Publicado por: Amir Somoggi | 3/abril/2008

Finanças da CBF

A pedido do leitor Gilson Gustavo aqui no blog, que comentou sobre a recente publicação das demonstrações contábeis da Confederação Brasileira de Futebol, vou apresentar algumas análises do último exercício da entidade que comanda o nosso futebol. 

Em 2007 a CBF apresentou uma receita total de R$ 119,8 milhões e superávit do exercício de R$ 10,4 milhões, fazendo com que a entidade melhorasse muito sua situação financeira em relação a 2006, um ano péssimo em termos financeiros e também desportivos, com a eliminação precoce de nossa seleção da Copa de 2006. 

As receitas registraram um crescimento de 19,7%, principalmente pela melhora com os recursos provenientes de seus patrocinadores, direitos de TV, cobranças de taxas e receitas financeiras. Já o resultado ao final do exercício apresentou uma evolução contundente, já que em 2006 a CBF apresentou déficit do exercício de R$ (22,1) milhões.   

CBF- Receita total e superávit / (déficit) do exercício

2003-2007 – Em R$ milhões

historico-cbf.jpg
Fonte: Balanços CBF

A melhora dos números financeiros da entidade foi resultado de alguns fatores e o principal deles refere-se ao substancial corte em seus custos com futebol profissional, que passou de R$ 50,6 milhões em 2006 para R$ 20,8 milhões em 2007. A CBF nos últimos anos vinha disponibilizando muitos recursos com a equipe profissional e foi obrigada a reduzir drasticamente esses valores para buscar um equilíbrio financeiro em suas contas.  

Já suas despesas operacionais, que incluem despesas administrativas, de pessoal, diferentes serviços prestados e impostos e taxas sofreram uma ampliação nesse período de R$ 8,6 milhões e uma despesa nova em 2007 registrada pela entidade foi o investimento de R$ 5,8 milhões na candidatura do país para sediar a Copa de 2014.  

Seleção em 2007 – Fonte Site CBF

selecao-2.jpg

Com relação as suas receitas, a CBF ampliou consideravelmente seus ganhos com seus patrocinadores e em parte esse aumento foi consequência da antecipação de receitas futuras já em 2007. A entidade também antecipou parte de seus recursos com direitos de TV em 2007. 

Embora os recursos com patrocínio sejam sua principal fonte de receita, a cada ano vem perdendo sua representatividade, já que em 2003 foram responsáveis por 73% de todos os recursos gerados pela entidade e em 2007 essa representatividade foi de 54% do total. Já as receitas com o futebol profissional (partidas realizadas), vem ampliando sua importância, já que em 2003 representavam 12% do total gerado pela entidade e em 2007 atingiu 23% do total. Em 2006 as partidas realizadas pela seleção apresentaram seu maior valor, representando 33% dos recursos gerados naquele ano. 

Amistosos da Seleção, cada vez mais importantes para as finanças da CBF – Fonte Site CBF

          selecao-1.jpg

Uma outra fonte de receita que cresceu muito nos últimos anos foram os recursos gerados com as licenças e transferências que passaram de pouco mais de R$ 1,1 milhão em 2003 para mais de R$ 3,8 milhões em 2007. Uma outra fonte importante para a CBF são suas receitas financeiras, que atingiram R$ 5,7 milhões em 2007, uma evolução de 506% em relação ao ano anterior.    

O diagnóstico sobre as finanças da entidade é que com o negócio com alto valor agregado que a CBF detém sua receita é muito baixa em relação ao seu potencial. Além disso, a entidade, por conta de seu grande déficit em 2006 continua com Passivo a Descoberto (Patrimônio Líquido negativo), que alcançou R$ (17,5) milhões em 2006 e com seu superávit de 2007, esse número foi reduzido para R$ (7,5) milhões, fazendo com que seu Passivo alcançasse no último exercício R$ 37,4 milhões frente a um Ativo de R$ 29,9 milhões.  

Embora a situação financeira da CBF seja muito mais confortável que de muitos clubes brasileiros, está muito aquém do que deveria, já que poderia servir de benchmark para o futebol brasileiro, já que precisamos urgentemente de um novo modelo de gestão para o nosso mercado e acredito que a entidade máxima do nosso futebol poderia ser a precurssora dessa mudança. 


Responses

  1. Amir,

    A CBF tem aproveitado o bom momento da seleção para fechar bons acordos comerciais.

    Desde que a Nike assumiu o patrocínio da camisa, os valores dos contratos de patrocínio alcançaram um novo patamar.

    Entretanto, uma coisa precisa ser lembrada, o aumento do faturamento da CBF veio nos ultimos anos acompanhado de uma série de denúncias de irregularidades nos principais contratos firmados por Ricardo Teixeira. Relatórios das CPIs apontaram diversos indícios de crimes envolvendo os principais dirigentes do futebol brasileiro, como evasao de divisas, sonegacao fiscal e lavagem de dinheiro.

    Me recordo que foi compravada que a CBF indicou para realizar a comercialização dos ingressos da Copa uma agência de turismo, essas empresas só estariam vendendo os ingressos mediante a compra de pacotes de viagem para a Europa, isso tudo fere o direito do torcedor.

    Como se vê, ainda falta muito para que o negócio seleção brasileira atinja o patamar de excelência que seus jogadores mostraram nos gramados ao longo da história, por isso não estou certo o quanto os clubes brasileiros podem se espelhar no orgão que gere a seleção do país.

    Abraços,

    Sérgio Mattos

    Olá Sérgio,

    Você está certo quanto aos seus comentários sobre a atual gestão da CBF, há muitas coisas que devem ser investigadas.

    Entretanto quando falo em a CBF ser a precurssora da mudança do modelo de gestão de nosso futebol está muito mais relacionado ao desenvolvimento mercadológico de seu negócio e também de um rígido controle orçamentário, dois dos maiores problemas do nosso futebol atual.

    Acredito que fica difícil cobrar uma gestão focada no longo prazo para os clubes, quando as entidades de administração do desporto visam somente o curtíssimo prazo e focam suas administrações no desempenho de seus times e atletas (e isso vale para outras Confederações e COB também).

    Um abraço.

    Amir

  2. Apenas para contribuir para a observação do Amir na resposta ao Sérgio. Também percebo a dificuldade em exigir planos de longo prazo.
    Quanto ao rígido controle orçamentário, a administração saudável e sustentabilidade dos clubes e órgãos administradores do esporte eu só vejo uma sáida, uma rígida regulamentação vinda do Estado, forte fiscalização e proibição de participar em competições para quem não se adequar, já é assim em alguns países, porém, o esporte brasileiro ainda tem o quê de “política pública”, vide as dívidas sociais dos clubes……
    Voltando à pauta, a CBF realmente tem pego carona no que a Seleção Brasileira representa em termos de exposição, mas claro que há muito mais oportunidades.

    Olá Robert,

    Você tocou em um ponto essencial, a fiscalização do Estado ( de preferência através de um órgão independente) sobre a gestão do esporte profissional. O melhor exemplo do futebol global é o DNCG da França que fiscaliza de forma idependente as finanças dos clubes da Ligue 1 e Ligue 2 e da Liga.

    Agora na atual conjuntura em que temos o Ministro lutando pela Lei de Incentivo, Timemania, Copa de 2014 e os absurdos gastos do Pan 2007, isso infelizmente é uma utopia.

    Um abraço.

    Amir

  3. concordo com Amir uma fiscalização rigorosa do estado seria bom melhor ainda será uma transparencia publica porque é o povo que consome os produtos dos patrocinadores e paga ingreço .


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