Publicado por: Amir Somoggi | 3/outubro/2008

Elitização do público nos estádios

A CBF disponibilizou em seu site os borderôs das 4 partidas realizadas no Brasil referentes às Eliminatórias para a Copa de 2010. Fazendo uma análise sobre os dados apresentados pode-se concluir que poucos jogos de futebol no Brasil são tão rentáveis como os da Seleção Brasileira.As partidas contra Equador no Maracanã, Uruguai no Morumbi, Argentina no Mineirão e Bolívia no Engenhão geraram um total de R$ 16,5 milhões em ingressos vendidos, que após as deduções sobre a receita bruta, produziram para a CBF R$ 12,2 milhões em recursos líquidos.

 

 

Apenas como comparação o clube brasileiro que mais receitas com bilheteria gerou em 2007 em todas as competições que disputou foi o Flamengo com pouco mais de R$ 14 milhões em receitas líquidas com seus jogos. Portanto pode-se concluir que com esforços de marketing para transformar os jogos em atividades de entretenimento, principalmente na venda de ingressos premium, clubes brasileiros poderiam tranqüilamente gerar mais de R$ 25 milhões, podendo superar até os R$ 35 milhões em receitas líquidas com seus jogos por ano. 

 

Receitas por Jogo – Eliminatórias Copa de 2010 no Brasil

 

 

Os dados apresentados pela CBF comprovam que o torcedor brasileiro está disposto a pagar altos valores para assistir a grandes jogos, com a presença de grandes ídolos em campo e que não despertem desconfiança quanto a segurança para a sua família. A média de público dos 4 confrontos atingiu 56,5 mil torcedores e a receita líquida média por partida foi de mais de R$ 3 milhões, o que representa um ticket médio líquido de R$ 54 por torcedor. Os jogos da Seleção apresentaram um ticket médio bruto de R$ 73, superior ao registrado nas Ligas de 1ª divisão da Itália, Alemanha e França e apenas 16% inferior ao ticket médio da Liga Espanhola.

 

 

Preço Médio dos Ingressos Vendidos– Eliminatórias Copa de 2010 no Brasil

 

 

Para atingir esse resultado, os jogos do Brasil atraem aos estádios os torcedores das classes A e B, tradicionalmente afastados dos jogos de seus clubes. Essa estratégia de elitização do público que vai aos estádios é uma realidade na Europa e deveria ser estudada e adotada no futebol brasileiro. Os jogos da Seleção Brasileira demonstram que há espaço para oferecer melhores condições de serviços para os torcedores nos nossos estádios, mas os clubes precisam compreender a importância desses projetos para o seu negócio.

 

Na Inglaterra segundo dados publicados pela Premier League na temporada 2007-08 as classes A, B e C1 representaram 75% do publico nos estádios e um outro dado interessante sobre o futebol inglês é que a renda média do torcedor que freqüenta os jogos da Premier League é cerca de 40% superior a média da população inglesa.

 

Distribuição por Renda- Torcedores da Premier League- 2007-2008

 

 

 

Será que não é hora dos clubes brasileiros reduzirem o espaço nos estádios para o torcedor de baixa renda e ampliarem os espaços disponíveis para o torcedor de alto poder aquisitivo?

 

Ou vamos esperar que isso somente seja realidade a partir do segundo semestre de 2014?


Responses

  1. Oi Amir,

    Não estou certo sobre isto. Afinal, o Brasil joga aqui muito pouco. Uma média 3 ou 4 partidas por ano ao passo que os clubes podem jogar até 60 vezes diante de seu torcedor.

    Estou em duvidas se tornasse algo mais frequente se manteriamos o mesmo interesse.

    Também acho que o desempenho dos atletas dentro de campo influencia, exemplo Brasil x Bolivia, um fiasco de publico, foi preciso distribuir ingresso para a vizinhança e nem assim encheu.

    Grande abraço

    Sergio

    Olá Sérgio,

    Sobre o jogo contra a Bolívia segundo o borderô foram distribuídos gratuitamente 4 mil ingressos. Seguramente se o jogo fosse no Maracanã o público seria maior.

    Não creio que a questão seja apenas a quantidade de jogos, até porque se isso fosse realidade muitos clubes europeus que jogam entre 25-28 jogos em casa por ano não teriam médias de público tão elevadas.

    No Brasil os times em geral podem jogar 40 vezes em casa (não 60), o que é muito, mas há várias alternativas para atrair um público com alto poder aquisitivo, como espaços premium, ações com patrocinadores, promoções B2C, etc.

    Uma outra questão que você levantou também não pode ser a regra, sobre o desempenho das equipes dentro de campo, volto novamento ao mercado europeu e também norte-americano que trabalham com o conceito de entretenimento no estádio, para evitar essa variação tão grande em função de maus resultados nas competições.

    Um ponto que quero destacar é que o torcedor das classes A e B sempre verá o futebol como uma atividade de ócio (caso o estádio seja uma unidade de entretenimento), diferente do torcedor das classes menos favorecidas que está totalmente focado no desempenho do time, usando o futebol como válvula de escape para suas aflições.

    Nós temos uma demanda reprimida que vai ao cinema, ao shopping, teatro, shows, mas que não frequenta os jogos dos seus times. O gasto dos brasileiros com ingressos de cinema é 6 vezes maior que o gasto com ingressos de futebol e olha que são pouquíssimos brasileros que são assíduos frequentadores dos cinemas atualmente.

    Um abraço.

    Amir

  2. Mas que o publico está disposto, isto concordo plenamente.

  3. Amir, comparação interessante, sobretudo se levarmos em conta a percepção atual que se tem da Seleção Brasileira.

    O ponto que você levanta traz à tona um dos mais importantes paradigmas da administração do futebol brasileiro a ser quebrado; o discurso de que o futebol é entretenimento única e exclusivamente voltado para as camadas inferiores da pirâmide sócioeconômica cheira a mofo com molho de suprema demagogia; deve haver espaço para todos os públicos e suas demandas.

    O trabalho de marketing no evidenciar os valores e idéias que as marcas dos clubes carregam aliado à uma experiência positiva de consumo por meio de boas acomodações e serviços associados tem a tendência de atrair mais público ao invés dos que se dispõe aos sacrifícios atuais, reduzindo a variação por performance; bandeira que carregamos há tempos, recorrendo aos mesmos exemplos.

    Abraços,

    Robert

    Olá Robert,

    Seguramente esse talvez seja o principal obstáculo que enfrentamos no Brasil, já que essa visão excludente apenas ajuda a afastar o consumidor com alto poder aquisitivo dos estádos.

    Como você colocou há espaço nos estádios para atingirmos diferentes classes sociais, o que não podemos é acreditar que somente os menos favorecidos são parte da nossa sociedade.

    Segundo pesquisa da ABEP- Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa temos cerca de 26 milhões de brasileiros com renda familiar mensal média acima de R$ 6,5 mil e mais de 50 milhões com renda familiar mensal média acima de R$ 2 mil.

    Esses milhões de consumidores compram de tudo, mas poucos seguramente consomem ingressos de jogos de futebol.

    Um abraço.

    Amir

  4. Amir, se me permite a tréplica…o setor VIP Premium do Morumbi é o primeiro, curiosamente, cujos ingressos acabam; além disso, colegas palmeirenses daqui da empresa, de gerentes a estagiários, foram a jogos na arquibancada VISA e no dia seguinte só falavam em voltar lá. Estranho como isso não é visto como um sinal, uma tendência. Experiência vende, afinal café no Starbucks não encalha.

    Abraços,

    Robert

    Olá Robert,

    Ambos exemplos são bons, embora tenham as suas falhas. No caso do SPFC o torcedor paga caro pelo lugar, mas pelo que sei o serviço de catering é o mesmo que em outros setores do estádio. Já o Palmeiras oferece um excelente serviço, mas o catering também peca.

    Obviamente são iniciativas que demonstram a intenção dos clubes em melhorar, mas é muito pouco ainda para indicar uma tendência de mudança no nosso mercado.

    Um abraço.

    Amir

  5. Olá Amir…

    É o que eu sempre digo, os estádios brasileiros estão preparados para receber público de baixa renda. Se construírem estádios decentes, com áreas voltadas para quem gasta dinheiro, com certeza o público mais elitizado vai voltar para os estádios. Veja bem, esse é um público que, no geral, gosta de qualidade: cadeira, bares próximos, não ser importunado por vendedores de dorvete passando toda hora e parando na sua frente para vender pro sujeito 3 fileiras pra trás, berrando no seu ouvido, é um público que gosta de coisa de marca, do sanduíche que não é o “comeu-morreu”, que não vai para o estádio só pra ver o time, mas para se divertir com outras coisas mais.
    Acho que vc lançou um assunto muito interessante e que poucos clubes exploram no Brasil.
    Tem que aproveitar sim, que a Copa será no Brasil, para CONSTRUIR novas arenas. Reformar a Fonte Nova??? Bom, deixa isso pra lá…

    Abraço

    Olá Credim,

    Realmente a Copa do Mundo pode ajudar muito o nosso mercado, mas é sempre bom lembrar que ajudará parcialmente, já que estamos falando em 10 ou talvez 12 estádios, temos que pensar no mercado como um todo.

    Gosto sempre de lembrar que os ingleses investiram mais de 3,5 bilhões de euros em stadia facilities nos últimos 15 anos e a Copa do Mundo lá foi em 1966…

    Um outro ponto importante é estudar muito o assunto antes de sair construindo/reformando os estádos, um bom exemplo é o Engenhão que custou muito caro e os serviços para o torcedor são absolutamente básicos.

    Um abraço.

    Amir

  6. Me desculpem a discordância. Aqui no Rio, o setor VIP do Engenhão, estádio do BFR está sempre vazio. Enquanto os outros setores do Estádio estão com bom público, o setor VISA nunca teve mais que 15% de lotação. No estádio do Figueirense, outro com setor Visa, dá para ver na Tv a mesma situação, setor sempre vazio. No Parque Antártica, em razão da boa campanha do Palmeiras, e devido ao estádio ser pequeno para o tamanho da torcida alviverde, é que observamos uma melhor lotação nesse setor. Porém, é só o jogo não ter apelo que esse setor também ficar totalmente vazio, vide Palmeiras e Ancash do Peru. O futebol só motiva as classes A e B, que querem ir participar da festa que as outras classes promovem nos grandes jogos com as torcidas. Durante o Campeonato Carioca, a Rede Globo, explorou ao máximo em spots na Tv as músicas de incentivo das 04 grandes torcidas, chegando até mesmo a dedicar a elas arranjo, orquestração etc. Duvido que o torcedor de elite vá se submeter a comparecer a um estádio para ver determinados jogos, como o do Palmeiras com o Ancash, Botafogo contra Ipatinga etc. Quanto a sugestão de diminuir o espaço destinado aos torcedores de baixa renda é preciso saber em quanto importará essa diminuição, para não termos os problemas que o Botafogo e o Figueirense estão tendo.

    Olá Fernando,

    Cada caso deve ser analisado individualmente.

    O seu comentário demosntra exatamente a nossa realidade, se o clube vai bem na competição lota o estádio, se vai mal fica vazio. Esse é o desafio que os gestores devem enfrentar. É para mudar isso que existe o departamento de marketing em cada clube.

    Sobre o Enegnhão deve-se analisar que o estádio não está inserido na cidade e o clube pelo que acompanho não tem feito nehum trabalho de marketing específico para atrair público de diverentes classes sociais.

    Sobre o Palmeiras e Figueirense ambos dependem do desempenho do time, somado ao trabalho de empresa tercerizada. Na hora que os clubes inserirem em seus projetos um caráter emocional como grande benefício, a tendência é de melhorarem. Deve-se destacar que somente quando o torcedor passa pela catraca a situação melhora, já que ir ao jogo permanece sendo uma martírio.

    E finalmente sou contra essa análise que o torcedor das classes mais elevadas vai ao estádio para assistir a festa das torcidas, de classes menos favorecidas. O torcedor deve ir ao estádio em busca de diversão, em um ambiente de entretenimento e experimentação.

    Não posso aceitar que temos clubes que geram mais de R$ 70 milhões em receitas e que portanto têm recursos para investirem em ações de marketing (muitas delas cooperadas com parceiros) e que a única diversão para o torcedor no estádio é assistir a festa dos “bandos organizados”.

    Um abraço.

    Amir

  7. Eu acho que seria interessante uma melhor discriminação dos preços (acho que esse é o termo). O estádio deve ter lugares para a elite e para as camadas mais baixas de forma a maximizar o lucro. Uma solução que o Man Utd usa e é muito interessante é uma fanzone em Old Trafford antes dos jogos onde pode haver uma sociabilização dos torcedores e encontros com idolos. Acho que no caso do setor Visa do engenhão ele é um pouco grande de mais e falta a Visa fazer promoções para atrair torcedores para lá (algo como milhagens do cartão) e depois de experimentarem o setor eles voltarem.

    Abraços

    Olá Gustavo,

    Esse é o ponto, enquanto o clube deixar na mão da empresa as alternativas mercadológicas nada vai evoluir. Para a empresa esse investimento está mais focado em mídia que no uso do serviço.

    A segmentação do estádio é indispensável, oferecendo benefícios diferentes para cada tipo de cliente (regra fundamental do marketing).

    A comparação com os clubes europeus é complicada pois infelizmente aqui não se criou o conceito de season tickets, solução clara e óbvia para grande parte dos problemas atuais. Para o Manchester os season tickets representam mais de 80% do público que vai ao Old Trafford a cada jogo.

    Além disso, os clubes brasileiros não enxergam que os season tickets também devem ser trabalhados de forma segmentada e não simplesmente como um produto apenas para a elite.

    Um abraço.

    Amir

  8. Amir
    O torcedor de classe mais elevada só vai ao estádio para ver grandes espetáculos. E, infelizmente, o nosso campeonato, seja brasileiro ou estadual, ainda tem muitos jogos sem esse apelo. Se o jogo é contra uma grande equipe estrangeira pela Libertadores ou contra uma grande equipe a nível nacional ele vai, no resto, na quarta feira à noite, chovendo contra o Vitória da Bahia ou contra equipes sulamericanas menos famosas quem vai é o povão mesmo. Basta ver que os Clubes não conseguem elevar o preço do ingresso e conforme já mencionei no meu post anterior o que eu vejo são os espaços Visa totalmente vazios. Desculpe discordar da sua afirmativa de que o Engenhão não está inserido na Cidade, o que será que isso significa, pois nesse estádio o Botafogo joga todas as suas partidas, inclusive clássicos, a seleção brasileira já jogou lá e hoje depois do Maracanã, ele é o principal estádio da cidade. O Maracanã, também tentou uma nova setorização dos seus lugares nas arquibancadas e teve que voltar atrás em razão do insucesso da medida. Hoje, apesar de as suas arquibancadas serem dividas o preço é o mesmo para todos os setores. Só sei que a Rede Globo usa e abusa de imagens, cânticos e da festa desses bandos organizados, quem sabe o Departamento de Marketing da maior emissora do País não veja nisso uma ação para promover os jogos que ela transmite.
    Abraços do
    Fernando

    Fernando,

    A Rede Globo somente usa esses cânticos para valorizar os gritos de apoio dos torcedores aos times e não gritos de ameaça e xingamentos a torcedores rivais, esse é o motivo.

    Quanto ao Engenhão, você pelo que posso ver é do RJ e deve saber melhor do que eu que fizeram um estádio de mais de R$ 350 milhões em um local péssimo e nem se deram trabalho de investir no entorno, visando a melhoria do bairro e dos acessos aos jogos.

    O própio Botafogo falha de forma assustadora por não trabalhar conceitos emocionais com seu torcedor. O clube ganhou de presente o melhor estádio do Brasil e leva em média públicos muito baixos em jogos comuns.

    Penso um pouco diferente de você quanto a motivação que leva o torcedor ao estádio, infelizmente no Brasil estamos na estaca zero desse assunto que é tratado de forma muito séria nos mais variados mercados pelo mundo.

    Volto a afirmar, se temos que esperar grandes jogos para lotar os estádios e vender ingressos premium, para que ter profissionais de marketing nos clubes?

    Um abraço.

    Amir

  9. Mesmo com estádios ruins temos a capacidade de setorizar os lugares. Vou opinar e passar a minha experiência em jogos do Palmeiras pelo Setor VISA que pra mim, hoje, é a melhor forma de ir ao Palestra Itália.
    1º Pela comodidade de escolher o local aonde eu desejo assistir.
    2º Pelo simples fato das pessoas respeitarem a sua cadeira, caso vc se atrase.
    3º Por comprar ingressos antecipados. Tenho ingressos já comprados pro fim do campeonato. 4º Por evitar as famosas filas e os bandidos (leia-se cambista).

    É a perfeição? Não. Mas é um avanço. Ainda peca no catering e na capacidade dos banheiros. E também, não vejo ações pra se trazer mais torcedores para o setor.
    Outra, ainda é dependente do desempenho do clube. Infelizmente.
    Hoje, a confiança é tanta, que se tem 3 jogos já esgotados (contra SPFC, Grêmio e Botafogo).

    Você ouve no “lounge” conversas de pessoas que eram acostumadas a assistir nas numeradas comparando-as com o recente Setor. Praticamente 100% prefere o VISA às numeradas e alguns ainda fazem mais exigências. Demonstrando que o torcedor que o frequenta QUER melhorias como conforto, boa comida, bom serviço e um essencial: ENTRETENIMENTO.
    E falo ainda mais, quem vai lá uma vez, quer voltar sempre. Porque é a melhor maneira que implataram para o torcedor palmeirense. Eu, nesse ano só assisti a uma partida na arquibancada.

    Vejo muitos amigos me criticarem, me chamando de tiozão, pois “não gosto” de ficar no meio da organizada cantando e vibrando. E sempre respondo que se eu posso pagar para assistir com um certo conforto eu vou pagar e àqueles que não podem que assistam num setor que eles possam pagar – pelo amor de Deus, não estou sendo prepotente – e que o clube dê o devido respeito e o restante de conforto à esses que assistem no famoso “concretão”.
    Sabe o que é mais engraçado, parte desses meus amigos têm condições de assistirem no Setor Visa. Mas o criticam, mesmo sem terem ido uma única vez.
    ————————-

    Estou plenamente de acordo com sua opinião. É o correto.
    As pessoas se assustam com a palavra ELITIZAÇÃO pensando que os torcedores com menor renda serão afastados dos jogos de seus times.
    Quando elas deveriam entender que essa elitização deve ser entendida como setorização.

    E, sinceramente, essa Setorização só vai ocorrer num geral pós COPA-14.

    Abraços

    Olá Ricardo,

    Obrigado por seu depoimento, sem dúvida a iniciativa da Visa foi marcante em um mercado que nada de novo traz há anos, tenho afirmado isso sempre nos comentários.

    Minha maior crítica ao projeto reside no fato da gestão do setor não ficar com o clube. Para muitos isso não é um grande problema, mas quem conhece de marketing sabe que um projeto de vendas on-line tem como um dos MAIORES diferenciais mercadológicos ter acesso aos dados do comprador, conhecendo seu hábito de consumo. Será que o clube está estudando o perfil desses torcedores para novos projetos?

    Com relação a expressão ELITIZAÇÃO, meu objetivo foi apenas provocar a discussão em torno do assunto. É claro que temos que pensar em um estádio de forma segmentada, mas em minha opinião os clubes deveriam deixar cada vez menos espaço para os locais mais baratos e ampliarem a oferta de entretenimento e facilities nos espaços mais caros e mais rentáveis.

    E finalmente temos que pensar urgentemente qual é o papel do departamento de marketing nos clubes. Essa história de baixar preços de ingressos para lotar estádios vai contra as mais básicas regras de marketing existentes. Defendo que os profissionais de marketing nos clubes adotem estratégias de comunicação constantes e ações de marketing efetivas para lotar os jogos dos times o ano todo.

    Talvez muitos desses profissionais que estão nos clubes atualmente não tenham conhecimento técnico tão profundo para fazer isso, por isso torcem para o time fazer gols e com isso motivar o torcedor.

    Um abraço.

    Amir

  10. Amir,
    ..
    Acho dificil de elitizar por alguns motivos:
    1) muitos jogos no ano, quarta e domingo;
    2) os serviços são precarios e estadios poucos modernos;
    3) não temos “artistas” de 1a. linha;
    4) não existe um calendário que ajude;

    A CBF não é seria e nem gostaria que os clubes tivessem mais força e dinheiro. Da mesma forma que os governantes preferem população com menos educação, a CBF prefere clubes mais pobres e dependentes.

    Olá Breno,

    Sua justificativas são corretas na nossa atual conjuntura, mas não podem ser usadas como argumentos para não mudarmos a nossa situação. Muitos clubes conseguiram pelo mundo, por que os clubes da 10ª economia do mundo não podem? Se um clube quiser ele pode mudar muitas coisas em sua realidade atual.

    Com relação a essa questão dos clubes permanecerem pobres, somente depende deles mudar isso. A CBF nada pode fazer contra estratégias de marketing rentáveis e bem sucedidas.

    Por exemplo o SPFC ampliou em mais de 500% suas receitas com camarotes em 6 anos, por que é o único clube que conseguiu tal façanha?

    Um abraço.

    Amir

  11. Olá Amir,

    Sou totalmente a favor da ELITIZAÇÃO no futebol, mais essa questão está longe de se tornar realidade devido à falta de comprometimento e principalmente planejamento dos nossos cartolas e principalmente dos clubes, onde os mesmos deveriam dar uma ênfase maior aos seus departamentos de MARKETING.
    Uma questão importantíssima (já citada por você) se refere à execução de um trabalho de comunicação com o torcedor na venda de ingressos, atrelado ao um cadastro, onde se traria as preferências de consumo desse torcedor.
    Daí em diante um trabalho de MARKETING explorando as preferências de consumo citadas acima…

    Esperemos que o legado pós Copa se concretize e venha trazer benefícios à população brasileira ou então o futebol brasileiro estará fadado ao abismo sem fim e talvez sem volta.

    Gostaria da sua opinião sobre a parceria da empresa BWA e CEF, nascendo o projeto do cartão recarregável. Solucionará o problema da imensas filas na compra de ingressos??

    Grande Abraços!!!

    P.S. Perdoe-me por não ter ainda lhe passado o texto prometido. Por motivos, profissionais e por me encontrar fora da Capital Paulista, estarei em meu retorno executando tal tarefa.

    Olá Carlos,

    Realmente esse processo é lento mas necessário. Seguramente a Copa do Mundo pode ajudar a mostrar o caminho mas não vai resolver todos os nossos problemas.

    Sobre a parceria da BWA e CEF a idéia é interessante pela capilaridade que a CEF tem (lotéricas), agora a questão é saber como o serviço vai funcionar, se realmente diminuir as filas será uma boa alternativa.

    O problema que volto a repetir é que todas as alternativas tercerizadas tem, é a falta de controle das informações sobre o torcedor. Esse tema é fator crítico de sucesso para a mudança que deve ser criada em nosso mercado.

    Somente podemos estruturar projetos de markeitng eficientes se conhecermos o perfil do cliente em questão.

    Um abraço.

    Amir

  12. Olá Amir,

    Estou fazendo um pré projeto de tcc baseado em uma possível elitização no futebol brasileiro.Uma das finalidades do projeto seria investigar se em correndo este fato:

    – o esporte mais popular do país vai perder a diversidade que o caracteriza justamente por essas mistura de classes presentes ao estádio,e se transformar apenas em produto de entretenimento e não no esporte que já é enraízado na cultura popular?

    -Outro fato que pesquisando achei interessante,foi a relação classe baixa e briga nos estádios.Voce acha que está correlacionado?Ainda neste assunto,atribuem também o excesso de alcool a possíveis confusões.Mas,nos países de primeiro mundo os estádios são dotados de vários bares.Voce concorda com tal afirmação?

    (Lembrando que a CBF proibiu a venda de bebida alcoolica nos estádios)

    -O modelo a ser aplicado seria algo como ocorreu na Inglaterra?Ou no Brasil há de ter revisões em alguns pontos.Em havendo,quais pontos seriam estes na sua opinião?

    -No seu texto,você afirma que os jogos da seleção brasileira são exemplos de que se pode aplicar a elitização do futebol.Mas,como vimos este novo torcedor não tem as mesmas características do torcedor atual que é emotivo,que segue tem um amor incondicional pelo mesmo.O torcedor europeu é acostumado a grandes espetáculos,tendo os melhores jogadores do mundo a sua disposição.Já no Brasil,sofremos com a famosa janela no fim do ano e pregações de técnicos que dizem que se nós queremos ver espetáculo que pague um ingresso do municipal.Então eu pergunto,não teria um esvaziamento natural com o aumento de ingresso?Um problema para este novo público seria a violência urbana,o transporte deficitário de cada cidade.Isto não os afastariam?

    Desde já obrigado primeiramente pela paciência de ler e me responder.E gostaria de pedir pra eu poder entrar em contato para futuras dúvidas e sugestões que o Sr poderia me passar.

    Muito obrigado!

    Olá Leandro,

    Você receberá um email meu.

    Um abraço.

    Amir

  13. Amir

    Realmente, a elitização do esporte traria um efeito saudável para os clubes, com aumento de receitas, e consequentemente melhoria na formação de seus clubes, o que levaria a times melhores, “craques”, espetáculos melhores, etc. Comparar com a Europa eu sempre acho complicado, porque são realidades totalmente distintas, lá, mesmo as camadas mais baixas conseguem comprar um ingresso a 50/100 Euros, e ir aos jogos pelo menos 3 vezes ao mês. Como querer que um trabalhador médio brasileiro, que ganha em torno de R$ 700,00, vá a 3 jogos no mês, pagando mais que 30 reais de ingressso? isso se ele for sozinho, porque se levar a mulher e os filhos, fica pior ainda. Ida e Volta, Ingresso, Lanche, Cerveja, Estacionamento, etc. Nosso problema também é econômico, temos uma grande camada da população que ganha muito mal, então a única forma de acompanhar o clube é pelo radinho, pela TV, ou então tirar um jogo por mês para fazê-lo. Concordo também que temos uma parte até considerável da população que vai aos cinemas, que vai aos Teatros, lugares que eu frequento também, mas acredito que se fizer uma pesquisa de marketing com uma amostra grande nesses lugares, encontraremos neste grupo as pessoas que respondem não torcer por clube algum, o que no Brasil fica entre 20 e 30 % da população. Esse pessoal pode até ir aos jogos da seleção, por causa da midía envolvida, da noticia que se cria, por estar em um envento importante, não pelo jogo em si, mesmo porque não vejo nada demais nos jogos da seleção para o público, aliás vejo sim, o preço dos ingressos é muito maior. O Marketing deve ser melhorado, tem de ser melhorado, mas acho que aumentar o preço dos ingressos não vai ser uma boa saída, visto que em todos os clubes, os que realmente acompanham os jogos são das classes mais baixas, isso claro em medidas absolutas.

    Olá Marcio,

    A primeira questão que deve ser analisada é, um torcedor na Europa que vai 3 jogos no mês não paga até 100 euros por partida, ele compra o season ticket do seu clube e paga entre 300 e 600 euros pela temporada e dependendo da classe social pode pagar de 1.000 a 5.000 euros por ano, dependendo do lugar.

    Com relação ao público que freqüenta os estádios ser pobre, é uma realidade, até porque ir ao jogo de futebol no Brasil está longe de ser uma atividade agradável, por isso o público de alto poder aquisitivo está afastado e os que vão são verdadeiros abnegados.

    Nos jogos da seleção, mesmo em estádios que não tenham nenhuma atividade extra, em geral a CBF tem disponibilizado shows antes dos jogos, mas mesmo que não fizesse isso, pelo menos o torcedor está seguro, já que os índices de violência são baixíssimos nesses jogos.

    E a sua resposta está a solução para os clubes: “Esse pessoal pode até ir aos jogos da seleção, por causa da mídia envolvida, da noticia que se cria, por estar em um evento importante”.

    É isso Marcio, os clubes brasileiros simplesmente não promovem os seus jogos, a idéia de ter ruma mídia envolvida é essencial para atrair mais público aos estádios.

    Percebi que meu post causa a sensação que quero tirar o futebol do povo, não é isso, mas considerando que os clubes estão inseridos em um negócio, e por isso têm despesas cada vez mais elevadas, é necessário rentabilizar os ingressos vendidos, mas para isso temos que oferecer um serviço digno para todos os torcedores.

    Os que pagam mais merecem um tratamento diferenciado e a minha idéia é que esse público torne-se mais representativo entre todos que compram ingressos.

    Tenho uma pesquisa do IBOPE de 2001 que desmistifica essa tese que quanto mais pobre mais apaixonado por futebol. Em minha opinião uma pessoa com dificuldades financeiras está mais preocupado em alimentar a sua família do que em gastar dinheiro com seu time.

    Um abraço.

    Amir

  14. Eu sou apaixonado por Futebol. Mas não vou à estadios no Brasil há muito tempo. Já acho muito caro pelo que oferecem. Times ruims, serviços deficientes e desrespeitosos e estádios caindo aos pedaços.
    Antes de pensar em elitização, é preciso melhorar muito as condições oferecidas. Não entendo porque não sâo capazes nem de vender ingressos organizadamente.
    Quando você diz que os clubes não promovem os jogos, até concordo, mas a mídia já promove esses jogos sem cobrar nada, exaustivamente.

    Olá Fabio,

    Sem dúvida não há como ampliar os preços dos ingressos sem oferecer um serviço melhor para o cliente. O problema é que no Brasil os preços sobem somente pela importância do confronto e não pela melhora do produto oferecdo.

    Quanto ao seu comentário de que a mídia já promove os jogos não é 100% correto, partindo do princípio que se isso fosse verdade todos os estádios estariam lotados em todos os jogos.

    O departamento de marketing de um clube é o responsável por promover as partidas e o apoio que a mídia oferece é essencial, mas não o único fator de promoção das patidas, principalmente aquelas de menor importância.

    Infelizmente no Brasil sempre se delega para alguém a responsabilidade por determinada ação de marketing no futebol.

    Um abraço.

    Amir

  15. E a farta distribuição de ingressos para as torcidas organizadas? Em muitos clubes, os chefes de organizadas conseguem o que querem lá dentro. Enquanto essa máfia continuar, acho muito difícil os clubes lucrarem com a venda de ingressos. VIP’s ou não.

    Olá Cris,

    O seu comentário é absolutamente pertinente, visto que muitos clubes valorizam muito mais as torcidas organizadas do que o “torcedor comum”, que deveria ser o foco de qualquer iniciativa.

    As organizadas além de gerar baixa receita para o clube ainda afugentam o torcedor interessado verdadeiramente no clube.

    Um abraço.

    Amir

  16. […] também o excelente post sobre o assunto no blog Futebol & Negócio. Escrito por pessoas que possuem mais capacidade técnica que este palmeirense que vos […]


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