elogios. Sobre o Marcelo Barreto, sou amigo dele, sim. É uma das pessoas mais geniais e incríveis que conheci. No ar, e o que é mais importante, fora do ar também.
    Quanto ao comentário do André, dá discussão, sim. O Flávio Prado acha que numa noitada o jogador pode colocar em risco a marca e o clube que ele representa e isso é ruim. Eu ainda acho que folga é folga. Claro que para tudo há limites, mas quem sou eu para criticar a vida pessoal de alguém?

  13. Assumpção, o livro do Andy Dougan ao qual você se refere se chama, em português, Futebol & Guerra. Recentemente o recebi de aniversário e o devorei. É genial, e a história do Dínamo de Kiev/Start é emocionante.

  14. Oi TBZN. É sensacional mesmo o relato da partida e de seus bastidores e obrigado por nos passar o nome em português.
    Se alguém tiver mais alguma dica, pode colocar aqui. Um livro muito interessante que estou procurando na minha biblioteca para indicar a vocês é de um australiano que decide se dopar. Ele conta tudo, inclusive como escapava ileso dos exames antidoping. Mas só tem em inglês.
    O Dick Pound, que presidiu a agência mundial antidoping, escreveu o livro “Inbside The Olympics”, talvez tenha em português. Trata não só de doping, também da evolução do COI como uma empresa e da comercialização dos jogos, embora seja, claro, uma visão oficialesca, digamos assim.
    E o último livro do Jennings que citei tem, como subtítulo, “When the World Wanted its Game Back”, havia cometido (eu) um erro de digitação, peço desculpas (“Quando o Mundo Quis os Jogos de Volta”). Abs. a todos e obrigado pelos comentários mais uma vez, João

  15. Caros amigos, bem mais pragmático que as discussões que este post gerou, seguem algumas recomendações de literatura voltadas à administração do esporte com viés de mercado :

    AIDAR, ANTÔNIO CARLOS K.; LEONCINI, MARVIO PEREIRA; OLIVEIRA JOÃO JOSÉ; A nova gestão do Futebol, Rio de Janeiro-RJ – Editora FGV; 2002.

    Comentário : livro nacional, escrito sob nossa realidade por professores da FGV, muito interessante sob aspecto histórico da evolução das receitas do futebol.

    GIULIANOTTI, RICHARD; Sociologia do Futebol, São Paulo-SP, Nova Alexandria, 2002.

    Comentário : excelente leitura para exploração de conceitos preliminares da sociologia aplicada ao esporte, conta todo o percurso da transformação do futebol inglês no que é hoje; tem um capítulo sobre o Brasil e a Argentina que, a meu ver, ficou devendo.

    SILVA, SILVIO RICARDO; A construção Social da Paixão no Futebol. IN: DAOLIO, J. (organizador); FUTEBOL, Cultura e Sociedade, Campinas,SP; Autores associados, 2005.

    Comentário : este é um texto do livro cujo nome vem depois do IN…este livro é composto de artigos feitos por um pessoal bacana da UNICAMP, leitura boa, sem complicações, perfeito para entender as implicações sociológicas do nosso futebol.
    MORGAN JOHNSON, MELISSA; SUMMERS, JANE; Marketing esportivo, São Paulo-SP, Thomson Learning, 2008.

    LOVELOCK, CHRISTOPHER; WIRTZ, JOCHEN; Marketing de Serviços-Pessoas, Tecnologias e Resultados 5.a ed., São Paulo-SP, Pearson Prentice Hall, 2006.

    SHILBURY, DAVID; QUICK,SHAYNE; WESTERBACK, HANS; Strategic Sport Marketing 2nd. Edition; Sidney-Austrália; Crows Nest, Allen & Unwin., 2003.

    Comentários : estes três títulos acima são leitura obrigatória para quem quer entender conceitos de marketing e sua aplicação no mundo dos serviços e do esporte, dos três, o do Shilbury é o melhor; é o meu livro de cabeceira de marketing aplicado ao esporte, infelizmente não tem em português, os dois outros estão bem traduzidos.

    Por hora é isso, quem quiser mais recomendações é só entrar em contato.

    Abraços a todos,

    Robert

  16. Amigos,

    Aproveito o post sobre Futebol e Literatura para indicar um livro apenas lançado em inglês.

    O título é Marketing & Football: An International Perspective, lançado em Londres em 2006.

    É um título único no mundo, pois conta com a participação de diferentes autores analisando o mercado do futebol em países desenvolvidos e em desenvolvimento.

    Fui o responsável pelo capítulo sobre os negócios no futebol brasileiro.

    Para mais informações: http://www.amazon.com/Marketing-Football-international-perspective-Sports/dp/0750682043/ref=sr_1_1?ie=UTF8&s=books&qid=1233584174&sr=8-1

    Um abraço.

    Amir

  17. Agradeço ao João Carlos pelas sugestões de leituras. Aproveitando a onda das sugestões, farei uma que é boa por dois pontos de vista – pelo bom conteúdo e por ser de graça!

    KOTLER, Philip; SHIELDS, Ben; REIN, Irving. Marketing Esportivo: A reinvenção do esporte na busca de torcedores. Bookman Companhia. 1ª edição, 2007, 360p.

    Existem vários trechos da versão em inglês do livro disponíveis na biblioteca virtual de livros do Google. O link segue abaixo:

    http://books.google.com.br/books?id=oF4eFfbFxYcC&printsec=frontcover#PPP1,M1

  18. Para quem gosta de marketing esportivo como um todo, o livro “marketing esportivo” da Melissa Johnson Morgan e Jane Summers – Saraiva, 2008. Gostei muito deste livro que foi escrito por duas australianas que produzem (ou o tradutor) uma linguagem fácil de ser compreendida. Este livro foi muito utilizado por mim em meu TCC. Recomendo para todos vocês.

    Abraços!

  19. Oi João! Sou Flamenguista( graças a Deus), como o Assaf, que conheço de outras épocas… Recomendo os livros dele, que mesmo que sejam bastante informativos e até estatísticos, por isso mesmo são notórios.

    Seguinte; meu filho Lucas ( 5 anos e 9 faixas de campeão, coisa que muito coroa não tem… rs), está fissurado em conhecer as camisas e escudos de tudo que é time! Por coincidência, no Mercado Livre achei ” A História das camisas dos 12 maiores times do Brasil” e ” Escudos de todos os times do Mundo”, ambos do Rodolfo Rodrigues, sendo que o primeiro feito com o Paulo Villena Gini.

    Para um moleque de 5 anos tá sensacional! Mas voce sabe onde eu os acharia, aqui no Rio de Janeiro? É da editora Panda Books. Faz esse favor. Quem sabe o Assaf, que é daqui, não dá uma dica?

    Aguardo e valeu. Diz pro Assaf que o pessoal do Santo Inácio e do Clipper, mandou abs.

    tom

  20. Opa, gostaria de te convidar para participar de uma rede de conteúdo, se tiver interesse me adiciona no msn smatosjr@gmail.com ou me manda um email. Abraços Junior


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