Publicado por: Marcos Silveira | 25/janeiro/2008

Mudando o ditado

Na última segunda-feira (21/01) o Botafogo anunciou uma parceria com a EBN & Associados para terceirizar a comercialização de ingressos para os jogos, shows e outros eventos no estádio João Havelange. Conforme eu escrevi na terça-feira (22/01), o assunto merece um post exclusivo.

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A EBN (Empresa Brasileira de Negócios) é responsável pela venda de ingressos dos desfiles de Carnaval do Rio de Janeiro desde 2004. Agora vai cuidar do “carnê” do Botafogo.

O acordo, válido por 5 anos, já pode ser conferido pelo torcedor. Um pacote de bilhetes para 10 jogos (contra times pequenos) do Campeonato Carioca está disponível em duas faixas de preço: R$ 105,00 para os setores Norte e Sul do estádio (atrás dos gols) e R$ 205,00 para os setores Leste e Oeste. Os valores representam 50% de desconto.

Como a primeira das 10 partidas já é neste domingo (contra o Americano), a venda desse pacote, que começou ontem (24/01), vai até amanhã e apenas pelo “Disk-Botafogo” (21 2122.8020), serviço que eu testei hoje.

Nesta primeira fase da parceria a EBN está apenas cadastrando os dados dos torcedores, que devem retirar os ingressos na sede do clube, em General Severiano, ou no próprio estádio. O pagamento, feito no ato da retirada, pode ser com cartão de crédito ou parcelado em duas vezes sem juros (dinheiro mais cheque).

O novo modelo de venda de ingressos traz vantagens ao clube e ao torcedor. Para o Botafogo vai permitir uma salutar antecipação de receitas e para o botafoguense, além do desconto de 50%, a comodidade de não precisar enfrentar fila a cada rodada.

O ponto negativo, na minha opinião, é que os ingressos continuam sem lugar marcado. Acredito que não seria tão complicado numerar os bilhetes, ainda mais num estádio novinho em folha como o Engenhão. Seria um salto de qualidade no tratamento do torcedor (que poderia chegar em cima da hora ou até com o jogo em andamento) e um primeiro passo para se adaptar a um cenário de arenas modernas e organizadas, já pensando na Copa de 2014.

Assim que possível vou trazer mais informações sobre a parceria Botafogo-EBN. Mas quero registrar desde já meus parabéns ao clube da Estrela Solitária pela excelente iniciativa. O torcedor merece ter mais facilidades para freqüentar os estádios e o futebol brasileiro precisa acabar com o preconceito contra o carnê.

Se o novo sistema for bem sucedido, aquele ditado “tem coisas que só acontecem com o Botafogo” pode até ganhar uma nova conotação, dessa vez positiva…

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Responses

  1. Maravilhosa essa parceria do Botafogo.
    Os clubes precisam ter planejamento. Essa venda de carnês é exatamente isso, o clube já terá uma idéia de quanto terá em caixa, quanto pode investir e quanto precisará “correr atrás” para sanear as suas necessidades financeiras.
    O futebol neste país, como quase tudo por aqui, ainda está no nível do amadorismo. Possuímos talentos de jogadores profissionais, e organização de amadores.

    Obrigado pelo comentário, Zeca!
    Espero que outros clubes façam, cada um ao seu modo, estratégias de carnê para beneficiar os torcedores e antecipar receitas.
    Abs, Marcos

  2. Excelente iniciativa, deve ser coisa do Bebeto.
    Tomara que dê certo.

    Quanto aos lugares marcados…

    hehehehe…

    Para isso, o segundo passo é fazer um convênio com a PM, para ter um policial em cada fileira. Creio ser essa a única maneira de convencer os torcedores que as marcações de assentos devem ser respeitadas. Já presenciei cenas divertidíssimas – é a melhor maneira de chamá-las – de gente tentando sentar em seus lugares num Morumbi lotado. Num certo momento, todo mundo começa a xingar os donos de direito dos lugares contra os donos de fato. Sim, pois a lenga-lenga se arrasta, todo mundo em pé na frente, o jogo próximo de começar e nada de solução à vista.

    Ao fim e ao cabo, lá se vão os donos de direito à procura de alguma cadeira perdida, enquanto os donos de fato, cheios da razão do usucapião, permanecem em seus lugares e ainda chamam os outros, os “de direito”, de pentelhos e outras coisas.

    Em outros estádios, em outras cidades, a mesma cena se repete.
    Mas ainda tenho esperança de chegar à civilização do respeito ao lugar marcado. Afinal, conseguimos isso nos aviões, né?

    Só nos resta isso, Emerson: manter a esperança!
    Eu também já presenciei cenas desse tipo nas cativas do Morumbi.
    No último jogo da Seleção, por exemplo, um argentino veio me perguntar como ele fazia para encontrar o lugar dele, marcado no ingresso. Faltava menos de 5 minutos para a partida começar e não havia espaço nem nos corredores das cativas, que deveriam ficar livres por uma questão de segurança. E olha que estou falando do melhor estádio de São Paulo, heim!
    Obviamente que ele não conseguiu encontrar a cadeira e teve de assistir ao jogo (ou pelo menos tentar) em pé, como tantos outros. Acredito que esse tipo de experiência traumatizante afaste cada vez mais as pessoas dos estádios e por isso defendo uma mudança radical no tratamento dado aos torcedores.
    O Botafogo merece elogios pela venda antecipada, mas poderia ser o pioneiro numa mudança tão necessária se numerasse os lugares e garantisse o cumprimento dessa numeração. Seria menos difícil num estádio moderno como é o Engenhão. Infelizmente estão perdendo a chance.
    Abs, Marcos

  3. O Emerson, que escreveu o comentário anterior, está coberto de razão. Eu penso que os policiais militares não estão preocupados nem preparados para fiscalizar os lugares marcados; esse papel na verdade deveria ser desempenhado por monitores contratados e treinados pela organização do jogo, como em qualquer evento profissionalmente realizado.

    Pode-se argumentar que na estrutura de custos de nosso futebol, certamente seria de pouca viabilidade essa idéia. Mesmo assim, nos lugares mais caros de nossos estádios atuais, os organizadores deveriam insistir na obediência aos lugares marcados, contratando pessoal para orientar, monitorar e fiscalizar o público e somando ao preço do ingresso o custo adicional dos funcionários. Não se pode creditar a incompetência para organizar um evento exclusivamente à falta de educação do público…para isso serve a fiscalização: para orientar, educar e, eventualmente, punir.

    Em outro cenário em que imaginemos uma arena estruturada, com serviços adequados e de nível infinitamente superior ao que hoje conhecemos, não dá para cogitar que os policiais desempenhem outra função que não a de segurança do público.

    Oi Mauricio,
    Acredito que implantar lugares 100% numerados num estádio de futebol só seja viável em novas arenas. Por isso lamento que o Botafogo não tenha feito isso no Engenhão. No cenário atual, a melhor solução é essa mesma que você escreveu: insistir no cumprimento da numeração nos setores mais caros. Algo parecido com o que a Visa está fazendo no Palestra Italia.
    Abs, Marcos

    Olá a todos,

    Embora veja com bons olhos essa iniciativa do Botafogo, fico ainda em dúvida se o clube vai conseguir alavancar suas receitas de bilheteria, quem em 2006 foi de pouco mais de R$ 6 milhões. Embora o Bebeto seja considerado um dirigente altamente qualificado, em sua gestão as receitas do Botafogo se mantiveram muito abaixo de outros clubes grandes do Brasil.

    Quanto a questão de lugares marcados como o Maurício comentou, poderiam ser usados monitores treinados, como em muitos estádios pelo mundo, mas o clube é que tem que se interessar por essa mudança. Embora seja mais fácil tentar criar esse ambiente em uma nova arena ou área restrita no estádio, caso deseje, o clube e sua Federação podem implementar essa mudança. Sou totalmente contrário a adoção de policiais para fazer esse trabalho.

    Um abraço.

    Amir

  4. Obedecer à marcação dos assentos numerados lembra-me a campanha mista – educação + multa – para tornar respeitada a obrigatoriedade do uso de cinto de segurança.
    Monitores treinados, com certeza, e, sobretudo, a garantia de que os não respeitadores serão punidos com a perda do jogo.

    Pois é, Emerson.
    Eu apoiaria uma campanha para implantar a numeração dos assentos.
    Mas aqui no Brasil não se pune nem quem arruma confusão e invade o campo.
    Fica difícil imaginar uma multa para quem não senta no lugar marcado.
    Abs, Marcos

    Marcos, é difícil imaginar muitas coisas, não apenas no futebol como na sociedade brasileira.

    Permito-me discordar de você, e acredito que deve sim haver repressão através de algum tipo de penalização para o torcedor que não respeitar a localização dos assentos em setores pré-determinados do estádio, seja essa penalização uma multa, seja a expulsão da partida, seja um cadastramento negativo do torcedor que impeça a compra de ingressos por um período determinado. Enfim, creio que é possível, independentemente do tipo de punição, aliar o aspecto de monitoramento e educação com as penalizações.

    Abraços a todos.

    Mauricio Bardella

    Oi Mauricio,
    Quem disse que eu sou contra a repressão?
    Sou totalmente a favor! E espero que meu ceticismo quanto à implementação de fiscalização e punição aos torcedores que não respeitarem o lugar marcado seja um equívoco.
    Trata-se de uma medida urgente para atrair novos torcedores aos estádios.
    Abs, Marcos

  5. Em todas as discussões relativas à marcação de assentos aparece o balsâmico e detestável bordão “isso é cultural”, “brasileiro não respeita isso”, etc……e essa é a chave para se dizer que nada vai ser feito e nada vai mudar, lamentável, pra dizer o mínimo.
    Temos que entender, primeiro, que a marcação de assentos é LEI, e que os responsáveis por fazer valer a lei são os organizadores do evento, no caso o clube mandante. Como vivemos em uma sociedade em que não se respeitam as leis e os direitos dos demais, a aplicação da lei fica relegada a segundo plano por comodidade e para evitar o conflito. Se o direito não é respeitado, cabe acionar o clube e a autoridade presente que se omitiu. O clube deve, para evitar esses problemas, contratar e dar autoridade aos monitores para que faça valer o direito do torcedor.
    Leis à parte, um torcedor com seu lugar assegurado, pode sair para consumir mais, comprar, se distrair, aumentando o gasto médio, etc (desde que tenha aonde), quando será que os clubes vão acordar pra isso ?

    Excelentes observações, Robert!
    Infelizmente os clubes estão acomodados.
    Oferecer cadeiras numeradas para que o torcedor consuma sem se preocupar em perder o lugar seria ótimo, mas exigiria investimento na estrutura de catering e entretenimento. E parece que ninguém está muito disposto a investir…
    O pior é ver a situação em jogos decisivos, com lotação esgotada. Não há um único assento livre! Será que os estádios estão encolhendo mais do que demonstram os números oficiais?
    Abs, Marcos

  6. Meu recado é muito rápido se o Mengo não trabalhar para ganhar dinheiro irá ser um dos piores do Brasil e do mundo . Apito amigo não leva a lugar nenhum.

    Seja bem-vindo Manoel!
    O Flamengo e todos os outros clubes precisam trabalhar de forma séria e profissional para gerar novas receitas
    Do contrário terão dificuldades para se manterem competitivos dentro e fora de campo.
    Abs, Marcos


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