Publicado por: João Carlos Assumpção | 28/janeiro/2009

Coaching

Como sou do tipo Woody Allen, daqueles “viciados” em terapia, resolvi estudar coaching.

Coaching é uma atividade que tem o objetivo de ajudar as pessoas a modificar sua vida para que se tornem “elas mesmas” e consigam os melhores resultados profissionais a partir disso. Para elas, os amigos, colegas e empresas onde ou para as quais trabalham.

Embora muitos profissionais não concordem, considero a atividade de coaching muito parecida com a de um terapeuta, com a diferença que a primeira tem, como foco principal, a carreira e o estilo de vida do indivíduo. Neste sentido, a terapia é mais abrangente.

exemplo de uma boa gestão de carreira

Parreira: exemplo de uma boa gestão de carreira (EFE)

Os clubes de futebol e os empresários ligados ao setor deveriam cada vez mais pensar em contratar “coaches”. Eles podem ajudar os técnicos de futebol a direcionar melhor sua carreira, conseguir resultados satisfatórios em campo, tirar o melhor de seus jogadores. Podem ajudar atletas a definir prioridades, fazer escolhas, planejar o que pretendem conseguir da atividade, verificar aonde podem chegar e saber o que fazer quando encerrarem a carreira.

Despreparados, muitos jogadores que se aposentam não sabem o que fazer da vida, não se preparam para este momento, não conseguem viver sem holofotes e simplesmente piram. Não é à toa que vemos vários casos de ex-atletas que se tornam alcoólatras, entram em depressão – assunto tabu no futebol – e acabam vivendo na miséria.

Se tiverem a oportunidade de trabalhar com um coach desde o início da carreira, mais chances terão de obter qualidade de vida não só enquanto forem jogadores de futebol, mas também quando tiverem que se aposentar e partir para outra atividade.

Mas o papel do coach não é só esse. Ele pode ajudar um time a conseguir resultados melhores, não dizendo ao jogador o que ele tem ou não que fazer, isso cabe ao técnico do time, mas ao ajudá-lo a amadurecer, fazendo o atleta entender o que é trabalhar em grupo, respeitar a individualidade de seus companheiros, aceitar e se adaptar às mudanças, encarar a fama, críticas, pressão, lidar com dinheiro…

Não é por acaso que um dos livros pioneiros sobre a atividade de coaching é ligado ao esporte – no caso ao tênis -, embora pudesse ter sido focado em outras modalidades.

O livro foi publicado há 35 anos, chama-se “O Jogo Interior no Tênis” – tradução minha para o português -, de Tim Gallwey.

O autor, que era professor de tênis, mostra que um atleta desta modalidade tem dois adversários, o externo e o interno. E muitas vezes o interno é o pior. É contra ele que você tem que lutar, não pode perder o foco, tem de tentar evitar a distração, a irritação com um lance, que pode colocar toda sua estratégia a perder, manter a autoestima e a concentração.

É um livro muito interessante, pois não dá o peixe ao tenista, mas tenta ensiná-lo a pescar. O atleta tem, por exemplo, que descobrir o que faz ele perder o foco durante um jogo. A partir daí, entendendo o que se passa em sua mente, ele pode tentar redirecionar sua atenção para a partida, não caindo nos obstáculos que o tiram da direção correta. Enfim, é um jogo de autoconhecimento.

Em esportes onde a pressão por resultados é enorme, a instabilidade é muito grande e a carreira pode ser curta, clubes e empresários de futebol deveriam pensar em ter profissionais que ajudem seus jogadores e técnicos a orientar suas carreiras, pensar como equipe, dialogar, e ter uma melhor qualidade de vida.

Mas devem contratar um profissional sério e competente, caso contrário não apenas podem como acabam colocando tudo a perder. E aí a casa acaba ruindo de vez.

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Responses

  1. Sou formada em administração de empresas, com ênfase na área de recursos humanos. Coaching é uma atividade muito forte nos USA e ainda incipiente no Brasil. A NBA deve ser usada como base. Lá quase todos os jogadores são assessorados e aprendem a conduzir suas carreiras. Mesmo assim muitos fazem besteiras. No Brasil há uma associação de coaching para quem quiser se especializar na modalidade, que começou com o mundo esportivo, mas abrange, agora, todos os campos de atividades profissionais. Recomendo. Bjs. a vocês que fazem um blog com conteúdo, Flávia.

  2. Trabalho com a Flávia, que acabou de me recomendar este texto. É muito oportuno. Estudei coaching na Florida e pretendo trabalhar com categorias de base de futebol no Brasil. O Assumpção colocou com propriedade do que se trata essa atividade profissional. Há vários tipos de coaching, desde o coaching individual até o coaching de empresas, no caso, de clubes. Num país como o Brasil, onde os jogadores são explorados por empresários e pelos próprios clubes, um profissional da área é de grande importância mesmo. Parabéns pelo post e pelo blog, Pedro Nogueira de Araújo (com MBA nos USA).

  3. Flávia e Pedro, obrigado pelos comentários.
    Em relação à NBA, não sabia que havia um trabalho de coaching estruturado. Acredito que é importante para qualquer indivíduo que esteja almejando mudanças profissionais. Pelo menos pode ajudá-lo. E é ele, não o coach, quem tem de definir o que quer fazer da vida, que rumo tomar.
    Ainda sobre o basquete, acabo de chegar do Pinheiros, onde o Flamengo ganhou por um ponto na estreia do NBB, veio agora à minha cabeça um jogo em Sydney, durante os Jogos de 2000. A Lituânia quase ganha dos EUA, a galera toda torcendo contra os norte-americanos (menos os norte-americanos, claro) e a briga começa nas arquibancadas. Na saída dos jogadores, tensão. Para não falarem besteiras, os atletas norte-americanos são obrigados pela assessoria da seleção a deixar a quadra e só dar entrevista depois de mais de meia hora. Neste caso, eu, que defendi a espontaneidade dos atletas nas entrevistas, acho que foi uma medida inteligente. E é quase que norma no Dream Team. Assim evita criar qualquer conflito que ganhe proporções maiores. Ainda mais pelo papel que os EUA têm no mundo. Abs. João

  4. Nada referenet ao post, é só um comentário.

    o seu blog é excelente.

    O problema é que você evita aqui citar o nome do Sport Club Corinthians Paulista, a maior marca do futebol brasileiro, segundo a GAZETA MERCANTIL.

    É interessante um blog de brasileiro, cujo título é futebol e negócio, pouco citar a maior marca do futebol brasileiro, cuja sede fica no Estado mais rico da Federaçào.

    Muito Interessante.

  5. Não entendi bem a questão do Corinthians, os responsáveis pelo blog que se manifestem.
    Minha pergunta é outra: que tal coaching para jornalistas? É uma classe que costumo beber muito, também precisa de holofotes e reconhecimento, também tem muita depressão e o repórter ou comentarista ou narrador também não sabe a hora de parar.
    Nada contra jornalistas, mas é uma profissão muito exigente, como a minha, que é a publicidade, e o nível de estresse, depressão e alcoolismo, sem falar em outras coisas, me deixa impressionado.

  6. Pois é, Victor…

    Eu também não entendi a questão do Corinthians neste post.
    Mas já respondi o Marco no post em que ele também reclamou dessa suposta indiferença ao time dele:

    http://futebolnegocio.wordpress.com/2009/01/25/mais-um-idolo-brasileno/#comment-2020

    Janca, parabéns pela abordagem de um tema diferente e interessante!

    E pra quem quiser informações de apenas um clube, sugiro que procure blogs especializados.
    Sobre o Corinthians, por exemplo, a nossa leitora Yule tem um ótimo!

    Abs,
    Marcos Silveira

  7. Tem muito jogador que não sabe quando parar. O Romário foi até o limite dele, o Ronalducho continua insistindo, deve ser difícil depois de tanta fama sair da luz dos holofotes. O Maradona não conseguiu, caiu nas drogas e até hoje não sabe qual a dele. Técnico de futebol certamente não é, ainda mais da Arg4entina. André

  8. Como psicóloga não quero perder a oportunidade de deixar bem claro que terapia e coaching são duas atividades diferentes, conforme colocou o Assumpção. Coaching costuma ser mais rápido e tem um foco específico, a carreira profissional. Terapia é muito mais abrangente do que isso e não um simples “remédio”, como querem colocar alguns profissionais de coaching.
    Sobre a questão da depressão, um assunto a ser discutido. Tema tabu, mas frequente em atividades onde o estresse e a pressão por resultados estão presentes em todos os segundos, caso de jogadores profissionais, jornalistas, publicitários e outros mais. Para estes casos (pessoas com esse tipo de problema, seja depressão, alcoolismo, o que foi citado acima), melhor procurar um profissional do ramo: terapeuta e/ou psiquiatra.

  9. A questão do coaching é relevante ao extremo no sentido que o serviço que o atleta presta ao clube que o contrata também é um produto sujeito à questões mercadológicas como qualquer outro, tem seu posicionamento, o que seus “compradores” pensam dele, etc. Por isso é relevante o post e, também, os comentários da Flávia e do Pedro, gente do ramo.

    A prática de coaching para atletas ganha mais importância, no caso do ramo estudado por nós, pelas naturais deficiências de nosso sistema educacional e por vivermos em uma sociedade de valores éticos duvidosos.

    A administração de carreiras, infelizmente, é algo muito preliminar no esporte brasileiro e que com a profissionalização tende a ganhar força, independente de clube, de Estado, de país, etc.

    Abraços a todos,

    Robert

  10. Assumpção, Robert e Frigério, como tenho muito interesse na área (estudei coaching e administração esportiva), cada um de vocês não pode fazer um post sobre livros que recomendariam para a gente? Livros de futebol e marketing/administração esportiva. SE não for pedir muito, muito obrigado aos três. Pedro Nogueira de Araújo

  11. Desculpem só responder agora, mas em relação ao Corinthians, o post depois do meu foi justamente sobre o Timão… Já em relação ao que escreveu a Catarina, assino embaixo. De certa forma, ela respondeu a questão do Victor Queiroz. E quanto ao pedido do Pedro vou tentar me organizar para escrever sobre isso na semana que vem. Abs. a todos, João Carlos

  12. Também posso sugerir alguma literatura, já havia comentado essa possibilidade com o nosso Editor Chefe, Marcos Silveira.

    João e eu vamos nos coordenar aqui para escolher a melhor forma de atender à demanda do Pedro.

    Abraços,

    Robert

  13. Olá João Carlos,
    Parabéns pelo blog, sempre atualizado.
    Sobre o “post”, gostei muito e acho que os jogadores brasileiros precisam pensar mais em como organizar suas carreiras principalmente no quesito transferências internacionais. Esse papo de que carreira de jogador de futebol é curta e tem que aproveitar o momento e blá,blá,blá é coisa de pessoas imaturas e irrresponsáveis que deixam os empresários conduzirem suas carreiras.
    Os mesmos empresários ds quais depois se queixam e entram em litígio.
    Abaixo o paternalismo, mais profissionalismo para os jogadores brasileiros.
    Abraços

  14. Esse post já tem um tempo que foi publicado mas como a discução permanesse vou dar minha contribuição.

    Eu tenho enorme interesse nesse casamento Futebol e Negócio, já inclusive conversei com o Marcos pelo emai.

    Mas com relação ao Coaching posso dizer o seguinte. Trabalho em uma empresa de Finanças Pessoais e nosso trabalho é levar as familias um Coach para as finanças.

    Vi aqui em muitos comentários que o Coaching pode ser importante para o esporte e para outras profissões estressantes, porém todos concordamos que finanças é o assunto que mais estressa as pessoas, pode levar uma familia a se separar, e até pessoas a se matarem, por isso acredito que a prática de Coaching será ainda muito utilizada em todas as áreas da nossa vida.

    Quem quiser saber mais a empresa que trabalho chama-se Life Finanças Pessoais.

    Parabéns ao Blog

    Abraços,


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