Publicado por: Amir Somoggi | 26/janeiro/2009

Política e os negócios

Um dos assuntos mais polêmicos quando se fala em gestão de clubes de futebol é a questão política para a definição do futuro administrativo dos clubes brasileiros. Hoje teremos eleições para a escolha do novo presidente do Palmeiras e no mês que vem teremos eleições no Corinthians, apenas para citar dois casos.

Esse ambiente político é uma realidade em grande parte dos clubes tradicionais do Brasil e em muitos casos, independente do clube, dependendo da vitória nas urnas, pode haver uma mudança no ambiente de negócios dos clubes. Esse é um assunto que deveria ser abordado com mais frequência pelos veículos de comunicação do Brasil.

Aqui no Futebol & Negócio todos defendem uma posição firme da necessidade de profissionalização da gestão de nossos clubes, transformando a gestão clubística em uma administração corporativa.Entretanto como implementar essa mudança profunda, se periodicamente os clubes passam por embates políticos para a mudança de presidente?

Traçando um paralelo com as empresas (mesmo que seja difícil), quando o Conselho de Administração decide substituir o presidente da companhia, a estrutura dos negócios e o baixo e médio escalão da empresa são mantidos. Será que isso é possível no futebol?

Um exemplo recente foi o caso do Atlético-MG, que com a eleição de seu atual presidente acabou com o departamento de marketing, que vinha apresentando resultados bastante positivos.

Sempre defendemos aqui a necessidade de instituir um planejamento de longo prazo para a gestão dos clubes brasileiros, mas como fazer isso se a cada dois ou três anos muitos clubes passam por confrontos políticos.

Vocês acreditam que um dia os clubes brasileiros terão uma estrutura gerencial madura, para que os conflitos políticos não interfiram na gestão das entidades?


Responses

  1. Isso é muito complicado.

    Eu não gosto de ver os times perderem tempo com essas brigas políticas.

    Mas acho que não tem que acabar de uma hora pra outra. Se houver ainda política dentro do clube, prefiro que tenha uma oposição construtiva e não destrutiva como existe na maioria dos casos.

    Veja o São Paulo F.C, possuem uma estrutura política boa e que não interfere no planejamento do clube. Lá a administração amadureceu e os conselheiros adotaram isso. Resta a maioria fazer o mesmo. Só assim, eu acreditarei que os conflitos não serão uma oposição ao clube.

    Amir, o que vc acha do Professor Belluzzo ser presidente da SEP?
    Eu acredito que será um divisor de águas tanto no Palmeiras qto para o futebol brasileiro se ele fazer pelo menos 50% do que prometeu.

    Abs

    Olá Ricardo,

    Realmente não é fácil mudar esse modelo atual.

    No caso do SPFC temos que destacar que há muito tempo o mesmo grupo está no poder, o que facilita a manutenção dos projetos.

    Na minha visão a situação e a oposição deveriam ter em mente que mudanças políticas não devem influenciar a gestão de longo prazo dos clubes, mas isso parece utópico atualmente.

    Realmente o Beluzzo é um intelectual de primeira linha e tem idéias muito próximas as que defendo, na questão da profissionalização do clube. Entretanto não considero esse modelo atual de parcerias o caminho para o fortalecimento econômico do clube.

    Nesse aspecto penso bem diferente dele.

    Um abraço.

    Amir

  2. Olha, falarei pelo que vejo no Corinthians.

    Acho muito complicado este tema, pois as eleições em clubes de futebol envolvem aspectos de natureza distinta. De um lado, institutos como a democracia, eleições, voto direto, clube de massa, transparência, etc etc etc. De outro, um caráter extremamente relacionado à gestão de empresas e grandes multinacionais, que envolve muito dinheiro, marketing, contratos, estádio, marca, produtos, etc.

    Combinar os dois fatores é complicadíssimo.
    Mas eu acredito que dependa mais da moralização da política e da boa vontade. Os grandes brasileiros estão entendendo melhor agora a importância de contar com um clube bem administrado e profissionalizado.

    No caso do Timão, acho que viemos de uma era de poucas mudanças políticas, já que tivemos o Dualib por quase 15 anos no poder. Mas o novo cenário que se desenha parece seguir rumo a uma competição saudável entre os concorrentes.
    Conversei com alguns integrantes da oposição e eles garantem que, caso ganhem, haverá continuidade daquilo que consideram benéfico para o clube.

    Acho que merece destaque o fato de o Corinthians ser um clube democrático e, teoricamente, transparente. Com um estatuto atualizado e aceito em Assembléia Geral. Coisa que não existe nem no Palmeiras, nem no São Paulo.

  3. Ah, importante mesmo esse pensamento de projetos de longo prazo. Acredito que o Corinthians ainda esteja começando a entender isso.

    Apesar de ter um bom planejamento de médio-prazo, como o do centenario.

    Olá Yule,

    Realmente o Corinthians deu um importante passo quando aprovou seu novo estatuto e criou eleições diretas para presidente.

    A questão levantada por você em seu comentário é correta, já que de um lado os clubes vivem disputas políticas no clube social e de outro têm que gerenciar um négócio milionário.

    Por isso é importante um corpo gerencial antenado com os objetivos de longo prazo do clube, que não fique refém das disputas políticas.

    Fico feliz que a atual oposição do Corinthians pense assim, esse é o caminho.

    Com relação aos clubes que perpetuam no poder presidentes ou grupos, não há desculpa para implementarem um projeto concreto de profissionalização da gestão.

    Um abraço.

    Amir

  4. Amir, será que esse papel de “corpo gerencial antenado com os objetivos de longo prazo do clube, que não fique refém das disputas políticas” não seja do Conselho Deliberativo?

    Será que há como profissionalizar o Conselho?

    Não consigo enxergar o melhor caminho. Porque profissionalizar a Diretoria é importante, mas não impede quebra na continuidade, certo?

    Obrigada pela atenção sempre!

    Olá Yule,

    O Conselho Deliberativo deveria funcionar como o Conselho de Administração das empresas, fiscalizando e definindo as diretrizes da administração do clube.

    A profissionalização deve ser criada para as gerências e diretorias, que são responsáveis pela execução dos projetos.

    E vou além, essas gerências devem ser formadas por profissionais qualificados e sem time de coração. Se o melhor executivo de marketing por exemplo, do mercado é Palmeirense, por que não ser disputado por Corinthians, Santos ou SPFC?

    Um abraço.

    Amir

  5. O Amir, com seu senso crítico e visão profissional, aborda um dos mais fundamentais paradigmas a ser quebrado ou um dos maiores obstáculos à profissionalização.

    Vejo como difícil a transformação, concordo que a profissionalização deva se dar até no nível de diretoria, uso a justificativa do Amir na íntegra.

    Lembro que o Corinthians já teve um médico diretor de marketing, neste caso, se alguém precisar de uma cirurgia é só me ligar que eu opero….quem se arrisca?? Além disso, a lamentável decisão do presidente do Atlético-MG.

    Cargo = resultado (financeiro e operacional), nada além disso, sim, a vida é dura mesmo.

    Os clubes precisam de estruturada visão empresarial e de longo prazo…e sim, eu contrataria um gerente de marketing torcedor de qualquer clube, já cruzei essa ponte faz tempo.

    Abraços,

    Robert

    Olá Robert,

    Realmente minha idéia é trazer esse assunto aqui para o blog, pois sem dúvida é um dos obstáculos mais difíceis a serem superados pelo futebol brasileiro.

    Quanto a contratação de executivos, independentemente do clube de coração, acredito que ainda vai demorar um pouco para ocorrer, principalmente nos clubes aqui de SP.

    Um abraço.

    Amir

  6. Olá Amir,

    Qual sua visão sobre conselhos deliberativos com cerca de 300 participantes? Um conselho mais enxuto seria melhor para orientar/fiscalizar a diretoria executiva?
    Vejo na maioria dos clubes conselhos preenchidos por inúmeras pessoas apenas por interesse político e que rezam o “Amém” pra qualquer decisão, aprovação de contas, orçamentos, etc. São instituições “fantasmas”, já que não demonstram nenhum motivo para sua existência (a não ser dizer “Amém”, lógico!).

    Aproveitando o assunto também citado, ano passado o departamento de marketing do cruzeiro, um dos mais organizados do país atualmente, anunciou algumas vagas para profissionais. Uma das exigências: ser cruzeirense.

    Abraços.

    Olá Vitor,

    Realmente o modelo atual do Conselho Deliberativo não ajuda a mudar a realidade. Como você bem citou em geral são formados por conselheiros antigos que somente dizem amém para a direção.

    Uma idéia seria o clube criar um Conselho de Administração somente composto por conselheiros qualificados e com formação em diferentes áreas de negócio e que não tivessem interesses políticos/econômicos no clube. Seria como um conselho consultivo que ajudaria o clube a definir o seu futuro.

    O problema mais grave do modelo atual é que o Conselho Deliberativo tem muitos vícios e é composto (em geral) por sócios muito antigos e com pouca visão administrativa. (Quem já assisitu uma aprovação das contas de um clube sabe do que eu estou falando).

    Sobre o Cruzeiro, lembro disso e é ridículo. O clube realmente tem uma estrutura de marketing invejável, mas com essa mentalidade não contribui em nada com a profissionalização do clube e de nosso futebol.

    Por que não fazem o mesmo com os jogadores que serão contratados?

    Um abraço.

    Amir

  7. Amir

    Permita-me uma pergunta que não tem a ver com futebol, você não acha que por mais que tenham razão e de fato tem, o pessoal da ginástica devia chorar menos, pois quando vencem uma competição aparecem chorando, quando perdem ou passam por problemas administrativos aparecem também chorando, a imagem que temos destes ótimos esportistas é de choro. Mesmo não sendo um esporte popular eles possuem um bom relacionamento com a grande mídia inclusive com a Globo, podiam aproveitar isto melhor, o que você acha de eles se unirem e procurarem um bom profissional de marketing para reverter esta situação. Será que não esta na hora de romperem com os dirigentes e procurar alguém melhor preparado para orientá-los?

    Um abraço
    Roberto Carlos

    Olá Roberto,

    Você está correto, essa imagem não valoriza em nada a ginástica brasileira.

    Assisiti uma matéria na ESPN falando sobre a gestão da CBG e creio que o choro dos atletas quando perdem uma medalha está diretamente relacionado a atual gestão da entidade. Não seria justo acreditar que somente os atletas são responsáveis por isso.

    Sobre o caso do Flamengo acredito que há um erro na avaliação da mídia sobre o assunto. O Flamengo tomou uma atitude, que para muitos é absurda, mas e outros clubes que nem investimento em esportes olímpicos têm?

    Li que o consultor João Henrique Areias tocará os projetos olímpicos dos clube. Espero que com isso novas empresas possam chegar e viabilizar a permanência dos atletas.

    O problema dos esportes olímpicos no Brasil é que a gestão das Confederações e Federações é uma piada, sempre implorando ajuda do Governo.

    Veja o caso da entidade máxima dos esportes olímpicos do país…

    Um abraço.

    Amir

  8. Olá Amir… Um Abraço!!!

    Acredito que antes de qualquer mudança na administração / gestão do clube o estatuto deva ser alterado. Corrija-me se eu estiver errado, mais acredito que só assim, atenua-se o problema, mesmo com esse rodízio constante de dirigentes na administração, o processo / planejamento de gestão, talvez não se se interrompe.

    Sou totalmente a favor de uma gestão aos moldes do setor privado, enxugar os conselhos, que na maioria encontra-se com um excessivo número de conselheiros, que não somam nada de positivo ao clube.
    Nesse momento que escrevo essas linhas o Sr. Luiz Gonzaga Belluzzo conquista a vitória nas eleições para o pleito de presidente do Palmeiras.
    Gostaria que você comentasse sua expectativa sobre o quê esperar da administração Belluzzo, frente à Sociedade Esportiva Palmeiras…!!!

    Obrigado!!!

    Olá Carlos,

    Acredito que o Beluzzo possa instituir uma gestão mais moderna no clube, já que pretende contratar gerentes para tocar o dia a dia do clube, etre outras idéias apresentadas na campanha.

    Como comentei com o Ricardo, o que me incomoda na gestão do Palmeiras é o excesso de parcerias, que no curto prazo acaba trazendo frutos para o clube, mas que não geram valor para a entidade em uma perspectiva de dois ou três anos.

    Um abraço.

    Amir

  9. Mudando um pouco de assunto, há pouco tempo ouvi que o São Paulo FC não contratará mais nenhuma empresa para fazer a venda de seus ingressos no Morumbi. Gostaria de saber mais sobre essa informação, se é que alguém sabe. Gostaria também de saber a opinião de todos com essa mudança. Vocês acham benéfica?

    Abraço a todos!!!

    Olá Diego,

    Vou tentar descobrir algo sobre o assunto.

    Um abraço.

    Amir

  10. Nossa muito bom esse post,

    Eu tenho curiosidade em saber porque o modelo Americano não parece funcionar aqui?
    Quero dizer Donos do time/clube.

    Gostaria de acrescentar que é por esse motivo que as federações tambem não funcionam direito, muita disputa politica e com o agravante de ninguem torcer pro time da federação. rs

    Olá Roberto,

    Obrigado pelo elogio.

    Realmente a sua pergunta é bastante oportuna, visto que com donos não há como processos políticos interferirem na gestão dos clubes.

    O problema é o modelo de gestão praticado em cada país. Nas Ligas Americanas o modelo de franquia é o padrão, fazendo com que a qualquer momento um proprietário venda o time.

    No Brasil isso é inviável com os clubes tradicionais, visto que é impossível alguém vender um Flamengo, SPFC ou Corinthians… Por isso surgiram as parcerias por tempo determinado e que devem ser aprovados pelos sócios desses clubes.

    Diferente do ocorrido na Europa, em que os clubes-empresa são uma realidade, mesmo em clubes tradicionais.

    No Brasil começam a surgir os clubes novos, empresas de um ou mais donos, mas que provavelmente nunca atinjam o patamar dos clubes tradicionais.

    Um abraço.

    Amir

  11. Olá Amir,

    creio eu que para que haja uma mudança nas diretrizes políticas dos clubes, na realidade do futebol brasileiro, seria necessário primeiramente um projeto que assegurasse a sáude financeira dos clubes. Explico o porquê acho isto.

    Com os clubes tendo potencial financeiro para girar o seu negócio, acredito que passarão a se tornar cada vez mais independentes em relação a prisão de favores e acordos nas negociadas com as confederações e federações de futebol.

    Quando vários clubes atingirem tal independência, eles poderão se desprender da politicagem com, por exemplo, a CBF e até instituirem uma liga nacional de futebol nos moldes da Premier League.

    Acho que hoje, muitos dirigentes dos clubes bajulam, ou tem negócios obscuros ou são beneficiados por favores dos dirigentes de federações para conseguirem apoio político e instalam uma certa instabilidade nas agremiações.

    Com a independência, haverá um maior espaço para que se consiga montar essa estrutura administrativa conhecida das corporações, onde o presidente está lá pelo potencial do teu trabalho e o perderá caso não consiga cumprir com os seus objetivos.

    Você concorda com isto em algum termo?

    Olá Diego,

    Concordo com você. O fortalecimento econômico dos clubes é a única saída para que a gestão torne-se mais independente e livre de vícios.

    Mas mesmo um clube forte financeiramente, ainda estará dependente dos acordos políticos, tanto interna como externamente.

    O caminho ao meu ver é buscar uma aliança com os diferentes grupos que disputam o poder, a fim de que independente do processo político, a gestão siga um rumo bem definido.

    Um abraço.

    Amir


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