Publicado por: Marcos Silveira | 2/fevereiro/2008

Numeração fixa variável

Vou pegar carona no post do Amir sobre ídolos para escrever sobre um tema que tem me incomodado, principalmente este ano: a numeração fixa das camisas dos jogadores.

Sei que muita gente (ainda) torce o nariz para essa prática, mas entendo que se trata de uma importante ferramenta de marketing para aumentar a identificação entre o atleta e o torcedor. Além de alavancar a venda de camisas, é claro.

A contratação de Ronaldo pelo Milan, no ano passado, é um bom exemplo. Como a camisa 9 do time italiano não estava disponível (já pertencia a Inzaghi), a solução foi transformar o Fenômeno em 99. Além de vender milhares de camisas, a escolha do número rendeu uma gigantesca exposição global para Adidas, Milan e Ronaldo.

Ronaldo 99

A numeração fixa começou a ser adotada pra valer aqui no Brasil em 2005, com o São Paulo FC. No ano anterior o Tricolor paulista já queria implantar a idéia, mas enfrentou resistência da CBF. O resultado foi imediato e transformou a camisa 5, do uruguaio Diego Lugano, em recordista de vendas, superando até a número 1 de Rogério Ceni.

Também em 2005 o Corinthians passou a usar a numeração fixa. E fez sucesso com a 10 de Carlitos Tevez. Cruzeiro, Flamengo e Palmeiras foram outros clubes que optaram por manter os jogadores com o mesmo número na camisa, pelo menos durante algum tempo.

Por falar em manutenção, o pioneiro SPFC tem cometido deslizes nas decisões sobre os números dos atletas. Vamos relembrar alguns:

Antes mesmo de ser apresentado, o atacante Adriano recebeu a camisa 10, que estava sendo usada pelo meia Souza. O privilégio dado ao Imperador é até compreensível, por se tratar de um atleta que já valeu 100 milhões de Euros e atrai os holofotes da mídia mundial. Mas a troca deixou o novo reforco do Paris Saint-Germain de saia justa por ter de voltar a usar o número 21, com o qual fez uma excelente temporada em 2006. Por que mudaram? Se mantivessem o Souza com a 21, o constrangimento poderia ter sido evitado…

O volante Hernanes foi um dos destaques do último Brasileiro. Atuando com a camisa 26, ele conseguiu a façanha de substituir Josué. Como a numeração na Libertadores só vai até 25, o SPFC achou por bem mudar o número do volante, que passou a usar a 15 este ano. Enquanto isso o recém-chegado Fabio Santos, que tem contrato de apenas 6 meses, herdou o número 8 de Josué. Não seria mais lógico que o herdeiro fosse o Hernanes, que já conquistou um lugar no time e acabou de estender o contrato até 2012?

Dagoberto 25

Em abril do ano passado Dagoberto foi anunciado como o grande reforço do SPFC para a fase decisiva da Libertadores. Na apresentação ganhou a camisa 25, que rapidamente se tornou uma das mais vendidas pela Reebok. Um mês depois da contratação, o diretor de marketing do clube, Julio Casares, fazia planos para explorar a imagem do novo ídolo.

“O Dagoberto é diferenciado. E já estamos pensando em trabalhar em cima dele”, declarou Casares ao diário Lance! em 17 de maio.

Exatamente por essa disposição, fiquei surpreso com a mudança da camisa de Dagoberto neste início de temporada. O atacante abandonou a 25 e passou a vestir a 11, que era do meia Hugo, o novo 18. Além da possibilidade de melindrar mais um jogador que continua no elenco e foi obrigado a trocar de número, o SPFC simplesmente descartou a identificação de Dagoberto com a 25, que foi construída durante 2007.

Alguém pode alegar que Dagoberto é titular e que sempre usou a camisa 11 no Atlético-PR e na Seleção Brasileira. Para mim, uma justificativa insuficiente. Variar a numeração fixa é um retrocesso.

A partir do momento em que um time adota a numeração fixa, não vejo motivo para mudar tanto. Fico imaginando a reação do torcedor são-paulino que comprou a camisa 25 de Dagoberto no ano passado. Será que ele está satisfeito?

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Responses

  1. Pois é Marcos, a gente já tinha conversado sobre esse tema da numeração fixa. Sou a favor que se tenha numeração fixa sim, isso faz com que os torcedores comprem a camisa com o número daquele jogador preferido, mas ao mesmo tempo que alguns times adotam esse tipo de numeração, no ano seguinte já mudam de novo e jogam por água a baixo toda a intenção deles. O São Paulo é o maior exemplo mesmo, acho q se um jogador foi bem com um determinado número, como foi o caso do Souza, mantém a numeração. Se o São Paulo abre o cofre pra trazer o Dagoberto e faz todo um marketing com a camisa 25, mantém a numeração, afinal de contas, os torcedores que compraram a 25 do Dagoberto, hoje saem pela rua com a 25 do Alex, certo?!?!?! O único caso que eu vejo pra mudança, é no caso do Hernanes, que jogou muita bola no ano passado e conquistou com méritos a vaga de titular, pois como a Libertadores não permite que ele utilize a 26, pela lógica, ele deveria ter a preferência pela camisa 8 e não um jogador que não fez muito pelo futebol e ficará apenas 6 meses. Sei que é complicado manter a numeração, pois a rotatividade dos jogadores hoje em dia é grande, mas não custa nada os caras que se consideram tão inteligentes e melhores do que os outros (como é o caso da cúpula tricolor), raciocinarem e usarem o bom senso pra fazer a numeração!

    Esse problema da alta rotatividade é um fator complicado, Edu. Mas os clubes precisam ter mais critério para fazer mudanças na numeração. Principalmente por respeito ao torcedor que compra um produto de seu jogador preferido.
    Abs, Marcos

  2. E a camisa 25 com o nome do Dagoberto vai encalhar nas lojas

    É verdade Jota Lima…
    O SPFC pode alegar que “devolveu” a camisa 25 ao zagueiro Alex.
    Mas não há dúvida de que vai encalhar.
    Abs, Marcos

  3. Numeração fixa é um bom marketing. Eu gosto.

    Seja bem-vindo Ronanspfc!
    Tenho certeza que a maioria dos torcedores concorda com você.
    Felizmente vários clubes estão percebendo isso.
    Abs, Marcos


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