O Campeonato Paulista de 2008 apresentou dados de público presente nos estádios e receitas líquidas para os clubes mandantes acima da edição de 2007. Considerando os 202 jogos realizados o público total foi de quase 1,4 milhão de torcedores, uma evolução de mais de 16% em relação ao ano anterior. As 19 rodadas iniciais levaram 1,2 milhão de torcedores e os jogos das semifinais e finais (incluindo a disputa pelo título do interior) levaram 166,6 mil torcedores aos estádios. Minha análise tomou como base os borderôs das partidas que cada clube mandante realizou.
Já as receitas líquidas geradas pelos clubes cresceram em uma proporção muito maior que o público e atingiram R$ 18,6 milhões, uma evolução de mais de 53% em relação à edição de 2007. Os jogos da fase inicial representaram 78% desse montante, sendo que esses 190 jogos classificatórios corresponderam a 94% de todos os jogos da competição. Esse resultado expressivo foi ocasionado pelo excelente ticket médio líquido de muitos jogos da competição, nas fases finais e também em confrontos de clubes pequenos contra clubes grandes no interior do estado na fase inicial.
O maior destaque no quesito receitas líquidas foi o campeão Palmeiras, que em 12 jogos disputados gerou R$ 4,85 milhões, sendo responsável por 26% do montante líquido gerado pela competição, enquanto que em termos de público o campeão paulista de 2008 foi responsável por 16% de todos os torcedores que compraram ingressos no Paulistão 2008.
O campeão Palmeiras, maior destaque em receitas de bilheteria (Foto: GloboEsporte.com)

O São Paulo foi o segundo colocado em receitas líquidas em toda a competição com um montante de R$ 2,47 milhões, seguido do Corinthians com R$ 1,77 milhão e da Ponte Preta com R$ 1,37 milhão gerados.
Se considerarmos apenas a fase inicial o Palmeiras gerou R$ 1 milhão a mais que o Corinthians, segundo colocado em receitais líquidas até a 19ª rodada e R$ 1,2 milhão a mais que o São Paulo, terceiro colocado em receitas líquidas na fase inicial.
Entre os grandes clubes a maior decepção em geração de receitas líquidas foi o Santos que amargou a 12ª posição entre os clubes que mais arrecadaram, com um valor total gerado de R$ 434,6 mil, atrás de clubes como Portuguesa, Juventus e Marília, que também não se classificaram para a fase final e que se beneficiaram de receitas geradas em jogos com seu mando em confrontos contra os grandes.
Esse Paulistão, em minha opinião, comprovou uma tese que defendo há muito tempo: mesmo com estádios precários o mercado brasileiro pode crescer muito em receitas de bilheteria, trabalhando com o conceito de ampliação do ticket médio líquido. Imaginem o potencial de crescimento que os clubes brasileiros podem ter se conseguissem desenvolver além da venda de ingressos também outras receitas em dias de jogos, impactando ainda mais o valor médio recebido de cada torcedor.
Esses foram os jogos com maior ticket médio líquido por torcedor no Paulistão 2008:

Esse Paulistão apresentou um ticket médio líquido em 202 jogos de pouco mais de R$ 8 por torcedor, sendo que 83% dos jogos realizados apresentaram receitas líquidas positivas.
Entretanto 38% dos jogos apresentaram ticket médio líquido acima de R$ 9 por torcedor, 22% acima de R$ 12 e 15% acima de R$ 17, vale lembrar que estou analisando o valor líquido recebido, descontado todos os encargos.
Assim mesmo um campeonato com menor apelo como o Paulista, em comparação ao Campeonato Brasileiro ou Libertadores, provou ser possível ampliar o ticket médio na venda de ingressos, já que muitos jogos no interior de São Paulo apresentaram valores médios líquidos acima do que muitos clubes grandes apresentam em jogos da Libertadores da América. Portanto há muito espaço para crescer no nosso mercado em termos de receitas com os jogos.
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