A pedido do leitor Gilson Gustavo aqui no blog, que comentou sobre a recente publicação das demonstrações contábeis da Confederação Brasileira de Futebol, vou apresentar algumas análises do último exercício da entidade que comanda o nosso futebol.
Em 2007 a CBF apresentou uma receita total de R$ 119,8 milhões e superávit do exercício de R$ 10,4 milhões, fazendo com que a entidade melhorasse muito sua situação financeira em relação a 2006, um ano péssimo em termos financeiros e também desportivos, com a eliminação precoce de nossa seleção da Copa de 2006.
As receitas registraram um crescimento de 19,7%, principalmente pela melhora com os recursos provenientes de seus patrocinadores, direitos de TV, cobranças de taxas e receitas financeiras. Já o resultado ao final do exercício apresentou uma evolução contundente, já que em 2006 a CBF apresentou déficit do exercício de R$ (22,1) milhões.
CBF- Receita total e superávit / (déficit) do exercício
2003-2007 – Em R$ milhões

A melhora dos números financeiros da entidade foi resultado de alguns fatores e o principal deles refere-se ao substancial corte em seus custos com futebol profissional, que passou de R$ 50,6 milhões em 2006 para R$ 20,8 milhões em 2007. A CBF nos últimos anos vinha disponibilizando muitos recursos com a equipe profissional e foi obrigada a reduzir drasticamente esses valores para buscar um equilíbrio financeiro em suas contas.
Já suas despesas operacionais, que incluem despesas administrativas, de pessoal, diferentes serviços prestados e impostos e taxas sofreram uma ampliação nesse período de R$ 8,6 milhões e uma despesa nova em 2007 registrada pela entidade foi o investimento de R$ 5,8 milhões na candidatura do país para sediar a Copa de 2014.
Seleção em 2007 - Fonte Site CBF

Com relação as suas receitas, a CBF ampliou consideravelmente seus ganhos com seus patrocinadores e em parte esse aumento foi consequência da antecipação de receitas futuras já em 2007. A entidade também antecipou parte de seus recursos com direitos de TV em 2007.
Embora os recursos com patrocínio sejam sua principal fonte de receita, a cada ano vem perdendo sua representatividade, já que em 2003 foram responsáveis por 73% de todos os recursos gerados pela entidade e em 2007 essa representatividade foi de 54% do total. Já as receitas com o futebol profissional (partidas realizadas), vem ampliando sua importância, já que em 2003 representavam 12% do total gerado pela entidade e em 2007 atingiu 23% do total. Em 2006 as partidas realizadas pela seleção apresentaram seu maior valor, representando 33% dos recursos gerados naquele ano.
Amistosos da Seleção, cada vez mais importantes para as finanças da CBF - Fonte Site CBF

Uma outra fonte de receita que cresceu muito nos últimos anos foram os recursos gerados com as licenças e transferências que passaram de pouco mais de R$ 1,1 milhão em 2003 para mais de R$ 3,8 milhões em 2007. Uma outra fonte importante para a CBF são suas receitas financeiras, que atingiram R$ 5,7 milhões em 2007, uma evolução de 506% em relação ao ano anterior.
O diagnóstico sobre as finanças da entidade é que com o negócio com alto valor agregado que a CBF detém sua receita é muito baixa em relação ao seu potencial. Além disso, a entidade, por conta de seu grande déficit em 2006 continua com Passivo a Descoberto (Patrimônio Líquido negativo), que alcançou R$ (17,5) milhões em 2006 e com seu superávit de 2007, esse número foi reduzido para R$ (7,5) milhões, fazendo com que seu Passivo alcançasse no último exercício R$ 37,4 milhões frente a um Ativo de R$ 29,9 milhões.
Embora a situação financeira da CBF seja muito mais confortável que de muitos clubes brasileiros, está muito aquém do que deveria, já que poderia servir de benchmark para o futebol brasileiro, já que precisamos urgentemente de um novo modelo de gestão para o nosso mercado e acredito que a entidade máxima do nosso futebol poderia ser a precurssora dessa mudança.
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