Publicado por: Maurício Bardella | 11/abril/2008

Balanço do Corinthians

Amigos, hoje o Corinthians publicou seu balanço referente a 2007.

 

Não vou aqui fazer nenhuma análise mais detalhada, mas gostaria de chamar a atenção para alguns pontos.

 

Mais que no enorme déficit do exercício de 2007 (assim como em 2006), a estrutura de receitas e despesas do clube possui similaridade com a preocupante realidade financeira de muitos de nossos clubes.

 

Eis o resumo da demonstração de resultados:

 

Corinthians-resultados de 2007 

 

Corinthianos roxos de preocupação!

 

Observem que em 2007 o futebol do Corinthians teve um prejuízo relativamente pequeno, igual a R$ 149 Mil. Porém, vejam que a receita obtida com a venda de jogadores representou nada menos que 58,38% das receitas operacionais com futebol! Um verdadeiro absurdo do ponto de vista de estruturas de receitas, mas que é um reflexo (exagerado, é verdade) da gestão de nossos clubes. No balanço do São Paulo F.C. (o chamado “clube modelo em gestão) referente a 2007 poderá ser observado que a receita com transferência de atletas também representa uma porcentagem muito grande em relação ao faturamento total, ainda que não tão alarmante.

 

Outro aspecto que chama a atenção é o item licenciamento e franquias, que na demonstração de resultados corinthiana de 2007 é igual a zero. Sim, zero! As receitas de patrocínios e direitos de TV ficaram praticamente estáveis. Entre as despesas operacionais, destaca-se a provisão de quase R$ 41 milhões para contingências  (ou seja, pagamento de dívidas cíveis, trabalhistas e fiscais).

 

Com esse quadro pouco animador, as torcidas organizadas (que  alguns órgãos de imprensa  insistem em chamar de “torcida do Corinthians”, como se elas representassem o total do universo de torcedores) voltam sua ira contra a camisa roxa, que a despeito de qualquer argumento, será um fator gerador de receitas para o clube.

 

Por fim, vejam a tragédia que representa a manutenção do clube social, responsável por praticamente todo o enorme déficit do exercício de 2007, superior a R$ 23 Milhões!

 

Há muito o futebol de nossos grandes clubes tem suas receitas exauridas pela parte social, que simplesmente deixou de ser viável economicamente. Esse é um ponto que merece uma reflexão mais aprofundada. Se não é possível ou indicado separar as finanças dos departamentos através de pessoas jurídicas diferentes, para não falar na mera extinção dos clubes sociais e esportes amadores, é preciso reconhecer que o tamanho destes precisa ser muito reduzido. O futebol é o core business de nossos clubes e precisa ser tratado como tal.

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Responses

  1. Excelente post caro Maurício….
    Mas vc não acha q todo se esse valor contegenciado for utilizado de maneira
    correta não vai acabar virando um investimento?
    Pois a tendencia, pelo menos em tese,é que ele
    dimunua a cada ano, repito, se for bem utilizado.
    Em breve sai o balanço do Botafogo, qual a sua previsão?

    Ps: O grande problema dos clubes socias é que eles fazem parte da tradição dos clubes, principalmente os cariocas.
    Abraço

    Olá, André. De fato, se o valor contingenciado for efetivamente pago, será um fator positivo. O problema é que a provisão para contingências diz respeito ao fato que já ocorreu, mas não foi pago ainda. Para que seja pago no(s) próximo(s) exercício(s) é preciso ter dinheiro em caixa…

    Creio que o balanço do Botafogo deve estar disponível em breve, até para cumprir o prazo, salvo engano, de 30 de abril. Certamente vamos analisar para acompanhar se a situação financeira do clube tem melhorado.

    Um abraço,

    Mauricio

  2. Amigos, aproveito para dizer que esse texto a respeito do balanço do Corinthians foi integralmente reproduzido no blog do Citadini, com a data de 11/04/2008.

    http://blogdocitadini.blog.uol.com.br/

    Antonio Roque Citadini é presidente do CORI – Conselho de Orientação do Corinthians.

    Há por lá alguns comentários interessantes.

    Abraços.

  3. Maurício, como vc informou acima reproduzi no meu blog sua análise sobre o balanço do Timão.Foram colocações interessantes e que os corinthianos precisam discutir.Acompanho este blog Futebol e Negócio e sempre que puder vou chamar os blogueiros ao debate.Obrigado pelo texto e pela seriedade ao tratar tão importante questão.

    Caro Citadini, bem-vindo ao Futebol & Negócio. Fico contente por saber que nossa audiência vem se tornando a cada dia mais ampla e qualificada, alcançando um público capacitado e ansioso por discutir os problemas e soluções de nosso futebol. A reprodução de nosso texto em seu blog sem dúvida nos ajuda a ampliar a exposição do tema.

    Contamos com sua presença em futuros debates.

    Um abraço,

    Mauricio Bardella

  4. Não sabia da existencia do site, por isso só agora encontrei e gostaria de fazer uma pergunta?
    como é tratado os jogadores no balanço? Ativo permanente? Se for a receita operacional não pode estar somado a venda dos direitos federativos. (Nem em uma DRE fiscal e nem em um possível Ebtida). Se for em “estoque”, o gasto na formação de atletas não seriam mais despesas e sim estoque de longo prazo. Claro que vcs sabem dessas diferenças, mas gostaria que alguém pudesse esclarecer essas questão!

    Abs


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