Publicado por: Francisco Ortega C J | 6/fevereiro/2008

Nike Tupiniquim

Corroborando com o post Patrocínio Tupiniquim (publicado em 17/01/08), podemos apontar a última mancada que foi exposta na semana passada e que teve como protagonista a Nike, fornecedora de material esportivo do Corinthians.

No final do ano passado surgiu um grito de guerra vindo da torcida que ganhou força e praticamente se tornou um movimento, baseado na seguinte frase: “Eu nunca vou te abandonar… Porque eu te amo… Eu sou Corinthians”.

Este lema foi adotado pela diretoria do clube na confecção de camisas, tornando-se um fenômeno de vendas e superando as previsões: foram cerca de 50 mil em dois meses.
Agora vem a pergunta: onde estava a Nike nesse tempo todo?

A marca de artigos esportivos que detém o contrato com o clube resolveu lançar um produto similar somente agora, após o Natal e a explosão de vendas.

A Nike pretende que seu produto chegue ao consumidor por R$ 49,90. A camisa original que gerou o fenômeno dos dois meses foi e ainda é ofertada por R$ 39,90, o que leva a calcular que o negócio gerou um faturamento bruto aproximado de 2 milhões de reais nesse período. Entendo não ser um valor que se possa menosprezar, mesmo descontando os custos de produção, impostos, royalties para o clube e a margem do distribuidor.

Produto original:

Produto original

 

 

Versão da Nike:Versão NikeVersão Nike

 Versão da Nike

Para você, qual seria a explicação para tal “comida de mosca”? Você concorda que a Nike foi muito pouco ágil para uma empresa que é líder mundial em seu segmento?

Anúncios

Responses

  1. Como é aqui no Brasil pode até ser apontado como incompetência mais na Itália é a Juventus de Turim que é responsável pela comercialização de camisas comemorativas. Um dos exemplos são as camisas retrô que não ostenta os patrocinadores oficiais que é a Nike e a New Holland e sim os da época que a camisa foi editada. Mais nesse caso Brasileiro fica evidente a falta de profissionalismo e entrosamento dos departamentos de Marketing dos clubes com suas parceiras.

    Olá Ricardo,
    Você tocou exatamente no ponto crucial de varias discussões que já tive, a “falta de entrosamento dos departamentos de Marketing”, ou podemos dizer “nenhum entrosamento”.
    Abraço
    Francisco Ortega C J

  2. A relação dos clubes com seus patrocinadores técnicos no Brasil é uma “caixa preta” pra mim, pelo menos, apenas o analisar cuidadoso destes contratos permitiria tal entendimento, já que não temos este contrato, segue uma pequena comparação.
    Estive na Inglaterra em Agosto último, em viagem de pesquisa, onde visitei dois clubes ingleses, o Everton e o Arsenal. Uma das questões que abordei nas conversas com os executivos dos clubes foi a questão da pirataria e do custo dos produtos oficiais; o executivo do Everton FC que me recebeu relatou que o clube tem uma política que é a seguinte : vendedores não oficiais do clube são chamados e autorizados a vender uma linha mais barata, que eles chamam de “semi oficial” a um preço mais acessível e só isso, o clube controla o design, a produção e distribuição e o preço sugerido . O lema é “não torne minha vida complicada que eu não complico a sua”; o curioso é que a UMBRO não reclama, questionado a resposta veio tão pontual como um trem inglês : ~” A marca é do clube, não da UMBRO”.
    No Brasil, qualquer tentativa de lançar produtos mais baratos esbarra na resistência do patrocinador técnico, como se eles, por meio deste contrato esquisito, se apoderassem da marca dos clubes, será que eles se aproveitam da fraqueza administrativa e política de nossos dirigentes e conseguem impor o que na Europa eles não conseguem ? É o que me parece.
    Quanto à Nike/Corinthians, o lançamento da versão Nike da camisa “Nunca vou te abandonar….” revela que a Nike de parceira tem bem pouco, só cuida do próprio interesse….que saudade da Topper, da Penalty…enfim..

    Olá Robert,

    Concordo com você, sem a analise dos contratos não conseguiremos aprofundar nesta questão.
    Mas neste caso especifico entendo que a Nike realmente deixou o bonde passar, isso porque pelas atitudes colaterais dos fatos conseguimos traduzir que o contrato que o clube tem com a Nike permite que o clube explore sua marca como quiser, tanto que esta camisa foi elaborada pela diretoria, a qual se responsabilizou pela confecção e distribuição, e continua sendo vendida e, agora em maior numero de lojas, fazendo concorrência com o produto da Nike.
    O Corinthians tem um contrato com uma outra marca de confecção há alguns anos de produtos oficiais de menor qualidade, que é a Braziline Industria e Comércio Ltda.(www.braziline.net), mas não vejo ativação e logística de venda.
    Entendo que o grande problema é realmente o que o Ricardo apontou, a falta de comunicação entre os parceiros, acarretando um modelo acéfalo de planejamento.

    Quanto à Nike/Corinthians, tenho uma opinião muito particular, entendo que todas as empresas que já estiveram no Corinthians incluindo a atual, não se preocupa com inovação, desenvolvimento de novos produtos,qualidade e tratamento diferenciado; pois chegam no clube com um único pensamento “estar no Corinthians é vender água no deserto”, não precisa fazer nada que o volume de vendas é natural.

    Abraço
    Francisco Ortega C J

  3. Caro Francisco,

    Difícil afirmar ao certo o motivo que a Nike demorou para entrar na onda do “Nunca vou te abandonar”.

    No entanto, sabe-se que o Corinthians tinha interesse no final do ano em arrumar um outro fornecedor de material esportivo, uma vez que o Presidente estava insatisfeito com o valor pago pela Nike(aumentou para R$ 8M/ano até o fim de 2009) e tbm houve problemas na entrega de material esportivo, ora faltava, ora entregavam fora de prazo, talvez esse imbróglio tenha postergado a participacao da Nike nessa promocao de venda.

    Particularmente, não gosto da parceria Nike x Corinthians e essa é a percepcao tb da maioria dos corinthianos que conheço. Acredito que poderia ser melhor.
    A Nike não só agiu devagar nisso, como o Material é de qualidade duvidosa a um preço exorbitante.

    Uma pequena correção, a promoção Nunca vou te Abandonar acaba de completar 2 meses e não 4 conforme afirmado acima, tendo em vista que ela começou logo após o time ser rebaixado, 02/12/07.

    Grande abraço,

    Sérgio Mattos

    Obrigado Sérgio,

    Realmente a venda da camisa iniciou em 13/12/07, portanto dois meses, o que torna o fenômeno de vendas ainda maior. A confusão foi em relação à onda vinda da arquibancada, onde a torcida começou a gritar a frase aproximadamente nos dois últimos meses do Campeonato Brasileiro, já alterei o post.
    Quanto aos argumentos apontados, pode ser este um dos motivos, mas volto na mesma tecla que o Ricardo apontou, a falta de comunicação entre o clube e os parceiros, este é o ponto crucial da questão, se você tem um parceiro, em tese, você deveria criar meios para beneficiá-lo, deixando seu parceiro satisfeito, com isso tendo argumentos para renovar o contrato com o valor maior, ou seja, criando benefícios mútuos.
    Segundo ponto, a Nike como já citado acima, neste caso perdeu o bonde, entendo que este seu lançamento “tardio”, apenas corrobora, pois demonstra que não teve interesse de desenvolver produto e poderia telo feito.
    Abraço
    Francisco Ortega C J

  4. Francisco e amigos, atento para o que o Sérgio comentou: o interesse do Corinthians em aumentar o valor do patrocínio ou trocar de fornecedor, além dos atrasos da empresa na entrega de materiais.

    Bem, esse filme eu conheço: quando um clube anuncia atrasos ou falta de qualidade nos materiais entregues por sua fornecedora, há três possibilidades:

    1 – Realmente a empresa não está cumprindo suas obrigações;
    2 – Os “atrasos” são criados falsamente pelo clube na tentativa de pressionar a empresa perante a opinião pública, justificando uma eventual quebra de vínculo;
    3 – A falta de materiais não decorre de falhas na entrega, mas no desvio de itens dentro do clube, por oarte de diretores, conselheiros, associados e/ou funcionários.

    Já o contrato com a Nike, assim como a maioria dos contratos entre clubes e fornecedores de material esportivo, deve fazer menção à exclusividade na produção e comercialização de artigos vinculados com a prática esportiva, como camisas de jogo, treino, concentração, agasalhos, etc. Assim, provavelmente não há nada errado em o clube possuir um outro contrato para camisas temáticas, como essa. Mas claro que há falta de iniciativa da Nike, falta de comunicação por parte do clube e o elo entre os parceiros se mostra muito fraco.

    Caro Maurício

    Entendo o seu ponto de vista, e até concordo com ele, mas nós sabemos que esta não é a política correta de trabalho, parece que os clubes brasileiros gostam de trabalhar de uma forma meio Talibã, usando artifícios para aumentarem sempre os valores dos contratos, mas a questão é, o que eles oferecem em troca?
    Em contra partida apontamos que algumas empresas não estão interessadas em entender o clube, apenas visam às vendas de forma simplista.
    E no final, caímos em um consenso comum, ninguém fala a mesma língua, são parceiros onde cada um enxerga apenas o seu próprio lado, gestão e planejamento são palavras riscadas dos dicionários, esta é a cúpula (empresários e dirigentes) do esporte brasileiro.

    Abraço
    Francisco Ortega C J

  5. Mauricio, faz todo o sentio o que acabou de dizer.

    Não é a toa que após a reclamacao publica d diretoria corinthiana o contrato foi assinado por um valor maior ao anterior.

    Abraços,

    Sérgio Mattos

  6. Francisco, legal esse bate bola, esse post realmente é um campeão de audiência. Concordo com você em muita coisa, mas tenho um ponto : quem tem que inovar, criar novos produtos, etc. é o clube, que é o detentor da marca e é pra ele que as pessoas torcem; o patrocinador técnico tem que estar junto pra acompanhar e suportar a iniciativa, caso contrário, a Nike, ou quem quer que seja vira a “dona” da marca e é isso que temos que evitar.

    Professor Robert,
    Muito obrigado pelo comentário, fico contente com seu elogio, até porque você fez parte do meu aprendizado.
    Quanto ao clube ser o detentor da marca e estabelecer as estratégias, concordo integralmente e sempre defendi este ponto de vista, o clube não pode ficar refém de seu patrocinador, deve expor quais são as suas metas e objetivos, e ai sim o patrocinador deveria tomar decisões e elaborar em conjunto um planejamento. Mas infelizmente nós sabemos,(pois tivemos a oportunidade de aproveitar a parceria da faculdade), que isso está longe de acontecer, até em clubes que se intitulam o mais organizado do Brasil.
    Abraço
    Francisco Ortega C J


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Categorias

%d blogueiros gostam disto: