Publicado por: Maurício Bardella | 11/junho/2008

Áustria, Suíça e seus estádios

Está em pleno andamento a edição 2008 da Eurocopa, mais destacado torneio de seleções depois da Copa do Mundo. Dessa vez a organização do evento foi delegada a dois países: Suíça e Áustria.

 

Comecemos falando um pouco da Suíça: formada por 26 Cantões com governos próprios, esse rico país tem duas instâncias políticas: o Conselho dos Estados, formados por representantes dos Cantões, e o Conselho Nacional, formado por 200 representantes eleitos. A Suíça tem apenas 7,4 milhões de habitantes, sendo que 20% desse total são estrangeiros residentes no país. Sessenta e três por cento da população fala alemão, enquanto trinta por cento têm o francês como língua principal e seis e meio por cento falam o italiano. No Cantão dos Grisões fala-se o romanche, antigo dialeto de origem latina, e essa é a quarta língua oficial do país. A Suíça não é um país membro da União Européia e a renda per capita em 2005 chegava a 32.300 dólares.

 

A Áustria é uma democracia parlamentarista composta por nove estados. O parlamento austríaco é dividido em duas câmaras: o Nationalrat (Conselho Nacional) e a Bundesrat (Casa do Parlamento). O país possui aproximadamente 8 milhões de habitantes, sendo que noventa e oito por cento falam alemão. Cerca de setenta e cinco por cento dos austríacos são católicos. A Áustria é um país membro da União Européia e foi ocupada no pós-guerra pelas forças aliadas até 1955, quando sua nova constituição a tornou permanentemente neutra em questões políticas internacionais. A renda per capita atinge os 33.600 dólares (dado de 2006).

 

Conhecendo um pouco desses países, vamos falar sobre os estádios que recebem os jogos dessa Euro 2008. Como se poderá ver, várias instalações foram demolidas na última década para que em seu lugar se erguessem novas arenas modernas, confortáveis e multifuncionais.

 

O maior estádio do evento está situado em Viena e, seguindo um rumo diverso, foi amplamente remodelado para o torneio, ganhando o status de estádio “5 estrelas” conferido pela UEFA. Possui capacidade para cerca de 50.000 espectadores e é o maior palco da copa; a maior parte das arenas tem capacidade em torno de trinta mil torcedores, demonstrando que os administradores dos dois países-sede não caíram na tentação de levantar gigantescas arenas que, após o evento, pudessem ser subutilizadas. Isso é fácil de se entender, considerando o pequeno contingente populacional de Suíça e Áustria, e ainda mais visível quando se observa o tamanho das populações das cidades-sede; a maior população vive exatamente em Viena, onde se localiza o estádio Ernst-Happel, e é composta por apenas (para nossos padrões) 1,7 milhão de habitantes.

 

Vamos conhecer as arenas.

 

 

Estádios da Suíça

 

Berna

 

População:128.153 (Abril/2007)
Área: 51,6 km²
Altitude: 542 ms

 

Stade de Suisse Wankdorf

 

 

Palco da final da Copa do Mundo de 1954, o velho estádio foi demolido em 2001. A nova construção, inaugurada em 2005, tem 32.000 lugares cobertos. Na arena há um shopping center, restaurante, escritórios e uma escola pública. No teto do estádio está instalado um poderoso sistema de geração de energia solar. A construção da nova arena teve como financiadores uma grande rede de supermercados e duas seguradoras.

 

 

Basiléia

 

Cidade da Basiléia
População
: 187.651 (2007)
Área: 37 km²
Altitude: 260 ms (Basel City)

 
 
Região da Basiléia
População
: 270.476 (Set/ 2007)
Área: 518 km²
Altitude: 327 ms (Liestal)

 

St. Jakob-Park

 

 

 

 

O estádio do FC Basel foi inaugurado em 2001, com capacidade para 33.000 espectadores, ampliada posteriormente para 42.500 pessoas. A infra-estrutura é moderna e multiuso: além do sistema de geração de energia solar no teto do estádio, há um shopping center com 16.500 metros quadrados distribuídos em três pisos. No anexo da construção há um lar para idosos, com 107 apartamentos! Há ainda escritórios e um centro de fitness. 
 

Segundo dados da Swiss Info foram gastos 137,5 milhões de euros na construção da arena.
 

 

 

 

Genebra

 

População: 447.584 (2007)
Área: 282 km²
Altitude: 360 ms – 518 ms

 

Stade de Genève

 

 

A arena multifuncional de Genebra foi construída com ajuda financeira da UEFA e inaugurada em 2003, com uma vitória italiana sobre a seleção da Suíça pelo placar de 2×1. Localizado em uma região próxima à fronteira com a França, o estádio oferece 30.000 lugares cobertos, além de ser integrado com uma estação ferroviária. Possui ainda um estacionamento subterrâneo. Entre os usos complementares da arena, destaque para um shopping center, para um hotel e um centro cultural, além de instalações para fitness e boliche.

O custo divulgado para a arena foi de 62,5 milhões de euros, o que gerou polêmica no país, já que poucos acreditavam que esse empreendimento pudesse custar menos de cem milhões.

 

 

Zurique

 

População: 373.646

Área: 91,88 Km²

Altitude: 408 ms

 

Letzigrung Stadion

 

 

Com capacidade para 31.500 torcedores, o novo estádio foi inaugurado recentemente, no lugar das antigas instalações. Uma rampa leva ao restaurante existente no andar mais alto da arena. Essa é uma arena multiuso preparada para receber, além de jogos de futebol, grandes shows musicais. No estádio há pista de atletismo e um ginásio anexo.

 

O custo divulgado para a obra atingiu 70 milhões de euros. Na verdade o Letzigrung Stadion seria construído apenas para 2009, para ser a sede do meeting de atletismo. Como houve veto judicial ao investimento na reforma do estádio Hartdum, os suíços optaram por antecipar as obras dessa arena e utilizá-la na Euro 2008.

 

 

 

Estádios da Áustria

 

Innsbruck

 

População: 117.916 (Dez/2006)

Área: 104,91 Km²

Altitude: 574 ms

 

Stadion Tivoli NEU

 

 

Construído em apenas 18 meses, o estádio de Innsbruck foi inaugurado em 2000. Inicialmente oferecendo 15.000 lugares, o estádio teve sua capacidade ampliada para 30.000 espectadores a partir de 2007, e dista apenas 10 Kms do aeroporto local. Trata-se de uma arena multiuso preparada para receber grandes eventos e shows musicais.

 

A obra de ampliação e adaptação do estádio para a Euro 2008 foi financiada pela UEFA, já que os administradores da cidade não viam viabilidade econômica no empreendimento.

 

 

Salzburgo

 

População: 150.268 (Dez/2006)

Área: 65,7 Km²

Altitude: 424 ms

 

Stadion Salzburg Wals-Siezenheim

 

 

O estádio de Salzburgo, terra de Mozart, foi inaugurado em 2003 com a capacidade inicial de 18.600 espectadores, sendo ampliado para 32.800 lugares para superar as especificações mínimas da UEFA para a Euro 2008 (a capacidade mínima das arenas deve ser de 30.000 lugares). Localizado a três quilômetros do aeroporto de Salzburgo e perto da rodovia, possui também uma estação ferroviária nas imediações. Ocupando uma área de 15 hectares, a arena foi planejada para funcionar como um parque com múltiplas atividades, com centro de fitness, áreas de recreação, restaurantes e playgrounds.

 

 

Klagenfurt

 

População: 94.404 (Jan/2006)

Área: 120 Km²

Altitude: 446 ms

 

Wörthersee Stadion

 

 

O estádio de Klagenfurt segue o padrão estabelecido pelo St. Jakob-Park, na Basiléia (Suíça). Oferecendo 32.000 lugares para o público, a arena multiuso tem como destaque um shopping center, hotel e escritórios.

 

O projeto da arena mostrou preocupação com o conceito de sustentabilidade ambiental. A água, por exemplo, é aquecida através da energia gerada com painéis solares.

 

 

Viena

 

População: 1.678.435 ( Jan/2008 )

Área: 414,9 Km²

Altitude: 151 – 542 ms

 

Ernst-Happel-Stadion

 

 

Tradicional estádio austríaco, o Ernst-Happel passou por transformações para ser a maior arena da Euro 2008, e também a sede da partida final. Apesar de reformado, recebeu as “5 estrelas” da UEFA, graças às transformações de estrutura e tecnologia pelas quais passou. Com 53.000 lugares cobertos, localiza-se a 20 Kms do aeroporto e possui uma estação de metrô própria.

 

 

(Nota: as informações relativas aos custos das obras de estádios tem como fonte o blogdomassi.blogspot.com, escrito por Alexandre Massi.)

 

 

Parece-me que as arenas da Euro 2008 são menos espetaculares que as que conhecemos nas Copas do Mundo do Japão e da Alemanha, e também menos impressionantes que as preparadas para a Euro 2004, em Portugal, especialmente por seu tamanho menor.

 

Ainda assim, há muito para aprender com a organização desse evento, especialmente quando já começamos a chegar aos momentos de definição quanto ao que fazer na Copa 2014.

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Responses

  1. Baaaah curti esse post, parabéns, mais uma vez..

    Achei muito bem planejado os estádio.. Coparado aos estádios da copa da áfrica, que nao terão a mínima utilização após o término…

    Achei muito interessante que algumas dessas arenas tem energia solar.. Queria que a Arena do Gremio também tivesse…

    Força Holanda e Vamos Portugal É Felipão!

    Olá, Matheus, valeu pelo elogio.

    De fato, acho que vamos viver um choque com a copa da África. Sem contar que para que tudo fique pronto em tempo vai ser necessária uma certa dose de sorte…

    Um abraço,

    Mauricio

  2. EURO-COPA 2008 É NA RECORD.

    Fugindo um pouco do assunto,

    Nota-se que como a Euro-Copa nao é uma competiçao nacional, a Rede Globo nao tem prefência (graças a Deus)
    Então a Record com uma grande tacada sobre a rede BOBO comprou os direitos televisonistas. Um Ótimo inicio para acabar com as manipulações…

    Enquanto isso saia o sortei da SulAmericana, e cara, ja vamos ter uma final antecipada: GREMIO X inter.
    Mais uma vez teremos um jogo histórico que provavelmente ficará marcado nas nossas memórias (óbviamente só nas dos gauchos, porque é capaz da rede manipuladora nem se quer falar do GREnal la pra cima..)

    Bom, vencendo o GREnal, fica a nossa chance de nos vingarmos dos bosteros (se bem que o FLU de Renato Gaucho ja o fez por nós).

    O impressionante é que a manipulaçao dos jogos nao é só no país do menslão, também tem no país dos protestos, a rede de televisão da argentina, dona dos direitos televisionistas da SulAmerica, Misteriosamente fez com que o Boca e o River Entracem automáticamente nas oitavas de final..

    Lamentável. Depois nao sabem porque um brasileiro nunca ganhou uma sul americana.. Mas ja que agora o campeao vai jogar com o campeão Japones, acho que ia ser um grande golpe de Marketing ganhar, Imagina:
    “O Primeiro Clube Brasileiro a ser Campeao da SulAmericana.”

    e ainda de quebra, ir para o japão para vender mais alguma camisetas e tentar arranjar um patrocinador…

    Matheus, vai ser muito legal esse mata-mata entre Grêmio e Inter. Minha percepção (que pode não ser correta, porque é só uma percepção) é que os grenais tem hoje uma maior repercussão pelo país, graças à TV paga.

    Quanto à sul-americana, acho que o torneio poderia mesmo ser muito melhor se tivesse mais credibilidade. Outro dia li que o Marco Aurélio Cunha, dirigente do São Paulo, esteve no sorteio dos jogos da sul-americana e questionou o Grondona (presidente da AFA) sobre a inclusão automática de Boca e River no torneio, e ouviu como resposta que os clubes brasileiros que se mexessem para indicar dois representantes também automaticamente…assim fica difícil acreditar que esse torneio tenha futuro, por mais interessante que possa ser.

    Um abraço,

    Mauricio

  3. É horrivel ter que assumir que os europeus estão a séculos na nossa frente no questio organização, e clareza nas contas.

    Nosso maior problema aqui com as construções é que todo mundo tem que sair ganhando.
    Os politicos tentam desviar ou ganhar dinheiro extra nas licitações, as construtoras querem superfaturar e colocar aditivos que não eram previstos em contratos, os clubes querem os maiores estádios do mundo, e os torcedores querem pagar barato e ter um estádio estilo europeu!

    Pessoal, é impossivel comparar nossas realidade, os clubes precisam por a cabeça no lugar e pensar soluções para nossos problemas, e não copiar as soluções dos problemas dos outros.

    É verdade, Thiago, não se podem copiar soluções e modelos prontos, simplesmente.

    Mas a análise ajuda a enxergar antecipadamente o que pode e o que não pode dar certo, além de mostrar exemplos que em algum grau podem ser comparados com a nossa realidade, como em alguns estádios preparados para a Euro 2004, por exemplo.

    Concordo que há uma grande diversidade de interesses na construção e modernização de estádios em nosso país, e muitas vezes os dirigentes e empreendedores não falam com a razão, mas com o sentimento de torcedores.

    Para mim o pior dos cenários está no investimento público em arenas esportivas, quando todos os vícios e mazelas de nossa organização política e social encontram uma grande oportunidade para se manifestar e faturar algum às nossas custas.

    Abraço,

    Mauricio

  4. Um ponto que me chama a atenção neste excelente post do Maurício é que não observamos nenhuma obra faraônica, estádios proporcionais ao tamanho e perfis de consumo e ao “tamanho” do futebol e da possibilidade de utilização destes países.

    Creio também que não podemos simplesmente importar modelos, as variáveis culturais e sócio-econômicas tem que ser levadas em conta, porém podemos e devemos aprender conceitos de sustentabilidade e viabilidade econômica, de orientação mercadológica, de juízo ao gastar dinheiro, que parece que é quem mais tem que tem mais juízo, triste essa contradição que só reforça as diferenças; conceitos estes que cabem em qualquer cultura e economia.

    Concordo com o Maurício que o pior dos mundos é o que provavelmente ocorrerá pra 2014, uma baita farra orçamentária em estádios públicos que terão goteiras nas cabines de imprensa, dentre coisas bem piores, alguns anos após sua construção, e aquele super faturamento como no PAN. Terrível cenário, que temos de evitar a qualquer custo.

    Abraços a todos,

    Robert

  5. Fiquei pensando nos preços da construções destes estádios.

    60 milhoes, 70 milhoes.

    Cara, os clubes grandes entra ano, sai ano gastam em média uns 6 milhões de reais contratando jogadores. Não valeria a pena se esforçar mais, e construir um estádio? Mesmo que o time fique mal por um tempo, a torcida entenderia.

    Sem contar que o custo da construção em nosso país seria muito menor, caso fosse feito de forma séria, ja que a mão de obra, e materiais são mais baratos.

  6. Maurício!

    Concordando com muitos que postaram aqui, é impressionante a organização dos europeus. Estádios comtamanho mínimo, construídos em pouco tempo e a um custo relativamente baixo. Se empresas e clubes se empenhassem, e não existisse o famoso jeitinho brasileiro e aquela palavrinha chamada corrupção, talvez estas estruturas se tornassem realidade por aqui.

    Um abraço!

    Leonardo Gerodetti

  7. Ola amigos do Futebol e Negocio.
    Bem interessante o post assim como os comentarios inteligentes de vossa audiencia diferenciada!
    E’ verdade que os estadios sao dos tamanhos apropriados (pensando-se em longo termo), no entanto gostaria de chamar a atencao para um efeito causado por arenas ‘pequenas’ em grandes eventos.
    Em media, o ingresso para se assistir um jogo da Euro 2008, para os setores ‘populares’ e’ 50% mais caro do que os jogos da Copa do Mundo 2006, na Alemanha.
    Isso com certeza torna o publico que vai ao jogos ainda mais elitizado.
    Parece que a solucao encontrada aqui na Europa para esse problema (ja que seria impossivel atender a demanda para certas partidas, a nao ser que existissem estadios para 500 mil pessoas) e’ mesmo a criacao das Fan-Zones.
    Essas areas de public-viewing organizada pela propria organizacao das competicoes, ja foi um grande sucesso na Copa Alemanha e agora tambem na Euro.
    O ambiente costuma ser otimo – torcedores de diversas nacionalidades assistem as partidas, ate’ agora, sempre em grande harmonia – e ja ouvi muitos testemunhos de pessoas que preferem esse ambiente ao do estadio (ja que ha maior mobilidade, liberdade, e’ de graca, e ainda ha os replays nos teloes).
    Sera’ que as coisas se passariao da mesma maneira na Copa no Brasil?
    Abs
    Joao

  8. Sensacional a história do estádio de Genebra. Saiu por € 62,5 milhões, quando ninguém acreditava que saísse por menos de €100 mi. SAIU POR MENOS.

    No Brasil o Engenhão é orçado em R$ 60 milhões, o povo acha que já estão levando dinheiro em cima, ou seja, dava pra fazer por menos, e no final das contas gastam R$ 380 milhões!

    Inacreditável!

  9. sinceramente eu acho inocencia de mais achar que o engenhão pudesse sair por 60 milhões. Pela obra que é 380 mi é justo. Eles devem ter botado 60 mi pra q o governo arcasse e depois quando visse que era mais caro não voltasse atras porque já tinha botado dinheiro ou por medo de manchar a imagem pública

  10. ronaldo!!!!!!!!!!!!!!!!!

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