Publicado por: Amir Somoggi | 13/agosto/2008

Ônus dos Jogos Olímpicos

O momento não poderia ser mais propício para eu escrever esse post já que estamos com os Jogos Olímpicos de Beijing 2008 em andamento. Não vou analisar aqui a péssima campanha de nossa delegação, nem mesmo os altos investimentos realizados pelo Governo Federal e COB nos últimos anos. Deixo esse assunto para futuros posts, depois que nosso choque de realidade se confirmar.

 

O meu objetivo é analisar qual o ônus de uma competição como os Jogos Olímpicos para alguns países, como o Brasil, que pleiteia receber a edição de 2016 no Rio de Janeiro. Beijing 2008 já é considerada a maior Olimpíada da história e segundo dados publicados pelo Governo chinês consumiu em recursos para obras de infra-estrutura urbana, meio ambiente e equipamentos esportivos um montante de aproximadamente US$ 21 bilhões, bancando pelo setor público.

 

Alocação dos Recursos Investidos– Beijing 2008

 

 

 

 

Percebe-se no gráfico acima que os investimentos realizados em melhorias urbanas e ambientais superam muito o investimento realizado nos espaços esportivos, uma realidade verificada nos mais variados mega-eventos esportivos pelo mundo.

 

Essa afirmação serve de aviso para todos nós brasileiros quando lemos nos jornais que o COB afirma que a Olimpíada tem que vir para o Brasil, por conta do “legado” esportivo do Pan 2007, sendo que o pesado investimento a ser realizado passa ao largo dos espaços esportivos já prontos e seguramente bem depreciados em 2016.

 

A questão que temos que analisar é que para o Governo da China o custo de mais de US$ 20 bilhões em infra-estrutura  representa apenas 0,6% do PIB do país em 2007, um valor que pouco afetará as finanças da economia mais emergente do mundo.

 

Um bom exemplo para o Brasil foi o ocorrido em Atenas 2004, já que o grande déficit apresentado pelo evento trouxe um pesado  ônus para o país-sede, segundo dados publicados na imprensa internacional. O investimento para os Jogos de 2004 consumiu absurdos 6,4% do PIB do país naquele ano.

 

Custo Jogos Olímpicos Atenas 2004 X PIB em 2004 – Em US$ bilhões

 

 

 

 

Por isso, o Brasil que pleiteia receber dois grandes eventos nos próximos anos, deve ter claro qual o modelo de financiamento e principalmente o efetivo legado para a população brasileira que esses eventos devem gerar, pois a conta a ser paga pelo país é alta e o retorno depende do projeto estratégico a ser criado.

 

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Responses

  1. É Amir, enquanto em Pequim 84% dos recursos investidos foram usados em melhorias diretas para a população (infra-estrutura urbana e meio ambiente), no Pan do Rio de Janeiroforam pouquíssimas as melhorias nestas áreas, e o investimento maciço em praças esportivas e na modalidade “dinheiro que some”.
    Grande abraço!

    Olá Jorge,

    E essa realidade de investir muito mais em infra-estrutura do país ou cidade-sede de um mega-evento esportivo do que em equipamentos esportivos vem ocorrendo em todos os Jogos Olímpicos e Copa do Mundo, nas últimas duas décadas.

    Infelizmente a imprensa poderia ter um papel preponderante nesse ambiente de ufanismo desmedido, questionado com dados de muitos exemplos pelo mundo.

    E o legado desses eventos para a sociedade somente ocorre se os envolvidos na gestão dos recursos tenham em mente qual é a melhor forma de se investir esses bilhões de US$.

    Um abraço.

    Amir

  2. Concordo com você, Amir. Uma Olimpíadas no Brasil em 2016 só serveria para aumentar o déficit público, ademais quando teremos uma Copa dois anos antes. O COB deveria tirar esta idéia de mente e investir mais em outra modalidades olímpicas. na minha humilde opinião, antes de sediar uma olimpíadas, nosso País precisa tornar-se uma pontência olímpica, melhorando seu desempenho gradativamente nas edições que se sucederão. A China investiu para sediar este jogos e também para ultrapassar os EUA no quadro geral de medalhas.
    Acho que o pensamento tem de ser este. Ou então, caso venhamos a sediar uma olipíadas seremos um fiasco dentro e fora das praças de competições.

    Olá Rodrigo,

    Realmente você está certo. O pior é que a onda ufanista criada em torno de 2016 não possibilitará uma visão racional do assunto.

    Caso a Olimpíada de 2016 aconteça no RJ o que veremos é um mundo perfeito em 20 dias de competição e o retorno aos problemas na cidade logo depois, o que é um absurdo considerando o papel dos Jogos Olímpicos como legado para um pais.

    Um abraço.

    Amir

  3. Amir, esses dados atribuidos aos gastos chineses são de 2004-2008, correto?

    Pois se não forem, eu li um dia na Folha que a China tá investindo em Equipamentos Esportivos e instalações esportivas desde 02/03 (quando foi anunciada a nova sede de 2008).

    Bom, que seja.

    O que quero falar é que se o Brasil realmente sediar essas Olimpíadas, terá um “rombo” gigantesco. Usando o mesmo percentual dos gregos (6,4%) com o PIB nacional atual(US$ 1,310 trilhões), teremos gastos públicos de aprox. US$84 bilhões.
    Claro que não dá pra saber se será menos ou mais.Porém, com a inflação do dinheiro planejado do PAN dá pra prever um pouco esse cenário.
    Pra nós, isso é muito, mas muito dinheiro. E o grande problema é que sabemos que ele não será bem distribuído e não terá uma boa parcela para infra-estrutura da cidade do Rio. E outra temos mais gastos se juntarmos com as projeções feitas pela Máquina do Esporte sobre a Copa de 2014 beirando em US$10 bilhões.

    E como vc disse, será muito gasto e o retorno dele vai depender do planejamento estrtégico feito pelo Governo. E se for igual ao do Pan….
    Aí a coisa vai ficar bem feia.

    * Amir, vc poderia me indicar sites ou revistas sobre Gestão/Marketing Esportivo boas do exterior.

    Abraços

    Olá Ricardo,

    Esse investimento da China corresponde a alocação de recursos nos últimos 7 anos para os Jogos Olímpicos. Na prática o valor é ainda maior, já que nesses US$ 21 bilhões somente considerei os custos de infra-estrutura. Há outros como segurança, recursos humanos, além de investimentos privados. A análise sobre o PIB é apenas uma referência.

    Não creio que para o Brasil sediar um grande evento devemos pensar em 6% do PIB, seria um completo absurdo. Também não concordo com o número apresentado pela Máquina do Esporte. Para a Copa do Mundo já estão falando erm R$ 30 bi, o que representaria quase 1,2% do PIB do Brasil em 2007, que seria alto mas aceitável. Mas como estamos no país que não respeita orçamentos, o número pode se tornar muito maior.

    Sobre os sites do exterior, dê uma olhada em nossas indicações aqui do blog, qualquer dúvida é só me escrever.

    Um abraço.

    Amir

  4. Amir,

    Desculpe-me, não posso ficar recluso sem eminentemente citar a questão fiscal que hoje se encontra no país, até o presente momento.
    Acredito-me que seja o pilar/alicerce no contexto de se efetuar um evento (Olimpíadas) de tal magnitude e incluindo-se uma Copa do mundo, já confirmada para 2014, nas terras Tupiniquins.
    Essa estrutura fiscal arremete-se ao que o governo(s) arrecada em grande magnitude e conseqüente a isso gastasse na mesma ou até em maior proporção.
    O dinheiro público encontra-se muito mal distribuído e administrado.
    Assim, não adianta sonharmos com tais eventos, citados acima, se não conseguimos executar, fiscalmente falando, a lição de casa.
    Necessitasse de uma política ou planejamento que diminua o poder do Estado na economia propriamente dita do país. Deixemos à iniciativa privada tocar há parte de infra-estrutura, caberia ao estado efetuar as parcerias e fiscalizar.

    Uma política fiscal consistente que agregue condições para se investir numa infra-estrutura de longo prazo, para que após os eventos, essa mesma infra-estrutura seja usufruída pela população e não fique um elefante branco.

    Gostaria de citar que na nossa Constituição, cita que a prática do esporte é um direito do cidadão e infelizmente não vemos políticas publicas ou mesmo projetos que arremetam ou mesmo insiram as escolas do país no processo de surgimento de grandes atletas olímpicos.
    O exemplo está ai, estamos até o momento com uma participação pífia nos Jogos de Pequim-2008. E me parece que não haverá uma melhora consistente na
    quantidade de medalhas ganhas. E os menos culpados, são os atletas.

    Em tempos de eleições municipais seria um grande programa/projeto para candidatos que ai está.

    Pra terminar, Amir, concordo plenamente quando você coloca que o país tenha que definir o modelo de financiamento e o efetivo legado que a população irá herdar.
    Mais me permita conclamar por uma política fiscal austera que agregue valor e desenvolvimento ao país.

    Olá Carlos,

    Concordo plenamente, os projetos para a Copa e Jogos Olímpicos no Brasil deveriam ser bancados pela iniciativa privada, que poderia se beneficiar de diverentes formas do legado desses projetos.Infelizmente temos a péssima mania de acreditar que tudo é responsabilidade do Estado.

    E obviamente o Governo deveria discutir com a sociedade qual será o efetivo legado desses eventos para a vida da população brasileira, já que provavelmente a conta será paga por cada um de nós.

    O Governo brasileiro deveria repensar sua atuação no esporte ao final desses Jogos Olímpicos, mas infelizmente não creio que ocorrerá.

    Me recordo que após o Pan 2007, antes mesmo de se analisar o impacto econômico do evento, já se discutia sobre o projeto de 2016.

    Os atletas brasileiros são verdadeiros abnegados que quando atingem algum bom resultados acabam sendo usados pelo COB, Governo, etc.

    Assim que acabar os Jogos Olímpicos publicarei um post analisando essa realidade.

    Um abraço.

    Amir

  5. Caramba!
    Então o buraco é bem mais embaixo…

    Como vc disse, o orçamento da Copa tá beirando os R$ 30 bi. E que seria até aceitável. E se confirmar os Jogos-16… Podemos pensar num valor menor ou maior que R$ 30 bi?
    É que temos que levar em conta que Copa do Mundo, engloba várias cidades , porém somente um esporte.
    Já Olimpíadas temos apenas uma cidade que já estará (espero) com sua infra-estrutura melhorada pós 2014, porém serão vários esportes – já temos uma estrutura esportiva pronta, seria só melhorá-las- .

    Abraços;
    obrigado pela indicação, tinha me esquecido completamente dos sites recomendador por aqui.

    Olá Ricardo,

    Esse é o valor ainda embrionário, creio que pode subir bastante, caso todas as necessidades do país sejam incluídas no projeto.

    Sobre os equipamentos esportivos estarem prontos no RJ, é sempre bom lembrar que o menor custo dos mega-eventos esportivos é relacionado aos espaços esportivos. O custo com infra-estrutura urbana é 4 ou 5X maior.Isso vale também para a Copa do Mundo.

    Um abraço.

    Amir

  6. Amir, parabéns por mais uma análise que nos leva a refletir sobre os anseios brasileiros como país-sede!
    Na verdade me desculpe, estou postando este comentário para cobrar seu colega Marcos com novas postagens sobre a Timemania! O último concurso teve um resultado extremamente inusitado onde não houveram ganhadores em duas faixas de prêmio, acumulando o prêmio principal em um valor considerável.
    Abraços e parabéns mais uma vez.

    Olá Vitor,

    Obrigado, fico feliz que o blog esteja contribuindo para que possamos refletir sobre que modelo de evento temos que criar aqui no Brasil.

    Um abraço.

    Amir

  7. Infelizmente o modo de como é investido a verba do COB é injusto e concentra apenas os atletas de elite.
    Enquanto não mudar o “sistema” em que o atleta precisa mostrar resultados para conseguir patrocínio. O certo é ter condições de treinamento e o fortalecimentos de clubes e centros de excelências em todas regiões do Brasil.
    O investimento federal na Copa 2014 e possivelmente Rio 2016, se não for superfaturado já será um avanço. No Brasil para o povo ter benefícios de fato só com PAN´s, Copas e Olimpíadas.

    *** Sugestão aos amigos do Futebol Negócio.
    Gostaria de ver um post sobre a gestão da CBB (Gerasime Bosikis), quanto arrecada (Eletrobrás) quanto o basquete brasileiro perde em visibilidade na mídia, os erros graves de marketing na divulgação do Mundial de Basquete São Paulo 2006. A situação dos clubes de Basquete no Brasil e porque uma liga independente não deu certo ainda e que inciativas de marketing e gestão deveria tomar… Ufa… rss

    Olá Cleber,

    Você está certíssimo, tanto o COB como o Governo Federal estão absolutamente equivocados em seu investimento. O pior é que o resultado pífio nos Jogos Olímpios comprova que mesmo investindo no alto rendimento o retorno é baixíssimo.

    Enquanto o setor público e Confederações não intensificarem o investimento no esporte de base nada se alterará.

    A sua idéia é excelente, o mais difícil é conseguirmos dados confiáveis sobre o basquete brasileiro.

    Um abraço.

    Amir

  8. Amir

    Pegando um gancho na análise do amigo Cleber, me parece que o modelo de investimento do Governo nos esportistas que se destacam é parecido com o da Educação. Investe-se muito mais na Educação Superior, onde o pobre dificilmente chega, do que na educação básica.
    O problema é cultural ou cultural?

    Olá Rodrigo,

    Sua análise está correta, visto que esperar que os atletas alcancem o topo e aí investir recursos na melhoria dessa elite, exclui um grande núemero de potenciais campeões. Não é possível que o Governo de um pais com 190 milhões de habitantes espere que alguns abnegados se destaquem, para que assim inicie-se um projeto de investimento.

    O mesmo está ocorendo na educação, por isso somos a 4ª divisão nos esportes olímpicos e também na formação cultural e educacional de nossa população.

    Um abraço.

    Amir

  9. Gostei da discussão e voltarei a comentar. O montante insvestido via COB (Lei Agnelo/Piva) pelo governo federal em Esporte chegou á R$ 1 bilhão de reais.
    Todo mundo estava esperando um caminhão de medalhas, mas resultado se dá com investimento e planejamento.
    Investir em Esporte é antes de tudo possibilitar a população em geral opção de lazer para prática esportiva tanto entre jovens á terceira idade.
    A filosofia é errada por isso que o objetivo não é alcançado. Investir em esporte de massa é investir no cidadão e a partir da BASE que você consegue afunilar a pirâmide e peneirar atletas.
    Outro equívoco é achar que Professor de Educação Física é técnico de potenciais atletas de alto rendimento. Educação Física trata de conhecimento e seu pilar é formar cidadão e não primeiramente atletas.

    Olá Cleber,

    Concordo totalmente com seu comentário.

    O esporte deve ser integrado à sociedade brasileira e essa deveria ser a função prioritária do Ministério do Esporte. Obviamente quanto mais jovens praticarem esporte, a chance de que tenhamos uma sociedade mais saudável e bem formada aumentará e isso pode gerar futuros campeões.

    Paralelamente a essa massificação do esporte, centros de excelência para a formação de jovens atletas deveriam ser criados, a fim de realmente lapidar futuros talentos.E recursos para isso nós temos,como você bem citou.

    O nosso maior defeito é despejar milhões de R$ em atletas já formados, visando o resultado de curtíssimo prazo que tem se mostrado uma péssima “estratégia”.

    Um abraço.

    Amir

  10. Caros amigos, começou a tramitar hoje um recolhimento de assinaturas para uma CPI que terá por finalidade investigar “para onde vai o dinheiro investido no esporte”, segundo o deputado, que pela voz me pareceu o Miro Teixeira.
    Segundo o Deputado, foram investidos 692 milhões de reais, o que é muito, porém, fica claro que algumas medalhas se deveram ao esforço técnico e financeiro individual dos atletas; a pergunta chave desta CPI será : este dinheiro vai pra onde ?? Não sou do tipo que acredita em CPI, mas elas são instrumento importante de investigação se tudo não acabar resolvido em acordos secretos em restaurantes de Brasília ou em outros tipos de estabelecimento…notícia fresca, acabo de ouvir….e não entendi em quanto tempo essa grana foi investida, enfim..
    Antes de se aventurar em uma candidatura olímpica dever-se-ia preocupar antes em fazer com que as escolas públicas deixem de ser a fábrica de analfabetos que são, depois disso criar infra-estrutura esportiva mínima nas escolas, sendo que apenas 12% delas tem algo parecido; o resultado disso é uma base de cidadania decente e uma massa crítica de potenciais atletas, o indicador não são medalhistas, mas sim cidadãos conscientes e bem formados.
    É nesse ambiente que alguns querem os jogos de 2016 no Rio…na minha visão, uma completa irresponsabilidade evidenciada pelos precisos números que o Amir nos traz; o exemplo do Pan também é emblemático, as instalações nova estão às moscas, aquelas construídas com a farra orçamentária que foi o PAN, temos que pensar a coisa com seriedade, coisa que falta ao país quando o esporte entra como veículo da patriotada sem critérios.

    abraços a todos,

    Robert

    Olá Robert,

    Fico feliz que o Poder Legislativo está se movimentando para entender o fluxo de recursos públicos no esporte brasileiro.

    O problema é que estamos vivendo uma onda ufanista que me assusta, já que todos que ficam contra os eventos no Brasil, pela falta de planejamento e uso excessivo de recuros públicos, são tidos como anti-patriotas.

    Vamos aguardar como se desenvolve esse trabalho do Legislativo.

    Um abraço.

    Amir


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