Publicado por: Maurício Bardella | 8/abril/2008

Torcer Faz Bem, mas tem seus riscos.

Ao que tudo indica, nesse ano não teremos nos jogos do Campeonato Brasileiro a promoção Torcer Faz Bem, da Nestlé. Parece certo que o investimento da empresa no futebol, caso continue a acontecer, não se dará nos mesmos moldes do que foi feito nas três últimas edições do campeonato.

 

O site Máquina do Esporte, em matéria do dia 04/04/08, mostra a preocupação da empresa com relação aos prejuízos – tanto de imagem quanto financeiros – decorrentes dos problemas no processo de troca de ingressos por produtos.

 

Segundo o site, um dos pontos críticos na realização dessa promoção aconteceu no campeonato de 2007, mais especificamente na partida Flamengo x Atlético-PR, quando grandes tumultos se formaram nos pontos de troca. Um torcedor flamenguista foi o primeiro a ganhar uma ação contra a empresa, devendo ter ressarcido o valor dos produtos comprados (R$ 17,67), além de receber R$ 500,00 a título de indenização. A Nestlé corre ainda o risco de ser multada pelo Procon.

 

Mais detalhes podem ser lidos na matéria:

 

http://maquinadoesporte.uol.com.br/v2/noticias.asp?id=8846

 

 

Ingressos se esgotaram duas horas após abertura das bilheterias

Confusão na troca de produtos por ingressos

 (Foto: Fábio Motta/Agência Estado) 

 

Um comentário bastante ilustrativo dos problemas enfrentados pelos organizadores e pelo público no processo de troca de ingressos pode ser lido no texto cujo link apresento abaixo. Trata-se de um comentário feito no Blog do Juca Kfouri em novembro de 2006, testemunhando o desvio dos ingressos que deveriam ser trocados pelos produtos e mostrando como parte deles acabava sendo vendida no próprio ponto de troca.

 

http://www.saopaulofc.com.br/news.php?cod=7983

 

Fábio Koff, presidente do Clube dos Treze, afirma que a entidade está negociando com a empresa para que o investimento tenha continuidade, mesmo que em outros moldes.

 

Penso que a Nestlé, com a Promoção Torcer Faz Bem, executou nesses últimos três anos uma ação de marketing inteligente e bem sucedida. Inteligente especialmente por se tratar de um investimento auto-financiado e por propiciar uma forte associação da marca com o futebol. Quando uso o termo “auto-financiado”, quero dizer que o investimento da empresa na compra de ingressos para os jogos muito provavelmente se pagou com a venda dos produtos nos supermercados, tendo ainda como retorno suplementar o ganho de imagem com a utilização de valores politicamente corretos, como a doação desses produtos para entidades carentes. 

 

Seria tudo maravilhoso, não fosse o fato da empresa ter colocado suas mãos num dos mais viciados elementos do futebol brasileiro: o processo de venda de ingressos.

 

Não que os cambistas sejam uma exclusividade de nosso país, evidentemente. O grande problema é que a nossa estrutura permite (quando não incentiva) os desvios de ingressos para o mercado paralelo, já que muitos interessados ganham com a venda sobrevalorizada – e podemos supor que nem sempre são apenas os próprios cambistas ou bilheteiros os que enchem seus bolsos quando os jogos tem uma grande demanda.

 

Será que ninguém no marketing da Nestlé anteviu a possibilidade de ocorrerem problemas na troca dos ingressos? Se houve uma agência de marketing esportivo envolvida (ou uma agência de promoção), será que não possuía suficiente conhecimento do mercado para prever os riscos? Colocar os pés em um terreno tão pantanoso deveria exigir uma maior atenção.

 

Por problemas e riscos como esses, penso que as empresas interessadas em investir no futebol precisam não apenas contratar profissionais de marketing (sejam funcionários ou terceirizados) competentes para desenhar estratégias e realizar ações táticas, mas principalmente profissionais com expertise no mercado do futebol. Vender os ganhos potenciais do investimento é algo fácil; demonstrar os riscos envolvidos exige mais que isso.


Responses

  1. Comprar ingresso para jogos aqui no Brasil é uma piada. O São Paulo que declara ser um dos clubes mais organizados do Brasil passou vergonha na venda de ingressos para as duas finais de Libertadores que disputou recentemente.

    Depois de comprar o ingresso o problema é entrar no estádio. As catracas passam a maior parte do tempo emperradas e não foram raras as vezes que um funcionário apenas picotou o meu ingresso porque não tinha catraca funcionando. Não entendo como continuam com essa empresa IngressoFácil.

    A idéia da Nestlé é muito boa. Pena que essa empresa que cuida dos ingressos e os clubes sejam tão amadores quanto a venda de ingressos.

    Bignotto, realmente o processo de venda de ingressos é tão vergonhoso e persistente que nos leva a crer que os problemas não podem ser causados apenas pela incompetência (por maior que esta seja).

    Muito já se falou sobre denúncias de ingressos cedidos “em consignação” para cambistas, e que misteriosamente surgem de novo nas bilheterias momentos antes do jogo, caso a demanda não seja suficiente para que sejam vendidos “no paralelo” com ágio.

    Para mim, a Nestlé deveria ter entendido que enfrentaria problemas ao lidar com a distribuição dos ingressos e tomado as providências necessárias: ou prover novas soluções no processo que pudessem eliminar o desvio dos ingressos para os cambistas (o que certamente aumentaria os custos da promoção), ou simplesmente não investir.

    Obrigado pelo comentário e um abraço.

    Mauricio Bardella

  2. Mauricio,

    A conclusão do seu post foi perfeita. O mercado do futebol brasileiro é muito particular e precisa de profissionais que conheçam bem como funciona.

    É uma pena que a iniciativa seja prejudicada por minorias que se beneficiam ilicitamente do projeto, espero que a Nestlé junto com a CBF corrija isto para que torcer faça realmente bem e não prejudique o torcedor.

    Um abraço,

    Sérgio Mattos🙂

    Sérgio, obrigado pelo comentário. Acho que assim como a CBF e a Nestlé, os clubes tem um papel importante também, e talvez em parte deles esteja a raiz do problema… Os ingressos (vendidos ou distribuídos em promoções como essa da Nestlé) representam um grande gargalo para que o futebol seja de fato entregue aos clientes-torcedores.

    Quando uma empresa fortíssima como a Nestlé enfrenta riscos para sua imagem ao fazer um investimento de tanta visibilidade, o produto futebol como um todo fica enfraquecido.

    Um abraço,

    Mauricio

  3. Mauricio, o Internacional quer comemorar seu centenário, em 2009, no maior espetáculo popular do mundo: o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro. Já garantido como enredo da Imperadores do Samba, de Porto Alegre, o clube gaúcho está oferecendo um patrocínio de R$ 4,5 milhões à escola que decidir levar para a Marquês de Sapucaí e o mundo, por intermédio da televisão, as glórias do Colorado.

    A preferência, segundo o colunista do jornal \”O Globo\” Ancelmo Gois, é por uma escola que tenha as mesmas cores do clube: vermelha e branca. Este é o caso da tradicional Acadêmicos do Salgueiro; da Unidos do Porto da Pedra, de São Gonçalo, e da Unidos do Viradouro, de Niterói.Amistosos Internacionais no Beira Rio estao sendo programados, alem do projeto 100 mil socios.Achei interessante essa do Carnaval .

    Marcos, interesante esse plano do Internacional. Vamos ver como vai ser desenvolvido, mas é um esforço legal para tornar a marca mais forte e internacionalizada, com reflexos futuros nos investimentos de patrocinadores e parceiros comerciais. Parece que as comemorações do centenário estão sendo mesmo muito bem planejadas.

    Valeu pela informação, vou tentar acompanhar esse plano. Abraço,

    Mauricio

  4. Fala Maurício, acredito que os problemas que a Nestlé teve no jogo Flamengo x Atlético-PR foram decorrentes de falhas da própria empresa, e não de vícios do futebol brasileiro, que são muitos.

    A empresa “compra” um certo número de ingressos dos jogos que fazem parte da promoção, apartir deste momento, o da compra, a distribuição ou troca dos bilhetes fica a cargo da Nestlé.

    Faltou a Nestlé pensar em disponibilizar um maior número de postos de trocas para os ingressos, levando a um número enorme de torcedores nos poucos postos, acredito que não passavam de oito.

    A empresa caso queira continuar com a promoção, ou qualquer outra que queira fazer algo parecido, deve atentar que uma maior quantidade de postos de venda ou troca, gera um menor número de torcedores por posto e consequentemente menor risco de confusões e brigas.

    Acredito que não seja preciso muito estudo ou preparo acadêmico para chegar a esta conclusão, apenas boa vontade e honestidade.

    A Nestlé, como nossos dirigentes e clubes, desrespeitou o torcedor brasileiro.

    Abraços !!!!

    Olá, Jorge. Concordo com você que a empresa falhou no processo de distribuição. De fato seriam necessários mais postos de troca, e especialmente pessoal contratado, treinado e supervisionado (ou fiscalizado) pela própria Nestlé para trabalhar com o público.

    Acontece que existe uma estrutura de comércio paralelo no meio futebolístico capaz de corromper qualquer sistema mal estruturado de venda ou distribuição de ingressos, que acabam parando nas mãos de cambistas (na porta do estádio ou ao lado da própria fila em que os torcedores esperam para trocar seus produtos).

    Penso que o erro capital da empresa foi não ter enxergado o tamanho do problema e os riscos que ele representaria para sua imagem, e nesse ponto profisisonais com um pouco de conhecimento sobre o mercado do futebol, com suas peculiaridades e problemas, poderiam ser úteis.

    Abraço,

    Mauricio

  5. Caro Maurício, mudando de assunto, o caso da Nestlé, e entrando em um assunto mais complexo, o sistema de venda de ingressos nos jogos de futebol no Brasil.
    Gostaria de saber a opinião dos participantes do blog sobre alguns assuntos.

    Porque os clubes, ou a maioria deles, não vendem carnês para seus jogos no Campeonato Brasileiro?????
    Único, na minha opinião, que permite tal venda na temporada nacional.

    Porque os clubes disponibizam tão poucos postos de venda para seus jogos, até mesmo nos mais procurados???????
    Sou flamenguista, e na última temporada cheguei a ficar três horas nas filas para comprar os bilhetes, isso é uma vergonha!!!!!!

    Porque a empresa ingresso-fácil é mantida como “parceira ” dos clubes neste processo de vendas, se já foi comprovada sua ineficácia e falta de preparo???

    Porque os ingressos e os lugares não são numerados?????

    Porque os clubes que não vendem carnês não começaram as vendas antecipadas dos seus jogos para o Campeonato Brasileiro?????
    Visto que a tabela já está confirmada pela CBF.

    São perguntas que sempre me faço, e gostaria de saber a opinião de vocês, blogueiros.

    Abraços.

    Jorge, excelente tema, mas bastante complexo…merece uma reflexão mais aprofundada e talvez algum(alguns) post(s) no futuro.

    Mesmo assim, vou dar uma opinião preliminar agora, com dois pontos básicos (vamos ver se você e os outros amigos tem mais idéias):

    Primeiro ponto: estrutura corrupta. Poucas bilheterias e pontos de venda, grandes filas e tumultos, tudo isso gera uma procura grande por ingressos no paralelo e com sobrepreço, que de uma maneira suspeita somem das bilheterias e acabam em grandes quantidades nas mãos dos cambistas. Não creio que apenas os bilheteiros estejam envolvidos em muitos dos casos…talvez haja gente mais graúda ganhando dinheiro com a falta de estrutura.

    Segundo ponto: no caso da venda de carnês e na não aplicação dos lugares marcados, acho que nossos dirigentes ainda se apoiam em paradigmas ultrapassados. Dizem que o público brasileiro não tem dinheiro para comprar ingressos antecipados em carnês; talvez isso tenha um fundo de verdade em função do público que se tem como prioritário no futebol de hoje. Ao menos para uma fatia de maior poder aquisitivo (que nem tem que ser tão alto assim…), certamente seria um excelente negócio oferecer os carnês, que além de tudo representam uma antecipação de receitas para os clubes – a mesma antecipação de receitas que eles são obrigados a “mendigar” com os patrocinadores, federações e com a TV, devido aos problemas de fluxo de caixa.

    Vamos tentar discutir com mais profundidade o tema. Obrigado pela sugestão.

    Mauricio

  6. Olá Jorge,

    Concordo com as colocações do Maurício sobre os carnês antecipados, assunto que defendo como solução para o futebol brasileiro desde 2003, pelo menos em termos de aumento de público nos estádios e receitas com jogos.

    Um outro fator que dificulta a adoção do sistema no Brasil está relacionado ao equívoco dos clubes de acreditarem que os pacotes de ingressos são apenas para a elite. Assim, os preços em geral são muito caros e o serviço o mesmo. Devem entender que o estádio tem que ser segmentado, também para os carnês.
    ´
    Além disso, o produto deveria ter um custo X benefício elevado, fato inexistente no mercado brasiliero. Por exemplo, o dono dos abonos do Barça com preço mais baixo, por 19 jogos, paga um valor correspondente a cerca de 10 jogos (pelo preço do dia do jogo na bilheteria).

    Um abraço.

    Amir

    Amir, concordo com você. Acho que o custo benefício tem a ver com o preço dos ingressos de um lado, e com a qualidade do evento do outro – acomodações, estacionamento, serviços de alimentação disponíveis, etc., tudo isso obedecendo aos níveis de segmentação propostos. Mas de fato é preciso ter argumentos de venda fortes para incentivar a compra dos carnês.

    Mauricio

  7. Bom pessoal, conheci o blog de voces a pouco tempo, e como me interessei muito, andei lendo alguns posts antigos e fiquei com uma duvida que tem muito haver com o tema que estão discutindo.
    O post em questão é sobre o publico e renda bruta do inicio do campeonato carioca 2008.
    Não sou expert em nada, muito menos matemático, mas na hora que bati os olhos percebi algo errado.
    Vamos la:
    Segundo os dados informados pela FERJ, e reproduzidos aqui por voces.
    1 rodada taça Guanabara 2008.
    fla x boavista – 23.799 pagantes renda bruta R$74.932,00
    vasco x madureira – 10.671 pagantes renda bruta R$12.622,00
    Fluminense x Cardoso Moreira – 24.811 pagantes – renda bruta $ 469.235,00
    Botafogo x Resende – 12.268 pagantes – renda (bruta) de R$ 227.445,00

    Como exemplo vamos ao jogo do fluminense que foi o de maior público.
    Como o ingresso mais barato no campeonato carioca custa R$40,00. E estudante paga metade disso. Fiz o seguinte cálculo: Mesmo que todos os torcedores que tenham ido ao jogo do fluminense (24.811 pagantes) fossem estudantes, o que pra mim é impossivel, ainda assim a renda bruta deveria ser de R$496.220,00 ao invés dos R$469.235,00, ou seja, uma diferença de 26 mil caso todos os pagantes fossem estudantes. Fiz tambem o cálculo sobre o publico total do final de semana.

    Público total: 74.062
    enda total: R$ 1.216.114,50
    Novamente, pelos meus cálculos a renda deveria ter sido de R$ 1.481.240,00, uma diferença de R$ 265.116,00.

    Desculpe a ignorancia, mas isto está certo?
    Pelo visto, estudante gosta mesmo de futebol!
    Abraços, e parabéns pelo ótimo blog.

    Thiago, dei uma pesquisada no site da FERJ para entender a situação. Analisando o borderô do jogo Fluminense x Cardoso Moreira que você cita como primeiro exemplo, dá pra perceber que o ingresso mais barato não custa R$40,00, mas sim R$20,00 (cadeira inferior, com meia entrada a R$10,00), e há também setor de arquibancada por R$30,00 (meia entrada, naturalmente, a R$15,00). Mas o que mais me chamou atenção nesse borderô foi que a receita líquida foi de apenas 45,5% da receita bruta!

    Se quiser dar uma olhada no borderô dessa partida, lá vai o link:
    http://www.fferj.com.br/Sitenovo/2008/Campeonatos2008/Carioca/Sumulas/fluminensexcardosomoreira190108.PDF

    Abraços,
    Mauricio

  8. Quanto à venda de carnês para a temporada, o Atlético-PR já faz isso há alguns anos. O detalhe é que o clube inflacionou o preço do ingresso para estimular a compra dos carnês.

    O Coritiba também já trabalhou com vendas de carnês, mas o montante vendido sempre ficou abaixo das expectativas. Por isso na última temporada eles mudaram o foco e criaram novos planos para sócio torcedor, onde em vez de comprar o carnê à vista, o torcedor paga uma taxa mensal e tem direito a frequentar os jogos.

    Essa estratégia é realizada há anos e com grande sucesso pelo Figueirense. O estádio Orlando Scarpelli possui lugares marcados, ou seja, o sócio escolhe onde quer sentar, e fica “dono” daquele lugar enquanto estiver associado.

    O clube também inflacionou o preço dos ingressos para estimular o torcedor a se associar, mas não tanto quanto o A. Paranaense.

    Ricardo, obrigado pelas informações. Quanto ao Atlético Paranaense, penso que é um clube que tem mostrado um certo pioneirismo na gestão de seu produto. Tenho dúvidas, no entanto, se o aumento de preços teve o objetivo prioritário de estimular a venda de carnês ou se buscou reposicionar o produto oferecido (e o público-alvo, como conseqüência), por estar agregando aos jogos algo que outros clubes não tem: uma arena moderna, com níveis de serviços superiores.

    No caso do Figueirense, corrija-me por favor se eu estiver errado: os torcedores podem se tornar sócios, adquirindo uma cadeira numerada em alguns setores do estádio (cadeira coberta – setor A e cadeiras descobertas setores B-C, segundo o site), e os torcedores não associados podem comprar pacotes de ingressos com assento numerado e com desconto no preço unitário para os setores B-C através do serviço em parceria com a VISA (site futebolcard.com). Sem dúvida é uma boa iniciativa, mas deverá evoluir, penso eu, para a oferta de pacotes de ingressos em todos os setores do estádio, com diferentes níveis de preços.

    Acho que são dois programas diferentes e talvez complementares: sócio-torcedor e venda de carnês. Esse último pode ter a vantagem para o clube de proporcionar uma maior antecipação de receitas.

    Mas é fato que alguns clubes, especialmente do sul, tem sido inovadores. A febre dos programas de sócios-torcedores começa a alcançar outras praças, como São Paulo e Rio de Janeiro, e é importante que esses programas tenham sempre um alcance amplo, oferecendo pacotes segmentados (portanto com preços variados) e atingindo públicos de diferentes características.

    Mais uma vez, obrigado e um abraço.

    Mauricio

  9. Maurício, obrigado por colocar em discussão tão relevante tema, muito bom.
    Eu sou adepto da corrente de pensamento que o entretenimento por meio do acompanhamento de um esporte tem características de um SERVIÇO prestado ao torcedor/consumidor. Desta forma, existem outros aspectos do composto de marketing a se trabalhar/configurar/gerenciar; processos é um deles, além de pessoas (estrutura de suporte, bilheteria, monitores, atendentes de um service desk, etc.) e a estrutura física, que cria conveniência e pela qual o clube também se expressa.
    Como venho defendendo, a receita de bilheteria foi relegada a último plano pelos clubes faz tempo já; isso se mostra pela tendência de queda do público médio apesar de alguns repiques, da deterioração dos estádios, etc. Há exceções, como é o caso do Atlético-PR, que faz um bom trabalho neste sentido.
    O processo de compra de ingressos segue o velho princípio de criar dificuldade (filas, pontos de venda funcionando em horário comercial apenas, insegurança) pra vender facilidade (cambistas e o famoso jetinho)….a Nestlé tropeçou neste submundo cujos integrantes nem CPF tem, muito menos nome a zelar, que pena. A desculpa dos clubes, que eu ouvi, variam desde a terceirização da atividade até a má qualidade do entorno..fica a pergunta, quem é o dono do processo de negócio ?? Terceiriza-se a atividade, não o negócio, sobra pro torcedor que não vai ao estádio por conta de tantas dificuldades e pro clube que perde importantes recursos.

    Robert, obrigado pelo comentário. Gosto dessa expressão que você usa bastante: “criam-se dificuldades para vender facilidades”…acho que esse é um ponto chave no processo de venda de ingressos.
    Infelizmente para a Nestlé ( e para quem quiser investir no futebol), as barreiras desse mercado são muito sólidas e é preciso cuidado para atrelar o nome da empresa a aspectos obscuros do nosso esporte. Uma coisa é patrocinar uma camisa (que também gera riscos, deixe-claro), outra é se envolver com um processo tão viciado quanto a venda/troca dos ingressos, ou mesmo realizar eventos (como levar convidados a um camarote) em estádios que não oferecem estrutura para isso, com todos os riscos de, na verdade, agregar a marca às deficiências crônicas de nossos espetáculos esportivos.
    É uma pena, mas tudo isso vem em sentido oposto ao que todos queremos, que é a valorização do futebol como plataforma de marketing e comunicação para os investidores.
    Abraços,

    Mauricio

  10. Mauricio, você tem razão quando diz que o Atlético-PR procurou reposicionar o produto oferecido, mas também acredito que o carnê teve influência na majoração dos preços. O Coritiba também aumentou os preços dos ingressos quando lançou o carnê, mas não tanto quanto o seu maior rival.

    Quanto ao Figueirense, o detalhe do plano de sócio torcedor é que você não “compra” a cadeira numerada, e sim “aluga”.

    Ao se associar, você escolhe uma cadeira e, enquanto pagar as mensalidades, assite os jogos no lugar escolhido. Mas o torcedor não tem que pagar mais nada além das mensalidades.

    Por fim, com certeza os carnês possibilitam uma maior antecipação de receita, mas acho que no Brasil o plano de sócio-torcedor faz mais sucesso, pois não exige um investimento inicial muito alto, e sim diluido mensalmente.

    Quem sabe, porém, com o tempo os carnês “vinguem”, e os torcedores passem a se programar melhor para a compra do pacote, com o décimo terceiro salário, por exemplo.

    Abraços,
    Ricardo.

  11. Mauricio
    Fui um dos milhares de rubro-negros que tentou comprar ingressos para o jogo citado por você (Flamengo X Atlético – PR).
    Sou morador da Tijuca, cheguei ao posto de troca mais próximo da minha casa às 8:30 (as trocas estavam marcadas para começar às 10h).
    A fila já estava quilométrica. Esperamos. Às 10:30 veio a notícia de que não haveria troca em nenhum lugar naquele dia. Temi pelo pior, mas felizmente nada de mal aconteceu.
    No sábado (véspera do jogo), fui para o Maracanã tentar mais uma vez trocar minhas latas de Neston, de novo não obtive sucesso.
    Resultado: tive que comprar o ingresso na bilheteria, não sem antes enfrentar uma enorme fila sob sol forte, e enfiar as latas de Neston Deus sabe lá onde.
    Portanto acho que a idéia da promoção é ótima o que falta é organização dos responsáveis.
    E um pouco de vergonha na cara também

    Obrigado
    Pedro

  12. promoção torcer faz bem , so faz bem,parabens a nestle

  13. O que nos revolta e que a “NESTLE” tem a conviccao que falhou.E mesmo assim tem a cara de pau nas audiencias , que cidadoes de bem revoltados moveram contra ela que ,nem a senha , nem o cupom de ingresso caracteriza que o torcedor nao tenha adquirido o ingresso.Ela merece mais acoes por mais danos morais , por dizer que aspesar de todas as fotos , coisas horriveis que vivemmos , ainda somos mentirosos,existiram mercados que la mesmo aonde se comprava iria se trocar que estavam vendendo qualquer artigo da nestle (MUCILON,NESCAU) e garantindo a troca , agora ao apresentarmos os cupons de compra apesar da data a “NESTLE” alega que a nota nao e do produto neston.Mesmo sabendo que a maioria dos mercados foram tambem desonestos para acabarem com os estoques.Que futuramente seriam abastecidas pela propria nestle.E REVOLTANTE.

  14. O GALO DE MINAS GERAIS JA FAZ A VENDA DE CARNÊS A MAIS DE TRES ANOS E A VENDA REALMENTE É PEQUENA EM VISTA DO TAMANHO DA TORCIDA,TALVES POR FALTA DE DINHEIRO O COMODISMO, POIS O BRASILEIRO PARECE QUE GOSTA DE ENFRENTAR FILAS OU VIVER FORTES EMOÇÕES.


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Categorias

%d blogueiros gostam disto: