Publicado por: Maurício Bardella | 17/julho/2008

Camisa popular do Corinthians para combater a pirataria

Em 8 de fevereiro publicamos um artigo intitulado Camisas Piratas e Camisa Populares, no qual tentávamos discutir soluções para que os clubes pudessem ofertar ao mercado camisas mais baratas, ainda que não fossem confeccionadas com os mesmos materiais das oficiais. Trata-se de buscar uma estratégia para minimizar os efeitos da pirataria, ainda que não se consiga eliminá-la por completo, aumentando as receitas dos clubes com as vendas desse item licenciado que funciona como o “carro-chefe” de toda a linha de produtos que carregam a marca da associação.

 

Nesse artigo – cuja leitura eu indico para os amigos que conheceram o Futebol&Negócio recentemente – sugeríamos que os fabricantes de materiais esportivos terceirizassem a produção das camisas populares, procurando fornecedores com menores estruturas de custos e eventualmente retirando seus logotipos desses produtos, com isso os diferenciando visualmente das camisas oficiais e, ao mesmo tempo, evitando a contaminação da marca em um produto com padrões de qualidade necessariamente inferiores.

 

Pois a Nike acaba de anunciar que ainda durante esse ano será lançada uma linha de camisas do Corinthians que chegará ao consumidor por R$ 50,00, contra os quase R$ 160,00 da camisa oficial. Segundo o vice-presidente de marketing corinthiano, Luiz Paulo Rosemberg, as camisas serão visualmente similares, mas não terão o logotipo da Nike.

 

Para chegar a esse produto a empresa norte-americana selecionará um fornecedor que será encarregado da produção. Os parâmetros de qualidade, demonstrados por exemplo no tipo de material com o qual se confeccionará a camisa, serão definidos pela Nike com o objetivo de combinar baixo custo com uma qualidade que atenda as aspirações do consumidor desse tipo de produto.

 

Convenhamos que, por R$ 50,00, essa camisa popular deve ser capaz de atingir um grande mercado consumidor, já que seu preço se aproxima bastante das camisas piratas e das falsificações. Ressalto, no entanto, que a distribuição deve ser ampliada e a produção deve ser capaz de atender a uma grande demanda, requisitos básicos em minha opinião para que o produto tenha uma presença de fato consistente no mercado.

 

Na essência do projeto está o conceito de segmentação, que tanto temos defendido nesse blog. Se os clubes tem dificuldades para aplicar efetivamente conceitos de marketing em seus negócios, não se pode admitir que as empresas patrocinadoras, com suas estruturas profissionalizadas, não desenvolvam conceitos como a segmentação da linha de produtos licenciados, para citar um exemplo. O produto futebol alcança todas as classes sócio-econômicas e oferecer produtos diferenciados, com estruturas de custos e preços também diferentes, é um caminho óbvio para aumentar as vendas e ampliar as receitas.

 

Vamos acompanhar o desenvolvimento da camisa popular corinthiana com bastante expectativa. Caso ela seja um sucesso de mercado um grande paradigma dessa indústria estará sendo destruído, e se provará que é possível atacar a pirataria com produtos e não apenas com ações policias.

 

 

 

Novo modelo de camisa oficial do Corinthians

 

  

 

Em paralelo a Nike acaba de apresentar a nova linha de camisas oficiais do Corinthians, já disponível nas lojas – evitando assim erros de várias empresas que realizam eventos de lançamento sem disponibilizar o produto de imediato para o consumidor. Com o mercado aquecido e com a boa campanha do clube na Série B as novas camisas devem responder por uma significativa receita, assim como aconteceu com as camisas roxas que a Nike recentemente lançou e o clube utilizou apenas uma vez – o que não foi suficiente para impedir que ela se transformasse em um sucesso de vendas. Mas esse já e um assunto para uma outra e futura discussão.

 


Responses

  1. Boa Tarde

    Não ha nada mais lógico do que isso:

    ” Produto diferenciado para público diferenciado ”

    Entretanto confesso que um amigo, que viajou à Itália, trouxe uma camisa não oficial de jogo, mas que disse ter comprado na loja oficial da Inter de Milão (isso faz uns 4 anos) e eu ri na cara dele com a seguinte frase:

    ” Você, brasileiro esperto, conhecedor emblemático da pirataria, tomou uma rasteira de um europeu, putzzzzz “…

    Confesso que eu sacaneava ele até hoje, mas hoje acabei de crer que eu estava errado.

    Com certeza ocorrendo a distribuição correta, vai vender demais essa camisa popular.

    Abraço

    Léo!®

    Olá, Leonardo. Veja você que mesmo na Europa há a preocupação com a segmentação e a conseqüente oferta de produtos para públicos diversos, com poder aquisitivo diferente. Por aqui ficamos muito tempo ouvindo a ladainha de que a pirataria é uma praga que tem ser combatida pela fiscalização, e que seria inviável lançar produtos mais acessíveis para combater esse mercado paralelo.

    Parece que finalmente uma empresa tomou a iniciativa de ampliar a oferta de produtos com o lançamento de uma camisa popular. Também me parece que alguns clubes finalmente passaram a reivindicar que seus fornecedores invistam no mercado popular, como uma maneira de ampliar as vendas e as receitas.

    Um abraço,

    Mauricio

  2. Caro Maurício, faz tempo que não trocamos umas figurinhas, sinto falta, sempre sai algo de bom de suas ponderadas análises.

    Quanto ao post, creio que tudo que se precisaria abordar já o foi; questões sobre posicionamento, de adaptação da oferta ao perfil de público, do apelo multi segmento que o futebol apresenta e da necessidade do combate à pirataria.

    Em relação ao último item supra-citado, um pequeno lembrete : quando não se ocupa um espaço seja geográfico, de mercado, social, etc…alguém o fará; é o que creio que o clube esteja tentando fazer, espero que tenha bom resultado e tem tudo para ter; contudo reitero a necessidade de ações do poder público e do clube para a proteção da propriedade intelectual, direito do qual nenhuma organização, artista, produtor de qualquer ramo deve abdicar.

    Abraços a todos,

    Robert

    Meu caro Robert, nossas discussões são sempre proveitosas e produtivas. Muitas vezes, no entanto, elas não são exatamente discussões no sentido de contraposição de idéias, já que boa parte do nosso pensamento se aproxima.

    Concordo com você que a iniciativa de clube, patrocinador esportivo e poder público pela fiscalização é e sempre será necessária; infelizmente, no entanto, sabemos que o estado não prima pela eficiência e tampouco consegue zelar adequadamente pelo cumprimento das leis, assim como sabemos que em todas as instâncias há interesses que facilitam e perpetuam os negócios ilegais. Especialmente por esse motivo acho imprescindível que se invista em produtos para alcançar ao menos parte do público-alvo dos produtos pirateados.

    Um abraço e continuemos a manter nossas discussões.

    Mauricio

  3. Convido toda a gente a visitar o meu blog dedicado ao FC do Porto.

    Deixem vossa opinião.

    Quem estiver interessado em parcerias ou trocas de links que me contacte através do e-mail ou no blog.

    Abraço desde a cidade do Porto (Portugal)!

  4. Meu link não ficou visível na caixa de comentários.

    É:

    LegionofDragons.blogspot.com


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