Publicado por: Amir Somoggi | 15/maio/2008

Carioca 2008: Público e receitas de bilheteria

O Campeonato Carioca 2008 apresentou uma sensível melhora nos dados sobre público nos estádios e em receitas de bilheteria em relação à edição de 2007. O principal motivo foi a inclusão de mais equipes na competição fazendo com que o número de jogos realizados se ampliasse em 68%. A minha análise tomou por base os borderôs de cada partida realizada.

 

A competição se encerrou com um total de 1,08 milhão de ingressos vendidos, uma ampliação de 47% em relação à edição de 2007 e as receitas líquidas recebidas pelos clubes atingiram R$ 7,6 milhões, uma evolução de 64%. O ticket médio da competição foi de R$ 7,1 por torcedor depois das penhoras e do pagamento da cota fixa aos clubes menores e R$ 8,1 por torcedor, se consideradas somente as receitas líquidas de cada jogo.

 

A primeira constatação que se pode fazer sobre a competição é a extrema dependência do Campeonato Carioca com os jogos finais da Taça Guanabara, Taça Rio e a final da competição. Considerando os oito jogos realizados entre os quatro clubes grandes nas semifinais e finais do campeonato, essas partidas representaram 45% dos ingressos vendidos, 56% da receita bruta da competição e 74% das receitas líquidas dos jogos, antes das penhoras.

 

Um segundo ponto que deve ser considerado é o valor pago por Flamengo, Botafogo e Fluminense em penhoras deduzidas das receitas de bilheteria que atingiram R$ 1,6 milhão, que representa R$ 319 mil a mais que todas as receitas geradas pelos 12 clubes pequenos. Segundo os borderôs das partidas o Vasco da Gama não teve deduzido nenhum valor em termos de penhoras de bilheteria.

 

Botafogo e Flamengo- 58% das receitas recebidas pelos clubes no Carioca 2008

(Fotos: GloboEsporte.com)

 

 

 

O clube que mais receitas líquidas gerou no Carioca 2008 foi o Botafogo com um total de R$ 2,3 milhões e essa liderança foi ocasionada pelas receitas recebidas com a final da Taça Rio contra o Fluminense, seguido do Flamengo com R$ 2,1 milhões, Fluminense com R$ 1,3 milhão e o Vasco da Gama com R$ 606 mil em receitas líquidas.

 

Em termos de ticket médio líquido, os jogos finais foram os que apresentaram o melhor resultado, mas o valor é muito menor quando comparado com o apresentado nos jogos com maior ticket médio líquido do Campeonato Paulista.(Paulistão 2008: Público e receitas de bilheteria)

 

Esses foram os jogos com maior ticket médio líquido por torcedor no Carioca 2008:

 

 

Com relação a toda a competição há uma constatação aterradora sobre as receitas líquidas dos jogos, já que 56% das partidas apresentaram resultado líquido negativo. Com relação ao ticket médio líquido por torcedor dos jogos realizados, somente 12% das partidas apresentaram um valor médio líquido por torcedor igual ou superior a R$ 7,00 e 69% dos jogos apresentaram ticket médio líquido abaixo de R$ 3,00 por torcedor.

 

A FERJ deve desde já planejar uma competição mais rentável para todos os envolvidos no próximo ano e pensar em como promover os jogos entre os grandes da capital e os clubes pequenos, a fim de que como no Campeonato Paulista, esses confrontos sejam um excelente gerador de receitas para os clubes menores.

 

Nesse ano excluindo Flamengo, Botafogo, Fluminense e Vasco da Gama, a média de receitas líquidas foi de apenas R$ 106 mil por clube, enquanto que no Campeonato Paulista esse valor foi de R$ 512 mil por clube, sem considerar os valores recebidos pelos quatro grandes e a finalista Ponte Preta.

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Responses

  1. Ano que vem não tem como melhorar mto não!

    De novo c/ a msm fórmula de 8 times por grupo, os únicos jogos q vão valer msm são os da semi e finais dos turnos.

    Talvez a única mudança significativa seja alguns, nem todos, times peqs poderão jogar em seus estádios.

    Não tem como encher São Januário jogando contra o Cardoso Moreira, sabendo q o time tem 99,9% de chance de se classificar p/ semis!

    Tem q voltar p/ as fómulas de 2007 p/ trás: 6 por grupo e assim a pré-temporada dos gdes vai aumentar!

    Olá Carlos,

    Obrigado pela informação.

    É uma pena que nessa fórmula criada dificilmente veremos clubes menores arrecadarem bons recursos. Sem contar que as finais dos turnos transformaram os jogos classificatórios em confrontos sem nenhuma importância para o torcedor.

    Compreendo sua colocação quanto ao Cardoso Moreira, mas por exemplo no Paulista desse ano, o Sertãozinho em um jogo contra o Corinthians gerou R$ 616,8 mil líquidos(57% de tudo que arrecadou) e com todo o respeito ao Sertãozinho, que foi um dos quatro rebaixados para a A2, o clube tem tanta tradição no futebol como tantos outros clubes pequenos do RJ.

    Um abraço.

    Amir

  2. Olá Amir,

    A meu ver esta fórmula do campeonato carioca prejudica em muito os times menores do RJ, seja financeiramente ou desportivamente, uma vez que estes não tem o direito de mandar suas partidas em sua cidades ou em seus estádios. Uma prova disso é a receita do Sertãozinho na partida contra o Corinthians quando o time do interior foi mandante.

    Acho tbm que eles criaram uma fórmula para que mais de um time tenha seu momento de campeão e se beneficie financeiramente tendo em vista a baixa rentabilidade dos torneios de lá. Todos os grandes saem feliz e tem seus ápices em receitas.

    Existem 8 partidas decisivas! 4 semi-finais(2 Taça Guanabara, 2 Taça Rio) e 4 finais (1 Taça Guanabara, 1 Taça Rio e 2 no Geral). É muita final desnecessaria!! A Federaçao faz uma grande média com os grandes.

    Antes achava que essa formula devia ser positiva financeiramente para os clubes, mas comparando com o Paulista nao chega nem perto.

    Particularmente nao gosto, pois os torcedores vão poupar seus recursos para as muitas finais, onde realmente vale.

    Todo ano é a mesma coisa, os 4 grandes chegam nas finais devido a baixa competitividade dos times pequenos e ainda prejudicado por nao mandarem seus jogos, não há motivo para o torcedor de time grande do RJ ir nestes jogos, penso que são considerados apenas preliminares.

    Grande abraço! 🙂

    Olá Sérgio,

    Perfeitas suas colocações.

    A competição, que sempre foi considerada a mais “charmosa” do Brasil, simplesmente está se transformando em um campeonato para os 4 grandes. Eventualmente algum clube menor chega às finais e acaba ganhando um pouco mais.

    A FERJ deve urgente pensar em uma forma de divisão de receitas que possibilite aos pequenos arrecadarem mais, pelos menos nos confrontos com os grandes.

    E quem sabe repensar essa idéia de 8 jogos finais…

    Um abraço.

    Amir

  3. Mas a variável q muda nesse jg entre Sertãozinho e Corinthians é o local do jg. Eu não sei onde fica Sertãozinho no Estado de SP, mas provalvemente a população do local não deve ver jgs de times gdes com mta frequência e msm a massa corinthiana deve ter ido ao jg. Esses jg se tornam gde atenção na cidade e arredores.

    No caso dos times gdes do RJ , os jgs sendo no capital, a torcida não vai gastar dinheiro p/ ver jgs fácieis.

    Eu acho q a gente pode notar isso nos jgs do brasileiro: é capaz do ipatinga ter uma das melhores médias de público, mas qdo for jogar fora as partidas devem ficar bem abaixo da média do mandante.

    Olá Carlos,

    Você está certo. Para a torcida do Sertãozinho e para os corintianos da região esse jogo é o evento do ano e por isso a receita foi tão elevada. O preço do ingresso médio pago pelo torcedor foi de R$ 28 e esse jogo foi na 5ª rodada da competição.

    No caso do RJ essa cota fixa para os pequenos jogarem contra os grandes na capital acabou com qualquer possibilidade de ganho dos pequenos com esse conceito de “jogo único” contra um Flamengo ou Vasco por exemplo.

    Os números seriam ainda piores se a FERJ não garantisse um valor fixo para os pequenos jogarem no Maracanã, São Januário e Engenhão.

    Um abraço.

    Amir

  4. Será que em Volta Redonda, Volta Redonda x Flamengo nao seria o jogo do ano??

    Insisto que os times pequenos deveriam ter o direito de mandar seus jogos em suas cidades ou estadios.

    😀

    Olá Sérgio,

    E complementando, que essa receita gerada fosse do clube mandante, pois nesse ano as rendas foram todas divididas entre os clubes.

    Um abraço.

    Amir

  5. Oi Amir, entendo que a divisão não foi igual, ou foi? Sabe em percentagem?

    Olá Sérgio,

    Os jogos entre os grandes tiveram uma divisão igual, já dos grandes entre os pequenos foi 60% para os grandes e40% para os pequenos.

    Entretanto em muitos jogos com resutado negativo clubes pequenos receberam suas cotas fixas enquanto os grandes tiveram prejuízo. Sem contar que em muitos casos os clubes grandes e pequenos receberam ressarcimento de despesas, o que ampliou os resultados negativos dos jogos.

    É um modelo completamente diferente do Paulista, em que o mandante ficou com 100% das receitas líquidas.

    Um abraço.

    Amir

  6. Amir,

    Dois fatos me incomodam no que diz respeito a receitas de bilheteria no futebol brasileiro. O primeiro é a operação bem abaixo do potencial, aspecto muito bem abordado em seu artigo na Stadia Magazine no final do ano passado e também amplamente debatido. Esse aspecto, em minha opinião é resumido pela frase que afirma
    que assistir a uma partida de futebol no Brasil é uma aventura, desde a compra do ingresso até a ida ao jogo.
    O segundo fato que me incomoda, e que ao que parece não é tão discutido como o anterior, é a incoerência entre o público pagante, a renda de uma partida e o preço dos ingressos para tal partida. Por exemplo, supondo que o público pagante foi de 10.000 pessoas e o ingresso mais barato custava R$ 40,00, como a renda (antes das despesas) pode ser menos que R$ 200.000 (na situação heróica de todos os torcedores terem pago meia entrada)? Parece esdrúxulo
    mas acontece. E aconteceu no campeonato carioca quando os preços dos ingressos mais baratos eram R$ 20,00 (meia R$ 10,00)
    e o tíquete médio foi de mais ou menos R$ 8,00. Tem alguma explicação? Tem a ver com distribuição de gratuidades para as organizadas?
    Além de não conseguirem proporcionar um espetáculo atraente para os torcedores a fim de maximizarem suas receitas, os clubes não conseguem nem ficar com tudo que os heróis que frequentam estádios pagam pelos ingressos?
    Desculpe pelo tamanho do comentário…

    um abraço

    Olá Marcelo,

    Obrigado pelo comentário e pela citação do artigo que publiquei na Stadia Magazine no ano passado.

    Realmente a bilheteria é um dos maiores problemas que enfrentamos em nosso futebol atualmente e as questões que você levanta são absolutamente reais.

    Embora os preços dos ingressos subiram nos últimos anos, na prática com a adoção da meia entrada e gratuidade de ingressos faz com que as receitas de bilheteria sejam marginais no negócio dos clubes.

    A nossa realidade é bastante complicada, já que há um excesso de descontos sobre a receita bruta. Por exemplo, nas duas finais entre Botafogo e Flamengo os torcedores renderam em compra de ingressos R$ 3,04 milhões, e no final os dois clubes ficaram com pouco mais de R$ 1,6 milhão. (depois das penhoras).

    Quanto ao ticket médio baixo, além do que você apresententou, um outro fator é o excesso de jogos deficitários que impactaram esse número.

    Um abraço.

    Amir

  7. Muito legal esse blog, gosto de estar por dentro de numeros financeiros do futebol também.
    Quanto ao campeonato carioca, eu acho q é dificil ele evoluir muito mais do que isso, o Rio é um estado mto pequeno, fica tudo concentrado na capital mesmo a unica alternativa é tentar subir um pouco o preço médio dos ingressos mesmo.

    Talvez se conseguissem fortalecer um pouco os times do interior pra jogos mais competitivos ficaria mais interessante também, o molde do campeonato paulista de pontos corridos com semi-final pode nao ser uma má idéia também, tornaria os classicos mais chamativos, ja q nao se enfrentariam um contra o outro varias vezes, mas apenas uma vez e depois possivelmente nas semi-finais.

    Olá Marcelo,

    Fico feliz que você esteja gostando do blog.

    Quanto a sua sugestão é realmente uma alternativa interessante para valorizar a competição e quem sabe ampliar um pouco mais os ganhos dos clubes menores.

    Com relação ao excesso de clássicos, realmente acaba diminuindo um pouco a importância desses confrontos.

    Um abraço.

    Amir


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