Publicado por: Maurício Bardella | 25/abril/2008

Resultados financeiros do São Paulo

Cumprindo suas obrigações legais, o São Paulo F.C. publicou nessa semana as informações relativas a seu balanço de 2007.

 

Em razão de ser o clube do Morumbi reconhecido por sua estrutura administrativa, acho que vale a pena analisar alguns aspectos específicos.

 

Abaixo apresento o faturamento do departamento de futebol do São Paulo. Observem a enorme participação das receitas derivadas da venda de atletas (repasse de direitos federativos) em relação à receita total.

 

 

 

  

Portanto, mais da metade (sim, metade!) de toda a receita que o futebol do clube obteve em 2007 foi resultado da venda de atletas, especialmente com o excelente negócio (ao menos do ponto de vista financeiro) conseguido com a transferência do jovem jogador Breno.

 

Esse é um triste retrato de nosso futebol. Até o clube com o maior faturamento do país depende excessivamente dos recursos resultantes da venda de seus atletas para equilibrar suas contas. Ao mesmo tempo em que a receita foi fortemente impactada por esse fator, o volume de dinheiro investido no futebol explodiu, passando de R$ 70 milhões em 2006 para R$ 110 Milhões em 2007. A ser mantido esse nível de despesas, o São Paulo estará em apuros no caso de não realizar transações de jogadores em valores substanciais nos próximos exercícios.

 

Destaque nas contas do futebol para o crescimento de 34% nas receitas derivadas de licenciamentos, mesmo que seu volume absoluto ainda seja pequeno. Por outro lado, as receitas com bilheteria sofreram uma queda acentuada, de quase 33%, em boa parte pela eliminação precoce na Taça Libertadores da América.

 

Como fatores positivos, cito o equilíbrio das contas do departamento social e de esportes amadores, que gerou superávit de quase R$ 1,5 Milhão em 2007, na contramão da grande maioria dos clubes brasileiros.

 

Entre as receitas não contabilizadas no departamento de futebol, destaco a captação de R$ 12,44 Milhões através da lei de Incentivo ao Esporte, e que deverão ser aplicados no CT de Cotia, destinado às categorias de base. Veja abaixo quadro com o resultado total de 2007 (em milhares de reais):

 

 

 

 

 

Por fim, observo que o estádio do Morumbi cada vez mais se configura como uma importante fonte de receitas, como se pode ver no quadro abaixo:

 

 

 

 

O valor obtido com camarotes e cadeiras cativas no Morumbi saltou de R$ 4,8 Milhões em 2006 para R$ 7,1 Milhões no ano passado. Também se conseguiu cerca de R$ 1,4 Milhão a mais com aluguéis.

 

Para quem ainda questiona a importância de possuir um estádio próprio com o objetivo de ampliar as receitas do clube, o Morumbi, mesmo com suas limitações atuais, é um exemplo muito positivo, já que a receita cresce ano após ano e tem um impacto importante na receita total do São Paulo.

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Responses

  1. Maurício, gostaria de parabenizar a você e a todos os demais que participam desse blog, tornando-o uma fonte completa de informações do marketing esportivo. Estou fazendo uma monografia sobre o tema e posso afirmar com certeza que o blog vem sendo de uma ajuda imensa, uma fonte riquissima de dados.

    O balanço do Palmeiras também já foi disponibilizado? Há algum artigo nos moldes desse do São Paulo que falará sobre o time alvi-verde?

    Mais uma vez, PARABÈNS a todos

    Olá, Felipe, obrigado pelas palavras encorajadoras. O balanço do Palmeiras já foi publicado, sim, e meu próximo post será sobre esse tema.

    Valeu.

    Mauricio

  2. Oi Maurício,

    Parabéns pelo blog !
    Sobre o balanço do SP é interessante perceber o quanto todos os clubes do Brasil tem muita dificuldade para se manter. Mais de 50% com transferência de direitos de jogador é absurdo e se não fosse o Breno, o SP teria muitos problemas já para esse ano. E olha que o SP ganhou tudo nos últimos 3 anos…
    Faltou uma análise do balanço do Palmeiras divulgado em 20 de março. Se quiser posso te enviar…Abs!

    Vagner, valeu pela dica. Localizei o balanço do Palmeiras no Diário Oficial e vou fazer um comentário nos próximos dias.

    Quanto ao balanço do São Paulo, também acho que ter a metade das receitas derivadas da venda de atletas representa um grande risco. Acho também que um superávit de R$ 3,8 Milhões, embora altamente positivo na realidade de nosso futebol, é um resultado tímido perante o faturamento de R$190 Milhões (representa 2%). Repito, no entanto, que em nossa realidade não é algo para ser desprezado.

    Abraço,

    Mauricio

  3. É de dar inveja…

    Grande abraço

    Fábio, para mim o mais surpreendente foi perceber que a área social e de esportes amadores gerou superávit em 2007 de R$ 1,5 Milhão, contra um déficit em 2006 de R$ 1,66 Milhão. Isso foi conseguido tanto com o aumento das receitas como através de uma significativa redulçaõ de custos.

    Abraço,

    Mauricio

  4. Olá Mauricio

    Me apavora ver que mais da metade da receita com futebol do SP foi com a venda de jogadores. E este ano? Vai fazer o que? Não existe um Breno a disposição hoje em dia no elenco do São Paulo! E isso ocorre com a maioria dos clubes do Brasil, infelizmente.
    Gostaria de saber se tu consegue divulgar o balanço do Inter de Porto Alegre quando for publicado, obviamente. Já que a mídia não dá muito destaque para isso, mas eu acho importante.

    Um abraço

    Luiz, vou procurar informações a respeito e vamos comentar. Também vou tentar me informar melhor sobre o projeto de reforma do Beira-Rio.

    Abraço,

    Mauricio

  5. Parabéns pela cobertura.
    Apenas para ilustrar.
    O estádio do Morumbi é lucrativo.
    Agora se o Corinthians inicia a idéia de construir um estádio todos os moralistas de plantão ficam contra,
    o time do Parque São Jorge precisa de um estádio urgente.

    Não tenho a menor dúvida de que você está certo quanto à necessidade de um clube ter um estádio próprio para realizar seus jogos e, principalmente, aumentar suas receitas.

    Como hoje é impossível para qualquer clube construir uma arena com recursos próprios, a discussão tem que ser quanto ao modelo de parceria a ser levado adiante, tanto na estruturação financeira com suas mútuas contrapartidas como na capacitação da arena para gerar lucro com um caráter multiuso – o que não quer dizer necessariamente alugar o estádio para grandes shows, mas sim gerar possibilidades de negócios constantes em função das especificidades do clube, da cidade e do cenário (como salas para convenções de negócios, restaurantes, lojas, cinemas, etc.).

    Mesmo sendo o Morumbi um estádio defasado estruturalmente, o São Paulo conseguiu nos últimos anos transformá-lo em um fator gerador de receitas e lucro.

    Um abraço,

    Mauricio

  6. Essa semana saiu o balanço do Gremio, sera q tu podia dar uma analisada tambem? (eu nao entendo muito sobre isso, mas acho q seria legal ver como esta o balanço de um time q ainda tem muitas dividas do passado e saiu a pouco tempo da serie b)

    http://www.athcsm.com.br/gremionovo/upload/balanco.jpg

    Borracho, legal você ter enviado o link com o balanço, facilita bastante…vou ler e fazer um comentário em breve.

    Mauricio

  7. Na verdade eh um scan do balanço, mas se tu ampliar bem a imagem da pra ver os numeros direitinho (infelizmente so foi publicado nos jornais). Vou aguardar a tua analise entao…

    Vlw

  8. Oi Maurício e demais parceiros do blog. Acessei hoje pela primeira vez fazendo uma pesquisa sobre valores de transferência de jogadores.

    Parabéns pelo trabalho!!

    Queria saber se vocês têm algum dado sobre esse aspecto no futebol feminino.

    Abs.

    Júlio

    Júlio, eu não tenho informações sobre futebol feminino, mas acho que é um tema bom para um post futuro. Vamos ver que informações conseguimos pesquisar para escrever a respeito.

    Obrigado pela visita.

    Mauricio

  9. Maurício, excelente análise. Sampaulino das antigas estou à vontade pra comentar que o SPFC, ainda que mereça elogios pelo que conseguiu até aqui enquanto clube, precisa urgentemente de um upgrade de gestão. Falo de um novo modelo gerencial para clubes, pois como salientas um superavit de apenas 2% sobre o faturamento implica em dizer que não fôsse a venda de Breno teríamos um deficit já em 2007.

    Não sou de nenhuma facção do clube, apenas um simples sócio-torcedor. Se merece elogio a gestão que trouxe o superavit da área social, merece críticas o desperdício de potencial arrecadador do Programa Sócio-Torcedor. Veja: considerando como mensalidade média em 2007 a do plano Prata (R$ 16), temos que R$ 3.534.000/(16 x 12) = 18.406 sócios torcedores. Ora, o Inter/RS com uma torcida muito menor está com 76 mil sócios-torcedores. O Grêmio, tem 48 mil. Mesmo considerando a diferença de produtos (aqueles oferecem entradas gratuitas), 18 mil para um projeto lançado Há dez anos é muito pouco. Sinaliza falta de foco.

    Meu temor é que esta fragilidade administrativa exista em outros setores.

    Caro Plínio, muito lúcido seu comentário. Concordo com você e também acho que o programa de sócios-torcedores do São Paulo tem um grande potencial ainda mal explorado. Da mesma maneira, creio que o estádio do Morumbi, com suas crescentes receitas e superávits ano após ano, demonstra a importância de se investir na modernização do estádio para aproveitar o enorme potencial já comprovado.

    Um abraço,

    Mauricio

  10. meu sonho é conhecer ocampo do são paulo,e rogério seni que é o meu maior fãn,se poder mindar está oportunidade ficarei muito grato tchau.

  11. Olá Maurício,

    Você não teria um balanço de nenhum clube estrangeiro (Real Madrid, Barcelona) apenas para gerar uma margem de comparação entre os clubes daqui.

    Para podermos analisar onde estamos errando e onde estamos no caminho certo?

  12. Saudações Maurício.

    Muito esclarecedora sua coluna e eu, como sãopaulino, agradeço pelos apontamentos. No entanto, tenho uma dúvida: a “venda” dos direitos federativos do Breno não ocorreu em 2008?

    O expressivo valor computado pode ser explicado pelas “vendas” de outros atletas como Ilsinho, Josué, Thiago Ribeiro, Alex Dias, Lenílson, Fábio Santos, entre outros, além de percentuais de transferências como a de Júlio Baptista (5% de qualquer transferência, pelo SPFC ter sido clube formador do atleta)?

  13. ONDE POSSO ENCONTRAR O BALANÇO PATRIMONIAL DO PALMEIRAS?


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