Publicado por: Maurício Bardella | 13/fevereiro/2008

Guaratinguetá

O jornal “O Estado de São Paulo” publicou ontem, 12 de fevereiro, uma interessante matéria assinada pelo repórter Cosme Rímoli sobre os planos do Guaratinguetá Futebol Ltda, atual líder do campeonato paulista de futebol. 

Diz, na matéria, o empresário e presidente honorário do clube, Sony Alberto Douer: 

“Estamos nos estruturando para comprar uma equipe no exterior. Vamos eliminar os intermediários. Não queremos ceder nossos melhores jogadores ao Corinthians ou ao Palmeiras e depois mendigar uma porcentagem em futura venda à Europa. Comprando um clube europeu tudo ficará mais fácil e lucrativo.” 

O plano do Guaratinguetá consiste em adquirir um clube europeu de segunda divisão – há a possibilidade de comprar um clube espanhol por 12 milhões de euros. Com isso o clube-empresa pretende exportar o maior número possível de jogadores brasileiros, utilizando a base européia para expor e posteriormente transacionar os atletas. 

Com esse foco na venda de “pé-de-obra” o clube chegou a bancar a formação de um agente Fifa próprio, chamado Marcelo Zanotti, que trabalhará exclusivamente para o Guará. Seguem abaixo os links para acessar a matéria:  

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080212/not_imp123080,0.php  

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080212/not_imp123081,0.php  

Veja mais um trecho da reportagem: 

O Guará tem a décima folha de pagamento de São Paulo, R$ 300 mil mensais. Com o dinheiro pago pela televisão, R$ 1,2 milhão, o Paulista inteiro foi garantido.”Mostramos a força de um clube-empresa. Queremos lucro, dinheiro. Isso só vem com títulos. Temos de ser campeões paulistas até pelo dinheiro. Acabou o amadorismo”, diz Sony.  

Parece que o clube, estruturado como empresa, coloca-se à frente de muitos outros clubes de seu porte e os resultados esportivos já tem sido conseguidos. No entanto o foco em exportação de atletas é um reflexo do mal que assola o futebol brasileiro, fundamentado nas premissas erradas que temos discutido nesse blog – veja o texto de ontem postado pelo Amir. Mas não posso negar que dentro do cenário atual o Guaratinguetá joga bem, explorando as regras vigentes.  

E você, o que pensa sobre esse assunto? O Guaratinguetá é de fato um clube visionário e inovador? Ou seria ele apenas um tipo de “vanguarda do atraso”?


Responses

  1. Caro Maurício, como as discussões deste blog apontam existem outras formas de ganhar dinheiro com o futebol. Mas os “empresários” brasileiros preferem vender jogadores no atacado para o mercado europeu, pois desta forma o dinheiro vem mais fácil e sem muito controle do Estado.
    Não que eu seja contra a venda de jogadores para o exterior, pois é uma das formas dos clubes brasileiros manterem suas finanças sadias, mas vender muitos jogadores, jovens demais na maioria das vezes, a preços muito abaixo dos praticados no mercado europeu é uma visão atrasada de como gerir um clube de futebol.
    Abraços!

    Jorge, eu também acho que o sistema como um todo está viciado. Esse projeto do Guaratinguetá para funcionar precisa de um bom investimento, que aparentemente oa gestores tem capacidade para fazer, e eles podem até mesmo vir a ganhar um bom dinheiro. Mas que é mais um prejuízo para nosso futebol, me parece que é, sim.

    Um abraço.

    Mauricio Bardella

  2. Se colocarem essas idéias em práticas a meu ver seria uma grande jogada, mas me parece bastante utópico uma vez que nem a MSI com os milhões de dólares russos e a influência política que tem conseguiu seduzir o West Ham, modesta equipe do futebol inglês, quem dirá o Guaratinguetá.

    Vamos ver, mas é bacana ver equipes do interior de SP com essas ideias.

  3. Apenas complementando, quando digo uma grande jogada, me refiro ao que o Mauricio espôs, dentro do cenário atual, é uma forma inteligente de o clube faturar mais com suas vendas sem intermediários.

    Abraço

    Sérgio, tem mais uma coisa…os clubes grandes do Brasil são vitrines que valorizam os jogadores que se destacam. Será que o Guaratinguetá ao enviar jogadores para disputar um campeonato europeu da segunda divisão faria com que esses atletas tivessem maior exposição e valorização, tornando mais lucrativa uma futura venda? Realmente tenho minhas dúvidas.
    Mas, enfim, os investidores estão tentando executar um projeto inovador e merecem nossa atenção. Para os clubes de menor porte talvez seja uma saída. Pelo menos esses investidores não seguem o exemplo da maioria dos dirigentes de clubes pequenos que até hoje culpa o fim da Lei do Passe por sua decadência financeira – como se antes desse momento seus clubes fossem grandes potencias econômicas no futebol brasileiro.

    Abraços,

    Mauricio

  4. Voto do Robert : Vanguarda do atraso. A opção do “Guará” é seguir o modelo viciado de uma forma profissional e organizada.

  5. Aonde estão os governantes, os homens públicos? Aonde está a ética e o respeito? Estão tratando os garotos como fizeram com o café na década de setenta. Vendendo por atacado, como uma mercadoria de segunda, misturando grãos bons com alguns nem tanto. Quando deveriam qualificar e valorizar o talento brasileiro. Temos que vender o futebol brasileiro, não a mão de obra. Estas atitudes desonestas, mas como geram muita receita e no Brasil ainda se confunde sucesso financeiro com inteligência, cultura e dignidade, como quanto compravam-se indultos de Roma, esta vergonha deve continuar por muito tempo. A Copa de 14 é desde já uma enorme oportunidade de colocarmos o dedo na ferida e sanear o futebol deste bando de usurpadores.

    Júlio, sua opinião é semelhante ao que penso, e destaco sua observação sobre a Copa de 2014 como a grande oportunidade para uma ampla reavaliação do futebol brasileiro.
    Não será simples, mas mudanças não contecem de maneira fácil e sem resistências. E se transformações estruturais dependem de um momento histórico, sejam estas transformações de caráter social, de negócios ou esportivo, bem, aí está o momento, certo?

    Um abraço,

    Mauricio Bardella

  6. Sergio, eles não falaram de comprar um time da Inglaterra. A 2ª divisão da Inglaterra tem uma média de público maior que a do Brasileiro. O West Ham, que você chama de “modesto”, é melhor do que qualquer time brasileiro, em qualquer aspecto. Ele tem história, e muita, e estrutura. Não é tão simples comprar um time assim.

    Eles falaram em comprar um clube da segunda divisão da Bélgica, Portugal ou Suíça, que são centros secundários (tirando Portugal, bem secundários mesmos).

    Apesar de ser cético em relação ao sucesso deles, o raciocínio está correto: qualquer um que chegar com dinheiro num clube S/A de pequeno porte desses países compra.

    David, também acho que com dinheiro qualquer clube europeu S/A pode ser comprado, especialmente em centros menores. A minha questão principal é que um negócio desse tipo só pode ter foco na venda de jovens jogadores para o exterior. Para os investidores pode ser ótimo, mas para o nosso futebol…
    Um abraço,

    Mauricio Bardella

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  8. […] nomes como Michael, Dinei, Alessandro Cambalhota e Nenê, e com uma folha de pagamento mensal de R$ 300 mil (apenas a décima entre os times da Série A-1), o time liderou a primeira fase do Campeonato […]

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