Publicado por: Amir Somoggi | 27/janeiro/2008

Transferências a granel

Segundo dados de 2007 da CBF, 1.085 jogadores de futebol foram transferidos para o exterior, uma evolução de 27% em relação a 2006. Nos últimos seis anos, o futebol brasileiro transferiu um montante de 5.120 jogadores de futebol para os mais variados países.

Trabalho na Casual Auditores Independentes como especialista em futebol negócio e fazemos um estudo anual sobre as finanças dos clubes de futebol no Brasil, com informações extraídas das demonstrações contábeis dos clubes. Segundo dados publicados pelos maiores clubes de futebol em receitas no Brasil (21 clubes em 2006), de 2003 a 2006 foram gerados US$ 400 milhões (R$ 978 milhões) com recursos oriundos das transferências de atletas, que representaram em média 28 % do total gerado pelos clubes no período.

O Banco Central (Bacen) publica anualmente dados sobre os recursos gerados com a “exportação de jogadores”. Segundo o Bacen, de 2003 a 2006 US$ 464 milhões ingressaram no país com a transferências de atletas, alguns craques e muito “pé-de-obra barato”, fazendo com que nesse período o valor médio de cada transação fosse de apenas US$ 138 mil por atleta.

Percebe-se que há uma grande concentração de recursos com os grandes clubes, que em alguns anos chegou a representar mais de 90% do valor gerado para o país. Além disso, há transferências que não envolveram valores financeiros e outras com um valor abaixo do valor médio por transferência de cada ano.

Valor médio por transferência (2002-2006)

 Valores médios de transferência

As receitas geradas com jogadores pelos clubes brasileiros nos últimos anos foram em geral destinadas para o investimento na formação de mais atletas e desempenho da equipe principal, através da ampliação da folha salarial e, em alguns casos, com a aplicação de recursos em infra-estrutura de treinamento e preparação de equipes.

Essa realidade transformou o modelo de negócio praticado pelos grandes clubes brasileiros em um círculo vicioso para nosso mercado, já que nosso futebol, com essa venda a granel de jogadores, não tem atraído nenhum valor agregado para o mercado doméstico de consumo de futebol.

Mesmo nesse ambiente as receitas de marketing dos clubes obtiveram um crescimento percentual 2,5 vezes maior que as receitas com atletas entre 2003-2006. Além disso, alguns clubes têm realizado parcerias com empresários, que se tornam seus sócios com um percentual sobre a transação com equipes do exterior, fazendo com que o clube acabe deduzindo parte do valor recebido.

No próximo post, vou aprofundar a análise sobre os recursos gerados pelos grandes clubes com a transferência de seus atletas e mostrar como a presença de ídolos no futebol brasileiro é absolutamente possível e indispensável para a criação de uma rentável Indústria do Futebol no Brasil.


Responses

  1. Olá Amir,

    Pela média anual de transferência de jogadores, dá para ver que tem muito “pé-de-obra barato” que puxam a média para baixo.

    Tenho uma preocupação: e quando essa fonte de talentos secar? Os clubes contam com os talentos que a cada ano que passa saem mais cedo e ainda “verdes” e despreparados tecnicamente e creio que até os talentos natos devem ser trabalhados, ninguem nasce pronto, precisa de um acompanhamento técnico e psicologico e vejo isto cada vez menos sendo aplicado.

    Estou curioso para ver sua teoria que ainda é possível contar com a presença de craques no nosso futebol.

    Um abraço e parabéns,

    Sérgio Mattos

    Olá Sérgio,

    Você está certo quanto a questão de termos no futuro uma redução do número de jovens craques surgindo no futebol brasileiro. Os nossos clubes e os empresários dos jogadores estão fomentando uma saída prematura de atletas em formação sem nenhum critério, por uma total falta de visão estratégica do que representa o ídolo para o negócio de todos os envolvidos com futebol em um país.

    No meu próximo post vou mostrar como o mercado brasileiro deve potencializar seus negócios em torno dos ídolos, sem que para isso deva ser criada alguma nova Lei em Brasília.

    Um abraço.

    Amir

  2. Também estou esperando esse post.

    :o)

    Por princípio, sou contra qualquer restrição ao livre trânsito de pessoas em busca de melhores oportunidades de vida. Você já disse que será possível manter ídolos por aqui sem apelar para o poder do Estado. Tomara que sim.

    Mas…

    A manutenção de um ídolo implica num pagamento diferenciado para ele. É assim, por exemplo, no São Paulo de Rogério Ceni.
    Esse mesmo SP, todavia, não aceitou, não engoliu, o possível ídolo Ricardinho, que parte do elenco chamava de “trezentinho”.
    São muitos os exemplos de equipes que se deram mal ao privilegiar o ídolo em detrimento da base.

    Logo, e talvez açodadamente, quer-me parecer que o ideal seja ter o ídolo ganhando de acordo com o que representa e vale, e ter os demais também ganhando em patamares diferenciados.

    Será isso possível?

    Para tanto, temos que competir com os euros salários essa competição, mantidas as condiçõe normais de pressão e temperatura, será muito difícil para a totalidade de um elenco.

    Olá Emerson.

    Também sou contrário a qualquer proibição de livre trânsito dos trabalhadores, mesmo sendo eles jogadores de futebol.

    Segundo dados do SPFC o Rogério Ceni foi responsável por praticamente metade das camisas vendidas pelo clube em 2006, será que isso não vale o salário + imagem que ele recebe?Isso deveria ser padrão de análise para todos os clubes brasileiros.

    Aproveito para citar o caso do Felipe, goleiro do Corinthians, que se tornou um ídolo da torcida da noite para o dia, fazendo com que se esgotasse o estoque de camisas nas lojas e quase foi colocado para fora do clube pela atual diretoria.

    No meu próximo post, que publicarei amanhã, vou mostrar onde estão os recursos para os clubes manterem suas estrelas.

    Com relação a sua colocação sobre os euros, vale lembrar que muitas vezes os jogadores vão para mercados pouquíssimo desenvolvidos, na Ásia e na própria Europa, para ganhar salários de US$ 120 mil/mês, menores do que, por exemplo, o Ricardinho ou o Luizão chegaram a ganhar aqui no Brasil.

    Vejo que no Brasil não há na verdade muita prioridade no investimento dos clubes, como o Santos que gastou milhões com o Luxemburgo e Zé Roberto, sem nenhum retorno financeiro efetivo, focando somente no retorno esportivo.

    Um abraço.

    Amir

  3. Caro Amir,

    Como posso ter acesso a esses dados de valores de transferência de jogadores. Estão à disposição do público? São publicados aonde no site do Banco Central? Você possui uma tabela com esses dados para análise?
    Agradeço sua atenção e aguardo retorno.

    Obrigado.

    Marcos

    Olá Marcos,

    O BC publica a cada ano os dados e confronto essas informações com dos dados dos clubes brasileiros no estudo que realizo na Casual Auditores Independentes.

    Em breve publicaremos as informações referentes ao exercício de 2007.

    Um abraço.

    Amir

  4. como posso saber dos dados das transferencia de jogadores no brasil e nos principais clubes da europa.

    Olá Euclides,

    Em breve publicarei o estudo anual que faço na Casual Auditores sobre os dados das finanças dos clubes brasileiros em 2007 e apresentaremos os valores gerados com transferências dos atletas.

    Um abraço.

    Amir

  5. Olá,

    Poderia passar o link da área do Banco Central que contém os dados sobre os valores de exportação dos jogadores? Como chama esse relatório anual que tem essas informações?

    Obrigado,
    Carlos

  6. OLÁ AMIR,GOSTARÍA DE SABER QUAL PERCENTUAL QUE O JOGADOR GANHA ATUALMENTE DEPOIS DA LEI PELÉ,QDO HÁ UMA TRANSFERENCIA.

  7. olá gostaria de saber qual são os valores de tranferencias de jogadores dentro do brasil.

  8. há esqueci dentro de cada estado,obrighado !!!


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