Publicado por: Amir Somoggi | 23/setembro/2008

A crise afetará as receitas com esporte nos EUA?

O renomado jornal The Sports Business Journal,  principal publicação de sports business dos EUA acaba de publicar uma reportagem abordando como a atual crise financeira pode afetar os negócios das equipes profissionais dos EUA e a conclusão não é muito animadora.

 

Segundo a reportagem as franquias podem passar por grandes dificuldades, desde a renovação de suas cotas de patrocínio, venda de camarotes corporativos, financiamento das obras para conclusão de seus novos estádios e também para manterem o atual gasto dos torcedores com ingressos, produtos licenciados e catering nos jogos.

 

Muitos setores que serão diretamente afetados pela crise investem pesados recursos no esporte americano como bancos e seguradoras e além desses setores um outro que tem se mostrado bastante debilitado pela economia dos EUA é o automobilístico. Dois exemplos citados na matéria comprovam que grandes patrocinadiores do segmento estão revendo seus investimentos, o fim do acordo entre a equipe da NHL Florida Panthers e seu patrocinador Chrysler, depois de 13 anos de relacionamento e também o caso da franquia San Jose Sharks que também perdeu um importante parceiro do mesmo setor, a Dodge.

 

No setor financeiro dos EUA há grandes patrocinadores com acordos em vigência com importantes franquias e Ligas e teremos que aguardar o desenrolar da crise para verificar se sofrerão alterações. Dois bons exemplos são os dois maiores acordos de naming rights firmados no mundo, o do banco Barclays assinado em 2007  com a franquia da NBA New Jersey Nets e o acorodo de 2006 entre o Citigroup e a franquia da MLB New York Mets, que juntos representam um montante de investimento de US$ 800 milhões para os próximos 20 anos.

 

Um dado alarmante para o mercado americano foi a pesquisa realizada pela empresa Turnkey Sports & Entertainment em agosto de 2008 com uma amostra significativa da população dos EUA , a respeito das perspectivas de gastos com esporte e entretenimento nos próximos 6 meses pelos americanos. Vale destacar que a pesquisa foi realizada um mês antes da eclosão da crise na mídia.

 

 

Qual a sua opinião sobre os custos de assistir eventos nos estádios/arenas dos EUA?

 

 

 

Qual a sua expectativa para comprar ingressos para jogos nos próximos 6 meses?

 

 

 

Qual a sua expectativa de gasto com entretenimento (esportes, concertos, cinema, jantares, etc) para os próximos 6 meses?

 

 

Os dados comprovam que o consumidor norte-americano está apreensivo com o futuro da economia e possivelmente deve gastar menos em 2008 do que no ano passado, o que pode afetar diretamente os negócios das franquias e de seus patrocinadores.

 

Muitas franquias já começaram a criar alternativas criativas para motivar comercialmente seus clientes, como ofertas de serviços agregados a venda de ingressos. Um bom exemplo é a Nascar que oferecerá um ingresso para 4 pessoas por US$ 159, que inclui além do acesso à prova, 4 hot-dogs, 4 copos de Coca-Cola e cupons promocionais.

 

Com a crise em curso o mercado que mais recursos gera com esporte no mundo talvez ensine para todos nós como ganhar dinheiro em um momento de tanta dificuldade, ou talvez vejamos as receitas das Ligas recuarem pela primeira vez em muitos anos.


Responses

  1. I was on Yahoo and found your blog. Read a few of your other posts. Good work. I am looking forward to reading more from you in the future.

    Tom Stanley

    Hi Tom,

    Thanks for your visit and comment.

    Best Regards.

    Amir

  2. Fala, Amir!
    Li também n’algum lugar que a Lehman Brothers detinha cerca de 16% das ‘ações’ da F1, e que a quebra do banco poderá afetar equipes, projetos e corridas ao redor do mundo.
    A crise norte-americana não tem precedentes e, acredito, todos os setores deverão sentir, ao menos, resvalos do que tem acontecido. Vai se dar preferência para a ‘sobrevivência’, ao invés dos investimentos… e o preço poderá ser bem alto.
    Cabe, agora, tentar enxergar alguma oportunidade no meio da tempestade de areia, e assim tentar garantir ao menos o ‘bottom-line’.
    Acima de tudo, agora (creio eu) as empresas que mais investiram em consolidação de marca e reputação, se sobressairão…
    Como diz um amigo meu, ‘segura a peruca’…
    Grande abraço,
    Joao Luis Amaral

    Olá João,

    Não sabia dessa informação sobre o Lehman Brothers, mas seguramente se for verdadeira a F1 terá problemas.

    Realmente a crise é muito grave e deverá afetar o esporte global, já que muitas empresas poderão rever seus planos de investimento e o consumidor pode reduzir seus gastos com consumo.

    Um abraço.

    Amir

  3. Caro Amir, momento bem apropriado para esta reflexão e dados.
    O mundo vem aos poucos saindo de um momento econômico exuberante e a grande discussão era se o pouso ia ser suave ou não, agora a discussão é o que precisa ser feito para que o avião volte a voar e quanto tempo vai demorar a reforma nele e sobretudo, quanto vai custar.
    No caso americano e metãforas à parte vimos ruir um modelo que não se sustenta, na ótica de Friedman no seu livro “O mundo é plano” o crescimento da China fez com que, pela compra de produtos mais baratos, o nível de poupança interna americana, que sempre foi baixo, tendesse a aumentar ao mesmo tempo que a China investia seus lucros em títulos da dívida americana, como não há moto contínuo, o modelo tende a se esgotar; naturalmente o estopim desta crise é outro, o estouro da bolha imobiliária e a consequente insolvência das S&L sendo estas as que afetam diretamente o público americano médio consumidor do esporte.
    Todos sabemos que uma das primeiras coisas a se abrir mão é do entretenimento quando é preciso se recolher até o vendaval econômico passar; mesmo com a calculada inelasticidade até agora diagnosticada no produto esporte se houver uma piora nos indicadores de emprego e renda pode haver uma erosão de receitas além das destacadas retiradas de investimento no esporte no texto e post anterior; o esporte pode ter suas particularidades mas está dentro do contexto e alguns impactos são possíveis, é esperar, e não pagar porque a crise levou tudo, pra ver.

    abraços a todos,

    Robert

    Olá Robert,

    Realmente a crise levantou uma série de dúvidas sobre como o esporte, bem como a Indústria do Entretenimento, vai ser afetada pela crise. A tendência é que as verbas de comunicação possam ser reduzidas e também o gasto das famílias.

    Provavelmente as entidades terão que criar alternativas criativas para reterem seus patrocinadores e motivar comercialmente seus torcedores.

    Um abraço.

    Amir

  4. Fala, Amir!
    Achei o link da notícia da Lehman com a F1… dá uma olhada:
    http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Formula_1/0,,MUL761495-15011,00-CONCORDATA+DO+LEHMAN+BROTHERS+PODE+COMPLICAR+A+ADMINISTRACAO+DA+FORMULA.html

    Abraço,
    Joao Luis Amaral

    Olá João,

    Obrigado pelo link.

    Um abraço.

    Amir

  5. Será que essa crise vai acabar com a fome de patrocínio do Bank of America? Eles estão interessados em patrocinar o novo New York Yankee Stadium, o acordo seria de US$20 milhões ano.

    Olá Ricardo,

    Essa é uma boa pergunta, já que o banco sabe da importância dos patrocínios para a sua marca e especialmente esse novo estádio tem uma importância única no mercado americano, tanto pela força da marca Yankees como por ser o espaço esportivo que mais recebe torcedores por ano, entre todas as franquias dos EUA.

    Esse valor segue o mesmo padrão dos investimentos realizados pelo Citi e Barclays.

    Um abraço.

    Amir

  6. Olá Amir,

    Nessa gigantesca crise americana que dizem que o fundo do buraco ainda não foi avistado, segundo os noticiários de economia, a diversificação nas ações, principalmente no que diz respeito há Marketing, em minha opinião será essencial e estratégica para o atual momento dessa crise que assola o mundo.
    Nesse contexto, tanto empresas, franquias e outras, deverão mostrar poder de persuasão perante o público alvo.

    Gostaria de ser, além de incisivo, bem mais repetitivo, se me permite que um trabalho/planejamento na área de Marketing em qualquer setor ou entidade que envolva o esporte, já era ou já passou da hora de se dar um enfoque qualitativo para pretensões dos que se encontram envolvidos no processo de se agregar valor à ‘MARCA’ da empresa.

    Gostaria de sua(s) observação (ões), em dois pontos que envolvem essa crise:

    (1ª)

    Qual seria o impacto sobre o clube Manchester United com a derrocata ou mesmo a falência da empresa de seguros AIG (sua patrocinadora) ??

    (2ª)

    O que se esperar o que está reservado para o Brasil, no contexto negócios no/para o esporte, após essa assoladora crise mundial??

    Um abraço,
    Ainda estou no aguardo do seu e-mail sobre o projeto da comissão esportiva…!!!

    Olá Carlos.

    Com relação ao Manchester como já tinha comentado não creio que uma possível falência da AIG possa afetar tanto as finanças do clube. O patrocínio da enpresa representa menos de 7% da receita gerada pelo clube em 2007. Além disso, não será dificil o clube encontrar outra marca interessada em se associar aos seus projetos de marketing.

    Com relação a sua pergunta creio que corremos risco de sentirmos alguma redução eventualmente em possíveis dificuldades de renovação de cotas de patrocínio com empresas que sejam afetadas pela crise, se bem que as perspectivas para a economia brasileira são muito positivas. Não creio que uma possível crise do mercado consumidor afete tanto os clubes.

    Um outro dado que teremos que verificar é como se comportará o mercado de mídia na Euorpa, um importante alavancador das receitas dos clubes, já que uma possível crise no mercado europeu pode afetar os recursos disponíveis para a aquisição de atletas. Isso já ocorreu em 2000 e os clubes brasileiros sofreram muito com a baixa do mercado europeu.

    Uma questão que me preocupa será sobre a captação de recursos no exterior para a construção de estádios para a Copa de 2014, visto que para o médio prazo há um grande risco da redução de créditos em geral.

    Desculpe por não ter escrito ainda, vou te contactar.

    Um abraço.

    Amir

  7. Amir,

    Parametrizado em dois vértices, a crise mundial vista na semana passada com perdas exorbitante e conseqüente a isso, não se sabendo o que possa vir ainda pela frente, seria delírio pensar/imaginar uma agencia reguladora para o esporte no Brasil??
    Em cima de tal sugestão, essa agencia “xerife”, podemos chamar assim, alem de regular o setor, poderia agregar em sua estrutura uma comissão, formada, de técnicos especialistas, pesquisadores no contexto inovação e demais aspectos… tornando a estrutura um fluxograma de idéias e soluções para o esporte.

    Sei que as agencias reguladoras criadas no governo PSDB encontram-se a mercê do abandono, sem executar sua função principal, e para qual foi criada, que é regular determinados setores, que, diga-se de passagem, é um absurdo.

    Mais gostaria exuberar meu delírio na questão de uma agência semi-privada, autorizada pelo governo e ao mesmo tempo financiada pela iniciativa privada.

    Preocupa-me, e ai volta ao ocorrido, crise americana, qual(is) perspectiva(s) para o ano de 2009, já que se prospecta uma redução de captação de recursos no exterior, já citado por você, onde até o presente momento não vi, não li, nenhuma declaração vinda da CBF com relação ao inicio dos trabalhos de uma comissão ou mesmo da comissão, para prospecção organizacional, estrutural, para que se chegue ao sucesso extremo a realização da Copa do Mundo 2014 no Brasil.

    Abraço!!

    Olá Carlos,

    A sua idéia de uma agência reguladora é boa mas esbarra em uma série de fatores que dificultariam sua atuação. O poder público tem poderes para fiscalizar a atividade do esporte profissional, mas exemplos como o do PAn demostra como infelizmente as coisas são feitas no Brasil.

    O que poderia ser feito é uma comissão dentro do Ministério do Esporte exigindo mais transparência na gestão do esporte brasileiro, mas creio que no atual cenário isso seja impossível.

    Sobre a Copa de 2014 realmente já está mais do que na hora de se apresentar ao país qual vai ser o projeto estratégico do projeto.

    Um abraço.

    Amir


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