Publicado por: Amir Somoggi | 24/outubro/2008

Futebol francês, um modelo a ser estudado

Há um bom tempo comentei sobre o modelo de gestão do futebol francês e como a Liga daquele país é gerida. Em minha opinião um ponto interessante a ser analisado no mercado francês de futebol é que embora esteja se desenvolvendo, atualmente a primeira divisão francesa ocupa a quinta posição entre as Big 5 Leagues da Europa, além de possuir um baixo incremento das receitas com estádios e exploração comercial das marcas dos clubes, quando comparado com outros mercados mais desenvolvidos como a Inglaterra.

 

 

Na temporada 2006-2007 a Ligue 1 da França gerou € 972 milhões em receitas, uma evolução de 60% em relação a temporada 1999-2000 e nada menos que 2,4 vezes menos do que faturou a Premier League na temporada 2006-2007 e essa diferença na temporada 2007-08 deve se acentuar mais ainda.

 

Um dos maiores problemas enfrentados pelo futebol francês é a extrema dependência dos recursos provenientes dos contratos televisivos, um dos maiores da Europa. O ticket médio na Ligue 1 na compra de ingressos é de apenas € 16 por torcedor, o menor entre os principais mercados europeus de futebol.

 

Fontes de Receitas Ligue 1 – França

Em € milhões

  

 

DNCG

 

Entretanto o modelo de gestão aplicado na administração da Liga deve ser estudado, dado o alto grau de profissionalismo. Na França existe um órgão independente chamado DNCG- Direção Nacional de Controle de Gestão, que atua associado ao Governo e é o responsável pela  fiscalização do esporte profissional francês que inclui o futebol, rúgbi, basquete e handebol.

 

Entre as principais atribuições do DNC estão:

 

  • Verificar os riscos financeiros da gestão dos clubes;
  • Verificar se a gestão de cada clube está adaptada à Legislação vigente;
  • Analisar a estrutura jurídica dos clubes e a situação dos acionistas;
  • Verificar o orçamento dos clubes para a temporada e temporadas futuras;
  • Fiscalizar os balanços patrimoniais dos clubes;
  • Punir os clubes que não seguirem as regras.

 

Essas são as punições para os clubes que infringirem as regras estabelecidas:

 

  • Multas;
  • Impossibilidade de assinar contratos com jogadores;
  • Exclusão da Copa da França;
  • Exclusão da Liga Francesa;
  • Rebaixamento;
  • Exclusão definitiva das competições.

 

Alguns clubes já foram punidos pelo DNCG como o Giron de Bordeaux, Olympique de Maseille, Saint-Étienne, Tolouse e Monaco.

 

O mercado francês possui um modelo de gestão único no mundo e esse talvez seja um dos fatores que  levaram a debilidade de seu mercado frente aos seus concorrentes diretos na Europa, que estão inseridos em um ambiente absolutamente desregulado, além da supremacia do Olympic de Lyon frente aos seus concorrentes no últimos sete anos.

 

Com a nova realidade que a UEFA e FIFA defendem para o futebol europeu, esse modelo não poderia ser aplicado aos outros mercados na Europa?

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Responses

  1. Ótimo post.

    Definitivamente, modelos e idéias para o Brasil copiar ou se espelhar não faltam.

    O que falta é vontade. Qual desses dirigentes vão querer algo assim? Os clubes cada vez mais endividados, mas os dirigentes cada vez mais ricos.

    Olá Thiago,

    Não só no Brasil é difícil de implementar um modelo assim, como em grande parte da Europa.

    Mas seguramente o Governo brasileiro poderia importar a filosofia de fiscalização para o esporte profissional, entretanto nosso momento está bem distante dessa realidade.

    Um abraço.

    Amir

  2. Amir, se não me engano, na Austrália há um órgão muito parecido com o DNCG. Só que eles vão além. Há um teto salarial no qual apenas 2 jogadores por time pode passar: o considerado o craque do time e a jovem promessa.

    Não é um modelo tão fácil de ser aplicado, mas acredito que num futuro bem próximo todos os outros países copiarão. Pelo menos é o que deveria acontecer.

    Parabéns pelo post.

    Abraço

    Olá Diego,

    Obrigado pela dica.

    Vou investigar o modelo de gestão na Austrália e se eu conseguir boas informações, publico um
    post sobre a realidade de lá.

    O caminho para o fim do descontrole da gestão do futebol passa obrigatoriamente por uma fiscalização rígida nas finanças dos clubes.

    A UEFA está muito interessada em implementar regras mais rígidas para sua licença, vamos ver como isso vai evoluir.

    Um abraço.

    Amir

  3. “O mercado francês possui um modelo de gestão único no mundo e esse talvez seja um dos fatores que levaram a debilidade de seu mercado frente aos seus concorrentes diretos na Europa”.
    Amir, quais pontos você aponta como vantagens e desvantagens desses modelos dada a realidade do futebol brasileiro?

    Olá Fábio,

    A maior vantagem desse modelo praticado na França e que poderia ser adaptado ao mercado brasileiro é a fiscalização das finanças dos clubes profissionais por parte de um órgão independedente e isento, o que gera credibilidade e transparência para o mercado, itens mais do que necessários para o futebol brasileiro.

    A maior desvantagem por que passa o mercado francês é a falta de regulação de outros mercados, o que acaba debilitando os clubes da França em comparação com ingleses, espanhóis e italianos.

    Mas em minha opinião um modelo de fiscalização independente traz mais benefícios que malefícios ao mercado.

    E caso o mercado europeu passe por uma reestruturação financeira, os clubes franceses podem se beneficiar do modelo praticado em seu país.

    Um abraço.

    Amir

  4. Em que medida a desregulação dos demais mercados prejudica ao mercado francês?

  5. Porque você acredita que a desregulação dos demais mercados prejudica ao mercado francês?

    Olá Fábio,

    Simplesmente pelo fato que um Chelsea ou um Manchester podem gerir suas finanças da forma que quiserem, enquanto que os clubes franceses são obrigados a apresentar e seguir rigidamente seus orçamentos analisados e aprovados antecipadamente pelo DNCG.

    Isso gera um controle rígido em um mercado, contra uma total falta de controle em outros países, e os times se confrontam nas competições européias…

    Um abraço.

    Amir

  6. Olá Amir. Parabéns pelo post e pelo blog. Duas
    dúvidas:
    1-) O fato de as demais ligas européias, como a inglea e a italiana, não possuírem um órgão regulador forte não deveria passar falta de credibilidade aos investidores (mídia e publicidade) fazendo retrair os investimentos, e portanto a rentabilidade da liga? A Liga Francesa, com maior regulação e portanto mais credibilidade, não deveria atrair maior número de investimentos do que os demais países?
    2-) Tenho curiosidade em saber como funciona a regulação das finanças nas ligas americanas (NBA, NFL e MLB) já que são as mais rentáveis do mundo.
    Abraço.

    Olá André,

    Respondendo a sua pergunta, sem dúvida a lógica seria essa, quanto mais transparência e regulação na gestão de uma Liga, maior seria o interesse de investidores. Entretanto os útlimos anos têm demonstrado que uma menor regulação tem atraido mais recursos, o que nos faz acreditar que quem está investindo no futebol europeu não busca um controle excessivo das finanças, caso emblemático é o futebol inglês.

    Com relação às Ligas dos EUA, vale uma correção, a NFL e MLB são as mais ricas do planeta, já a NBA perdeu o terceiro posto para a Premier League da Inglaterra, que conta ainda com 10 times a menos que a Liga Profissional de basquete.

    Nos EUA cada Liga administra com mão de ferro os negócios e controla as finanças das franquias que são empresas. O controle da Liga é total sobre os direitos de TV, vendas de produtos licenciados e cotas de patrocínio da Liga. Os times são obrigados a dividir de forma igualitária os recursos provenientes dessas receitas. As franquias têm liberdade somente para explorar as receitas com estádio e ações comerciais individuais com seus patrocinadores.

    Se isso fosse utilizado no Brasil o Ipatinga e o Flamengo receberiam os mesmos valores nos contratos televisivos negociados com o C13, algo inimaginável.

    Um abraço.

    Amir


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