Publicado por: Robert Alvarez Fernández | 21/janeiro/2009

Uma provocação metafórica

Agradeço a todos os comentários, elogiosos ou críticos, e aos cumprimentos que recebi dos companheiros de blog e de nosso qualificado público após meu primeiro post.

Meu próximo texto é uma provocação que quero dividir com vocês sobre como vejo o futebol brasileiro em seu aspecto negócio, espero que gostem e que dela surjam discussões, a pergunta principal que advém da provocação remete ao próprio nome do BLOG, qual é o negócio do futebol?

Imaginemos uma companhia aérea, cujo principal negócio seja transportar pessoas de um lado para outro do país ou do planeta, pessoas compram passagens, fazem “check in” no aeroporto, despacham bagagem, marcam seus assentos, de dirigem à sala de embarque e voam, com todos os serviços associados esperados, é o que se espera de uma companhia aérea, assim como se espera que ela obtenha sustentação econômica.

Avião

Continuando no mundo imaginário, há uma companhia aérea que descobriu outras formas muito curiosas de ganhar dinheiro e que passaram a ser, com o tempo e com o avançar da tecnologia e da globalização, tão ou mais interessantes que transportar pessoas e seus pertences a outros lugares.

Uma das formas novas de ganhar dinheiro foi a de estampar publicidade em seus assentos e nos uniformes de seus funcionários; a comissária já estava lá mesmo, cheia de espaço a ser explorado em seu uniforme, por que não ? E aí se estamparam marcas de refrigerantes, eletrodomésticos, pneus, leite, eletrônicos no uniforme da galera. Passageiros mais antigos meio que torceram o nariz… transformar meu avião e meu assento em um outdoor bem como os atendentes? Lamentável, mas a ordem econômica se impôs, convivamos com ela, e hoje todo mundo faz igual, sem problemas.

A companhia aérea, ainda sem nome, sempre foi reconhecida pela excelência de seu pessoal: pilotos, comissários de bordo e pessoal de terra primavam pela sua excelência técnica; com isso, frequentemente, seu pessoal passou a ser procurado por outras companhias aéreas de outros países com ofertas de trabalho muito tentadoras. Surgiu daí outra receita, cobrar dos funcionários ou das outras companhias somas em dinheiro para liberá-las para aceitarem estas ofertas de trabalho, diferentemente de qualquer outro tipo de profissional que muda de uma empresa para outra com os encargos normais, a forma encontrada para tal foi uma espécie de contrato e o discurso que remetia aos custos de formação do profissional.

A tecnologia permitiu que surgisse outro tipo de receita ainda; como os vôos eram muito divertidos, com performances artísticas e musicais durante os vôos passou-se a transmitir pela TV, e pela internet, o que se passava pelas cabines, como tem louco pra tudo, este insólito espetáculo passou a ter enorme audiência, com anunciantes e tudo mais, uma mina de ouro, aí é que começam os problemas.

Deslumbrados e anestesiados pelas novas receitas, os administradores da companhia aérea começaram a esquecer as receitas e as obrigações de sua atividade fim a ponto de surgirem problemas impensáveis.

O processo de compra das passagens passou a ser complicado, desconfortável; como para tudo se tem um jeito, surgiram pessoas e até empresas dispostas a “facilitar” as coisas para o cliente : passagens sem fila, passagens já “esgotadas”, lugar na fila do “check in” dentre outras comodidades mediante, claro, alguma remuneração, que não era pouca.

A conservação dos aviões já não era a mesma, banheiros mal conservados, serviços de catering emprobrecidos, assentos desconfortáveis além da própria deterioração do avião, o que implica em naturais riscos.

Grupos de passageiros e de entusiastas da aviação se formaram e passaram a exigir direitos adicionais, influindo na administração da empresa; os administradores da companhia aérea, por sua vez e fragilizados politicamente por suspeitas de irregularidades, faziam concessões a estes grupos, inaceitáveis aos olhos dos demais passageiros, tornaram-se frequentes as manifestações nos balcões e salas de embarque, isso tem afugentado passageiros.

Os vôos passaram, com o tempo, a ter uma taxa de ocupação abaixo do ponto de equilíbrio, fatal para qualquer companhia aérea, no entanto, as multas, a publicidade e a televisão ajudavam a equilibrar as contas, porém, para os que ainda se dispõe a voar com ela, o serviço é um inferno.

Fato curioso, embora, meio que abandonada pelo público, a companhia aérea continua sendo do gosto das pessoas, todo mundo a adora, torce pelo seu sucesso, só não voa por ela. Vez ou outra aparece ou compra algum produto de sua famosa linha de “merchandising”, que há tempos tem outros fornecedores informais, mais baratos e de baixa qualidade, que vendem essa mercadoria até nos aeroportos em frente aos balcões da empresa, sem que ninguém faça algo.

E os aviões continuam vazios, a administração nos faz pensar que está tudo ótimo, mas não está, até o governo inventou uma tal de AeroMania, uma loteria para ajudar a aviação nacional.

A esta companhia aérea dou o nome de Futebol Brasileiro, aquela que esqueceu qual o seu negócio fundamental, do qual provém parte de seu sustento e fundamental caminho para que as demais receitas sejam possíveis e maiores, legítimas, mas que não substituem a central, afinal, avião e estádio vazios não nos dão a percepção de um negócio sustentável, qualquer coincidência é mera semelhança.

Deixo o mundo imaginário para perguntar ao leitor, tirando o aspecto paixão, esta seria uma analogia válida, interessante?

Qual seria o principal negócio do futebol em sua essência? Publicidade? Venda de atletas? Televisão? Merchandising? E o público, onde entra nesta história?

Publicado por: Amir Somoggi | 21/janeiro/2009

Qual o futuro do Chelsea?

O jornal The Sunday Times publicou uma notícia recentemente abordando o possível interesse do magnata Roman Abramovich em vender o Chelsea, clube atolado em dívidas.

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Segundo a matéria Abramovich comprou o clube londrino em 2003 por £60 milhões e naquele momento suas dívidas eram de aproximadamente £80 milhões. Desde a compra o russo conseguiu desenvolver globalmente a marca do clube e transformá-lo em uma potência em termos de marketing, fazendo do clube de Stamford Bridge um player destacado na Football Industry, já que as receitas geradas pelo clube apresentaram evolução de cerca de 112% desde a compra.

Por outro lado, no mesmo período as dívidas do Chelsea cresceram incríveis 1.100%, em função dos altos gastos na aquisição de atletas e altos salários para os jogadores. Escrevi um post sobre o assunto que pode ser lido aqui.

Para muitos o Chelsea é um brinquedo na mão do multibilionário e por isso as perdas com o clube não interfeririam em sua fortuna. Entretanto com a crise financeira global, Roman Abramovich segundo o jornal inglês, perdeu £3 bilhões, o que talvez tenha motivado o magnata a mandar pessoas de sua confiança a alguns paises árabes tentando oferecer o clube.

Segundo a matéria o custo estimado para adquirir o Chelsea seria de cerca de £800 milhões e no atual momento somente os magnatas árabes poderiam desembolsar um valor desses.

Para muitos aqui no Brasil o Chelsea estava tranqüilo, já que tinha o respaldo dos bilhões do Abramovich, mas com a crise global parece que as coisas mudaram um pouco.

Será que o torcedor está satisfeito com a possível transferência do clube para algum bilionário árabe?

E será que esse momento financeiro delicado do clube e de seu proprietário não afetará o desempenho do time nas competições?

Publicado por: João Carlos Assumpção | 20/janeiro/2009

Esporte de rico???

Amigos, no início do século passado pelo menos era assim. O futebol chegou ao Brasil como um esporte de ricos até sofrer o processo de massificação e virar o esporte da multidão.

A partir principalmente dos anos 90, quando novos modelos de gestão, tecnologia e estratégias de marketing esportivo começaram a ser usados com cada vez mais frequência, o futebol foi mudando de novo.

E é um caminho que parece sem volta. A tendência é cada vez mais o futebol ser tratado como negócio. E aí fica a pergunta que, há cerca de dez anos, um torcedor do Manchester United me fez.

Mãos ao alto? Mesmo com ingressos caros, estádio do Manchester United está sempre cheio

Mãos ao alto? Mesmo com ingressos caros, estádio do Manchester United está sempre cheio

Ele queria saber se eu achava certo o futebol ter virado um esporte de rico e o pobre ter cada vez mais dificuldade para ir ao estádio, que muitos passaram a chamar de arena. Não soube o que responder e até hoje penso nisso.

O Manchester United começou a cobrar ingressos muito caros, joga quase sempre com casa cheia, mas para um público predominantemente de classes A e B. Nos anos 70, as classes C, D e E eram maioria, atualmente ocupam uma pequena porção do estádio.

Se é justo ou não, não sei responder. O que sei é que a vida não é justa. E o clube tem o direito de tentar faturar mais. Com arenas cada vez melhores e com mais serviços, é natural que os preços subam.

Talvez possamos destinar uma parte – 10% dos bilhetes, por exemplo – para as chamadas classes populares. É uma idéia, só que não muda o fato de o futebol estar cada vez mais elitizado.

E agora quem gostaria de fazer uma pergunta sou eu. Com a elitização do futebol como ficará o esporte nos próximos anos? Como estará em 2020, por exemplo? E em 2050? Continuará tão popular? Os homens (e mulheres) voltarão a usar roupas sociais para ir a um estádio, ou melhor, a uma arena?

Prefiro não arriscar um palpite, se não corro o risco de fazer como os economistas que previram um 2008 que não aconteceu. A crise? Pegou quase todos de surpresa. Poucos perceberam a bolha nas bolsas de valores e os que perceberam, pelo jeito, não abriram a boca.

É só ver as previsões econômicas para o Brasil em 2008 e o que de fato aconteceu. As principais consultorias erraram praticamente tudo. E não foi por pouco. Com todo o respeito ao Fluminense, time que respeito demais, pareciam os jogadores do Flu na decisão de pênaltis contra a LDU.

Publicado por: Maurício Bardella | 19/janeiro/2009

1972 – Viagem no Tempo

Amigos, é com prazer que volto a escrever em nosso blog, revigorado pela presença de novos e importantes colaboradores. Espero que tenhamos sucesso em nossa tentativa de suscitar discussões e inovar nos pontos de vista, com a colaboração de nossos assíduos leitores.

Ontem, domingo, eu “zapeava” pelos canais abertos quando me deparei com imagens antológicas, para dizer o mínimo. A TV Cultura de São Paulo passava em seu programa “Grandes Momentos do Esporte”, na íntegra, o videotape de Brasil e Portugal, final da Taça Independência de 1972!
Foi impossível desgrudar meus olhos da TV, especialmente porque, ainda muito criança, assisti a essa partida e vibrei com a vitória brasileira. Trinta e sete anos depois tive a chance de, pela primeira vez, rever esse jogo e quero dividir com vocês algumas das coisas que despertaram minha atenção.
 
Mas antes uma pequena retrospectiva: a Taça Independência de 1972 foi disputada no Brasil, em comemoração aos 150 anos da independência, e na época foi chamada de Minicopa. Participaram do torneio, além do anfitrião, as seleções da União Soviética, Uruguai, Escócia, Tchecoslováquia, Irã, Argentina, França, Chile, Portugal, Paraguai, República da Irlanda, Colômbia, Peru, Bolívia, Equador, Venezuela, Iugoslávia, Seleção da CONCACAF e Seleção da Confederação Africana de Futebol.

Taça Independência de 1972

Taça Independência de 1972

 

 

A final foi disputada em 9 de julho de 1972, no Maracanã, e o Brasil venceu com um sofrido gol aos 44 minutos do segundo tempo, marcado por Jairzinho, após um centro de Rivelino. Curiosa ironia que a final do torneio em comemoração ao 150º aniversário da independência tivesse exatamente o confronto entre Brasil e Portugal, antigas colônia e metrópole…

 

Dois países que em 1972 viviam dias sombrios, governados por implacáveis ditaduras. Não é novidade que o governo militar brasileiro se apropriava da Seleção e de suas vitórias, dentro do esforço de legitimação de sua existência; também vale lembrar que aqueles eram os anos do “milagre econômico”, em que o país alcançava grandes taxas de crescimento, e que a manipulação da opinião pública, ajudada pelo futebol e pelos índices positivos, era ainda mais facilitada pela implacável censura. A classe média vivia dias felizes enquanto o governo cassava direitos políticos, mantinha presos clandestinamente e desaparecia com seus opositores; no futebol, acreditávamos ser uma potência imbatível após a conquista do tricampeonato e mal sabíamos que passaríamos vinte e quatro anos sem um título mundial, que nossos clubes entrariam em um processo crônico de endividamento (do qual não se livraram até hoje) e que a conta do milagre econômico seria paga nas décadas seguintes, com recessão, desemprego e hiperinflação…

 

Aqui faço uma observação: para mim a Seleção sempre foi um produto, que no entanto servia em outros tempos a interesses tão ou mais perversos, tais como a manipulação ideológica da opinião pública.

Dentro das quatro linhas, vi um time com jogadores espetaculares, ainda que não contasse mais com Pelé: Leão, Zé Maria, Brito, Vantuir e Marco Antônio (Rodrigues Neto); Clodoaldo, Gérson (despedindo-se da Seleção) e Tostão; Jairzinho, Leivinha (Dario Maravilha) e Rivelino.

 

Um time fantástico que deve ter realizado uma partida exuberante, certo? Errado… Na verdade o jogo foi modorrento, como muitos dos jogos da época, e digo isso para desmistificar a imagem que trazemos na memória ou que apreendemos ao ler textos antigos e ouvir jornalistas da época: o futebol dos anos 70 havia se tornado muito chato! Percebo isso sempre que assisto a um videotape da época; o que mais me chamou a atenção foi a gritante diferença do preparo físico dos jogadores em comparação aos jogadores de hoje, o que fazia com que houvesse mais espaço, ao mesmo em que o jogo se tornava muito mais lento.

Claro que a categoria dos craques era assombrosa, mas a condição física e os esquemas táticos faziam do jogo um desfilar da bola pelas intermediárias, com poucos lances agudos de gol e com a predominância de chuveirinhos e dribles sem produtividade. Agora, reconheço que quando um craque tinha a chance de dar um drible e fazer um golaço, o futebol valia a pena ser visto, assim como tenho certeza que Rivelino e Tostão (para ficar apenas nesses exemplos) seriam grandes craques hoje também, a despeito dos espaços raros em campo. Por outro lado a violência era muito maior e as entradas desleais eram toleradas pelos árbitros. Ser craque naquela época não era tão fácil como pode parecer…

Outro aspecto muito interessante foi ouvir a narração da partida. Como era comum na época, as emissoras de TV compartilhavam entre si as transmissões e seus times de locutores e comentaristas ocupavam-se de uma parte do jogo (as rádios faziam o mesmo). Assim, essa transmissão foi dividida em períodos e nos primeiros trinta minutos a dupla Walter Abrahão (com seu impagável e inesquecível placar “ocho”, ou seja, 0×0…) e Rui Viotti assumiu o microfone, sendo substituída por Raul Tabajara e Luiz Mendes. Os trinta minutos finais couberam a Geraldo José de Almeida e João Saldanha! Quem é jovem e não conhece precisa ouvir essa dupla, que dava aulas de transmissão esportiva, com os bordões de Almeida e a sinceridade agressiva de Saldanha. Um show!As imagens em preto e branco traziam uma inovação tecnológica: uma cãmera mostrava detalhes ao nível do gramado, mas sem “replays” e closes dos jogadores. Curiosamente, a câmera que tentou captar a vibração do presidente-general Médici nas tribunas, após o dramático gol do Brasil, conseguiu mostrar apenas uma imagem escurecida e nebulosa em razão da má iluminação e das limitações técnicas de então, conferindo à imagem, de uma forma não intencional, o caráter sombrio daquele evento criado e explorado pelos ditadores.

Às margens do campo nenhuma, absolutamente nenhuma placa de publicidade. Essas só podiam ser vistas nas arquibancadas, fora do foco das câmeras. Tampouco havia patrocínios na Seleção (e nem nos clubes), e a receita tinha que vir mesmo da bilheteria. Por sinal, 99.100 pessoas assistiram àquela decisão no Maracanã. O fornecedor de material esportivo da então CBD, uma empresa paulista chamada ATHLETA, mal estampava seu logotipo nas camisas de treino.

Nas arquibancadas, pude ver em um rápido “take” mostrando uma faixa da Torcida Uniformizada do Palmeiras ao lado de outra faixa, esta pertencente à torcida do Corinthians… saudosos tempos em que a rivalidade não explodia em conflitos de gangues.

Enfim, para mim foi muito bom assistir a esse jogo, após tanto tempo. Sempre acho interessante reviver o passado não apenas pelo apelo nostálgico, mas como uma fonte de comparação e aprendizado. O mundo era diferente em 1972, e o futebol, como não poderia deixar de ser, também o era.

Publicado por: Marcos Silveira | 18/janeiro/2009

Polêmica no patrocínio do Corinthians

Ontem o Corinthians goleou o Estudiantes-ARG num amistoso que serviu para apresentar o novo elenco à torcida.

Com a transmissão do jogo pela Globo, os jogadores entraram em campo com uma camisa provisória, já que o novo patrocinador do clube para a temporada 2009 ainda não foi definido.

Ford, Vivo e Locaweb aproveitaram a transmissão do amistoso pela TV para expor suas marcas

Ford, Vivo e Locaweb aproveitaram a transmissão do amistoso pela TV para expor suas marcas

Sem dúvida o Corinthians soube aproveitar a oportunidade para faturar um trocado enquanto não fecha um contrato definitivo de patrocínio.

Ainda sem condições de jogo, Ronaldo curtiu uma de comentarista e acompanhou o amistoso na cabine da Globo no Pacaembu. Mas o detalhe surpreendente foi a camisa usada pelo Fenômeno, com a logomarca da Medial (confira aqui), que apareceu várias vezes na telinha. Com contrato encerrado em 20/12/08, a ex-patrocinadora celebra quase um mês de exposição gratuita e alavancada pela presença de um astro mundial.

Por falar nisso, nesta semana em que o F&N comemorou um ano e reativou as atividades, a leitora Yule fez um comentário/pergunta muito pertinente para dois dos nossos integrantes. Vale a pena destacar aqui:

“Sou corinthiana e, de repente, deparei-me com uma dúvida gigantesca. Muitas são as pessoas que passaram a criticar o Corinthians por sustentar o logo da Medial, mesmo após o término do contrato.

Muitos falam em “amadorismo” e não-valorização da marca Corinthians. Eu entendo os argumentos, mas não concordo. Apesar de pouco saber sobre marketing, vou fazer umas considerações.

Muito comentam acerca da atitude do SPFC de tirar o logo do patrocinador no dia posterior ao término do contrato, o que, para muito, passa uma idéia de profissionalismo e boa administração.

Não acho que o Corinthians perca algo com a exposição gratuita da Medial, pelo contrário, é a demonstração de um ótimo relacionamento com o patrocinador, e uma parceria que foi saudável e benéfica para ambos os lados.

Além do mais, tirar o patrocinador às pressas é atitude agressiva, e de quem precisa fazer pressão por valores maiores. Não é o caso do Corinthians.

Por fim, acredito que, pelos altos valores que vêm sendo ventilados, o virtual prejuízo que teríamos nesses 15 dias de “não contrato” serão totalmente cobertos pelo novo patrocinador. Lembro, ainda, que é possível que a Medial continue algum tipo de parceria com o Corinthians.

Gostaria de saber a sua opinião. Você acha que manter o antigo patrocínio é desvalorização da marca Corinthians e sinônimo de amadorismo?”

Quem respondeu primeiro foi o Amir:

“Sua pergunta é excelente e creio que não há uma resposta do que é certo ou errado.

O SPFC acredita que com esse posicionamento valoriza sua cota de patrocínio, mas por outro lado tem uma relação menos harmoniosa com seu parceiro.

Já o Corinthians optou por “bonificar”seu parceiro e permitiu que a marca aproveitasse dos benefício de uma cota que custa R$ 1,3 milhão/mês. Mas com essa atitude apresenta uma relação mais harmoniosa com seu parceiro que pode manter algum investimento no clube.

Eu pessoalmente defendo um híbrido das duas abordagens, já que é possível ter uma relação harmoniosa entre as partes, sem deixar de lado o valor da cota de patrocínio do clube.”

Depois foi a vez do Robert, um dos novos integrantes do F&N:

“…forjado pelo meu dia-a-dia profissional, acredito que contratos devam ser cumpridos à risca pois refletem uma negociação entre partes que chegaram a um acordo de benefício mútuo; desta forma, em primeira análise, não creio que o Corinthians devesse ostentar a marca de seu patrocinador após 31 de Dezembro; não dá tanta noção de “bagunça”, mas se está dando a alguém espaço gratuito, sobretudo com a mídia dada ao clube com a contratação de Ronaldo.

Penso que se o atual patrocinador deseja continuar com a manga, por exemplo, tal contrato já deveria ser estabelecido e lhe ser dado o espaço correspondente ao novo contrato enquanto o clube procura um outro patrocinador majoritário.”

A questão levantada pela Yule é polêmica e por isso achei válido destacar neste post e estender a todos os leitores: o que você acha do “case Corinthians-Medial”?

Como admirador do bom futebol, espero que o “Medial” estampado no peito do Fenômeno não seja um sinal de que ele vai passar mais tempo no departamento médico do que em campo…

Publicado por: lfsantoro | 17/janeiro/2009

Kaká: São Paulo receberá uma bolada

Muito se tem falado ultimamente acerca da (cada vez mais provável) transferência de Kaká do Milan ao Manchester City, por cifras astronômicas e inimagináveis.

Se a montagem (Globoesporte.com) virar realidade, SPFC deve ficar com 4%

Se a montagem (Globoesporte.com) virar realidade, SPFC deve ficar com 4%

Um percentual deste valor será repassado ao São Paulo, clube formador do atleta, em razão do chamado “mecanismo de solidariedade”, um sistema criado pela FIFA para beneficiar os clubes formadores sempre que ocorre uma transferência internacional, destinando 5% do valor do negócio aos clubes que participaram da formação do atleta dos 12 aos 23 anos de idade.

No entanto, algumas notícias estão saindo desencontradas na imprensa. Alguns veículos de comunicação afirmam categoricamente que o São Paulo terá direito a 5% do valor total da transferência, por ter sido o único clube responsável pela formação de Kaká.

Mas não é bem assim.

Segundo se noticia, desde antes dos 12 anos de idade o jogador já treinava no São Paulo. Com isso, desde o início do período de formação considerado pela FIFA o São Paulo já irá lucrar com a futura transação.

Ocorre que com 21 anos Kaká se transferiu ao Milan. Considerando que o período de formação estabelecido pela FIFA vai dos 12 aos 23 anos de idade, pode-se dizer que o São Paulo terá direito não aos 5% na íntegra, mas sim a 80% dos 5% decorrentes do mecanismo de solidariedade, por ter formado o jogador dos 12 aos 21 anos. Um pequeno ajuste ainda será necessário neste percentual, pois se considera também, pro rata, o período em que Kaká jogou no São Paulo (dias e meses) no próprio ano de sua transferência.

Assim, a grosso modo, na qualidade de clube formador, o São Paulo deverá receber cerca de 4% do valor total da transferência de Kaká ao Manchester City. Sem dúvida nenhuma uma fortuna!

Falando em mecanismo de solidariedade, o Projeto de Lei nº 5.186, que altera a Lei Pelé em alguns aspectos, em vias de apreciação pela Câmara dos Deputados, institui em nosso país o mesmo percentual de 5% a ser pago aos clubes formadores também nas transferências nacionais. Será um avanço e um incentivo à formação de atletas no Brasil.

Publicado por: João Carlos Assumpção | 16/janeiro/2009

Brasil X Portugal

É com imenso prazer que eu recebi o convite do amigo Marcos Silveira para colaborar com o blog, que tende cada vez mais a se transformar num fórum de discussões para os interessados na economia do esporte mais globalizado que existe.Quando trabalhava na Folha de S.Paulo, fui o primeiro responsável, ao lado do jornalista Marcelo Damato, pelo Painel FC, cuja idéia era contar os bastidores do mundo da bola e se tornou, com o tempo, uma das colunas esportivas mais lidas do país.

E, com o passar dos anos, o assunto foi ficando cada vez mais interessante, daí a importância de abordarmos e discutirmos o “negócio futebol”.

Lendo ontem post do João Frigerio, que reclama de no Brasil ninguém respeitar lugar marcado em estádio, lembrei da primeira Copa do Mundo que presenciei in loco.

Foi em 1986, no México. Não, não sou tão velho assim, não estava trabalhando, cobri, a trabalho, os Mundiais de 1994 a 2006, quatro consecutivos, em 86 era um “mero” torcedor, um garoto deslumbrado com sua primeira Copa.

Houve um jogo, Portugal x Marrocos, se não estou equivocado, em que uma turma de brasileiros chegou cedo ao estádio, sentou-se aonde queria até que, faltando 5 minutos para o início do jogo, um grupo de portugueses apareceu.

Tinham lugares marcados bem onde estavam os brasileiros, que se recusaram a deixar o local. Moral da história: a discussão terminou em pancadaria. Os brasileiros ganharam a briga, mas perderam o lugar, já que a polícia interveio e quem tinha razão era a torcida portuguesa. Lugar marcado é lugar marcado, pô!!!

Só que, por causa de toda a confusão, os brasileiros decidiram se vingar e começaram a torcer para Marrocos, que venceu o jogo.

Após eliminar Portugal na fase de grupos, Marrocos perdeu pra Alemanha nas Oitavas

Após vencer Portugal, Marrocos perdeu pra Alemanha nas Oitavas (Fifa.com)

Caçoaram tanto dos portugueses na saída do estádio que acabaram se envolvendo em nova pancadaria. Moral da história 2: aí sim uma turma acabou sendo detida e teve de passar a note na delegacia.

Moral da história 3: como eu, meu irmão e um amigo ficamos no lugar que de fato era nosso, acompanhamos tudo à distância, pudemos ver o jogo em paz e saímos ilesos do estádio em Guadalajara.

A pergunta que faço desde então: não se trata de uma questão cultural? Brasileiro acha que quem chega primeiro ao estádio pode sentar onde quiser. Europeu e norte-americano pensam de outra forma. Para eles, lugar marcado é lugar marcado. É claro que o sistema deles é o correto, mas será que não estamos começando a evoluir nessa questão?

Publicado por: Robert Alvarez Fernández | 16/janeiro/2009

O que é marketing, afinal? É tudo isso que dizem?

Caros amigos do Futebol & Negócio, sou um dos novos integrantes da equipe F&N, equipe da qual participo com alegria e orgulho pois é formada pelos já amigos que fiz neste percurso da pesquisa acadêmica na indústria do esporte, pelos novos amigos que farei na equipe e do contato com os leitores, é um privilégio ter a atenção de vocês todos.

Rapidamente me apresento, sou Robert Alvarez Fernández, professor da cadeira de marketing aplicado ao esporte da ESPM, recém defendi teste sobre marketing aplicado ao futebol na PUC-SP com sucesso; o pessoal do blog, alguns tendo sido meus alunos, me ajudaram muito abrindo portas, concedendo entrevistas, abrindo portas para que eu pudesse entrevistar outras pessoas importantes, enfim. Outros companheiros me deram os não menos importantes apoio e inspiração. Minha vida esportiva sempre esteve mais ligada ao automobilismo, que é minha origem esportiva, mas encontro no futebol um interesse também brutal.

Sempre participei ativamente da iniciativa dos agora companheiros de blog, agora eu também escrevo meus posts, espero humildemente contribuir e ler de vocês vossas opiniões, assim crescemos todos.

A primeira questão que trago é uma questão pragmática e conceitual, o que é marketing afinal? Muito se fala e escreve a respeito, “isso é só marketing” é a frase usada quando alguém conta pra alguém que faz e acontece; “isso é puro marketing”, quando se propagandeia um grande feito, contratação, se especula algo, definitivamente não é só isso, desta forma trago algumas definições para que nosso leitor, qualificado que é, reflita e comece a filtrar o que se escuta por aí.

Na sua forma mais básica, o marketing trata de identificar as necessidades do consumidor e desenvolver produtos que os satisfaçam, ainda mais, o marketing é a função dentro da atividade de uma empresa que identifica as necessidades e desejos do consumidor, determina que mercados-alvo a organização pode atender melhor, planeja produtos, serviços e programas adequados para satisfazer estes mercados, e convoca todos os que participam da organização a pensar e servir aos consumidores. Ou seja, marketing não é apenas lançar camisetas comemorativas, não é só comunicar, não é só vender, certo? Continuemos abaixo.

Marketing é o processo social e gerencial, através do qual indivíduos e grupos obtêm aquilo de que necessitam e desejam por meio da criação e troca de produtos e valores. No entanto, muitas pessoas vêem o marketing de modo restrito, apenas como a arte de encontrar formas inteligentes de dispor dos produtos de uma empresa. Elas vêem o marketing apenas como propaganda ou venda de produtos. Mas o verdadeiro marketing envolve menos a arte de vender o que se faz, do que a arte de saber o quê fazer.

Uma organização consegue conquistar a liderança de um mercado quando compreende as necessidades do consumidor e encontra soluções que satisfaçam estas necessidades por meio da inovação e da qualidade dos produtos, serviços e atendimento prestados ao consumidor.

Como se pode ver, o marketing é um fenômeno que pode ser abordado de muitas formas. Frequentemente é considerado apenas um conjunto de ferramentas e técnicas; sendo assim, o marketing permanece, indesejadamente, responsabilidade apenas de um grupo de especialistas que estejam familiarizados com tais ferramentas, eximindo o restante da organização da responsabilidade pelo interesse nos clientes e nos seus desejos e anseios.

Grönroos (1995:46), citando Drucker, afirma que, marketing e Inovação são as únicas funções básicas em business. Marketing e Inovação produzem resultados, todo o resto são custos.

A essência do marketing é desenvolver trocas em que empresas e clientes participem voluntariamente de transações que tragam benefícios para ambos.

Portanto, marketing é: Um estado de espírito, ou uma filosofia, que orienta o pensamento geral da organização, tanto no processo de tomada de decisão quanto na execução dos planos acordados; Uma maneira de organizar as várias funções ou atividades da empresa; e Um conjunto de ferramentas, técnicas e atividades a que os clientes e o público da organização em geral estão expostos.

Grönroos (1995:25), propõe ainda uma nova definição para o marketing, em linha com a abordagem relacional: Marketing é estabelecer, manter e desenvolver relacionamentos de longo prazo com os consumidores e outros parceiros, com lucratividade, a fim de que os objetivos das partes sejam atendidos. Isto é alcançado por meio de trocas mútuas e do cumprimento das promessas estabelecidas. Os recursos da empresa vendedora – pessoal, tecnologia e sistemas – têm que ser utilizados, de forma que a confiança do cliente nos recursos envolvidas, e portanto da própria organização, seja mantida e reforçada.

A AMA (American Marketing Association) define marketing, em sua versão mais atual como sendo “a atividade, conjunto de instituições e processos para criar, comunicar, entregar e estudar as relações de troca de ofertas que geram valor aos clientes, parceiros e a sociedade como um todo”, uma versão anterior, datada de 2005, citava o relacionamento com o mercado, parceiros e sociedade como uma das missões do marketing; no ramo do esporte, em que o esporte em si possibilita o exercício do relacionamento por seu meio, tal definição parece mais aderente.

Shilbury (2003) relata que, no esporte, parte-se da premissa que o formato original do jogo já seja atrativo suficiente para o público satisfazendo as necessidades do consumidor. O esporte está repleto de exemplos em que regras foram mudadas para tornar o espetáculo mais dinâmico, mais emocionante e, portanto, mais atrativo para o público. Exemplos nos demais esportes não faltam: o voleibol criou o “tie break” em seu quinto set quando as duas equipes participantes empatam em dois sets por uma série de fatores tais como: tornar o quinto set mais imponderável e, consequentemente, o resultado da partida; economia nos custos de transmissão, pois se reduz o tempo do quinto set. O automobilismo internacional, mais especificamente a Fórmula Um, vem alterando o formato das tomadas de tempo de definição das posições de largada visando gerar interesse, por exemplo, em um espaço de dez anos, já tivemos três formatos distintos de tomada de tempo para atrair a atenção do público, para o ano de 2008, repetir-se-á a fórmula de 2007 com uma pequena variante. A fórmula de 2007 cria, no treino de formação de “grid” uma espécie de “torneio” aonde os vinte e dois carros vão para a pista, eliminam-se os seis piores na “primeira fase” e assim por diante até sobrarem dez competidores que lutam pelas melhores posições de largada; a variante para 2008 elimina cinco minutos do treino final para evitar o que aconteceu em 2007 onde os pilotos permaneciam na pista por vários minutos rodando apenas para gastar combustível para chegar ao peso ótimo; preocupada com a monotonia percebida pelo público, vai-se para mais uma tentativa.

O que é oferecido em troca de uma associação a um clube, academia ou de um ingresso para um evento esportivo pode incluir a interação social, atividade física, um caminho para adentrar o mundo das competições, a busca pelo melhor condicionamento físico e, por fim, entretenimento.

É importante ressaltar bem as diferenças entre Marketing do Esporte e Marketing Esportivo, são duas abordagens distintas que requerem devida conceituação.

O Marketing do Esporte é entendido como uma variante do Marketing Promocional como sendo atividades associadas ao conceito de Mullin et al. (2004), que resumidamente seria a Promoção do Produto ESPORTE ou o entender e administrar as características do produto esporte, de seu público e ambiente para configurar atividades empresariais para que as relações de troca entre organização esportiva e seu público sejam mutuamente satisfatórias.

O Marketing Esportivo é o conjunto de atividades, segundo o mesmo autor, um meio de promoção de uma marca e produto, não necessariamente ligados ao esporte por meio das modalidades esportivas, ou seja, isso é o que os patricinadores publicitários ou técnicos fazem, por exemplo.

Nos ambientes de marketing, acima descritos, faz-se necessário o desenvolvimento de um marketing mix de forma a influenciar os consumidores a adquirirem estes produtos, sejam produtos físicos ou o comparecimento a um evento esportivo ou mesmo a prática desportiva.

Shilbury (2003) define as sete estratégias componentes do marketing mix, naturalmente composto dos “quatro Ps” tradicionais acrescidos dos “três Ps” dos serviços, a saber, pessoas, processos e evidências físicas, ou apresentação. O gerenciamento constante destes componentes é que é a atividade do profissional de marketing, basicamente, em prestar um bom serviço ao consumidor do esporte, e creio que esta seja o grande hiato que vemos hoje, ninguém se preocupa em conhecer o consumidor e saber se ele é bem atendido no estádio ou se tem condições de consumir um produto que custe um terço do salário mínimo brasileiro.

Definido marketing, o leitor considera que seu clube ou o futebol brasileiro realmente fazem um trabalho de marketing eficiente?

Publicado por: João Frigerio | 15/janeiro/2009

Ano novo, problema velho

Olá amigos do F&N!

É uma grande alegria poder colaborar com esse site que tem sido, nesse último ano, importante fonte de informação sobre o business do futebol brasileiro, especialmente para quem mora no exterior.

Só para dar um background, estou na Europa há quase 5 anos estudando e trabalhando com gestão esportiva. Portanto, por favor me perdoem se eu abusar de estrangeirismos (tipo ‘dar um background’) e não pensem que sou maluco ou (muito) estúpido se eu fizer comentários do tipo ‘alguém sabe me dizer por que não há estádios numerados no Brasil?’. Eu sei que os estádios são, por lei, com todos os ‘assentos’ numerados, mas se eu comprar um ingresso de arquibancada eu jamais sentarei no lugar designado no meu bilhete.

Eu sei que deve haver uma explicação muito plausível para essa pergunta, mas é que depois que você se adapta à realidade e ao conforto das partidas aqui, é difícil entender como clubes que querem ser marcas mundiais aí no Brasil deixam de fazer as coisas que parecem mais simples do mundo. Eu sei, eu sei. Eu sei que tem explicação… basta vocês me lembrarem (com educação, por favor) :-).

O tempo passa e o calendário continua atrapalhando...

O tempo passa e o calendário continua atrapalhando...

Bem, vamos ao meu primeiro tópico no F&N: Calendário!

O calendário esportivo (e no nosso caso, do futebol) é um fator muito interessante em todo o universo da gestão esportiva. Interessante, porque em teoria seria talvez a coisa mais simples de se fazer: afinal, construir estádios, contratar e treinar jogadores, negociar patrocínios etc, tudo parece muito mais complicado do que simplesmente marcar uma data para dois times se enfrentarem. Obviamente nós sabemos que a coisa, em tempos de profissionalismo e transmissões de TV, é bem mais complexa do que achar uma data livre para dois times.

Mesmo assim algumas coisas pareceriam fáceis de se resolver, o que nos leva a pensar: as pessoas que decidem as coisas não enxergam o óbvio ou somos nós que não enxergamos as razões pelas quais certas decisões são tomadas?

Exemplo: mais um ano está começando no futebol brasileiro e logo, logo, estará aí a Copa do Brasil… que mais uma vez não terá a presença dos melhores clubes do país (aqueles classificados para a Libertadores). Agora, pergunto a vocês que respiram o futebol tupiniquim diariamente: alguém pode me explicar por que as duas competições mata-mata mais importantes ocorrem simultaneamente (Libertadores e Copa do Brasil) enquanto a Sulamericana, a qual ‘ninguém dá bola’ tem lugar de destaque no segundo semestre?

É evidente que a Sulamericana é a ‘segunda divisão da Libertadores’ assim como ocorre com a Copa da Uefa (agora Europa Cup) em relação à Champions League. Então o lógico seria que essas fossem as competições simultâneas, tanto que os times que se classificam para as duas competições não são os mesmos.

Para mim, a Copa do Brasil deveria acontecer no segundo semestre, quando provavelmente times ja com poucas chances no Brasileiro estariam apostando todas as fichas no mata-mata (nas mesmas datas em que hoje jogam a Sulamericana). Ou teríamos mesmo um ou alguns clubes lutando para levantar dois troféus de expressão no segundo semestre.

Mas se parece tao óbvio (ao menos para mim), por que não o fazem? Bem isso é uma das coisas que eu gostaria de ouvir dos leitores. Já ouvi que isso é resultado de acordo entre a Nissan e a Conmebol. Já ouvi também que é lobby da AFA, que por sinal mantém (ou mantinha) lugar cativo a Boca e River na Sulamericana, independente de resultados obtidos em campeonatos. Enfim, ainda espero para saber de uma versão oficial… ou ao menos de uma versão convincente dada pelos nossos leitores, que, quem sabe, vão na verdade discordar de mim e me convencer que a distribuição dessas copas é a ideal.

Abs,
JF

Publicado por: Amir Somoggi | 14/janeiro/2009

Patrocínio como plataforma de marketing

O patrocínio quando utilizado como disciplina estratégica de marketing, já provou ser um dos mecanismos mais eficientes em todo o mundo para fortalecer as marcas das empresas patrocinadoras, sendo em muitos casos, em função do caráter experiencial e intangível das propriedades adquiridas mais eficiente que a utilização da mídia tradicional.

O efeito positivo que os patrocínios agregam às marcas e sua correta utilização como estratégia de marketing, fez com que o investimento em propaganda através das diferentes mídias se tornasse umas das variáveis de comunicação e não a única responsável por posicionar e comunicar os benefícios, principalmente intangíveis das marcas.

O investimento corporativo em patrocínio em todo o mundo segundo a empresa IEG dos EUA atingiu US$ 43 bilhões em 2008, correspondendo à cerca de 8% do bolo publicitário global.

No momento em que grandes clubes brasileiros negociam novos contratos de patrocínio ou renovações com as empresas em meio à crise financeira global, com valores muito superiores aos contratos antigos, vale a pergunta: O patrocínio esportivo em clubes de futebol no Brasil está no caminho certo?

A primeira vista a resposta seria sim, já que os gastos corporativos com patrocínio esportivo, principalmente em clubes de futebol cresceram em um ritmo intenso entre 2003 e 2007, segundo análise da Casual Auditores e atualmente as receitas geradas com patrocinadores representam 11% dos recursos gerados pelos grandes clubes brasileiros.

Entretanto a participação dos patrocínios na receita total dos clubes brasileiros têm grande potencial de crescimento, podendo tranqüilamente representar 25% do total gerado pelo mercado. Mas para que isso ocorra é necessário que o patrocínio aos clubes deixe de ser utilizado como mera ferramenta de comunicação das marcas patrocinadoras, centrada na visibilidade que a cota de patrocínio oferece.

O mercado brasileiro precisa enxergar o marketing de patrocínio de forma mais abrangente, como uma plataforma de marketing, que inclui além da visibilidade gerada, uma dimensão mais ampla, fundamentada em um planejamento de ações integradas de marketing, que gerará impacto positivo para as marcas patrocinadoras, por meio de um trabalho conjunto com os clubes patrocinados. Esse trabalho de Co-Marketing, cada vez mais comum na Europa e EUA, faz com haja um alinhamento estratégico entre as marcas e como conseqüência fortaleça o patrocínio como estratégia mercadológica.

Em muitos mercados, esses projetos de ativação entre clube-patrocinador possibilitaram que as entidades esportivas recebam mais recursos provenientes dos projetos criados com seus patrocinadores em remuneração variável do que com as cotas de patrocínio negociadas. Com isso, automaticamente as cotas de patrocínio se valorizam, criando um ciclo virtuoso de geração de receitas, que é positivo para os clubes e seus patrocinadores.

Assim, com as negociações em curso de diferentes contratos de patrocínio entre empresas e clubes de futebol, é um bom momento para que todos enxerguem o investimento em patrocínio como uma alternativa mais completa do que temos atualmente.

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