Publicado por: Amir Somoggi | 28/fevereiro/2008

Modelo de negociação de direitos – I

A pedido do João Frigerio aqui no blog e também pelo momento atual do futebol brasileiro, já que o Clube dos 13 em breve definirá o novo contrato de transmissão da Série A, analisarei nos meus dois próximos posts, qual o modelo praticado para a divisão das receitas com direitos de transmissão no esporte global, principalmente no futebol europeu.   

A consolidação do esporte como conteúdo indispensável para diferentes mídias, posicionou os direitos de transmissão das competições como uma das principais fontes de receitas para as entidades esportivas no mundo.

As grandes audiências dos eventos esportivos transmitidos e principalmente a utilização das competições como conteúdo exclusivo pela TV Paga, fez com que os valores negociados entre os grupos de comunicação e os detentores dos direitos crescessem muito na última década.

O modelo de divisão de receitas conjunta, em que todos os clubes participantes de uma determinada competição recebem valores semelhantes, criado pelas Ligas Americanas, sempre foi considerado o formato mais justo, visto que oferece uma divisão igualitária das receitas geradas, oferecendo um maior equilíbrio financeiro entre as equipes. Esse modelo faz com que as competições mantenham um bom nível técnico e com a Liga negociando a competição em conjunto, consegue valorizá-la e ampliar sua penetração em diferentes mercados.

No futebol europeu a Premier League utilizou esse modelo de negociação conjunta e com isso criou um padrão muito sustentável de negócio, já que o valor fixo recebido por cada clube participante oferece a possibilidade, independente do seu tamanho, de receber valores condizentes com suas necessidades orçamentárias.

Outras Ligas européias como França e Alemanha também negociam conjuntamente os seus direitos. A Liga Francesa acabou de divulgar seu novo contrato de transmissão com valor anual de € 653 milhões para quatro temporadas com o Canal Plus e a empresa Orange. 

milan.jpg

Na Itália e Espanha, embora a Liga de cada país sempre tenha demonstrado interesse em negociar conjuntamente os seus direitos de transmissão, na prática os grandes clubes acabaram acertando contratos individuais altamente rentáveis, deixando os clubes médios e pequenos em uma situação muito complicada, já que a diferença recebida entre os clubes fez com que houvesse um fortalecimento econômico dos grandes em detrimento do enfraquecimento dos menores e como conseqüência da própria Liga. Isso ocorreu igualmente na Espanha, iniciado por Real Madrid e Barcelona e seguido por outros clubes como Valência e Atlético de Madrid.

  juve.jpg

Na Itália a diferença é ainda maior, graças a forte concorrência entre os variados grupos de comunicação e a grande penetração da TV paga, que fez com que o calcio desenvolvesse muito seu mercado televisivo, fazendo com que seus grandes clubes recebessem os maiores valores com broadcasting do futebol europeu. No futebol italiano, os direitos de transmissão representam mais de 60% de tudo que é gerado pelos clubes da Série A. Assim Juventus, Milan, Inter, Roma e Lazio recebem valores muito superiores que seus concorrentes de médio e pequeno porte. 

Entretanto essa realidade será alterada na Itália a partir de 2010, já que em novembro de 2007, o governo italiano em conjunto com a Lega Calcio, regulamentou que o contrato de transmissão da competição deverá seguir um novo modelo de negociação conjunta, muito similar ao praticado na Premier League, já que 40% do valor acordado será dividido igualmente para todos os clubes e 60% será destinado ao pagamento por performance e audiência. Os contratos assinados até 2006 serão respeitados. 

No meu próximo post, apresentarei a segunda parte da análise sobre os direitos de TV na Europa, apresentando dados do atual benchmark, a Premier League.   


Responses

  1. A country where is the government to regulate the market is not “free”. I’m for the free market, but the Prodi’s government decided to change the tv rights football italian market from 2010/2011.
    I think that this is not the right way, but it will be the “time” to say to us who has seen in the best way.
    So my opinion is globally “negative” for the future of italian market of tv rights.
    Marcel Vulpis
    editor chief of http://www.sporteconomy.it

    Ciao Marcel,

    Thanks for the comment.

    I understand your point of view and the market must be regulated by the clubs and the League, I have the same opinion.

    But maybe the calcio alone couldn’t regulate this issue because Juve, Milan and Inter nowadays have a enormous economic strength. In few years other clubs could reach new tifosi and probably titles and the Série A might be the most competitive league around the world.

    Best Regards.

    Amir

  2. Even in “free market” you may have a government intervention, agains monopolies and/or oligopolies.

    The strongest clubs pushing their rates up can be viewed as an oligopoly, as the small clubs have fewer chances of growth.

    And I don’t know how it works in Italy, but at least in Brazil the clubs and federation don’t quite behave as private entities, althouth they claim this status.

  3. Muito pertinente a reportagem.

    As ligas americanas prezam pelo equilíbrio entre seus membros, pois a competição aumenta o interesse de todos pelo produto.

    Com diferenças de até 4x na divisão das receitas de TV entre clubes brasileiros, diminui-se a competitividade e, ao mesmo tempo, o retorno financeiro que o campeonato pode trazer.

    Para piorar ainda mais, o Clube dos 13 age como um verdadeiro cartel, deixando apenas migalhas para os não membros.

    Olá Ricardo,

    Realmente o mercado brasileiro está construindo um abismo em termos de receitas com TV e sempre que o Clube dos 13 fala em rever o modelo de divisão de receitas, utilizando novos critérios como audiência e desempenho os grandes clubes reclamam, já que não admitem receber menos que os atuais R$ 22 milhões do 1º grupo.

    Um abraço.

    Amir

  4. A NFL divide com todas as franquias o lucro da final do Super Bowl (renda do matchday). Isso sim é equilíbrio, quem manda lá é a liga e não um grupo que se acha no direito de mudar os rumos da competição. Aqui até os executivos das TV’S se acham no direito de intrometer nas regras e formatos das competições.

    Ricardo,

    As franquias americanas sabem que o montante recebido pela NFL é para a consolidação do negócio como um todo, a visão clara de que pouco adianta ter alguns clubes fortes e o restante fragilizados.

    Entretanto, os clubes de fora do C13 já deveriam por conta própria ter buscado seu caminho em conjunto.A FBA divide uma miséria por uma competição que poderia ser muito valorizada. Além disso, os clubes têm que entender que há um mundo de receitas a serem exploradas.

    Um bom exemplo que como atrair novos recuros é o Figueirense que segundo seu balanço de 2006 gerou R$ 4,6 milhões com TV e R$5,9 milhões com bilheteria e seus associados e como todos sabem o Figueira oferece futebol para seus sócios.Os clubes por conta própria devem estruturar seus negócios e conjuntamente lutar por seus direitos coletivos.

    Um abraço.

    Amir

  5. eu gosto muito do milan por que é um time grande é vercedor ok!!


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Categorias

%d blogueiros gostam disto: