Publicado por: Maurício Bardella | 31/julho/2008

Há sinais de mudança no horizonte?

Amigos, esse blog é escrito e lido por pessoas que, em maior ou menor grau, são interessadas nas práticas de gestão do futebol brasileiro. Todos sabem que aqui não comentamos os resultados do final de semana, não julgamos se uma contratação de atleta trará ou não resultados dentro de campo, e muito menos discutimos se um clube é mais grandioso, vitorioso e importante que outro.

 

Mesmo abrindo mão desses aspectos mais populares das análises esportivas, creio que nossos números de audiência – mais de 130 mil acessos em seis meses – são significativos. Isso demonstra a existência de um bom número de pessoas interessadas no crescimento do futebol brasileiro, no aumento de sua competitividade administrativa e financeira em comparação com o futebol internacional, e em última análise no fortalecimento de seus clubes de coração.

 

Isso me leva, com base nas discussões aqui empreendidas, a tentar desenhar um panorama muito breve e resumido do que está acontecendo no futebol brasileiro quanto às práticas de gestão, abrindo esse espaço para que nossos leitores opinem, forneçam exemplos e eventuais críticas. Por trás desse panorama, pergunto se há sinais concretos de mudança ou se estamos ainda presos a uma engrenagem que não deve ceder tão cedo.

 

Vamos a alguns aspectos positivos, para iniciar:

 

– Com a obrigatoriedade da publicação anual de balanços, que é algo recente, conseguiu-se obter uma maior transparência nos clubes, ao menos para que sejam detectadas suas práticas administrativas, deixando à mostra ineficiências de gestão. As dívidas dos clubes, por exemplo, estão lá para quem quiser ver, assim como a composição das receitas e dos custos. Infelizmente ainda há clubes que insistem em tratar suas finanças como segredo de estado, quando na verdade as informações estão disponíveis para quem se habilitar a procurá-las e entendê-las.

 

– Os clubes estão sendo obrigados a se estruturar para procurar novas receitas, em razão do grau de endividamento da maioria. Como as receitas mais significativas muitas vezes são comprometidas no médio prazo por causa da tomada de adiantamentos relativos a direitos de TV, de patrocínios e até mesmo da receita de ingressos, o caminho mais comumente adotado tem sido o de criar programas de Sócio-Torcedor, embora muitas vezes esses sejam elaborados de maneira primária, não significando uma concessão de reais vantagens ao torcedor ou não gerando aumento de receitas para o clube. Por outro lado há exemplos de grande sucesso, especialmente nos dois clubes grandes do Rio Grande do Sul.

 

– Há uma tendência muito forte para que clubes tenham estádios construídos ou reformados, quase sempre com a criação de parcerias com investidores. Novos estádios são, em minha opinião, absolutamente fundamentais para que um novo tipo de relacionamento com o público possa ser iniciado, de maneira a tornar as receitas em dias de jogos algo significativo de fato. Observo que a realização da Copa 2014 no Brasil é um fator de estímulo, mas que não deve ser levado em conta na elaboração de um projeto saudável e sustentável de modernização ou construção de estádios. Dentre outros exemplos, podemos esperar que Inter e Grêmio em Porto Alegre, Figueirense em Florianópolis, Palmeiras e talvez Corinthians em São Paulo, possam dispor de arenas modernas em um prazo relativamente curto. O lado negativo é que estádios para a Copa serão levantados ou modernizados com dinheiro público em algumas praças, o que será um desestímulo para a iniciativa privada e os clubes nesses locais; exemplos disso são os estados de Minas Gerais e Bahia.

 

– Existe um público ansioso por reformas estruturais no esporte brasileiro, além de haver uma geração de profissionais procurando espaço para atuar em clubes ou empresas patrocinadoras. Vários cursos de graduação, pós-graduação e especialização tem sido introduzidos no mercado brasileiro. A existência de mão-de-obra qualificada é um requisito fundamental para a transformação.

 

Agora vamos ver um pouco dos aspectos negativos:

 

– A estrutura administrativa da imensa maioria dos clubes ainda é amadora e passional, já que são organizações eminentemente políticas e que se comportam como tal. Alguns anos atrás ouvi de um conceituado e esclarecido ex-dirigente de um grande clube paulista (por sinal uma excelente pessoa e um ótimo professor) que o requisito básico para ser contratado como um profissional administrativo era ser torcedor do clube…refletindo sobre o absurdo dessa afirmação, entendi que não se tratava necessariamente de um ponto de vista pessoal, mas sim do fato desse ex-dirigente conhecer profundamente a estrutura e a cultura de seu clube. Ou seja, para os profissionais que buscam atuar na gestão de clubes os desafios são imensos, porque não há porta de entrada aberta.

 

– Atuar em clubes menores, que parece ser uma alternativa, é também muito difícil, já que a cultura administrativa dos dirigentes é ainda mais pobre. Os poucos exemplos de clubes que tentaram se profissionalizar são em muitos casos desanimadores, com interferência constante do poder pessoal dos dirigentes e com o predomínio dos interesses políticos.

Para piorar o cenário, algumas dessas experiências poderão ser julgadas por resultados esportivos, e cito como exemplo o Paulista de Jundiaí, clube que venceu a Copa do Brasil em 2005 e disputou a Libertadores da América em 2006, e que ruma agora para a Série D do Campeonato Brasileiro (que será criada em 2009). O Paulista, apesar de tentar se profissionalizar administrativamente, não conseguiu de fato se posicionar como um clube importante no cenário esportivo, a despeito da oportunidade gerada por seu sucesso recente.

 

 – Os departamentos de marketing, em sua maioria, adotam soluções isoladas, com o objetivo de gerar receita imediata; naturalmente, por mais que haja esforços, não conseguem realizar milagres na geração de receitas em curto prazo. Com o desgaste causado por mirabolantes promessas não cumpridas, parte dos dirigentes, torcedores e imprensa tende a reforçar o argumento de que não são possíveis mudanças estruturais no futebol brasileiro, e que este está condenado a ter clubes deficitários, reféns de poucas fontes de receitas e dependentes das transações de atletas para o exterior.

 

– Há muitos interessados na manutenção do status atual. Cito como exemplo os dirigentes e empresários que ganham rios de dinheiro com as transações de jogadores para o exterior, e para quem a dependência dos clubes em relação a esse tipo de receita é uma verdadeira galinha dos ovos de ouro. Vejo com preocupação que vários profissionais administrativos que estão tentando ingressar no mercado esportivo estão voltando seus olhos para a carreira de agenciadores de atletas, já que aí está a mais concreta oportunidade. Embora não se possa criticá-los sob a perspectiva pessoal, já que esse é um meio legítimo de ganhar a vida e quem sabe fazer fortuna, vejo aqui um fator muito negativo para nosso esporte.

 

– As empresas que patrocinam o futebol, em sua maioria, não desenvolveram estruturas específicas para rentabilizar seu investimento, explorando-o mais e com maior eficiência. Em geral, quando há um profissional de marketing esportivo contratado, este está incumbido basicamente da realização de (poucos) eventos e da administração do envio de ingressos para convidados. Há oportunidades muito interessantes que não são exploradas, como a criação e administração de relacionamento com torcedores buscando transformar o patrocínio em vendas, tornando os resultados imediatamente mensuráveis e levando o relacionamento com esses clientes a uma dimensão maior. Mas, infelizmente, as empresas ainda compram, basicamente, o espaço do uniforme com o objetivo de aparecer nas telas de TV. É muito pouco.

 

Bem, amigos, essas são algumas observações que, de maneira muito breve, deixo nesse espaço. Estamos abertos a seus comentários, exemplos e observações.

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Responses

  1. Olá,

    É incrível ver como à grande diferença nos clubes do brasil, em quanto alguns tentam acabar com as dívidas, procurar novas rendas, criar um estádio para dar lucro, outros continuam na mesma de sempre, esperando um milagre..

    Vejo que a saída dos clubes está no planejamento a longo prazo, como sócios-torcedores, aqui no RS, tanto Grêmio, como Inter, tinham apenas a modalidade de sócio, até que chegaram ao máximo de sócios permitidos(segundo a lei sei la qual do brasil o clube é obrigado a deixar sei la quantos % para os torcedores normais), então para continuar ganhando sócios os dois clubes fizeram a modalidade sócio-torcedor, que nao tem o ingresso garantido, mas pode comprar com 3 dias de antecedência e pela metade do preço.

    Em quanto isso vejo Flamengo e Corinthians cobrarem um imensidão para se tornar sócio, deixando sócio um coisa de rico, em vez de popularizar..

    Vejo Grêmio,inter,Palmeiras e outros atrás de patrocinadores para seus futuros estádios e ão atrás do dinheiro público para fazer um estádio somente para a copa..

    Os patrocinadores dos clubes nao pensam mesmo.. e a televisão em vez de ajudar, só piora as coisas..

    Vejo uma mudança no futebol, Pequena, mas está acontecendo aos poucos… Acho que em cerca de 10, 15 anos já poderemos ver nosso futebol com os craques ficando aqui, grandes patrocínios, a tv com imagens da Eurocopa..

    Abraço, gostei do post.

    Olá, Matheus. Obrigado pelo comentário. Achei interesante você mencionar que alguns clubes cobram demais pelos planos de sócios, ao invés de popularizar. Entendo o que você quer dizer, e de fato acho que são necessários planos diferentes para públicos diferentes (portanto com preços e perfis de serviços diferentes). Todos os grandes clubes tem torcedores em todos as classes sócio-econômicas, e é preciso alcançar todas elas, com produtos segmentados. Nesse ponto acho que a grande maioria de nossos clubes ainda engatinha.

    Um abraço,

    Mauricio

  2. Maurício,

    Parabéns pelo post. Fizestes uma leitura perfeita do cenário atual do futebol brasileiro.

    Graças a Deus o meu Grêmio vem fazendo um excelente trabalho fora das 4 linhas, através de uma política de futebol responsável, que visa o saneamento financeiro do clube a construção de uma base de time para o futuro.

    Já o nosso co-irmão parece estar se esquecendo dos motivos que o levaram a ter sucesso em 2006. Hoje eles contratam jogadores a peso de ouro, incham a folha salarial e, ainda por cima, trancam a gurizada da base. O resultado disso está refletido na tabela do campeonato.

    Tenho conversado com o Sérgio Bombassaro, diretor do Quadro Social do Grêmio, e a idéia do clube é implantar um sistema de CRM no clube, para possibilitar o crescimento do número de sócios de forma que estes tenham um atendimento de qualidade, além de possibilitar ao clube uma maior flexibilidade em termos de criação de planos e vantagens para os associados.

    Porém, cabe ressaltar que não adianta modernizar um setor do clube sem que as outras áreas do clube acompanhem esta modernização. Como eu comentei em um post anterior, o sucesso de um clube depende da boa comunicação entre os seus diversos setores, principalmente Quadro Social, Marketing e Futebol. Se isso for alcançado, o sucesso é questão de tempo.

    Daqui a 3 anos pretendo ser um conselheiro do meu amado tricolor, mas antes pretendo concluir minha pós-graduação em gestão e depois em marketing esportivo, pois quero ser um dirigente preparado para levar meu clube aos tempos gloriosos do passado.

    O amadorismo não tem mais espaço no futebol de hoje, felizmente.

    Abraços

    Olá, Giuliano, obrigado pelo comentário e pelo elogio. Pelo visto você é um exemplo da nova geração que quer chegar ao futebol com algo mais nas mãos que a pura paixão. Isso é muito bom, e tomara que você consiga conquistar seu espaço no Grêmio. Aliás, você menciona que o Grêmio quer implantar um CRM, e isso será ótimo para oferecer melhores serviços aos sócios e conquistar potenciais sócios, além de permitir que se ganhe mais dinheiro com os diferentes perfis de consumidores, por exemplo desenhando ofertas para que um torcedor com perfil de consumo X migre para uma categoria de consumo XX, e que o cliente com perfil XX evolua ao longo tempo para um perfil XXX, no que alguns autores chamam de “escada de consumo”.

    Concordo quanto à necessidade de disseminação da filosofia de gestão por todos os setores do clube, com especial atenção ao processo de comunicação e integração entre departamentos.

    Obrigado e um abraço.

    Mauricio

  3. Barbaridade, reli o post e escrevi “clube” umas 500 vezes.

    😛

    Giuliano, não “esquente”, a comunicação escrita por aqui aceita uma dose de informalidade. Valeu.

  4. Maurício,
    falando em buscas por novas formas de salvação dos clubes brasileiros. Será que vocês do Futebol & Negócio teriam acesso aos números da Fla TV e da Timão TV, seria interessante saber se esses dois times estão verdadeiramente obtendo lucros.

    Abraço

    Olá, Pedro. Não tive ainda acesso aos números da TV Timão, mas pelas informações que obtive o número de adesões foi pequeno, ao menos no período inicial, e muito inferior às expectativas. Parece-me que houve um certo otimismo quando da divulgaçao do projeto. Se obtivermos mais detalhes e números, vamos informar. Um abraço,

    Mauricio

  5. Olá Maurício,

    Antes de mais nada parabéns pelo Blog, é uma ferramenta nova no futebol e terá um crescimento imenso entre os torcedores em pouco tempo, pois há muitos torcedores que anceiam por essas notícias e não as acham em lugar algum.

    Bom também sou gremista e me interesso muito pelo assunto finanças dos clubes. Como todo torcedor sonho com um clube forte finenceiramente, bem administrado e brigando por títulos. No Grêmio alguns passas já foram dado nesse sentido (mesmo que pequenos), e isso me deixa muito contente.

    Bom quanto ao fato de futebol empresa eu tenho muita resistência quanto a isto, não gosto nem um pouco da idéia de transformar clubes de futebol em empresas, pois acima de tudo futebol é paixão e sem ela não há negócio que resista. Cito como exemplo os clubes ingleses, apesar do sucesso do campeonato inglês, eu não vejo meu time com um dono, ( Como o Chelsea ) isso seria triste demais para mim.

    Mas concordo plenamente que os profissionais para trabalhar no clube tem que ter plena qualificação para tal, mas paixão é paixão e futebol acima de tudo é tradição e por mais qualificado que o profissional seja ainda o requisito básico para ele administrar meu clube é ser torcedor como eu.

    É necessário achar uma receita que misture o proficionalismo qualificado com a paixão pelo clube. O primeiro passo para isso tem que ser dado pelo torcedor, se os torcedores querem um clube forte ele tem que ajudar, essa é a receita certa!

    A torcedor tem que ser ativo no seu clube, sendo sócio, se informado da parte política de seu clube e consumindo sua paixão, para torna-lá cada vez mais forte.

    David, obrigado pelo comentário e pelos elogios. Acho que há uma diferença entre o dirigente politicamente nomeado, que decerto deve ser um torcedor do clube, e o administrador profissional, contratado para, por exemplo, assumir uma gerência financeira; este, a meu ver, não precisa ser um torcedor do clube – e em algumas circunstâncias é até bom que não seja, para que preserve uma ação imparcial.

    O futebol movido a paixão muitas vezes acaba em contratações financeiramente inviáveis e comprometimentos de receitas futuras com as conseqüências que conhecemos.

    Também acho que a figura de “donos” de clubes é algo um tanto estranho para nossa cultura, e não é necessáriamente saudável. No modelo brasileiro, assim como em muitas partes do mundo, o clube pertence aos associados – e, repare, não aos torcedores.

    Enfim, acho que esse tema merece discussões e opiniões divergentes, para que se procurem as fórmulas mais viáveis e adequadas. Um abraço,

    Mauricio

  6. Olá Mauricio,

    Primeiramente gostaria de te dar os parabéns pelo texto postado. Foram perfeitas suas colocações.
    Como foram citadas no post, algumas evoluções já são notadas por parte de alguns clubes, mas, ainda acho muito pouco pelo tamanho do potencial do futebol pentacampeão do mundo (dentro das quatro linhas).
    Em minha opinião, os maiores responsáveis para que uma revolução mais rápida e principalmente mais competente aconteça no cenário, não só futebolisco mais em outras modalidades também (cito o basquete masculino que fica fora de mais uma Olimpíada), são os dirigentes. Dirigentes esses, não só de clubes mais incluo os de federações e confederação, que executam administrações arcaicas e sem nenhuma evolução no contexto planejamento.
    Evidente, salve algumas exceções.
    Cito como exemplo: Sou torcedor de uns dos clubes mais tradicionais, com a segunda maior torcida do país (segundo pesquisas), SPORT CLUBE CORINTHIANS PAULISTA.
    Como já é sabido, pelos veículos de comunicação, o clube encontra-se com uma divida monstruosa, devido há uma parceria mal sucedida com um fundo investidor estrangeiro..
    Os detalhes já são conhecidos e não seria preciso detalhá-los aqui no espaço.
    Agora, para se chegar a essa situação, além da incompetência dos dirigentes (me perdoe insistir na palavra incompetência) que executaram tal desastrosa parceria a ‘MARCA’ Corinthians Paulista encontra-se mal explorada em cima do seu patrimônio maior, o torcedor.
    Tenho comigo, que o torcedor é o cliente de um clube e esse cliente é pessimamente tratado pelos dirigentes do nosso futebol brasileiro.

    Para finalizar, Incluo-me como um dos aspirantes a cargo de dirigente ou mesmo gestor dessa combalida gestão, tão mal explorada em idéias competentes e ações, que poderiam segurar nossos craques por muito mais tempo no País.

    Parabéns há vocês pelo Blog!!!

    Carlos, acho que seu diagnóstico sobre o Corinthians é muito adequado. Espero que você e mais pessoas com senso crítico e imparcial consigam abrir caminho nesse mercado tão fechado, trazendo novos ares para a gestão de nosso futebol.

    Abraço,

    Mauricio

  7. Olá Maurício!
    Deixo aqui minha opinião.

    Não acho que ser torcedor do clube seja essencial para desempenhar uma boa gestão no mesmo.
    O departamento de Marketing do clube, responsável por patrocínios, ações com o torcedor e gestão da marca do time, precisa ser administrado pelo profissional apaixonado PELA SUA CARREIRA NO MARKETING ESPORTIVO e não pelo clube. A paixão antes de tudo, precisa existir pela sua função, desempenhada da melhor maneira possível.
    Se o profissional precisa ser torcedor do clube, como faríamos então com jogadores que trocam seu time pelo arqui-rival? Em uma boa oportunidade posterior, um dirigente não compraria os direitos do atleta novamente? Longe dos gramados também vemos profissionais apaixonados pela sua função e não pela empresa onde trabalham ou trabalharam um dia. Ex-funcionários do Google estão lançando um novo buscador querendo desbancar seu novo concorrente. É mais um caso onde o que está em jogo é o profissionalismo.
    A parte da paixão, deixemos com os torcedores (clientes) e os dirigentes dos clubes. Estes sim, precisam ser “apaixonados”, mas com um certo profissionalismo para avaliar e acreditar no trabalho de seus subordinados.

    Um abraço!

    Leonardo Gerodetti

    Leonardo, em gênero, número e grau, estamos de acordo. Penso que a razão dos gestores é fundamental para que a paixão dos torcedores cresça e se solidifique, inclusive (mas não apenas) através de bons resultados esportivos.

    Um abraço,

    Mauricio

  8. Se fosse pra contratar só quem torce pelo clube, teria que começar pelos jogadores, já que são eles que vestem a camisa do clube dentro do campo.

  9. Leonardo,

    Até concordo contigo em partes, mas ainda não abro mão de o profissional torcer para o clube, as torcidas dos grandes clubes são gigantescas e não é difícel achar excelentes profissionais torcedores do teu time.

    Futebol ainda é paixão, como qualquer outro esporte e tornar toda essa paixão em pura e simplesmente negócio, pode ser o fim do futebol é necessário achar um meio termo.

    Tu gostaria de saber que o profissional que trabalha no marketing do teu clube torce para o maior rival? Talvez tu não achas problema nisso, mas a grande massa apaixonada não iria gostar nem um pouco.

    É óbvio que do jeito que as coisas estão hoje não pode ficar é necessário reformar o sistema diretivo dos clubes brasileiros.

    Bom a minha opnião é essa e não abro mão dela para meu clube, mesmo podendo queimar minha lingua com o atual diretor de futebol do meu clube (Grêmio) pois lá encontra-se o seu Rodrigo Caetano excelente profissional que recuperou as categorias de base do imortal tricolor e agora unificou o futebol profissional com a garotada, mas ele foi contratado por fazer um ótimo serviço nas categorias de base do RS Futebol. Ou seja todos nós acreditamos que ele é gremista, mas ele nunca se manifestou a esse respeito.
    Se um dia ele dizer que não torce para o Grêmio terei que engoli-lo pois é um excelente profissional.

  10. Mauricio… Boa Tarde!!!

    Tenho comigo que, os que pleiteiam a enveredar para carreira de gestor na área esportiva (e me incluo), necessitariam de mais conteúdo em questão de eventos, WORKSHOPPINGS, discussões (troca de idéias/informações) com profissionais da área e demais… Seria um estágio de experiência, vivendo o ambiente esportivo no dia-dia.
    Conseqüente a isso, o desenvolvimento de trabalhos, no que tange as idéias, para melhora da administração dos clubes e entidades.
    O que se vê hoje é um grupo restrito, em grande parte, formado por ex-atletas, que após deixarem suas atividades, assumem um cargo, em clubes ou entidades, onde o mesmo não agrega uma formação para tal e sim pelo simples fato de ter vivido uma experiência profissional no âmbito, clube. Evidente que há as exceções.
    Acho esse fator importante um ex-atleta assumir um determinado cargo em um clube, mais não é tudo. O ex-atleta tem sim que passar por uma formação administrativa (de conhecimento em Gestão), para somar ao seu currículo um congênere esporte-administrativo.

    Com relação aos que não são ou foram atletas, também é evidente que, além de se prepararem para profissão, incluir-se ao seu currículo o convívio ou grande gama de informações que puder adquirir com clubes/entidades, atletas, ex-atletas…

    Acredito que não só apenas o fator conhecimento seja importante, às ferramentas para que sejam desenvolvidos esses conhecimentos adquiridos é um aspecto fundamental para uma mudança de mentalidade na administração, repito, de clubes e entidades.
    E hoje não às vejo ou tenho conhecimento. Evidente que possa ter, mais é poucas.

    Assim gostaria se me permite, deixar nesse espaço, a sugestão de se somar há informação (ões), sobre a radiografia da gestão de clubes e entidades e demais… Que a meu ver e de muitos, um trabalho riquíssimo feito por esse conceituado blog. Agrega-se (soma-se) a tal trabalho, informações sobre as ferramentas (na percepção da palavra) que podem ser utilizadas ou mesmo consultadas para melhor desenvolver projetos, que somem idéias e valores para uma melhor Gestão, não só no futebol mais para outras entidades que englobam o esporte.

    Um Abraço!!!

  11. Exclente post, Murício! Nem sei por onde começar. Vc passou precisamente o cenário que habitamos.

    Bom. Eu disse no post passado que: “Na verdade temos o estopim e o fósforo nas mãos, agora resta saber quando ele vai ser aceso.”
    Eu quero estar por perto qdo este fósforo for aceso, pois estou me preparando desde já – fazendo cursos, entrando na faculdade e depois fazer a pós – e pretendo me tornar dirigente do Palmeiras, mas será uma honra trabalhar tanto no Corinthians quanto no Barueri.

    Na minha opinião, falta só os clubes enfiarem na cabeça que o certo é fazer um planejamento a longo prazo com marketing para conquistar ainda mais os seus torcedores e, as empresas que os patrocinam ativarem esses patrocínios. E esquecerem que venda de atletas não é a única maneira de se gerar dinheiro.
    Outra estratégia que é praticamente inexistente no futebol é a ferramenta de pesquisa. Como um clube quer chegar aos seus torcedores se ao menos não sabem quem são e o que eles desejam?
    Identificando os seus consumidores e novos adeptos fica mais fácil aplicar diversas ações para se gerar receitas.

    Repito: Temos todas as condições para alterar esse cenário e vejo pessoas querendo ajudar.
    Resta saber quando é que isso vai ser mesmo colocado em prática.

    Abraços

  12. Mais uma excelente postagem.

    A ineficiência do Marketing dos clubes é algo visivel até para os que não acompanham com esta visão.

    Vou usar o exemplo do Inter. O Inter vem avançando, e muito nesse quesito, mas beira o rídiculo, os ídolos recentes do clube não terem rendido(diretamente) nada em produtos.
    Fernandão é comparável a Falcão, e não se explorou isso, Alexandre Pato fez a festa dos camelôs que vendiam patinhos de borracha, camisas e nenhum produto oficial saiu. Nem CAMISAS. Se tu quer camisa com o nome de algum jogador, vai ter que comprar num seleto número de lojas(certeza, só tenho de uma).

    Quando eu falo em venda de produtos, não é simplesmente arrecadar royalties, é estratégia de consolidação da marca também, conquistar novos mercados. Poderia-mos ter explorado muito mais, ter virado uma febre entre as crianças e adolescentes o fenômeno PATO, quer mais apelativo com crianças do que um simpático animal que ele conhece das histórias que lhe são contadas prá ser seu elo de ligação com um clube.

    Jorge Avancini é o atual vice de marketing do Inter, e um dos grandes responsáveis pela campanha dos 100 mil sócios, e está aí algo realmente significativo, e que tem que ser dado o crédito.

    Outra coisa que poderia ser muito aproveitado, é o mercado latino-americano. Estamos cada vez mais consumindo jogadores dos nossos vizinhos, e o mais natural seria explorar esse potencial. Como venderemos o futebol para a Europa, se nem os vizinhos o consomem? Tantos craques argentinos, uruguaios, paraguaios, colombianos, chilenos… atuando no Brasil, e pouco se vende em produtos e em transmissão para esses países.

    No Inter eu vejo mudança no sentido de profissionalizar, inclusive nos cargos da direção(vice presidência de marketing é um exemplo), optando por gente com ligação direta com o clube, mas capacitada. Nos quadros funcionais também, tem muita gente capacitada trabalhando, porém a gente sabe que ainda existe muita gente escolhida por questões políticas.

    Me estendi um pouco, espero não ter desfocado muito, mas o assunto aceita muitos enfoques mesmo.

    Mais uma vez parabéns pelo trabalho de vocês

  13. Mauricio, acho que sua análise cobre muito bem todos os pontos da problemática do futebol profissional
    Só tenho reparos para um ponto: o da necessidade e rentabilidade de arenas para cada clube.
    Fundamento no seguinte: em cada uma das grandes cidades do mundo, existem um, no máximo dois clubes disputando um campeonato nacional, incluindo nisso NBA, NFL, etc. As arenas desses clubes representam um referencial importante para as cidades onde estão localizadas.
    No Brasil, em algumas capitais seria preciso tres, quatro arenas, o que pra mim configura uma dispersão de recursos de difícil retorno.
    O que seria ótimo, porém inviável dadas as paixões clubísticas, era a fusão entre clubes, ou no mínimo o compartilhamento de arenas.
    Um abraço

  14. parabens mauricio pela excelente materia,concordo em genero,numero e grau,perfeito.
    eu particularmente sou um apaixonado pela associação portuguesa de desportos,uma cidade extramamente potencial de copa do mundo sem duvida,por sua infinitas qualidades,por seu imenso espaço,localização previlegiada,imaginamos o projeto começando do zero o que não poderiamos construir dentro dessa nova cidade caninde???um projeto ambicioso não geraria capital independentemente do futebol para o eterno futuro da agremiação???imagino uma cidade dos sonhos caninde começada do zero com um complexo no sub solo com estacionamentos,um super clube dentro de um predio,como exemplo o sesc pinheiros,interligado juntamente com uma super arena,quanto maior melhor,mais capital entra,meu exemplo perfeito seria a arena do benfica,interligando com um shoping center e no ultimo andar uma universidade,o shoping serviria de sustenção para tudo o que existiria na cidade dos sonhos caninde,assim concentrando mais capital,nesse shoping em cima poderia ter um heliponto,atras desse shoping uma mini casa de show,um anfiteatro,ao fundo da arena o predio de estacionamentos com a interligação dos estacionamentos do sub solo e tudo isso interligado,mauricio não seria um excelente investimento,um futuro eterno ao clube,instituição portuguesa,um bem para a cidade de são paulo,brasil.como o futebol brasileiro pode ter estruturas tão precarias???será que conseguiremos realizar a copa com dignidade???e depois que a copa passar o que vai ser das agremiações no futuro,pricipalmente daquelas que não se modernizarem,estruturarem e digo radicalmente,não somente construindo uma simples arena,o que vai ser do futuro dessas agremiações,instituições???não sei como anda o mercado dos investidores,parcerias,mas lendo uma materia a qual diz que os investidores vem com cerca de 1bilhão de euros para investirem nos potenciais clubes brasileiros para serem a sede da copa do mundo,mais cade???se escuta que vai sair ali,aqui,mas não sei não,eu apostava com toda certeza atualmente nesse novo projeto do palmeiras e parece que os embrolios,burocracias já começaram a surgir e já estou com o pé atras,e muitas outras no passado,até a propria portuguesa,botafogo,ambas a luso arenas,o do corinthians então nem se fala,será que as parcerias,os investidores estão realmente dispostos em investir em projetos como esse???porque se for para apostar em somente arenas,podem apostar que vai virar investimento jogado fora,vão virar verdadeiros elefantes brancos,se não tiverem,giro de capital diario,assim como gira um grande capital no sesc pinheiros,shoping center e etc,penso assim não sei se estou certo,mas cabe ao profissional mauricio,que deveria ser aplicado em todos os cargos de clubes,todos deveriam ter formação,curriculo,competencia,profissionalismo,todos os cargos deveriam existir um presidente de marketing,um vice eleito pelo proprio presidente do marketing e assim vale a todas as demais funções,infelizmente isso não acontece na grande maioria das instituições,vivem ainda na era pré historica,por isso não evoluem,não se modernizam,muitos por vaidades,orgulho e amor as carteirinhas.

  15. em separado como podemos achar a divida detalhada da associação portuguesa de desportos.
    em relação a minha cidade dos sonhos cidade caninde tenho até um rabisco primario,que os profissionais o chamam de desenho em forma de massa,poderia lhe enviar para que pudesse dar uma opinião???obrigado


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