Vou pegar carona no post do Amir sobre ídolos para escrever sobre um tema que tem me incomodado, principalmente este ano: a numeração fixa das camisas dos jogadores.
Sei que muita gente (ainda) torce o nariz para essa prática, mas entendo que se trata de uma importante ferramenta de marketing para aumentar a identificação entre o atleta e o torcedor. Além de alavancar a venda de camisas, é claro.
A contratação de Ronaldo pelo Milan, no ano passado, é um bom exemplo. Como a camisa 9 do time italiano não estava disponível (já pertencia a Inzaghi), a solução foi transformar o Fenômeno em 99. Além de vender milhares de camisas, a escolha do número rendeu uma gigantesca exposição global para Adidas, Milan e Ronaldo.
A numeração fixa começou a ser adotada pra valer aqui no Brasil em 2005, com o São Paulo FC. No ano anterior o Tricolor paulista já queria implantar a idéia, mas enfrentou resistência da CBF. O resultado foi imediato e transformou a camisa 5, do uruguaio Diego Lugano, em recordista de vendas, superando até a número 1 de Rogério Ceni.
Também em 2005 o Corinthians passou a usar a numeração fixa. E fez sucesso com a 10 de Carlitos Tevez. Cruzeiro, Flamengo e Palmeiras foram outros clubes que optaram por manter os jogadores com o mesmo número na camisa, pelo menos durante algum tempo.
Por falar em manutenção, o pioneiro SPFC tem cometido deslizes nas decisões sobre os números dos atletas. Vamos relembrar alguns:
Antes mesmo de ser apresentado, o atacante Adriano recebeu a camisa 10, que estava sendo usada pelo meia Souza. O privilégio dado ao Imperador é até compreensível, por se tratar de um atleta que já valeu 100 milhões de Euros e atrai os holofotes da mídia mundial. Mas a troca deixou o novo reforco do Paris Saint-Germain de saia justa por ter de voltar a usar o número 21, com o qual fez uma excelente temporada em 2006. Por que mudaram? Se mantivessem o Souza com a 21, o constrangimento poderia ter sido evitado…
O volante Hernanes foi um dos destaques do último Brasileiro. Atuando com a camisa 26, ele conseguiu a façanha de substituir Josué. Como a numeração na Libertadores só vai até 25, o SPFC achou por bem mudar o número do volante, que passou a usar a 15 este ano. Enquanto isso o recém-chegado Fabio Santos, que tem contrato de apenas 6 meses, herdou o número 8 de Josué. Não seria mais lógico que o herdeiro fosse o Hernanes, que já conquistou um lugar no time e acabou de estender o contrato até 2012?
Em abril do ano passado Dagoberto foi anunciado como o grande reforço do SPFC para a fase decisiva da Libertadores. Na apresentação ganhou a camisa 25, que rapidamente se tornou uma das mais vendidas pela Reebok. Um mês depois da contratação, o diretor de marketing do clube, Julio Casares, fazia planos para explorar a imagem do novo ídolo.
“O Dagoberto é diferenciado. E já estamos pensando em trabalhar em cima dele”, declarou Casares ao diário Lance! em 17 de maio.
Exatamente por essa disposição, fiquei surpreso com a mudança da camisa de Dagoberto neste início de temporada. O atacante abandonou a 25 e passou a vestir a 11, que era do meia Hugo, o novo 18. Além da possibilidade de melindrar mais um jogador que continua no elenco e foi obrigado a trocar de número, o SPFC simplesmente descartou a identificação de Dagoberto com a 25, que foi construída durante 2007.
Alguém pode alegar que Dagoberto é titular e que sempre usou a camisa 11 no Atlético-PR e na Seleção Brasileira. Para mim, uma justificativa insuficiente. Variar a numeração fixa é um retrocesso.
A partir do momento em que um time adota a numeração fixa, não vejo motivo para mudar tanto. Fico imaginando a reação do torcedor são-paulino que comprou a camisa 25 de Dagoberto no ano passado. Será que ele está satisfeito?
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