Publicado por: Maurício Bardella | 29/janeiro/2008

Chega de “Paz nos Estádios”!

Calma, amigos leitores deste blog. Não estou pregando a violência e a intolerância, longe disso…

O título desse texto é na verdade um protesto dirigido aos profissionais de comunicação que usam essa tão surrada expressão nos seus esforços para modificar o comportamento dos torcedores em nossos eventos esportivos. Mais ainda, estou protestando contra os que os contratam, fazem os “briefings” e aprovam as peças publicitárias. 

A violência dos torcedores é um fenômeno social com causas muito amplas, que vão da condição sócio-econômica-cultural à ineficiência de nosso aparato jurídico e ao puro banditismo. OK, discutir as causas e remédios (se é que os há) não é o propósito desse post. 

O que quero dizer é que o comportamento intolerante, origem das práticas violentas, se espalhou por grupos muito mais abrangentes que os torcedores organizados. Basta ir ao estádio para ver, seja nas arquibancadas e gerais, seja nas cadeiras que abrigam um público teóricamente mais elitizado, pais ensinando seus filhos a ofender os torcedores adversários, casais proferindo impropérios aos “inimigos” (sim, “inimigos” com grandes aspas…) e pessoas economicamente bem situadas que não olham para o campo ao comemorar um gol de seu time, mas sim para a outra torcida, despejando-lhe uma chuva de xingamentos… 

Aqui reside a oportunidade de dirigir campanhas contra a violência – ou a favor da tolerância, se preferirem – para um público não pertencente a torcidas organizadas e melhor classificado no aspecto sócio-econômico. Apresentar adequadamente conceitos e produtos para segmentos capazes de difundir valores na sociedade não é exatamente uma técnica revolucionária de comunicação… 

Não dá mais para enxergar o consumidor do futebol como um grupo homogêneo e restringir a comunicação à linguagem própria para falar com a base da pirâmide. Chega de utilizar o rap e o pagode como temas musicais quase exclusivos nas escassas campanhas promocionais e comportamentais (sem fazer aqui um julgamento do valor artístico desses gêneros, pois não é esse o nosso objetivo). 

Nesse contexto a desgastada expressão “Paz nos Estádios” tem que ser riscada dos manuais, porque não significa mais nada. Campanhas que mostrem torcedores adversários compartilhando a alegria de acompanhar seus clubes e comparecer às arenas, sabendo ganhar e aprendendo a perder, podem ser elaboradas e divulgadas das mais diferentes e criativas maneiras e nas mais diversas mídias, do rádio e TV ao chamado “marketing viral”. Os patrocinadores em potencial desses esforços? Federações, clubes, corporações e até mesmo a televisão, que deveria apostar mais na valorização de um produto tão caro. 

Na medida em que se invista para melhorar as arenas, oferecer melhores e mais amplos serviços aos torcedores/clientes e levar aos jogos um público adicional com maior poder de consumo – e portanto capaz de prover maiores receitas para os clubes – o trabalho de comunicação tendo como objetivo o comportamento civilizado nos estádios será cada vez mais importante e, espera-se, profissional.


Responses

  1. vcs precisa falar da uniao de 3 milhoes de internautas pela paz nos estadios http://www.torcedorbrasileiro.com/corinthianos http://www.torcedorbrasileiro.com/saopaulinos

  2. a violencia chegou nos estadios de vfutebol


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