Publicado por: Marcos Silveira | 23/fevereiro/2008

Sugestão para a FPF

Parecia apenas mais um artigo aqui no Futebol & Negócio, mas o post “No meio do Campeonato”, escrito pelo Francisco na última quarta-feira, botou fogo no blog. O tema “calendário” mostrou que continua sendo um campeão de audiência e de polêmica.

O debate foi tão agitado que eu não resisti e fiz um comentário sobre o formato ideal dos campeonatos estaduais, destacando a possibilidade de viabilizar um Paulistão mais rápido e atraente, com apenas 12 equipes.

Atualmente o Campeonato Paulista da série A1 tem 20 times que jogam entre si em turno único, totalizando 19 rodadas. Os 4 melhores dessa fase classificam-se para as semifinais (no sistema mata-mata) e os 2 ganhadores disputam a decisão (também em dois jogos). Somando tudo, o Paulistão consome 23 datas do calendário do futebol brasileiro.

A maioria dos comentários no post do Francisco apontou o número excessivo de clubes e de datas como o maior problema dos estaduais. No caso de São Paulo é preciso reconhecer que a Federação Paulista de Futebol tem um abacaxi ainda mais difícil de ser descascado por conta da grande quantidade de clubes filiados.

Considerando apenas as agremiações atuantes, isso é, que mantêm um time de futebol profissional para disputar campeonatos em 2008, chegamos ao incrível número de 105 equipes (20 na A1, 20 na A2, 20 na A3 e 45 na Segunda Divisão), já incluindo o novato Red Bull Brasil.

É inegável a dificuldade de se organizar um campeonato curto e interessante quando já se tem quatro divisões abarrotadas. Se a FPF simplesmente reduzir o número de clubes na série A1 de 20 para 12 vai comprar briga com vários dirigentes que não admitem perder a visibilidade de estar na elite. Sem contar o impacto na A2 e na A3. Haja chiadeira!

Marco Polo Del Nero, presidente da FPF

Para tentar contornar a imensa pressão política, inerente à maior Federação do país, preparei uma sugestão de regulamento para o presidente Marco Polo del Nero (na foto acima). Minha proposta é basicamente transformar cada uma das quatro divisões (Segundona, A3, A2 e A1) do futebol paulista em uma eliminatória para o Paulistão.

Pode parecer estranho e certamente vai gerar polêmica, mas a idéia é exatamente motivar os 105 clubes por meio de uma chance real de estar entre os melhores. Vai depender “apenas” da competência de cada um dentro e fora de campo.

Acredito que esse formato tem duas grandes vantagens: obriga o clube a se manter forte e competitivo e garante times de qualidade (ou pelo menos em boa fase) na reta final, quando Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo entram na disputa.

Vamos iniciar, portanto, pela etapa das seletivas, que seriam disputadas no 2º semestre do ano:

Segunda Divisão – Agosto e Setembro

  • 9 grupos com 5 times em turno único (4 datas)
  • Classificam-se o 1º de cada grupo + os 7 melhores segundos por índice técnico
  • Oitavas: 16 classificados enfrentam-se em jogo único (1 data)
  • Quartas: 8 classificados enfrentam-se em jogo único (1 data)
  • Semifinais: 4 classificados se garantem para a disputa da seletiva A3 e enfrentam-se em jogo único (1 data)
  • Finais: 2 classificados decidem o título da Segundona em jogo único; os 2 eliminados lutam pelo 3º lugar (1 data)

Total de 8 datas e 4 clubes classificados para a seletiva A3:

Seletiva A3 – Setembro e Outubro

  • 6 grupos com 4 times em turno único (3 datas)
  • Classificam-se os 2 primeiros de cada grupo + os 3 melhores por índice técnico
  • Oitavas: 16 classificados enfrentam-se em jogo único (1 data)
  • Quartas: 8 classificados enfrentam-se em jogo único (1 data)
  • Semifinais: 4 classificados se garantem para a disputa da seletiva A2 e enfrentam-se em jogo único (1 data)
  • Finais: 2 classificados decidem o título da A3 em jogo único; os 2 eliminados lutam pelo 3º lugar (1 data)

Total de 7 datas e 4 clubes classificados para a seletiva A2:

Seletiva A2 – Outubro e Novembro

  • 6 grupos com 4 times em turno único (3 datas) 
  • Classificam-se os 2 primeiros de cada grupo + os 3 melhores por índice técnico 
  • Oitavas: 16 classificados enfrentam-se em jogo único (1 data) 
  • Quartas: 8 classificados enfrentam-se em jogo único (1 data) 
  • Semifinais: 4 classificados se garantem para a disputa da seletiva A1 e enfrentam-se em jogo único (1 data) 
  • Finais: 2 classificados decidem o título da A2 em jogo único; os 2 eliminados lutam pelo 3º lugar (1 data)

Total de 7 datas e 4 clubes classificados para a seletiva A1, que ficaria para meados de janeiro, após o período de férias:

Seletiva A1 (sem os 4 “grandes”) – Janeiro 

  • 5 grupos com 4 times em turno único (3 datas) 
  • Classificam-se o 1º de cada grupo + os 3 melhores segundos por índice técnico 
  • 8 classificados se garantem para a disputa do Paulistão

Total de apenas 3 datas e 8 clubes classificados (de um universo inicial de 101!) para enfrentar Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo. O Paulistão com 12 times começaria em fevereiro, permitindo uma pré-temporada maior para os chamados grandes, e seguindo o modelo “carioca”, com dois turnos:

Paulistão (no formato “carioca”) – Fevereiro, Março e Abril

  • 2 grupos com 6 times 
  • 1º turno com 5 rodadas dentro do próprio grupo (5 datas) 
  • Os dois primeiros de cada grupo classificam-se para semifinais em jogo único (1 data) 
  • Os vencedores das semifinais decidem o 1º turno em jogo único (1 data)

O 1º turno totaliza 7 datas e garante 1 clube na final. Já o 2º turno tem uma data a mais:

  • 2º turno com 6 rodadas contra as equipes do outro grupo (6 datas)
  • Os dois primeiros de cada grupo classificam-se para semifinais em jogo único (1 data) 
  • Os vencedores das semifinais decidem o 1º turno em jogo único (1 data) 
  • O campeão do 2º turno garante vaga na grande final do Paulistão

A não ser que o mesmo time vença os dois turnos, haveria uma finalíssima. O número de datas desse Paulista com 12 equipes ficaria entre 15 e 16, algo bem mais razoável e dentro do que a maioria dos paticipantes deste blog defende.

Obviamente esse é um formato “padrão” que pode ser alterado e customizado conforme a necessidade. Basta colocar no papel e adequar. Eu até pensei em algumas variações, mas não vou incluir aqui porque o post já ficou maior do que eu imaginava.

Quero saber a sua opinião sobre essa humilde sugestão/proposta. Levando em conta o alto nível dos freqüentadores do blog, eu não vou me espantar se alguém aperfeiçoar a minha idéia ou bolar outra melhor!


Responses

  1. Marcos,

    Muito boa a sua idéia, acaba reunindo quase que todas as expectativas apontadas, um mesmo campeonato, longo para os pequenos e curto para os grandes, e o melhor, brindando esta faze de “curto” com o modelo parecido ao carioca, que é um formato muito atraente e charmoso.
    Única duvida que paira em minha cabeça é, na fase longa do campeonato, com a participação apenas dos pequenos, eles teriam visibilidade sem a presença dos grandes clubes, esta é a questão que levanto, deve ser recriado também um novo modelo de negócio, surgindo propostas para comercializar melhor este formato, criar atratividade e valorização do produto.
    Abraço

    A idéia foi exatamente essa, Chico: propor uma alternativa para melhorar o formato do Paulista desagradando o mínimo de times possível.
    Acredito que um novo regulamento traria novas oportunidades de negócio para todos os clubes e regiões, viabilizando comercialmente o Paulista.
    Abs, Marcos

  2. Marcos, dos 45 times da B 1, apenas 4 seguiriam em frente depois de 8 partidas, talvez para disputar apenas mais 3 jogos na A 3. E seu ano terminaria com onze partidas disputadas. Isso para os 4 melhores.

    Situação parecida vai ocorrer com os times da A3, A2 e A1.

    Alguns desses times estariam disputando o Brasileiro da 1a, 2a e 3a divisões, o que poderia ser um problema com relação às datas, mas em compensação teriam alguma coisa interessante para fazer.

    A grande maioria dos times paulistas teria de fechar as portas de dez a 8 meses por ano, ou disputar alguma coisinha insignificante, como essas copas que a FPF inventa para matar o tempo.

    Os times do interior precisam de sustentabilidade, o que atualmente só conseguem com a disputa do Paulista da A 1. Os dezesseis clubes que fazem parte dessa divisão hoje, pelo teu projeto estariam sujeitos a se reduzirem a quatro, somente, ou no máximo oito.

    Ou seja, os dezesseis clubes da divisão principal estariam abrindo mão de doze a oito vagas na disputa que mais interessa a eles: os jogos contra os grandes.

    São Paulo tem nada menos que 14 clubes, fora os 4 grandes, disputando a 1ª divisão do BR (1), a 2ª divisão (6) e a 3ª divisão (7).

    Esse é um dos problemas que a FPF tem para fazer um Paulista enxuto. Por isso que eu imagino uma alternativa com Brasileiros mais longos na 3ª e numa nova 4ª divisão, para ocupar todas as equipes o maior tempo possível com uma competição que signifique alguma coisa, que proporcione a chance de “subir na vida” de fato.

    Ao mesmo tempo, a manutenção de um Paulista mais enxuto com o atual calendário, se é melhor por um lado, é igual por outro: os grandes clubes continuarão presos às suas respectivas paróquias, sem datas, sem oportunidades para jogar onde mais lhes interessa, a Europa e Ásia.

    Uma mudança de peso na estrutura do futebol só será viável e realmente interessante com a adequação do calendário brasileiro ao europeu.

    Não custa nada dizer que mudanças desse tipo estão quase inviabilizadas pela quantidade absurda de “datas FIFA”. Os jogos de selecionados estão inflacionados no número e precisam ser reduzidos drasticamente, coisa simplesmente inviável, ainda mais depois da vitória da “burocracia federativa” encarnada em Blatter e Platini sobre os clubes do extinto e derrotado G 14. Uma pena.

    Você precisa corrigir a passagem de clubes de uma série para outra na A3 e A2 – o correto é “2 primeiros + 4” e não “+ 3”.

    Talvez tenha me escapado algum detalhe e posso estar dando uma resposta incorreta, mas creio que é isso. Tua proposta sacrifica terrivelmente a grande maioria dos clubes paulistas, que precisam de mais e melhores jogos, desde que não comprometendo os grandes clubes.

    Muito pertinentes as suas colocações, Emerson. Inclusive concordo com boa parte delas!😉
    Meu objetivo ao postar essa sugestão foi exatamente provocar uma discussão tão necessária sobre o futuro do Paulistão e dos demais estaduais.
    Eu pessoalmente sou a favor dos estaduais devido ao tamanho do Brasil e à importância que o futebol tem para as pessoas, principalmente as rivalidades locais.
    Entretanto os formatos atuais estão cada vez mais desgastados, sofrem cada vez mais críticas e depertam cada vez menos interesse. E infelizmente as Federações pouco fazem para reverter esse quadro.
    Admito que a minha proposta pode deixar muitos clubes inativos durante muito tempo, mas temo que não seja possível resolver todos os problemas de uma vez. Os 101 clubes que disputam alguma divisão do Campeonato Paulista realmente terão poucas datas garantidas de jogos. Em compensação TODOS poderão sonhar em enfrentar os times grande, pelo menos do ponto de vista esportivo.
    Fora que no restante do ano os clubes poderiam disputar torneios classificatórios para uma possível Série D do Campeonato Brasileiro ou até mesmo a já existente Copa Federação Paulista (cujo atual campeão é o Juventus), que garante vaga na Copa do Brasil.
    A sugestão postada aqui está longe de ser perfeita e definitiva, mas prefiro ver os times jogando poucas vezes do que parados de vez.
    Abs, Marcos

  3. Ortega, a única e remotíssima chance de um dos clubes, no máximo quatro, ter um campeonato longo pela proposta do Marcos, seria a chegada de um clube da 4a divisão atual na reta final contra os grandes.

  4. Um dos problemas da proposta já foi mencionado: o calendário fica muito curto para a maioria dos clubes.

    Uma forma de arrumar isso seria manter o atual esquema de divisões, sendo que a Série A1 seria a primeira fase do campeonato, que classificaria para a fase final onde entrariam os grandes.

    O outro problema seria o fato que São Paulo já tem muitos clubes disputando o Brasileiro. No formato atual da série C não seria difícil conciliar as duas competições. Mas os clubes das séries A e B teriam que ter classificação automática para a fase final, o que reduziria drasticamente o número de vagas para as equipes menores.

    Algo semelhante foi tentado em Santa Catarina, as equipes da Divisão Principal que não jogavam a série A e B do Brasileiro disputavam no segundo semestre a Divisão Especial, junto com as equipes promovidas da Divisão de Acesso no ano anterior, para decidir quem disputaria a Divisão Principal no ano seguinte, e quem seria rebaixado para a Divisão de Acesso.

    Porém os clubes se queixaram que disputar a divisão especial lhes dava prejuízo financeiro, o que fez com que essa divisão intermediária fosse extinta.

    Olá Ricardo,
    Muito obrigado pelo comentário e pelas considerações.
    A idéia de classificar automaticamente os clubes paulistas que estiverem nos Brasileiros das séries A e B me parece bem razoável. Outra alternativa seria garantir as equipes da série A e fazer uma eliminatória a parte com os times da série B.
    Seja qual for o critério, o Paulistão precisa ter o formato revisto. O que não pode é deixar o estadual perder força ano a ano e não fazer nada para reverter.
    Abs, Marcos

  5. Marcos e amigos, concordo com o Emerson quanto às restrições da fórmula.

    Embora eu goste da proposta de um campeonato regional com fases classificatórias para clubes das várias divisões, acho que isso deveria ser feito em um formato de Copa, com jogos espalhados ao longo da temporada. Um tanto inviável, admito, pela falta de datas. E esperar por uma adequação ao calendário europeu me parece uma utopia nesse momento.

    Mas também não resisto a arriscar uma fórmula. Primeiro vou falar de alguns dos problemas que, me parece, tornam “reféns” as federações e, nesse caso particular, a FPF:

    1) Quanto mais jogos de pouca visibilidade, interesse e rentabilidade para os times pequenos, maiores terão que ser seus esforços para sustentar a folha salarial, já que os times terão que jogar por mais meses;

    2) Os times do interior disputam o Paulistão para ter a oportunidade de enfrentar dois grandes em casa, com a perspectiva de boas arrecadações que supram boa parte do orçamento para a disputa;

    3) A federação briga por mais datas, com mais rodadas, para ter mais jogos transmitidos pela TV aberta e com isso aumentar o valor dos direitos. Ao invés de investir na qualidade, vamos investir na quantidade, parece ser o lema…

    Então lá vai uma proposta que não mexe com a estrutura, com tudo que isso traz de bom e de ruim…

    a) Vinte times no campeonato separados em dois grupos de 10, tendo 2 grandes em cada grupo. Times jogam apenas dentro de seus grupos, totalizando 9 rodadas.

    b) Todos os jogos são disputados no interior, e os grandes não tem portanto nenhum mando de jogo. Conseqüência: todos os pequenos jogam em casa duas partidas contra os grandes (ou seja, mantém-se a estrutura, nesse caso…). Detalhe: potencialmente TODOS os jogos dos grandes podem ser transmitidos pela TV aberta…O clássico único em cada grupo, com mando da Federação, também é jogado no interior.

    c) Dois classificados em cada grupo para a disputa de semifinais (em dois jogos cada) e final (também em dois jogos), ocupando mais 4 datas. Esses jogos seriam disputados em São Paulo em estádios maiores, servindo também como uma “contrapartida técnica” pelo fato dos grandes jogarem a fase inicial no interior.

    d) Na fórmula atual, salvo engano, a TV aberta transmite 25 partidas. Pela minha proposta poderiam ser transmitidos todos os jogos dos grandes, levando o número de transmissões ao vivo por TV aberta para 42 jogos! Aqui caberia a hipótese de vender os direitos para mais de uma emissora, mas aí a briga já toma um rumo bem maior. Mais uma sugestão: cada clube grande poderia negociar individualmente seus jogos, potencialmente para emissoras diferentes! Com isso poderiam abrir mão das receitas de bilheteria dos jogos em casa na fase inicial que, afinal, não teriam.

    e) Das 23 datas hoje exigidas, o campeonato passaria a ter 13 datas. Portanto, 10 datas para os times se dedicarem à pré-temporada ou a excursões.

    Enfim, o comentário ficou longo, mas também não poderia deixar de dar um palpite…o fato é que é cada vez mais difícil tornar viável a existência dos estaduais, ao mesmo tempo em que a estrutura de nosso futebol não permite que eles sejam extintos.

    Abraços a todos!

    Brilhante comentário, Maurício!
    Como eu falei no fim do post, eu não me espantaria se alguém tivesse uma idéia melhor e você mandou muito bem na maioria das soluções propostas.
    Acredito que a negociação dos direitos dos jogos de cada time individualmente seja uma tendência que pode beneficiar todas as partes envolvidas. Os clubes, que poderão lucrar mais; as emissoras, que terão mais eventos para transmitir; o público, que ganhará mais opções na telinha; os patrocinadores, que estarão mais expostos; o mercado, que será obrigado a amadurecer e se profissionalizar num cenário de concorrência cada vez mais acirrada.
    Aguardemos os desdobramentos das próximas negociações…
    Abs, Marcos

  6. Marcos e amigos,

    Realmente o assunto calendário é fascinante e sempre gerará ótimos debates e idéias que visem mudar nosso status quo.

    Acredito que além do ambiente político que obviamente limita mudanças radicais no formato/tamanho dos regionais, a falta de uma competição nacional melhor estruturada de 3ª e 4ª Divisão, em que os clubes além do regional tivessem competições o ano todo.

    Um abraço.

    Amir, assino embaixo sobre a carência de uma competição nacional de 4ª divisão e da necessidade de estruturar melhor a 3ª. Mas as federações estaduais não podem usar essa “desculpa”: ou se unem para exigir uma solução da CBF ou pensam em alternativas por conta própria.
    Abs, Marcos

  7. Acho que a proposta é interessante, mas tem alguns problemas.

    Primeiro, a maioria dos clubes das séries inferiores teria poucos jogos a disputar. A falta de visibilidade e a impossibilidade de poder disputar outros campeonatos os levaria fatalmente à extinção, principalmente os da terceira e quarta divisões.

    Um clube que conseguisse avançar vindo da Série B correria o sério risco de ser desmontado quando chegasse na fase da seletiva da A-2, já que atrairia a atenção de clubes com maior poderio econômico. Outra questão é que teriam que manter contrato com jogadores por mais de seis meses, algo que não é usual nem nos times menores da A-1.

    Outro ponto é o descenso. Se tomamos como base o índice técnico de cada grupo para determinar o rebaixamento na A-2 e A-3, um grupo forte poderia determinar a queda de um tim razoável, enquanto outro mais fraco que disputasse um grupo com equipes igualmente fracas ia ser beneficiado.

    Mas acho importante discutir novos modelos para estaduai. Mais enxutos e mais rentáveis.

    Seja bem-vindo Glauco!
    Obrigado por colaborar com a discussão com argumentos tão relevantes.
    Sobre o baixo número de jogos que muitos clubes teriam para disputar, já respondi ao Emerson e creio que seja inevitável. Infelizmente é impossível resolver todos os problemas… Esses clubes precisam se estruturar e exigir que suas respectivas federações ofereçam alternativas regionais para mantê-los ativos.
    O risco de um clube que se destacar sofrer desmanche também me parece natural, mas existem caminhos (inclusive jurídicos) para ser indenizado com a possível saída de jogadores. Avaliar o potencial dos atletas do elenco e firmar contratos mais longos com os melhores me parece ser imprescindível.
    Volte sempre e nos ajude a elevar o nível dos debates!
    Abs, Marcos

  8. Não gostei da fórmula. Achei meio sem sentido e muito complicada. A maioria dos clubes não jogaria quase nada.

    E 15 datas ainda é muito. Temos que planejar pensando na adequação do calendário ao europeu, então a pré-temporada seria no meio do ano, no começo do ano seria o segundo turno do nacional.

    A melhor forma que eu encontrei de encaixar os estaduais, já que não dá pra acabar com eles, é um torneio rápido em forma de copa na pré-temporada: 10 times, 2 grupos, turno único, cruza os 2 primeiros, semi-final e final em um jogo. Apenas 6 datas.

    Os outros cento e tantos times jogariam a Série C com 20 times e a Série D regionalizada, que seriam disputadas simultaneamente a Série A e B.

    Assim os times pequenos teriam calendário pro ano todo, e os estaduais são mantidos por tradição.

    Olá David,
    Obrigado pelo comentário e desculpe pela resposta atrasada.
    Quero reforçar que coloquei uma velha idéia no papel (ou no blog) exatamente para discutir os assuntos “calendário”, “estaduais” e “regulamento”. Admito que a minha proposta é um tanto quanto complicada, mas lamento que não se discuta seriamente alternativas ao formato atual, que está desgastado e cada vez menos atrativo.
    Sobre a questão dos clubes jogarem pouco (ou, nas suas palavras, “quase nada”), volto a dizer que é IMPOSSÍVEL resolver TODOS os problemas de TODOS os 105 clubes que disputam alguma divisão do Campeonato Paulista. Mais do que isso é impossível agradar 100% deles.
    A minha sugestão está longe de ser definitiva ou ideal (como eu mesmo admiti no post), mas nasceu com a boa intenção de movimentar o campeonato, dando oportunidade a TODOS os times de tentar se estruturar para competir pelo título estadual. Acredito que esse regulamento “maluco” e até meio kamikaze forçaria os clubes a montarem equipes mais fortes, dentro de suas realidades, é claro. Além disso imaginei um formato que poderia ser feito pela FPF, sem depender da possível criação de uma possível série D pela CBF, que obviamente seria mais funcional.
    Sobre a adequação ao calendário europeu, sou TOTALMENTE CONTRÁRIO e vou explicar os motivos brevemente, seja numa próxima resposta (essa já está longa demais), seja num post exclusivo.
    A sua sugestão me parece interessante, mas não vejo como eliminar 10 times dos atuais 20 participantes da série A1 paulista.
    O objetivo deste post (e do blog de uma maneira geral) é gerar esse tipo de debate para tentar melhorar o cenário atual. Acredito que estamos conseguindo, com a ajuda de todos.
    Abs, Marcos

  9. Discordo frontalmente.

    Tem clube que vai jogar 1 mês!

    E a Lei Pelé permite contratos mínimos de 3 mses.

    Quem paga a conta?

    Olá Lucas, obrigado por discordar.
    Dessa forma você me dá a oportunidade de expor outro ponto de vista que defendo.
    Se tem clube que vai jogar apenas 1 mês e não tem como pagar a conta, a solução é simples: fechar as portas!
    Infelizmente estamos muito mal acostumados com paternalismos que estão enraizados na formação do nosso povo.
    Eu considerei 105 clubes na sugestão que postei por ser o número atual de clubes inscritos nas quatro divisões do futebol de São Paulo. Mas será mesmo que temos mais de uma centena de clubes paulistas em condições de disputar um campeonato profissional? Acredito que não e fico feliz que a minha proposta tenha gerado tanta controvérsia. A polêmica nos ajuda a refletir mais profundamente sobre o problema.
    Muitas vezes eu me pergunto: se um clube não tem condições (principalmente financeiras) de pagar a conta do esporte, por que ele deve continuar no futebol profissional? Talvez fosse melhor optar por investir na formação de atletas e disputar apenas ligas e torneios amadores.
    O que não dá pra engolir é clube reclamando da falta de dinheiro e/ou estrutura sem ao menos tentar se organizar. Haja choradeira e lamentação! Seria melhor fazer um planejamento, de acordo com a realidade de cada clube, para “arrumar a casa” e trabalhar dentro de uma perspectiva factível. Chega de assumir compromissos com profissionais (jogadores, comissão técnica e demais funcionários) e deixá-los na mão. O Brasil precisa ser mais rigoroso com agremiações que atrasam (ou vivem devendo) salários e as vezes nem pagam a conta de luz. Infelizmente a lei ainda é muito “compreensiva” com a incompetência dos dirigentes de clubes. Incompetência que existe em equipes de TODAS as divisões, inclusive nas chamadas grandes.
    Desculpe se me alonguei e exagerei no desabafo. Mas algo precisa ser feito para salvar o nosso futebol. E talvez muitos clubes tenham de ser sacrificados para acontecer uma mudança de verdade.
    Abs, Marcos

  10. Gostei muito da fórmula proposta pelo Maurício Bardella!

    Olá Filipe, obrigado pela participação.
    A proposta do Maurício realmente é muito interessante.
    O objetivo do post era exatamente despertar idéias desse tipo.
    Volte sempre!
    Abs, Marcos

  11. Para ajustar os estaduais, precisariamos da 3ª e uma 4ª divisão para o Brasileiro.

    Como já dito aqui pelos amigos, a 4ª divisão, obrigatóriamente deve ser regionalizada, já que muitos clubes não tem recursos para viajar pelo país.

    A 3ª divisão foi abandonada pela CBF (Grande exemplo de gestão, não?), Mas a FBA (organizadora da Série B) já mostrou interesse em “organizar/financiar” esta divisão.

    Com isso, acredito que possamos fazer campeonatos regionais fortes e deixar os maiores times, dentre os pequenos, ocupados durante boa parte do ano.

    Com relação a proposta do Marcos, acho legal, mas pouco viável. Acho que todos os campeonatos estaduais de primeira divisão deveriam ser iguais, com 12 times e 2 grupos (no formato do carioca do ano passado).

    Em São Paulo, eu deixaria as divisões de acesso com vários times e várias datas, colocando todos para jogar mais vezes.

    Para adequar sem ter chiadeira, vamos fazendo ano-a-ano, caindo 4 e subindo 2, até ficar com 12 na primeira divisão.

    Acho que ficou confuso, mas essa é minha opinião.

    Obrigado pelo comentário e pelas idéias compartilhadas, Vinicius.
    Parece que quase todos estamos de acordo de que um país continental como o Brasil precisa ter uma Série C mais organizada e uma Série D regionalizada. Eu assino embaixo dessas duas medidas, que trariam um grande avanço ao nosso calendário.
    Sobre o formato de todos os estaduais serem iguais, com 12 times e dois grupos (no formato carioca), talvez eu tenha me expressado mal no post. Tudo o que eu escrevi, da Segundona até chegar à série A1, foi pensando em chegar num Campeonato Paulista com 12 equipes. Ou seja, aquele monte de fase eliminatória seria na verdade uma grande seletiva para o verdadeiro Paulistão, definindo os 8 times que se juntariam aos 4 grandes.
    Uma outra opção, mais simples (ou menos traumática! hehe), seria o que você falou: rebaixar 4 e subir 2 a cada ano até chegar ao número ideal de 12 participantes. Neste caso demoraria 8 anos para o Paulistão ter 12 clubes na primeira divisão.
    Essa discussão é polêmica e aparentemente sem solução, mas muito salutar. Seria ainda melhor se os dirigentes das federações participassem dela…
    Abs, Marcos

  12. Ola a todos.

    Nao concordo muito com a sugestao do ‘mito’ Marcos Silveira e acho q o importante e’ manter os estaduais o mais simples possivel.

    O futebol e’ um eporte popular porque e’ simples e o regulameto tambem deve ser simples e de facil assimilacao.

    Alem do que eu sou contra de se criar formulas esdruxulas pra times de A4 jogarem com times de A1 (tanto em estaduais qto nos nacionais).
    Time de primeira tem que jogar com time de primeira, de segunda com de segunda, etc… por que essa preocupacao em fazer time praticamente de varzea jogar com time grande??? time de bairro joga com time de bairro.

    pra merecer jogar com time grande, suba de divisao alguns anos e pronto. Tai’ o sao caetano, o Legiao, o notingham forest como exemplo de equipes q conseguiram isso.

    Alem disso, existe a Copa do Brasil. Se hoje a Copa do Brasil tem 64 clubes, por exemplo, com mais duas datas e’ possivel passar para 256… ou com mais uma data ate’ a mais de 500 clubes.

    Essa seria a chance de clubes praticamente amadores enfrentar os grandes.

    Uma ideia seria juntar os estaduais, ou regionais ao brasileiro da serie C e D. E’ inviavel imaginar que um time que nao seja nem da serie B suporte jogar um campeonato continental. Pois, sim, o Brasil nao e’ um pais… e’ um continente!!!

    Entao, todo time que nao esta’ na A1 do paulista por exemplo jogaria um estadual (ou regional) com duracao de quase um ano (como eram os estaduais antigamente)… e aih sim, ao fim do ano, os 8 ou 16 melhores nos regionais fariam um mata-mata pra decidir o campeao brasileiro da serie C e da serie D.
    detalhes de regulamento (se classificam 3 times do sudeste e 1 do norte; ou se ha uma fase intermediaria onde os campeoes estaduais se enfrentariam pra decidir os representantes regionais, etc) nao interessam no momento. O importante e’ o conceito.

    Sobre o Paulista Serie A1, eu ja fui desfavoravel, pois como eu disse gosto de coisa simples e portanto o ponto-corrido e’ a formula q sempre referi, mas to ate num momento a favor da formula que se utiliza no Rio…
    No entanto, depois de refletir mais um pouco eu imaginei: Se o paulistao tivesse apenas 10 times, jogado em turno e returno (portanto 18 datas), com dois caindo e dois subindo, nao seria essa uma grande formula? Aih sim, cada jogo seria praticamente uma final, alem do que, 6 dos 18 jogos de cada time grande seria um classico! E aih, o que acham?

    aqui vai outra sugestao de pauta pra vcs: o Mauricio sugeriu venda de direitos de transmissao individuais, ou seja, cada clube vendendo o seu. Eu sou totalmente contra pois isso ja se provou como sendo o maior fator no distanciamento entre clubes grandes e pequenos… todos mencionaram q os estaduais sao importantes por uma questao de solidariedade. Mas fazer um joguinho a mais na casa deles em troca da venda de direitos individuais e’ como dar esmola depois de ganhar uma grande premio.

    Gostaria de ver um post do Amir sobre o assunto, analisando o que aconteceu na Italia (que depois de um bom tempo tendo venda separada de direitos tera’ a partir da proxima temporada, se nao me engano a volta da venda conjunta – depois de imposicao governamental) e tambem o sucesso das ligas profissionais americanas que tem com um dos preceitos o cartelismo e a divisao equalitaria da maioria de suas receitas.

    Seja bem-vindo ao Brasil, polêmico João!
    Não precisava assoprar pra depois morder! hehe
    Como já conversamos esta semana, eu mesmo tenho várias críticas à proposta que coloquei no post. Pode parecer maluco eu admitir isso, mas não é. Eu explico: coloquei a idéia no blog para gerar discussão (no que fui muito bem sucedido) e as todo mundo levou a sério demais.
    Ponto esclarecido, devo dizer que concordo com a maioria das suas ponderações.
    Realmente o ideal é que a fórmula dos campeonatos seja o mais simples possível (daí o sucesso dos pontos corridos), mas nem sempre o ideal é viável, como parece ser o caso dos estaduais, em especial o Paulistão.
    Também admito que você está certo na questão de venda individual de direitos de transmissão (que eu cheguei a defender depois do comentário do Maurício). Caso os clubes grandes negociem por si só os direitos, aí sim será o fim de muitos times. Muitos mesmo! A sua experiência na Europa está sendo realmente positiva! hehe E por isso volto a defender o exemplo da Premier League que divide igualitariamente a maior parte do dinheiro arrecadado com a venda dos direitos.
    Vamos aguardar o próximo post do Amir sobre o tema que você sugeriu. Depois de conhecê-lo pessoalmente, você já sabe que será bem interessante…
    Abs, Marcos

  13. Olá João,

    Concordo inteiramente com você sobre o modelo de divisão de cotas.

    Dê uma olhada nos comentários dos dois Ricardos no post Concorrência global que abordamos um pouco o assunto.

    Obrigado pela pauta, será meu próximo post.

    Um abraço.

    Amir

    Show, Amir!
    Estamos ansiosos pelo próximo post…
    Abs, Marcos

  14. João, Amir e amigos, a princípio sou sim a favor da venda separada de direitos de televisão, pelo simples fato de que os clubes não são iguais: o potencial de mercado de alguns é muito diferente do de outros. Por qual motivo deveria por exemplo o São Caetano (só para citar um exemplo) ganhar uma cota fixa que aproximasse sua receita da de São Paulo, Flamengo e Corinthians?

    No modelo típico das ligas americanas os participantes são franquias estabelecidas a partir de estudos de potencial de mercado que ao menos em teoria tendem a tornar essas franquias mais semelhantes entre si.

    Preciso pensar um pouco mais a fundo sobre esse tema e ouvir mais argumentos para ter uma opinião mais aprofundada.

    Abraço a todos.

    É Maurício…
    Esse blog está nos fazendo rever conceitos e confrontar nossas convicções! hehe
    Eu também era simpático à venda separada dos direitos, mas desde terça-feira mudei de idéia.
    Ainda não estou totalmente convencido de como deve ser a divisão do bolo, mas tenho certeza de que a atual não faz sentido. O Figueirense, por exemplo, tem feito boas campanhas no Brasileiro e continua recendo uma miséria por não fazer parte do Clube dos 13. No mínimo o clube catarinense deveria ser premiado pela permanência na Série A por tantos anos consecutivos e também pela campanha obtida em cada temporada.
    Estou propenso a acreditar que o formato da Premier League poderia ser adaptado, com ajustes, ao Campeonato Brasileiro. Imagine a seguinte possibilidade: 50% do total seria repartido igualmente para os 20 clubes da Série A; 25% seria dividido de acordo com a quantidade de jogos exibidos; 25% ficaria para os 10 primeiros colocados, premiando o desempenho: o campeão ficaria com uma parte maior e do vice em diante o bônus iria caindo.
    Essa é apenas uma idéia embrionária, mas acredito que traria muitos benefícios para os clubes e para o produto futebol.
    Abs, Marcos

  15. Marcos,

    Não estou aqui para nenhuma discussão mais acalorada. Mas não concordo com absolutamente NADA com relação ao assunto paternalismo, choradeira e palavras deste tipo.

    Não tenho idéia de que time você torce, mas imagino que você torça para algum time grande, daqueles dos grandes centros.

    Amigo, torço para o Guarani e acompanho muito o futebol do interior de São Paulo. Nesta região, a Lei Pelé ARREBENTOU os clubes.

    Não sei qual é o modelo de gestão de futebol que você prefere, mas “bolhas” como São Caetano e Barueri, bancados pela Prefeitura, ou então coom Guaratinguetá, em que um empresário (Carlito) comanda é algo passageiro.

    Faça uma visita no estádio do Taubaté, do União Barbarense, da Ferroviária, do Botafogo-SP, do meu Guarani (que se Deus quiser será vendido logo) e veja um pequeno exemplo de como os dirigentes ladrões acabaram com estes times tradicionais.

    Desculpa, amigo, mas se para você a solução dos times que foram roubados os antigos dirigentes e definitivamente fechar as portas e deixar uma legião de torcedores (como no Guarani) na mão acredito que você tenha um raciocínio muito simplista.

    Viver de receitas de Medial Saúde, Habibs, Petrobras, etc… é muito fácil. Vá ver como estes times do interior SONHAM em jogar em casa contra times grandes para poderem ter uma renda extra e poder se estruturar novamente.

    Neste seu raciocínio, o futebol paulista se resumirá aos 4 grandes mais aqueles que se deixaram levar (arrendados) por emrpesários..

    É isso que jamais vai acontecer no Guarani!

    Lucas, li com interesse esse seu comentário em resposta ao Marcos e acho que é um ponto de vista que vale a pena ser exposto.

    Amanhã ou nos próximos dias vou postar um texto para que possamos discutir mais esse assunto, e conto com sua participação. Permita-me citar seu comentário para dar fundamento ao texto. Mas nada de discussões acaloradas, fique tranquilo.É que me parece uma boa chance de evoluirmos nessa conversa.

    Um abraço,

    Mauricio Bardella

  16. Mauricio, conte comigo.

    Você não imagina o horror que está o futebol do interior paulista em termos de possibilidade de recuperação.

    Lucas,

    Temos que admitir que além da falta de competições rentáveis, os dirigentes dos clubes do interior, que entendem pouquíssimo de marketing e gestão no esporte, são também responsáveis por essa sitaução caótica de seus clubes.

    Um abraço.

    Amir

  17. Lucas,

    O modelo de gestão que eu prefiro é o profissional, feito com planejamento e marketing estratégico. Acredito que o ideal para viabilizar isso é administrar o futebol separado do clube social (e da paixão). Infelizmente mais de 99% dos clubes brasileiros não se preocupam com isso. A única exceção que me vem à cabeça agora é o Legião FC, de Brasília, que foi tema recente de um post do Maurício.
    Eu sou paulistano, mas a minha família é do interior (de SP e MG) e lamento ver a situação de muitas equipes tradicionais que você citou, principalmente Botafogo-SP e Guarani, que estão em duas das maiores e mais importantes cidades do Brasil (Ribeirão Preto e Campinas).
    Um dos principais motivos da decadência desses clubes foi citado no seu comentário: os dirigentes ladrões. E eu não me refiro apenas àqueles que eventualmente tenham tirado proveito pessoal das agremiações. Não adianta ser honesto e despreparado ao mesmo tempo. Quem assume um clube sem competência para tal também está, de certa forma, roubando. Muitos dirigentes desse tipo “saquearam” clubes até então estruturados, que foram lesados durante anos e anos e perderam tempo, ou melhor, pararam no tempo.
    Quando eu digo que (infelizmente) a solução para muitos times que não podem pagar a conta do futebol atual pode ser fechar as portas, me refiro principalmente aos que nem tradicionais são. Equipes como o Guarani, por pior que estejam no momento, tem um patrimônio riquíssimo. São conquistas, glórias e, principalmente, torcedores, um dos bens mais preciosos que qualquer clube pode ter. Sem mencionar o imenso potencial de Campinas, cidade com o 11º maior PIB do país.
    Eu trabalho com dois torcedores do Guarani (e um da Ponte Preta) e um dos meus amigos mais queridos também torce pro Bugre. Você pode ter certeza de que eles sofrem tanto quanto você e mantêm a esperança de dias melhores.
    Eu não só torço como acredito na volta por cima do Guarani. Desde que haja uma completa transformação na mentalidade e na gestão do clube. Talvez isso só ocorra com a possível venda, que você citou.
    Eu e os demais administradores do blog esperamos poder colaborar nessa mudança tão necessária, não só para o Guarani como para tantos outros clubes tradicionais.
    Já estou ansioso para continuar o debate no novo post do Maurício!😉
    A gente se vê lá!

    Abs, Marcos

  18. Amir,

    Talvez você não se lembre, mas eu, ainda que em menores proporções quando comparado à atuação de outras pessoas, ajudei a organizar o 1o Forum de Gestão Esportiva realizado em 2005 no Instituto de Economia da Unicamp que você esteve presente apresentando um belo trabalho.

    Acho que colocar a culpa no conhecimento de marketing dos dirigentes do interior de São Paulo segue sendo algo muito fácil.

    Veja o caso do Guarani, mais uma vez.

    Em 1988, Beto Zini assumiu o Guarani depois de sucessivas gestões do presidente Leonel Martins de Oliveira. Ele herdou um clube com receita de 20 mil sócios (guardadas as devidas proprções, metade do que hoje têm Inter e Grêmio), participações na Libertadores recentemente vice brasileiro duas vezes e com uma estrutura invejável.

    Vejamos como ele largou o Bugre, em 1999. O time tinha 4 jogadores no elenco (a 1 mês da estréia do Brasileirão), gastava mais do que arrecadava etinha inúmeros problemas fiscais que só apareceram recentemente (só com a venda do Djalminha, Robson Ponte e Walker, todas para o Exterior, a Receita Federal diz que muitos milhões de dólares não passaram pelo Brasil e o Guarani foi autuado em mais de R$ 7 milhões por isso).

    Neste meio tempo vimos ele abrir restaurantes e boates em Campinas, abrir uma construtora e ter mais investimentos na cidade.

    Aí vem seu sucessor, José Luiz Lourencetti. De 1999 a 2006, foram 4 rebaixamentos, explosão das dívidas, julgamentos à revelia, ações trabalhistas milionárias, escândalos de enriquecimento, parcerias fantasmas e tudo mais.

    Para piorar, nosso Centro de Treinamentos foi à leilão para pagar uma dívida de 5 milhões de reais com um argentino que jogou 4 meios tempos aqui em 2004. Sorte que ainda não foi arrematado

    Em Julho de 2006, o mesmo Leonel Martins de Oliveira reassumiu o Guarani e ficará até 2010.

    Pergunto: A culpa do Guarani é desconhecimento de marketing?

    E isso que aconteceu com o Guarani aconteceu com Rio Branco, União Barbarense, Mogi Mirim, Botafogo, Comercial, Ferroviária, XV de Jaú e por aí vai…

    Me desculpe, mas os clubes do interior, especialmente os de São Paulo, devem ser vistos com mais carinho e mais “paternalismo”.

    A Lei Pelé deve ser revista!

  19. Falta um comentário, talvez que possa justificar a venda do Brinco de Ouro (ressaltando que o mesmo se aplica para vários clubes do interior de São Paulo).

    Não há dinheiro.

    No Guarani, todas as receitas devem ser escondidas dos credores, caso contrário, não sobra nem para pagar a luz. Só em doação, em 2007, o Guarani recebeu muito mais de 1 ou 2 milhões de reais. Tudo na surdina.

    As rendas de jogos são penhoradas constantemente. Apenas para se ter uma idéia, na estréia em casa no Paulista, apareceram 8 OFICIAIS DE JUSTIÇA querendo levar a renda.

    E se você acha que é ação do ex-cozinheiro, ex-tratador de piscina, tem ação até do ingrato do Careca cobrando míseros de 10 mil reais!!!

    O Guarani não pode pagar luvas, não paga salários acima de 5 mil reais e vive de doação para manter o gramado do Brinco de Ouro (em 2006 não haiva nem tinta para pintar as linhas direito).

    Por isso, sou totalmente à favor da Timemania, de maneiras de se reabilitar clubes do interior, principalmente quando administrações honestas como a do Guarani de hoje estão sendo colocadas em prática.

    Lucas, entendo seu ponto de vista, mas enquanto os clubes (de qualquer porte) dependerem de “Timemanias” para se reabilitar, nada vai mudar. Soluções como essa nova loteria são paliativas e não resolvem a raíz do problema (má gestão). E isso vale pro Guarani e pro Flamengo.
    Espero que essa atual administração honesta do Guarani tenha sabedoria para tomar as decisões dentro da realidade atual e consiga explorar o imenso potencial do clube para levar o Bugre de volta a um local de destaque.
    O pior que podemos fazer é achar que não tem solução, pelo menos no caso de times que têm história, tradição e torcida.
    Abs, Marcos

  20. Olá a todos,

    Lucas me permita fazer uma pequena observação quanto ao seu comentário, onde discordo quanto ao tratamento paternalista aos times do interior, pois entendo que o grande problema dos mesmos é realmente o que o Amir comentou, falta de pessoas capazes em administrar de forma profissional, com foco no Marketing, buscando meios de gerar receita.
    Infelizmente eu acho que botar a culpa na Lei Pelé é uma visão simplista e cômoda para todos os dirigentes incompetentes.
    Aprendemos que toda a mudança “boa ou ruim”, deve ser absorvida, pois não adianta ficar apenas reclamando e não buscar soluções.
    Todo o seu comentário demonstra de forma clara que o grande problema do Guarani não foi a Lei Pelé e sim a má administração.
    Brevemente a pedido do Amir farei um post exclusivo da Lei Pelé, e conto com sua participação, ajuda no crescimento do blog.
    Abraço
    Chico

    Legal, Chico!
    Fico feliz quando os comentários geram novos posts e discussões.
    É o blog ganhando vida! hehe
    Abs, Marcos

  21. Escrevo este comentário um tanto quanto atrasado, talvés por isso ninguém o leia, mas achei o assunto interessante e então aí vai.
    Pra começo discordo da formula apresentada. Seria o fim definitivo dos clubes pequenos. E com a globalização, futuramente o fim dos grandes também (mas isso é outra história).
    Temos que pensar que o futebol só é o esporte mais popular do brasil, porque no primórdios de sua história, as pessoas torciam para os times do bairro onde moravam. Tanto que os primeiros campeonatos paulistas, podemos dizer que eram campeonatos da cidade de São Paulo. E no interior, as torcidas eram para os times de suas suas cidades, para depois e finalmente torcerem para os “grandes”
    Outro fator a se destacar é a importância de alguns times do interior, como XV de Piracicaba, Botafogo e Comercial de Ribeirão, Inter de Limeira, Mogi Mirim, Bragantino e tantos outros que ajudaram a fazer a história do futebol paulista, e mais, revelaram grandes craques para os famosos esquadrões do ditos “grandes”.
    Então, no meu ver, a grande dificuldade é fazer uma competição racional e empolgante, sem ao mesmo tempo excluir definitivamente esses clubes.
    Realmente acho o número de vinte clubes um tanto exagerado. Mas doze também é muito pouco. Com doze times seria melhor nem disputar o paulistão. E não gosto da fórmula do campeonato carioca também, que pra mim, que gosta e torce pra time pequeno, joga no lixo seis datas do calendário (semi-finais e finais da copa rio e taça guanabara, mais as finais do estadual).
    Se a idéia e ajudar os pequenos, não é fazendo finais com “jogos clássicos” que irá resolver o problema.
    Gostaria de alertá-lo que as pessoas que moram no interior estão deixando de acompanhar futebol, e isso se deve a elitização do esporte, onde só tem vez os “times grandes”. Quem mora no interior gosta sim de algum time da capital, mas também gosta do time de sua cidade e esperaça ancioso a visita desse “grande” durante um ano inteiro, ou aceia que o time de sua cidade um dia chegue ou volte à elite.
    A FPF tem mesmo um grande abacaxi nas mãos. E com relaçao a A1, não tenho muitas sugestões a dar. Talvez uma redução para 18 ou 16 clubes, ou dividir os 20 em dois grupos de 10. Não sei.
    Até acho o atual campeonato interessante. Somente gostaria que ao invés de quatro classificados, que fossem oito. Mas daí foge a idéia de redução de datas, pois assim aumentariam outras duas datas no já implaticável calendário do futebol brasileiro.
    Já com relação as séries A2, A2 e B, elas deveriam ser unificadas numa só divisão, e separadas por grupos regionais, 5 ou 6 grupos. E os melhores times desses grupos disputariam, no mesmo período da série A1, o acesso a principal divisão. Pelo menos assim esses times que estão nas divisões inferiores teriam algo para disputar durante o ano. E sobre a visibilidade, muitas cidades, principalmente do interior paulista, possuem TV comunitárias ou emissoras regionais, que poderiam transmitir alguns jogos ao vivo, vendendo a imagem do clube e seus patrocinadores para a sua região, que é o que realmente interessa, fazendo assim com que o comércio e a industria local, patrocine o time da cidade, que é justamente o que tem faltado para muitos times interioranos. Ah. os clubes que disputam o campeonato brasileiro, se estivessem na segundona do paulista, somente disputariam a fase final, garantindo a classificação para o torneio de acesso, sem disputar o campeonato regional.
    Mas tudo isso é utopia.
    Muita coisa no calendário pecisava ser mudado.
    A Libertadores e a Sulamericana (que deveria se chamar Panamericana) deveriam sr campeonatos paralelos, como ocorre com a liga dos campeóes e a copa da uefa.
    E os estaduais serem a única forma de se classificar para a Copa do Brasil.
    Mas com os dirigentes que temos, isso jamais iá mudar

    Seja bem-vindo Fernando!
    Nunca é tarde para comentar, até porque a maioria dos posts se mantém atual (e que eu saiba o futebol brasileiro continua com inúmeros problemas de gestão…)!😉
    A questão do calendário realmente não é fácil de resolver. As dimensões continentais do Brasil e a quantidade de clubes existentes são obstáculos consideráveis.
    O que me incomoda é a inércia das federações, CBF e Clube dos 13. Deveria haver um fórum em cada uma dessas entidades para se discutir constantemente melhorias para o futebol. Regulamento das competições e calendário seriam apenas dois dos temas debatidos. Mas infelizmente não vemos nenhum movimento consistente no sentido de aperfeiçoar o modelo vigente.
    Os clubes, ao meu ver, têm uma boa parcela de culpa por não se mobilizarem e exigirem as tão necessárias melhorias.
    Obrigado pela visite e comente mais vezes!
    Abs, Marcos


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