Publicado por: Amir Somoggi | 30/maio/2008

Receitas da CBV

Os clubes de futebol no Brasil são freqüentemente criticados pela falta de inovação em suas estratégias de marketing esportivo e a principal conseqüência disso é a extrema dependência de poucas fontes de receitas e da falta de projetos mercadológicos com o torcedor.

 

Essa crítica é justa e aqui no blog somos grandes defensores de uma reformulação drástica do mercado de marketing em clubes de futebol. Entretanto essas críticas não deveriam focar somente os clubes de futebol, já que muitos esportes têm sérios problemas quando o assunto é marketing e as entidades que os administram dependem de poucas fontes de receitas, muitas vezes até mais do que no futebol.

 

O melhor exemplo dessa realidade entre os esportes olímpicos é a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), entidade máxima do segundo esporte mais popular do Brasil, o primeiro entre as mulheres e que sempre foi posicionada como um exemplo para o mercado esportivo brasileiro.

 

 

O voleibol brasileiro é sem dúvida, muito bem gerido quando analisamos feitos esportivos e contamos com gerações de atletas de primeiro nível tanto nas quadras como nas areias, mas infelizmente a CBV não serve de exemplo quando o assunto é marketing esportivo. A entidade , que a até já foi tema de um livro de marketing esportivo está muito aquém de seu potencial em termos de geração de receitas.

 

 Receitas CBV- 2003-2007 – Em R$ milhões

 

 

Fonte: Balanços CBV

 

Em 2007 a CBV obteve um crescimento em suas receitas de 7% atingindo R$ 44,4 milhões e sua taxa média de crescimento anual nos últimos 5 anos não atingiu 5% ao ano. A sua principal fonte de receita são suas cotas de patrocínio, que em 2007 geraram R$ 30,6 milhões para a entidade (69% do total).Em 2003 os patrocinadores representaram 87% dos recursos da CBV.

 

Embora a entidade atualmente dependa menos dos patrocínios que em anos anteriores, essa realidade é resultado de uma inexistência de projetos contundentes de marketing esportivo, visto que depois de suas cotas de patrocínio os  recursos mais importantes para a CBV foram os R$ 2,8 milhões da Lei Agnelo-Piva, os R$ 2,1 milhões de transferências e cessões e os R$ 2 milhões em premiações.

 

Em termos % uma receita que apresentou grande evolução em 2007 foram os ganhos da entidade com bilheteria que cresceram 263% em relação a 2006 atingindo R$ 864 mil. No ano anterior a venda de ingressos foi de pouco mais de R$ 238 mil.

 

Entretanto a receita que comprova que o marketing esportivo da CBV é ainda muito frágil são suas receitas com royalties que geraram para a entidade irrisórios R$ 32,6 mil. E isso que estamos falando do voleibol mais vencedor de todos os tempos, que em 2007 teve seu ápice no Pan 2007.

 

A CBV tem um mundo de oportunidades de marketing para serem desenvolvidas e poderia gerar muito mais recursos, principalmente com o torcedor brasileiro, já que estamos falando de milhões de pessoas apaixonadas por voleibol no Brasil.

 

A entidade apresentou um déficit do exercício em 2007 de R$ (1,01) milhão e em 2006 o déficit foi ainda maior, R$ (2,76) milhões, provando que suas receitas atuais não são suficientes para financiar suas atividades.

 

Será que não é hora da CBV perceber qual é o real potencial de seu negócio e desenvolver projetos que a transformem em um verdadeiro case de marketing esportivo?

 


Responses

  1. Amir, muito legal seu post, como sempre.

    Apenas como um adendo, penso que um grande mérito do vôlei brasileiro está em se planejar, esportivamente, para que o nível das seleções e das ligas nacionais se mantenha altíssimo mesmo com a renovação, nisto os vejo como insuperáveis, mas não contrapõe sua análise.

    No fora da quadra, que é o real objeto de sua análise, os dados e seu texto falam por sí só; quando em campo para fazer minha pesquisa, um profissional de imprensa me comentou que um jogo Guaratinguetá X São Caetano em um dia de semana de verão gerava 14 pontos de audiência ao passo que a final da Liga Feminina, onde estava em quadra boa parte da seleção vice-campeã mundial, gerava 9 pontos; pro segundo esporte mais popular do Brasil e pelo nível da competição é realmente pouco; falta realmente um plano de marketing forte pra penetrar mais no mercado já que o produto é de excelente qualidade, eu, que acompanho esporte de maneira rotineira, por vezes tenho que ser “lembrado” quando tem jogo.

    Abraços,

    Robert

    Olá Robert,

    Esse seu exemplo comparativo das audiências comprova que como conteúdo o voleibol no Brasil deve implementar um projeto mercadológico novo, buscando uma geração de valor que atualmente se resume aos títulos e esforços das detentoras dos direitos de TV.

    Um dos maiores problemas da CBV foi não enxergar o longo prazo em termos de marketing.

    E se o BB decidir que não quer mais investir tanto no voleibol, o que será desse negócio no Brasil, já que as despesas da entidade superam R$ 45 milhões. Será que a CBV está preparada para gerar por exemplo, R$ 20 milhões ou R$ 15 milhões / ano em patrocínios?

    Seu balanço de 2007 comprova que não.

    Um abraço.

    Amir

  2. Olá Amir,

    Supreendo-me em ver que a CBV não é tão bem gerida merdacológicamente como desportivamente. Sempre tive uma impressão diferente.

    Vejo agora que segue o mesmo caminho da CBV, bem no campo, fora dela nem tanto.

    E com a falta de açoes que ja foram bastante discutidas aqui no blog, a alternativa é a mesma que no futebol brasileiro para sobrevivencia, vender os jogadores e patrocinios. Como no futebol, destino deles é a Europa e Leste Europeu, principalmente Italia e Russia Mais uma vez ficamos carentes de idolos atuando no voley nacional por falta de inicativas de marketing.

    Um abraço,

    Sérgio Mattos

    Olá Sérgio,

    Um dos aspectos mais interessantes da CBV é que além do excelente trabalho desportivo, a entidade construiu uma forte imagem no mercado esportivo.

    Minha maior crítica à entidade é não ter se inserido como propagadora de tendências de marketing esportivo, visto que essa identidade defendida a obrigaria que fizesse isso.

    O voleibol tem baixo valor agregado na venda de ingressos, principalmente em jogos na Liga e por ser um esporte tão popular deveria ser uma febre entre os jovens, mulheres e todos aqueles que buscam hoje entretenimento esportivo.

    Meu post teve como principal objetivo cobrar da CBV efetivamente que o nosso segundo esporte em preferência se diferenciasse em termos mercadológicos do futebol.

    Em minha opinião temos clubes de futebol no Brasil, que são muito criticados atualmente, mas que entendem muito mais de marketing esportivo que a CBV.

    Um abraço.

    Amir

  3. Olá Amir!

    É inegável que atualmente esportes como vôlei e basquete se destacam apenas perto dos Jogos Olímpicos.
    Se no futebol já temos problemas na profissionalização e aplicação do marketing, utilizando o benchmarkeng como principal ferramente, imagine o quão longe está o investimento em marketing esportivo para o vôlei e basquete nacional.
    O maior exemplo disso tudo é o amadorismo existente na administração do basquete brasileiro. Temos um jogador que já foi considerado o melhor reserva da NBA e no Brasil isto não é aproveitado de nenhuma forma. Sem falar dos campeonatos. Ninguém sabe quando acontecem e a mídia não faz cobertura pela falta de público e organização de seus dirigentes.

    Um abraço!

    Leonardo Gerodetti

    Olá Leonardo,

    Bela lembrança, o basquete é um excelente exemplo de como a má administração pode afundar um esporte popular em um país.

    Todos os esporte olímpicos, inclusive o voleibol vivem da ajuda ou do Governo ou de um patrocinador, em geral do setor público, fazendo com os esportes não criem uma plataforma de negócios sustentável.

    E sempre culpam a monocultura do futebol, mas se esquecem que há espaço no mercado para ações de marketing inovadoras que possibilitarão despertar o interesse da mídia e de patrocinadores.

    Um abraço.

    Amir

  4. Pra mim o maior problema de esportes como vôlei e basquete é a falta de uma “cultura clubística”.

    Tem gente que diz que o brasileiro não gosta de futebol, e sim do clube pra quem ele torce. Pode não ser inteiramente verdade, mas não deixa de ter um fundo de razão.

    Não há apego emocional com os times que disputam a Superliga, por exemplo. O cara torce porque é o time da sua cidade, mas se o patrocinador quiser, o time se muda, e o torcedor fica órfão.

    Torcedor compra camisa, boné, agasalho, DVD, e tudo mais que ele puder de seu clube. Mas será bem mais reticente em comprar items da Cimed, Unisul, Rexona, etc.

    Escrevi um post sobre o assunto no meu falecido blog: http://www.antunesdacosta.net/blogs/ricardo/index.php?itemid=87

    PS: Quando escrevi o post a Unisul ainda jogava por São José. Agora ela está em Joinville, e São José ficou sem time de volei.

    Olá Ricardo,

    Concordo com sua colocação. Acredito que a falta de paixão pelos times de vôlei, basquete e futsal são um dos motivos para esse ostracismo.

    Os exemplos que acabam dando certo são alguns times em que a cidade mesmo que perca um patrocínio banca esse investimento, mas mesmo assim é completamente diferente da paixão pelos clubes e longe do que seria o ideal.

    Mas pelo que sei quem administra os esportes olímpicos não tem muito interesse em ver times de camisa participando das competições.

    Quanto às seleções de vôlei, não tem desculpa, a CBV deveria fazer um profundo trabalho de branding para capitalizar a paixão dos brasileiros pelo esporte.

    Um abraço.

    Amir

  5. Proponho que vcs façam um post a respeito do novo contrato de material do flamengo. Algo em torno de 100milhões por 5 anos e ainda instalação de lojas e sei lá mais o que. E compare com os outros contratos dos times brasileiros e até internacionais.

    Olá Carlos,

    Em breve será publicado um post sobre o assunto aqui no blog.

    Obrigado pela sugestão.

    Um abraço.

    Amir

  6. A CBV sempre foi bem gerida e o volei brasileiro “organizado”. O bom resultado apenas favoreceu ás seleções principais e de base.
    Por outro lado, os clubes e a principal competição do país, a Superliga M/F sempre ficaram no ostracismo, sem TV com pouca repercussão. Sem os atrativos para atrair parceiros.
    Vocês podem ver que não há nenhum programa sobre voleibol na TV aberta.
    Esse ano a Globo propos transmitir apenas as finais dos torneios classificatórios, mantendo sua monopolização.
    O voleibol do Brasil começa nos CLUBES e depois chega a seleção e falta a CBV visão, novas estratégias para alavancar as receitas. Porque um dia o patrocínio do BB acaba…

    Olá Cleber,

    O problema aqui no Brasil é que todos enxergam que a transmissão na TV é a única saída para atrair parceiros, independente do esporte que estamos analisando.

    Essa é a verdadeira miopia de marketing esportivo em nosso mercado.

    A CBV gera valores baixíssimos com direitos de Tv e posso imaginar quanto não fica para a SuperLiga. O voleibol brasileiro deve buscar alternativas mercadológicas modernas para desenvolver projetos de marketing e comunicação.

    Um abraço.

    Amir


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