Publicado por: Marcos Silveira | 17/abril/2008

Rádio: Cobrança do CAP gera discórdia

Há exatamente uma semana o Atlético-PR anunciou que vai cobrar das emissoras de rádio pelos direitos de transmissão dos jogos do clube no Campeonato Brasileiro. O post que escrevi sobre o assunto deu uma pequena amostra da polêmica que estava por vir.

No dia seguinte (11/04), a Associação Brasileira de Crônistas Esportivos (ABRACE) divulgou uma nota de repúdio à cobrança do CAP, que deve ter sido comemorada pela ACEP (Associação dos Crônistas Esportivos do Paraná), que também se posicionou contra a novidade.

Esta semana foi a vez da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT) repudiar a decisão do Atlético-PR. A entidade divulgou uma nota à imprensa na segunda-feira (14/04).

Entrevista Coletiva CAP

Malucelli, Petraglia e Pimenta explicam a cobrança (Site oficial do CAP)

Na terça-feira (15/04) o CAP concedeu uma entrevista coletiva para esclarecer dúvidas sobre a polêmica novidade. O presidente do Conselho Deliberativo, Mario Celso Petraglia, o diretor jurídico, Marcos Malucelli, e o advogado Fernando Pimenta, do escritório contratado para fundamentar juridicamente a cobrança, falaram com os jornalistas durante uma hora.

Você pode conferir um trecho da coletiva:

Ontem (16/04) à tarde o Atlético-PR recebeu a primeira manifestação “amistosa” de uma entidade oficial. A Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo (ACEESP) foi na contramão da esmagadora maioria da imprensa e divulgou um comunicado em que não se opõe à cobrança. Leia a íntegra:

ASSOCIAÇÃO DOS CRONISTAS ESPORTIVOS DO ESTADO DE SÃO PAULO

COMUNICADO

POSIÇÃO DA ACEESP SOBRE COBRANÇA DE TAXA PARA DIREITO DE TRANSMISSÃO DE RÁDIO DOS JOGOS DO CLUBE ATLÉTICO PARANAENSE

A propósito da decisão do Clube Atlético Paranaense de cobrar taxa das emissoras de rádio para transmissão dos jogos do Campeonato Brasileiro que começa no dia 10 de maio, e outras competições, a ACEESP – Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo considera que:

a) – A cobrança dos direitos de transmissão dos jogos para as emissoras de rádio não é ilegal, sendo inclusive praticada em outros países e em eventos internacionais;

b) – Ao se estabelecer essa cobrança, o clube, em contra partida, deve oferecer condições para que as emissoras possam cumprir suas funções em níveis desejados, ou seja, definição de um horário exclusivo para transmissão, escolhido pelos adquirentes dos direitos, dispor de infra-estrutura apropriada, equipamentos de suporte técnico e informativo para consulta e demais meios para um bom desempenho das funções dos profissionais de imprensa.

São Paulo, 16 de abril de 2008

Ricardo Capriotti
Presidente

O que chama a atenção é o fato de a ACEESP ter uma posição tão diferente da ABRACE (o que evidencia o peso e a independência da entidade paulista).

Novos capítulos da polêmica devem ser escritos até o início do Campeonato Brasileiro. O blog Futebol & Negócio ficará em cima do assunto, mas faz questão de saber a sua opinião nos comentários. Participe!

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Responses

  1. Até então, as emissoras de rádio não pagam absolutamente nada para transmitir as partidas de futebol, além do seus próprios custos operacionais?
    Deveriam ser cobradas mesmo, pelo tanto de propaganda que é feita durante as transmissões.

    Olá Fábio, obrigado pelo comentário!

    Atualmente as rádios não pagam nada pelos direitos de transmissão.
    Outras tentativas já foram feitas para cobrar, a última em Santa Catarina, mas não deram certo.
    Dessa vez parece que o CAP está disposto a comprar a briga…

    Abs,
    Marcos Silveira

  2. Difícil admitir que uma idéia do Petraglia possa ser boa. Tudo que vem dele já traz uma carga muito pesada de pré-julgamentos.
    Não sei se concordo com a cobrança nem com o posicionamento da ACEESP.
    Penso nas várias rádios menores que se sustentam a muito custo e que se tornariam inviáveis com essa taxa.
    Penso também nos diversos amigos que trabalham nessas rádios e que ficariam em situação difícil.
    Tudo o que é normatizado é melhor e todo profissionalismo é bem-vindo. Mas não seria apenas mais um subterfúgio do Petraglia?
    É sempre bom lembrar que a TV não transmite os jogos do campeonato paranaense que têm o Atlético. A situação é patética! Se o furacão for finalista, não haverá transmissão da final, mesmo que a TV tenha acompanhado todo o campeonato.
    Não é à toa que ele é chamado de Eurico Miranda das araucárias…

    Oi Lara, obrigado pelo comentário!

    É bom ler a opinião de uma legítima curitibana! 😉

    No primeiro post que escrevi sobre isso, alguns comentários falaram sobre o risco de desemprego e até de falência, principalmente nas rádios menores. Essa possibilidade também foi levantada quando as TVs começaram a pagar pelos direitos e o mundo não acabou. Da mesma forma penso que agora o mercado saberá se impor e se adaptar aos novos tempos.

    Sei que o caso das rádios é mais complicado, mas acredito que a cobrança do CAP (e de outros que fizerem o mesmo) vai apenas limitar, regulamentar e dar vantagens para as emissoras que adquirirem os direitos. Essas poderão ter uma cabine mais apropriada e repórteres dentro de campo. Provavelmente também receberão mais pelas cotas publicitárias. As que não pagarem só poderão fazer “offtube” e sem entrevistar jogadores no gramado.

    Sobre a questão da TV, será lamentável não ter transmissão (se o CAP chegar à final), mas admiro a coragem do Atlético-PR em abrir mão de uma receita tão importante para se posicionar e exigir um reconhecimento financeiro maior.

    Comente mais vezes!

    Bjos,
    Marcos Silveira

  3. Eu não tenho certeza disso, é mais uma coisa a se checar. Há um tempo, ouvi comentarem que limitar a transmissão de jogos pela rádio era difícil porque não havia como impedir que um locutor qualquer usasse uma rádio legalizada para dizer o que ele está vendo. Se ele quiser dizer o que vê na rua ou se ele está vendo um jogo na TV. Como a rádio não envolve uso de imagem…

    Outro problema: no Brasil, os direitos de arena de uma partida são compartilhados pelos dois clubes em campo. É por isso, que o Flamengo e o SP não conseguem se revoltar contra a Globo e negociar separadamente com outra emissora. Se fizessem isso, essa emissora só poderia transmitir os confrontos diretos entre eles (ou seja, dois jogos no campeonato).

    Em alguns países da Europa (como Itália e Espanha), o mandante é o “dono” dos direitos do jogo. Então, os clubes podem negociar em separado seus direitos ou se negar a ter os jogos em sua casa televisionados.

    Se os direitos para rádio forem compartilhados, o Atlético-PR não pode vender um jogo sem que seu adversário também o faça. Ou, então, não pode vender os direitos sem dar uma parte ao adversário.

    Até acho que a atitude rubro-negra tem algum sentido, mas tenho dúvidas a respeito da legalidade da medida.

    Seja bem-vindo Ubiratan!

    Obrigado pelo excelente comentário!

    As jurisprudências devem ser o maior obstáculo do CAP, superando de longe notas oficiais de quaisquer entidades. Mas o advogado Fernando Pimenta, que participou da coletiva, garante que a cobrança tem fundamento. Não acho que o Atlético-PR compraria uma briga desse tamanho sem se precaver…

    De qualquer forma, como respondi para a Lara, creio que o bom senso irá prevalecer e que haverá um meio termo. Meu palpite é que as rádios que pagarem terão vantagens (cabine, repórter em campo, etc.), enquanto as outras terão de transmitir do estúdio, vendo pela TV.

    Outro ponto bem complicado, como você mencionou, é em relação à divisão dos direitos com o time adversário. Será que o CAP vai dividir o valor arrecadado? Seria mais fácil se os direitos fossem só do mandante, como na Europa.

    Comente mais vezes!

    Abs,
    Marcos Silveira

  4. Complementando o meu post anterior, acredito que se, realmente, não houver uma legislação clara a respeito da transmissão dos jogos pelas rádios, essa medida do Atlético/PR, pode, de fato, servir para a melhoria do futebol brasileiro e das próprias rádios e imprensa em geral.
    Em primeiro lugar, as rádios terão que fazer um planejamento de receitas e despesas muito melhor do que é feito atualmente, no sentindo de tentar cortas custos operacionais, para ter condições de pagar aos clubes pela transmissão. Assim, aliado às melhores condições que os clubes deverão proporcionar à essas rádios (aí nesse caso é válido uma regulação que os obrigem a fazer isso, pois se cobram devem), as rádios apresentarão melhores processos e operações mais eficientes, que resultarão em melhores transmissões, mais profissionalização e, consequentemente, maior atratatividade tanto para os torcedores, como para os anunciantes e outros possíveis parceiros que as rádios venham a conseguir.
    Em segundo lugar, e mais importante, essa é uma forma dos clubes se financiarem indiretamente. Se as rádios quiserem repassar parte desses novas despesas a para os anunciantes, certamente, não perderá negócios, nem no curto prazo. O marketing esportivo está crescendo e o interessa dos investidores também. Li uma matéria que o aumento do interesse das empresas em patrocinarem os clubes. Nela falava sobre a decisão da MRV Engenharia em patrocinar o Atlético/MG pois nenhuma outra forma de publicidade consegue expor tanto a marca como numa transmissão televisiva. Logo em seguida, sua concorrente decidiu patrocinar o Cruzeiro.
    Vocês que são especialistas em Marketing Esportivo, sabem mais do que, mas acredito que as rádios não deixarão de transmitir os jogos, assim como as empresas não deixarão de pagar a mais para anunciar. Essa é uma demanda crescente e sustentável, então os clubes tem que aproveitar essa oportunidade para conseguir mais recursos e aumentar suas receitas.

    Olá Fábio,

    Excelente comentário! Concordo com essa teoria de “sustentabilidade”.

    O mercado de futebol está se mexendo e certamente vai gerar muitas oportunidades. Uma delas é exatamente essa questão dos direitos de rádio.

    Como já foi falado no primeiro post sobre o assunto, se uma emissora adquirir os direitos de algum clube com exclusividade poderá até aumentar a(s) cota(s) de patrocínio, viabilizando o pagamento da nova despesa.

    Abs,
    Marcos Silveira

  5. Amigos, em especial Ubiratan e Marcos;

    Faz muito sentido a dúvida quanto à divisão dos valores relativos às transmissões esportivas, já que sempre há dois times em campo.

    Entretanto faço uma observação mais que semântica sobre a diferença entre direito de arena e direitos de transmissão: estes últimos pertencem aos clubes, enquanto o direito de arena refere-se ao percentual a ser pago aos atletas nas transmissões de TV. São, portanto, coisas distintas.

    Outro ponto: o Atlético está exigindo individualmente um valor pela transmissão radiofônica de suas partidas; em sua lógica, os adversários, se quiserem ganhar algo, deverão negociar seus próprios contratos, já que não existe (ao menos por enquanto) um contrato coletivo como nos moldes dos direitos de TV. Assim, pelo que pude entender, em uma transmissão de AtléticoxCoritiba (por exemplo) o Atlético faturaria seus R$ 15 mil por rádio enquanto o Coritiba não faturaria nada, a menos que negociasse por conta própria com essas rádios; em exigindo valores idênticos aos exigidos pelo Atlético, o custo por rádio seria de R$ 30 mil pela partida (R$ 15 mil para cada clube).

    Enfim, esse assunto ainda vai gerar muitas discussões.

    Abraços.

    Legal, Maurício!

    Realmente esse lance de direitos de transmissão e de arena às vezes causam confusão.

    E o seu raciocínio de que o adversário do CAP também receberia um compensação pelos direitos de rádio é perfeito, mas não consigo imaginar as emissoras pagando R$ 30 mil por partida.

    A novidade, que acabei de ler no blog do amigo Jota Júnior, é que saiu a primeira liminar contra a cobrança do CAP: a Transamérica do Paraná conseguiu liberação para trabalhar nos jogos do Atlético-PR a partir de maio.

    Certamente outras rádios devem seguir esse caminho, da mesma forma que o CAP tentará cassar a liminar. Com certeza teremos muitos desdobramentos até o início do Brasileiro e durante também!

    Abs,
    Marcos Silveira

  6. Mais sobre a liminar conseguida pela Transamérica no Paraná-Online:
    http://www.parana-online.com.br/noticias/index.php?op=ver&id=342385&caderno=7

    Olá Ricardo, muito obrigado pela colaboração!

    O link é excelente! Continue participando…

    Abs,
    Marcos Silveira

  7. CARO EMPRESARIO, NÃO DESPRESE ESTA MENSAGEM POIS SEI QUE POSSO AJUDA-LO MUITO. SOMOS UMA OPERADORA DE TELEFONIA IP QUE USA A INTERNET PARA LIGAÇÕES FIXAS E CELULARES. SE SUA EMPRESA TEM UM GRANDE FLUXO DE LIGAÇÕES INTERURBANAS DESTE TIPO ENTRE EM CONTATO CONOSCO, POIS PODEMOS PROVER UMA ECONOMIA DE ATÉ 70%., NÃO TEMOS ASSINATURA NEM COBRANÇA MENSAL DOS MINUTOS, COM A PROPRIA ECONOMIA VC PODERA INSTALAR E COMEÇAR A USAR IMEDIATAMENTE. FALE COMIGO
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