Publicado por: Amir Somoggi | 4/julho/2008

Clube campeão ou bem administrado?

Sempre que inicio uma palestra sobre gestão de clubes de futebol e levanto essa questão, fico impressionado com a polêmica em torno do assunto. Para muitos de nada adianta um clube ter uma administração austera se no final de cada temporada não estiver disputando a ponta da tabela ou conquistar algum título de expressão.

 

Embora esse seja um tema polêmico, tenho uma opinião clara sobre o mesmo. Para mim não adianta um clube gastar mais recursos do que poderia em busca de títulos e de uma valorização de seu negócio através do bom desempenho em campo. Sou absolutamente favorável a uma gestão que não inviabilize a operação futura da entidade.

 

Muitos casos pelo mundo e aqui no Brasil comprovam que boas práticas administrativas permitem a valorização do negócio do clube e sua principal conseqüência é uma maior possibilidade de investimento de longo prazo nas diferentes áreas de negócio dos clubes, inclusive relacionado ao departamento de futebol profissional e amador.

 

Na prática, os clubes que não se deixam influenciar pela pressão imediatista dos resultados nas competições, mesmo que no curto prazo não atinjam seus resultados em campo, seguramente a médio e longo prazo terão mais recursos disponíveis para realizar seus investimentos.

 

Essa filosofia de boas práticas administrativas é mais fácil de ser implementada em clubes menores, que sofrem menos com a pressão da torcida, conselheiros e imprensa. Não é a toa que em muitos países, inclusive no Brasil esse perfil de clubes têm conseguido se destacar nas competições que participam.

 

Para que um clube possa implementar um projeto concreto de gestão eficiente é necessário que além da busca incessante por novas fontes de receitas, a entidade implemente uma série de controles internos em sua administração e pela utilização de diferentes indicadores de desempenho. A adoção dos indicadores possibilitará que a alta administração da entidade verifique com dados históricos, a realidade financeira a cada temporada e possa traçar cenários futuros para o clube.

 

Assim, a pergunta que levantei no título desse post, serve como profunda reflexão para o mercado do futebol no Brasil, já que muitos exemplos comprovam que mesmo quando um clube amplia substancialmente suas receitas, quase sempre pela transferência de seus atletas, as despesas acabam crescendo no mesmo patamar, ou até acima, fazendo com que o cenário futuro do clube seja desfavorável, caso não surjam novos craques para serem negociados com clubes do exterior.

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Responses

  1. Sou 100% a favor de uma boa administração. Os títulos vêm com o tempo. Um clube bem administrado é bem visto pelos profissionais e, principalmente, pelos investidores.

    O Palmeiras, pós era Parmalat, entrou em desgraça por causa de uma péssima administração (Mustafá Contursi). Não conseguia nem patrocínio.

    Essa ância de título, às vezes, é desfavorável ao clube. Ainda no Palmeiras, mas um caso mais recente, reflete bem isso. Deixou, claramente, de se interessar pela Copa do Brasil para garantir o título Paulista – muito menos rentável e importante – por causa desta ância por um título.

    Um clube que está no caminho certo (tudo leva a crer) é o Figueirense. Se eles estão no topo da tabela? Não. Mas em breve estarão. Paga em dia, tem grandes projetos, boa categoria de base etc.

    Outro exemplo que evidencia o que você defende no post e eu concordo plenamente, é o Corinthians da era Kia. Ganhou o brasileiro, mas fez uma dívida exorbitante. Resultado: caiu de divisão dois anos depois.

    Olá Diogo,

    Obrigado pelo comentário e pelos exemplos.

    O caso do Corinthians foi tão emblemático que a própria FIFA utilizou esse caso para justificar mudanças (ou tentativa) na regulamentação atual sobre as parcerias entre clubes e empresas pelo mundo.

    Um abraço.

    Amir

  2. Amigos, parabens pelo blog.
    Conheci hoje e gostei bastante.
    Sobre o assunto em pauta creio que uma administração séria é a base para tudo.
    Os titulos são consequencias de um trabalho bem feito.

    Olá Angélica,

    Seja bem vinda!

    Certamente esse deve ser o caminho a ser trilhado pelos clubes.

    Um abraço.

    Amir

  3. Um clube bem admistrado é aquele que faz planejamento anual ou a médio prazo, que não troca de técnico com frequência. Estipula metas, etc.
    A chance de obter títulos aumentam e permanecer ganhando título e estando entre os melhores é certo.
    O clube campeão é efêmero, vive aquele bom momento, adquire patrocínios mas não consegue permanecer em alta por muito tempo.
    Esse sucesso repentivo leva os clubes a venderem seus jogadores de destaque enão consegue manter o bom nível para a próxima temporada. O planejamento e o marketing são essenciais nos grandes clubes.
    Os clubes grandes relutam em aderir de fato a gestão profissional, pois essa estrutura de poder favorece determinados grupos.
    As iniciativas de profissionalização geralmente acontece nos clubes pequenos e recém criados.

    Olá Cleber,

    É verdade, os melhores exemplos de boa administração dos clubes são verfificados em clubes menores e sem conflitos políticos.

    Mas esse modelo é mais do que necessário para buscarmos uma valorização maior de nosso mercado e projetos contínuos de ampliação de receitas e eficiente controle orçamentário.

    Um outro ponto imporante é que para muitos clubes o termo planejamento estratégico é considerado inviável, o que é uma pena.

    Um abraço.

    Amir

  4. não tenho nehuma dúvida de que investir em projetos de longo prazo entretanto o que podemos considerar um tempo de longo prazo?

    No bom livro de mauro halfeld, em ivestimentos fincanceiros se toma o principal parametro o incio da 3 idade ou a renda que possibilita custear a velhice. Na ocasião de empresa qual é principio tomado pelas empresas?

    Olá Rhay,

    Sua pergunta é realmente importante.

    O planejamento plurianual é tão necessário para os clubes de futebol como é para as empresas. Para tanto o ideal é trabalhar com uma perspectiva de longo prazo de 10 anos, com reavaliações periódicas.Algumas empresas já enxergam como longo prazo até duas décadas.

    Entretanto pelas características singulares da gestão dos clubes, com eleições a cada 2 ou 3 anos por exemplo, a perspectiva deve ser de pelo menos o preíodo do mandato do presidente eleito, considerando uma reeleição.

    Para os clubes em que o presidente fica uma década no poder ou no caso dos clubes-empresa não há desculpa, a perspectiva deve realmente ser de longo prazo, como no mercado corporativo.

    Um abraço.

    Amir

  5. Amir, como sempre, certeiro em suas colocações. A necessidade de um clube manter uma administração sustentável, na minha opinião, deve sempre estar a frente dos resultados imediatistas. Como um companheiro já citou acima, com boa administração os resultados de longo prazo aparecem naturalmente.

    Se possível, me mande um email, gostaria de conversar com você em pvt.

    Obrigado

    Olá Felipe,

    Concordo com suas colocações, espero que nossos clubes entendam que o bom planejamento e a administração austera somente trará benefícios tanto dentro como fora de campo.

    Te enviarei um email.

    Um abraço.

    Amir

  6. Amir, não podes confundir a avaliação de torcedor com a de pessoas minimamente esclarecidas sobre o assunto.
    A torcida sempre espera resultados em campo, e não quer saber da estrutura interna do clube. Palpita frequentes absurdos sobre contratações, construções e infra-estrutura, recursos e venda de jogadores. Me parece claro, que uma coisa puxa a outra. É assim no time para qual torço, o Inter, e está se configurando assim como realidade em diversos outros clubes.
    A questão, na minha opinião, é que nós – interessados de forma ou outra em gestão e marketing esportivo – devemos pensar em uma forma de popularizar o tema, tirando a sombra da ignorância que determina o senso comum sobre questões administrativas no esporte.
    Outra coisa: talvez tenha ouvido essa opinião (que postastes no blog) de alguns dirigentes do futebol, também. Neste caso, convenhamos que, o que a maioria dos dirigentes de clubes de futebol do país é, se não um torcedor com poder (sem qualquer capacitação ou conhecimento técnico)?
    No mais, parabéns pelas 100 mil visitas…
    Abs

    Olá Tércio,

    Sem dúvida, se fizer essa pergunta para qualquer torcedor no mundo, todos responderão que preferem títulos. Mas a diretoria deve administrar o clube de forma absolutamente racional.

    A disseminação dessa visão somente será possível quando internamente o clube compreender a sua importância para então abordar o mercado. O torcedor entenderá que uma gestão equilibrada pode em alguns anos transformar o seu clube e posicioná-lo no mercado.

    Estou certo que os torcedores do CAP ou Figueirense por exemplo adoram ler nos jornais que os clubes são dois bons modelos a serem seguidos por outros clubes.

    Esse é um processo necessário e lento, mas que em algum momento deve começar no Brasil.

    Um abraço.

    Amir

  7. Um clube só é vencedor e seguro quando se faz uma ótima administração e planejamentos de médio a longo prazo.
    Os que querem resultados imediatos podem até conseguir bons resultados, mas serão levados para baixo assim que acabar essa ótima fase (leia-se: premiações de títulos e atletas exportados,entre outros ganhos). E o pior de tudo é que eles se perguntam por quê?
    Clubes como São Paulo F.C e Internacional estão entre os clubes mais bem administrados daqui. O primeiro fez um planejamento para vencer a Libertadores no ano de 2005 e Brasileirão de 2006. E o segundo, após péssima campanha em 2002 começou um planejamento para 2006 e se sagrou campeão mundial. Ambos possuem excelentes campanhas de marketing e postulam como maiores clubes com sócios-torcedores, 2º e 1º respectivamente.
    E hoje, esses dois clubes mantêm uma regularidade financeira. Pois aquele planejamento para vencer dentro ou fora de campo também foi feito para eventuais perdas.

    Abraços;
    e até dia 10/07

    Olá Ricardo,

    Obrigado pelo comentário.

    Somente uma correção o segundo clube que mais gera receitas com sócios ligados ao futebol no Brasil é o Grêmio. O clube está cada vez mais perto de seu arqui-rival em receitas com sócios, essa briga será muito boa.

    Nos vemos na USP no dia 10.

    Um abraço.

    Amir

  8. po mto bom o post
    agora eu queria lançar uma nova pergunta
    Porque os clubes brasileiros vendem jogadores para fora e, com o dinheiro das vendas, não conseguem manter as gerações seguintes no clube por muito tempo? Porque o Brasil perde jogadores para mercados de países cuja economia é mais fraca que a nossa, como turquia e ucrânia?

    Olá Gustavo,

    Fico feliz que você gostou do post.

    Sua pergunta é muito bem colocada. No Brasil criou-se a tese que os clubes somente manterão algum equilíbrio em sua gestão caso vendam pelo menos um jogador com alto valor para o mercado internacional.

    O que vejo é uma falta de prioridade dos investimentos, já que a presença dos ídolos pode potencializar os negócios aqui no Brasil e principalmente a ausência de projetos de exploração comercial da imagem dos atletas atrelada à marca do clube e de empresas patrocinadoras. Assim sempre que surgir uma proposta nova os clubes transferirão os atletas.

    Um outro ponto importante é que mesmo em mercado menos desenvolvidos há muitos magnatas investindo em clubes de futebol, o que inflacionou o mercado.

    Um abraço.

    Amir

  9. Ah sim, em relação quem tem mais receita eu não sabia desses dados.
    É que eu me baseie em nºs de associados publicados na Placar desse mês: Inter com 70 mil e SPFC com 32 mil. E o Grêmio tem 14 mil ocupando a 5ª posição.
    Mas foi bom saber que quantidade nesse e em outros casos não quer dizer que as receitas ficam na mesma proporção.

    Abraços

    Olá Ricardo,

    Legal esses dados comparativos.

    A questão do Grêmio é bastante interessante pois tem conseguido ampliar muito as receitas com sócios, embora o mercado somente fale do Internacional.

    Um abraço.

    Amir

  10. Parabéns pelo blog. Muito bom. Só queria sugerir um post. Gostaria de ver comentários comparando as diversas ligas de futebol, principalmente a mls (dos eua) que tem um publico melhor q o campeonato brasileiro e tem estrelas como beckhan e faz propostas por astros como ronaldinho. Será q somos mesmo o pais do futebol?

    Olá Carlos,

    Excelente sugestão. O maior problema da MLS é que não há tantos dados disponíveis sobre a Liga em comparação com as Big 4 dos EUA.

    Um ponto que vale destacar da MLS é que a Liga está inserida em um modelo de administração muito profissional e acabou sendo influenciada por esse ambiente. Sem contar que as franquias têm donos, o que facilita a implementação desse modelo de longo prazo. Mas desde 1996 as franquias acumulam grandes perdas financeiras.

    Acredito que somos o país do futebol, pela importância que o esporte tem aqui, mas não pelo modelo de administração.

    Um abraço.

    Amir

  11. Essa questão que voce coloca é discutida ao extremo aqui em curitiba com a torcida do atlético paranaense. O clube foi pego a mingua e hoje desponta com um patrimonio invejavel, estadio proprio, não precisa alugar por trinta anos, Ct entre os melhores da america do sul, alguns titulos importantes mas nos ultimos tres anos os resultados ficaram aquem do esperado. Um pouco mais por causa dessa imagem de clube solidificado, forte, e a pergunta que mais se faz é essa: não da pra pensar um pouco menos em estrutura e mais no futebol e em titulos?
    O balnço do ano passado saiu a pouco, poderiam voces ai examinar ele e comparar como ja fizeram com outros clubes, pra gente continuar esta ótima discussão

    Olá João,

    Realmente o CAP é um baita exemplo para esse post.O clube sem dúvida está entre os melhores exemplos de aministração do Brasil, mas conquista menos títulos do que a torcida espera. O clube mantém uma estrutura de gastos invejável para o padrão dos clubes grandes.

    Quanto ao balanço eu vi e em breve publicarei no mercado o estudo anual que faço na Casual Auditores com várias análises sobre os clubes brasileiros. O CAP, mesmo com a redução nas receitas, mais uma vez foi um dos clubes com os melhores indicadores do mercado brasileiro de futebol.

    Um abraço.

    Amir

  12. Não quero cobrar, mas você disse que o post sobre a Arena do Grêmio saia na Quinta-feira.

    Olá Gabriel,

    Em breve será publicado o post sobre a Arena do Grêmio.

    Um abraço.

    Amir

  13. É tão certo o que fala, que se fazer uma enquete sobre quais são os torcedores que lêem seu blog…com certeza, a maioria, são de times que prezam por boa administração …

    Parabéns pelo site!

    Olá Everton,

    Obrigado pelo elogio.

    Realmente você está certo, mas os nosso leitores seguramente pensam sempre no melhor para a administração de seus clubes, diferente do torcedor comum que sempre almejará os títulos em primeiro lugar.

    Mas os clubes com uma boa gestão sempre estarão mais perto de atingir seus objetivos comerciais e esportivos.

    Um abraço.

    Amir

  14. Amir, essa é uma questão que rende discussões intermináveis, excelente texto, como é de costume.

    A minha pergunta é : será que existe uma real disjunção entre administrar bem o clube e ganhar títulos ? Será que para ganhar títulos é preciso gastar o que não tem, se endividar e deixar o clube de pires na mão para o próximo mandatário ? Definitivamente não….um clube que passa por transição da administração irresponsável para uma administração profissional poderá, eventualmente, passar por um período de baixos resultados enquanto se ajusta para depois, fruto do bom trabalho, criar estrutura e capital para investir e ganhar de forma sustentável, creio que venha daí a percepção da disjunção, que a visão de longo prazo cura, temos alguns exemplos disso, não?

    A opção deve ser sempre pela boa administração e busca da sustentabilidade do clube, os resultados esportivos virão como consequencia da administração, penso eu.

    Abraços a todos,

    Robert

    Olá Robert,

    Concordo plenamente com você. Infelizmente no Brasil ciou-se a tese que para ser campeão o clube deve ampliar suas despesas com futebol, mesmo que as receitas não acompanhem essa evolução.

    Esse ambiente ainda é uma realidade, principalmente em grandes clubes, que acabam criando um ciclo vicioso, já que todos os anos ou ele fecha o exercício no vermelho ou equilibra suas finanças transferindo seus melhores atletas.

    Isso quando muitas vezes o ciclo nem se fecha, com a eliminição do time principal em uma competição importante.

    Um abraço.

    Amir

  15. Amir e passoal, recebi um material que pode ser interessante para algumas comparaçoes. Se trata do “Directors’ report and finacial statements, June 07” do Chelsea FC, emitido pela Chelsea Limited e auditores independentes. Tenho o documento em arquivo PDF. Se alguem de interessar posso enviar.
    Abraços.

    Olá Bruno,

    Obrigado pela mensagem e pelo relatório do Chelsea.

    Em breve publicarei um post sobre o assunto que mostra claramente a questão desse post, já que embora o clube londrino creça de forma contundente suas receitas, as despesas e prejuízos apresentados são assustadores.

    Um abraço.

    Amir

  16. conheci o site agora, por acaso.
    parabens, de verdade.

    queria entender pq vc considera o CAP um clube bem administrado? com um presidente assim, teimo a desconfiar.

    e um exemplo, de que, a longo prazo e tals..
    o Corinthians, meu time, vive tendo que vender as crias do terrão para arcar com suas responsabilidades. Depois ainda dão aquele discurso de que: “o clube que dá prejuízo, futebol é só lucro!”. lamentavel.
    com um clube organizado, por mais que passe anos sem ser campeão, podemos subir Jô, Ewherton, Gil, Lulinha, Dentinho, Kleber, Edu, Anderson, Fagner, Ratinho, Willian, entre muitos outros, sem coloca-los numa fogueira. Dando o devido tempo de amadurecimento a cada um no juniores até que possam, juntos, formar uma grande equipe.
    assim também parariamos de contratar 22 jogadores por ano.

    chau, sorte

    Olá Zau,

    Seja bem vindo!

    Sobre sua pergunta a respeito do CAP, seu presidente pode ser questionado por diversos fatores, mas sem dúvida instituiu uma gestão mais equilibrada em comparação com outros clubes. O Atlético-PR não gasta mais do que arrecada e investe recursos próprios ( graças ao grande número de atletas transferidos) em infra-estrutura para o torcedor.

    Quanto ao Corinthins é bom lembrar que com a MSI e a busca por títulos, o clube acumulou dívidas gigantescas o que obriga a atual diretoria a buscar novas alternativas como a cessão de percentuais de futuras transferências de seus jogadores.

    Um abraço.

    Amir

  17. Oi Amir, tudo bem?

    Conheci o site agora, pq estou no 3° ano do curso de adm de esmpresas e estou pesando em fazer meu TCC sobre administração ou gestão esportiva. Parabéns pelo site, os seus txtos são muito bons!

    Eu queria saber o que você acha da gestão atual do São paulo Futebol Clube?

    Ha dez anos o SPFC era um clube que não ganhava muitos titulos, ou ganhava tiulos de “pouca expressão”, e a partir de 2004 com a gestão do marcelo portugal Gouvea começou a montar times fortes sem gastar muito dinheiro e investir em instalações de primeiro mundo para suas categorias de base.

    Sou torcedor do SPFC, e gostei muito da gestão do Marcelo Portugal Gouvea, já a atual gestão do juvenal Julvencio já não me agrada tanto, já que o SPFC só contrata jogadores por emprestimo, que muitas vezes são de apenas 6 meses, apesar de que o investimento nas categorias de base continuam altos. E na atual gestão o clube vendeu muitos jogadores para o exterior e a preços bem elevados, exemplo do Breno no começo desse ano!

    Abraços

    Olá Ariel,

    O SPFC conseguiu dar um salto tanto em termos desportivos como em geração de receitas em relação aos demais clubes brasileiros.

    Entretanto o clube tem muito que melhorar, tanto no quesito receitas como em controle de custos. Em 2007 sem considerar a venda dos atletas o SPFC teria apresentado um déficit de R$ -72,2 milhões, por conta de sua alta despesa.

    Um abraço.

    Amir

  18. A Placar se equivocou. O GRÊMIO possui cerca de 50.000 sócios-torcedores em dia. Portanto, ocupa a 2º colocação, atrás apenas do rival que, duvido, esteja com os aclamados 70.000 em dia…

    Olá Joca,

    Obrigado pelos dados.

    O Grêmio está relamente muito bem na geração de receitas com seus sócios, que cresceu mais de 120% de 2006 para 2007.

    Por isso escrevi que acredito que essa briga Inter X Grêmio será muito boa para os próximos anos.

    Um abraço.

    Amir

  19. Depois da reportagem que saiu hoje no globoesporte.com, acho que dois casos ilustram bem os opostos citados no tópico.
    O primeiro foi o Fluminense. Ano passado conquistou a Copa do Brasil e ainda ficou em 4 no brasileirão, entretanto teve um déficit de 140 milhões de reais no exercício do ano passado.
    O segundo exemplo foi o Gremio, que apesar de ter sido vice na libertadores, não conseguiu ir tão bem no brasileirão, porém teve um superávit de 15 milhões de reais e teve também o maior faturamento de sua história, um crescimento absurdo (121%) de renda em comparação a 2006.
    Na minha opinião a resposta virá com a observação durante os anos, apesar de achar que o Gremio vai ter melhores resultados, principalmente apos a conclusão da Arena.
    Abraçõs

    Olá Gustavo,

    Em breve vou fazer um post apresentando dados sobre o estudo que acabei de publicar pela Casual Auditores.

    O Fluminense realmente apresentou um déficit elevadíssimo, mas está relacionado ao ajuste de dívidas com órgãos do Governo Federal.

    Já o Grêmio obteve o maior faturamento de sua história graças aos valores recebidos com a transferência do Lucas e pela substancial melhora dos recursos gerados com bilheteria e receitas com seus sócios.

    Um abraço.

    Amir

  20. Amir…boa tarde,

    a principio, parabenizo pela iniciativa. Já nos conhecemos através de local de trabalho. Sou do interior e por saberem que atuo na área por ter artigos escritos sobre marketing esportivo na região, recebi um convite para trabalhar o marketing da equipe através de uma agencia, que é de um dos diretores do clube, para esta equipe.

    Recebi uma proposta boa e ruim ao mesmo tempo. Quanto ao ambiente de trabalho e remuneração não é das piores, mas fiz exigencia de que eu, como profissional, fosse o gerente de marketing da equipe. Não concordaram!

    Mesmo assim , decidi encarar e provei minha qualidade através de meus projetos. Mas sinto que querem que eu “ganhe” a guerra enquanto eles ficam com a parte boa, ou seja, os créditos perante toda a região quanto aos resultados da equipe em relação ás estratégias de marketing.

    Por exemplo, vejo que querem me “abafar”! desenvolvi algumas estratégias de relacionamento direcionadas às diretorias visitantes para estabelecer network, mas não me deixam aproximar desse pessoal, dentre outras.

    Ou seja, querem que eu vá pra guerra, lute e traga o ouro…enquanto eles, ignorantes na área, quase amadores em marketing e gestão, fiquem com as glórias!

    Como posso trabalhar melhor este contexto?

    agradeço pela atenção e disponibilidade!

    Olá,

    Realmente acredito que o melhor é você buscar um novo clube em que possa desenvolver o seu trabalho, visto que nesse ambiente que você citou dificilmente há condições de implementar uma mudança realmente efetiva na condução dos projetos.

    No caso de você optar em permanecer nesse ambiente, o melhor é assinar algum contrato que preserve suas idéias e iniciativas, algo como ser a agência do clube.

    Um abraço.

    Amir

  21. Acho que é necessário um meio termo.

    Uma administração responsável é imprescindível, mas o lucro gerado pelas vendas de jogadores precisa ser re-aplicado na estrutura do clube e na equipe.

    Um clube de futebol não visa lucro e sim títulos.

    E títulos valorizam todos os jogadores de uma equipe, maximizando o preço de venda para o exterior.

    Ou seja, é um movimento cíclico.

    Eu, pessoalmente, como são-paulino, estou satisfeito que o meu time gaste todo o dinheiro arrecadado com a estrutura e futebol, ao invés de apenas gerar lucros.

    Claro que o gasto precisa estar no limite da arrecadação e não partir para o endividamento.

    Abraço.

    Olá Rocha,

    Acredito que o objetivo de um clube deve ir além de ganhar títulos.

    Na minha visão o objetivo deve ser sim montar equipes competitivas, mas também prestar um serviço de qualidade para seu consumidor, oferecer oportunidades únicas de relacionamento para esse público, valorizar e rentabilizar empresas parceiras, entre outros objetivos.

    Com relação ao investimento, gostaria que os clubes enxergassem como prioritários os investimentos em infra-estrutura para o torcedor e seus parceiros e não somente o investimento em CT´s.

    Um abraço.

    Amir

  22. Olá Amir! Li sua coluna por acaso, pois foi postada em comunidades. Estava lendo os comentários e achei que poderia ser útil.
    O meu São Paulo, na verdade, teve um déficit tão grande, sem contar a venda dos jogadores no ano de 2007, pois teve que reconhecer uma dívida de 30 milhões de reais com o governo federal, motivo de litígio na justiça.
    O São Paulo pagou toda a dívida e é o único clube que passará a receber da timemania, nunca pagar.
    Você pode me perguntar o por quê de aderir à timemania, e já adianto. O São Paulo teve de reconhecer a dívida para poder se beneficiar da lei de incentivo ao esporte criada pelo governo. A lei permitiu que empresas investissem 18 milhões, só esse ano, nas obras de expansão do Centro de Formação de Atletas de Cotia, tendo o valor descontado do imposto de renda.
    O São Paulo era pra ter tido um superávit de 35 milhões ano passado, acabou somente com 5, mas o que se ouve é que a condição financeira do clube, esse ano, já é bem melhor que a do ano passado, devido à diversificação das fontes de lucro e consolidação dos projetos anteriormente criados.

    Espero ter ajudado. Abraço

    Olá Henrique,

    O SPFC teve que reconhecer realmente essa dívida de INSS e COFINS que estava brigando na justiça. Mas por outro lado, com sua certidão negativa pôde já receber em 2007 recursos relativos à Lei de Incentivo como você mencionou.

    Quanto à Timemania, sua informação não é correta, embora a dívida do clube é baixa em relação a muitos outros clubes, ele não será creditado pela Caixa, terá que abater primeiro sua dívida. No Passivo do clube há dívidas com o Governo Federal.

    E sobre as receitas, se você olhar com mais atenção os dados apresentados no balanço do clube em 2007, se desconsiderarmos as receitas com os atletas e Lei de Incentivo, o clube teria crescido apenas R$ 330 mil em recursos gerados, comparando com 2006.

    Já suas despesas sem as provisões para a Timemania cresceram no mesmo período R$ 35,8 milhões.

    Um abraço.

    Amir

  23. Ah sim, obrigado pelos esclarecimentos Amir.

    Quanto à dívida com o governo federal eu não sei de quanto é ainda, mas creio que não deva ser nada do que se preocupar.

    Já quanto as receitas de 2007, foi um certo feito termos aumentado em R$300 mil como você mencionou, em relação à 2006. Em 2007, o time só avançou até as oitavas-de-final na Libertadores. Em 2006 fomos até a final, e com isso, em 2007, deixamos de receber receitas com bilheterias e direitos de televisão, o que numa competição desse tamanho, sabemos a relevância desses valores.

    A despesa do São Paulo cresce pois é o clube com a maior infra-estrutura do país, com uma folha-salarial de 600 empregados, e mais, as despesas com atletas é 3x maior do que a dos outros clubes. Isso porque, mesmo com a política de contratações do Sâo Paulo, possuímos muitos atletas das categorias de base emprestados de graça à outros clubes com contratos profissionais, para ganharem experiência. Isso aumenta em muitos os valores com salários de atletas. Entretanto, o número de revelações nos últimos anos deve crescer.

    Você concorda com essa estratégia do São Paulo, Amir? Lembrando que temos que reformar o estádio ainda pra 2014!

    abraço!!

    Olá Henrique,

    O SPFC é o clube que mais gera receitas do Brasil atualmente e sem dúvida tem uma estrutura diferenciada e até por isso deve ser cobrado como propagador de tendências de marketing no mercado nacional.

    A minha crítica é que o clube tem que mudar urgentemente essa visão de que as receitas somente vão crescer com o desempenho esportivo. Realmente a eliminação precoce da Libertadores reduziu as receitas com TV e bilheteria. Mais um motivo para o clube mudar a filosofia de aumentar receitas junto com o desempenho.As receitas devem crescer pela força da marca e projetos diferenciados com os torcedores e patrocinadores.

    Sobre a extrema dependência com a venda de atletas é um problema estrutural de nosso mercado e eu gostaria que o clube líder em receitas fosse um dos responsáveis por buscar novos caminhos para o nosso cenário atual.

    Um abraço.

    Amir

  24. Boas observações Amir. Concordo em grande parte.

    Eu enxergo o cenário atual dos clubes totalmente deformado. O clube precisar vender jogador pra se sustentar é uma grotesca deformidade.
    Vejo eu que um clube deve se manter somente com suas receitas fixas e com ações de marketing, que gerariam os superávits, e não com venda de jogadores.
    Depender disso é arriscar a integridade financeira do clube. Pelo menos assim que eu enxergo.

    Em relação à sua crítica do desempenho esportivo ser o único impulsionador das receitas, creio não ser isso que a diretoria do São Paulo acredita. Como não sou presidente de nenhum clube e não estou inteirado de todos os limites que um clube pode ter no cenário econômico brasileiro atual, não posso opinar com certeza, mas fico com o presidente Juvenal Juvêncio quando diz que somente com o país crescendo a taxas de 5% fixas ao ano, em 10 anos, os clubes brasileiros (pelo menos o SP) deixarão de depender tanto da venda de jogadores. Ele cita o poder aquisitivo da população dos países ricos como grande impulsionador da economia dos clubes.
    O preço do ingresso, as vendas de produtos, fora a televisão que paga mais, os patrocínios, o valor da mensalidade dos clubes… tudo isso está diretamente ligado com o poder aquisitivo da população, diz ele. Então a visão da diretoria do São Paulo é a de que o crescimento das receitas está ligado não somente ao desempenho esportivo, mas sim, em sua maior parte, com poder aquisitivo da população. Um clube que não ganha muita coisa também pode ser rico.

    É inegável essa afirmação do presidente, entretanto, temo que esse discurso possa frear o necessário impulso de maximizar as frentes de lucro. Esse é o pecado. O São Paulo poderia investir mais no espetáculo. Usar melhor a imagem de seus atletas, das suas conquistas, de seus ídolos, entre outros projetos, além de minimizar ao máximo as despesas do clube. Mas há de se considerar que os esforços do presidente nesse sentido são imensos, ele cita isso toda hora, como cuida da cozinha, do preço da comida, dos medicamentos… acredito eu estarem fazendo um excelente trabalho.

    A estrutura do São Paulo é realmente de primeiro mundo, e isso nesse país custa caro. A diretoria trabalha na conta do chá, e isso há de ser considerado, pois a deixa com as mãos atadas em novas empreitadas. A diretoria do São Paulo investe em sua qualidade e imagem para lhe dar retorno, e não em quantidade de projetos, que podem, realmente, não darem certo.

    Como não sou dirigente, deixo na mão dos caras, porque é inegável que eles nos deixam todo ano entrando como favoritos em todas as competições.

    Abraço Amir!

    Olá Henrique,

    Obrigado pelas colocações.

    Somente não concordo com essa afirmação de que por ser o Brasil um país pobre e a população com baixa renda essa é a nossa realidade.

    O SPFC tem condições de colocar 45 mil torcedores por jogo somente da classe A e B se quiser. Será que essas pessoas de alta renda e alto nível de exigência aceitarão se submeter ao péssimo serviço prestado pelo clube em seu estádio?

    Um abraço.

    Amir


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