Publicado por: Maurício Bardella | 26/fevereiro/2008

Flamengo e Corinthians nas pistas

A idéia é polêmica e gera elogios entusiasmados e críticas ferozes, simultaneamente. Juntar no mesmo evento a velocidade de carros de fórmula que atingem até 320 Kms por hora, competindo pelas cores de clubes de futebol que por si só são capazes de atrair a atenção de milhões de fãs pelo mundo afora, teria mesmo que despertar interesse e opiniões controversas dos muitos seguidores tanto do automobilismo quanto do esporte mais popular do mundo.     

Essa mistura entre corridas de carros e a paixão internacional pelo futebol é o conceito fundamental da Fórmula Superliga, categoria que está tendo seu lançamento preparado para agosto de 2008 e que pretende contar em seu primeiro ano com 6 corridas disputadas em circuitos europeus: Donington Park  na Inglaterra, Nürburgring na Alemanha, Zolder na Bélgica, Estoril em Portugal,  além de etapas na Itália e na Espanha.  

Para os criadores dessa nova categoria parece fazer sentido utilizar-se dos nomes de times de futebol para atrair a atenção dos torcedores e, portanto, criar uma massa crítica de fãs em potencial, trazendo por conseqüência visibilidade e investimentos para a categoria.  

Para os onze clubes que licenciaram suas marcas para a competição, dois benefícios imediatos: alguma receita – no caso dos clubes brasileiros, US$ 1 Milhão pela temporada – e a exposição internacional da marca. Esses dois fatores podem ajudar a explicar a ausência dos clubes mais ricos e internacionalizados do mundo, que afinal não precisam dessa exposição e que certamente cobrariam bem mais caro para licenciar suas marcas. A exceção aqui é o Milan, que terá uma equipe competindo com suas cores.    

Pelo Brasil competirão carros com as cores e distintivos de Flamengo e Corinthians, não por acaso dois clubes que juntos possuem mais torcedores que, por exemplo, toda a população da Grã-Bretanha (população essa de cerca de 57 milhões de pessoas em 2004).    

Veja os clubes que estarão representados na Fórmula Superliga: 

AC Milan – Itália  Lançamento do carro do Milan com jogadores e técnico

Anderlecht – Bélgica  Anderlecht

Borussia Dortmund – Alemanha  Borussia

Corinthians – Brasil  Corinthians

FC Basel – Suiça Basel

Flamengo – Brasil Flamengo

Galatasaray – Turquia Galatasaray

PSV Eindhoven – Holanda PSV

Sevilla – Espanha Sevilla

  

FC Porto – Portugal Porto

Olyimpiacos – Grécia   Olympiakos    

  

Iniciativa semelhante, com o título de Premier 1 Grand Prix, foi lançada e logo abortada poucos anos atrás. Também é verdade que a A1-GP, com carros que defendem as cores de diversos países, já existe há algum tempo e é de certa forma uma concorrente dessa categoria.  

Há críticas quanto à falta de representatividade efetiva das equipes e seus carros e pilotos em relação aos clubes – a equipe que usará as cores do Corinthians, por exemplo, chama-se Euro-International e será dirigida por um italiano chamado Antonio Ferrari. A princípio não deve ter pilotos brasileiros. O lançamento do carro da equipe pode ocorrer no próximo final de semana, aproveitando o clássico Corinthians x Palmeiras.  

Na página da Fórmula Superliga, que eu chamaria de um “pré-site” com um formato de blog, as opiniões dos leitores se dividem: os apreciadores do automobilismo são em sua maioria críticos, enquanto os torcedores de futebol se entusiasmam. Trazer um novo público para o esporte pode ser uma estratégia interessante para conseguir popularidade para a categoria.  

http://superleagueformula.net  

    

Mas, em nosso foco de discussão, o que interessa mesmo é o ponto de vista dos clubes e os benefícios que eles podem alcançar. Especialmente para os clubes brasileiros, carentes de receita e exposição, pode ser uma boa idéia. E para você, o que parece o conceito da Fórmula Superliga? Será que vai realmente acontecer? Será que os clubes participantes trarão o necessário respaldo para a categoria, já que não teremos forças como Real Madrid, Manchester United e Arsenal? Trará de fato um bom retorno, financeiro e de imagem, para os clubes brasileiros? A checar num futuro próximo…

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Responses

  1. Agradeço ao Sérgio Mattos que sugeriu o tema desse post em comentário datado de 12 de fevereiro, no artigo “Reinventores do Futebol”.

    Hoje o tema foi assunto de reportagem publicada no jornal “O Estado de São Paulo”.

    Valeu, Sérgio.

  2. Pra mim a A1-GP que já está há algum tempo neste cenário até hoje não decolou em questões de apelo público e midiático.
    Só lembrando que o Real Madrid cogitou estampar sua marca nos carros da F1 Williams no Grande Prêmio da Espanha que é realizado em Barcelona, terra do seu maior rival. O plano não foi pra frente.

    Ricardo, eu acho que o lançamento de uma categoria no automobilismo requer muito dinheiro e estrutura, ou tem que ter uma diferenciação muito grande (e nesse caso particular não é uma diferenciação técnica, mas sim de foco num público diferente). Se a A1-GP não decolou, talvez seja um alerta importante para os promotores dessa categoria.

    Mas e os clubes? Pelo porte de todos eles, com exceção do Milan, acho que não há muito a perder…conseguirão uma exposição maior ou menor, dependendo do sucesso da Fórmula Superliga, e não acho que estejam colocando em risco suas imagens se houver o (talvez provável) fracasso da categoria.

    Abraço,

    Mauricio

  3. Esse é um tema que eu diria, além de polêmico, fértil pra grandes discussões mas extremamente árido no sentido prático.
    O automobilismo depende, e muito, de um grande esquema de promoção, de um elevado nível de pilotos percebido, algum equilíbrio competitivo e extensa cobertura da mídia; cobertura esta que atrai patrocínios fazendo a roda girar, sem alusão aos carros.
    Exemplos de categorias de bom nível técnico esquecidas pelo público e pela mídia se vê aos montes pelo mundo; as únicas que encontram grande exposição são a F-1, óbvio, a DTM alemã e a WTCC; no Brasil temos a F-Truck, imenso sucesso de público e a Stock Car, graças à imensa cobertura da TV Globo.

    O resto fica abandonado às moscas ou apenas atende a segmentos muito específicos e regionais. Falando de Brasil, boas categorias como a Pick up Truck, o Brasileiro de Marcas e Pilotos além das categorias Renault (que duraram até 2006) tem público e exposições pífias e patrocínios tanto quanto, com sorte se recupera o custo embora o automobilismo tenha um enorme espaço em mídia no Brasil, só perdendo pro futebol segundo dados da CBA.
    Não menciono o automobilismo americano por considerá-lo de baixíssimo nível técnico embora seja um sucesso de mercado.
    É assim, infelizmente, que vejo essa idéia da “Fórmula Superliga”, uma experiência pra promover uma categoria secundária, ou até menos que isso, usando a identidade das marcas dos clubes para atrair público e interesse, totalmente descolado da estratégia de mercado dos clubes, não dá liga, não há conexão, posto que o piloto do carro do Corinthians entrou na Internet pra saber quem era esse tal.
    Posso estar enganado, mas com sorte, será uma daquelas categorias que geram 1 ponto de audiência e servirão pra encher grade da TV, quando muito.

    Olá, Robert. Sabendo que o automobilismo é, de origem, a “sua praia”, eu já esperava que você pudesse ter uma visão mais profunda do potencial de um negócio desse tipo, como de fato você demonstrou, e imaginava que pudesse nos dar essa visão crítica do empreendimento. Também acho que é uma idéia altamente arriscada, e lendo as opiniões no site/blog da Fórmula Superliga eu percebi o quanto de dúvida e descrença há em relação a essa nova categoria.

    Quanto a estar descolado da estratégia de mercado dos clubes, eu acho que tudo depende de uma observação cuidadosa. Por exemplo, será que há algum suporte econômico do mercado asiático, ou ao menos um plano elaborado de comunicação para alcançar esse mercado? Isso não justificaria talvez a adesão de um Milan? Para Corinthians e Flamengo, por natureza distantes do mercado europeu (e mundial), não seria uma oportunidade que pode ser integrada a um esforço de internacionalização das marcas, ainda que tenha nascido de maneira “acidental”?

    Só uma provocação, embora não seja exatamente o objeto do nosso blog: o sucesso de mercado atingido pelo automobilismo americano talvez não deva ser menosprezado em razão do nível técnico…patrocinadores e equipes devem estar bastante satisfeitos, ao menos nas categorias mais importantes. Claro que o nível técnico dificulta a exportação do automobilismo americano, mas cá entre nós, na maioria de seus esportes eles já fazem fortuna com o mercado interno.

    Um abraço,

    Mauricio

  4. Oi Mauricio, eu que agradeço pela oportunidade bacana e democrática que nos dá de discutir diariamente assuntos interessantes.

    Analisando pelo lado do clube, num cenário pouco criativo e onde são tão escassas as iniciativas que podem gerar receitas adicionais aos clubes, vejo como algo bastante positivo, embora a idéia não partiu da área de marketing, simplismente foram convidados.

    Uma informação importante que creio nao foi comentada, se foi, peço desculpas, mas nao encontrei. A equipe não terá nenhum custo nisto, portanto US$ 1M + exposição da marca, é migalha para os clubes europeus, mas para clubes brasileiros não podia vir em hora melhor.

    Pelo lado de espectadores, pessoas que conheço e através de comunidade da internet, pela 1a vez creio ter visto manifestações de torcedores de arquibancada discutindo corridas de carro na parte técnica e mostrando-se interessados pela corrida. Só aí ja vejo algo positivo, despertaram interesse de quem jamais acompanhara uma corrida, criou uma motivação na pessoa.

    Não sei ao certo o motivo que Real Madrid, Barcelona e outros não se interessaram, mas deviam reavaliar. O projeto é novo, não se sabe ainda se vai vingar, mas o Milan não se preocupou com o valor da marca no momento, entrou nessa, mesmo com apenas 1 US$ M oferecidos. Não tem nada a perder, muito pelo contrário, então por que não entrar?? Senão der certo, paciência, se for um sucesso, será considerado um projeto inovador que possibilitará aos clubes expandir sua marca e em novas edições ter o prêmio aumentado. Sou a favor de idéias novas como essa.

    Apenas um parenteses, com relação ao piloto ser italiano e não conhecer o clube, creio ser de pouca relevância, afinal quantos jogadores e técnicos passam pelos clubes mundo afora, fazem história e trazem receita para o clube, mesmo desconhecendo, exemplo recente no proprio Corinthians é o Tevez, que provavelmente não sabia nada de Corinthians e em pouco tempo encantou a torcida.

    Grande abraço,

    Sérgio Mattos

    Sérgio, creio que no texto mencionei, talvez não tão explicitamente, o fato dos clubes não gastarem nada, recebendo pelo direito de uso de suas marcas US$ 1 Milhão além da exposição. Aparentemente esse valor relativamente pequeno teria levado os grandes clubes europeus a não aderirem à idéia…mas como você bem lembrou, e o Milan? Não só aderiu como na sessão de lançamento do carro usou toda sua equipe de futebol para ajudar na promoção do evento. De resto, é de fato uma espécie de Copa da UEFA com a presença de dois grandes brasileiros, portanto, de fora do eixo mais rico do futebol mundial (os brasileiros, me parece, só tem a ganhar!).

    O Milan segue na contra-mão nesse assunto e eu me pergunto se eles tiveram uma visão mais ampla do potencial do negócio ou se embarcaram numa “furada”…veremos!

    Um abraço e mais uma vez obrigado pela sugestão.

    Mauricio Bardella

  5. Me parece que o Boca Juniors também recusou entrar nessa.

  6. Maurício, grato pelo comentário, deferências e pela “provocação”, que vinda dos amigos daí sempre são um oportunidade de crescimento.

    Tenha chancela e “marcas” de clubes ou não , é de automobilismo que estamos falando; e por sê-lo está sujeito aos mesmos fatores chave de sucesso deste universo, portanto, tenho mais desconfianças que esperanças, não critico quem está dentro nem quem não aderiu, porém, vejo possibilidades de internacionalização mais diretas que isso, que me parece meio marginal, mas enfim pode ser minha chatice nublando a vista.

    Respondendo, não vejo muito aporte no mercado asiático, teremos corridas na Europa em circuitos de segunda classe, exceto Nurburgring, mas a categoria pode crescer e se expandir pra Ásia; mas lembre-se que o automobilismo procura lugares onde a publicidade de tabaco ainda não foi banida, o movimento pra Ásia é neste sentido, pelo menos o da F-1, e nesta categoria parece haver pouco espaço pra sponsors” tradicionais, no carro não têm.

    Minhas reservas quanto ao automobilismo americano se devem ao fato de eu ser um “purista técnico” do automobilismo, neste caso sou Europa e BRASIL 100%, não admito alguém ser proclamado “Campeão Mundial de F-INDY” fazendo curvas só pra esquerda o ano todo, é um mote entre pilotos locais e europeus com algum exagero, desculpe.

    O sucesso de mercado e mídia deles é inegável ao cubo, respeito isso….mas pra mim é puro espetáculo de Coliseu romano, “panis et circensis”, excluindo o viés político disso.

  7. Meus 2 centavos: não vai dar em nada. Não existe demanda, não sei de onde está vindo o dinheiro, mas logo que perceberem o retorno pífio, a fonte seca e tudo acaba.

    Pros times brasileiros, só alegria, um milhão sem nenhum risco, é fácil dizer sim.

    Quanto a Manchester United, Real Madrid, discordo do Sérgio: eles tem sim algo a perder. A marca é o maior bem deles, queimar ela assim não vale a pena. Provavelmente avaliaram que um milhão é dinheiro de troco frente ao desgaste que traria a marca deles se envolver num negócio furado desses.

    David, concordo com você especialmente quanto à participação dos clubes brasileiros, para quem 1 milhão de dólares não é desprezível (muito pelo contrário). Minha dúvida ainda está na participação do Milan, que segue na contra-mão dos outros gigantes europeus.

    De fato a probabilidade dessa categoria de automobilismo ser um fracasso é grande. Para sobreviver vai precisar realmente alcançar um público bem diferente, já que os seguidores tradicionais do automobilismo, pelo que se vê por exemplo no site da organização, são totalmente arredios ao projeto.

    Um abraço,

    Mauricio Bardella

  8. Li uma matéria no globoesporte.com onde informam que além do US$ 1 M de participacao e exposicao da marca, o vencedor de cada prova embolsa 1 milhao de Euros! Creio que sejam 5 ou 6 provas, ou seja, vencendo todas, o clube pode receber mais de 6,5 de Euros contando com o premio inicial.

    Fonte: http://globoesporte.globo.com/ESP/Noticia/Futebol/Corinthians/0,,MUL332357-4402,00.html

    Sérgio, havendo premiação por colocação nas corrisas a atratividade financeira sem dúvida aumenta, especialmente para os clubes brasileiros. Se um milhão de dólares já faz diferença, imagine alguns milhões de euros extras…

    E embora possa ser cortina de fumaça, se conseguirem contratar o Bruno Senna para pilotar o carro do Corinthians (conforme informação do globoesporte.com), a visibilidade da categoria também ganha um belo reforço.

    Abraço.

    Mauricio

  9. Esse prêmio por vitórias não virá para o clube, deve ficar na equipe para o seu custeio; cuidado com o que se lê para não assumir premissas erradas.

    Se fosse para o clube, porque alguém, dono de equipes, colocaria um carro deste na pista com toda a estrutura que isso demanda ??? O cara precisa ganhar o seu também.

    Robert, ao ler a matéria também tive essa dúvida e restou acreditar no que escreveu o repórter que, afinal, estava presente no lançamento do carro do Corinthians e deve ter recebido informações dos promotores da categoria. Como no site da Fórmula Superliga nada se fala sobre premiação, não pude conferir. Agora, não sei se a estrutura de premiação inclui valores para os clubes e também para as equipes…parece que nesse quesito não dá para assumir premissa nenhuma por enquanto.

    Outra coisa: como não se vêem patrocinadores nos carros, tenho dúvidas quanto às receitas das equipes.

    Vamos ter que ver mais para a frente como é que a coisa está estruturada.

    Mauricio

  10. Maurício, conhecendo a estrutura de custeio e de receitas do automobilismo, a única receita que as equipes terão é essa premiação além de alguma parte de bilheteria/transmissão, acredito.

    Por semelhança, ou “jurisprudência” se o Chico me permite, eu creio estar correto, o texto da GloboEsporte fala em prêmio para o VENCEDOR, li algumas vezes repetidas pra ter certeza, que é a equipe….os promotores só organizam, como sempre.

    Nunca vi “patrocinador” receber prêmio, não creio que neste caso possa ser diferente, a conta não fecha se for diferente, desculpe a insistência.

  11. desculpa e diferente


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