Publicado por: Maurício Bardella | 18/março/2008

IWL e WL Sports – duas faces de Luxemburgo

No mercado esportivo brasileiro mais e mais se vêem ações e empreendimentos que tem como foco a adoção de práticas de gestão profissionalizadas no futebol. Após o surgimento de diversos cursos de especialização, graduação e pós-graduação, tivemos pouco tempo atrás o lançamento do Instituto Wanderley Luxemburgo – IWL – oferecendo aulas por satélite ministradas por professores bastante conhecidos no nosso mercado, sendo que os alunos podem acompanhar essas aulas em salas espalhadas por diversas regiões.

Um dos mecanismos de expansão do negócio é a venda de franquias, que são oferecidas por valores entre 150 e 200 mil reais.

Os cursos ministrados vão da área eminentemente técnica, como fisiologia esportiva, técnico de futebol e arbitragem, a áreas de gestão como marketing e direito esportivo. 

http://www.iwl.com.br/  

A formatação do empreendimento deve ter sido elaborada por especialistas em negócios, utilizando-se da marca Wanderley Luxemburgo como fator de diferenciação. A escolha do time de profissionais que atuam como professores foi feita com base no relacionamento profissional que boa parte deles teve com o treinador nessas décadas de carreira e grande sucesso esportivo. Sem fazer pré-julgamentos ou restrições, prefiro aqui ver o lado positivo da iniciativa, que é a oferta em nosso mercado de mais um curso de formação de profissionais para atuarem nesse segmento tão promissor e necessitado de novas práticas, particularmente no que se refere à gestão esportiva.

Entretanto, da teoria à ação…  

Mas não só na área de ensino se enxerga a expansão da marca Luxemburgo. Outro de seus negócios é a empresa de consultoria esportiva WL Sports, que embora possivelmente não tenha ligação direta com o IWL, tem em comum o nome (e o aval) do treinador e, em teoria, trabalha com seus conceitos e suas práticas.

No final do ano passado o técnico e empreendedor Wanderley Luxemburgo firmou, através da WL Sports, parceria com o Joinville, clube outrora vencedor em Santa Catarina e que passa por uma longa crise técnica, para administrar seu departamento de futebol. Essa parceria já fez água, uma vez que foi fundamentada no sucesso esportivo, assumindo metas de grande risco: 

      Em 2008, o Joinville deveria conquistar o campeonato catarinense e obter na Série C o acesso para a Série B do Campeonato Brasileiro.

      Em 2009, o clube deveria participar da Copa do Brasil e da Série B do Brasileiro.

Com o fracasso do time na primeira parte da competição regional, a comissão técnica foi demitida e o acordo extinto. O clube queixou-se do grande aumento em suas despesas com o futebol, como se pode ver na matéria do UOL cujo link apresento abaixo:

  http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas/2008/03/17/ult59u149962.jhtm 

Claro que esse é um reflexo da mentalidade de curto prazo tão comum em nosso futebol, assim como pode ser uma reação dos dirigentes que são ávidos por assinar parcerias (com o dinheiro e/ou resultados que estas prometem), mas logo se rebelam contra a perda de poder nas atividades de seus clubes. Mais importante, nesse exemplo se mostram os riscos (para os clubes) de fundamentar projetos de sustentação e crescimento de um clube de futebol exclusivamente em metas esportivas.

 Torcida do JEC

Torcida do Joinville: da euforia…

Torcida do JEC-protesto

…aos protestos com faixas de cabeça para baixo

A conquista de títulos e acessos a campeonatos de maior visibilidade tem que ser um objetivo, mas como conseqüência de um processo profissional de gestão que vai além dos procedimentos técnicos do departamento de futebol. O foco inicial do trabalho, na minha opinião, precisa estar na estruturação financeira e comercial do clube de modo a obter maiores e melhores receitas, assim como aumentar a rentabilidade do negócio.

Se os investimentos são orientados apenas para a área técnica com a contratação de comissão técnica e jogadores (geralmente aumentando significativamente o custo fixo do clube), esperando-se obter resultados esportivos e conseqüentemente vender os atletas valorizados com essas conquistas para só então conseguir um crescimento de receitas, o processo tem grandes chances de morrer muito cedo graças a um pênalti mal marcado pelo árbitro, a um gol em impedimento do adversário ou à má fase de dois ou três jogadores importantes no elenco.

Essa estratégia, na verdade, é um pouco mais do mesmo. Esse filme já foi tentado em muitas parcerias (boa parte delas fracassada). Trata-se de um legado da parceria Palmeiras-Parmalat nos anos 90, que tinha uma grande disponibilidade para investir em jogadores e que consolidou aos olhos do mercado esse modelo de investimento –  dinheiro para investir em contratações e salários, conquistas esportivas e venda de jogadores para obter lucro.

Ou seja, a WL Sports vende um modelo que ela já conhece e que, dentro do campo e com o comando de Wanderley Luxemburgo, deu resultados em alguns clubes. Esse modelo, no entanto, me parece arriscado e não trás na verdade nada realmente novo ao nosso cenário. Além disso, se não houver uma nova formatação na gestão do clube, vender a terceirização da administração do departamento de futebol como uma “solução de profissionalização” possivelmente venha a gerar uma grande frustração como resultado. 

Anúncios

Responses

  1. A possibilidade de haver um fracasso numa parceria nos moldes citados acima é grande, o parceiro visa montar um time pensando no lucro ao passo que o clube pensa em títulos.

    Há uma divergência de interesses, o clube para obter vitorias precisa de tempo para entrosar os jogadores e criar uma equipe coesa, já o parceiro não quer saber de tempo, na primeira oportunidade que tiver vai vender o jogador sem se preocupar se ele é importante no esquema da equipe e que ajudará na conquista do objetivo.

    A respeito do Luxemburgo, ele está sendo muito inteligente e ao mesmo tempo anti-ético na criação dessas entidades.

    Na minha opinião, ele usa a figura de empresário, para contratar profissionais do meio esportivo para trabalhar com ele no Instituto que ao mesmo tempo exercem funções no meio futebolístico onde ele trabalha como treinador, acaba gerando um conflito de interesse no qual ele se beneficia.

    Vide o caso do juiz Anselmo da Costa, que acabou sendo afastado do Campeonato Paulista série A por ser também professor de arbitragem do instituto. E recentemente foi noticiado que o meia sérvio Petkovic vai abrir uma franquia do IWL no RJ, a informação é da coluna de Ancelmo Góis, no O Globo. Coincidencia ou não, este mesmo que pouco tempo atrás havia sido contratado pelo treinador para jogar no Santos, contratação que na época foi muito questionada pelos especialistas no assunto.

    Abraço!

    Pois é, Sérgio, o empresário Luxemburgo transita numa área em que os limites éticos são muito tênues…isso não apenas com o IWL, mas desde seu relacionamento com o Iraty, levando jogadores para o Santos.

    Quanto ao modelo proposto pela WL Sports no Joinville, tenho uma dúvida adicional: será que sem a presença física de Luxemburgo como treinador do clube esse modelo pode funcionar? Se no Palmeiras o treinador fosse um preposto e não o próprio Luxemburgo ele provavelmente teria sido demitido após o início de trabalho instável, não acha?

    Um abraço,

    Mauricio

  2. Oi Mauricio, penso que sim, a presença dele é fundamental, só emprestar o nome não garante as vitórias que o consagraram como grande estrategista!

    Abraços,

    Sergio

  3. Complementando, emprestar o nome não garante as vitórias e a paciência dos dirigentes.

  4. O Wandelei LuxemBURRO é o verdadeiro ” ladrao” desta historia, pois obtem toda a receita do clube, ou seja, mais ou menos uns 250mil por mes para assinar contratos com jogadores fajutos e vagabundos de um tal de irati e diabo a quatro…..

    o luxemburro, pensa que aki é palhaçada como esses timecos paulistas que nao tem torcida e a lavagem de dinheiro rola solta…quebrou a cara

    luxemburro, o JEC é muito, mas muito maior que voce !!!

    Pedro, entendo e respeito seu ponto de vista, mas não posso endossar os termos que você usa a respeito do Luxemburgo. Na verdade, de pouco inteligente ele nada tem, e sua honestidade não está sendo qustionada nesse post.

    Concordo, sim, que o JEC é muito maior que a WL Sports e Wanderley Luxemburgo, e que o clube é um digno representante de uma cidade e uma região tão importantes para o país, cultural e economicamente.

    Penso também que o JEC e seus torcedores são maiores e mais importantes que os dirigentes capazes de assinar um contrato desse tipo e rasgá-lo após um período curtíssimo por causa dos maus resultados em campo, demonstrando um amadorismo acima de qualquer dúvida.

    Obrigado pela participação.

    Mauricio Bardella

  5. O principal fator de insucesso da WL Sports em Joinville foi simplesmente o trabalho feito por eles mesmos. Como torcedor do JEC, a única coisa que eu realmente gostei foi a contratação do Carlos Germano para ser preparador de goleiros, o que evidentemente elevou o nível técnico dos goleiros do time. No mais, um técnico boca-mole (Waldemar Lemos) que passava a mão na cabeça de jogadores que não mantinham respeito com o clube e com a instituição Joinville, sendo envolvidos por mais de uma vez em casos de polícia pelo excessivo número de festas-“baderneiras”. E em meio a tudo isto esperávamos ao menos obter resultados decentes em campo, mas, nem isto. Se os caras não respeitam e nem jogam, tem mais é que serem mandados embora mesmo. Mas ninguém fazia isto. Se a WL Sports e seus profissionais fossem tão competentes e comprometidos com o trabalho que assumem, com certeza atitudes mais pontuais deveriam ter sido tomadas na época, mas o que parecia era que ninguém estava muito aí para o clube e para a torcida em si. Até que a parceria (que desde o início foi duvidosa e que só foi assinada pelo interesse de alguns) foi-se. Estávamos aumentando o custo de manter o time que não nos levaria a lugar algum (vide lugar que estamos, disputando vaga para série D). Sem querer colocar em jogo a reputação do Wanderley, mas já que seu nome está envolvido nisto e ele é o cabeça-chave da coisa toda, se deu mal. Se preocupou mais com o status do empreendimento do que com o negócio em si. Adeus, em Joinville nunca mais. Abraço e belo blog. Saudações Tricolores.

  6. Sabemos que a dona jose luxemburgo entregou dez folhas de cheques da agência do bradesco prime da av. antartica, sendo que cada folha é de R$.10.000,00 a Sra. maria aparecida gonçalves, esposa do ex.arbitro de futebol Jose de Assis Aragão, porem, depois que a dona Maria Aparecida, deu os cheques em pagamentos de dividas no mercado á terceiros de boa-fé, a dona Josefa esposa do sr. Vanderlei luxemburgo ou será Wanderlei Luxemburgo, assim, vale ressaltar que o aludidos cheques são da empresa wl sports, sustou todos eles alegando desarcordo comercial, porem, como folhas de cheques não se emprestam e são ordem de pagamentos a vista, parece prazxe da familia luxemburgo sustar cheques após fornecelos ao mercado, vale lembrar do caso edmundo, daquele senhor dono do restaurante ao lado do pq. antartica, da dona renata que o delatou a cpi, etc…. que ainda virão a tona…

  7. luxenburgo eu quero faze esse teste que o meu sonho seja realizada jogado de futebol obrigado

  8. luxenbugue para faze esse teste


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Categorias

%d blogueiros gostam disto: