Publicado por: Amir Somoggi | 22/agosto/2008

Negócios Olímpicos

Com a reta final dos Jogos de Beijing 2008 além dos atletas que conquistaram suas medalhas e a conseqüente repercussão positiva para seus países, há também um reflexo muito positivo para diferentes envolvidos com os Jogos.

 

A China, principal economia emergente do mundo, pode se vangloriar de ter atingido seu grande objetivo, visto que os Jogos de Beijing alçaram o país a liderança esportiva em termos Olímpicos e também um excelente resultado em termos econômicos. Segundo dados do Nielsen Media Research, cerca de 96% das casas chinesas com TV assistiram pelo menos alguma prova dos Jogos Olímpicos e segundo a emissora CCTV nada menos que 170 milhões de chineses acompanharam o jogo de basquete entre a seleção dos EUA e o time de Yao Ming. Já a partida que deu a China a medalha de ouro feminina no tênis de mesa foi vista por incríveis 330 milhões de telespectadores.

 

 

Segundo dados do Beijing Statistics Bureau (BSB) o PIB da cidade de Beijing atingiu aproximadamente US$ 130 bilhões em 2007, uma evolução de mais de 12% em relação a 2006 e em termos nacionais os Jogos Olímpicos entre investimentos e receitas diretas e indiretas podem gerar cerca de US$ 75 bilhões para o país.

 

Já o COI também tem muito que comemorar, já que suas receitas com os Direitos de TV para o quadriênio 2005-2008 atingiram cerca de US$ 2,6 bilhões e a expectativa é que esse valor para o os Jogos de Inverno  de Vancouver e Londres em 2012 ultrapasse US$ 3,6 bilhões. Considerando as receitas com TV e patrocínio o próximo quadriênio pode gerar para o COI um valor de aproximadamente US$ 4,8 bilhões.

 

Muitas marcas patrocinadoras também conquistaram excelentes resultados como a Speedo, que se tornou referência por conta de sua roupa Speedo LZR usada por boa parte dos nadadores e ganhou ampla visibilidade e valor agregado. Sua principal propriedade Michael Phelps, que recebia até então cerca de US$ 3,6 milhões por ano da empresa se tornou o maior ícone da história Olímpica e pode se tornar um dos atletas com melhor remuneração do mundo.

 

Outra marca que tem muito que comemorar é a Nike, que embora não seja patrocinadora oficial dos Jogos, segundo entrevista recente de um de seus mais altos executivos, Charlie Denson, os Jogos de Beijing foram a melhor Olimpíada da história para a empresa, já que consolidou a marca norte-americana definitivamente como líder entre as marcas material esportivo na China, com um volume de mais de US$ 1 bilhão em vendas e participação de mercado de cerca de 30% a mais que sua principal concorrente.

Já alguns patrocinadores oficiais do COI têm reclamado do baixo retorno que estão tendo em função do alto investimento realizado e já sinalizam com a não renovação para os próximos quatro anos. Não é o caso da Visa, Coca-Cola e McDonald’s que são até o momento as empresas com maior lembrança e reconhecimento da associação das marcas com os Jogos entre todos os patrocinadores oficiais.


Responses

  1. Sua propriedade Michael Phelps? Que linguajar horrível para se referir a uma pessoa!!! Desde quando pessoas são propriedades de empresas???

    Prezado Marcelo,

    Parece que você não está muito habituado a expressões de marketing esportivo.

    O termo propriedade refere-se a relação comercial que a empresa tem com seu patrocinado e não por ser a empresa dona do atleta.

    Um abraço.

    Amir

  2. Podemos dizer então Amir, que seria os Jogos Olímpicos do Século, com todos esses números apresentados no texto??
    E o que projetar para Londres 2012, será possível superar Beijing em termos de Marketing e números??
    Um Abraço!!!

    Olá Carlos,

    Seguramente Beijing 2008 ficará marcado como a melhor Olimpíada da história, principalmente pela audiência no país-sede, fato somente possível em um pais como a China.

    Em termos de legado para a cidade-sede teremos que esperar os próximos relatórios, pois Barcelona 92 e Sidney 2000 apresentaram resultados incríveis.

    Seguramente Londres 2012 deve superar Beijing em geraçã de receitas, como comentei no post e por ser na Europa deve apresentar audiências ainda mais elevadas pelo mundo.

    Um abraço.

    Amir

  3. Parabéns mais uma vez pela qualidade do texto.
    De acordo com o teor do mesmo apresentado, o quanto o Brasil vai ter que planejar e executar, para sediar uma Olimpíada com qualidade e sucesso em 2016.

    Amir gostaria de sua qualificada opinião:

    O que é ou seria mais difícil em se organizar, em termos de Marketing: Copa do Mundo ou Olimpíada?

    Olá Carlos,

    Ambos têm uma grande complexidade e exigem dos Comitês Organizadores um trabalho estratégico para atrair recursos, alocá-los da maneira mais eficiente e também fazer uma organização impecável.

    Mas uma Copa do Mundo, por abranger um país com várias sedes, apresenta um nível de dificuldade ainda maior.

    Espero que os gestores responsáveis pelos eventos tenham em mente da necesidade de estruturarem projetos que agreguem recursos privados e não mandem a conta para o Governo Federal ( quer dizer nós cidadãos) pagar.

    Um abraço.

    Amir

    Grande Abraço!!!

  4. Amir,

    Só uma correção, se me permite.
    Citei que as Olimpíadas de Beijing, poderia ser considerada à Olimpíada do século, em termos de ser superada pelas outras que ainda viram a ser realizadas, nesse mesmo século com relação ao Marketing, números, tecnologia…
    Beijing, além de ser um marco na sua organização, apresentação e outros adjetivos, tudo leva crê que será um marco a ser batido em termos gerais de como se organiza e se apresenta uma Olimpíada??

    Abraço!!!

  5. Amir,

    Com os números apresentados, empresas que pretendam efetuar um projeto para agregar valor a sua marca dentro de um evento como jogos Olímpicos, qual a percentagem que teriam se tratando de retorno absoluto à marca??
    Um evento como jogos Olímpicos deveriam ou poderia haver uma maior gama de marcas atreladas ao mesmo, ou o custo para um projeto dessa magnitude seria muito alto.

    Olá Carlos,

    Os Jogos Olímpicos contam com um número enorme de empresas parceiras, que vão além do Programa Top de patrocinadores oficiais.

    Acho interessante ver as transmissões da Olimpíada, sem nenhuma exposição de marcas patrocinadoras em propriedades de arena. Essas empresas chegam a pagar até US$ 100 milhões/ano e não tem retorno de mída nas transmissões.

    O retorno é focado na possibilidade de atrelarem os Jogos às ações de comunicação institucional e promoção de vendas.

    As marcas que sabem ativar seus patrocínios acabam apresentando resultados muito positivos e agregando valores positivos, que são revertidos em fidelização, vendas e qualidade percebida da marca pelos consumidores.

    Um abraço.

    Amir

    Abraço!!!

  6. Amir
    Até que ponto o fato da Globo não ter direito as transmissões dos próximos jogos olímpicos poderá afetar a política de esporte do pais, pois como somos candidatos a sediar em 2016 e tivemos um pífio resultado em Pequim com certeza teremos vários projetos de incentivo ao esporte, porem para as empresas se envolverem haverá necessidade de visibilidade e para isto a Globo é muito importante, mas como sabemos a Globo praticamente ignora eventos que a concorrência tem exclusividade das transmissões.

    Um
    Abraço.

    Olá Roberto,

    A sua pergunta é excelente, já que a mudança dos detentores dos direitos do Pan e Olimpíadas poderá afetar sensivelmente o futuro olímpico do Brasil.

    Será que os patrocinadores do COB e do pacote de transmissões , além é claro dos projetos olímpicos estão interessados em menores audiências e reduzida qualidade técnica na cobertura das competições?

    Todos sabemos que sem a Globo a visibilidade das marcas é menor e o produto acaba tendo um menor valor agregado.

    Mais um problema para o COB, que seguramente agora somente ficará preocupado em gastar mais recursos públicos para levar 2016 para o RJ.

    Um abraço.

    Amir

  7. Amir

    Gostaria de destacar o sucesso alardeado pelo portal Terra, detentor dos direitos de transmissão desses jogos olímpicos.
    Me parece ser um negocio promissor, mais até que a TV por assinatura já que se pode escolher a modalidade de sua preferencia.

    Abraços

    Olá Ricardo,

    Realmente você está certo, o Terra nos mostou o futuro promissor de nossa nova mídia na transmissão de grandes eventos, já que o internauta tinha vários canais à disposição.

    Assisti algumas provas e fiquei muito bem impressionado, se bem que na final do futebol feminino sofri com as falhas na transmissão.

    Um abraço.

    Amir

  8. Oi Amir,

    Dados realmente supreendentes! Não imaginava que a olimpiada em Pequim seria tão próspera.

    Projetando para 2016, como vc encara as chances do Rio para ser a sede da Olimpíada?

    Abraço e ótimo post!

    Olá Sérgio,

    Realmente eu também não imaginava que os Jogos de Beijing trariam todos esses resultados. O que mais me impressionou foram os dados de audiência na China, nunca tinha visto audiências assim!

    Sobre a sua pergunta acredito que o RJ tem boas chances de levar os Jogos ( o que me preocupa), se bem que tem concorrentes muito fortes.

    Vamos aguardar os acontecimentos, qualquer opinião nesse momento seria mero chute…

    Um abraço.

    Amir

  9. Amir,

    A Revista IstoE-Dinheiro (www.revistadinheiro.com.br) destaca em sua página nº 12 uma tabela com a evolução dos números de países que acompanharam os jogos olímpicos desde 1960 até sua última edição de 2008 e idem para o valor dos direitos de transmissão.

    Destaca também que o comitê Olímpico Internacional faturou US$ 3 Bilhões com os jogos de Pequim. Sendo que, metade desse valor veio da comercialização dos direitos de transmissões das competições.

    A tabela inicia-se no ano de 1960 com 21 países assistindo ao evento, para um valor de venda de US$ 1,2 milhões e encerra-se com Pequim com 220 países e US$ 1,7 Bilhões.

    A tendência é que esses números continuem a crescer em que proporções…??

    Abraço!!!

    Olá Carlos,

    Esses dados são publicado periodicamente pelo COI.

    A tendência é que os números cresçam cada vez mais, já que os dados de audiência global comprovam que os Jogos Olímpicos geram grande interesse dos telespectadores na Europa, EUA e Ásia, os principais mercados consumidores atualmente.

    Um abraço.

    Amir

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