Amigos, hoje o Corinthians publicou seu balanço referente a 2007.
Não vou aqui fazer nenhuma análise mais detalhada, mas gostaria de chamar a atenção para alguns pontos.
Mais que no enorme déficit do exercício de 2007 (assim como em 2006), a estrutura de receitas e despesas do clube possui similaridade com a preocupante realidade financeira de muitos de nossos clubes.
Eis o resumo da demonstração de resultados:
Corinthianos roxos de preocupação!
Observem que em 2007 o futebol do Corinthians teve um prejuízo relativamente pequeno, igual a R$ 149 Mil. Porém, vejam que a receita obtida com a venda de jogadores representou nada menos que 58,38% das receitas operacionais com futebol! Um verdadeiro absurdo do ponto de vista de estruturas de receitas, mas que é um reflexo (exagerado, é verdade) da gestão de nossos clubes. No balanço do São Paulo F.C. (o chamado “clube modelo em gestão) referente a 2007 poderá ser observado que a receita com transferência de atletas também representa uma porcentagem muito grande em relação ao faturamento total, ainda que não tão alarmante.
Outro aspecto que chama a atenção é o item licenciamento e franquias, que na demonstração de resultados corinthiana de 2007 é igual a zero. Sim, zero! As receitas de patrocínios e direitos de TV ficaram praticamente estáveis. Entre as despesas operacionais, destaca-se a provisão de quase R$ 41 milhões para contingências (ou seja, pagamento de dívidas cíveis, trabalhistas e fiscais).
Com esse quadro pouco animador, as torcidas organizadas (que alguns órgãos de imprensa insistem em chamar de “torcida do Corinthians”, como se elas representassem o total do universo de torcedores) voltam sua ira contra a camisa roxa, que a despeito de qualquer argumento, será um fator gerador de receitas para o clube.
Por fim, vejam a tragédia que representa a manutenção do clube social, responsável por praticamente todo o enorme déficit do exercício de 2007, superior a R$ 23 Milhões!
Há muito o futebol de nossos grandes clubes tem suas receitas exauridas pela parte social, que simplesmente deixou de ser viável economicamente. Esse é um ponto que merece uma reflexão mais aprofundada. Se não é possível ou indicado separar as finanças dos departamentos através de pessoas jurídicas diferentes, para não falar na mera extinção dos clubes sociais e esportes amadores, é preciso reconhecer que o tamanho destes precisa ser muito reduzido. O futebol é o core business de nossos clubes e precisa ser tratado como tal.

Excelente post caro Maurício….
Mas vc não acha q todo se esse valor contegenciado for utilizado de maneira
correta não vai acabar virando um investimento?
Pois a tendencia, pelo menos em tese,é que ele
dimunua a cada ano, repito, se for bem utilizado.
Em breve sai o balanço do Botafogo, qual a sua previsão?
Ps: O grande problema dos clubes socias é que eles fazem parte da tradição dos clubes, principalmente os cariocas.
Abraço
Olá, André. De fato, se o valor contingenciado for efetivamente pago, será um fator positivo. O problema é que a provisão para contingências diz respeito ao fato que já ocorreu, mas não foi pago ainda. Para que seja pago no(s) próximo(s) exercício(s) é preciso ter dinheiro em caixa…
Creio que o balanço do Botafogo deve estar disponível em breve, até para cumprir o prazo, salvo engano, de 30 de abril. Certamente vamos analisar para acompanhar se a situação financeira do clube tem melhorado.
Um abraço,
Mauricio
Por: André em 11/Abril/2008
às 5:43 pm
Amigos, aproveito para dizer que esse texto a respeito do balanço do Corinthians foi integralmente reproduzido no blog do Citadini, com a data de 11/04/2008.
http://blogdocitadini.blog.uol.com.br/
Antonio Roque Citadini é presidente do CORI – Conselho de Orientação do Corinthians.
Há por lá alguns comentários interessantes.
Abraços.
Por: Maurício Bardella em 12/Abril/2008
às 3:48 pm
Maurício, como vc informou acima reproduzi no meu blog sua análise sobre o balanço do Timão.Foram colocações interessantes e que os corinthianos precisam discutir.Acompanho este blog Futebol e Negócio e sempre que puder vou chamar os blogueiros ao debate.Obrigado pelo texto e pela seriedade ao tratar tão importante questão.
Caro Citadini, bem-vindo ao Futebol & Negócio. Fico contente por saber que nossa audiência vem se tornando a cada dia mais ampla e qualificada, alcançando um público capacitado e ansioso por discutir os problemas e soluções de nosso futebol. A reprodução de nosso texto em seu blog sem dúvida nos ajuda a ampliar a exposição do tema.
Contamos com sua presença em futuros debates.
Um abraço,
Mauricio Bardella
Por: Roque Citadini em 12/Abril/2008
às 7:54 pm
Não sabia da existencia do site, por isso só agora encontrei e gostaria de fazer uma pergunta?
como é tratado os jogadores no balanço? Ativo permanente? Se for a receita operacional não pode estar somado a venda dos direitos federativos. (Nem em uma DRE fiscal e nem em um possível Ebtida). Se for em “estoque”, o gasto na formação de atletas não seriam mais despesas e sim estoque de longo prazo. Claro que vcs sabem dessas diferenças, mas gostaria que alguém pudesse esclarecer essas questão!
Abs
Por: Rodrigues em 29/Maio/2008
às 11:10 am