Publicado por: Amir Somoggi | 16/junho/2008

Jogo Sujo

O futebol brasileiro vive um momento paradoxal em termos de gestão esportiva. A cada ano o mercado tem apresentado melhoras em termos esportivos e mercadológicos, mas tem produzido atitudes que estão muito distantes do que se pode definir como profissionalização da relação entre os clubes e principalmente no respeito ao jogo limpo.

 

Embora nossas competições estejam distantes do ideal, conseguimos apresentar uma manutenção em seus formatos, sem viradas de mesa e que acaba resultando em mais respeito aos patrocinadores que injetam mais recursos nos clubes e do maior interesse dos torcedores nos estádios.

 

Contudo, atitudes há anos têm surgido em jogos decisivos no futebol brasileiro, que comprovam que estamos na idade da pedra lascada em termos de profissionalização, já que muitas vezes verificamos, infelizmente, a realidade de “vencer a qualquer preço”. No futebol brasileiro muitos fatos ocorridos comprovam essa minha afirmação como:

  • Jogar areia e água no gramado;
  • Ferir a regulamentação das competições referente à carga de ingressos para o time visitante;
  • Pintar vestiários no dia de um jogo decisivo;
  • Entrar com atraso em campo para saber em primeira mão o resultado que tem que ser feito em uma partida;
  • Soltar gás de pimenta no vestiário;
  • Manipular a refeição do time visitante na concentração;
  • Pressionar a arbitragem antes e depois do jogo nos vestiários.

  

 

 

Esses são apenas alguns exemplos de como práticas adotadas na década de 70 em nosso futebol permanecem atuais e apenas servem para comprovar que infelizmente temos muito que mudar a fim de que nossos clubes possam conquistar o respeito da opinião pública.

 

 Para vencer, os fins justificam os meios?

 

O maior benefício que o esporte profissional tem é potencializar disputas entre equipes e trabalhar com o conceito de que deve sempre vencer o que estiver melhor em determinado jogo ou confronto.

 

Essas atitudes criam um ambiente de que para vencer tudo vale, o que não é verdade e pior, criam um estigma de amadorismo difícil de ser alterado. A imponderabilidade e intensa cobertura de mídia do esporte faz das disputas entre os times uma excelente alternativa mercadológica para patrocinadores, mas os excessos de atitudes negativas podem afetar o futuro de determinada modalidade, liga ou competição.

 

Será que já não é hora de que haja punições sumárias ao jogo sujo em nosso futebol? Ou vamos continuar aplaudindo os times campeões, ou muitas vezes não, que usam artimanhas nada esportivas para conquistar os títulos? 

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Responses

  1. Amir,

    Não concordo com muitos fatos que você expôs que comprovariam sua tese.

    – areia tem sido utilizada para corrigir as imperfeições do gramado, não por desonestidade
    – água era muito usada no antigo gramado do Palestra para deixar o campo mais “rápido”, também sem a intenção de prejudicar o adversário
    – sobre a carga de ingressos para visitante foi realmente um problema em Recife na decisão da Copa do Brasil, não conheço outro exemplo
    – Pintar vestiários…Nunca ouvi que isso realmente tenha acontecido. Recentemente o Santos disse que o SP teria feito isso há anos atrás. Nunca disseram isso na hora que ocorreu. Parece mais fofoca.
    – Entrar em campo com atraso. Realmente não me recordo de ultimamente ter acontecido. Não lembro mesmo, pode ser que haja um exemplo claro.
    – Soltar gás de pimenta. No jogo Palmeiras e SP, não foi comprovado nenhum dolo de nenhum dos dois times . Não se pode falar de amadorismo ou jogo sujo se não se comprova de onde partiu a atitude.
    – Manipular a refeição. Realmente não acredito que isso aconteça com a estrutura que um time profissional viaja para jogar e não conheço uma história assim.
    – Pressionar a arbitragem. Sim, isso acontece muito.

    Acho que muita coisa se deve a uma imprensa esportiva sansacionalista e despreparada como é a nossa. Muita história surge de boatos e quando se vive o dia-a-dia de um clube a gente percebe o quanto as bobagens que são publicadas não valem realmente uma leitura.

    Ou seja, é possível falar em amadorismo. Mas nem sempre sobre jogo sujo.

    Pra se ver por onde vai o absurdo, parte da imprensa publicou que o Corinthians pressionou o Goiás para que ele não permitisse que o Romerito jogasse a final pelo Sport. Todos sabiam que ele não tinha contrato. Só isso.

    Prezado Vagner,

    Não tive o interesse de citar nomes de clubes que tenham feito isso ou aquilo. Minha intenção é mostrar que há sim muita coisa errada em nosso futebol e não é somente culpa de uma imprensa sensacionalista como você citou.

    Quanto ao gás de pimenta não me interessa quem soltou, o fato é que isso ocorreu e seguramente está muito distante do ambiente profissional que temos que atingir.

    Em minha opinião nós temos que nos indignar com qualquer tipo de manipulação ou tentativa de pressão por parte de qualquer clube. O jogo deve ser limpo a fim de que nunca se discuta a legalidade de uma competição ou modalidade.

    Quanto à imprensa, com excessos ou não, ela é indispensável para alertar a sociedade sobre fatos como esses, ou então voltemos à ditadura onde somente se falava o que agradava a quem estava no poder.

    Um abraço.

    Amir

  2. O dia que os orgãos responsáveis, sejam eles as federações ou mesmo a justiça comum passar a punir os dirigentes, vocês verão como muda tudo isso.

    Uma coisa que acontece direto no nosso futebol e faltou ser citada acima, e que eu acredito ser o pior jogo sujo de todos, é de gente do futebol (dirigentes, técnicos, ou qualquer pessoa ligada a um clube) ser empresário de jogadores.

    Isso além de dar margem a imaginação de jogos serem manipulados, jogadores serem escalados contra vontade dos técnicos e etc.

    Diz-se muito que o Kleber Leite é u
    m dos donos de uma empresa que contrata jogadores, e que ele é dono de algumas porcentagens de jogadores do flamengo? isso é verdade?

    Olá Thiago,

    Obrigado pela lembrança, realmente essa questão de pessoas envolvidas com futebol terem % em futuras vendas de atletas é realmente terrível. A FIFA está de olho nisso e já regulamentou novas regras sobre o assunto.

    Quanto ao Kleber Leite não tenho como te responder.

    Um abraço.

    Amir

  3. Amir,

    Penso que todos os problemas que você citou são decorrências da falta de uma liga forte de clubes organizando um campeonato, como acontece na Europa.

    Recentemente li um documento de 500 páginas da Premier League que tratava de todos os assuntos possíveis no âmbito de uma partida de futebol e como os clubes deveram proceder.

    Acredito que quando os clubes, através de uma liga, forem os verdadeiros organizadores do campeonato brasileiro, nossos dirigentes estarão mais interessados no produto futebol como um todo, e não apenas nos seus interesses indivíduais, prejudicando o espetáculo.

    Um abraço,

    Marcelo

    Olá Marcelo,

    Concordo plenamente com você, uma Liga Profissional exigiria dos clubes uma postura totalmente focada na valorização do espetáculo e por consequência do produto futebol.

    Infelizmente aqui no Brasil parece que estamos cada vez mais distantes de termos uma Liga nos moldes da Europa e EUA.

    Um abraço.

    Amir

  4. Amir!

    Não tem como não concordar plenamente com tudo o que você diz neste post!
    Acho que, além das atitudes que demonstram o “vencer a qualquer preço”, a mídia nacional, não somente no esporte, divulga muito o podre e o antiético para ganhar audiência.
    Convido você a ler o último post do meu blog onde, pelas informações que encontrei, acredito que ainda exista esperança a médio prazo no futebol brasileiro. Nem que estas melhoras ocorram regionalmente. http://pensandonofutebol.wordpress.com

    Um abraço!

    Leonardo Gerodetti

    Olá Leonardo,

    Fico feliz que pensamos de forma parecida.

    A imprensa muitas vezes pode dar mais ênfase a fatos negativos do que positivos, mas geralmente sabemos de manobras, artimanhas our determinada pressão quanto são publicadas por algum veículo de comunicação.

    Vou ler as últimas matérias do seu blog.

    Um abraço.

    Amir

  5. A grande questão chave, que é fator de sucesso do esporte para que ele seja “vendido” tanto no “varejo” como para compradores organizacionais é C R E D I B I L I D A D E…qual empresa quer ter sua marca associada a entidades esportivas cujos dirigentes fazem coisas desse tipo ?
    Pela organização política do esporte, alguns dirigentes apelam para estas artimanhas mesmo, já teve tiro em bola e até a intervenção, pra todo mundo ver, de um sheik kuwaitiano na Copa de 1982, se não me engano.
    A profissionalização vai diminuindo a incidência destes fatos, mas eles ainda ocorrem, a saída é o pensar o futebol como um produto e zelar pela sua credibilidade ao invés de pensar só no seu clube e buscar vitórias a qualquer preço.

    abraços a todos,

    Robert

    Olá Robert,

    Você está certo, as artimanhas apenas retiram de determinado esporte a imprescindível credibilidade para atrair investidores e parceiros.

    Infelizmente ainda vivenciamos muitas atitudes anti-desportivas em nosso futebol.

    Um abraço.

    Amir

  6. Amir,

    Claro que a imprensa é fundamental. Mas que ele é muuuito ruim não há como negar.

    Sobre o gás, o que quis dizer é que se não foi com o interesse de jogar sujo, a coisa muda de figura. Se foi um acidente, por exemplo. Não se sabe ainda o que ocorreu e não se pode dizer que foi jogo sujo. Isso que eu quis dizer.

    Acho que muito do que se diz de jogo sujo nos bastidores é muito mais a tentativa de se arrumar uma explicação mirabolante por uma derrota. Os times hoje em dia acham que não podem perder. O técnico se enche de vergonha e os jogadores se humilham. Mas é um jogo. Só isso. Para explicar o inexplicável escutamos histórias surreais.

    O que quis dizer é que se filtrarmos realmente essas histórias, sobra muito pouco de verdade.

    Posso citar como exemplo a ridícula reclamação do Palmeiras sobre a comida de Recife no segundo jogo da Copa do Brasil. Ou a igualmente ridícula reclamação dos camarotes oferecidos ao Sport no Palestra Itália.

    Acho esse um problema menor no futebol. Muitas vezes essas coisas beiram o folclore. Pelo menos aqui em SP que eu conheço bem.

    Vagner Fioratti

    Olá Vagner,

    Não concordo que tudo seja criação da imprensa sensacionalista.

    Há muita coisa errada em nosso futebol que passa ao largo do folclore, como você citou.

    Um abraço.

    Amir

  7. É triste ver que a famosa lei de Gerson ainda não está definitivamente seputlada. Em minha opinião isso acontece por causa do modelo de negócio adotado no futebol brasileiro.

    Hoje, as finanças da maioria dos clubes dependem da receita da venda de atletas. E a pressão sobre os atletas é ainda maior. A sua venda para um clube europeu pode significar não apenas a sua sobrevivência mas também a de sua família inteira. Não é mais “apenas” um esporte lúdico. É um jogo de vida ou morte. Não é de se estranhar que as regras de boa convivência sejam desrespeitadas.

    Talvez a saída seja fazer com que a sobrevivência do clube dependa menos da venda dos atletas. Fazer com que as receitas provenientes da exploração das arenas e do licenciamento das marcas tenham uma participação maior no bolo. Talvez desta forma, os clubes passem a se preocupar menos em ganhar campeonatos e mais em proporcionar um espetáculo com maior qualidade e credibilidade.

    Olá Georgios,

    Realmente a dependência das receitas com os jogadores é parte da explicação por essas atitudes anti-desportivas.

    Entretanto um outro problema sério que nosso futebol enfrenta é a visão limitada de que somente sendo campeão as outras receitas com estádio e marketing podem crescer.

    O mais importante é que o futebol brasileiro afaste de dentro do campo de jogo essas artimanhas que somente servem para reduzir o valor de nosso produto.

    Um abraço.

    Amir

  8. Olá,

    Sinceramente, eu pensava só em ganhar, se meu time ganhasse ja tava bom. Nao importa como.

    Mas depois que eu vi o jogo de inter e corinthians em 2005, mudei de idéia.

    Primeiro, eu acho que se tu perde um titulo roubado, tu ganha outro melhor(caso do inter em 2006)
    Segundo, Se tu ganha um campeonato roubado, tu vai parar num pior ( caso do Corinthias em 2007)

    Em 2005, também, no jogo INSQUECÍVEL (esse sim passado para todo o brasil pq o jogo foi até os 70 minutos do SEGUNDO tempo), de GREMIO e nautico em 2005, tivemos fogos de artfício à noite, e no vestiário tinham pintado todo ele..
    E ainda num momento em que o Juiz marca um penalti inesistente, que resulta na expulsao de mais 3 jogadores, nós ganhamos a partida e o título, acho que nesse momento, o que falou mais alto foi a força da Justiça de Deus.

    Antes queria que o Campeonato Brasileiro voltasse ao mata-mata (às vezes ainda quero), para ver os estádios lotados e tal..

    Só que depois de ler os post de voces sobre o ‘País do Mata-Mata’ vi que nao era bem assim..

    Mas ainda acho que tem que ter uma final no campeonato brasileiro..

    Parabéns pelo post, Abraço.

    Olá Matheus,

    Fico feliz que você gostou do post. Não acredito em justiça divina nesse caso, mas sim em desmandos administrativos que resultaram no rebaixamento de um time.

    Quanto ao título de 2005 do Corinthians, embora nunca surgiram provas conclusivas, apenas comprovam o mal que essas parcerias causam à credibilidade em nosso futebol, já que não é o promeiro caso de clubes que tinham parceiros que investiram milhões de reais e que se tornaram campeões de forma dividosa.

    Quanto ao mata-mata vale lembrar que somente o Camp.Brasileiro não segue esse formato de competição.

    Um abraço.

    Amir

  9. Infelizmente essa não é apenas uma realidade brasileira. E sim Sul-Americana.
    Futebol está ligado diretamente à uma cartolagem que quer ganhar a qualquer custo.
    Fazem das competições virarem campos de guerra.
    Tornando a vitória é o mais importante de tudo. Com interesses por atrás.
    Obviamente a imprensa sensacionalista ajuda a piorar o ambiente, mas não é a única culpada.
    E não duvido nada que mandem plantar notícias em grandes veículos de comunicação.
    Há um longo caminho pela frente, e alguma Confederação do nosso Continente poderia servir de exemplo para o resto. Mudando sua forma de gestão e punindo esses fatos lamentáveis de forma branda. Espero que comecem por aqui.

    Abraços

    Olá Ricardo,

    Realmente essa não é uma realidade somente do futebol brasileiro, já que em países como a Argentina sempre se criou o ambiente de guerra em jogos da Libertadores.

    Como você mesmo escreveu somente com severas punições as coisas podem mudar e com isso tenhamos uma valorização do espetáculo, que deve obrigatoriamente privilegiar o jogo limpo e a disputa sadia entre as equipes.

    Um abraço.

    Amir

  10. Ops, pequena correção
    quis dizer que a as punições devem ser rígidas, não brandas… heheehhe

  11. Olá Amir,

    Está mais do que na hora de punições. E me parece que o órgão responsável pela organização e pela punição de fatos por você citados é muito omisso, no caso a CBF.

    Muitos das atitudes varzianas citadas acima poderiam ser evitadas se a CBF intervisse.

    Por ex, é um absurdo que diretores de equipes mandantes retenha e comercializem com ágio os ingressos que deveriam ser designados a torcida visitante, ferindo o estatudo do torcedor(afinal, para que ele serve?).

    Uma medida muito simples, seria que estes ingressos nunca chegassem na mão do time mandante, e sim ficasse retido na CBF e essa por sua vez repassaria ao time visitante.

    Mas esta entidade está mais preocupada com a Copa de 2014 do qqer outra coisa, uma pena pois se iludem pensando que a vitória em campo é o maior prêmio que se pode ter sendo que na verdade, a credibilidade do evento e a legitimização dos direitos dos torcedores traria muito mais retorno do que um título ganho na marra.

    Um abraço, 🙂

    Sérgio Mattos

    Olá Sérgio,

    Concordo plenamente com as suas colocações, uma pena que muitos dirigentes de clubes não pensem como você.

    Um abraço.

    Amir

  12. Só mais comentário, me parece que poucas medidas são tomadas pois tanto o prejudicado como o culpado nessas situações anti-desportivas normalmente tem “rabo preso” por outros eventos e acaba ficando por isso mesmo.

  13. Concordo com você Amir mas como cobrar punições mais rígidas se o órgão esportivo competente (TJD) age com extrema parcialidade?

    Vemos punições distintas para jogadores, técnicos e dirigentes só porque pertencem ao time A, B, ou C.

    Não tenho o menor respeito pelas decisões desse órgão.

    Abraços,

    Olá Nico,

    Realmente você está certo, o órgão deveria punir sumariamente clubes que utilizam de determinadas artimanhas. Essas entidades muitas vezes recebem punições brandas, oferecendo ao mercado a visão que vale pena utilizar determinada atitude já que a punição é bem suave.

    Um abraço.

    Amir


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