Publicado por: Amir Somoggi | 11/março/2008

Risco iminente

Primeiramente quero agradecer ao leitor assíduo do Futebol & Negócio, Vinicius Ceccarelli, que me encaminhou a última edição da revista World Soccer, que utilizei como fonte de informação para esse post.  

A matéria de capa da edição de março da revista World Soccer escrita pela jornalista Tim Vickery, apresentou uma análise muito precisa da realidade atual do futebol brasileiro. A matéria com o título The miracle of Brazil- How one country conquered the World” descreve uma série de questões estratégicas para o futebol brasileiro que temos discutido aqui no blog.

WorldSoccer

O jornalista apresenta uma série de argumentos de como o nosso futebol tornou-se uma plataforma de exportação de jovens craques e como esse modelo exportador muito se assemelha a exportação de café e açúcar, sem geração de nenhum valor agregado para o mercado brasileiro (Apresentei dois posts sobre o assunto, Ídolos no futebol e Transferências a granel). Esse modelo exportador tem causado severos danos à Indústria do Futebol no Brasil. Entretanto o mais grave de todos os problemas enfrentados pelo nosso futebol não tem sido tratado diretamente pelos nossos clubes, CBF e imprensa, que é o risco que estamos correndo atualmente, já que jovens jogadores que não passaram pela Seleção Brasileira começaram a jogar em seleções de diferentes países.                           

Veja a lista de atletas citados pela World Soccer: 

  • Espanha- Marcos Senna, Donato e Catanha
  • Croácia- Eduardo da Silva
  • Turquia- Mehmet Aurélio
  • Portugal- Deco
  • Japão- Alex e Wagner Lopes
  • Bélgica- Luis Oliveira
  • Costa Rica- Alexandre Guimarães
  • Alemanha- Paulo Rink
  • Qatar- Fabio César e Marconi Amaral

Está claro que tirando o craque Deco, nenhum outro jogador citado é tão bom a ponto de jogar em nossa Seleção. Todavia, corremos um sério risco com essa transferência desenfreada de atletas para o exterior, já que um jovem jogador do quilate de Robinho ou Ronaldinho Gaúcho pode surgir e sair cedo daqui, sem ter passado por grandes clubes brasileiros e nem pela nossa Seleção e acabar se tornando ídolo de alguma seleção da Europa ou Ásia. 

Esse risco é iminente e não vejo nada sendo feito para mudar esse panorama a não ser o movimento de dirigentes em Brasília para promulgar uma nova Lei. 

O que vocês pensam a respeito desse assunto estratégico para o nosso futebol? .


Responses

  1. Amir, sendo simplista talvez; eu não acredito que leis vão mudar o quadro; temos o exemplo do Estatuto do torcedor que prevê assento marcado (artigo 22, creio) e que, mesmo nos estádios onde é aplicável pela lei, não é cumprido e nada acontece, a justiça patrocina o desequilíbrio de forças e o torcedor, individualmente, não tem vez.
    Acredito, por formação e crença, que o mercado regula e se ajusta devendo o mercado prevalecer ao gesso da lei que os dirigentes pedem, é mais fácil reclamar que trablahar.
    A profissionalização que pregamos onde se planeja a atividade empresarial, se administra o produto com viés mercadológico, se busca diversificar receitas é a sáida; desta profissionalização sai o reconhecimento da importância do ídolo (pesquisa Dossiê Esporte do SporTV, IPSOS/Marplan 2006 ressalta a importância dessa figura) e todas as oportunidades que vêm dele (produtos, endossos, marketing de relacionamento, etc..) e com seus ganhos possíveis, nada diferente do que já foi escrito aqui, na verdade.
    Enquanto isso não vem, corremos o risco de nenhum jogador da seleção de 2014 jamais ter jogado no BRASIL com destaque, parece exagero, mas talvez algo próximo aconteça.

    Olá Robert,

    Pior do que não ter nenhum jogador em 2014 atuando no Brasil será ver um craque (quem sabe um novo Pelé) atuando por exemplo pela Espanha ou Arábia Saudita e se tornar o melhor jogador da Copa.

    Somente há um caminho, os clubes entenderem seu papel nesse ambiente e estruturarem uma profunda maximização de suas fontes de receitas e assim segurar seus jogadores.

    Um abraço.

    Amir

  2. Oi Amir, conheci esse blog faz pouco tempo e ele é muito interessante, principalmente por abordar o lado “mercadológico” do futebol que é muito importante e nem sempre abordado com profundidade.

    A situação do futebol brasileiro é complicada. Perder em média 900 jogadores por ano para o exterior, sem contar aqueles que não são federados e por isso não entram na conta, só traz danos ao nosso futebol, que fatalmente cai de nível, em minha opinião, além de ver seu jovens de valor deixarem o país e ainda correr o risco de ver um futuro craque jogar em outro país e com a camisa de outra seleção, como você alertou.

    A FIFA diz que está preocupada com o excesso de brasileiros em outras seleções, mas não sei o que ela poderá fazer para barra essa realidade.

    Sobre a força de nosso futebol, que perde jogadores não só para gigantes do futebol como a Inglaterra, Itália, Espanha, mas para países de economias muito mais fracas que a nossa. Isso dá a impressão que ao contrário do que muitos dizem, perdemos jogadores não por causa da força de nossa moeda, mas pela falta de profissionalismo de nosso futebol que não consegue ser explorado adequadamente e por isso, gera menos renda do que poderia gerar e por isso não tem como pagar melhores salários e prêmios e com isso, segurar a maior parte de jogadores que deixa o país a cada ano.

    Não sei o que você acha sobre o que eu disse, principalmente no último parágrafo e gostaria de ouvir sua opinião.

    Olá Gilson,

    Obrigado pelo comentário.

    Você está certo, o nosso futebol a cada ano vem diminuindo o seu potencial com essa transferência a granel dos jogadores.

    Os clubes infelizmente enxergam nas transferências de atletas a única forma de financiar suas atividades e o pior é que seus balanços demonstram que nada tem sido feito com esses recursos gerados para mudar o atual panorama, já que todos apresentam déficits sem negociação de atletas a cada ano.

    Os clubes que mais gastam com futebol no Brasil hoje investem mais de R$ 70 milhões/ano e poderiam caso desejassem segurar algumas estrelas por mais tempo, não fazem porque não enxergam a presença dos ídolos no mercado brasileiro como uma importante fonte geradora de novas receitas.

    Talvez quando o prmeiro clube mostrar ao mercado qual é o caminho a ser seguido poderemos mudar essa realidade.

    Um abraço.

    Amir

  3. Amir,

    O grande problema como o próprio texto da revista diz é que as crianças e jovens que poderão tornar-se grandes jogadores já iniciam a “carreira” com o sonho de jogar no Milan ou Barcelona e não no São Paulo, Flamengo, Santos, etc.

    Quem tem culpa? Todos na minha opinião – federações, clubes, associações, imprensa e principalmente atualmente os empresários que querem se sustentar mandando jogadores para o Kuwait, Arábia Saudita, Tunísia e assim por diante, baseado na legislação falha e o descaso das pessoas envolvidas no futebol incluindo os torcedores.

    Infelizmente continuaremos torcendo pelos times por aqui que estão virando verdadeiros “estaleiros” de jogadores devolvidos pelos grandes centros, vide Adriano, Carlos Alberto, Kleber, Denílson e outros que ainda estão por vir enquanto a molecada está pelo mundo se divertindo.

    Parabéns pelo blog!

    Abraços
    Vina

    Olá Vina,

    Realmente estamos com um grande problema para resolver e os principais players do mercado não estão se mexendo para que um novo modelo seja criado.

    O maior problema, na minha opinião, é que os empresários estão cada dia mais influentes nos clubes e os dirigentes vêem neles a salvação para o financiamento de seus negócios.

    A matéria deixa claro que os clubes brasileiros não se deram conta que suas marcas estão enfraquecidas e os jovens jogadores têm preferido jogar na 4ª divisão da Espanha ou Portugal que na Série A…

    Um abraço.

    Amir

  4. O Arsenal levou um volante das divisões de base do Figueirense. O garoto chegou a fazer alguns jogos do estadual de 2007 no time principal, antes de ir para a Inglaterra por empréstimo. Um ano depois, o time inglês confirmou a compra do jovem jogador.

    Wenger gosta de garimpar jovens jogadores pelo mundo, como se sabe, portanto é de se imaginar que o guri seja bom de bola.

    Como evitar que isso aconteça? Seguindo muitos dos conselhos e opiniões emitidas nesse blog, tanto nos posts quanto nos comentários. E isso, é claro, pensando a longo prazo.

    Olá Ricardo,

    Primeiro os clubes têm que querer segurar seus talentos. Muitos aqui vão dizer que a Lei Pelé é a responsável por isso….

    Mas como todos sabem se um jogador se profisisonalizar antes dos 18 e receber um bom salário como profissional, o contrato poderá ser de 5 anos, portanto o que os clubes querem é uma reserva de mercado para ficar com seus jogadores, pagando pouco até os 23 anos. Isso não será possível, pois o mercado ditará as regras.

    Ou os clubes começam a investir pesado nos seus talentos ou nada se alterará.

    Um abraço.

    Amir


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