Publicado por: Robert Alvarez Fernández | 26/junho/2009

Torcidas organizadas e Seus Impactos Econômicos e de Mercado

Torcedores vão ao treinamento do Fluminense e agridem o atleta Diguinho por volta do fim de Maio. O fato ocorreu numa tarde, hora de trabalho. Teve tiro pro alto e tudo.

Na semifinal da Copa do Brasil entre Corinthians e Vasco da Gama, acontece um confronto entre torcedores, até agora muito mal explicado, com uma ocorrência fatal, diversos feridos e um ônibus incendiado. Sobram justificativas, emboscada, erro da PMESP (Polícia Militar), coitadinhos de nós e outras bobagens sem tamanho.

Torcedores do Palmeiras, no aeroporto de Curitiba a 400Km. de São Paulo, “recebem” a delegação palmeirense com insultos e ameaças. Além disso, muros do Palestra Itália amanheceram pichados danificando patrimônio do clube que estes indivíduos dizem torcer e “defender”.

A torcida independente do São Paulo F.C. (aí sim com letra maiúscula) pediu reunião com os atletas e foi atendida pela diretoria do clube; sobram notas dizendo que a reunião foi cordial, pacífica e assim por diante, como se fosse um fato inusitado. Quando da eliminação do São Paulo F.C. pelo Cruzeiro e consequente demissão de Muricy Ramalho, de tantas conquistas importantes, pichações no CT do clube…pelos indivíduos que dizem torcer pelo clube, quem pagou a tinta e a mão-de-obra?

Estes exemplos são poucos, mas recentes, e mostram que as torcidas organizadas parecem bem pouco dispostas a abandonar sua linguagem de violência, extorsão e confronto, coisa de quem não tem um projeto de vida de algum valor.

Matematicamente a relação das torcidas organizadas com o futebol se assemelha a um processo de infecção que termina com a vida do hospedeiro. Só que o processo é lento.

As autoridades, juntam-se aí clubes e federações, tratam a questão como uma questão de segurança pública, não é.

Estas mesmas entidades atribuem os problemas à questões sociais, econômicas dando um salvo conduto à conduta inadequada quase como uma “política compensatória” pelo fato dessas pessoas terem uma “vida miserável”, não é. Há mecanismos e políticas para estudar, se qualificar, trabalhar e progredir, o problema é que isso exige sacrifício e dá trabalho; seguir a vida reclamando do destino e odiando quem trabalha e produz é mais fácil.

Eu mesmo não venho da elite econômica, mas batalhei meu espaço e cresci, estudei em escola pública até o final do segundo grau, e tenho que continuar me mexendo pois há sim uma nova geração chegando com garra e vontade ao mercado de trabalho.

Esse papinho de “criado na rua”, de “correria”, de “excluído” não cola comigo, isso é papo para seduzir sociólogo de buteco. O mundo ficou menor e plano, temos que nos mexer para obter uma posição competitiva na vida e, por consequência botar o país pra frente.

Voltando ao futebol, foi-se o tempo em que as torcidas organizadas eram inocentes grupos de idealistas torcedores fanáticos por um clube, seja ele qual for, que se organizavam para acompanhar seu time do coração. Hoje falamos de organizações com CNPJ, quadros associativos robustos, sede própria, enfim um grande negócio.

Négocio este que, como qualquer organização comercial, quer se perpetuar e crescer. Para crescer é necessário atender às necessidades do mercado; se o torcedor jovem, de pouca renda ainda, não tem recursos para frequentar o seu clube do coração para ver atendida sua necessidade de pertencimento a torcida organizada tem ofertas de baixo custo para a associação. Se este torcedor não consegue comprar produtos licenciados do clube, compra da torcida organizada, mais baratos.

Sob qualquer ameaça ao seu negócio, que deve ser até bem lucrativo, a torcida organizada encontra terreno fértil para a intimidação e a extorsão dada a fragilidade moral e administrativa da maioria dos dirigentes do futebol brasileiro. A mediocridade administrativa e de resultados é compensada com apoio político, mainfesto em campo por meio do apoio ao time por exemplo, a estes dirigentes, claro que isso tem um preço. Além do mais, torcedor organizado vota, o que causa pavor nos políticos e os impede de tomar uma posição de enfrentamento para tratar a questão.

Curiosamente, esses grupos são recebidos pelas autoridades, definem onde vão se acomodar nos estádios, que caminho farão para chegar ao estádio e o fazem com escolta de Chefes de Estado enquanto o cidadão pagador de impostos é assaltado nos cruzamentos da cidade.

E mesmo assim saem confrontos, mortes. Alguém tem culpa ? Sim, todos os que aceitam a existência destes grupos e a relação com os clubes, culpa se não legal, ao menos moral.

Esses grupos fazem uso das marcas e símbolos dos clubes sem o menor constrangimento e são até agraciados com o título de “clientes preferenciais” por “profisisonais” de marketing de alguns clubes, justamente eles, que deveriam ser os guardiães ferozes de seu maior patrimônio, suas marcas.

Por que não exigir que eles paguem pelo uso das marcas como qualquer fabricante de camisetas, toalhas, canecas, canetas, etc.? Não seria uma forma inteligente de asfixiar economicamente tais grupos? Apenas um exemplo de fora da questão : a melhor forma de combater o crime é torná-lo inviável economicamente e há sim um crime aí, o de pirataria, pra dizer o mínimo.

Números de empresa grande de material esportivo mostram que após um conflito entre torcidas de grandes proporções e de grande notoriedade há uma queda nas vendas de 20% de material esportivo, sobretudo camisas, em três ou quatro semanas após o conflito, a torcida organizada paga essa conta ? Certamente que não, mas quer “jogador”.

E quanto mais ela aparece nestes confrontos e “cobranças”, mais “força” ela demonstra, mais seu negócio prospera. É a lógica extorsiva do crime.

Estranha essa lógica, confesso que não entendo.

Queiram ou não temos uma lei no Brasil, o Estatuto do Torcedor, que dá o direito ao torcedor de ocupar seu assento marcado no ingresso. Coisa de lei que “não pega”; pois os grupos organizados são, junto da pobreza administrativa e operacional dos clubes e da inoperância da justiça, os principais responsáveis por isso. Experimente comprar um lugar dentro da área “reservada” aos “clientes preferenciais” e querer ocupá-lo, certamente não irá conseguir e ainda correrá riscos.

É por essas e outras que esse ressurgimento, com alguma força, de eventos gerados pelos grupos organizados precisa ser entendido e atacado com vigor, inteligência e sem viés político.

A civilização da relação futebol/torcidas organizadas é um gigantesco obstáculo para que os estádios voltem a ser ocupados por pessoas que buscam apenas pertencer a algo maior e que queira se divertir com isso, independente de condição sócio-econômica, de nível educacional e outras variáveis de segmentação.

A cada confronto damos um passo atrás no posicionamento do produto futebol, e quanto pior o posicionamento mais complicado é tornar economicamente interessante prover estruturas e processos de serviços de qualidade para o torcedor.

As torcidas organizadas e os clubes, ao menos seus dirigentes, coniventes condenam a cada dia que passa o futebol à mediocridade, em relação à outras formas de entretenimento, não é coincidência a pouca ocupação histórica dos estádios brasileiros, pode não ser a única razão, e não é, mas contribui muito sendo a principal causa de abandono da ida aos estádios nos últimos vinte anos. (Dossiê Esporte, TNS Sport, IBOPE)

Apesar de gostar muito de futebol, vou ao cinema.

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Responses

  1. “Na semifinal da Copa do Brasil entre Corinthians e Vasco da Gama, acontece um confronto entre torcedores, até agora muito mal explicado, com uma ocorrência fatal, diversos feridos e um ônibus incendiado. Sobram justificativas, emboscada, erro da PMESP (Polícia Militar), coitadinhos de nós e outras bobagens sem tamanho.”

    Discordo.

    Nessa história, mal-explicado ficou o comportamento intempestivo e as declarações pré-concebidas do Promotor Paulo Castilho.

    Discordo eu de você, não é porque ele não diz o que você quer ouvir que ele está errado. Errado está quem brigou, bateu ou apanhou. Não concordo com tudo que o promotor diz, a meu ver até erra mais que acerta, mas neste caso não.

    Claramente, o confronto ocorreu por imperícia da PM paulista. Aliás, confronto não: massacre, de corinthianos inferiorizados na proporção 1×12 em relação aos vascaínos.

    Preste atenção nas suas palavras : massacre, inferiorizados, 1×12….isso é linguagem de guerra, pelo que sei os grupos iam assistir a uma partida de futebol….e escoltados pela PM…então é culpa da PM os grupos não terem civilidade e educação, o que os leva, necessariamente, ao confronto quando se encontram ????

    A culpa é dos grupos mesmos que não sabem conviver entre si, não sabem aceitar diferenças e assim por diante…e quem os defende, sejam leitores, sócios, dirigentes, advogados, jornalistas são tão prejudiciais ao futebol quanto eles, desculpe, esse tipo de “justificativa” não cola…tente essa explicação para a família do rapaz que morreu e depois você me conta.

    Mal-explicada ficou também a prisão de corinthianos exclusivamente, assim como a liberação de vascaínos e até palmeirenses que participaram do incidente.

    Se foi isso que aconteceu mesmo, de fonte oficial, aí eu quero saber também.

    Fica a curiosidade, e a desconfiança, quanto ao andamento do inquérito sobre o caso.

    Inquérito : Deve acontecer o de sempre, nada.

    Abraços,

    Robert

  2. Concordo plenamente com você.

    Os torcedores não vão ao estádio com a mesma tranquilidade com que se vai ao cinema. É chato ir ao estádio com medo de ser assaltado ou ter o carro danificado.

    O Brasil precisa de medidas radicais para o combate da violência, sei que é um pouco radical mas todas as competições de futebol deveriam ser paralizadas enquanto não resolver o problema da violência e dos estádios.

    Você poderia dizer o que é o tal Relatório Taylor de que tanto falam?

    Marcell, obrigado pelo comentário. O curioso é que essa intranqulidade que você invoca, com razão, não parece estar muito na pauta dos dirigentes do futebol, nem dos profissionais de marketing, para os clubes que tem alguém com esse papel.

    Concordo que são necessárias algumas medidas fortes, mas como disse no texto, quem tem coragem para tal ?

    Sobre o relatório Taylor, escrevi algo bem superficial em post anterior que pode ser encontrado aqui :

    Se quiser saber mais é só entrar em contato.

    Abraços,

    Robert

  3. É Roberto, nós que somos sócios torcedores não podemos nem visitar o CT com filhos e netos para pegar autografo com os jogadores, enquanto isso esses malandros frequentam o corredores dos clubes como se fossem dirigentes, sem contar as regalias que são dados a eles.
    Um bom exemplo é o pirateamento das marcas clubísticas.

    Ricardo, realmente a lógica é meio perversa. A extorsão vale mais que o potencial de geração de receita do torcedor comum. E assim segue o futebol, com uso indevido de marcas e o afastamento do público. Depois a conta não fecha e os dirigentes reclamam.

    Abraços,

    Robert

  4. Concordo em 99% do texto, mesmo sendo torcedor da maior torcida organizada do maior do mundo TORCIDA INDEPENDENTE que por sinal a diretoria e um conglomerado de marginais , que enriquecem com o dinheiro de associados , e se utilizam do amor a o clube para arrebanar militantes para uma conduta de selvageria e intolerancia ao proximo.Que se acham donos do estadio e da razão . Mas esse reflexo não é uma esclusividade do São paulo e sim de todos os times , que são refem da minoria . por esperinecia propria Por que vivenciei centenas de brigas em sp e em varios estadios pelo brasil onde por amor ao meu clube fui.
    Os 1% que faltou é a grande maioria que se utiliza da torcida organizada para a união de apaixonados pelo o clube para apoiar e fazer uma espataculo , que é o lugar para juntar os amigos e reverenciar o clube que aprendeu a amar.
    Os clubes tem uma grande parcela nessa questão , pela falta de comprometimento com os torcedores pelas filas interminaveis , mais estuturas dos estadios , com os seus dirigentes entrelados no meios das organizadas e favorecento de algum jeito , e a policia militar tambem ajuda a esquentar os animos pela má preparação ea incompetencia na manupulaçao de massa fazem ocorer centenas de tumuldos pela sua má prepaçaõ e a falta de celeção existe unumeros de maus caracter na policia que por nada destribuem cacetadas e botinadas , e isso é o coeficiente para trajedias.
    Torço muito para um dia a PAZ seja uma realidade, não um sonho para que passamos ir para os estadios com certeza de voltar para casa.
    Quero tambem parabenizar uma torcida com principíos e indentidade moral a DRAGÕES DA REAL , que se utiliza do amor pelo o clube para unir são paulinos para trabalhos sociais e uma ideologia da PAZ e solidariedade , sim trabalhos serios com respaldo de pessoas de boa indele da resultados independentemente de ser torcida organizada ou não que realmente importa e o carater e o comprometimento ao repeito.

    abs _x_

  5. Concordo em 99% do texto, mesmo sendo torcedor da maior torcida organizada do maior do mundo TORCIDA INDEPENDENTE que por sinal a diretoria e um conglomerado de marginais , que enriquecem com o dinheiro de associados , e se utilizam do amor a o clube para arrebanar militantes para uma conduta de selvageria e intolerancia ao proximo.Que se acham donos do estadio e da razão . Mas esse reflexo não é uma esclusividade do São paulo e sim de todos os times , que são refem da minoria . por esperinecia propria Por que vivenciei centenas de brigas em sp e em varios estadios pelo brasil onde por amor ao meu clube fui.
    Os 1% que faltou é a grande maioria que se utiliza da torcida organizada para a união de apaixonados pelo o clube para apoiar e fazer uma espataculo , que é o lugar para juntar os amigos e reverenciar o clube que aprendeu a amar.
    Os clubes tem uma grande parcela nessa questão , pela falta de comprometimento com os torcedores pelas filas interminaveis , mais estuturas dos estadios , com os seus dirigentes entrelados no meios das organizadas e favorecento de algum jeito , e a policia militar tambem ajuda a esquentar os animos pela má preparação ea incompetencia na manupulaçao de massa fazem ocorer centenas de tumuldos pela sua má prepaçaõ e a falta de celeção existe unumeros de maus caracter na policia que por nada destribuem cacetadas e botinadas , e isso é o coeficiente para trajedias.
    Torço muito para um dia a PAZ seja uma realidade, não um sonho para que passamos ir para os estadios com certeza de voltar para casa.
    Quero tambem parabenizar uma torcida com principíos e indentidade moral a DRAGÕES DA REAL , que se utiliza do amor pelo o clube para unir são paulinos para trabalhos sociais e uma ideologia da PAZ e solidariedade , sim trabalhos serios com respaldo de pessoas de boa indole da resultados independentemente de ser torcida organizada ou não que realmente importa e o carater e o comprometimento ao respeito.
    Esse é um tema muito polemico gostaria que vc desse exemplos de paises que deram certo como a inglaterra para que isso use de reflexão para as otoridades copetentes…
    abs _x_

    BR, obrigado pelo comentário. Responderei aqui pois o anterior é igual com a adição de um parágrafo, certo ?

    Pois é, você tem razão em algumas coisas, e uma vivência maior que a minha no meio das organizadas, respeito isso. Agora, se você pensa isso da direção da organizada a qual pertence é só sair fora e procurar se afiliar ao programa sócio-torcedor do seu clube, certamente há um plano que atenda suas necessidades.

    Também concordo que o problema das organizadas afeta todos os clubes, veja que no texto eu dei exemplos de vários clubes.

    A negligência dos dirigentes do futebol no tratar o consumidor no ponto de consumo, o estádio, a meu ver é mesmo um dos maiores problemas que o futebol brasileiro tem, e isso dá força às organizadas pois elas tem privilégios quase pornográficos na hora de comprar ingressos, se dirigir ao jogo e se acomodar no estádio.

    Esses fatores somados, realmente afastam o torcedor.

    Abraços,

    Robert

  6. Parabéns pelo texto, Robert. As torcidas organizadas infelizmente viraram uma indústria dentro do futebol com a anuência de dirigentes, técnicos e jogadores, que têm receio de que elas se voltem contra eles. Ainda na madrugada de ontem os jogadores do Náutico tiveram problemas para desembarcar em Recife após a derrota para o São Paulo. Alguns torcedores foram “recepcioná-los” no aeroporto pernambucano e criaram um grande tumulto.
    Grande abraço, Janca

    Janca, legal tê-lo de volta por aqui e obrigado. A idéia é trazer alguma idéia do impacto econômico em textos posteriores, as organizadas realmente causam prejuízos enormes aos clubes e geram um posicionamento do produto futebol muito inadequado.

    A única explicação para não quererem que mude é a pressão extorsiva exercida pelas organizadas nos clubes e dirigentes.

    Abraços,

    Robert

  7. Robert, excelente seu texto, temos apenas uma pequena divergência de ideologia econômica, mas isso é de menor importância agora.

    Olha só, eu tenho apenas 23 anos e já parei de ir à estádios aqui em Alagoas, por conta dessas “torcidas”. Vou tentar voltar agora para acompanhar a trajetória de um time local na série D (pq vou postar análises dos jogos em meu blog).

    Aqui temos a sorte de ter um Ministério Público muito ativo (inclusive estagio lá), não é puxação de saco nem nada que o valha. Foi feita uma Ação Civil Pública visando a extinção das organizadas de minha cidade (Maceió), são as famigeradas Mancha Azul e Comando Vermelho, verdadeiras sugadoras de recursos dos time CSA e CRB.

    São escudo para verdadeiras organizações criminosas (há exceções), muitos membros realizão roubos e furtos de tudo o que se imaginar.

    Pois bem, as torcidas aqui foram proibidas de frenquentar os estádios em medida liminar, agora a pouco tempo saiu a sentença de mérito. Fiquei de queixo caído com a decisão do juiz de manter as torcidas, e o pior são os argumentos de que se trata de uma questão complexa demais e que medidas simples não podem resolver. http://web.tj.al.gov.br/esajweb/cpo/frameDocumento.do?documento.codigo=2649233&documento.categoria=8&processo.codigo=010008CMX0000&processo.foro=-1&baseIndice=IND tá aí o link da sentença para quem quiser ver.

    Foi interessante sua postagem também, pq eu estava discutindo com alguns colegasuma solução para essas “torcidas” e estou preparando uma postagem sobre isso, e com seu post tive mais algumas idéias (que teram a devida referência, se me permitir).

    Um grande abraço.

    Daniel, obrigado pelo comentário. É importante seu depoimento já que, por meio dele, temos relato de experiências em outros centros e isso sempre ajuda.

    Como você mesmo relata, por mais que o Ministério Público se mexa, e o daqui até que tenta, quando chega na justiça algo acontece e aí a guerra de liminares não termina nunca e enquanto isso nada muda. Os mesmos crimes vão sendo praticados sob o escudo destas organizações, que não são compostas apenas de criminosos, que são até minoria, mas os demais ajudam a compor o escudo.

    Minha teoria segue pelo viés da asfixia econômica, dentro da lei, tornando a atividade insustentável. Mas esse é um assunto pros advogados e pros clubes, maiores interessados.

    Abraços e nos conte mais sobre Alagoas!!

    Robert

  8. Eu discordo em partes de voce…
    eu acho que o problema das organizadas é de segurança publica sim…
    marginais se escondem atras de uma entidade visando atos ilegais,que serão acobertados. nessa situação…a culpa sempre cairá para a entidade e nunca sobre as pessoas que cometeram…
    o ser humano é um animal,muitas vezes irracional…
    faço parte da dragões da real do spfc há 6 anos…já viajei diversas vezes para outros estadios e dificilmente presenciei alguma briga…
    enquanto em baladas de classe média alta de sp,vejo mais de uma briga por festa…uso de drogas entre outras coisas…
    só q é mais facil julgar uma pessoa mais pobre em um meio coberto todos os dias pela midia.
    Concordo em relação a utilização do clube para ganhar dinheiro seja uma pratica que os clubes não deveriam tolerar…contudo acho que a melhor forma de resolver este impasse seria uma aproximação entre as duas partes…com trocas iguais de licenciamento…
    o spfc já se aproveitou de cantos criados pela torcida para criar produtos.idem o corinthians e muitos outros exemplos.
    O clube depende da torcida e a torcida do clube.
    E uma organizada não deixa de ser um atrativo a mais para frequentar o estadio(enquanto torcida de futebol)
    grande abraço

    Caio, obrigado pelo comentário. Concordar e discordar faz parte da discussão e todos aprendemos com isso, fique à vontade.

    Problema de segurança pública é quanto aos atos das torcidas organizadas e todas as confusões que elas aprontam, mas o que quero dizer é que a questão do uso impune das marcas dos clubes para obter benefício econômico é, também, um problema de propriedade intelectual e de mercado e essas instituições deveriam ser cobradas financeiramente, infelizmente os clubes não devem fazer isso e só eles podem.

    Discordo quanto ao comentário sobre as baladas da classe média alta; se eles brigam e cometem delitos, devem estar tão sujeitos às penas da lei quanto qualquer cidadão, independente de classe social, assim é a lei. Não pode haver “salvo conduto” nem porque o cara é risco nem porque é pobre.

    Só concordaria em uma aproximação dos clubes com essas organizações para “licenciamentos mútuos” se as organizadas pagassem pelo que já utilizaram antes, caso contrário é proibição do uso da marca sem dó nem piedade.

    Abraços e continue participando,

    Robert

  9. Robert,

    Realmente você aborda aspectos bastante importantes dessa relação “esquisita” entre TOs e clubes.

    A “sociologia de buteco”, lembrada por você, já foi alvo de uma crítica minha ao manifesto da (sub)facção “Rua São Jorge” da Gaviões da Fiel, e gerou um belo arranca-rabo no “blog do Trio” e no da Larissa Beppler (links abaixo):

    http://blogdotrio.wordpress.com/2009/06/16/a-voz-da-rua-sao-jorge/

    http://larissabeppler.wordpress.com/2009/06/16/a-voz-da-rua/

    http://comfelelimao.wordpress.com/2009/06/16/ta-nao-falo-mais-nisso-so-hoje/

    Já que as TOs têm personalidade jurídica, acho que os seus dirigentes devem ser responsabilizados criminalmente pelos atos dos associados, tal como ocorre, por exemplo, com o José Rainha Jr. quando ocorrem manifestações do MST. E olha que eu acho que o MST não tem nem CNPJ!

    Abraço e parabéns pelo blog.

    Vinicius, obrigado pelo comentário e pelo apoio. O arranca-rabo é esperado pois haverão reações apaixonadas e reações de defesa de interesses financeiros, políticos, etc.

    Teve um leitor abaixo que acaba de escrever um grande texto me chamando de nerd, boxexa rosa, elitista… e outras “graças” a mais por conta das minhas opinões.

    Que tem impacto econômico e de posicionamento tem, isso não há como negar. Se alguém se faz de bobo ou não tem repertório para acompanhar a discussão é outro ponto.

    Abraços,

    Robert

  10. Prezado Blogueiro Roberto,

    Se nota logo de antemão que você era quando menor um nerd-boxexa-rosa daqueles que era sempre zuado na escola , era sempre o alvo de brincadeiras e era sempre tirado como troxa. O típico playboysinho mimado que vive em um nicho ilusório e fantasioso, que quando se defronta com as realidades e os pormenores das ruas acaba se apequenando diante da sua imperícia do mundão real.

    Sobre o seu textinho reacionário , elitista e sem base nenhuma de informação e sem nenhum resquício de fatos, irei comentar alguns dos pontos mais absurdos…

    Você obviamente nunca deve ter se ambientado no meio dessas torcidas para poder analisá-las , tão pouco deve conhecer alguém que realmente poderia te posicionar sobre as mesmas…Você é só mais um desconhecedor que utiliza discursos prontos e velhos roteiros da nossa imprensa-preconceituosa-despreparada.

    Se as torcidas possuem CNPJ é sim para se enquadrarem no mundo civilizatório e capitalista que só as reconhecem se essas portarem esse documento e esse registro. E ter CNPJ não quer dizer que elas deixaram de ter seu caráter de torcida que ama seus respectivos clubes.
    Ter sede é só o resultado que mostra que muitos a seguem por convergência de ideologias e amor ao seu time. Ai surge a demanda de ter um local para se reunires , se confraternizarem e etc…

    Produtos da torcida tem preços semelhantes aos produtos dos times. Apoio político , facilidades e outros factóides são por sua conta , só caracterizando ainda mais seu total desconhecimento sobre o assunto.

    Essses grupos como você chama , definem seus lugares e se sente os donos porque estão lá na vitória e derrota , no sol e na chuva , em são paulo , minas , japão , barcelona e onde seu time jogar e já possuem uma história de décadas de fidelidade e amor ao seu time que concede a elas seu espaço merecido. E por isso não é um qualquer como você por exemplo que só estaria lá quando o time fosse campeão e ainda quer ter os mesmos direitos….hahahahahhaha !!!

    Nós não fazemos usos de marcas como piratas , porque nós somos a própria marca. O clube enquanto instituição também utiliza nossas imagens , músicas , bordões como produto e nós não cobramos nada. E nem deveríamos.

    Os estádios não foram até hoje ocupados por essa gentinha que você defende , exatamente porque lá não é o lugar delas , lá é o lugar do povo …..o lugar pra essa gentinha é o cinema como você sabiamente frizou.

    Um grande abraço !!!

    Cordialmente,
    Guilherme Ferrari

    Guilherme, em primeiro lugar se sou, ou fui, um nerd de “boxexa” rosa que era “zoado” na escola é problema meu…..cresci e sou um cara bastante bem resolvido e sou bastante mais que um “blogueiro” que usa discursos “prontos da imprensa”, “reacionário”, etc,etc….o mesmo desconhecimento que você diz que eu tenho sobre esse universo das torcidas organizadas você tem a meu respeito, estudei em escola pública de bairro e fiz muitos amigos por lá, alguns até hoje.

    Tenho minhas posições profissionais e acadêmicas e quem me paga considera que eu valho alguma coisa…com os títulos e certificados necessários para tal. Você não está a falar com um elitista nem com um reacionário, não lhe dou esse direito pois você não conhece minha história. Seu discurso que é pronto, e cheira a mofo demagógico.

    Desta forma, empatamos….eu sei pouco deste universo e você sabe nada sobre mim.

    Eu defendo que um estádio é para ser frequentado por todos, sem distinção, que queiram ir ao jogo que quiserem, acomodar-se onde quiserem pois afinal estão pagando para tal; independente de classe social. Para tal, se você ler meus textos anteriores sem pré-concepções, defendo uma ampla setorização nos estádios para atender todos os segmentos da sociedade, isso não é ideologia vazia, isso é marketing, é negócio.

    Discordo de você que os grupos organizados tem direitos especiais porque vão a todos os jogos, ganhando, perdendo, etc….eles são como qualquer outro cidadão, pagantes de ingressos que tem os mesmos direitos de quem vai a um jogo por ano; esse é o discurso que os leva aos conflitos e estranhamento com a sociedade como um todo e que tem que acabar. Estádio é lugar de quem gosta de futebol, isso vale pra todos, sem exceção, só que cada público tem suas demandas, isso é marketing é negócio.

    Discordo de você quanto a uso das marcas : os grupos usam sim símbolos de forma indevida e obtém vantagem econômica com isso, deve-se, em uma relação civilizada pagar royalties, assim como os grupos podem cobrar do clube o uso de seus cantos, símbolos, etc..isso é uma relação comercial civilizada. Só que as marcas das organizadas valem bem pouco, não tem o peso nem a história de um clube…as pessoas torcem para o clube. Curioso como os clubes nunca reclamaram disso, ou é miopia administrativa ou é medo, pra mim é um pouco dos dois.

    Reforço que não deva haver salvo conduto para os crimes que são cometidos nem porque o cara é pobre nem porque o cara tem grana; leis, direitos e deveres são para todos; não defendo privilégios, pego minhas filas em banco, repartições públicas como todo mundo sem reclamar.

    Resumindo : se eu escrevi clichês, você também. Discordo de você e você de mim, a diferença é que eu faço isso porque considero que isso seja melhor para o futebol como um todo ao invés de defender interesses de um grupo apenas.

    Retribuo às suas “cordiais” saudações, embora de cordial seu texto não tenha uma vírgula sequer, ao contrário, é grosseiro e preconceituoso e não precisa ser. Este é um espaço de discussão onde todas as opiniões são bem vindas e você é bem vindo a voltar ao BLOG, apenas venha com o espírito mais desarmado, se for possível.

    Robert

  11. Prezado Robert,

    Uma premissa básica de quem se auto-reconhece , via certificados , títulos e se propoe a falar sobre um determinado assunto é TER BASES FUNDAMENTADAS EM FATOS. Porque soltar “achismos é muito fácil e covarde. Basta um teclado e um computador com acesso à internet.

    Caro Guilherme, sem essa. Evidências existem aos montes, seja em notícias, seja em estatísticas de segurança pública, seja em sólidas pesquisas de mercado quanto ao impacto da violência no negócio esporte. Você não tem autoridade de me chamar de covarde, mesmo porque eu não o sou, mantenho meu pensamento e linha de raciocínio nas aulas que dou, em palestras presenciais e eventos dos quais participo como especialista que sou, não me escondo atrás do teclado; discutiria a questão com você ao vivo sem problema algum. Não nivele por baixo, afinal, você também escreveu isso de algum lugar e atrás de um teclado.

    Eu também defendo um estádio para todo tipo de gente. Porém você há de concordar que quem tem mais história tem mais espaços , mais voz ativa e merece maior respeito. Seria a mesma coisa uma pessoa sem currículo chegar em uma empresa e querer assumir um cargo Gerencial…

    Ratifico que as organizadas tem mais valor , mais voz ativa pelos seus históricos. Agora em relação à direitos , os direitos são iguais a qualquer torcedor , ninguém é mais do que ninguém só porque já foi a muito mais jogos. Você como torcedor comum pode ficar no meio da organizada se quiser , é só querer , só experimentar. O que não pode é julgar sem conhecer.

    Discordo de você de novo. O que é ter mais história ? É ter ido a todos os jogos ? Isso não lhe dá mais direitos que qualquer pagante, a presença em um estádio é uma relação de consumo como outra qualquer mesmo levando em conta os aspectos particulares do futebol; respeito todos merecem, nem mais nem menos; seu discurso é típico de defesa de interesses, da manutenção do centro de poder que os grupos organizados se tornaram, desculpe mas há um viés econômico e de medo de perda de espaço na sua tese.

    Sobre marcas , produtos e etc… é tudo muito complexo. Permita me te aconselhar a estudar sobra a história das organizadas e você verificará que aí se trata de uma relação de parceria social-humanística de amor e jamais uma relação comercial. A história de um clube se confunde com a da própria organizada. A marca das duas na verdade são a mesma. Uma contribuiu com o crescimento da outra e vice-versa. No caso do Corinthians-Gaviões (Que é meu time e minha torcida) isso se acentua de uma forma gritante , que posso arriscar a dizer com todo conhecimento que se não fosse os Gaviões o Corinthians não seria o que é.

    Já estudei por meio de estudos dentro da antropologia e da sociologia como Da Matta, Heloisa Baldi, Giullianotti,etc. Os grupos nasceram com uma finalidade boa e interessante, não questiono isso, porém, com o passar do tempo a soma de três fatores resultou em uma combinação explosiva : a mercantilização do futebol trouxe para as arquibancadas as tensões da necessidade do resultado, inclusive financeiro; o recrudescimento das relações capital/trabalho onde prevalece o primeiro por meio de políticas de manutenção de seus interesses e por último a mediocrização do sistema educacional com a piora dos valores sociais, com grande contribuição da mídia.

    O que era diversão e entretenimento virou uma coisa de tamanha abnegação que a negação de valores que não os seus passou a ser feita de forma intensa demais resultando na violência que vimos nos anos 90 e que se maifesta até hoje.

    Temos duas opções : lutar, e aí todos os segmentos da sociedade tem de estar envolvidos, para criar mecanismos de inclusão por meio da educação e da qualidade dos serviços públicos. Ou então criamos mecanismos de defesa e de reação a este sistema, curiosamente, estes mecanismos tem efeito contrário, exclui mais ainda, ou seja, perpetuar esta relação de ódio e de resposta violenta é falar a linguagem do sistema, ou seja, alimentá-lo. Pense, você com seu discurso pode estar perpetuando-o.

    Quanto a violência , ela está enraizada na nossa sociedade excludente e injusta e isso é um FATO , e não filosofia de butiquim como você tenta desqualificar , e onde existe um agrupamento de muita gente com nível social desfavorável , e com nível de emoção e rivalidade como é o futebol a violência ocorre naturalmente.

    Não estou defendendo interesses de um grupo , defendo a manutenção das tradições e dos detalhes que fazem o futebol ser isso que é.
    Se transformarmos o futebol em um teatro ou um cinema como você prega , aniquilaremos com sua essência e com sua alma que são a rivalidade e a emoção das torcidas.

    Não prego transformar o futebol em um cinema, a questão é de mercado. Pessoas migram de forma de entretenimento por terem medo de ir aos estádios; isso não sou eu quem diz, são pesquisas de mercado onde a violência aparece como primeira, seguida da qualidade das instalações, razão para o abandono da ida aos estádios brasileiros, saiba que os estádios estão com ocupação média de aproximados 30%, fazendo que com que os nossos clubes tenham de se sujeitar aos horários absurdos da TV e que tenhamos que vender atletas para a conta fechar e o estádio cheio poderia ajudar a melhorar esse quadro; ou seja, hoje o futebol exclui muita gente. Perpetuar esse quadro é matar o futebol aos poucos, a conta tem que fechar pois dívida quer dizer que alguém trabalhou e não recebeu, e isso não é justo.

    Minha intenção não foi ser grosseiro. E Conjugar a palavra preconceito , isso qualquer ameba que ler o texto perceberá que ela partiu de você.

    Não teve a intenção, mas inconscientemente foi, nenhum de nós precisa adotar esse discurso beligerante; reconheço que minha resposta foi dura e no mesmo tom, mas classificar-me como “nerd”, etc….foi preconceituoso e nada gentil; quem me conhece bem sabe que não é nada disso, sou até bastante tranquilo, só tenho minhas opiniões. Em tempo, amebas não sabem ler, só pra descontrair.

    Com todo o respeito , sugiro à você estudar mais sobre as organizadas , digo estudar pela vivência prática ou até pela internet mesmo , só que na fonte certa e não pela via mais fácil que é nossa grande mídia , porque aí você irá cair nos mesmos discursos prontos de quem não se aprofunda no assunto e só sabe marginalizar o lado mais fraco da corda.

    Respeito sua sugestão, só não me diga quais são as fontes, sou um pesquisador e tenho por norma ouvir todos os lados da questão como já o fiz, só que tirei minha conclusão. E não nivele por baixo de novo, não consulto só a mídia, ela é só mais uma de minhas fontes. Apenas gostaria de saber qual é o lado mais fraco da corda, na minha opinião o torcedor comum é o lado mais fraco, pois ninguém o ampara estando ele sujeito à flanelinhas, cambistas, polícia despreparada e aos grupos organizados, é nele que penso.

    Obrigado por proporcionar uma boa discussão, com a devida humildade e descido dos pedestais da “razão absoluta”, creio que aprendemos todos.

    Abraços,

    Robert

  12. Postei em meu blog o texto sobre as organizadas, espero que deem uma olhada.

    Guilherme, fica difícil discutir ideologias, raramente vejo alguém convencer outra pessoa quanto a isso.

    O ponto que o Robert adota é principalmente o comercial, e nesse quesito creio que ele tem autoridade para falar. No meu blog abordo a questão das organizadas daqui de meu estado, dê uma passada lá, exponha sua opinião sobre o que eu escrevi.

    A gente tem que ter em mente que o bom é isso aqui, confronto de idéias, somente. Quem sabe vc não convida o Robert para passar um dia com a Gaviões? Quem sabe consegue desmistificar alguma coisa. Penso que seria legal.

    Abraços

    Daniel, obrigado pelo comentário. Quanto à visão do mundo eu não convencerei o Guilherme quanto à minha e nem o contrário.

    Os impactos econômicos são claros e é isso que eu discuto, mas não dá pra se justificar em problemas sociais apenas para justificar a questão da violência.

    Patrocinamos aqui a troca de idéias de forma franca, algumas observações do Guilherme poderiam até ser moderadas, mas resolvi deixar para manter a discussão.

    Estou à disposição para continuar a discutir a questão com todos vocês em qualquer forum e meio.

    Abraços,

    Robert

  13. Robert,

    A questão da covardia e dos teclados , eu coloquei para demonstrar que para falar de um determinado assunto , basta ter um computador para soltar “achismos”
    Não sei se você é jornalista , mas se é , não poderia chamar de evidências quando só se sabe de um lado da história , e de um lado da versão. Observe a quanto tempo essa mídia retrógrada bate nas mesma teclas e sempre se utiliza dos mesmos mecanismos de análises nesse tipo de assunto. E até hoje nada mudou.
    Qualquer inocente teria a percepção que não adianta criminaliza-los , rebaixa-los para o posto de marginais , os chamarem de facções.
    Tudo se resolve na base do diálogo , e as organizadas sempre estiveram dispostas a tal.

    Guilherme, precisamos parar de monopolizar o blog, talvez manter a discussão em outro fórum, reforço que estou à disposição. Não sou jornalista, sou administrador, gerente em uma multinacional além de professor e pesquisador de negócios do esporte; as evidências que tenho são de múltiplas fontes, insisto, não é porque você não foi ouvido que seu lado foi esquecido; insisto que a mídia é uma das minhas fontes apenas, dela não vejo soluções, mas é uma fonte além de outras : gente de clubes, de torcidas, torcedores comuns, autoridades, etc.

    Se quiser mudar e abrir para o diálogo a primeira iniciativa seria renunciar à violência e à intimidação, sem isso não há diálogo; veja que estamos conversando melhor quando deixamos de radicalizar nossas posições, embora ainda haja alguma.

    E nessas estatísticas será que mostra a “causa” da violência ? será que mostra a “origem” da violência… Não seria a hora dos velhos atrasados da “emprensa”(com E mesmo) terem coragem de criticar quem merece como por exemplo a Polícia que na maioria das vezes está despreparada , na maioria das vezes incita , provoca , agride e etc…
    Isso chama-se REPRESSÃO ! Mas quem tá com os microfones tem rabo preso e é sempre mais fácil criticar o lado mais fraco e desprotegido da corda.

    Não, não mostra a causa….que é a falta de projetos positivos de vida para muita gente no país e isso é ruim. Temos muita gente despreparada em todas as áreas, mas insisto que esses despreparos não são salvo conduto para a linguagem de violência de parte a parte. Continuo com a tese que o torcedor comum é o lado mais fraco da corda.

    Viés econômico ???
    Independentemente de estar garantido algum lugar específico ou não nos estádios , as organizadas sempre vão estar lá , porque seus integrantes realmente vivem para o clube , talvez você por viver em um mundo muito capitalista não entenda o significado de sentimento , amor e devoção.

    Guilherme, eu sou um torcedor também, eu grito, choro, vibro, chuto coisas, soco o ar como qualquer um de vocês. Só que tenho minha vida e minhas prioridades. O futebol precisa do torcedor apaixonado mas precisa propiciar a ele uma experiência de consumo decente para que ele volte, caso contrário ele vira um torcedor de televisão e de ocasião; vivemos todos em um mundo capitalista e isso pode não ser ruim, é só nos aproveitarmos dele da melhor forma como ele se aproveita de nós, é simples.

    Entidades como os Gaviões por exemplo nasceram sem sede , sem lugar na arquibancada , sem produtos pra vender e etc…
    Nasceu unica e exclusivamente para amar o Corinthians e conquistou seu espaço após ser muitas vezes repreendida e combalida. Foi muita luta …sabe em troco de que ???
    De absolutamente nada. Em troco simplismente de poder aglutinar pessoas com o mesmo ideal e apoiar o Corinthians incondicionalmente.

    Guilherme, esse é um ponto onde concordo parcialmente com você. Entendo e reconheço a finalidade inicial da torcida organizada, até escrevi isso no texto inicial, mas a coisa mudou; na base as pessoas até “amam incondicionalmente” seu objeto de paixão, mas acima está uma organização que tem objetivos econômicos sim, que se sobrepõe ao amor ao clube. Desculpe, mas esse objetivo inicial também sofreu um processo de mercantilização, isso é visível demais.

    Seu terceiro parágrafo é o primeiro que eu concordo desde minha primeira intervenção no seu blog. É isso , a sociedade precisa ao invés de criminaliza-los e tratar o caso como de polícia , precisa entender a fundo a questão e proporcionar inclusão aos mais pobres e educação a todos… Começando pelos que estão diretamente envolvidos com as torcidas… Polícia , Políticos e Mídia. O exemplo tem que partir deles que são mais favorecidos pelo capital e tem muito mais oportunidades de se desenvolverem como pessoa educada e civilizada.

    Pessoas tem medo de ir ao estádio, posso te garantir , muito mais pelo que ouvem falar , principalmente pela TV que manipula e tendencia a notícia.

    Pode até ser, eu até sustento que o que afasta é a violência PERCEBIDA; como o público é o mercado é ele quem define as regras o mercado pune o futebol com sua não presença nos estádios. Como os clubes tem departamentos de comunicação e marketing muito amadores a imprensa, goste você ou não, vira a fonte principal de informação para o público em geral, não o culpe por isso, quem tem que comunicar que um produto existe e porque ele é bom é quem quer “vender”; o futebol em geral se comunica muito, mas muito mal com seu público.

    Flanelinhas , cambistas e polícia despreparada são atores que atrapalham muito mais as organizadas.

    É diferente, a violência percebida caracteriza o futebol como uma má opção de entretenimento, como um produto de má qualidade por conta dos riscos associados a ele. Os flanelinhas, cambistas, polícia e até os estádios geram a percepção de uma má experiência de consumo; no fundo gera o mesmo efeito, o não ir aos estádios; de novo é uma questão de mercado.

    A discussão foi/está boa e inteligente , não foi minha intenção ofendê-lo. Me excedi por ser jovem e intempestivo. Você deve ser bem mais velho que eu e tem mais racionalidade.

    Obrigado pela discussão, também não quero ofender as pessoas pois respeito nossos leitores. O fato de você ser jovem não é um problema de forma alguma, sou pouco mais velho em idade só, apenas talvez tenha mais Km rodado no mundo profissional; você se expressa bem, apenas tem algumas visões diferentes da minha, convivo com isso numa boa mesmo e esse é o grande segredo, aceitar as diferenças.

  14. Daniel ,

    Ideologias como ideais , valores e conceitos pode ser discutidas sim , exatamente por serem difícil de convencer os outros do contrário. Se tiver uma cabeça aberta a diferenças fica mais fácil.

  15. Guilherme, postei uma resposta antes mas de alguma forma deu erro e ela não entrou.

    É o seguinte… eu não disse que não se pode discutir ideologias, apenas frisei que fica difícil um tentar convencer o outro aqui, pq infelizmente só falando não dá.

    Convivo muito bem com opiniões contrárias as minhas, mas elas devem ser bem fundamentadas, não basta alegar que conhece uma causa sem demonstrar isso. Por isso peço que você nos conte um pouco da sua experiência com as organizadas.

    Falo apenas do que eu sei, nunca do que imagino. A última experiência que eu tive com membro de torcida organizada foi um roubo de boné.

    Sei que a condição social e os fatores que a cercam têm grande importância na questão da criminalidade (não só em torcidas como de um modo geral), convivo com isso no dia-a-dia. Minha família também praticamente começou do zero, a minha geração é que já sofreu menos.

    Gosto desse debate, não se furte a construí-lo pq acha que somos ignorantes em relação a sua vivência, traga-nos suas informações e experiências. Só enriquecerá a peleja ;)

    Grande abraço.

  16. Robert,

    Muito bem , concordo em gênero, número e grau contigo , precisamos renunciar à violência !
    mas violência é uma questão que abrange milhares de aspectos. Você por ter uma posição contrária as organizadas , e pra ser cômodo com suas teses só enxerga a violência vinda de lá. Pra mim é uma visão simplista (Para eu ser educado). Eu enxergo umas quinhentas formas de violência vindas de nossa sociedade.

    Querer que só uma parte cesse seria uma utopia.

    Errado e simplista é você. Essas quinhentas formas de violência existem mesmo; a fila do SUS é uma violência, a insegurança e a exclusão social também o são; no aspecto limitado do futebol a violência que vem das torcidas é uma delas e renunciando à ela já se dará um passo na direção de melhorar o quadro.

    Você afirma ter sua vida e suas prioridades , então com isso você quer dizer que só você as tem , ou só quem não é de organizada tem ???
    Me desculpe , mas há muito preconceito , desinformação e alienação vindo de sua parte , assim é complicado.

    Não disse isso, o fato de eu dizer que tenho as minhas não descaracteriza a vida das demais pessoas, leia as coisas de forma apropriada, fica difícil, senão impossível dialogar com a sua interpretação das coisas.

    O futebol não precisa propiciar uma experiência de consumo como você pensa , e sim precisa propiciar uma experiência de emoção e de socialização que o dinheiro jamais conseguirá comprar. Todos que se sentirem ambientados , socializados , e viverem emoções voltarão ao estádio com absoluta certeza.

    Se você diz que a parte mercantilista se sobrepõe ao amor pelo clube , isso só confirma seu total desconhecimento sobre o assunto. Isso nem merece comentário.

    Precisa propiciar sim não só uma experiência de consumo mas também uma experiência social; o futebol além de entreter, e assim ele é classificado economicamente, precisa e pode propiciar uma experiência de socialização, nunca neguei isso em meus textos, só que essa socialização não se limita a quem pertence às organizadas…..o medo que as pessoas tem, por aspectos já discutidos, não ajuda nessa experiência. A questão da experiência é uma questão de marketing : o futebol hoje reduz seu mercado potencial aos que tem o qualificador de se sujeitar aos riscos e aos maus serviços prestados ao torcedor, com isso se perde muito mercado, conta também, não sou em quem diz, são pesquisas de mercado feitas pela IPSOS/Marplan, TNS Sports, etc. Visão simplista sua também.

    No mínimo você é incoerente , possui um blog que apoia o lado econômico e financeiro do futebol , todas suas palavras mostram seu estilo capitalista e ao mesmo tempo não se conforma que as organizadas vendam seus produtos também. NÃO ENTENDO.

    Não me conformo com o fato dos produtos das organizadas conterem elementos de marca e símbolos que não pertencem a elas, insisto que é uma forma velada de pirataria, não mudo minha opinião nisso; se criar marca própria, sem estes elementos, taí o mercado..se for competente ganha mercado, caso não seja, desaparece. De incoerente isso não tem nada.

    Cambista e Flanelinha você encontra em shows e teatros até em Nova Iorque e Milão.

    Problema deles, precisamos resolver o nosso aqui…a mediocridade alheia não justifica a nossa.

    Você diz que futebol é uma má opção de entreterimento. Aí é que você se equivoca.
    Futebol não é entreterimento. Claro que ele tem a utilidade de entreter as pessoas. Mas entreterimento com o sentido de compara-lo a outras opções de entreterimento , ele não se enquadra nesse nicho.

    O mercado assim considera, entretenimento. Claro que o futebol tem suas idiossincrasias, ele preenche a sensação intrínseca de pertencimento, de participar e ser parte de algo maior que lhe sirva de mecanismo de identificação, coisa que o cinema não provê. Só que estas necessidades últimas podem ser preenchidas meio que à distância, ser torcedor distante, de pouco consumo é a opção de muitos. Apenas um dado que apurei, 82% da população deste país admite torcer para algum time de futebol, apenas 13% consomem o produto in loco….o mercado potencial é grande e as melhorias em processos de compra de ingressos, lugar marcado, banheiro limpo e segurança trariam muita gente aos estádios, com isso o futebol todo melhoraria…é isso que você teima em negligenciar nos meus comentários.

    É isso aí , aceitar as diferenças !!!

    Comece por você, sua intransigência, e alguma pobreza conceitual, são itens que recomendo corrigir antes de empreender qualquer discussão mais elevada.

  17. Robert,

    A violência entre as organizadas são causadas em grande parte pelas outras violências da nossa sociedade. Mas no tocante a violência física(porrada) ela ocorre em 98% da situações só entre os próprios integrantes das organizadas.

    Injustificada sob qualquer questão, como você quer que o público veja o futebol se nem vocês se entendem??? Qualquer percepção de violência que o público tenha joga o futebol pra baixo em seu posicionamento como produto.

    “Guilherme, eu sou um torcedor também, eu grito, choro, vibro, chuto coisas, soco o ar como qualquer um de vocês. Só que tenho minha vida e minhas prioridades”
    QUANDO VOCÊ SE UTILIZA AS PALAVRAS “SÓ QUE” , VOCÊ ESTÁ CLARAMENTE SE DIFERENCIANDO E SE EXCLUINDO DESSE GRUPO QUE VOCÊ FAZIA PARTE EM TERMOS DE GRITAR , CHORAR , VIBRAR E ETC…

    Então interpretei direitinho seu texto , se não foi isso que você queria dizer , então assuma que não soube se expressar.

    Interpretação errada sua, todos tem suas prioridades. Eu sou tudo isso sim e não me excluo, só não faço parte de grupo algum.

    Sobre o futebol propiciar experiências econômicas ou sociais , isso já comentei e você repostou coisas que fogem da pauta central que é organizadas. e você atribui erroneamente tudo que acontece de forma errada em um estádio as organizadas. Aí complica.
    Medo sobre experiências vividas é uma coisa , medo sobre fofocas e campanhas televisivas , sem base prática é outra.

    Não atribuo todos os problemas às organizadas, você interpreta o texto como quer para criar factóides e colocar frases no meu texto. Há problemas da organização do futebol claros. O que você chama de “fofocas” e campanhas televisivas são a forma pela qual as pessoas encontram para se informar sobre o futebol, goste você ou não. Isso em parte se deve pelo nenhum diálogo que o futebol tem para com seu público consumidor; não reclame….se o futebol não se comunica com seu público, alguém o faz e aí diz o que quiser….o medo da violência percebida aparece em pesquisas nacionais, abrangentes geográficamente e no aspecto sócio-econômico…isso é um dado de mercado que o futebol deveria levar em conta para transformar sua atividade e atrair público.

    A Marca da organizada não é a mesma do clube , isso sim seria pirataria. É uma marca com um símbulo diferente que dentro dessa marca contém o símbulo do clube.
    Isso também já expliquei , nós não copiamos uma marca , nós somos a própria marca , principalmente no caso do Corinthians , que foi originado e fundado pela própra torcida.

    Se tem o símboldo do clube, mesmo de forma secundária, é uso indevido da marca. O Corinthians foi fundado em 1910 por um grupo de pessoas entusiastas do esporte e de origem majoritariamente operária; esse papo de “fundado pela torcida” é uma demagogia imensa..como em qualquer clube, ele pertence aos seus sócios.

    O mercado potencial dos consumidores de futebol é imenso , concordo , mas como você bem colocou , ele não é tanto explorado por conta muito mais da estrutura dos estádios , dos horários malucos que a TV impõe e da dificuldade de aquisição de ingressos. Se você atribuir toda a culpa nas organizadas , estará se equivocando novamente , até porque violência física dentro dos estadios hoje em dia é mais do que raro.

    Todas as razões acima fazem o futebol ter consumo abaixo do potencial, a violência atribuída TAMBÉM às organizadas é um dos problemas, se hoje é rara a violência nos estádios até é verdade, mas essa não é percepção do público, de novo, manifesta em pesquisas….é necessário um trabalho forte para mudar essa percepção; por menos que você goste ou concorde, o mercado define o valor do produto….e hoje a percepção do mercado é essa…se você gosta tanto do futebol e da torcida assim, trabalhe para mudar ao invés de ficar aqui se justificando.

    Sobre seu último parágrafo…

    Me perdoe novamente por baixar o nível de seu blog e de não saber conceituar as coisas.
    Mil perdões, um dia eu aprendo.

    Sem problemas, ninguém nasceu sabendo; é só estudar, se preparar, e olhar as coisas de forma mais ampla e menos convicta.

  18. Subservir essas torcidas não é o caminho, e sim o cumprimento do estatuto do torcedor tão esquecido pelos aqueles que fizeram tanto alarde para a sua aprovação…

    abraços..

    Esporte Social – Esporte, sociabiliação e saúde! http://www.esportesocial.com

    Concordo com você. Temos uma lei que dá o direito ao assento marcado, dentre outros direitos ao torcedor. Li o estatuto várias vezes e não vi nenhuma menção de diferenças de tratamento aos grupos organizados. Que comprem camarotes.

    Abraços,

    Robert

  19. Ok , Robert.
    Já externei meus pensamentos… Me alonguei até.
    Abraços !

    Guilherme, sem problemas, foi boa a discussão. Abraços, Robert

  20. O negócio é simples e direto. Torcidas Organizadas tem que ser cadastradas e responsabilizadas civil e criminalmente por aquilo que causarem…

    Se a policia bate em alguém não vamos processar o policial em si e sim a corporação e o estado; e assim deve ser com as torcidas organizadas.

    Abraço…

    Esporte Social – http://www.esportesocial.com

    Concordo com você, afinal democracia é feita de direitos, deveres e responsabilidade pelos seus atos.

    Abraços,

    Robert

  21. Moderado por linguajar inadequado e falta de capacidade de argumentação.


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