Como sou do tipo Woody Allen, daqueles “viciados” em terapia, resolvi estudar coaching.
Coaching é uma atividade que tem o objetivo de ajudar as pessoas a modificar sua vida para que se tornem “elas mesmas” e consigam os melhores resultados profissionais a partir disso. Para elas, os amigos, colegas e empresas onde ou para as quais trabalham.
Embora muitos profissionais não concordem, considero a atividade de coaching muito parecida com a de um terapeuta, com a diferença que a primeira tem, como foco principal, a carreira e o estilo de vida do indivíduo. Neste sentido, a terapia é mais abrangente.

Parreira: exemplo de uma boa gestão de carreira (EFE)
Os clubes de futebol e os empresários ligados ao setor deveriam cada vez mais pensar em contratar “coaches”. Eles podem ajudar os técnicos de futebol a direcionar melhor sua carreira, conseguir resultados satisfatórios em campo, tirar o melhor de seus jogadores. Podem ajudar atletas a definir prioridades, fazer escolhas, planejar o que pretendem conseguir da atividade, verificar aonde podem chegar e saber o que fazer quando encerrarem a carreira.
Despreparados, muitos jogadores que se aposentam não sabem o que fazer da vida, não se preparam para este momento, não conseguem viver sem holofotes e simplesmente piram. Não é à toa que vemos vários casos de ex-atletas que se tornam alcoólatras, entram em depressão – assunto tabu no futebol – e acabam vivendo na miséria.
Se tiverem a oportunidade de trabalhar com um coach desde o início da carreira, mais chances terão de obter qualidade de vida não só enquanto forem jogadores de futebol, mas também quando tiverem que se aposentar e partir para outra atividade.
Mas o papel do coach não é só esse. Ele pode ajudar um time a conseguir resultados melhores, não dizendo ao jogador o que ele tem ou não que fazer, isso cabe ao técnico do time, mas ao ajudá-lo a amadurecer, fazendo o atleta entender o que é trabalhar em grupo, respeitar a individualidade de seus companheiros, aceitar e se adaptar às mudanças, encarar a fama, críticas, pressão, lidar com dinheiro…
Não é por acaso que um dos livros pioneiros sobre a atividade de coaching é ligado ao esporte – no caso ao tênis -, embora pudesse ter sido focado em outras modalidades.
O livro foi publicado há 35 anos, chama-se “O Jogo Interior no Tênis” – tradução minha para o português -, de Tim Gallwey.
O autor, que era professor de tênis, mostra que um atleta desta modalidade tem dois adversários, o externo e o interno. E muitas vezes o interno é o pior. É contra ele que você tem que lutar, não pode perder o foco, tem de tentar evitar a distração, a irritação com um lance, que pode colocar toda sua estratégia a perder, manter a autoestima e a concentração.
É um livro muito interessante, pois não dá o peixe ao tenista, mas tenta ensiná-lo a pescar. O atleta tem, por exemplo, que descobrir o que faz ele perder o foco durante um jogo. A partir daí, entendendo o que se passa em sua mente, ele pode tentar redirecionar sua atenção para a partida, não caindo nos obstáculos que o tiram da direção correta. Enfim, é um jogo de autoconhecimento.
Em esportes onde a pressão por resultados é enorme, a instabilidade é muito grande e a carreira pode ser curta, clubes e empresários de futebol deveriam pensar em ter profissionais que ajudem seus jogadores e técnicos a orientar suas carreiras, pensar como equipe, dialogar, e ter uma melhor qualidade de vida.
Mas devem contratar um profissional sério e competente, caso contrário não apenas podem como acabam colocando tudo a perder. E aí a casa acaba ruindo de vez.
Sou formada em administração de empresas, com ênfase na área de recursos humanos. Coaching é uma atividade muito forte nos USA e ainda incipiente no Brasil. A NBA deve ser usada como base. Lá quase todos os jogadores são assessorados e aprendem a conduzir suas carreiras. Mesmo assim muitos fazem besteiras. No Brasil há uma associação de coaching para quem quiser se especializar na modalidade, que começou com o mundo esportivo, mas abrange, agora, todos os campos de atividades profissionais. Recomendo. Bjs. a vocês que fazem um blog com conteúdo, Flávia.
Por: Flavia Gouveia em 28/janeiro/2009
às 8:17 pm
Trabalho com a Flávia, que acabou de me recomendar este texto. É muito oportuno. Estudei coaching na Florida e pretendo trabalhar com categorias de base de futebol no Brasil. O Assumpção colocou com propriedade do que se trata essa atividade profissional. Há vários tipos de coaching, desde o coaching individual até o coaching de empresas, no caso, de clubes. Num país como o Brasil, onde os jogadores são explorados por empresários e pelos próprios clubes, um profissional da área é de grande importância mesmo. Parabéns pelo post e pelo blog, Pedro Nogueira de Araújo (com MBA nos USA).
Por: Pedro Araújo em 28/janeiro/2009
às 8:24 pm
Flávia e Pedro, obrigado pelos comentários.
Em relação à NBA, não sabia que havia um trabalho de coaching estruturado. Acredito que é importante para qualquer indivíduo que esteja almejando mudanças profissionais. Pelo menos pode ajudá-lo. E é ele, não o coach, quem tem de definir o que quer fazer da vida, que rumo tomar.
Ainda sobre o basquete, acabo de chegar do Pinheiros, onde o Flamengo ganhou por um ponto na estreia do NBB, veio agora à minha cabeça um jogo em Sydney, durante os Jogos de 2000. A Lituânia quase ganha dos EUA, a galera toda torcendo contra os norte-americanos (menos os norte-americanos, claro) e a briga começa nas arquibancadas. Na saída dos jogadores, tensão. Para não falarem besteiras, os atletas norte-americanos são obrigados pela assessoria da seleção a deixar a quadra e só dar entrevista depois de mais de meia hora. Neste caso, eu, que defendi a espontaneidade dos atletas nas entrevistas, acho que foi uma medida inteligente. E é quase que norma no Dream Team. Assim evita criar qualquer conflito que ganhe proporções maiores. Ainda mais pelo papel que os EUA têm no mundo. Abs. João
Por: João Carlos Assumpção em 28/janeiro/2009
às 11:22 pm
Nada referenet ao post, é só um comentário.
o seu blog é excelente.
O problema é que você evita aqui citar o nome do Sport Club Corinthians Paulista, a maior marca do futebol brasileiro, segundo a GAZETA MERCANTIL.
É interessante um blog de brasileiro, cujo título é futebol e negócio, pouco citar a maior marca do futebol brasileiro, cuja sede fica no Estado mais rico da Federaçào.
Muito Interessante.
Por: Marco Fuoco Júnior em 29/janeiro/2009
às 12:08 pm
Não entendi bem a questão do Corinthians, os responsáveis pelo blog que se manifestem.
Minha pergunta é outra: que tal coaching para jornalistas? É uma classe que costumo beber muito, também precisa de holofotes e reconhecimento, também tem muita depressão e o repórter ou comentarista ou narrador também não sabe a hora de parar.
Nada contra jornalistas, mas é uma profissão muito exigente, como a minha, que é a publicidade, e o nível de estresse, depressão e alcoolismo, sem falar em outras coisas, me deixa impressionado.
Por: Victor Queiroz em 29/janeiro/2009
às 12:22 pm
Pois é, Victor…
Eu também não entendi a questão do Corinthians neste post.
Mas já respondi o Marco no post em que ele também reclamou dessa suposta indiferença ao time dele:
http://futebolnegocio.wordpress.com/2009/01/25/mais-um-idolo-brasileno/#comment-2020
Janca, parabéns pela abordagem de um tema diferente e interessante!
E pra quem quiser informações de apenas um clube, sugiro que procure blogs especializados.
Sobre o Corinthians, por exemplo, a nossa leitora Yule tem um ótimo!
Abs,
Marcos Silveira
Por: Marcos Silveira em 29/janeiro/2009
às 12:39 pm
Tem muito jogador que não sabe quando parar. O Romário foi até o limite dele, o Ronalducho continua insistindo, deve ser difícil depois de tanta fama sair da luz dos holofotes. O Maradona não conseguiu, caiu nas drogas e até hoje não sabe qual a dele. Técnico de futebol certamente não é, ainda mais da Arg4entina. André
Por: André Bastos em 29/janeiro/2009
às 2:25 pm
Como psicóloga não quero perder a oportunidade de deixar bem claro que terapia e coaching são duas atividades diferentes, conforme colocou o Assumpção. Coaching costuma ser mais rápido e tem um foco específico, a carreira profissional. Terapia é muito mais abrangente do que isso e não um simples “remédio”, como querem colocar alguns profissionais de coaching.
Sobre a questão da depressão, um assunto a ser discutido. Tema tabu, mas frequente em atividades onde o estresse e a pressão por resultados estão presentes em todos os segundos, caso de jogadores profissionais, jornalistas, publicitários e outros mais. Para estes casos (pessoas com esse tipo de problema, seja depressão, alcoolismo, o que foi citado acima), melhor procurar um profissional do ramo: terapeuta e/ou psiquiatra.
Por: Catarina Vasconcellos em 29/janeiro/2009
às 2:36 pm
A questão do coaching é relevante ao extremo no sentido que o serviço que o atleta presta ao clube que o contrata também é um produto sujeito à questões mercadológicas como qualquer outro, tem seu posicionamento, o que seus “compradores” pensam dele, etc. Por isso é relevante o post e, também, os comentários da Flávia e do Pedro, gente do ramo.
A prática de coaching para atletas ganha mais importância, no caso do ramo estudado por nós, pelas naturais deficiências de nosso sistema educacional e por vivermos em uma sociedade de valores éticos duvidosos.
A administração de carreiras, infelizmente, é algo muito preliminar no esporte brasileiro e que com a profissionalização tende a ganhar força, independente de clube, de Estado, de país, etc.
Abraços a todos,
Robert
Por: Robert Alvarez Fernández em 29/janeiro/2009
às 2:40 pm
Assumpção, Robert e Frigério, como tenho muito interesse na área (estudei coaching e administração esportiva), cada um de vocês não pode fazer um post sobre livros que recomendariam para a gente? Livros de futebol e marketing/administração esportiva. SE não for pedir muito, muito obrigado aos três. Pedro Nogueira de Araújo
Por: Pedro de Araújo em 29/janeiro/2009
às 2:45 pm
Desculpem só responder agora, mas em relação ao Corinthians, o post depois do meu foi justamente sobre o Timão… Já em relação ao que escreveu a Catarina, assino embaixo. De certa forma, ela respondeu a questão do Victor Queiroz. E quanto ao pedido do Pedro vou tentar me organizar para escrever sobre isso na semana que vem. Abs. a todos, João Carlos
Por: João Carlos Assumpção em 30/janeiro/2009
às 12:53 am
Também posso sugerir alguma literatura, já havia comentado essa possibilidade com o nosso Editor Chefe, Marcos Silveira.
João e eu vamos nos coordenar aqui para escolher a melhor forma de atender à demanda do Pedro.
Abraços,
Robert
Por: Robert Alvarez Fernández em 30/janeiro/2009
às 8:31 am
Olá João Carlos,
Parabéns pelo blog, sempre atualizado.
Sobre o “post”, gostei muito e acho que os jogadores brasileiros precisam pensar mais em como organizar suas carreiras principalmente no quesito transferências internacionais. Esse papo de que carreira de jogador de futebol é curta e tem que aproveitar o momento e blá,blá,blá é coisa de pessoas imaturas e irrresponsáveis que deixam os empresários conduzirem suas carreiras.
Os mesmos empresários ds quais depois se queixam e entram em litígio.
Abaixo o paternalismo, mais profissionalismo para os jogadores brasileiros.
Abraços
Por: Marcelo Barbosa em 2/fevereiro/2009
às 4:03 pm
Esse post já tem um tempo que foi publicado mas como a discução permanesse vou dar minha contribuição.
Eu tenho enorme interesse nesse casamento Futebol e Negócio, já inclusive conversei com o Marcos pelo emai.
Mas com relação ao Coaching posso dizer o seguinte. Trabalho em uma empresa de Finanças Pessoais e nosso trabalho é levar as familias um Coach para as finanças.
Vi aqui em muitos comentários que o Coaching pode ser importante para o esporte e para outras profissões estressantes, porém todos concordamos que finanças é o assunto que mais estressa as pessoas, pode levar uma familia a se separar, e até pessoas a se matarem, por isso acredito que a prática de Coaching será ainda muito utilizada em todas as áreas da nossa vida.
Quem quiser saber mais a empresa que trabalho chama-se Life Finanças Pessoais.
Parabéns ao Blog
Abraços,
Por: rodrigogibin em 3/março/2009
às 1:04 pm